5 de Novembro de 1969. Uma das páginas com o noticiário internacional desse dia mostrava uma notícia oriunda de um local de que não era muito frequente falar-se, nas publicações portuguesas: Dar-es-Salam, capital da Tanzânia, cidade onde se instalara a cúpula da FRELIMO, a organização nacionalista moçambicana que combatia desde 1964 a presença portuguesa em Moçambique. As notícias oriundas da capital do país vizinho davam conta do clímax das disputas internas naquela organização depois do assassinato - uma encomenda armadilhada, muito provavelmente enviada pelos serviços secretos portugueses - de Eduardo Mondlane, o dirigente máximo da organização até Fevereiro daquele ano. A conclusão da disputa - e havia alguma volúpia na forma como o assunto era noticiado pela parte portuguesa - anunciava-se sangrenta - e para isso não fora preciso a contribuição da PIDE. A facção derrotada e o seu líder Uria Simango necessitara de se acolher à protecção da polícia tanzaniana, por receio do que lhe pudesse acontecer às mãos da própria organização, que agora passara a ser liderada pela dupla Samora Machel (ala militar) e Marcelino dos Santos (ala política). Quanto ao futuro, ele virá comprovar quanto os receios de Uria Simango eram fundamentados. Numa data imprecisa entre 1977 e 1980, Uria Simango irá desaparecer, algures no Niassa, onde estava detido num campo de reeducação. As histórias das lutas internas das organização nacionalistas africanas que lutaram contra o colonialismo português são tão sórdidas quanto as lutas de gangues.
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05 novembro 2019
03 agosto 2019
O MASSACRE DE PIDJIGUITI
3 de Agosto de 1959. Dá-se o massacre de trabalhadores portuários guineenses num dos cais do porto de Bissau que ficou a ser conhecido pelo Massacre do Pidjiguiti. A história do que aconteceu está por aí publicada em várias versões: desde uma publicada no Expresso e que mete um cão, até uma outra contada na primeira pessoa e que reduz o número de mortos a 16, uma fracção dos 40 a 70 (para além de uma centena de feridos!) que costumam constar das versões nacionalistas tornadas oficiais depois da independência. Pouco importa. O que é coincidente é que todos os nacionalismo africanos que entraram em conflito com o colonialismo português precisaram, por esta altura, de um acontecimento deste género que tivesse servido de estopim para a luta anti-colonial: foi este massacre do Pidjiguiti na Guiné Bissau (1959), havia sido o massacre de Batepá em São Tomé e Príncipe (1953), virá a ser o de Mueda em Moçambique (1960) ou o da Baixa do Cassange em Angola (1961). Foram explorados de forma muito semelhante para efeitos de propaganda: o contexto das reivindicações (normalmente laborais) é deturpado, o papel das organizações dirigentes é retocado, enquanto o número de vítimas é inflacionado.
Mas há um outro aspecto que contrasta com esta deturpação da verdade histórica e que justifica esta evocação simbólica de hoje a um desses massacres: é que não nos podemos esquecer que estes episódios violentos terão sido, mais do que provavelmente, apenas os publicitados de uma longa lista deles, desconhecidos, que forçosamente acompanharam a implantação do regime colonial português nas suas províncias africanas ao longo de muitas décadas. E é em memória de todas essas prepotências desconhecidas que agora ainda faz sentido falarmos do assunto, apesar dos exageros e de tudo o resto.
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25 junho 2019
O AFUNDAMENTO DO BATELÃO NO ZAMBEZE
25 de Junho de 1969. Por uma vez excepcional desde 1961, os títulos de primeira página dos jornais vão para um acontecimento no ultramar português e directamente relacionado com as guerras que aí se travavam. Um batelão, que tradicionalmente fazia o transporte entre as duas margens do Zambeze e que na ocasião transportava um destacamento militar, afundara-se por causas que ainda hoje estão por esclarecer. 101 militares e 5 membros da tripulação haviam-se afogado. O desastre representava uma significativa perda de vidas humanas, muitas mais do que qualquer dos pequenos episódios que caracterizavam a guerra, episódios esses que só apareciam nos jornais em pequenas notícias, através dos comunicados oficiais.
Mas, para quem acompanhasse as notícias, a comparação entre aquilo que se noticiava (ou podia ser noticiado...) a respeito destas guerras que envolviam Portugal, e o que era noticiado simultaneamente acerca da guerra no Vietname, não deixava de ser intrigante, porque a lógica parecia ser precisamente a oposta. O destaque do que nos chegava do Vietname via América ia para os combates, ainda que eles por vezes fossem pouco significativos à escala da dimensão do conflito, enquanto os acidentes, ainda que provocassem centenas de vítimas, eram tratados como notícias colaterais. Connosco era o contrário. Deixá-lo-ia de o ser, daí por um ano, com Kaúlza de Arriaga.
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18 abril 2019
MARCELO CAETANO EM LOURENÇO MARQUES
18 de Abril de 1969. No decurso da visita que estava a efectuar ao Ultramar, Marcelo Caetano estava em Lourenço Marques (actual Maputo). Eu também lá estava. Foi um dia muito concorrido para ir ver o presidente do Conselho conforme mostra o filme amador acima. Eu também tinha uma daquelas bandeirinhas que se entrevêm. E recordo-me que, à passagem do carro que transportava este Marcelo, ele era acompanhado por uma turba que o acompanhava em passo de corrida, com um daqueles entusiasmos festivos sem qualquer causa aparente, gozar a festa pela festa, uma atitude que só os laurentinos pareciam ter.
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24 dezembro 2018
O ACIDENTE DE ALMEIDA SANTOS
Há cinquenta anos, numa das suas páginas interiores, onde se noticiavam os acontecimentos locais, o Diário de Lisboa dava conta de um «choque de automóveis ocorrido próximo da Polana, em Lourenço Marques» (Moçambique), de onde saíra bastante ferido o futuro dirigente socialista António Almeida Santos, que fora suturado com «mais de duzentos pontos no crânio e nas faces». Uma indicação que o advogado oposicionista era uma figura local suficientemente relevante para que o seu acidente se tornasse numa notícia na metrópole.
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16 outubro 2018
PORTUGAL E AS GUERRILHAS DE ÁFRICA
Para quem (como eu) esperasse de um livro com este título uma outra abordagem dos três conflitos africanos, uma obra que rivalizasse com o (tornado) clássico Contra-Insurreição em África de John P. Cann (de 1998), este livro vem a revelar-se uma completa desilusão. Melhor que o título, são as imagens da capa, avulsas e desgarradas, as que melhor descrevem o conteúdo. Este é o relato de um punhado de visitas (não se chega a perceber quantas, talvez meia dúzia) que o autor realizou aos três teatros de guerra (Angola, Guiné e Moçambique) quando Portugal ali esteve empenhado entre 1961 e 1974. Al Venter é um jornalista sul-africano que se especializou em cobrir conflitos militares. O livro resulta extenso (mais de 500 páginas) mas absolutamente superficial porque é uma colagem de reportagens e, como tal, fica-se sempre pela rama dos aspectos que aborda. Resultaria mais palatável se Venter ao escrevê-las não tivesse adoptado aquela atitude tão tipicamente britânica - que depois veio a ser herdada por rodesianos e sul-africanos - de pretender que «nós (eles) é que percebemos de contra-subversão: olhem para os nossos sucessos na Malásia e no Quénia». Isso por contraponto ao que aconteceu aos americanos no Vietname, aos franceses na Indochina e na Argélia e aos portugueses nestas suas três colónias. Irrita ler a atitude sobranceira de Venter quando a História é o que foi e o desmente. Rodesianos e sul-africanos acabaram precisamente no mesmo sítio que os outros três, derrotados politicamente: África do Sul e Zimbabwe têm hoje governos de maioria negra. E quanto aos britânicos, se o seu domínio das tácticas de contra-subversão era assim tão excelente porque é que saíram de outras colónias - estou a lembrar-me da Palestina em 1948 ou do Iémen do Sul em 1967- com o rabo entre as pernas? Venter é um veterano cuja curva de aprendizagem evoluiu lentamente, quando chegou a evoluir. A repetição das suas visitas, por exemplo, não o motivou a aprender um português mínimo. Aquilo que ele consegue recolher dos locais que visita ressente-se disso, já que apenas uma fracção ínfima dos combatentes (dos dois lados) domina o inglês. E isso agrava a superficialidade do que escreve. Neste livro, que é uma versão traduzida para português do original, o leitor é confrontado com um chorrilho de asneiras facilmente detectável por um nacional. São muitas, são demasiadas e de vários géneros, aqui vão quatro exemplos sortidos.
Esta vem nos livros de História: Bartolomeu Dias foi o primeiro homem a dobrar o Cabo da Boa Esperança. O Cabo da Boa Esperança fica na África do Sul e Venter é sul-africano...
Esta seria só para especialistas, se não estivesse acessível na wikipedia: o NRP Pacheco Pereira foi a fragata HMS Bigbury Bay da classe Bay. O detalhe é irrelevante mas, se é para o mencionar, que o faça correctamente.
Acredito que, antes dos portugueses em geral, a primeira pessoa a surpreender-se com a sua própria descrição como um intelectual terá sido Otelo Saraiva de Carvalho («Se tivesse mais cultura política, seria o Fidel Castro da Europa»). Também não se sabia que as FP-25 eram anarquistas...
Esta de fazer do Avante!, jornal oficial do Partido Comunista Português, um «jornal de Luanda» é simbólica de que Venter, estando a pretender escrever reportagens sobre portugueses em guerra, não sabe nada sobre Portugal.
Em suma, livro medíocre, apenas recomendável aos incondicionais do tema. O autor tem muitas opiniões sobre o que os portugueses deveriam ter feito, normalmente copiando o que os ingleses haviam feito na Malásia ou o que os rodesianos iriam fazer no Zimbabwe, mas por outro lado, e através do quilate destes erros constantes, é perceptível que uma boa parte da guerra, e sobre o que ela pensavam os seus protagonistas, lhe passou completamente ao lado...
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06 setembro 2018
A INDEPENDÊNCIA DA SUAZILÂNDIA
6 de Setembro de 1968. A Suazilândia tornava-se independente. O pequeno país de 17.364 km² e 400.000 habitantes era a última colónia britânica em África. Ficará ainda por resolver a questão política da declaração unilateral de independência da Rodésia, mas, para os devidos efeitos, a presença do Reino Unido em terras africanas terminara neste mesmo dia de há cinquenta anos. Visto da perspectiva portuguesa da época, o acontecimento revestia-se da curiosidade das cerimónias (acima) decorrerem em Mbabane, a pequena cidade com 14.000 habitantes que viria a ser a capital do novo país, que se situava a uns meros 225 km de Lourenço Marques*, onde esses assuntos da evolução para as independências... eram oficialmente um não assunto.
* E a fronteira com o novo país, na Namaacha, estava apenas a 80 km.
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04 fevereiro 2018
UMA QUESTÃO DE SER (OU NÃO SER) UMA DENOMINAÇÃO COLONIAL
4 de Fevereiro de 1976. As autoridades da nova República Popular de Moçambique (então com um pouco mais de sete meses), mudam o nome da capital do seu país de Lourenço Marques para Maputo. Com a descolonização africana, a questão da toponímia urbana herdada pelos novos países tornara-se um assunto importante quando da assunção das heranças coloniais. O hábito de baptizar com nomes de figuras importantes dos colonizadores tornara-se uma prática comum, que se revelara transversal aos espectros políticos dos regimes coloniais: houvera Léopoldville como capital do Congo, que fora colonizado pelos belgas, mas também houvera Stalinabad como capital do Tajiquistão, colonizado pelos russos. Esses eram casos nítidos do porquê de as novas autoridades mudarem as designações das cidades: Kinshasa no primeiro caso, Duchambé no segundo. Mas a questão da toponímia urbana em África pode revelar-se mais complexa: a chegada dos primeiros navegadores portugueses às costas africanas provocou, ela própria e devido ao comércio, a formação de núcleos urbanos que vieram a prosperar e receberam designações de inequívoca inspiração portuguesa: vejam-se os exemplos de Lagos, a maior cidade da Nigéria ou então de Porto Novo, a segunda maior cidade do Benim. Se os nomes das cidades vingaram, a presença dos portugueses, pelo contrário, foi sendo substituída pelos seus rivais europeus e quando da repartição colonial de África no século XIX, a Nigéria ficou pertencendo aos britânicos, o Benim (então conhecido por Daomé) aos franceses. Talvez por isso, ou talvez porque as designações fossem despretensiosas e não invocassem ninguém importante, os nomes daquelas duas cidades (e de outras) mantiveram-se. Aquilo que se sabe sobre o Lourenço Marques que deu o nome à cidade que veio a ser a capital de Moçambique assemelhava-se muito na sua simplicidade e despretensão aos incógnitos fundadores de Lagos e Porto Novo. Apenas essa fundação terá tido lugar quase um século depois, por volta de 1550. A denominação Lourenço Marques não se assemelharia em nada ao cunho ideológico colonial de António Enes ou João Belo, ou a uma homenagem a um figurão metropolitano como Salazar ou a rainha D. Amélia. Lourenço Marques estaria mais na linha de um percursor de um avançado como o anónimo cantineiro Dias que, com o seu faro para os negócios, fundou a sua cantina (Cantina Dias) no mais recôndito da província do Niassa em meados do século XX. Nesse aspecto, Lourenço Marques poderia ter sido um exemplo de um moçambicano de ascendência portuguesa, cuja referência valeria a pena preservar, mas isso não era nada popular em 1976. Eram momentos atípicos e de grande confusão ideológica: mesmo um jornal comunista como o Diário de Lisboa de há quarenta e dois anos (abaixo) celebra em primeira página a mudança de nome, num rasgo de solidariedade anti-colonialista que mostra ser, ao mesmo tempo, obtusa quanto aos exemplos dos Leninegrados e Stalingrados dos seus regimes favoritos que haviam mudado e que virão a mudar de nome. A Frelimo não foi pragmática? Poderia ter corrido de outra maneira? Dando uma vista de olhos pelos países da vizinhança, é verdade que o Zimbabwe demorou dois anos (1982) a mudar o nome da sua capital de Salisbury para Harare, mas também é verdade que o antigo primeiro-ministro britânico nunca pusera os pés na cidade com o seu nome. No Malawi, a capital económica chamava-se Blantyre (como a localidade escocesa onde nasceu David Livingstone) e assim permaneceu depois da independência. Quanto à capital económica da Tanzânia essa possui e manteve o nome reconhecidamente árabe de Dar es Salaam (à letra: casa da paz). Tantos anos depois o mal está feito, mas assim visto à distância e comparando com o que fez a vizinhança fica a parecer que Lourenço Marques, aquele que emprestou o seu nome à cidade de Lourenço Marques foi descriminado por causa da sua ascendência...
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19 novembro 2017
A GUERRA TRAZIDA ATÉ ÀS PORTAS DOS LAURENTINOS
19 de Novembro de 1942. Se, entre os portugueses da metrópole se vivia a sua condição de neutrais compenetradamente, considerada a proximidade que os separava dos eventos da guerra, entre as comunidades portuguesas que viviam nas colónias, designadamente as das cinco colónias africanas*, o grande conflito mundial que então se travava era amenizado pelas circunstâncias do distanciamento. É perante esse panorama que se pode evocar a comoção que percorreu Lourenço Marques, a capital da colónia de Moçambique, há precisamente 75 anos. Daquele porto saíra o cargueiro norueguês Gunda, um navio construído em 1919 com 2.141 toneladas de deslocamento e com uma tripulação de 46. Transportava 3.134 toneladas de carvão sul-africano para o porto de Zanzibar. Não foi muito longe. Com algumas horas de navegação, no local assinalado no mapa abaixo com sinal azul, o Gunda foi interceptado pelo submarino U-181 da Kriegsmarine e afundado. Nuns mares povoados por tubarões, apenas 8 dos 46 tripulantes sobreviverão ao torpedeamento.
E contudo, o episódio teve lugar a umas escassas 40 milhas náuticas da que hoje é a paradisíaca praia do Bilene. Nos dias que se seguirão, até ao fim daquele mês, o U-181, que era comandado pelo (então) Capitão-Tenente Wolfgang Lüth (que virá a ser um dos maiores ases daquela arma), afundará ainda mais seis navios (quatro gregos, um americano e um britânico) patrulhando aquelas mesmas paragens que eram também as rotas de aproximação ao porto neutral de Lourenço Marques. O cumulo da intimidação acontecerá a 28 de Novembro de 1942, quando o cargueiro grego Evanthia, que vinha de Áden e se dirigia para Lourenço Marques, será afundado a tiros de canhão a umas escassas dez milhas náuticas da costa moçambicana, quase ao alcance de João Belo. Terá sido um dos períodos de maior tensão sofrido pela cidade, que terá sido sentida sobretudo pelos membros da comunidade de origem europeia, e tensão essa que, curiosamente nunca terá sido sofrida com a mesma intensidade durante a sua própria guerra colonial ou de libertação, a que foi travada entre 1964 e 1974.
* Refira-se a excepção importante das duas colónias portuguesas do Oriente, Macau e, especialmente, Timor, que estavam cercadas, no primeiro caso, e mesmo ocupadas, no segundo, pelo exército japonês.
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07 junho 2017
05 maio 2016
JOAQUIM CHISSANO, O LÍDER DA RENAMO QUE ESTÁ ESCONDIDO NO MATO HÁ VÁRIOS MESES...
Note-se, na fotografia da esquerda, como Joaquim Chissano graciosamente terá saído do mato (por detrás de si) exclusivamente para conceder uma fugaz entrevista ao jornalista da SIC Notícias, antes de se ir mudar para comparecer no tal jantar de Estado oferecido por Marcelo Rebelo de Sousa. Mais a sério: quero lavrar este público agradecimento ao presidente português. Antigamente os episódios de incompetência dos jornalistas portugueses enfureciam-me e frustravam-me. Agora, graças a ele, divertem-me. Só nesta viagem a Moçambique, e que eu tenha dado por elas, já vamos na terceira...
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14 março 2016
A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL EM MOÇAMBIQUE
Há duas razões por que quero elogiar este livro. Começando pela menos importante, há uma tendência para os jornalistas quando publicam os seus livros mobilizarem a sua rede de contactos para a sua promoção. É compreensível que assim aconteça, mas o processo, de tão banalizado, acabou desvalorizando quaisquer obras que nos aparecem impingidas a destempo e a despropósito num qualquer programa onde nunca se fala de livros a não ser para promover o dos colegas - o que, reconheça-se, constitui a esmagadora maioria deles em meios como a rádio e a televisão. Não dei por essa operação de promoção da parte do autor, o jornalista Manuel Carvalho (se calhar houve e estou aqui a elogiá-lo injustamente e pela falta de jeito...), mas reconheça-se que o livro me apareceu (Outubro de 2015) como uma surpresa. E isso foi vantajoso. A segunda razão, principal, é que o livro é bom. O título e o subtítulo estarão um pouco carregados demais para vender - Portugal esqueceu-se daquela guerra como se esqueceu de tudo o que se passou naquela época. À laia de demonstração e tirando os interessados (sou um deles), peça-se a um português mediano que escreva, por exemplo, aquilo que sabe sobre Sidónio Pais: qual será a dimensão do parágrafo?... O que não impede que possa haver um núcleo importante de leitores a quem esta obra possa interessar. E interessa saber, por exemplo, que os primeiros recontros tiveram lugar ainda em 24 de Agosto de 1914 através de um ataque dos alemães a um remoto posto fronteiriço português. A Alemanha acabara de entrar na Guerra, Portugal declarara-se neutral, mas a intimidatória iniciativa dos alemães mostrava a realidade estratégica tal qual se apresentava. A declaração de guerra formal só ocorreu 19 meses depois, em Março de 1916. Houve três expedições sucessivamente enviadas para o Norte de Moçambique. Portugal, ao contrário do que costuma ser a nossa tradicional lamúria histórica, sempre dispôs neste conflito de mais efectivos e de mais meios do que o inimigo. E, apesar disso, perdeu consistente e embaraçosamente quase todos os confrontos directos em que se envolveu. Isso, Manuel Carvalho, citando variados testemunhos presenciais, inteligentemente não tenta explicar. Deixa-nos a liberdade de formar a nossa opinião.
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25 junho 2015
MOÇAMBIQUE - A DILUIÇÃO DAS NOSSAS RESPONSABILIDADES COLONIAIS
Hoje, dia em que se comemoram os 40 anos da independência de Moçambique, é um bom dia para sopesar devidamente os anos entretanto decorridos desde a data da concessão da independência à maior colónia portuguesa em África e registar de uma forma distanciada a progressão do país depois do fim do jugo colonial, com as consequências dele a diluírem-se cada vez mais à medida que os anos passaram. O Moçambique que existe actualmente – nos seus pontos fortes e nas suas fraquezas – já se deve praticamente todo aos moçambicanos.
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15 junho 2015
DUELO NOS CÉUS DA ÁFRICA AUSTRAL
Por ironia apetece dispor este pequeno conjunto abaixo de fotografias de aviões de combate (MiGs-21 moçambicanos e angolano e Mirage III sul-africanos) como se eles fossem figurantes de uma das inúmeras aventuras de BD sobre aviação com Dan Cooper, Tanguy e Laverdure ou Buck Danny. O título do poste adequa-se ao de uma dessas aventuras.
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06 fevereiro 2015
OUTRAS SUBSERVIÊNCIAS ANTIGAS
Porque muito se tem falado da de Pedro Passos Coelho e seu governo para com a Alemanha, aproveito este cartaz para evocar outras subserviências mais antigas, constatáveis neste cartaz de 1976, impresso e afixado a pretexto da comemoração do primeiro aniversário da independência (25 de Junho) de Moçambique por uma Associação de Amizade Portugal-Moçambique que fora fundada em Outubro de 1974. Constate-se como é distinto o rigor como estão apresentadas as duas bandeiras, incluindo o cuidado de incluir os ínfimos detalhes no escudo da moçambicana do lado direito¹, enquanto o escudo e a indispensável esfera armilar estão clamorosamente ausentes na bandeira portuguesa do lado esquerdo. A questão poderá ser mais simbólica do que substantiva mas é, de qualquer forma, relevante porque demonstrativa de uma preocupação em representar os símbolos alheios que era superior à dos próprios símbolos nacionais. Há quem tenha procurado justificar tais gestos excessivos como penitências, no caso concreto do relacionamento colonial entre os dois países. Mas, sejam quais forem as explicações circunstanciais, como vemos aqui no caso deste cartaz e como tenho a certeza que viremos a ver no futuro com os alinhamentos europeus deste governo, são atitudes que as gerações vindouras nunca compreenderão.
¹ A bandeira moçambicana foi posteriormente modificada em 1983.
Os meus agradecimentos ao material disponibilizado pelo blogue Ephemera.
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24 janeiro 2015
A OPERAÇÃO NÓ GÓRDIO E A OPERAÇÃO TORANJA
Haverá profundas ressonâncias da Antiguidade Clássica quando se baptiza uma Operação de Nó Górdio que não existem quando se escolhe para outra o nome de Toranja (Grapefruit para os seus participantes zimbabweanos). E haverá uma ressonância épica da História moçambicana ao baptizarem-se as bases com os nomes de Gungunhana, Moçambique e Nampula que parece ausente no nome, quase risível, de Casa Banana. Mas, apesar de tudo, poder-se-ão encontrar semelhanças várias entre as duas operações, ambas executadas em Moçambique, num quadro táctico muito semelhante, embora separadas por quinze anos, período durante o qual a evolução da História havia feito com que o protagonista comum às duas operações – as forças armadas da FRELIMO – tivesse trocado de papel. Em Julho/Agosto de 1970, foi o Exército português a desencadear a Operação Nó Górdio no norte de Moçambique (veja-se o mapa acima), concentrando mais de 8.000 efectivos e um conjunto de meios aéreos, de armamento pesado e de unidades de combate que nunca fora reunido até então para, numa manobra concêntrica, cercar e posteriormente atacar e capturar as três principais bases da FRELIMO na província de Cabo Delgado, junto à fronteira com a Tanzânia, onde estariam estacionados cerca de 2.000 a 2.500 guerrilheiros, o grosso das suas forças combatentes. A Operação foi considerada à época um sucesso pelos portugueses: as três bases conquistadas, o inimigo em fuga sofrendo 650 mortos, 40 toneladas de armamento capturado, etc. Mas num livro escrito mais de 30 anos depois pelo coronel Matos Gomes (abaixo), a avaliação é muito mais circunspecta: as consequências da Operação Nó Górdio são avaliadas a médio prazo e são comparadas ao efeito de uma pedrada no vespeiro (sic): sob pressão em Cabo Delgado, a actividade militar da FRELIMO veio a transferir-se para as províncias do centro, nomeadamente a de Tete, onde se estava a construir a gigantesca barragem hidroeléctrica de Cahora Bassa, esse sim, um objectivo económico relevante. A realização da Operação Nó Górdio acabou por facilitar-lhe a manobra, permitindo que a FRELIMO alargasse o seu campo de acção e, principalmente, escolhesse o momento e o local onde iria travar o combate decisivo.
Em Agosto/Setembro de 1985, quando da Operação Toranja, os protagonistas estratégicos haviam-se invertido. Portugal abandonara as suas pretensões coloniais sobre Moçambique em 1975. A FRELIMO assumira o poder e as suas forças armadas passaram com isso a desempenhar o papel que havia sido o dos portugueses. A subversão era agora protagonizada pela RENAMO que centrara a sua actividade nas províncias do centro, em Manica e Sofala, e que se acolitava nas regiões circundantes do Parque Natural da Gorongosa. Era daí que se conseguia bloquear a rede de distribuição eléctrica da energia produzida por essa mesma barragem de Cahora Bassa já mencionada acima. Para desbloquear politicamente a situação, Moçambique assinara em 1984 um Acordo com a África do Sul em que esta se comprometia a abandonar o apoio logístico aos rebeldes moçambicanos. A sua base situada em Casa Banana era um desafio à autoridade central equivalente ao das três bases da FRELIMO 15 anos antes: até possuía uma pista de aviação! O complexo de bases que a rodeava estaria guarnecido com uns 1.400 a 1.600 guerrilheiros, e contra ele constituiu-se um agrupamento táctico calculado entre 8.000 a 10.000 efectivos, composto por tropas tanto do Zimbabué como de Moçambique. A manobra de cerco e captura dos redutos da RENAMO, protagonizada sobretudo pelos primeiros, era muito semelhante à efectuada pelos portugueses, o que diferiria seria a doutrina e os meios, neste caso fortemente influenciados pelos países de Leste. Mas o sucesso foi considerado igualmente retumbante. Aproveitando a dinâmica desta Operação Toranja, em meados de Setembro outras bases adjacentes (Indoro, Manhatanda) vieram também a cair nas mãos das forças governamentais moçambicanas. Enumeravam-se 500 mortos entre os rebeldes. Como outrora acontecera com Kaúlza de Arriaga, o general português responsável pela Nó Górdio, também o presidente moçambicano Samora Machel se deixou fotografar acompanhando o decorrer de acção em conversa com os operacionais (abaixo). Mas a prazo – e bem curto – percebeu-se que a FRELIMO cometera precisamente o mesmo erro que os portugueses haviam cometido, a tal pedrada no vespeiro. A RENAMO dispersou-se, expandindo a sua actividade para as províncias adjacentes. Pior do que acontecera no passado, a RENAMO teve até o descaramento de aproveitar a retracção do dispositivo do inimigo para reconquistar a base de Casa Banana logo em Fevereiro de 1986...
É consensual reconhecer que Portugal perdeu as guerras em África. Agora, convém alguma moderação nos elogios aos vencedores, especialmente quando esses elogios têm o efeito de nos denegrir desnecessariamente. É que exemplos como este demonstram que se pode cair na tentação de atribuir aos nossos antigos inimigos virtudes e lucidezes que na prática – porque, não esqueçamos, a guerra continuou depois da descolonização, tanto em Angola como em Moçambique – eles demonstraram nunca ter tido.
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19 janeiro 2015
MANUEL ANTÓNIO E O FENÓMENO NAPARAMA
Em 1989 Moçambique era um país destruído por uma guerra civil que se prolongava desde há dez anos. De uma guerrilha que pouco mais era do que uma das unidades tácticas do exército rodesiano, os rebeldes da Renamo, com o apoio ostensivo (e depois camuflado) da África do Sul, crescera militarmente até conseguir desafiar taco-a-taco, embora de uma forma negativa e destrutiva, o exercício da autoridade do Estado moçambicano que era representado nesses tempos pelo partido único, a Frelimo. É neste ambiente em que a autoridade governamental colapsa e em que não se conseguem assegurar sequer às populações as mais elementares condições de segurança, intercalado entre as duas facções em guerra, que surge em Moçambique um curioso, hoje esquecido, movimento popular que veio a adquirir a designação de Naparama.
O movimento terá tido as suas raízes num curandeiro tradicional que contava à época 27 anos chamado Manuel António, oriundo, crê-se, do distrito de Pebane na província moçambicana da Zambézia (mapa acima). Segundo a história que o próprio contara, ele morrera de sarampo e estivera mesmo enterrado durantes seis dias ao fim dos quais ressuscitara e a quem Deus instruíra para ir libertar o povo das destruições da guerra. Em cerimónias rituais, com cada vez maior audiência, Manuel António vacinava os seus seguidores fazendo-os ingerir poções baseadas em plantas medicinais e marcando-os com incisões simbólicas que os imunizariam das balas inimigas. E os assim tratados acreditavam.
O distrito de Pebane é região Makua onde se fala o Makua – Lomwe. A prédica de Manuel António, para além de associar elementos das grandes religiões globais (como a morte e ressurreição ou o seu estatuto de escolhido por Deus para ser o profeta), ia recuperar convicções arreigadas na região, que os representantes da administração colonial portuguesa não se haviam cansado de tentar erradicar no seu tempo, mesmo ainda antes da eclosão das primeiras acções armadas da Frelimo de 1964: quando das passagens em visitas de cortesia daqueles representantes às povoações, os régulos (autoridade tradicional) eram regularmente brindados pelas escoltas armadas com espectáculos de tiro ao alvo em latas, garrafas ou outros objectos, em exibição, não apenas da habilidade do atirador como também da precisão da arma (normalmente as Mauser) e sobretudo dos estragos causados pelo projéctil, já que não era incomum ressurgirem rumores que as armas eram ineficazes. Catorze anos depois da independência e em plena guerra civil, quando o efeito mágico das mezinhas mais facilmente podia ser comprovado e erradicado, o tema ressurgira. Os guerreiros de Manuel António estavam convencidos que eram imunes às balas.
Em Março de 1990, essa comunidade agregada à volta de Manuel António passou à ofensiva no distrito adjacente do Alto Molocué. Armados apenas de lanças mas movimentando-se de uma forma ostensiva, frontal e coordenada de acordo com o toque de apitos, ostentando braçadeiras vermelhas, por vezes cantando, os guerreiros que se consideravam imunes conseguiram recapturar à Renamo cerca de duas dúzias de povoações e bases controladas pelos insurrectos, correspondendo a uma área habitada por cerca de 200.000 pessoas. Na maioria das vezes os defensores limitaram-se a fugir, apesar de armados, quiçá também convencidos da ineficácia das suas próprias armas. Lesivo da reputação da Renamo, o feito também o foi da Frelimo, pois as forças governamentais haviam repetidamente falhado as suas tentativas prévias de desalojar os rebeldes daquelas mesmas posições. No auge do seu poder, em meados de 1991, Manuel António contaria com um núcleo combatente rondando os 3.000 guerreiros além de mais de uma dezena de milhar de milícias que operavam em defesa local desde o norte e leste da província da Zambézia, onde o movimento nascera, até à província de Nampula e estendendo-se mesmo até ao sul da de Cabo Delgado, tudo regiões de Makuas.
O governo moçambicano em Maputo tornara o movimento seu aliado, aceitando com humildade e com um certo embaraço que ele cumpria funções que o Estado não estava em condições de assegurar. Em declarações públicas, o próprio governador provincial de Nampula constatava quanto o povo estava cansado da guerra e quanto parecia estar disposto até a acreditar em superstições para que se lhe pusesse fim. Mas, como é muito frequente em fenómenos sociais com estas características, o crescimento do movimento Naparama também estava a causar a sua degenerescência. Alguns grupos dos seguidores de Manuel António começaram a também usar os uniformes e as armas capturadas ao inimigo. Dissidências como a de um tal Comandante Cinco no norte da província de Nampula, assumiram comportamentos associais que mimetizavam tudo aquilo que o movimento prometera às populações que iria combater. Mas o principal inimigo dos Naparamas continuava a ser a Renamo.
Numa reviravolta irónica, aquela organização rebelde viu-se na obrigação de abastecer os seus homens com uma medicina alternativa que, em vez da imunidade às balas, os imunizasse por sua vez dos ataques dos adversários Naparamas... Mas a grande arma da Renamo era canónica e clássica e não tão ridícula: o terror. Em Setembro de 1991, por exemplo, a reconquista de Lalaua, capital do distrito homónimo, que fora até aí controlada pelos homens de Manuel António foi acompanhada do saque da povoação e da morte da 49 pessoas, algumas das quais tiveram as suas cabeças expostas como aviso às populações. O verdadeiro ponto frágil dos Naparamas, contudo, só se veio a mostrar dali por três meses, em Dezembro de 1991, quando Manuel António foi morto num confronto com elementos da Renamo perto de Macuse na Zambézia. Com o seu desaparecimento, aquele movimento genuinamente patrocinado pela sociedade civil moçambicana desagregou-se tão rapidamente quanto se formara. Hoje é considerado um epifenómeno da História de Moçambique.
Talvez esquecidos por todo o episódio se ter desenrolado longe do olhar das elites moçambicanas (urbanas e concentradas sobretudo em Maputo) e/ou então esquecido por conter uma mensagem implícita que não lhes é particularmente agradável a essas elites, para quem goste de analogias com episódios da nossa História portuguesa, houve algo nas genuínas raízes populares do movimento a fazer lembrar a nossa Maria da Fonte em todo o processo.
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11 setembro 2014
O QUE É PRECISO É... CALMA!
Que este ritmo da marrabenta sirva de inspiração à pessoa a quem a recomendação lá de cima se destina...
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25 agosto 2014
BANCA FUTURO MELHOR
Agência bancária algures em Moçambique, não sei se mais vocacionada para o mass market ou para o segmento de prestige... Se calhar, esta Banca Futuro Melhor não cumpre os rácios exigíveis de liquidez e/ou solvabilidade mas, em contrapartida, estará muito bem classificado nos índices de optimismo dos clientes. Os meus votos de boa sorte!
Adenda: Ficou indesculpavelmente em falta a identificação do autor da fotografia: José Pimentel Teixeira, a quem, ainda por cima e ao contrário de outros fotógrafos que aqui refiro e promovo, eu devo a atenção adicional de ser um leitor regular deste blogue.
Adenda: Ficou indesculpavelmente em falta a identificação do autor da fotografia: José Pimentel Teixeira, a quem, ainda por cima e ao contrário de outros fotógrafos que aqui refiro e promovo, eu devo a atenção adicional de ser um leitor regular deste blogue.
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31 março 2014
OS RETORNADOS E OS QUE NÃO RETORNARAM
Mesmo tendo-se iniciado por um processo impecavelmente democrático, a História posterior do Zimbabwe independente sob o poder político da ZANU e de Robert Mugabe mostrou como parece ser impossível manter-se o estatuto económico privilegiado de uma minoria branca sem a protecção do poder político: de um máximo de 275.000 nas décadas de 1960 e 70, a minoria de zimbabweanos de ascendência europeia reduziu-se actualmente a umas 30.000 pessoas. São números semelhantes, senão mesmo inferiores, às dos moçambicanos e angolanos da mesma ascendência, apesar dos processos de independência destes últimos países terem sido muito mais atribulados, tendo provocando inclusive um êxodo brusco de muitas centenas de milhares de pessoas (abaixo). Durante anos, esses que vieram quiseram acreditar na ficção que só o fizeram por causa do fracasso na forma como decorrera a descolonização portuguesa. Mas manda a honestidade intelectual reconhecer, consideradas as analogias entre o exemplo posterior do Zimbabwe com o de Angola e Moçambique, o quanto essa crença estava errada. As circunstâncias e o ritmo poderiam ter sido diferentes mas o desfecho final não. (A fotografia inicial foi tirada no Zimbabwe em 2000, 20 anos depois da independência)
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