17 de Agosto de 1960. A França concede a independência ao Gabão. A ocasião é apenas mais uma de um frenesim gaulês que começara logo no princípio daquele mês, em dias alternados, e que começara pela independência do Daomé em 1 de Agosto, a que se seguira a do Níger no dia 3, a do Alto Volta no dia 5, a da Costa do Marfim no dia 7, a do Chade no dia 11, a da República Centro Africana no dia 13, a do Congo no dia 15 e esta, do Gabão, há precisamente sessenta anos. Para rematar, no dia 20 de Agosto, o Senegal, que se tornara independente da França numa federação conjuntamente com o Mali havia precisamente dois meses(!), resolve romper aquela estrutura e assumir-se como uma nação independente (voltaremos a este último episódio na respectiva data). Entretanto este querido mês de Agosto de 1960, e apenas à conta da França, produzirá nove novas bandeiras(!), que aparecem dispostas acima no sentido tradicional da leitura pela data da acessão dos respectivos países à independência. Concorde-se que o conjunto é assaz colorido, não se tratassem elas de novas nações africanas... Nestes 60 anos, algumas delas mudaram de nome, o Daomé para Benim, o Alto Volta para Burkina Faso. Ambos esses países mudaram de bandeira, conjuntamente com o Congo, mas tanto o Benim quanto o Congo retornaram às originais de 1960 e só o Burkina Faso adopta actualmente uma diferente.
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17 agosto 2020
22 setembro 2015
OS VELHOS E OS NOVOS PRETORIANOS
Reencenando uma tradição milenar, que já se praticava na Roma Antiga, a guarda presidencial do Burkina Faso depôs o presidente que era suposto guardar para colocar no lugar um dos seus. E, prosseguindo o que também costuma acontecer tradicionalmente nesses casos, o resto do exército reagiu, concentrando-se sobre a capital do país e centro do poder, para que os seus oficiais exerçam aí os seus direitos. Já era assim em 68 d.C., aquando do assassinato do imperador Nero, que foi substituído sucessivamente por Galba, Otão, Vitélio e Vespasiano em cerca de um ano e pouco, e voltou a acontecer agora em 2015 d.C., com a vantagem da motorização das tropas ter reduzido a dias aquilo que outrora levava meses a decidir-se. Fora da Europa e do Mundo civilizado, os pretorianos, os militares que rodeiam aqueles que detêm o poder, ainda usam estes velhos truques para se promoverem e condicionarem quem o detém.
Na Europa, contudo, as coisas sofisticaram-se. Os militares já não têm qualquer interferência nos jogos de poder. O poder político, para citar aquela imorredoura expressão de Mao Zedong, já não nasce dos canos da espingarda, agora ele apresenta-se dependente da concordância dos mercados. E por isso os novos pretorianos, os que rodeiam o poder, são já de outro estilo, já não se apresentam como militares intrépidos (como por cá fizeram durante o PREC), tornaram-se antes economistas de alegado gabarito. Onde antes se contavam espingardas e a fidelidade dos quartéis, hoje divulgam-se as opiniões das agências de notação financeira. Não imaginamos esses novos pretorianos a conspirar para derrubar ostensivamente quem ocupa o poder, mas o seu papel principal não é esse, é sustentar o regime que está, defendendo-o à outrance, bem para lá do razoável. Carlos Moedas e Bruno Maçães (abaixo) são exemplares deste novo género de pretoriano...
Agora, pondo a questão na sua verdadeira perspectiva quanto ao que é realmente o Poder, além dos nomes de Hitler, Goering, Himmler, Goebbels, Ribbentrop, que nos ocorrem naturalmente, como é que se chamava mesmo o ministro das Finanças do III Reich?...
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