11 dezembro 2019

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (XI)

A imagem com a jangada e os piratas é uma referência a um famoso quadro: A Jangada de La Méduse.

O COLAPSO DO COMUNISMO POR TODA A EUROPA DE LESTE... E OS PINHEIROS DE NATAL

11 de Dezembro de 1989. As notícias internacionais de há precisamente trinta anos deviam ser um completo desconsolo especialmente quando publicadas num jornal de indisfarçáveis simpatias pró-comunistas, como era o caso acima do Diário de Lisboa. Na página dedicada à política internacional (p.11), o panorama noticioso da Europa de Leste apresentava-se deprimente para o leitor habitual: ele era a formação do primeiro governo não-comunista da Checoslováquia, acompanhada da demissão do seu presidente, um dos mais fiéis dos moscovitas; da Bulgária noticiava-se uma espécie de purga, em que a liderança comunista de topo era afastada; e na Alemanha Oriental, dita Democrática, a notícia era que o PC ia mudar de nome, uma notícia de um rigor assim-assim, já que o Partido Comunista local também nunca se denominara comunista: fora socialista e unificado, agora os tempos de mudança impunham-lhe que se denominasse uma outra coisa qualquer. De uma página que exemplificava o colapso do marxismo-leninismo em que o leitor mais comum do Diário de Lisboa fervorosamente acreditara, só se salvava mesmo o anúncio da Câmara Municipal de Lisboa e a venda dos pinheiros de Natal... Podemos acrescentar ainda um retoque de ironia adicional a todo o momento histórico. Se recuperarmos uma página daquele mesmo jornal, datada de precisamente dez anos anos antes (dia por dia: 11 de Dezembro de 1979), nela  podemos ver que, com um destaque superior (p.3), se dava voz a uma opinião que o sistema capitalista atingira o ponto de ruptura. Terminava assim: «A História é irreversível. Os acidentes de percurso não possuem significado especial». Ámen. Os comunistas, que tão intectualmente arrogantes se haviam mostrado por décadas, agora contemplavam o desmoronar do que se revelava uma grande fraude.

10 dezembro 2019

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (X)

O gag dos comentários do legionário egípcio às ordens do capitão do navio, que se irá aliás prolongar para o resto da história, é um daqueles casos em que não me parece que haja esforço e engenho na tradução que consiga dar contexto àquele gag. Na origem, e como aqui se explica, trata-se de um aparte (pêlos numa qualquer parte do corpo...) que é usado em contexto pelos franceses em que, pelo absurdo, a expressão se destina a mostrar o nosso descrédito pelo que está a ser dito pelo visado - o mais semelhante que imagino em português seria a expressão "ora morde lá aqui a ver se eu deixo..." No caso, e porque ainda por cima o gag é gráfico já que o legionário egípcio fala por hieróglifos, é praticamente impossível traduzi-lo para outras culturas.

A ASSINATURA DO TRATADO DE ALIANÇA E ASSISTÊNCIA MÚTUA FRANCO-SOVIÉTICO

10 de Dezembro de 1944. Aproveitando a visita do general de Gaulle a Moscovo, a França e a União Soviética assinaram «um Tratado de Aliança e Assistência Mútua». A viagem tivera lugar por convite dos russos e a intenção dos franceses com a assinatura do Tratado, para além da intenção declarada do seu anti-germanismo comum, era a de aliviar aquilo que pudessem da sua extrema dependência material e militar para com os seus dois Aliados ocidentais anglo-saxónicos. E no entanto, Estaline pouco podia (e também não queria) ajudar substancialmente o governo provisório francês, para além de uma acomodação entre as novas autoridades do GPRF e os comunistas franceses. E no entanto, o gesto era apenas o reatar de uma das constantes históricas da política externa europeia, a aliança dos dois países continentais de Ocidente e Oriente contra o do Centro (a Alemanha) - ainda há uma semana, quando Macron se pegou com Trump, as causas da divergência não eram a respeito de Putin e da Rússia, que ambos parecem apreciar muito... Macron percebe-se porquê, Trump não...

09 dezembro 2019

COMO CONVERSAR ACERCA DE LIVROS QUE NÃO SE LERAM

«Com tantos livros por aí, e milhares a serem publicados todos os anos, o que é que podemos fazer naquelas situações sociais inevitáveis em que nos vemos forçados a falar sobre livros que não lemos? Pierre Bayard é de opinião que, na verdade, não importa que tenhamos lido ou não um livro (aliás, em certas situações, tê-lo lido é até a pior coisa que se pode fazer). Defendendo as diversas formas de "não ler", "Como conversar acerca de livros que não se leram" é uma celebração dos livros, para a apreciação de todos aqueles admiradores de livros, para que gostem, reflictam, argumentem e talvez mesmo os leiam.» Apesar da paródia descarada, o livro existe mesmo, embora a versão original seja francesa (2007). E eu não o li. Mas tudo isso pouco importará, porque nem pretendo falar do que contém. O que me interessa é assinalar a época em que, em conjunção com o almoço de Natal da empresa, o levar as crianças ao circo (ou à festa de Natal), o assistir-se ao Natal dos Hospitais na televisão, se consagrou haver um momento no tradicional programa sobre cultura em que o(s) convidado(s) erudito(s), armado(s) em professor Marcelo, recomenda(m) uma profusão de livros como prendas de Natal, um momento sempre estranho, do qual nos fica aquela impressão difusa que uma boa percentagem das recomendações nem foi lida, e que outra percentagem, se o foi, foi-o mas na diagonal.

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (IX)

08 dezembro 2019

O JULGAMENTO DE TRAICHO KOSTOV

8 de Dezembro de 1949. Uma das notícias em destaque era a de mais um daqueles espectaculares julgamentos tanto ao gosto dos países comunistas da Europa oriental, onde se procurava mimetizar o que acontecera nos finais da década de 1930 em Moscovo. Desta vez, o julgamento-espectáculo tinha lugar em Sofia, capital da Bulgária. O réu-vedeta do julgamento chamava-se Traicho Kostov, fora o segundo da hierarquia do estado e do partido desde Setembro de 1944 até Março passado, quando, em desgraça, perdera todos os cargos políticos e administrativos que exercia e se vira rebaixado à condição de director da Biblioteca Nacional de Sofia. Mas isso fora apenas um degrau da queda. Daí a dois meses e meio, em Junho de 1949, era expulso do partido e preso. Nem seis meses transcorridos aparecia agora no banco dos réus acusado de tudo e mais alguma coisa:
a) de ser o líder de uma organização clandestina que tinha como objectivo derrubar o governo pela violência;
b) de que havia cometido acções visando propositadamente o agravamento das relações amistosas entre a Bulgária e a União Soviética e os outros países comunistas;
c) de que se colocara sob as ordens dos serviços de informações britânicos, americanos e jugoslavos;
d) de que, em funções oficiais e perante governos estrangeiros, havia deliberadamente desempenhado essas funções em detrimento da Bulgária;
e) de que cometera actos visando a desorganização da economia nacional e do sistema de abastecimentos do país;
f) de que mantinha estreitas ligações políticas com Tito (um anátema, pois este último rompera com Estaline!).
Kostov repudiou esta sua detalhada confissão por escrito mas, mesmo assim, o julgamento prosseguiu em sua ausência. A colaboração da vítima era apenas um retoque não indispensável da coreografia do julgamento. Kostov foi enforcado na noite de 16 para 17 de Dezembro de 1949*.
Recorde-se que, nem há dois meses e como aqui evocámos no Herdeiro de Aécio, acontecera um episódio decalcado a papel químico deste na Hungria. Se nos tentarmos colocar na posição dos nossos contemporâneos destes acontecimentos, ser-se então militante comunista e pugnar para trocar a ditadura do professor Salazar por uma outra ditadura que assim se percebe ter aquele contornos era uma atitude que perderia qualquer racionalidade: que se derrubasse a ditadura, mas por um regime que não fosse outra ditadura, ainda por cima mais sangrenta que a que já existia!
* Por coincidência e por esta mesma época, o secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, que havia sido preso pela PIDE a 25 de Março de 1949, estava a ser julgado. Mas não foi enforcado: não havia pena de morte em Portugal. Faltava-lhe esse avanço socialista.

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (VIII)

Para mim, tão significativa quanto a reacção elogiosa do legionário egípcio ao novo menu, é a reacção indiferente do seu camarada britânico a esse melhoramento. Por muitos programas de culinária para televisão que agora se produzam no Reino Unido, confeccionar e apreciar comida bem confeccionada continua a ser um assunto muito para além da capacidade de apreensão do britânico comum.

07 dezembro 2019

COMO SE FOSSE O CONCERTO Nº1 PARA MARRETA E ORQUESTRA, DONALD TRUMP NO INSTRUMENTO


Uma compilação dos sete momentos canhestros de uma recente cimeira internacional e Donald Trump é o tópico central de todos eles, salvo um. Isto faz-me lembrar aquelas composições musicais às quais se adiciona um instrumento musical ribombante e exótico, que concita a atenção (e o incómodo) não só da audiência, como do resto dos membros da orquestra ao ser executado - o caso mais exuberante que conheço será a Abertura 1812 de Tchaikovski com os seus famosos tiros de canhão. Só que nesta minha analogia, o tocador da marreta (abaixo) é muito mais do que apenas um dos membros da orquestra - é o solista em função do qual a peça musical foi composta!

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (VII)

Temos em cena um predecessor longínquo do Varoufakis. Refilou, virou-se ao centurião, mas também não teve sorte nenhuma...
Outra página em que as cores tornaram a ser mal impressas...
Se lá em cima era o Varoufakis, aqui é o Jamie Oliver: a comida parece ser sempre boa...

06 dezembro 2019

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (VI)

A poupa do cabelo do legionário belga é uma alusão a Tintin.

ZÉ GATO

6 de Dezembro de 1979. Pelas 22H30 estreia na RTP2 a série televisiva policial Zé Gato, de concepção inteiramente portuguesa (aqui pode ver-se na íntegra (e a cores!) esse primeiro episódio). O tempo entretanto transcorrido tornou-a uma série carismática, onde é patente um kitsch que se costuma nostalgicamente evocar, mas que, pessoalmente, não me dá quaisquer saudades de rever. Recorde-se que, à época, a RTP2 se autonomizara e pretendia concorrer em programação com o 1º canal. Por isso se encomendara esta série para ser transmitida naquele canal. A concorrência entre os dois canais fora uma ideia decalcada daquilo que se fizera previamente em França em 1975, onde à ORTF se sucederam três canais públicos concorrentes: TF1, Antenne 2 e FR3. Claro que em Portugal, desprovido de um auditório com uma dimensão que justificasse tal dinâmica de concorrência, o projecto rapidamente se gorou.

05 dezembro 2019

PLURALISMO

O pluralismo - embora apresentado em dois órgãos de informação diferentes - é isto que acima se vê: enquanto a notícia do Público enfatiza o chumbo do curso de medicina da Universidade Católica, a do Observador dá o destaque à contestação da instituição de ensino a essa decisão. Cada um dos lóbis (o dos médicos e o do ensino superior privado) escreve o que lhe aprouver no seu órgão de informação. Os problemas colocam-se quando um dos lados das questões não tem a mesma oportunidade do outro de destacar os seus pontos de vista na comunicação social. Infelizmente, essas oportunidades, diz a experiência, pouco têm a ver com a valia dos pontos de vista que se confrontam. E a correcção dessas distorções é um aspecto que não vejo suficientemente realçado pelas recentes iniciativas presidenciais de apoio à comunicação social.

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (V) e ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE TRADUÇÕES E MÚSICAS SOBRE LAVADEIRAS PORTUGUESAS

O aspecto esverdeado desta prancha dever-se-á a um erro de impressão das cores da revista Tintin, de onde copiei esta aventura de Astérix Legionário. Apesar destas vicissitudes, creio que me irei repetir no elogio quanto a qualidade das traduções destas versões publicadas naquela venerável revista semanal são superiores às dos álbuns. Nem de propósito, tomemos o exemplo da terceira tira desta prancha e da canção que é entoada pelo centurião das calendas quando Astérix abre a porta. A versão acima, a letra é a do refrão das "Lavadeiras de Caneças", uma canção que era então muito conhecida, interpretada por Amália Rodrigues:

A mesma passagem no álbum é completamente diferente. Limita-se a traduzir a versão francesa. E esta última é uma alusão a uma canção francesa intitulada "Les Lavandières du Portugal".
A canção, que fazia parte de um filme homónimo de 1957, terá registado algum sucesso em França, mas passou totalmente desapercebida entre os portugueses, que os autores ali pretendiam retratar. O tap, tap e tap, que fariam sentido para os leitores franceses que conhecessem o refrão da canção original (abaixo), passam completamente desapercebidos ao leitor português, por muito que a canção tivesse - só aparentemente - a ver com o seu país.

Na versão portuguesa e para canção alusiva a lavadeiras, parece-me muito mais eficaz a escolha da da Amália (como eventualmente seria também a de Beatriz Costa). Por todos estes cuidados, parece-me muito mais cuidado o trabalho de tradução das histórias publicadas pela revista Tintin, ao ponto de compensar os incidentes de impressão de cores.  
As origens completamente díspares dos recrutas são uma alusão evidente à composição da Legião Estrangeira francesa.

QUANDO OS JUÍZES DESCOBREM - À SUA PRÓPRIA CUSTA - A IMPORTÂNCIA DA OPORTUNIDADE DA JUSTIÇA

Há cerca de três meses, o país que liga a essas coisas ficou completamente boquiaberto com o regresso às funções de dois juízes completamente desacreditados, investigados por vários casos de corrupção. O comunicado então produzido pelo Conselho Superior da Magistratura não nos desaponta, mostrando-se à altura dos pergaminhos da magistratura portuguesa: não explica nada. Não explica nomeadamente porque é que, conhecendo-se de antemão os limites dos prazos para a «suspensão preventiva de funções dos arguidos» (os dois juízes), não havia havido expediente para despachar os procedimentos nos meses da suspensão por forma a evitar a cena caricata de haver um juiz, que está a ser investigado sobre corrupção, a receber, para sua apreciação e julgamento, um caso... de corrupção.
Evidentemente que o opróbrio caiu, não apenas sobre a classe, mas sobre todo o aparelho judicial. Três meses escoados, anteontem, o Conselho Superior da Magistratura lá conseguiu dar mostras da sua diligência e vem agora decidir e sancionar aquilo que já devia estar resolvido, embora tarde demais para conseguir afastar as imagens de inércia e incompetência que sobre si se estabeleceram. É aquela máxima consoladora do "mais vale tarde que nunca". A única satisfação (irónica) que se poderá extrair de todo este triste episódio é que, por uma vez, a própria corporação – caso se mostre lúcida - pode constatar quais os benefícios da – repetidamente solicitada – celeridade da justiça. A não ser que se trate de uma questão, não de percepção mas de competência, que eles, nem para eles próprios, saibam ser despachados...

04 dezembro 2019

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (IV)

Esta cena do beijo de Falbala em Ideiafix é verdadeiramente um encanto.

NÃO APENAS QUANTOS FORAM ELEITOS MAS TAMBÉM QUEM É QUE FOI ELEITO

4 de Dezembro de 1979. Na sequência das eleições legislativas intercalares, que haviam tido lugar dois dias antes, o Diário de Lisboa adoptava uma prática, infelizmente entretanto perdida, de publicar um extenso quadro com o nome de todos os deputados que haviam sido eleitos, desdobrados por cada partido. Não se tratava - e continua a não se tratar - apenas de se saber o número de deputados que haviam sido eleitos por cada uma das listas concorrentes, era também a questão mais importante de conhecer as suas identidades. Quarenta anos depois, já não somos tão ingénuos e sabemos quanto o regime de substituições que se processam posteriormente à eleição podem alterar significativamente a composição das assembleias eleitas. Algumas das substituições explicam-se por si próprias (será o caso dos deputados eleitos que passam a governantes), outras são-no bastante menos (caso da não muito distinta carreira parlamentar de Álvaro Cunhal, já aqui analisada neste blogue) . De toda a maneira, a publicação e publicitação da identidade daqueles que foram os directamente eleitos - agora tão esquecida - impõe-se por maioria de razão, para melhor controle dessa circulação interna de representantes do povo, uns eleitos directamente das listas, outros como sucedâneos. Esse controle não pode ser só - tem de ser, aliás, muito mais do que - uma questão de Joacines...

03 dezembro 2019

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (III)

LANÇAMENTO DA PLAYSTATION

3 de Dezembro de 1994. Lançamento da PlayStation no Japão. Já não pertenço à geração que a adoptou. Para mim o apetrecho ficou sobretudo memorável por ser o local ideal onde Jorge Jesus conseguia resolver os problemas insolúveis do futebol.

02 dezembro 2019

...ESSAS COISAS QUE COMEM OS POBRES...

Não sei se repararam com atenção para as fotografias que promovem a Operação Banco Alimentar da Tia Isabel Jonet mas, nesta época de dietas para tudo, também parece existir uma dieta aprovada para os pobres, pelo menos a atender à composição dos donativos: «farinha, massa, pão e essas coisas que comem os pobres...» - se atendermos à especificação acima da Susaninha, a amiga da Mafalda. Como já vi comentado por aí, numa das redes sociais, porque é que não aparece um benemérito excêntrico, que compre as mercearias que doa aos pobres na charcutaria fina do Corte Inglês? Ou alguns pobres não têm direito a provar umas latinhas de trufas ou de foie-gras? Olhem que os prazos de validade dessas latas costuma ser os mesmos do das salsichas...

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (II)

A QUESTÃO DE TAIWAN COMO ÚLTIMO REFÚGIO DA CHINA NACIONALISTA

2 de Dezembro de 1949. As atenções de há 70 anos concentravam-se muito nos acontecimentos da China. Os comunistas haviam vencido a Guerra Civil, mas nem tudo parecia arrumado. A edição do Diário de Lisboa colocava um cenário curioso: «Os americanos tencionam ocupar militarmente a ilha Formosa (Taiwan)?» A notícia do lado parecia dar a resposta à pergunta. O resultado da batalha de Quemoy em Outubro havia exposto o calcanhar de Aquiles das capacidades navais e anfíbias das forças armadas comunistas. Ir-se-iam passar pelo menos alguns anos até que a China comunista conseguisse construir uma frota de invasão credível para conseguir desalojar os nacionalistas dos seus redutos insulares. No seu esforço, as forças armadas nacionalistas poderiam contar com o apoio militar da maior potência marítima: os Estados Unidos. A transposição das forças vivas do regime nacionalista para a ilha de Taiwan afigurava-se como um cenário possível e mesmo desejável e era assim que se assistia aquela súbita ressurreição política de Chiang Kai-shek.

01 dezembro 2019

O ÚLTIMO MOHICANO

Depois de até Graça Franco o ter admito, há um par de dias, que está farta de contas certas, só resta mesmo José Gomes Ferreira bandear-se, entre os arautos públicos de outrora, aqueles que pugnavam pela redução do défice através da redução da despesa pública. Escutando-os naquela altura, tudo aquilo afigurava-se a solução imperativa, que não produzia quaisquer efeitos secundários, a não ser os - necessários - cortes nos rendimentos de quem dependia do Estado e, mais, era uma solução que só não era prosseguida com mais afã por causa dos interesses obscuros que se haviam apoderado dos mecanismos de decisão do Estado. Afinal, parece que não é bem assim: as consequências não são tão neutras, assim como não é neutro quem conseguiu os resultados da contenção do défice. O que fora um mérito absoluto passou a ser um semi-mérito e relativo. Cansaram-se todos da aritmética e das contas certas. Cansaram-se todos, menos o José Gomes Ferreira, mas a esse, nem tenho dado ultimamente por ele. Quando se dá tempo ao tempo das opiniões, quem as emite mostra o que vale.

ASTÉRIX LEGIONÁRIO (I)

Publicada originalmente entre 1966 e 1967, esta aventura de Astérix será das que, comparativamente, mais terá envelhecido. O cumprimento do serviço militar, que é nuclear para o decorrer da aventura, hoje é uma memória.