Nas páginas do Diário de Lisboa de 26 e 27 de Setembro de 1988 travava-se uma polémica entre os deputados José Magalhães (comunista) e José Pacheco Pereira (social-democrata). Vivia-se então sob o cavaquismo e sob a maioria esmagadoramente absoluta do PSD, mas algo terá a polémica revelado em relação às personalidades dos dois intervenientes que despertou o interesse dos promotores da (então embrionária) informação-espectáculo - nomeadamente Emídio Rangel e a «sua» TSF. Menos de dois anos depois, podemos ouvi-los aos dois nessa rádio, e com o mesmo Rangel como anfitrião, a contracenarem com o perpetuamente chique Vasco Pulido Valente num programa de comentário político denominado «Flashback». Quis a ironia que os dois sustentassem e robustecem o prestígio do programa, apesar do abandono daquele - Vasco Pulido Valente - que fora claramente o pensado por Rangel para ser a sua estrela. Simultaneamente, José Magalhães respeitabilizara-se, transferindo-se dos comunistas para os socialistas (1990-91) enquanto o Muro se desmoronava. Melhor sob o cavaquismo, pior sob Guterres (Magalhães era muito mais dogmático e canhestro do que Pacheco Pereira a defender o «seu» governo), o programa perpetuou-se ao longo de mais de uma década na TSF. Depois foi ressuscitado em formato televisivo com o nome de «Quadratura do Circulo» na SIC em 2004 onde se mantém catorze anos depois. O único membro original que permanece é José Pacheco Pereira, que acabou por se tornar na estrela que teria sido - mas não foi - Vasco Pulido Valente. Já aqui escrevi no blogue que o comportamento de José Pacheco Pereira no programa me faz lembrar o Garfield - hirsuto, mal disposto, cor de laranja... mas fofinho. A subsistência de José Pacheco Pereira na ribalta mediática nestes últimos 30 anos tem sido uma demonstração continuada de que se pode ter uma carreira política independente dos partidos - desde que não se ambicione desempenhar funções executivas... E uma demonstração também que há muitos por aí com um percurso semelhante a que falta a sinceridade de, nos momentos cruciais (as eleições) assumirem onde votam, e fora deles, confessarem ao que vêm.
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28 setembro 2018
29 junho 2018
(MAR)CELO in the USA!!!
Como diria o Celo nos tempos em que dava notas na rádio: - Muito Bom! 19 valores!
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04 setembro 2017
O FURO, A CAIXA E A BOMBA
Domingo, 3 de Setembro de 2017, noticiário das 13H00 de uma rádio não propriamente vocacionada para o desenvolvimento da informação. Ainda a propósito da notícia da madrugada, o ensaio nuclear realizado pela Coreia do Norte, o jornalista entrevista o físico Carlos Fiolhais sobre o assunto. O entrevistado vai derramando água sobre o que tem vindo a ser noticiado, arrefecendo as reclamações norte-coreanas de que o engenho testado fosse uma arma termonuclear. Para o efeito, explicou, ainda que sucintamente, em que é que consiste uma arma desse tipo (comumente designada por Bomba H), o que a diferencia de uma arma nuclear convencional de fissão (designada por sua vez por Bomba Atómica, ou Bomba A), e uma síntese da história da investigação científica que conduziu desta última à primeira, de muito maior potência e capacidade destrutiva. Melhor ainda: evocando as complexidades do processo que levou da detonação da primeira Bomba A (1945) à primeira Bomba H (1952), Carlos Fiolhais ousa exprimir as suas dúvidas sobre a veracidade da reivindicação norte-coreana. É o tipo de comentário técnico que ainda não se ouvira muito difundido, contém algum risco porque é uma dedução (ainda que com algum fundamento) do próprio Carlos Fiolhais, mas é emitido por alguém a quem se reconhece competência na matéria.
Seria de esperar que o furo jornalístico se propagasse num ramo de actividade em que a vigilância do concorrente é notória. Mas não. A opinião ficou-se por ali, guardadinha para os ouvintes da M80. E mais uma vez se confirma que a informação é uma coisa distinta daquilo que nos é servido como tal pela comunicação social. Fosse a notícia alarmista e seria garantido que ao fim da tarde constaria do noticiário de tudo quanto é órgão, chancelada pelo facto de ter sido emitida pelo conhecido cientista Carlos Fiolhais. Como, pelo contrário, o seu conteúdo, era, ainda assim, de cariz apaziguador, morreu ali. Mas vale sempre a pena ficar o registo elogioso dos dois - só não sei o nome do jornalista da M80 e é pena, porque o merece.
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17 outubro 2016
OS DIAS DA HISTÓRIA
Todos os dias são dias da história e estes são bem evocados e de uma maneira rápida: em menos de quatro minutos. Apesar de passarem numa emissora discreta (Antena 2), não deixa de ser possível ouvi-los de outras maneiras como, por exemplo, aqui. Hoje fala-se do discurso proferido por Costa Gomes na Assembleia Geral da ONU há 42 anos. Para além do que se disse, haveria muito mais para dizer, nomeadamente sobre a descolonização que ali foi anunciada, mas... não se disse e isso será um dos bons segredos - a sobriedade - do programa de Paulo Pinto.
22 março 2015
A «PLAYLIST» DE UM POLÍTICO METIDO EM SARILHOS
Nos tempos que correm, em que ser-se convidado para fazer uma playlist é sinónimo de distinção, permitam-me especular sobre o que seriam as opções adequadas aos tempos difíceis feitas por Paulo Núncio, caso o seu gosto musical fosse o daquela linha nostálgica das canções das décadas de 70 e 80.
Donna Summer, Hot Stuff
Laura Branigan, Self Control
Gloria Gaynor, I Will Survive
Adenda: Depois de se saber o conteúdo da prédica dominical do professor Marcelo na TVI penso que, por via das dúvidas, será assisado adicionar mais uma canção...
Leonard Cohen, So Long, Marianne
01 dezembro 2014
OS DESCENDENTES DOS DISCÍPULOS DE ENVER HOXHA E UMA EVOCAÇÃO A RÁDIO TIRANA
A Albânia é um pequeno país europeu, com cerca de 3 milhões de habitantes (ou seja, menos de ⅓ de Portugal) e indicadores económicos e sociais que a colocam – a ela sim – na cauda da Europa. Já assim era há 40 anos mas a aura de que então gozariam as ideologias e o facto de ali vigorar um regime que era uma dissidência de outra dissidência (maoista) do comunismo soviético, parecia conferir àquele país uma capacidade de gerar uma empatia entre a juventude portuguesa para-revolucionária do pós 25 de Abril que era absurdamente desproporcionada para a sua real importância estratégica. Esse conjunto de jovens determinados a aplicar por cá experiências sociais de sucesso (acima) vindos daquelas paragens estavam agrupados numa organização denominada UDP (União Democrática Popular), onde militaram nomes proeminentes da actualidade: Jorge Coelho, João Carlos Espada, José Manuel Fernandes, Henrique Monteiro ou Esther Mucznik serão apenas alguns nomes de um elenco riquíssimo de antigos admiradores da sociedade edificada na Albânia pelo partido comunista dirigido por Enver Hoxha, elenco esse que até se encontra representado ao mais alto nível no actual governo pela pessoa de Nuno Crato, o ministro da Educação (foto abaixo).
Saber-se por onde andaram todas aquelas figuras nos seus anos loucos de juventude servirá para que se reduza às devidas proporções muito daquilo do que agora dizem e escrevem, sobretudo se o enquadrarmos pelo percurso de cada um desde aqueles anos tresloucados, em alguns casos a paixão e o estilo são até os mesmos, o objecto da dita paixão é que se situa agora nos antípodas ideológicos. Mas isso é a história dos que saíram. Porque há a história dos que ficaram: como uma daquelas telenovelas radiofónicas que, passado o período do apogeu de popularidade e da saída das estrelas que lha conferiam, se insiste em manter no ar, também a UDP ainda sobrevive na figura de uma associação política que faz parte, por sua vez, do conglomerado que constitui o Bloco de Esquerda. Nestes dois últimos fins-de-semana, a associação política esteve em vias de conseguir conquistá-lo, ao Bloco, por dentro. Falhou, mas para que isso acontecesse, os outros tiveram que engendrar uma solução que é um disparate – 6 coordenadores?! Como é que se coordena seja o que for a seis vontades, ainda que a uma só voz? Mas, enquanto a Heidi tentava ontem explicar a razoabilidade da solução na conferência de imprensa, não me impedi de olhar para eles, lá atrás, patibulares como os seus antepassados – que a revolução sempre foi uma coisa muito séria! – e perguntar-me, nostálgico, quantos deles reconhecerão o velho indicativo de Rádio Tirana¹?
¹ Era uma estação de rádio em onda curta que, naqueles meios e nos idos anos de 1975, era chiquíssimo, quase obrigatório, dizer-se que se ouvia. Ficou famoso um aviso seu, a propósito das intenções maléficas de uma esquadra da NATO que se aproximava das costas portuguesas. Simbólico dos tempos, o anúncio era acompanhado de um apelo para uma concentração no Terreiro do Paço para a defesa de Portugal – provavelmente porque ficava ali mesmo à beira-rio, impedia-se a esquadra de desembarcar...
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24 abril 2014
TSF: «VÃO DAR BANHO AO CÃO!»
Já foi há mais de dez anos que Lili Caneças irrompeu por um programa televisivo de Herman José mostrando-se agastada com a forma como ali era repetidamente tratada. Aparentemente a coisa teve algum impacto no rating de audiências de um programa que por aqueles dias se arrastaria penosamente, com o povão, mais uma vez e não pela última vez, saturado do Herman. Uma revisão atenta da cena contudo, é demonstrativa de como a cena foi consertada, com a câmara a seguir Lili Caneças logo desde a sua entrada em cena, confirmando, para lá de qualquer dúvida, que o realizador e o operador a conheciam de antemão. As discussões que depois pudessem existir sobre a veracidade da cena são, por um lado, elogios implícitos à capacidade dramática da amadora Lili Caneças, e por outro, demonstrações de até aonde pode ir a obtusidade daqueles que não se disponham a ver o que é óbvio. Haverá hoje quem esteja ainda convencido que Vale e Azevedo foi um excelente presidente para o Benfica. Mas o que é importante destacar neste caso é como o episódio nos educou no cepticismo para outras encenações do mesmo género.
A notícia do dia – sobretudo para a TSF – é que os seus estúdios foram ocupados esta manhã, por volta das 8H30, por um grupo de mais de 50 pessoas que, empunhando livros, entre os quais a Constituição da República Portuguesa, exigindo que se cumprisse o Direito à Liberdade de Expressão, dando voz às minorias. Expressões que identificam o grupo como um grupo de homens e mulheres de várias idades que garante não ter qualquer filiação partidária fazem-me lembrar, veterano que gosta de se lembrar do PREC, aquelas manifestações rigorosamente apartidárias dessa época que eram convocadas por comissões de trabalhadores, de moradores e outras organizações populares de base... Mas, curiosa mesmo, é a escolha da hora por parte destes ocupantes que, como os conspiradores dos golpes de Estado (esta minha associação deve ter a ver com a proximidade do 25 de Abril), gostam de se concentrar assim pela fresquinha da manhã, fenómeno que não terá decerto nada a ver com as recentes contratações de peso da concorrência para programas àquela mesma hora – estou-me a lembrar, por exemplo, da de Ricardo Araújo Pereira para a Rádio Comercial. Agora mais a sério, oh estrategas do marketing da TSF: e se fossem dar banho ao cão?...
Adenda: Só seis horas depois de ter tido lugar é que a TSF veio a noticiar a sua "ocupação" com as aspas que devia ter tido desde o princípio. Entretanto, pude ler no facebook comentários levando o incidente a sério que imagino o quanto envergonharão agora quem os escreveu. A leitura daqueles disparates faz-me lembrar o episódio da transmissão da Guerra dos Mundos na CBS norte-americana em 1938 que alegadamente terá provocado um pânico que levou centenas de milhares a fugir - embora nunca se explique para onde... Costuma ser referido como um exemplo do poder mediático. Mas considero-o mais um exemplo da infinitividade da Estupidez Colectiva que, como se vê pelos exemplos acima, é muito fácil de reencenar.
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11 fevereiro 2013
É CARNAVAL, NINGUÉM LEVA A MAL
Há mais de cinco anos e meio (em Maio de 2007, ainda não havia crise…), alguém que se assina apereira2005 teve a amabilidade de carregar o vídeo abaixo no Youtube, destacando um momento de um recôndito telejornal com um pouco mais de dois minutos e meio de duração, onde se notícia a estreia como ficcionista (com uma obra intitulada Diário de um Deus Criacionista) daquele que viria a ser um controverso mas interessante ministro da Economia no futuro: Álvaro Santos Pereira. Assinale-se a coincidência das iniciais do autor da obra e de quem carregou o vídeo, que poderá não passar disso mesmo: duma coincidência…
Há cerca de cinco meses, alguém que se tem vindo a afirmar no firmamento da blogosfera, António Araújo, recupera no blogue Malomil o interesse por aquela mesma obra, entretanto relegada para um injusto esquecimento, como se comprova por aquela estampilha de 2,00 € na capa, algo que representa uma desvalorização de 89% sobre o preço inicial do livro, talvez sintoma da crise que o autor procura debalde resolver na sua outra faceta de economista. Igual a si mesmo, António Araújo escalpeliza (dolorosamente para os protagonistas) não apenas o conteúdo da obra mas também recensões e outra actividade promocional. Mas o assunto já voltara a morrer pela internet quando…
…subitamente Marcelo Rebelo de Sousa o ressuscitou – por assim dizer... – na sua intervenção semanal de ontem na TVI. Bem pode parecer que Marcelo não é um comparsa dos blogues, que não os lê (o que até nem é verdade…) ou que chega atrasado àqueles acontecimentos que são happenings blogonáuticos. Mas em frente das câmaras ele supera-se, tornando-se numa espécie de Lucky Luke da leitura (aquele que dispara mais rápido que a própria sombra): segundo as próprias palavras, esteve a lê-lo ontem à noite e ao segundo dia (lembremo-nos que mesmo Cristo esperou pelo terceiro para ressuscitar…) mostrava-se presto para comentar todas as suas 273 páginas nos 1:15s finais do seu programa.
Saboreava-se ainda o requentado dessa intervenção à despedida de ontem quando os Sinais radiofónicos de Fernando Alves na TSF desta manhã repegam por 2:25s o tema: Fernando falando de Marcelo a falar de Álvaro por causa do livro que este escrevera, juntando mais um elo à cadeia de comentários sobre um livro com mais de cinco anos e meio. Não deixou de ser patente perceber-se como qualquer das duas intervenções mediáticas, a televisiva e a radiofónica, terão ido buscar a inspiração ao texto e ao trabalho de pesquisa original de António Araújo, por acaso o único autor na cadeia que não foi remunerado pelo que fez… Mas no Carnaval é normal que ninguém leve a mal…
28 outubro 2012
O DRAMA DOS SÓSIAS DE PALCO
O guarda da aldeia onde moram Zig e Puce, que tem o nome engraçado de Amadeu Fonducoeur, notabiliza-se por se exprimir sempre em verso. Os que conhecem as histórias dessas duas figuras clássicas da BD sabem que, por detrás dessa peculiaridade, está um drama, uma vocação dramática perdida por causa de uma semelhança infeliz com um comediante famoso, que fazia com que o infeliz Fonducoeur arrancasse descoroçoantes gargalhadas aos auditórios, apesar da seriedade dos papéis que interpretava.
Agora, que o programa semanal Governo Sombra se estendeu da TSF (rádio) para a TVI24, reforçei a minha impressão que um dos participantes daquele programa vive um drama muito parecido: Ricardo Araújo Pereira. Tanto que suspeito que o visado até já se resignou. Nem o imagino a fazer um comentário em sério e a sério no Governo Sombra com o receio de o auditório arrancar em gargalhadas, por causa da extrema semelhança da sua figura e voz com aquele membro mais alto dos Gato Fedorento.
29 abril 2011
SIMETRIAS DE «ENTUSIASMOS POPULARES» COMO OS DE HÁ 75 ANOS ATRÁS
Ontem, 28 de Abril, foi a vez de José Sócrates ser o convidado daquele programa da TSF e a vez dos blogues indefectíveis do PSD publicitarem a gestão da espontaneidade das perguntas com que foi confrontado o líder socialista. Simétricas, está-se diante de manobras de um primarismo tal que apetece perguntar aos seus promotores se nada lhes ocorre de mais sofisticado do que aquilo que já se fazia há 75 anos atrás, com crianças de bandeirinhas na mão a vitoriar o Adolfo…
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06 março 2011
O PREC EM IMAGENS MUSICADAS
Musicalmente, a canção que ganhou o Festival deste ano parece-me ser uma merda. Como paródia, parece-me ser oportuna. A marcha inexorável dos tempos faz com que os anteriores autores de paródias ou de tentativas de paródias dos festivais sejam agora eles os parodiados. E os tempos do PREC, como qualquer tempo de excessos, são uma mina de tópicos para isso.
A LUTA CONTRA O CAPITAL...
...A VIGILÂNCIA REVOLUCIONÁRIA...
Já aqui me referira há quatro anos atrás a esse evento único e memorável, o XII Festival – identifica-se assim, sem precisar de explicações adicionais, como se se tratasse do XII Congresso de um Partido Marxista-Leninista qualquer. Infelizmente (mãos reaccionárias decerto) alguém fez com que se perdessem esses momentos históricos dos arquivos da RTP…
...AS MANIFESTAÇÕES CONTRA O FASCISMO...
...AS OCUPAÇÕES POPULARES...
...E A ALIANÇA POVO-MFA.

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20 novembro 2010
JOMBA, O HERÓI INCOMPREENDIDO
Esta entrevista radiofónica já tem anos e anos, circulou de um lado para o outro muito antes das redes sociais serem redes sociais. É, por isso, provável que muitos dos que lêem o blogue já a conheçam. Mas creio que sempre vale a pena recordá-la. Deixando-nos de merdas, há que reconhecer que Jomba é um dedicado funcionário municipal de Cabo Delgado (nordeste de Moçambique) a quem as autoridades provinciais entregaram uma tarefa que o ultrapassa... E para quem considere a sua tarefa ridícula, informo que ontem foi o Dia Internacional da Latrina, ocasião em que a ONG homónima pediu às pessoas que, ao meio-dia e em solidariedade, se agachassem por um minuto (abaixo).
PS: Há uma versão mais desenvolvida da entrevista de Jomba (abaixo) em que o entrevistado se alarga em outros comentários, alguns de crítica social em que realça que, associado a esse aspecto fisiológico que é comum a todos nós, haveria em Cabo Delgado uma certa diferença entre as praias dos ricos e as dos pobres...
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22 janeiro 2010
NEM TUDO O QUE SE PASSA, PASSA NA TSF…
A notícia TSF tem o título Ferreira Leite recusa-se a falar da situação interna do PSD, mas a versão rádio da mesma notícia inclui apenas o trecho em que se ouve a reacção da visada. O que não se ouve – por esquecimento, decerto… – é o teor das perguntas que haviam sido previamente colocadas pelos jornalistas e que estariam relacionadas, esmagadoramente, com a eventual opinião dela sobre o acontecimento fundamental de ontem, o lançamento do livro de Pedro Passos Coelho e a presença nessa cerimónia de José Pedro Aguiar-Branco… Com esta explicação talvez a reacção de Manuela Ferreira Leite fique melhor enquadrada... E podendo não se gostar da pessoa, tem de se gostar ainda menos de omissões como estas…
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06 setembro 2009
SOBRE ROCK PORTUGUÊS ou AS BANDAS DE GARAGEM QUE DEVIAM TER FICADO NA GARAGEM
Já aqui tive oportunidade de me referir neste blogue aos tempos históricos do Rock português. Dos tempos em que a vontade dos GNR – e ainda não pela voz inconfundível de Rui Reininho – parecia ser a de ver Portugal na CEE (abaixo). Nesse aspecto já devem estar contentes… Ou dos tempos em que o vocalista da Go Graal Blues Band entraria certamente de uma forma mais discreta num restaurante algarvio… Mas foi a descoberta de uma preciosidade no You Tube que me levou a parafrasear Luís de Camões em Os Lusíadas:
Cessem do sábio lisboeta e do almadense
As composições grandes que fizeram;
Cale-se da Cristina e do Chico Fininho
As composições grandes que fizeram;
Cale-se da Cristina e do Chico Fininho
A fama dos êxitos que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Nazareno
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Que eu canto o peito ilustre Nazareno
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa conhecida canta,
Que outra desconhecida se alevanta.
A preciosidade que descobri foi um vídeo da época (acima) com a actuação de uma banda rock da Nazaré baptizada de Alarme e que foi a vencedora do primeiro Festival de Bandas Rock. O susto foi tal que não terá chegado a haver segundo Festival… O mais interessante foi o prémio ganho pelos Alarme, o direito a gravar um disco, um mono nas mãos do produtor, que não se cansava de passar spots promocionais na Rádio Comercial com aquele arrepiante verso inicial: Está na hora! Venham todos! Que coisa sensacional!...
Nunca soube se aquele tipo de promoção repetitiva tinha resolvido o problema dos stocks do produtor... Afinal, recordemos que aquela foi uma época de uma grande generosidade, onde tudo o que se relacionasse, ainda que remotamente, com o rock cantado em português acabava por se vender… Mas outra coisa seria a preservação da memória desses tempos, como já então Pedro Ayres de Magalhães e os Heróis do Mar prescientemente cantavam (acima): Dos fracos não reza a História, cantemos alta nossa vitória…
18 agosto 2009
LOCUTORES DE GUERRA
Este poste é constituído por duas histórias: uma pequena, outra maior. A primeira, curta, é necessária para enquadrar o paradoxo com que terminará a segunda. Começa em plena Primeira Guerra Mundial quando em Abril de 1916 os revolucionários irlandeses desencadearam uma insurreição contra os britânicos. A insurreição, que ficou conhecida como o Levantamento da Páscoa, fracassou e na fase de repressão que se seguiu, os britânicos, ao abrigo da Lei Marcial então em vigor por causa do estado de guerra, executaram aqueles que consideravam os líderes nacionalistas irlandeses responsáveis pela rebelião.
Houve algumas excepções. Alguns líderes escaparam porque, apesar de condenados, não chegaram a ser capturados. Outros escaparam por razões técnicas, como foi o caso de Éamon de Valera (acima): de Valera era um cidadão norte-americano e, numa altura em que o Reino Unido estava a cortejar descaradamente os Estados Unidos para que eles se envolvessem na Primeira Guerra Mundial, a última coisa que iriam desejar era arranjar acidentalmente um incidente diplomático. Foi assim que de Valera escapou à execução, mas não veio a escapar ao estigma com que uma parte da Irlanda avalia ainda hoje o seu legado(1)
Não terá sido o caso da Primeira Guerra Mundial (1914-18), nem o da Guerra da Independência Irlandesa (1919-21), mas já aqui tive oportunidade de me referir a guerras que também foram travadas nas ondas de rádio. Nessas guerras dentro das outras Guerras forjaram-se popularidades, quer positivas, por parte de quem falava do lado para onde iam as simpatias do auditório, como foi o caso de Fernando Pessa (acima), nos serviços portugueses da BBC durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quer negativas, da parte dos locutores que falavam na língua do inimigo e para o auditório do inimigo…
Curiosamente, foram estes últimos casos que se tornaram mais interessantes e que mais perduraram na memória dos intervenientes e ainda hoje subsistem as referências a locutores como Lorde How-How (acima), que fazia a locução das transmissões alemãs em língua inglesa para o Reino Unido entre 1939 e 1945, à Rosa de Tóquio que, como o nome indica, desempenhava o mesmo papel a favor do Japão por essa mesma altura, e, mesmo passada uma geração, também subsistem as referências à Ana de Hanói da Guerra do Vietname e mesmo à nossa Maria Turra da Guerra Colonial (Frente da Guiné).
Mas, enquanto Ana de Hanói e Maria Turra estiveram do lado que venceu, os outros não, o que fez toda a diferença… Lorde How-How, que se chamava na verdade William Joyce (acima), era um simpatizante fascista de origem irlandesa mas com a nacionalidade norte-americana que, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, se engajara a trabalhar para a propaganda nazi. Apesar da alcunha meio ridícula e até sobranceira que lhe haviam dado, os britânicos levavam o seu trabalho mesmo muito a sério, como se demonstrou pelo tratamento que lhe deram quando lhe puseram as mãos em cima no final da Guerra...
Joyce foi aprisionado, tendo sido mesmo ferido durante a captura: um tiro que lhe atravessou as duas nádegas… Mas, nem mesmo o carácter humilhante do ferimento de guerra o salvou da posterior condenação à morte por Alta Traição. A embaraçosa questão técnica que se pôs, contando até com o famoso precedente de Éamon de Valera, era a de como é que a justiça britânica poderia condenar alguém por traição a uma pátria que não era a sua… Claro que se arranjou uma explicação apropriada(2) já que desta vez a preocupação com a reacção norte-americana à execução era nula. William Joyce foi executado em 3 de Janeiro de 1946...
(1) No filme Michael Collins (1996), sobre os caminhos conturbados que conduziram à independência da Irlanda em 1922, Eamon de Valera (interpretado por Alan Rickman) é retratado como um político cínico (e o mau da fita) em contraste com o generoso Michael Collins (Liam Neeson).
(2) William Joyce havia requerido o seu passaporte invocando – falsamente – a sua condição de súbdito britânico. Assim, fora como súbdito britânico que Joyce fora para a Alemanha e era nessa condição (falsa, mas criada por si) que ele foi julgado e condenado. A argumentação é vagamente defensável mas é mais do que passível de uma contestação sólida…
(2) William Joyce havia requerido o seu passaporte invocando – falsamente – a sua condição de súbdito britânico. Assim, fora como súbdito britânico que Joyce fora para a Alemanha e era nessa condição (falsa, mas criada por si) que ele foi julgado e condenado. A argumentação é vagamente defensável mas é mais do que passível de uma contestação sólida…
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30 julho 2009
O(S) CABAZ(ES) DE NATAL
A propósito da muito criticada facilidade que existe actualmente para se ter acesso ao crédito bancário (veja-se a publicidade acima), ocorreu-me recordar os antigos Cabazes de Natal. É uma evocação duplamente despropositada, atrasada por um lado, porque o apogeu desse negócio terá sido há uns 40 anos atrás, e fora de época por outro, porque há que reconhecer que o pino do Verão não será a ocasião que mais associaremos à quadra natalícia, altura em que se consumia o referido Cabaz de Natal...Mas note-se que havia que começar cedo a pensar no assunto do Natal. Se lermos com atenção a publicidade que naquela época se fazia ao produto (clique em cima da gravura abaixo para a ampliar), percebe-se melhor como a coisa funcionava. A partir de Março do Ano a que se reportava o Cabaz, começava-se a descontar antecipadamente uma prestação suave de 100$00 por mês, até se perfazerem em Dezembro as dez que totalizavam os 1.000$00, valor que a organização atribuía ao riquíssimo cabaz…
O cabaz era composto por whisky – espumante – vinho do porto – brandy – ...enfim, um sortido infindo de bebes e comes complementado por... – presente para senhora – presente para homem – brinquedo para menina – brinquedo para menino – um bom livro – surpresas de Natal. Logo na perspectiva financeira, para a empresa organizadora o negócio começava excelente. Ao contrário do que acontece com o crédito na actualidade, os clientes começavam a pagar antecipadamente aquilo que só viriam a consumir meses depois…
E o preço de 1.000$00 atribuído ao conjunto do cabaz estava claramente sobreavaliado, o que permitia à organização aceitar qualquer interessado em aderir ao programa em qualquer momento, mesmo em Dezembro, desde que se dispusesse a pagá-lo de uma vez só. Nem nesse último caso deveria perder dinheiro… Tudo isso permitia que houvesse um robusto orçamento publicitário, tanto na imprensa (acima) como na rádio, onde me lembro de um jingle nos Parodiantes de Lisboa: Não há Natal capaz… Sem o Cabaz… Sem o Cabaz…A democratização do crédito ao consumo acabou com estes negócios que, como se percebeu, não passavam de um abuso destinado a incautos e a ignorantes, pertencentes na sua maioria às camadas menos esclarecidas da população. E durante décadas não se ouviu falar de Cabazes de Natal. A designação ressuscitou recentemente mas os novos Cabazes do Natal destinam-se agora a um outro público-alvo, os socialmente preocupados, que o antigo público já pode oferecer-se o seu LCD comprado a crédito pelo Natal…
Agora são as ONG(*) benfazejas que se propõem vender Cabazes de Natal a preços justos (abaixo) cujas receitas revertem para si próprias. E se acima descrevi como funcionava o antigo negócio dos Cabazes de Natal este negócio moderno das ONG internacionais talvez seja comparável… Reflicta-se que, no tempo em que eram os pobres que compravam os Cabazes de Natal, havia umas meras dezenas dessas ONG no Mundo(**); hoje são dezenas de milhar e tornou-se um dos sectores de actividade mais dinâmicos das últimas décadas...
Contudo, nesses mais de 40 anos, o Mundo não parece ter-se tornado assim tão melhor com isso…(*) - Organizações Não Governamentais
(**) - Em 1946 havia 41 ONG internacionais reconhecidas com estatuto consultivo junto da ONU. Em 2003 esse número multiplicara-se para 3.550. Hoje estima-se que haja cerca de 40.000 ONG internacionais em todo o Mundo...
31 dezembro 2008
PROVA DE AMOR
A Teoria dos Jogos é uma disciplina interessantíssima das matemáticas, que se costuma aplicar às Ciências Económicas e Sociais, onde já se inventaram uma profusão de jogos. No entanto, na lista que consultei, não encontrei qualquer referência a um jogo de um programa de rádio chamado Prova de Amor, que se jogava há coisa de uns oito a dez anos no programa da manhã da Rádio Comercial. Em que é que consistia? A pedido de um dos namorados (9 em 10 vezes era ela), a produção do programa simulava uma chamada telefónica ao parceiro de um(a) admirador(a) onde a sua fidelidade era descaradamente posta à prova. No fim, aparecia em linha o namorado que quisera fazer a Prova de Amor e, também 9 vezes em cada 10, o programa acabava com o ambiente azedo entre o casal…
As coisas azedavam não apenas com os casos dos parceiros apanhados em plena infidelidade (que eram a maioria…) mas também com a reacção daqueles que, mantendo-se fiéis, descobriam depois a grosseria do teste a que haviam sido submetidos pelo parceiro… Em suma, duma maneira ou doutra, telefonar para o programa Prova de Amor parecia uma forma garantida de terminar o namoro…
Na altura, o calão tecnocrático ainda não havia popularizado a expressão, que hoje se tornou corrente, da win-win situation, mas a Prova de Amor, nos antípodas da expressão anterior, e para quem queria verificar qual era a solidez do seu namoro, era uma descarada lose-lose situation…
05 novembro 2008
UM ELOGIO AO VÍRUS, QUE ACABOU UM POUCO INFECTADO…
É uma pena que o programa semanal d´As Escolhas de Marcelo tenha perdido a pouco e pouco aquelas partes encenadas onde se pretendia que se falava de cultura. Então aquela cena dos livros eu achava-a uma verdadeira perdição, com os livros a serem apresentados em catadupa, intervalados de interjeições (- Muito bom!...), enquanto Marcelo os removia da pilha e passava ao seguinte com o mesmo despacho com que o Cozinheiro Sueco dos Marretas convertia muffins em donuts numa receita muito sua que se pode recordar aqui em baixo…
Se posso situar o antepassado do estilo de comunicação televisiva de Marcelo em José Hermano Saraiva (acima), exuberante e de um rigor científico mais do que suspeito, tenho muito mais dificuldade em apontar um ou mais antepassados para o estilo, também muito bem sucedido, mas em rigoroso e sisudo, de José Pacheco Pereira. Talvez tenha que recuar mais para os primórdios da história da televisão portuguesa, quando ela era ainda bastante aristocrática, e a popularidade ia para os programas temáticos do Padre Raul Machado (abaixo) ou de António Pedro.
Com aquele formato e com aquele protagonista, o programa da SIC destinar-se-ia a uma progressão lenta mas consolidada nas audiências, cativando inicialmente os opinion makers. Mas, simbólico da forma como as avaliações se fazem actualmente na programação televisiva dos canais generalistas, nem garanto que o grande programa informativo da SIC que ia rivalizar com o do Marcelo tenha sido transmitido mais de meia dúzia de vezes… Mas dali fiquei com a impressão que, entregue a si mesmo, José Pacheco Pereira sabia fazer programas interessantes…
Um deles é um programa de rádio, que descobri há pouco tempo através da promoção do próprio autor no seu blogue, que se chama Vírus, e que creio que passa diariamente aos dias de semana no Rádio Clube Português, tendo uma duração típica rondando os 4 minutos. Ali, José Pacheco Pereira fala de tudo um pouco, o estilo (claro está!) faz lembrar muito o do Abrupto, embora me pareça que existe uma amplitude temática superior à do blogue e que se ganha animação com a adição da dimensão sonora aos assuntos de que ele trata. Ouçam-se alguns exemplos recentes e interessantes, como este, este, este, este ou este.
Como estas coisas são mesmo assim, ao procurar programas recentemente transmitidos para fazer as ligações acima, descubro-lhe no de ontem um daqueles erros de palmatória… É que José Pacheco Pereira resolve falar de um famoso episódio de guerra naval da Segunda Guerra Mundial e acaba por meter água… É que o afundamento do couraçado Bismarck (um navio alemão, acima) de que ele fala ocorreu em Maio de 1941, enquanto o couraçado que ficou encurralado no Uruguai em pleno Atlântico Sul foi outro, foi o Almirante Graf Spee em Dezembro de 1939…
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30 outubro 2008
QUANDO O TELEFONE TOCA…
Não sei quantos dos que me lerão, saberão e ainda se lembrarão de um programa de rádio que dava pelo nome de Quando o Telefone Toca… Tratava-se de um programa popular que recorria a duas peças de tecnologia que a partir do final da década de 60 (prolongando-se pelos anos 70 e 80), tinham chegado ao alcance das classes populares: um telefone (acima) e um transístor (abaixo) para ouvir rádio. E o formato do programa estava concebido para permitir que o ouvinte se ouvisse a si próprio como participante do programa!De forma antecipada, porque o programa não era transmitido em directo, havia que ligar para um número de telefone, onde, antes de tudo, havia que dizer a frase, que não passava de um qualquer disparate promocional ao produto que patrocinava o programa (normalmente destinado aquele segmento), condição indispensável para que se pudesse pedir a canção e o intérprete e, numa maioria do casos, considerado o momento alto da participação, o pedinte pudesse dizer o seu nome para depois ser reconhecido pelos amigos e vizinhança!
Explicado o contexto, é fácil de perceber que, descontando os discos (muito ao gosto popular), o programa era até bastante monótono, com repetições sucessivas de diálogos muito semelhantes ao que aqui vou imaginar: – Boa Noite! Posso dizer a frase? – Pode. – Cosméticos Girl, beleza máxima, custo mínimo*. Posso pedir o disco? – Pode. – Era a Natércia Barreto e os Óculos de Sol. Posso dizer o nome? – Pode. – Ercília Gomes. Talvez para evitar maior monotonia, era regra do programa não deixar que repetissem as canções nem os intérpretes.Pensava eu que este programa era o paradigma da espontaneidade popular, até que um alegado episódio, ocorrido nos princípios da década de 80, entre um famoso jogador atacante do Benfica da altura chamado Reinaldo (abaixo), e uma famosa cantora loura (que afinal parece que nem cantava…) de uma banda Feminina conhecida por Doce (mais abaixo), chamada Laura Diogo, veio desfazer-me aquela ilusão. Quanto ao alegado episódio, lamento não poder explicá-lo em mais detalhe, mas tenho a certeza que quem sabe o que era o Quando o Telefone Toca… o conhece.
Pois algum engraçadinho, bem ao gosto popular para a piada brejeira, lembrou-se de ligar para o Quando o Telefone Toca…, disse a frase, quando chegou à música, pediu uma das Doce que tinha o infeliz título de Dói-Dói, e o clímax chegou quando pediu para dizer o nome: Reinaldo!... A piada espalhou-se e, como era coisa fácil de copiar, aumentou (também com a minha contribuição…) o auditório do programa, à espera de ouvir a repetição da graçola. Querem acreditar que não houve mais nenhuma oportunidade de a repetir?Logo ao princípio do programa, no primeiro ou segundo pedido, aparecia alguém a pedir que se passasse as Doce cantando uma outra canção qualquer... e assim mais ninguém podia pedir outra vez as Doce naquele programa. Foi assim que me apercebi quão fácil era manipular o tal gosto popular que, naquele caso, genuinamente se pelava era pela parte brejeira daquela história. Pois bem, esta história já vai longa, mas era indispensável para vos explicar como esta sensação de controlo mascarado de uma falsa espontaneidade popular me faz lembrar a caixa de comentários do blogue de Pedro Santana Lopes.
Creio que a quase totalidade dos blogues dos políticos que dão na televisão não têm caixas de comentários activas. No fundo, creio que até se percebe porquê. No caso do blogue de Pedro Santana Lopes trata-se de uma excepção mas apenas no sentido de que a caixa de comentários existe. Mas não do resto, porque, das vezes que visitei o blogue, fiquei sempre com a sensação que a caixa de comentários não servia para interpelar o autor. Nunca dei conta que ele a utilizasse para lá escrever, muito menos para responder ao que os outros comentadores lá escrevessem…Tomemos o exemplo de um interessante poste sobre um dos filmes do momento, Mamma Mia que tem uma banda sonora com a música dos ABBA (nem de propósito, uma banda que era uma presença assídua no Quando o Telefone Toca…), interessante sobretudo pelo conteúdo genuíno (mas não propriamente profundo…) da crítica (relembremos que não estamos a ler uma apreciação de um qualquer, mas sim de um ex-Secretário de Estado da Cultura) e atentemos nos comentários que a crítica cinematográfica de Pedro Santana Lopes suscitou.
Quase todos os comentários se podem classificar num de dois grupos: a) os íntimos, que costumam tratar o autor por Pedro e que acabam com beijinhos ou outras manifestações de ternura; b) os reverenciais, que tratam o autor por Dr. Pedro Santana Lopes (ou variantes) e que o encorajam a prosseguir inquebrantável o seu percurso e a sua postura política. Antes do Dói-Dói das Doce, eu até acreditaria que poderia ser essa tal postura a responsável por que ali não se leiam as ferocidades que certamente constariam das virtuais caixas de comentários do Abrupto ou do Causa Nossa…Depois disso, não...
* Trata-se de uma frase genuína, de 1972 ou 1973. Na época, o Metropolitano de Lisboa estava coberto de cartazes promocionais a esta linha económica de cosméticos.
25 outubro 2008
OS COLUNÁVEIS
Poucos se apercebem quanto aquelas colunas dedicadas aos colunáveis, pessoas que são importantes apenas porque sim, precisam das cumplicidades recíprocas de outros órgãos de comunicação para as manter importantes. Acontece com a bola, em que os programas dos comentadores (acima) da rádio e da televisão no dia seguinte ou no outro se alimentam do que vem escrito nos jornais para elaborarem os seus comentários enquanto as declarações então proferidas servem depois de material para alimentar os espaços dos jornais nos dias em que não se joga, não se jogou, nem se vai jogar.
Acontece o mesmo com o jornalismo cor-de-rosa, em que se torna indispensável que haja um reconhecimento prévio dos e das figurantes (acima), adquirido nos tempos de espera dos cabeleireiros através das revistas da especialidade, para depois compreender o quem é quem das peças dos programas homólogos que passam na televisão. A propósito disso, lembro-me duma tentativa gorada dum programa do género, lá pelos idos de 1993 ou 94, quando a SIC era jovem e imatura, ao entregar a apresentação do mesmo a Helena Sacadura Cabral (abaixo) e a Mário de Araújo (vulgo Nicha) Cabral.
É que os dois apresentadores propuseram-se falar das pessoas (que eles consideravam) realmente importantes. Valha a verdade que não elaboraram muito sobre os critérios que confeririam essa importância… De qualquer forma, ingenuidade de principiantes, para um dos segmentos, ninguém os mandatara como árbitros para definirem quem seria ou não importante – ainda faltava aparecer a Paula Bobone... Para o outro segmento, faltava ao programa aquelas caras que se reconheciam porque apareciam nas fotografias das revistas da especialidade – a Nova Gente, a Caras… O programa revelou-se um tremendo fiasco.
Com a blogosfera, coisa nova, vivem-se agora as mesmas hesitações. Mais importante do que saber quem são os colunáveis, importa saber quem escolhe os colunáveis e quem, por sua vez, os mandata para fazer essa escolha. Mas antes disso, como nos congressos dos partidos há os colunáveis por inerência (acima), sem se explicar o que os torna inerentes. Depois há os que são convidados para a rádio, sem muita controvérsia. Depois há os que são promovidos em jornal, com muito mais controvérsia. Finalmente, há uma nova fornada que se materializa na televisão (abaixo), vindo de algures, recorrendo à mesma tecnologia do capitão Kirk do Star Trek.
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