19 agosto 2018

QUANDO COLOCAR TANQUES NAS RUAS SE PÔDE TORNAR NUMA PROVA... DE FRAQUEZA


19 de Agosto de 1991. As imagens dos tanques nas ruas de Moscovo que as televisões transmitiam eram a expressão de uma coreografia já conhecida. Quase precisamente 23 anos antes, dia por dia, uma cena semelhante tivera lugar em Praga, capital da então Checoslováquia. Ficara compreendido que, quando o esclerosado poder soviético perdia os argumentos, recorria à força. E a força das imagens dos tanques circulando pelas ruas de Moscovo, complementada por uma sóbria conferência de imprensa anunciando ao que vinham, parecia transmitir as intenções de quem se apossara do topo da cadeia de comando, e arrumar o assunto.

Contudo, as mesmas reportagens que os mostravam nas ruas, guarnecendo os seus carros de combate, mostravam também o quanto os protagonistas no terreno não pareciam empolgados em impor a solução política de que estavam a ser o instrumento. Não seriam eles que iriam a extremos de violência para o fazer. O resto, a reacção ao golpe, faz parte da História, mas não deixou de haver um último retoque de ironia poética no facto da Queda do Comunismo ter sido causada pelo trabalho político realizado junto dos seus próprios soldados (i.e., a subversão da cadeia de comando...), aquilo que fora uma das armas revolucionárias dos comunistas mais temidas durante décadas.

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