Se quase todos ouvimos falar de Jack the Ripper (Jack o Estripador), um assassino em série que, em 1888, se notabilizou por assassinar e esventrar prostitutas em Londres, quase ninguém conhece esta história de um outro assassino em série que apareceu em Londres em 1964. O seu alvo eram também as prostitutas, só que, em vez de as estripar depois de mortas, estrangulava-as e depois despia-as, o que levou a imaginativa imprensa local a baptizá-lo de Jack the Stripper. Porém, a denominação menos imaginativa do caso que perdurou foi a de Hammersmith nude murders. E como o caso precedente do século XIX, a sucessão de assassinatos também parece ter cessado sem qualquer explicação e sem qualquer remota suspeita de quem possa ter sido o seu autor. Mas os contornos da história vieram a ser aproveitados para o argumento de um filme de Alfred Hitchcock.
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14 julho 2024
09 julho 2024
VALE A PENA RECORDAR...
...que se Joana Marques Vidal tivesse sido reconduzida no cargo em 2018, como toda a comunicação social e os comentadores do costume asseveraram que sim, então era muito provável que a procuradora geral da República tivesse hoje morrido em funções.
O DESMENTIDO DOS RUMORES DO ROMANCE DE GINA LOLLOBRIGIDA COM ROCK HUDSON
9 de Julho de 1964. Os jornais dão destaque a uma daquelas fofocas sobre estrelas de cinema que o futuro se encarregará de desmentir implacavelmente. O romance de actriz italiana Gina Lollobrigida com o actor norte-americano Rock Hudson - que haviam acabado as filmagens de Strange Bedfellows - era impossível porque - como se veio a descobrir mais de 20 anos depois - o actor era homossexual. No entanto, estes rumores podiam não ser involuntários, já que dispersavam os outros rumores.
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06 julho 2024
A SENHORA LÁ ATRÁS QUE, DISCRETAMENTE, VALE € 767 MILHÕES
A esposa de ar macambúzio que agarra desajeitadamente um chapéu de chuva e que aparece por detrás de Rishi Sunak à despedida do nº10 de Downing Street tem uma fortuna pessoal estimada em € 767 milhões (é uma das herdeiras de um dos co-fundadores da Infosys). Apesar da cenografia calculada da ocasião, a verdade é que, para quem não esteja informado, as aparências podem iludir.
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05 julho 2024
O 30º ANIVERSÁRIO DA FUNDAÇÃO DA AMAZON: INDISPENSÁVEL E DETESTÁVEL
5 de Julho de 1994. A Amazon é fundada numa cidade dos arredores de Seattle, no estado norte-americano de Washington. Nestes trinta anos tornou-se indispensável: é o sítio onde passei a comprar a maioria dos livros que leio, mas é, ao mesmo tempo, uma organização detestável pela reputação que adquiriu a respeito da maneira como (mal)trata quem lá trabalha.
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02 julho 2024
SOBRE UMA CERTA MEDIOCRIDADE DO ACOMPANHAMENTO INFORMATIVO DE ELEIÇÕES ESTRANGEIRAS
Este Domingo houve eleições legislativas em França e na próxima Quinta-Feira havê-las-á no Reino Unido. Qualquer delas muito interessantes e importantes. Só que o acompanhamento que os canais informativos portugueses fazem destas eleições é... medíocre. A culpa nem é dos convidados. Alguns, nem todos, sugerem, pelas suas intervenções, quão aprofundados são os seus conhecimentos sobre a matéria. O problema é que eles são convidados pelos jornalistas do estúdio a reexplicar (pela enésima vez!) todas as particularidades daquele acto eleitoral - que são as mesmas dos actos eleitorais precedentes! É uma forma de se perder e de enxotar uma parte importante da audiência: os espectadores que sabem esses detalhes elementares mudam imediatamente de canal e só lá ficam a assistir aqueles que já se tinham esquecido do elementar. Forma-se assim um circuito fechado em que os comentadores portugueses em estúdio, uns mais esforçados, outros mais pedantes, dissertam sobre uns tópicos mais elementares, outros tópicos mais superficiais, para uma audiência que as circunstâncias do formato do programa tornaram pouco exigente: por exemplo, ficaram a saber que as eleições francesas são a duas voltas, e que tudo - a composição da Assembleia Nacional - só ficará decidido daqui por uma semana, mas da próxima vez que houver eleições em França eles já se esqueceram disso tudo. É que as últimas eleições legislativas francesas tinham sido apenas há dois anos...
Indo recuperar aqueles que, a meio da narrativa precedente já se tinham ido embora, cansados de ouvir lugares comuns, vamos encontrá-los durante estas noites eleitorais nos canais mais elevados e escondidos das grelhas, acompanhando a informação e a opinião junto de fontes mais originais (no duplo sentido da palavra...). Foi assim no Domingo passado (França) e irá ser assim na Quinta-Feira (Reino Unido) e no Domingo próximos (outra vez em França). Confesso que fico bastante intrigado quando vejo certos comentadores televisivos domésticos de assuntos internacionais a mostrarem-se tão cheios de si próprios.
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27 junho 2024
TALVEZ NÃO SEJA A MELHOR OCASIÃO PARA RECORDAR NOTÍCIAS DESTAS
...e como é tradicional nestas ocasiões, aqueles que ficaram expostos ao ridículo tentam desconversar. Por detrás de uma exibição para esquecer, poucos serão os querem pôr o jogador em causa, o assunto em discussão é absolutamente outro: como é evidente não foi António Silva que montou esta campanha de promoção de si próprio que se pode apreciar mais acima e foi o despropósito da promoção do jogador que ficou obviamente exposto com a sua exibição no jogo contra a Geórgia.
25 junho 2024
A CAUSA DAS ÁRVORES
Há causas cuja discussão pública é obrigatoriamente enviesada. Sejam quais forem as circunstâncias, o pressuposto é que a remoção de árvores nos meios urbanos incomoda os circunstantes e é só a partir daí que se pode falar do assunto. Se Ideiafix era apenas uma personagem cómica do universo das aventuras de Astérix, hoje esses radicalismos são assumidos muito a sério.
22 junho 2024
DEPOIS DE TRAZER O AVANÇADO PAVLIDIS, O BENFICA TAMBÉM BEM PODIA TENTAR ASSINAR COM O OWN GOAL POR CINCO TEMPORADAS
Uma das coisas que a comunicação social convencional se demite de fazer é permanecer atenta às múltiplas manifestações de estupidez provocadas pela disseminação da Inteligência Artificial, como é o caso acima do Own Goal, que lidera destacado até agora a classificação dos melhores marcadores do Europeu de futebol. Em contraste, uma outra coisa que, essa, a comunicação social convencional se aplica em fazer, é dedicar um tempo infindo à cobertura de novidades que não interessam a ninguém: anteontem, haviam destacado uma repórter para acompanhar em directo a chegada ao aeroporto de um novo jogador do Benfica, jogador esse que, dois dias antes disso, praticamente ninguém sabia que existia. Nem sei se se chegou a ver o homem, o novo reforço do Benfica... O acompanhamento informativo do tópico futebol é um requinte da estupidez, e pelas causas mais antagónicas possíveis: por negligência ou por dedicação em excesso...
14 junho 2024
O VIZINHO QUE FALA DEMASIADAMENTE ALTO NO CAFÉ...
Que a situação na Saúde se tornou rapidamente um dos calcanhares de Aquiles do novo governo afigura-se patente. Trata-se de uma herança de uma pasta delicada, mas o perfil da nova ministra, mais a sua capacidade inata para despertar a antipatia mediática não os ajuda nada. Considerado isto, o que também não faz qualquer sentido é a CNN ir desencantar o comentador Pedro Tadeu para nos dizer precisamente o mesmo nos ecrãs da televisão (mais alongado: em seis minutos e meio e com a coreografia de alguém parecer interessado no que ele tem para nos dizer). Mas, ainda que mal pergunte: o que é que qualifica precisamente Pedro Tadeu para nos vir falar sobre assuntos da política da Saúde? O que é que ele tem de mais do que aquele nosso vizinho que vai para o café falar demasiadamente alto de tópicos avulsos de política, para que todos o ouçamos? Será a legitimidade de se arranjar alguém para lhe fazer antes as perguntas, para que a ocasião não fique com o mau aspecto dos monólogos no café do vizinho, vizinho esse de que normalmente formamos a impressão de que fala assim só porque é um solitário gabarola e gosta de se ouvir? É que, mesmo sabendo que posso mudar de canal e também vir-me embora do café, só de começar a ouvir qualquer dos dois parece-me um acto impingido com a mesma falta de pertinência. Ou melhor: o desbocado do café dos últimos decénios foi promovido para os ecrãs para encher o tempo dos canais de informação.
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13 junho 2024
FRANÇOISE HARDY E A «ARTE» DE «VENDER VINHO E CARVÃO» UNS AOS OUTROS
Em consequência do anúncio anteontem da morte da cantora francesa Françoise Hardy, e em complemento às notícias necrológicas da comunicação social tradicional, ocorreu ontem uma espécie de epidemia nostálgica nas redes sociais, com imensas publicações a respeito, embora raras se destacassem pela imaginação: o mesmo tema e evocado por todo o lado da mesma forma. O ambiente de concorrência fez-me lembrar esta passagem de O Escudo de Arverne de Astérix. Andamos todos a vender vinho e carvão uns aos outros. É por isso que Goscinny era um génio.
Esclareça-se que também eu, noutro tempo oportuno, aqui evoquei Françoise Hardy e a mais do que previsível canção «Tous les garçons et les filles» por ocasião do 60º aniversário da sua estreia televisiva em 1962. Mas, para contrariar aquelas publicações expectáveis por ocasião agora da sua morte, recorde-se que, com ela e com as pessoas da sua geração, é uma memória de uma certa Europa que desaparece: ela própria já não teria memória disso, mas, quando Françoise Hardy nasceu em Paris, em 17 de Janeiro de 1944, a cidade ainda estava ocupada pelos alemães...
E os russos ainda haviam de chegar a Berlim...
11 junho 2024
SE A REFERÊNCIA FOR ESTES DOIS ABAIXO, ENTÃO SER-SE JORNALISTA É MESMO UMA ACTIVIDADE MUITO «ABERTA»
No programa Isto é gozar com quem trabalha de ontem, Ricardo Araújo Pereira recebeu como convidados Ana Sá Lopes (Público) e Miguel Pinheiro (Observador) que ele apresentou como sendo jornalistas. Eu não acompanho o que se publica e radiodifunde no Observador com a mesma intensidade como sigo o que aparece no Público mas, quanto a Ana Sá Lopes, não tenho memória alguma de ler uma notícia sua nestes últimos anos. O que a vejo fazer é mandar opiniões, sobretudo sobre política nacional. E desconfio que o mesmo acontecerá com Miguel Pinheiro, pelo pouco que o ouço. Deparamo-nos com o mesmo equívoco que há sete semanas levou João Miguel Tavares - que também se deve considerar a si próprio jornalista - a classificar Sebastião Bugalho como colega de profissão. O conceito original de jornalista parece estar ultrapassado. A responsabilidade da produção das notícias parece agora assentar nas agências noticiosas. Toda esta gente acima citada e tantos outros que também se alcunham por jornalistas, aquilo que fazem é darem opiniões. E, por isso mesmo, é sempre complicado questioná-los quanto ao que os qualificará para possuírem o estatuto de serem eles a falar e os outros a ouvir. Quando se lhes faz a pergunta, não gostam. Porque as explicações são tão curtas quanto a definição do que são os profissionais é abrangente. O que desqualifica a profissão e o profissional. Tanto é assim, que aqueles que tiveram outra vida mas que agora também vivem de aparecer a dar opiniões querem continuar a ser conhecidos por aquilo que foram, não por se terem tornado jornalistas na terceira idade; exemplos assim mais conhecidos da televisão, há o do advogado José Miguel Júdice, o major-general Agostinho Costa ou o embaixador Seixas da Costa, que poderiam, por esta liberalidade, ser tratados também por jornalistas, já que eles fazem a mesma coisa que os outros: dão opiniões. Mas desconfio que qualquer deles se sentiria insultado se lhes disséssemos que agora estão a fazer trabalho de jornalistas...
09 junho 2024
«ERAM P'RAÍ OITO E PICOS, NOVE E COISA, DEZ E TAL...»
Como se pode ler acima, o automóvel onde viajava a ministra da Saúde esteve envolvido num acidente, de onde a própria saiu com uma fractura de um braço. Mas o que mais terá entusiasmado os jornalistas foram as inexplicáveis imprecisões que acompanharam a divulgação do acontecimento: tão depressa o despiste ocorrera na auto-estrada A8, como na A10, o local onde ocorrera precisamente também variou, o INEM e os restantes serviços de urgência terão - ou não terão - sido accionados, mas eles não terão encontrado a viatura onde seguia a ministra, a assessora e respectivo motorista. As duas primeiras terão depois dado entrada na urgência do hospital de São Francisco Xavier, dispensando no percurso os hospitais de Vila Franca de Xira, Loures e Santa Maria, unidade hospitalar que, por sinal, a ministra dirigiu até há cinco meses. Em suma: as confusões associadas ao acidente acabaram por justificar, hoje, a publicação de uma nota explicativa do ministério.
Mas tanta confusão levou-me a recordar este grande sucesso musical popular de há 60 anos do conjunto António Mafra, cuja letra, por coincidência, tem várias passagens que parecem ser propositadamente alusivas ao acidente da ministra: «...foram dar com o chófer a dançar com a criada, dizia-lhe ela baixinho: na prise és bestial» ou «...foi dançar a bossa nova, escorregou no soalho, caiu, foi p'ró hospital...» mas sobretudo o refrão, por causa da confusão com as auto-estradas (A8? A10?): «...Eram pr´aí oito e picos, nove e coisa, dez e tal!»
08 junho 2024
MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO
(Republicação)
8 de Junho de 1949. Data da edição original de Mil Novecentos e Oitenta e Quatro. Como se vê acima, o título é para ser escrito por extenso e George Orwell é o pseudónimo de Eric Blair (1903-1950), dois pormenores que se sabem lendo o livro e não apenas tendo sabido que o livro existe e do que trata. É que quem não lê... chapéu.
Mesmo 75 anos depois do seu aparecimento, o livro continua a representar um caso sem paralelo de um romance que criou um verdadeiro anti-modelo de uma sociedade que toda a gente quererá a todo o custo evitar. Um romance que intervém politicamente pela negativa, porque a cada momento a realidade o recupera para a actualidade do debate: tivesse sido em 2013, com as denúncias de Snowden a respeito da actividade da NSA e da sua intromissão na privacidade dos cidadãos norte-americanos (e mesmo no telemóvel pessoal de Angela Merkel!); seja depois em 2016, depois das eleições presidenciais americanas com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, com a aceitação oficial da mentira sistemática, da falsificação das notícias e mesmo a criação da expressão «factos alternativos», atitudes e título tão tipicamente orwellianos.
Mesmo 75 anos depois do seu aparecimento, o livro continua a representar um caso sem paralelo de um romance que criou um verdadeiro anti-modelo de uma sociedade que toda a gente quererá a todo o custo evitar. Um romance que intervém politicamente pela negativa, porque a cada momento a realidade o recupera para a actualidade do debate: tivesse sido em 2013, com as denúncias de Snowden a respeito da actividade da NSA e da sua intromissão na privacidade dos cidadãos norte-americanos (e mesmo no telemóvel pessoal de Angela Merkel!); seja depois em 2016, depois das eleições presidenciais americanas com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, com a aceitação oficial da mentira sistemática, da falsificação das notícias e mesmo a criação da expressão «factos alternativos», atitudes e título tão tipicamente orwellianos.
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06 junho 2024
SERÁ QUE A «ÉTICA PINA MOURA» CONTINUA A SUBSISTIR POR AÍ DE FORMA MENOS ASSUMIDA?
O título acima parece-me um exemplo acabado de um exercício deliberado - e descarado - para distorcer a natureza do que está em causa no caso, que se arrasta pelos jornais, da indemnização da actual secretária de Estado Cristina Dias. Apresentado da forma como o antigo secretário de Estado Sérgio Monteiro o tentou fazer ontem no parlamento, até parece que existem dois compartimentos estanques, o da legalidade e o da ética, e que, na opinião dele, por aquilo que se tem vindo a saber, o caso transitou do primeiro para o segundo, sendo este mais benigno. Está a tentar vender-nos a história que as coisas se apresentam menos graves do que se queria fazer crer. Mas a história da oportuníssima - e acelaradíssima - saída de Cristina Dias do conselho de administração da CP em Julho de 2015 não se pode nem deve compreender da forma distorcida como o antigo governante a tentou estruturar. Tudo o que se tem vindo a saber a esse respeito é condenável do ponto de vista ético, com a notável particularidade de, tendo sido dadas várias oportunidades a Cristina Dias, o substancial do caso não tem sido rebatido por ela. Que aquilo que ela fez foi uma pulhice, parece adquirido; que tenha sido ilegal, isso admito que possa ser duvidoso. Agora o que é penoso é ter de explicar a este antigo governante - Sérgio Monteiro - o quanto é indesejável manter governantes em funções quanto adquiram a reputação de terem cometido umas pulhices, independentemente de esses gestos poderem ser admitidos por legais. Tudo isto nos remete, por causa da argumentação de Sérgio Monteiro e do raciocínio que lhe está subjacente, para uma famosa frase proferida há mais de 18 anos pelo defunto Joaquim Pina Moura e que fez escola: «A ética da república é a ética da lei». É uma confusão cultivada deliberadamente por quem traz uma má reputação à classe política e na aparência, atravessando o espectro político e mesmo de forma mais envergonhada, com este exercício de argumentação de Sérgio Monteiro, a ideia parece ter e manter raízes.
23 maio 2024
BONNIE & CLYDE ATRAVÉS DOS TEMPOS
(Republicação)
23 de Maio de 1934. Bonnie e Clyde são emboscados e abatidos por um destacamento policial de seis polícias fortemente armados. Nem de propósito, e se acreditarmos no documentário acima, filmado na época, cinco minutos depois dos acontecimentos já um «amador» estava postado a filmar o que acontecera. Ora a emboscada tivera lugar numa estrada remota, e as câmaras de filmar em 1934 não são como os telemóveis nos nossos dias... Aliás, aquilo que o documentário nos mostra não esconde a sua intenção pedagógica e dissuasora, numa sociedade norte-americana muito combalida, a passar então pelo auge da Grande Depressão. Ou não foram cinco minutos, ou o destacamento incluía mais gente para além dos metralhadores.
33 anos depois, o realizador Arthur Penn romantizou o casal e conferiu-lhes uma fama mundial com o filme homónimo. 46 anos depois disso, o canal História produziu uma mini-série sobre o mesmo tema. A reconstituição da cena da morte do casal, ocorrida cumprem-se hoje 90 anos, tornou-se um clássico.
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22 maio 2024
O «JOSÉ MOURINHO DA SAÚDE»: "ZERO TITULI"
Agora que foi anunciado o seu substituto, apercebo-me que nunca expliquei devidamente porque é que alcunhara Fernando Araújo como o José Mourinho da Saúde. E é até um exercício divertido arrastar comigo o leitor até ao Verão de 2022, quando, diante da previsível substituição de Marta Temido na pasta da Saúde, o nome de Fernando Araújo apareceu ventilado com uma insistência que, mais do que suspeita, se tornava ridícula, elogios espalhados por toda a comunicação social sobre uma pessoa que na véspera era um completo desconhecido. Imediatamente abaixo republico um artigo do Expresso de 31 de Agosto de 2022. Lido a esta distância de 21 meses, o que ali aparece escrito está reduzido à sua insignificância ridícula. Era o homem que criara um «sistema» (de funcionamento das urgências) que «revolucionara os hospitais do Norte» e que funcionava «sem grandes falhas» há 18 anos. A sugestão implícita é que, qual Santiago contra os mouros em plena reconquista cristã, Fernando Araújo descesse por Portugal abaixo aplicando aquele mesmo sistema miraculoso e provado (18 anos!) no Centro e no Sul do país, bastava haver «vontade política». Este outro Mourinho era apresentado como o costuma ser o José Mourinho original, que sempre que é apresentado como treinador de uma equipa aparece cheio de atitude e disposto a ganhar muitos títulos. E tanto assim era a disposição, que até mesmo um manhoso do sindicato dos médicos como Roque da Cunha, que estão sempre do contra a qualquer reforma naquele sector, aparecia noutro jornal dois dias depois, a dar uma entrevista endossando a solução e a apanhar o autocarro do Mourinho já em andamento. (veja-se mais abaixo)
Ao fim de 21 meses é patente que aquela atitude de "todos com o Mourinho" era uma hipocrisia e, pior, era um disparate. O tal sistema de funcionamento das urgências que tão bem provara durante 18 anos a Norte, afinal não era assim tão bom no Norte, e não era solução para os problemas de fundo com que se confrontavam as urgências no resto do país. Como diz o José Mourinho original, numa expressão que lhe ficou famosa, este seu homólogo da Saúde abandona o cargo a meio da época e com zero tituli!
21 maio 2024
DEPOIS DO TRATAMENTO QUE FOI DADO AO PINTO DA COSTA E À SUA CLIQUE...
...vem mesmo a propósito dar um tratamento equivalente ao Mário Nogueira e à sua clique. Já há cinco anos havia aqui manifestado no blogue a minha saturação com esta dupla - Jorge Nuno Pinto da Costa e Mário Nogueira - que eu então classificava como os vitalícios, embora continuamente manhosos nas suas manobras em que fingiam uma falsa disponibilidade para abandonarem os cargos onde se eternizavam há décadas. Neste caso concreto de Mário Nogueira mais a sua clique da Fenprof, uma saudação especial ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, pela coragem de os tratar como merecem e de os qualificar publicamente pelo que são.
15 maio 2024
SOBRE O FACCIOSISMO FUTEBOLÍSTICO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL EM PORTUGAL
15 de Maio de 1964. Na finalíssima da Taça dos Vencedores das Taças, disputada em Bruxelas, o Sporting ganhava a competição frente ao MTK, clube húngaro, contra o qual disputara uma final na mesma cidade dois dias antes, final essa que acabara empatada 3-3. Mas o destaque do poste nada tem a ver com o acontecimento em si, antes com a cobertura noticiosa que recebeu em Portugal. O Diário de Lisboa nem uma chamada de primeira página faz para o acontecimento, remete-o para uma discreta 10ª página, embora aí em termos francamente congratulatórios.
A explicação poderia ter sido a de que há sessenta anos as vitórias em competições europeias de futebol de clubes não mereceriam o destaque como hoje são cobertas. Poderia... mas os tempos agora permitem-nos uma consulta rápida para verificar se isso era verdade e comparar, aliás, como fora a paginação do mesmo Diário de Lisboa quando fora o Benfica a ganhar (por duas vezes) a sua competição europeia de clubes, em Maio de 1961 e de 1962. E contra factos não há argumentos: já há sessenta anos na redacção do Diário de Lisboa os sportinguistas não tinham capacidade de decisão...
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14 maio 2024
DOS FRACOS (DE ESPÍRITO) NÃO REZA A HISTÓRIA...
Esta história havia começado em Janeiro de 1963, quando um artista de trapézio da Alemanha Oriental, chamado Horst Klein, alcançara a notoriedade por ter fugido daquele país, atravessando o Muro de forma original, escalando um grande poste de electricidade e pendurando-se num dos cabos de sustentação em aço. Tudo terá corrido bem até à sua chegada a - por cima de - Berlim Ocidental, quando Horst Klein se terá desequilibrado e caído de uma altura apreciável, já que a consequência foi a de ter fracturado os dois braços. Mas, mesmo de braços partidos ou, se calhar, até por causa deles, o homem tornou-se um daqueles pequenos heróis da Guerra Fria, entre aqueles poucos que haviam vencido o Muro que separava as duas Alemanhas. Mas a pequena notícia (acima, ao centro) de 14 de Maio de 1964 desfaz o mito: é que, chegado ao Ocidente, o homem deixou-se enganar depois pelos apelos da sua mulher Sylvia, que ficara do lado de lá, e regressara à Alemanha Oriental para ser - naturalmente - preso e condenado a 30 meses de trabalhos forçados. Suprema humilhação para Horst Klein: a mulher divorciara-se e casara-se com outro. A propaganda da Guerra Fria aceitava heróis desastrados e de braços partidos, agora assim tão estúpidos, não!
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