Apercebo-me, com um sentimento que não consigo descrever, que aquilo que há noventa anos Fernando Pessoa escrevera e descrevera do seu heterónimo Álvaro de Campos, também se pode aplicar aos blogues, quais heterónimos modernos das nossas modestas expressões pessoais. Se o aniversário de Álvaro de Campos se deixara de festejar, também os aniversários dos blogues fluem perante a indiferença dos seus próprios criadores. O Herdeiro de Aécio celebrou ontem (4 de Novembro) o seu 14º aniversário e eu nem me lembrei disso! As características das redes sociais mudaram tanto desde essa altura que o conhecido poema de Pessoa acaba por fazer sentido, ainda que bizarro, quando invocado.
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05 novembro 2019
04 novembro 2018
DIA DO 13º ANIVERSÁRIO
Este blogue completa hoje 13 anos. São muitos anos, talvez demasiados anos para um blogue. Tudo é muito diferente do que era em 2005, a começar pelo autor. Por causa da ocasião, julguei ser oportuno elaborar o gráfico abaixo, comparando ao longo dos anos e desde que conservei os dados (2007), o ritmo da produção (a verde) com o nível de audiências (a vermelho). Quanto à produção, e depois do fervor inicial e da adopção de um ritmo de publicação mais moderado, de ritmo de cruzeiro, a história do Herdeiro de Aécio é a de um entusiasmo produtivo progressivo até há uns poucos meses, quando o autor começou a esmorecer nesse seu entusiasmo. Convém enfatizar que o de hoje é o 8.460º poste publicado! Dar-me-ia por muito contente se 5% deles valerem a pena. Quanto ao comportamento das audiências, esse é diferente: foi crescente até aos finais de 2012 e a decrescer depois disso, hoje cifrar-se-á em cerca de ¼ do que havia sido nos tempos de glória. Substituídos por outros formatos de rede social, como as publicações mais ilustradas do facebook ou as ideias compactas do tweet, o tempo dos blogues já parece ter sido. Por tudo isso, e porque 13 anos também podem representar a saturação - recorde-se que esse foi o período de duração das Guerra em África para as quais o Estado Novo não encontrou solução política (1961-1974) - que resolvi adoptar um novo ritmo de publicação a partir de agora, desobrigar-me da necessidade de publicar pelo menos um poste por dia a que me havia obrigado desde o aparecimento do Herdeiro de Aécio (a média registada nestes 13 anos é de 1,78 postes por dia). As temáticas favoritas, essas, manter-se-ão.
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04 novembro 2017
HERDEIRO DE AÉCIO - SÓ PARA OS QUE GOSTAM MESMO DE «CROISSANTS»
O ciclo da moda dos blogues ter-se-á assemelhado, em intelectual, ao ciclo da moda social e comercial dos croissants e das croissanterias que o precedeu por uns bons 20 anos. Depois de irromperem e pulularem por todo o lado, a actividade veio a cingir-se gradualmente a uns pouco estabelecimentos que são frequentados pelos clientes que verdadeiramente apreciam o produto assim como os recheios típicos da casa (aqui são hiperligações desenvolvendo alguns dos temas aflorados). Doze anos depois, são esses clientes dedicados que mantêm esta e outras casas abertas.
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04 novembro 2016
04 novembro 2014
NONO ANO
A um comentário que deixei há dias num blogue amigo, onde a apresentação do que eu vim depois a descobrir tratar-se de um suporte para frangos se prestaria a comentários mais picarescos, veio-me a resposta que aqui pela blogosfera os comentadores se haviam comportado apropriadamente (é tudo gente muito decente), só no facebook – provavelmente por ser mais popular – é que chegara a haver ligeiras insinuações. É o reconhecimento de uma certa estratificação social numa sociedade que os gurus haviam previsto nivelada, e sintoma de que os blogues se tornaram em coisas algo diferentes do que eram quando eu fundei este Herdeiro de Aécio há precisamente nove anos. Hoje parece-me que já deixou de ser chic mostrar-se que se lê o que se escreve nestes espaços blogueiros.
Algumas estrelas reveladas por estes espaços foram entretanto recrutadas para outros. Para que se cumprisse a profecia da Time, quando nos escolheu a cada um de nós para personalidade do ano em 2006 por causa da nossa (colectiva) participação na era da informação, os suportes tiveram que se tornar mais amigos do utilizador, caso de um facebook profusamente mais ilustrado ou ainda de um twitter, para ideias ainda mais compactas. De uma certa forma comparo o blogue na era actual a uma forma de expressão na net que desempenha a mesma função daquelas formas de expressão artísticas que se terão deixado ultrapassar (como serão os casos da ópera ou da BD) mas que, mesmo assim, mantêm uma audiência que, não sendo substancial, é entendida e fiel.
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21 agosto 2014
1.000.000 VISITANTES
Assim como o já fizera para o meio milhão, permitam-me a vaidade de assinalar a efeméride do um milhão de visitas. Entretanto, passando a reportar 1.000.000 de visitantes numa das contagens (a copiada acima) mas simultaneamente quase 1.006.000 noutra, até parece que o sitemeter terá subcontratado os técnicos do ministério das Finanças encarregues do acompanhamento do défice público.
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04 novembro 2013
OITO ANOS DE DESORIENTAÇÃO POLÍTICA EUROPEIA
Este blogue foi iniciado há precisamente oito anos e uma das conclusões de que me apercebo ao fim daquilo que me parece ser todo este tempo é que nada de substancial terá melhorado em termos de política europeia, muito menos as porreirices – tão celebradas à época – de José Sócrates: – Porreiro, pá! Porreiro! As insatisfações sociais que faziam com que em princípios de Novembro de 2005 a França estivesse jornalisticamente em chamas (e que foram objecto de um dos meus primeiros postes) mantêm-se, senão pioraram, embora menos incendiárias, e aquilo que se progrediu foi que os franceses parecem acreditar cada vez mais que pode ser a Frente Nacional, apesar de classificada na extrema-direita, a formação política mais habilitada a reformar mais profundamente o seu país. Por cá, é o outro extremo do espectro, a esquerda não democrática que se robustece com os sintomas de descontentamento. Sabendo-se disto, só por distracção e/ou fingimento é que haverá surpresas com os resultados das próximas eleições europeias marcadas para Maio de 2014.
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18 janeiro 2013
O 4000º
Permitam-me a imodéstia de celebrar assim a postagem do meu 4000º poste neste blogue. É nestes momentos de comemoração e reflexão que nos ficam dúvidas se, mesmo ao longo de um pouco mais de sete anos, terá tido relevância pelo menos 10% do que aqui se publicou. Se nem isso, resta ao menos a faceta pueril de, nos dias que correm e com as refundações de Pedro Passos Coelho, reconhecer que 4000 é um número muito em voga... Suspeito que inconsequente, mas muito em voga.
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04 novembro 2012
SÉTIMO
E é caso para perguntar se haverá oitavo aniversário ou, havendo-o, se ele será na mesma plataforma Blogger em que o Herdeiro de Aécio tem vindo a ser escrito desde o inicio. O tempo passa e, por muito que quase tudo na relação seja impessoal, desenvolve-se uma simpatia entre ambos que nos fere quando a elaboração e publicação dos postes falham repetidamente como tem vindo a acontecer ultimamente. Há que reconhecer que Ups! Isto é um erro. Pedimos desculpa pelo incómodo...
é um pedido de desculpas mais honesto do que aquele que teríamos direito a ouvir de Vítor Gaspar por causa das suas responsabilidades pela execução orçamental deste ano. Mas não chega. Contudo, a vida é feita de paradoxos e, se quem gere o Blogger tem de se submeter às leis da concorrência e arriscar-se a perder clientes a curto prazo por causa de erros à sua responsabilidade, há quem ideologicamente idolatrize essas leis como Vítor Gaspar, mas me pareça muito mais protegido dessas consequências...
Ou será que se pode mudar da plataforma Ministério das Finanças para uma outra que funcione melhor?...
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04 novembro 2011
01 abril 2011
OS 500 000 VISITANTES
Ontem, quase precisamente cinco anos depois de ter instalado um contador de visitas, o Herdeiro de Aécio atingiu as 500 000 visitas. Não é um número impressionante – há blogues em inglês que completam este número de visitas nuns 3 ou 4 dias – mas creio que é uma marca e uma data que valem a pena ser comemoradas. Sobretudo pela celebração do gozo que me tem dado esta montagem quotidiana do blogue, feita do tratamento dos temas que me apetecem, quando me apetecem.
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04 novembro 2010
QUINTO ANIVERSÁRIO
Este blogue celebra hoje o quinto aniversário e, como fiz em anos anteriores associando os aniversários aos anos cumpridos, lembrei-me que os cinco anos são precisamente a duração de um mandato presidencial, mandato esse que, aliás, o actual Presidente Cavaco Silva se prepara para cumprir proximamente. E depois de cinco anos a ocupar o cargo, parece-me pouco razoável que apareçam mensagens no Twitter publicadas em seu nome a dizerem como ele vê com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates.Em primeiro lugar porque, se o Presidente não se pode responsabilizar pelo comportamento de toda a classe política, como actor também não pode fingir fazer-se passar por um banal espectador dessas actuações. Em segundo lugar porque, para a falta de prestígio da dita classe de que ele faz parte e que tanto o incómoda, tudo conta, as suas aldrabices também. E se há precisamente dois anos atrás gozei com a precocidade dos três anos de José Sócrates, agora, numa aldrabice inversa, ninguém topa que Cavaco Silva seja uma espécie de avozinho moderno que twitta e tudo…
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04 novembro 2009
AOS QUATRO ANOS JÁ SE TENTA LER COMO UM ALMIRANTE
Se o ano passado dediquei o poste de aniversário deste blogue à precocidade do Engenheiro José Sócrates, que aos três anos já assistia a debates televisivos entre candidatos à presidência dos Estados Unidos, o meu poste de aniversário este ano é dedicado à caducidade do Almirante Américo Thomaz, que aos 72 anos (incompletos) ainda não sabia ler um discurso de forma a torná-lo compreensível para o auditório.
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04 novembro 2008
AOS TRÊS ANOS TAMBÉM JÁ SE É IBERO-AMERICANO
E porque é que não há idade mais ibero-americana que a dos três anos? Porque é a idade em que parece ter despontado toda a genialidade precoce na criança que veio a assumir 45 anos depois os destinos de Portugal. Numa entrevista recente ao DN (já adulto), José Sócrates afirma, logo ao princípio: (...) Eu sou, digamos assim, da geração Kennedy. Essa eleição representou já um momento histórico. Lembro-me do debate que houve na América quando, pela primeira vez, um católico se candidatou a presidente.*
Aquela é a parte mais ibero-americana da entrevista, aliás não há trecho mais ibero-americano do que aquele em todas as entrevistas que até hoje li de José Sócrates: é que, se em 6 de Setembro de 1960 José Sócrates tinha festejado os três anos de idade, foi logo em 26 de Setembro de 1960 que o primeiro debate televisivo entre Kennedy-Nixon teve lugar, aquele que é hoje considerado o mais famoso debate televisivo de sempre, que veio a tornar-se decisivo para as cerradíssimas eleições presidenciais que se realizaram a 8 de Novembro de 1960, tinha então José Sócrates 3 anos e 2 meses.E, como Sócrates costuma pedir nas entrevistas, deixem-me dizer-vos mais uma coisa: não deve haver nada de mais ibero-americano do que nos apercebermos como temos o privilégio de sermos governados por quem foi, indiscutivelmente, uma criança assim tão prodigiosa... É que eu já havia pensado em aproveitar esta efeméride do terceiro aniversário do blogue para contar aquela que suponho será a minha recordação mais antiga, precisamente uma associada à festa do aniversário dos meus três anos, mas tremo só de pensar com a comparação que os leitores possam fazer:
Não me lembro das prendas, nem do bolo, nem dos convidados, apenas do episódio da filha da nossa mulher-a-dias, a Maria Emília – que teria talvez o triplo da minha idade – e que – talvez deslumbrada com tanta tecnologia – conseguiu rebentar com o tampo da sanita da casa de banho, deixando as estilhas de plástico espalhadas pelo chão, para além da enorme descompostura que ela recebeu da mãe, embaraçadíssima. Com vêem, foi só isto, e peço-vos desculpa por nem sequer me ter ocorrido alguma reflexão sobre a solução para o problema colonial português que então despontava…Deve ser por falta de memórias mais ibero-americanas que hoje não sou Primeiro-Ministro de Portugal nem sequer aspirante oculto a Presidente do PSD. Nem sequer sou dono, ou aspirante a dono, de um Magalhães, o mais ibero-americano dos computadores, e ferramenta indispensável dos assessores de José Sócrates. Sou apenas o autor de um blogue que hoje completa três anos e que, ao contrário de alguns blogues ibero-americanos que por aí existem, não se presta a suscitar duvidas que é completamente escrito por quem o assina…
* Desculpem esta pequena nota interrompendo a ironia do resto do poste, mas convém assinalar o que parece ser a ignorância crassa tanto de José Sócrates como dos membros da equipa que o preparam para estas entrevistas: é que o primeiro candidato católico a concorrer à presidência dos Estados Unidos foi Alfred (Al) Smith, o candidato democrático derrotado nas eleições de 1928 e não John Kennedy, como Sócrates refere na entrevista.
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04 novembro 2007
POR OCASIÃO DO SEGUNDO ANIVERSÁRIO
Nestes dois anos de blogosfera penso que posso concluir que nela se está a formar uma sociedade tecnologicamente inovadora. Por exemplo, onde se permitem acusações de se ser pessoalmente reles quando acusador e acusado nunca se encontraram pessoalmente e também se permite que Professores Doutores de Coimbra sejam confrontados directamente com a exibição da sua ignorância ao abordarem assuntos específicos sobre os quais resolveram emitir a sua opinião, mas sem sequer se documentarem…
Para assinalar o segundo aniversário do blogue resolvi alterar o insulto de estimação lá de cima, no cabeçalho. A história por detrás do novo insulto afixado conta-se de forma sucinta. Começa num poste disparatado, demonstrativo da ignorância sobre geografia por parte do seu autor, Vital Moreira (como alguém demonstrou aliás, de forma sucinta e gráfica…), e acaba na inevitável impossibilidade intelectual do autor admitir o seu erro (clamoroso)...
A expressão dessa impossibilidade degenerou no sucedâneo mais parecido com argumentação: o insulto, não muito substanciado, como se vê pela frase escolhida. Que, confesso, nem tem tanta piada como o que lá estava*, mas como é de um autor que vai à televisão… e que nas outras circunstâncias deverá crer que é merecedor da reverência de lá ter ido, a piada vale mais pela petulância do autor da frase do que pela veemência das suas palavras.
Ou seja, confesso que há algo de profundamente superficial nas razões da minha escolha: como as fotografias de uma socialite da revista Caras, considero que o autor do insulto não tem razões de mérito para ter sido escolhido a não ser o facto de ser badalado… É verdade. Mas posso dizer em minha defesa que, tratando-se aqui da celebração de um aniversário, não há reportagens melhores sobre aniversários que as da Caras?*De um Autor a quem disseram: Enxergue-se e leia umas coisinhas.
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10 março 2007
REVISÃO
Fica a disposição de continuar o blogue, salvaguardada que se mantenha a coexistência de cinco sentimentos indispensáveis: o orgulho e o estímulo, quando se relêem os bons postes, a humildade e a resignação, quando se relêem os maus postes, e a indispensável lucidez para saber distinguir uns de outros…
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04 novembro 2005
INAUGURAÇÃO
A verdade é que já se estava a tornar rotineiro aproveitar a caixa de comentários dos postes de Medeiros Ferreira nos bichos-carpinteiros para manifestar o meu exaspero pelas prosas que ele anda por lá a postar por estes dias.
É chato, quando repetitivo é deselegante, além dos comentários censóreos aos postes de Medeiros Ferreira estarem a crescer com uma popularidade exponencial, capariquenha mesmo. Já não é raro os comentadores entreterem-se entre eles, esquecendo-se do resto.
Por isso, aqui vim para este cantinho, sem importúnios e sem a certeza de cá conseguir regressar (o poste pode vir a ser único e, numismaticamente, mais valioso por isso), interrogar-me porque motivo os postes de Medeiros Ferreira ainda mantém a capacidade de me irritar.
Começemos por procurar sistematizar alguns dos tipos mediáticos que me irritam.
O tipo Jorge Coelho, em primeiro lugar, por unanimidade e aclamação, do tipo da sessão de palmas no encerramento do congresso do PC chinês. Mas no fundo, o que me aborrece em Jorge Coelho, não é o próprio, antes a incapacidade da nossa sociedade (e a minha incapacidade em conseguir explicá-lo) em fazer a distinção entre o esperto e o inteligente. Jorge Coelho é o espertalhão por excelência - um retrato de Zé Povinho onde nos gostamos de rever. Mas sempre que se torna necessário ir um pouco mais além, a profundidade dos pensamentos de Coelho é a de uma poça de água. Vide o Congresso do PS que Coelho organizou para Guterres: foi a coisa mais albanesa a que assistimos; a oposição era... Manuel Maria Carrilho.
Francisco Ferreira, o homem da Quercus, que passeia a sua careca como demonstração cabal do poder destrutivo das chuvas ácidas. A culpa da minha irritação até nem lhe pertence, antes ao papalvo que lhe põe um microfone à frente como se ele fosse dizer algo surpreendentemente novo. É como perguntar a um padre qual a sua posição ácerca de existência de Deus. Em qualquer situação há sempre um bicharoco qualquer que nidifica no sítio onde se quer construir ou destruir qualquer coisa. Mesmo a destruição do barracão velho irá perturbar os hábitos das ratazanas verdes - espécie que ninguém sabe se existe ou não, mas como o gajo fala com aquela convicção, então é porque sim.
Os diletantes da argumentação na versão Vasco Graça Moura. Mais uma vez, a culpa não é dele, é nossa quando o levamos a sério quando apresenta a sua argumentação com um remate surdo à Fernando Pessa: - E esta, hem? Tentem lá desmontá-la... E o pessoal embevecido: como ele pensa bem! Acessoriamente, é um tradutor com uma sucessão de sucessos capaz de rivalizar com a press release sobre a situação militar emitida pelo Ministério da Informação de Saddam Hussein. Traduz François Villon do picardo (salvo erro) original e é... um sucesso, traduz Dante do toscano original e é... outro sucesso. Ainda não identifiquei a dúzia de especialistas portugueses em picardo, muito menos a outra de especialistas em toscano, que validam essa apreciação. Se calhar é porque não os há... Na dúvida, aguardo mais uma tradução magistral, pode ser a dos pensamentos no original de Lao-Tse...
Comissário por comissário, a função parece ter sido assumida actualmente por Vital Moreira. É diferente do anterior: aprende-se a antipatizar, na inversa do antigo anúncio da tónica Schweppes. O desconforto aparece depois das situações em que se compartilham essencialmente as mesmas opiniões, que são muitas. Mas quando se disseca o estilo argumentativo, chega-se às verdades de um Portugal de papel que não existe realmente. Como caricatura, ainda não perdi a esperança de, numa situação argumentativa limite de defesa do status quo, ver um poste de Vital dissertando àcerca da impossibilidade da existência da corrupção por parte de alguém do aparelho governamental, por manifesta inconstitucionalidade da mesma...
Qualquer dos casos citados... têm piada. Leve-os a sério quem quiser. E Medeiros Ferreira?
Já o vi capaz de fazer análises políticas bem argutas. Já li postes seus inqualificáveis, agora na sua fase bloguística. No fundo a minha indignação é gerada da convicção de que ele é bem capaz de fazer melhor e, por outro lado, porque não tem jeito nenhum para andar para a política pura e dura, para postar bocas que animem a malta. Além de não ter jeito, rebaixa-o, fica-lhe mal, faz figura de tonto.
Não sei das suas razões para poder estar chateado com o PS. Afinal de contas, o PS é um partido pujante de quadros, figuras gradas da sociedade civil, que até se dá ao luxo de o poder dispensar ou a uma bastonária de uma ordem de profissionais liberais como Helena Roseta...
Vou continuar a ler os postes de Medeiros Ferreira.
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