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13 julho 2024

CONSIDERAÇÕES SOBRE A SENILIDADE DOS AUTORES DOS ARTIGOS DE OPINIÃO

Esta piada da edição de hoje do Expresso, publicada naturalmente na secção de o Inimigo Público, e que tem por alvo simultaneamente Cristiano Ronaldo e Joe Biden, teve a virtude de me chamar a atenção para que, caso o actual presidente norte-americano abandonasse a política activa e se remetesse apenas à opinião escrita, os problemas associados às suas condições mentais, que agora suscitam tanta controvérsia, desapareceriam como por milagre. É um milagre dispormo-nos a aceitar por genuínos textos atribuídos a pessoas que vemos, noutras circunstâncias, com visíveis dificuldades em exprimirem-se coerentemente. Assim também é cá em Portugal, onde a opinião de antigos presidentes e de outras venerandas figuras políticas costuma ser publicada com uma deferência acrítica que apenas descredibiliza os responsáveis da comunicação social que lhes dão repercussão (no exemplo abaixo, ironicamente, o protagonista é o mesmo Expresso da piada acima).

09 julho 2024

A SÉRIO? NÃO ENCONTRARAM MAIS OUTRAS PESSOAS QUE COMPARTILHASSEM A OPINIÃO DO «HACKER PORTUGUÊS RUI PINTO»?

Dando uma vista de olhos à página do Google Notícias deparamo-nos com as reacções à entrevista dada ontem à noite pela procuradora Lucília Gago à RTP. Entre as reacções em destaque, uma que se afigura assaz razoável, muito do senso comum, criticando aquilo que de mais embaraçoso ela ontem disse - a ausência de qualquer contrição pelos erros cometidos pelo ministério público durante algumas destas últimas investigações mais mediatizadas. «PGR "deve ser responsabilizada quando comete erros flagrantes"» É só pena que, naquela página, a opinião não venha acompanhada da identificação do autor... Accionada a conexão para a página original, descobre-se que afinal o autor é o «hacker português Rui Pinto» e que a opinião foi repescada de um tweet que ele publicou... A sério? Lá no Notícias ao Minuto não encontraram mais ninguém que exprimisse aquela mesma ideia? Outras pessoas que não tivessem sido condenadas a quatro anos de prisão com pena suspensa? Pessoas que tivessem o cadastro limpo, por exemplo? Há por aí uma grande confusão entre os jornalistas, quando se decidem a dar destaque à opinião de pessoas só porque elas são conhecidas, quando o que acontece é que as razões pelas quais elas são conhecidas são precisamente as razões que desqualificam as opiniões que elas possam ter.

08 julho 2024

«GANDA CAPA. GRANDE VERDADE.» ENORME FIASCO. DESCOMUNAL PIRUETA.

Não me costumo referir por aqui às actividades dos blogues da vizinhança, mas hoje creio justificar-se a excepção, tanto mais que o autor do blogue em causa até dá na televisão. E aquilo para que quero chamar a atenção é para a descomunal pirueta que foi protagonizada pelo autor do blogue em pouco mais de uma semana. Ainda na semana passada Seixas da Costa socorria-se da - inspirada - capa da The Economist para subscrever a tese que o centro político em França iria colapsar. A culpa era do Macron, mas isso já não tinha nada a ver com as opiniões da The Economist, é apenas uma implicação antiga e persistente do embaixador-comentador com o presidente francês. Se ontem terá sido um dia muito feliz para o comentador-embaixador, porque ganhou o seu clube, colateralmente as previsões de Francisco Seixas da Costa a respeito do enterro do centro político francês e de Emmanuel Macron mostraram-se manifestamente exageradas como o havia sido a famosa notícia da morte de Mark Twain. O que os profissionais do palpite costumam fazer nestas ocasiões é ignorarem o assunto, fingirem que não tinham dito nada, mudarem de tema. Ora o bom do nosso embaixador ignorou a gaffe, esqueceu-se do que dissera, mas não mudou de tema. E ainda por cima, fá-lo depois das eleições, para enfatizar - «uma coisa que tem sido pouco dita» - que muitos dos eleitos do centro político («macronistas e LR») devem a sua eleição à desistência dos candidatos de esquerda. Eu não sei quantos foram, teria sido bem melhor e mais intelectualmente honesto que Seixas da Costa os tivesse contado, nem que fosse para comparar esse número com o número de deputados de esquerda eleitos que «devem esse resultado à desistência dos candidatos do centro». Tenho a certeza absoluta que nesse jogo eleitoral táctico contra o Rassemblement National nenhum dos blocos fez um favor ao outro, nem ninguém se terá mostrado mais generoso do que o antagonista.

Como se depreenderá, ontem interrompi o acompanhamento das eleições francesas nos canais franceses e vim ver o que estava a acontecer nos canais informativos nacionais. Num deles pontificava Seixas da Costa a celebrar umas coisas de cachecol posto e a esquecer-se de outras que ele vaticinara. No caso, e em contraste com a atitude dele, eu não tenho qualquer pudor em admitir que ter vindo ver os canais nacionais foi uma péssima decisão e que me enganei redondamente.

O DIA DO 7-1 DA ALEMANHA AO BRASIL

8 de Julho de 2014. O placard do jogo acima acabou com um Brasil 1 x Alemanha 7. Acresce à humilhação do muito mau aspecto da derrota, o facto de ela ter ocorrido em Belo Horizonte, durante o Mundial de Futebol, em que o Brasil estava a ser o anfitrião e quando as duas selecções disputavam já a meia-final, visando o jogo que decidiria o título. Para além da tragédia nacional que aquele placard representou, o Brasil destacou-se pela rapidez como fizeram humor da situação e como arranjaram logo um bode expiatório, o treinador Felipão.
E como é costume no Brasil, o(s) paineleiro(s) é que tinha(m) explicação para tudo! (abaixo) Aquele é um país em que o que é bom é ser-se paineleiro. Aliás, ontem e a propósito dos comentários nacionais às eleições franceses e aos golpes de rins a que se assistiu, percebeu-se que Portugal também é um bom país para se ser paineleiro

06 julho 2024

OBSERVEM COMO A SIC AINDA O DEIXA POR AÍ À SOLTA...

Aquilo que João Marques de Almeida representa (em termos de imbecilidade) para a comunicação social portuguesa escrita tem o seu correspondente audiovisual na pessoa de José Gomes Ferreira. Também com ele se constatam dez anos de previsões (disparatadas) encadeadas, que são acompanhadas da mais completa impunidade.
Em Julho de 2014, portanto há precisamente dez anos, podemos apreciá-lo acima a jurar pela solidez do Banco Espírito Santo (BES) numa antecipação desastrada ao desfecho de que todos nos lembramos...
Pouco mais de um ano depois, em Novembro de 2015 vêmo-lo falando em economês, mas a agoirar descaradamente o futuro, por causa da perspectiva da formação próxima do governo da geringonça...
Mas, mais do que isso, a prodigiosa capacidade intelectual de José Gomes Ferreira fê-lo transbordar dos terrenos estritos da Política para a (um certo género de) História e mesmo para a Astronomia (como se constata acima)
E demonstrativo que o tempo passa e ele não lhe perde o jeito, ainda em Novembro passado e em plena crise política desencadeada pela demissão do primeiro-ministro António Costa, ei-lo a abocanhar acriticamente um falso tweet desse mesmo António Costa. O seu colega Bernardo Ferrão mal disfarça o desdém enquanto lhe corta a palavra...

05 julho 2024

É ENGRAÇADO COMPARAR AS PROJECÇÕES QUE SE FAZIAM DA ASSEMBLEIA NACIONAL FRANCESA NO PRINCÍPIO E NO FIM DESTA SEMANA

Os 250 a 280 lugares projectados para a União Nacional e aliados reduziram-se subitamente a 190 a 220. O que vale é que, abstraindo-nos deste frenesim opinativo palpiteiro, tudo ficará esclarecido este Domingo.

02 julho 2024

O CASO DO DUELO DE ESGRIMA DO PRESIDENTE DO MINISTÉRIO

O dia 2 de Julho de 1924 foi muito animado. Da parte da manhã houve um duelo de Honra na Tapada das Necessidades entre o próprio chefe do governo, o presidente do Ministério, Álvaro de Castro e um dos oficiais-aviadores, o capitão Ribeiro da Fonseca, daqueles que se haviam sublevado no início do mês anterior contra as directrizes do governo. Refira-se que o desafio para o duelo de esgrima que a fotografia mostra, partira do chefe de governo. Concluído o duelo, e como se pode ler noutra notícia do jornal, os duelistas haviam ido para o hospital de São José tratar dos ferimentos, mais graves no capitão Ribeiro da Fonseca que ficou internado. Depois dos curativos, e crendo-se reforçado pelo significativo político da sua vitória no duelo, depreende-se que o presidente do Ministério fora tentar reconstituir o Ministério, já que se encontrava a braços com mais uma crise governamental. Ao fim da tarde, já Álvaro de Castro se convencera que a espadeirada fora em vão e desistira de organizar um novo gabinete, enquanto dois representantes do Partido Democrático se apresentavam em Belém para indicar o nosso conhecido Rodrigues Gaspar como sucessor de Álvaro de Castro. Apesar dos predicados do novo presidente, o novo Ministério não vai chegar sequer ao fim do ano. Quando leio estes episódios da politica da primeira República tendo a dar a mão à palmatória nas minhas críticas à incompetência e irresponsabilidade de Pedro Santana Lopes: nomeado primeiro-ministro em 2004, ele pode ser visto como alguém que chegou apenas com 80 anos de atraso à política... Se calhar, em 1924 ele teria passado desapercebido.

01 julho 2024

ALGUMAS MODALIDADES OLÍMPICAS DE HÁ 120 ANOS

1 de Julho de 1904 foi o dia do início das competições dos Jogos Olímpicos de 1904, que se disputaram na cidade norte-americana de Saint-Louis no Missouri. Estas edições iniciais dos Jogos Olímpicos - esta era a III Olimpíada, depois das de Atenas (1896) e Paris (1900) - são hoje eventos que só ocasional e discretamente são evocados pelo Comité Olímpico, por causa de várias circunstâncias exóticas a eles associadas: neste caso concreto de há 120 anos disputaram-se competições olímpicas de corridas de sacos, saltos do barril e cuspidelas de tabaco. Concordemos que são aspectos que retiram dignidade ao passado olímpico...
Mas convém fazer estas evocações com o distanciamento e a consciência de quanto as modas e as dignidades são passageiras, para imaginar aquilo que se virá a comentar em 2144 sobre uma nova modalidade olímpica intitulada breakdance que irá ser estreada nos próximos jogos olímpicos de Paris...

OBSERVEM COMO O OBSERVADOR AINDA O DEIXA POR AÍ À SOLTA...

1 de Julho de 2014. O quase recém nascido Observador ainda anda à procura de nomes de colunistas que o projectem. E então desencantaram este João Marques de Almeida. Nem vale a pena desancá-lo. Basta que o leitor leia o que ele há precisamente dez anos antecipava que aconteceria com a candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa. Ou então aquilo que, noutro rasgo de presciência, nem duas semanas depois, augurava para o futuro do Bloco de Esquerda (abaixo). Mas o que eu considero verdadeiramente prodigioso, não é apenas, nem sobretudo, João Marques de Almeida ter escrito estes disparates há dez anos e ter saído impune. O prodígio é ele ter continuado a escrever aleivosias deste mesmo género, e o Observador ter continuado a dar-lhe palco por dez anos a fio. Ainda lá continua. Entre a colecção de disparates que tem escrito mais recentemente, destaco, mais pelo impacto imediato dos títulos do que pelos conteúdos: Miguel Morgado para o Parlamento Europeu (não foi sequer escolhido) ou então O Chega ajuda a democracia portuguesa (tem-se visto a ajuda que o governo da AD tem recebido do Chega!). O que é misterioso nestes casos não é a existência destes medíocres, são os processos misteriosos que os fazem subsistir com esta projecção por anos a fio.

30 junho 2024

OPERAÇÃO RESGATE DE BIDEN

O subtítulo deste artigo da The Economist de hoje marcou-me: «Há qualquer coisa de trumpico na atitude negacionista da realidade do(s responsáveis) do partido democrata.» Como se pode ler no artigo, entre esses responsáveis obtusos contam-se os ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton e a antiga presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi. Tudo gente respeitada e influente que coloca a sua recomendação em confronto com aquilo que os eleitores americanos - como diria uma poeta portuguesa - «vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar». E as cenas que são visíveis audíveis e legíveis são múltiplas, como esta ocasião exemplar que aparece abaixo, recolhida na Cimeira do G7 em Itália ainda há quinze dias, onde o presidente americano se comporta durante a cerimónia como se fosse aquele avozinho senil que é preciso vigiar discretamente para não fazer asneiras quando não pode ter pessoas do staff por perto. Eu não sou americano, mas, se o fosse, e depois de ter desistido de compreender porque é que o candidato republicano iria tornar a ser Donald Trump, alguém teria de me explicar agora porque é que o candidato democrata ainda tem de ser Joe Biden.

29 junho 2024

A ESTE JÁ O VIMOS PRESTAR-SE A TUDO POR UM POUCO DE ATENÇÃO

Se há coisa de que me felicito foi ter criado, mais recentemente, esta etiqueta no Herdeiro de Aécio evocando acontecimentos com cinco anos. Aplicados criteriosamente, cinco anos passados podem possuir aquela magia de despojar aquilo que seriam actualidades no ridículo de gestos que agora se percebem ser completamente desprovidos de conteúdo, interesse e consequência. É terrível para quem nunca o teve: ao conteúdo. São os órgãos de comunicação social a escolher o que terá interesse. Mas compete-nos a nós seleccionar e reter o que dali teve verdadeiramente alguma consequência. A 29 de Junho de 2019, montado em cima de uma mota, Pedro Santana Lopes, ia «recolher contributos para o programa eleitoral» da Aliança (o partido que fundara e que entretanto já abandonou). Logo ele, que nunca tivera nenhuma ideia, e a quem se notava o embaraço quando se punha a fingir que as tinha (ideias). Portanto, quando estas mediocridades se põem a pavonear por aí, há uma quota parte da responsabilidade de os manter «por aí» que também é nossa. 

27 junho 2024

TALVEZ NÃO SEJA A MELHOR OCASIÃO PARA RECORDAR NOTÍCIAS DESTAS

...e como é tradicional nestas ocasiões, aqueles que ficaram expostos ao ridículo tentam desconversar. Por detrás de uma exibição para esquecer, poucos serão os querem pôr o jogador em causa, o assunto em discussão é absolutamente outro: como é evidente não foi António Silva que montou esta campanha de promoção de si próprio que se pode apreciar mais acima e foi o despropósito da promoção do jogador que ficou obviamente exposto com a sua exibição no jogo contra a Geórgia.

25 junho 2024

«CAPITÃO DE ABRIL, CONSTRUTOR DA DEMOCRACIA, COMBATENTE PELA PAZ»... MAS TAMBÉM "DESTRUIDOR" DO REGIME NOVEMBRISTA

25 de Junho de 1984. Por ocasião da realização do 2º Congresso Regional da UDP no Machico (Madeira), o dirigente nacional Mário Tomé destacava-se pelo tom inflamado e radical do seu discurso opinando que a única saída para a situação política económica e social de então seria «a destruição daquele regime reaccionário novembrista» (referência ao 25 de Novembro de 1975). A solução seria a instauração em Portugal da «República Popular», única que «permitiria ao povo a mais ampla liberdade para se organizar e lutar». Também se mostrava contra a presença de Portugal na NATO e contra o FMI, já que, segundo ele, «o povo português não devia nada a ninguém e era, isso sim, vítima há muitos e muitos anos da roubalheira e das negociatas dos burgueses com os estrangeiros». Enfim, trata-se de um conteúdo capaz de ombrear em despropósito e disparate com aquelas coisas que agora se ouvem a André Ventura. O folclore da asneira transferiu-se da extrema esquerda para a extrema direita nestes quarenta anos. E, no entanto, ainda aqui há cinco anos, os do Bloco de Esquerda (Catarina Martins) iam recuperar este mesmo disparatado Mário Tomé, numa manobra de lhe conferir estatuto de veneranda figura, branqueando-lhe estes discursos do passado e dando-lhe epítetos bonitos - capitão de Abril, construtor da democracia, combatente pela Paz - num gesto de amnésia que teve tanto de ridículo, quanto de despropositado. Nunca esqueçamos que a grande virtude da Democracia é aceitar todos estes cretinos - e classificá-los pelo que eles são: cretinos.

22 junho 2024

DEPOIS DE TRAZER O AVANÇADO PAVLIDIS, O BENFICA TAMBÉM BEM PODIA TENTAR ASSINAR COM O OWN GOAL POR CINCO TEMPORADAS

Uma das coisas que a comunicação social convencional se demite de fazer é permanecer atenta às múltiplas manifestações de estupidez provocadas pela disseminação da Inteligência Artificial, como é o caso acima do Own Goal, que lidera destacado até agora a classificação dos melhores marcadores do Europeu de futebol. Em contraste, uma outra coisa que, essa, a comunicação social convencional se aplica em fazer, é dedicar um tempo infindo à cobertura de novidades que não interessam a ninguém: anteontem, haviam destacado uma repórter para acompanhar em directo a chegada ao aeroporto de um novo jogador do Benfica, jogador esse que, dois dias antes disso, praticamente ninguém sabia que existia. Nem sei se se chegou a ver o homem, o novo reforço do Benfica... O acompanhamento informativo do tópico futebol é um requinte da estupidez, e pelas causas mais antagónicas possíveis: por negligência ou por dedicação em excesso...

21 junho 2024

ENTRA O VERÃO E COMEÇAM AS NOTÍCIAS REAQUECIDAS NO MICRO-ONDAS

Com a entrada do Verão começam a faltar as notícias e os espaços passam a ser preenchidos com a redescoberta do que é evidente, como se de novidade se tratasse, uma espécie de recondicionamento da notícia, reaquecida num micro-ondas da oportunidade. Aqui, e porque o assunto é a evidência de que a CGTP é uma extensão do PCP para a actividade sindical, algo que é óbvio há quase 50 anos, tantos quantos duram os anos da mentira do desmentido (veja-se acima, em Abril de 2022), o aparelho que reaquece o tópico merece ser apresentado numa versão vermelha e de esquerda, popular e proletária. Só que, para que a metáfora fosse completa, a dimensão do micro-ondas devia ser cada vez mais pequena, a cada ano que passa e a pretensa "independência" da CGTP é reaquecida.

15 junho 2024

AINDA SOBRE A GENEROSIDADE COMO SE ESTÁ A ATRIBUIR O TÍTULO DE «JORNALISTA» A QUEM DESEMPENHA OUTRAS ACTIVIDADES

O erro continua insistentemente a persistir por aí, para mais avalizado por opinion makers como João Miguel Tavares ou Ricardo Araújo Pereira. O erro consiste em dar a alcunha de jornalistas a quem se notabiliza por - e se limita a - emitir opiniões sobre política. Jornalismo é uma outra coisa: quando vemos acima Bob Woodward e Carl Bernstein a assistir ao discurso de resignação de Richard Nixon, como corolário do Caso Watergate, aquilo que estava a acontecer já ia muito para além do que fora o seu trabalho jornalístico. E é por isso apenas apropriado que eles apareçam naquela foto acima como testemunhas distanciadas do acontecimento. E isso não quer dizer, antes pelo contrário, que não tivessem «vigiado» a acção do presidente. Ora no caso e pelo conceito de jornalismo de João Miguel Tavares, teria sido indispensável que Woodward e Bernstein também tivessem ido à televisão em 8 de Agosto de 1974 para dizer umas coisas, formular palpites, dar opiniões sobre a actualidade política norte-americana. Ora essa é toda uma outra actividade, o comentadorismo profissionalizado, que, só por insistência cega e conveniência de nomenclatura, pessoas como João Miguel Tavares ou Ricardo Araújo Pereira designam também por jornalismo.

Agora o que é desagradável é que, por causa de estarmos a designar duas actividades diferentes, se escrevam disparates como o que aparece assinalado mais acima: como é que João Miguel Tavares quer que comentadores encartados vigiem a acção dos políticos? Em animados bate-bocas televisivos?...

14 junho 2024

O VIZINHO QUE FALA DEMASIADAMENTE ALTO NO CAFÉ...

Que a situação na Saúde se tornou rapidamente um dos calcanhares de Aquiles do novo governo afigura-se patente. Trata-se de uma herança de uma pasta delicada, mas o perfil da nova ministra, mais a sua capacidade inata para despertar a antipatia mediática não os ajuda nada. Considerado isto, o que também não faz qualquer sentido é a CNN ir desencantar o comentador Pedro Tadeu para nos dizer precisamente o mesmo nos ecrãs da televisão (mais alongado: em seis minutos e meio e com a coreografia de alguém parecer interessado no que ele tem para nos dizer). Mas, ainda que mal pergunte: o que é que qualifica precisamente Pedro Tadeu para nos vir falar sobre assuntos da política da Saúde? O que é que ele tem de mais do que aquele nosso vizinho que vai para o café falar demasiadamente alto de tópicos avulsos de política, para que todos o ouçamos? Será a legitimidade de se arranjar alguém para lhe fazer antes as perguntas, para que a ocasião não fique com o mau aspecto dos monólogos no café do vizinho, vizinho esse de que normalmente formamos a impressão de que fala assim só porque é um solitário gabarola e gosta de se ouvir? É que, mesmo sabendo que posso mudar de canal e também vir-me embora do café, só de começar a ouvir qualquer dos dois parece-me um acto impingido com a mesma falta de pertinência. Ou melhor: o desbocado do café dos últimos decénios foi promovido para os ecrãs para encher o tempo dos canais de informação.

13 junho 2024

POLÍTICO(A)S QUE SÃO OBRIGADOS A PASSAR DESAPERCEBIDO(A)S QUANDO HÁ ELEIÇÕES PORQUE «ENXOTAM» O ELEITORADO...

Durante o mês de Maio passado e até às eleições de dia 9 de Junho, a deputada socialista Ana Catarina Mendes distinguiu-se por ter feito os maiores esforços para passar desapercebida. E estará de parabéns por ter conseguido. Ninguém a foi incomodar, apesar de ela ter sido apresentada como o terceiro nome da lista que o PS apresentou para o parlamento europeu. Que contraste com Marta Temido! Pelos vistos, dará para especular se, lá pelo Largo do Rato, não devem ter considerado que, enquanto a cabeça de lista se esforçava por cativar os eleitores, dois lugares atrás na lista, Ana Catarina Mendes os enxotaria ao estilo Tânger se abrisse a boca... Daí as (presumíveis) instruções para que estivesse quietinha. Mas foi um esforço, já que Ana Catarina Mendes adora dizer coisas manhosas e trauliteiras para aquecer as hostes dos socialistas indefectíveis, numa função de cheerleader do partido! Nem foi preciso esperar muito dias, aqui a temos, três dias depois das eleições e removida a mordaça, a retomar as tradicionais merdas que até já nos habituámos a ouvir dela - (1) (2) (3) (4). Por um lado, é um prémio à mediocridade, mas, por outro e porque já não há pachorra para a aturar, ainda bem que Ana Catarina Mendes foi despejada em Bruxelas. Que vá para lá facturar umas massas pelos seus bons e leais serviços ao QG do Largo do Rato!

04 junho 2024

A «ARTE» PÓSTUMA (2)

O artigo acima, publicado ontem no The Guardian, põe um pateta incompetente de um jornalista daquele jornal a anunciar-nos a enésima obra póstuma do escritor de thrillers Michael Crichton. Chrichton morreu em 2008 - há quinze anos e meio! - mas registe-se a proeza que, depois de morrer, ele já terá escrito mais três obras póstumas e esta que agora anunciam há de ser a quarta! Ou seja, Michael Crichton, com um livro publicado em média de quatro em quatro anos, tem tido uma produtividade como escritor morto que supera a de muitos escritores vivos! Ironias (e absurdos...) à parte, torna-se óbvio que há um editor qualquer, sem pinga de vergonha, que quer impingir aos imbecis ainda mais uma história à custa do nome de Michael Crichton. E depois há este pateta do Guardian chamado Stuart Jeffries que escreve um artigo acrítico a respeito deste abuso do nome do escritor defunto. Adicionando o insulto à injúria, o artigo acaba com um link para quem quiser encomendar a falcatrua!

02 junho 2024

A VERDADEIRA GRANDE QUESTÃO NUMA ESPÉCIE DE CARTAZ À BEIRA DA ESTRADA

A expressão de Luís Marques Mendes nesta promoção do Expresso faz lembrar um daqueles cartazes que se afixam à beira da estrada em período eleitoral. O que aparece escrito é que é mais extenso, porque, neste caso, as pessoas que miram esta cara confiante e prazenteira não estão a conduzir. Mas, sendo mais extenso o recado, nem por isso é mais sofisticado: No caso concreto, a verdadeira grande questão que precede a do cumprimento do plano para a Saúde pelo governo, é perguntarmo-nos o que qualificará Marques Mendes para que as suas análises sobre planos para a Saúde tenham qualquer valor e possam ser levadas a sério. O que é que ele percebe do sector?... Nada?