Quase sete meses e meio depois das eleições legislativas de 22 de Novembro de 2023, finalmente tomou posse o novo governo dos Países Baixos. Há seis meses, houve uma grande animação mediática internacional porque as eleições haviam sido ganhas pelo PVV. O PVV é mais um daqueles partidos-de-um-homem-só-de-discurso-radical, como acontece com o Chega nacional, e o André Ventura lá do sítio chama-se Geert Wilders. E como é um homem só, quando o encarregaram de formar governo... ficou a falar sozinho. OS restantes partidos recusaram-se a integrar um governo que fosse encabeçado por Wilders. Este acabou por desistir ao fim de mais de três meses de esforços, em Março deste ano. Foi uma clamorosa derrota pessoal do próprio, ostracizado pelos seus pares. Os detalhes da constituição do novo governo constam das notícias que ontem saíram a este respeito. Geert Wilders não faz parte do elenco. Se fizesse, as notícias da tomada de posse em Haia não teriam recebido a cobertura discreta que receberam. Consciencializem-se que a comunicação social não é absolutamente nada neutra na forma como nos transmite os acontecimentos. Quando é o cão a morder no carteiro não lhes interessa nada - o que importa é ser o carteiro a morder o cão! Extrapole-se daqui que, entre nós, André Ventura não tem a importância que parece nos media, a importância vem de quem dá ressonância ao que ele diz e faz.
Mostrar mensagens com a etiqueta Países Baixos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Países Baixos. Mostrar todas as mensagens
14 junho 2024
O MASSACRE DE KUTA RÉ
14 de Junho de 1904. No decurso de uma das denominadas campanhas de pacificação que, neste caso, as tropas coloniais holandesas estavam a efectuar na ilha de Samatra (actual Indonésia), ocorre o massacre de Kuta Ré, quando um destacamento dessas tropas comandado pelo tenente-coronel van Daalen - 12 oficiais e sargentos holandeses, 200 soldados de origem javanesa e 450 carregadores - atacaram e mataram quase todos os habitantes de uma povoação que procurara resistir à implantação da soberania holandesa. Na acção registaram-se 563 mortos, 2 soldados entre os atacantes, e 313 homens, 189 mulheres e 59 crianças entre os defensores. Terão sobrevivido 51 ou 61 pessoas (apenas mulheres e crianças). Na semana seguinte - a 20 de Junho - noutra operação semelhante de submissão de uma outra povoação foram abatidas mais 432 pessoas e ainda outros quatro dias passados, foram mais 654 mortos. No computo global, a campanha de cinco meses do tenente-coronel van Daalen saldou-se por um registo de 2.902 aldeões abatidos, entre os quais 1.159 mulheres e crianças. Mas o que o episódio de há precisamente 120 anos tem de particular e que o destaca do resto do morticínio, são as fotografias (acima e abaixo) que foram tomadas nesse dia pelo médico militar da coluna, o tenente Neeb. Nessas fotografias, e porque a arte fotográfica ainda estava na infância, podem ver-se as pilhas dos mortos contrastando, na de cima, com os militares vitoriosos do lado esquerdo da foto. A história revisitada dos acontecimentos pretende actualmente - os holandeses costumam ser muito habilidosos em escondê-la e reescrevê-la* - que as fotos chegaram aos Países Baixos onde terão sido objecto de muitas críticas no parlamento. Na realidade, van Daalen acabou sendo nomeado governador da província de Achém de 1905 a 1908 e veio a ser promovido a oficial general, assumindo o comando do exército colonial de 1910 até 1914, quando se reformou e regressou à Europa. Não é a carreira de alguém que foi sancionado pela sua conduta, por muito que tentem dar agora a volta ao texto e, pior, quando dos Países Baixos se põem a tentar dar lições de moral sobre colonialismo a outras potências coloniais como Portugal.
* Exemplos: (1) a história pouco conhecida de Dirk de Geer, o primeiro-ministro dos Países Baixos invadidos pela Alemanha em Maio de 1940, que fugiu e se exilou no Reino Unido, mas que, pela sua germanofilia, acabou por ser demitido, tendo regressado aos Países Baixos ocupados pela Alemanha; (2) as tradicionais simpatias germanófilas dos comandantes militares daquele país, tanto durante a Primeira como nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, o que até levou à substituição forçada deste último, Izaak Reijnders; (3) o curioso facto de que, entre as inúmeras nacionalidades dos pilotos que se engajaram a lutar em aviões da RAF durante a Batalha de Inglaterra, não havia holandeses. Ao contrário de polacos, checos ou belgas, os alemães haviam ocupado o seu país mas os pilotos militares holandeses não manifestavam disposição de combater do outro lado.
Etiquetas:
120º Aniversário,
Fotografia,
Indonésia,
Países Baixos
04 abril 2024
A ASSINATURA SOLENE DO PACTO DO ATLÂNTICO
(Republicação)
4 de Abril de 1949. Com destaque de primeira página e amplo desenvolvimento noticioso nessa e na última página, noticia-se a assinatura solene do Pacto do Atlântico. Assinam-no doze países: Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Reino Unido. Portugal faz-se representar na cerimónia pelo veterano José Caeiro da Mata, ministro dos Negócios Estrangeiros. Se a sua fotografia na primeira página é demonstrativa de uma certa ingenuidade daquela época para com as novas artimanhas publicitárias (o logotipo da TWA bem à vista quando descia do «avião em que cruzou o Atlântico»), o teor das suas declarações publicadas na última página mostra as preocupações da diplomacia portuguesa com o sucesso que alcançara: não excitar demasiado os ciúmes do regime espanhol (que fora proscrito da NATO).
Etiquetas:
75º Aniversário,
Bélgica,
Canadá,
Dinamarca,
Espanha,
Estados Unidos,
Estratégia,
França,
Informação,
Islândia,
Itália,
Luxemburgo,
Países Baixos,
Reino Unido
14 março 2024
O OUTRO LADO DOS IMPASSES POLÍTICOS PROVOCADOS PELO CRESCIMENTO DA EXTREMA DIREITA EUROPEIA
Ainda bem que a greve dos jornalistas portugueses de hoje não teve repercussão na difusão da notícia acima (ao contrário de outras notícias do noticiário internacional, mesmo sem greves...). A notícia é oriunda dos Países Baixos, e versa o impasse político que se vive naquele país. Recapitulando o que por lá aconteceu desde há três meses e comparando com o que acabou de acontecer em Portugal. Em Novembro de 2023, há três meses e meio, o PVV, partido político da extrema-direita holandesa liderado por Geert Wilders, ganhou as eleições gerais, recolhendo quase 2,5 milhões de votos (23,5%) correspondentes a 25% da representação parlamentar (37 lugares). Embora o Chega português só tenha ficado em terceiro lugar nas eleições de 10 de Março passado, estes resultados do PVV comparam-se, sem desmerecimento para o Chega, com o 1,1 milhão de votos (18%) e 21% da representação parlamentar (48 lugares) que acabaram de ser alcançados pela formação de André Ventura. Mas a comparação termina aí...
O facto de, nos Países Baixos, o seu partido ter ficado em primeiro lugar, entregou a Geert Wilders a responsabilidade de ser ele a ter de promover as iniciativas para a formação de uma coligação que apoiasse o novo governo holandês que ele viesse a formar na sequência daquelas eleições de Novembro de 2023. E embora o ritmo a que essas negociações decorrem possa ser, naquelas paragens da Europa, absurdamente lento (a Bélgica já esteve mais de ano e meio à espera de um novo governo!), a notícia de hoje (que acima se destaca) é que, ao fim de mais de três meses de esforços baldados, Geert Wilders desistiu de prosseguir as negociações para a formação de um executivo. Agora a iniciativa terá de passar para outro dirigente de outra formação política e a tarefa afigura-se ainda mais complicada. Para quem, como nós em Portugal, se prepara para assistir ao mesmo processo, só que com a formação de extrema-direita (o Chega) no papel oposto ao que desempenho até agora a holandesa, é interessante perceber que o fosso que separa as formações de extrema-direita das da direita democrática é, não apenas profundo, como também se vê por este exemplo que esse fosso não dependerá da posição negocial - mais activa ou mais passiva - dos intervenientes. Haverá aspectos que são estruturalmente muito difíceis de ultrapassar.
Previsivelmente, aquilo que acontecerá entre nós será uma disputa feroz entre os maiores intervenientes políticos imediatos - Marcelo, Montenegro, Ventura, Pedro Nuno, António Costa ou Lucília Gago - num jogo para se vitimizarem e desresponsabilizarem de um (mais do que) previsível impasse político, que será muito semelhante àquele que já há três meses está em curso nos Países Baixos.
Etiquetas:
Outros Tempos,
Países Baixos,
Política
20 dezembro 2023
A OPERAÇÃO CORVO - RELEMBRAR QUE OS PAÍSES BAIXOS TAMBÉM TRAVARAM A SUA GUERRA COLONIAL
(Republicação)
20 de Dezembro de 1948. Dá-se por concluída a primeira fase da Operação Corvo (Operatie Kraai, no holandês original) com a captura da cidade de Jogjacarta, que fora até aí a capital dos nacionalistas indonésios. Contudo, convirá explicar que circunstâncias haviam conduzido os holandeses a confrontarem-se com uma típica guerra colonial (koloniale oorlog) na sua colónia das Ilhas Orientais nesses anos que se seguiram ao fim da Segunda Guerra Mundial. Como os franceses na Indochina e como os britânicos na Malásia, os holandeses haviam também recuperado o seu estatuto de potência colonial a partir do Outono de 1945, embora com uma situação política substancialmente modificada por quatro anos de ocupação japonesa. Durante esse período, os japoneses haviam feito o possível por exacerbar as ambições nacionalistas locais, embora em seu proveito. No seu regresso, os europeus depararam-se com uma infraestrutura administrativa, política e militar instalada que lhes disputava a legitimidade colonial.
As situações descambaram repetidas vezes para a confrontação aberta, embora outras vezes fosse dissimulada. O caso concreto das Índias Orientais holandesas pode ser apreciado pelo mapa de situação reportado a 1 de Dezembro de 1948, onde se percebe coexistirem regiões que eram controladas pelos nacionalistas (assinaladas a vermelho) com outras controladas - a títulos diversos - pelas autoridades coloniais holandesas (diversos tons de azul). Na ilha de Java, a mais importante do arquipélago e onde viviam 48 dos seus 75 milhões de habitantes (64% do total), essa coabitação era ainda mais complexa, com as áreas sob as duas tutelas a serem separadas por uma designada Linha Van Mook, uma linha de cessar fogo que fora estabelecida em Janeiro de 1948 na sequência de um acordo que fora firmado para substituir um outro assinado em Novembro de 1946... Ou seja, os acordos encadeavam-se mas a situação política não estabilizava porque aquilo que as duas partes procuravam era fundamentalmente contraditório.
Em Dezembro de 1948 os holandeses consideravam que se estava novamente numa situação de impasse e foi para o romper que decidiram desencadear esta Operação Corvo. Do ponto de vista militar a sua superioridade era flagrante. Esta primeira fase da operação consistiu num lançamento surpresa de paraquedistas sobre Jogjacarta, a capital nacionalista, capturando o seu aeródromo. Foi um completo sucesso táctico. Mas, se os militares dos dois lados reagiram como previsto (i.e., os holandeses ocupando os locais estratégicos da cidade e os indonésios dispersando pela áreas rurais depois de uma defesa honrada, mas fundamentalmente simbólica), os membros do governo nacionalista (na fotografia mais abaixo e da esquerda para a direita, o vice-presidente Hatta, o presidente Sukarno e o primeiro-ministro Sjahrir), trouxeram uma perspectiva política ao conflito com o gesto de se deixarem capturar pelos soldados holandeses. Contavam com o efeito perverso que a ofensiva militar teria junto dos norte-americanos. E tiveram razão!
Recorde-se que em 1948, através do Plano Marshall, os Estados Unidos eram o financiador da recuperação económica de todos os países da Europa ocidental. Bastava que ameaçassem a suspensão das ajudas para que os países europeus vergassem e os Países Baixos não foram neste caso excepção. Às vitórias tácticas dos holandeses no campo militar sobrepôs-se a vitória estratégica dos indonésios no campo político. Assinou-se mais um acordo(!) em Maio de 1949 e a verdadeira independência da Indonésia ocorreu no final desse ano, mas só depois de uma conferência em Haia que durou mais de dois meses. Uma última herança possível de toda esta operação é que ela terá despertado algum interesse entre os militares indonésios por operações aerotransportadas: quando foi a sua vez de desencadearem uma operação muito similar - a Operação Seroja em 1975 - também os seus paraquedistas se lançaram sobre o aeroporto de Dili, para conquistar a cidade...
Etiquetas:
75º Aniversário,
Indonésia,
Países Baixos
01 fevereiro 2023
AS INUNDAÇÕES DO MAR DO NORTE
1 de Fevereiro de 1953. Há setenta anos, a conjugação de uma violenta tempestade de Inverno no Mar do Norte com marés vivas ocasionou o rompimento de alguns dos diques da Holanda, o que veio a provocar uma vasta inundação nos seus famosos pólderes, danificando as colheitas e provocando milhares de vítimas: 1.365 km² inundados (9% das terras aráveis holandesas) com perda total das colheitas, 47.000 habitações danificadas, 30.000 animais afogados e, sobretudo, mais de 1.800 vítimas mortais e 70.000 pessoas evacuadas. Mas o desastre é também conhecido por ter revelado as capacidades únicas daquele que era então um novo meio de transporte, o helicóptero, com a sua manobrabilidade miraculosa, capaz de resgatar as populações que se viam ameaçadas pela subida das águas, algumas delas em situações extremas. Várias dezenas de helicópteros - quase todo o parque então disponível na Europa - foram utilizados nas operações de salvamento, vindos de todo o lado, da Holanda, obviamente, mas também da Bélgica, do Reino Unido, de França e da Alemanha e até um importante contingente de helicópteros militares norte-americanos das forças então estacionadas na Alemanha.
Etiquetas:
70º Aniversário,
Aviação,
Países Baixos
31 janeiro 2023
A GRANDE INUNDAÇÃO DE 1953
31 de Janeiro de 1953. É o primeiro dia de uma tempestade no Mar do Norte que acabará por atingir com grande violência as costas dos Países Baixos em especial. Os holandeses deram-lhe o nome de De Watersnoodramp. O efeito conjugado dos ventos da tempestade com as marés vivas fará com que o nível do mar tenha subido 3 e 4 metros acima do que seria normal, galgando os diques de protecção e inundando os pólderes, especialmente na província da Zelândia (mapa abaixo). O desastre causou 1.836 mortos, só nos Países Baixos, para além de outras vítimas mortais no Reino Unido, na Bélgica e em embarcações que estavam no mar, para além de ter provocado danos incalculáveis nas habitações e terrenos agrícolas, alagados por causa das inundações. A única boa notícia da catástrofe foi a descoberta da capacidade de evacuação dos helicópteros, que fora até aí um equipamento relativamente pouco conhecido do grande público. Nas operações de resgate das pessoas isoladas em telhados e outros pontos elevados, operaram 38 helicópteros oriundos das mais diversas proveniências: 15 das forças norte-americanas estacionadas na Alemanha, 12 das do Reino Unido, a França enviara 4 helicópteros e a Bélgica outros 3. Para além da presença do príncipe consorte, os helicópteros são um dos poucos elementos verdadeiramente animadores das imagens acima.
Etiquetas:
70º Aniversário,
Aviação,
Países Baixos
15 janeiro 2023
BATALHA DE MBANDA KASI
Só se sabe que a batalha de Mbanda Kasi ocorreu num dos dias de Janeiro de 1623. Enfrentaram-se os exércitos de duas facções rivais em disputa pela supremacia pelo reino do Congo. Uma das facções era encabeçada pelo rei (conhecido pelo título de manicongo) Pedro II, enquanto a facção rebelde contaria com o apoio material substantivo dos portugueses estabelecidos na região de Luanda. Admite-se que o capitão-general daquela província, Pedro de Sousa Coelho, tenha estado presente na batalha. E a vitória terá sido do exército congolês, mas só recentemente (em 2010) é que se ficaram a conhecer estes (poucos) detalhes sobre esta batalha travada em terras de Angola em que tropas portuguesas terão intervido de forma significativa (embora em números que se desconhecem). Isso deve-se à descoberta de um documento nos arquivos holandeses, uma carta em que o manicongo Pedro II abordava os directores da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais já depois da batalha, procurando forjar uma aliança anti-portuguesa. Não existem relatos da parte portuguesa em relação a esta batalha - ela nem consta da maior compilação que existe sobre o tema: o livro Portugal Militar de Carlos Selvagem (1931). Sabe-se que, na sequência da derrota, Pedro de Sousa Coelho acabou por ser substituído no cargo pelo bispo Simão Mascarenhas. E que o projecto de aliança de Pedro II do Congo acabou por não se concretizar. O manicongo morreu em Abril de 1624. Sucedeu-lhe um filho (Garcia I) que também permaneceu no trono apenas por dois anos (1626), tendo sido deposto numa outra guerra civil congolesa.
Etiquetas:
400º aniversário,
Angola,
História,
Livros,
Países Baixos
12 fevereiro 2022
O INÍCIO DO JULGAMENTO DE SLOBODAN MILOSĚVIĆ
Haia, Países Baixos, 12 de Fevereiro de 2002. Início do julgamento de Slobodan Milošević. O antigo presidente da Sérvia e da Jugoslávia e réu comparece em tribunal acusado de: genocídio; cumplicidade em genocídio; deportação; assassinato; perseguições por motivos políticos, raciais e religiosos; actos desumanos e transferência forçada; extermínio; prisão; tortura; assassinato intencional; confinamento ilegal; causador intencional de grande sofrimento; deportação ou transferência ilegal; destruição extensa e apropriação de propriedade, não justificada por qualquer necessidade militar e realizada de forma ilegal e arbitrária; tratamento cruel; saque de propriedade pública e/ou privada; ataques a civis; destruição ou dano intencional a monumentos históricos e instituições dedicadas à educação ou religião; ataques ilegais a bens civis. A acusação desenrolar-se-á de acordo com a extensão de todas estas acusações que acima se podem ler e, como se imagina, tomará dois anos a concluir-se, depois do tribunal ouvir 295 testemunhas e de terem sido apresentadas mais de 5.000 provas. Por um princípio de equilíbrio, foi concedida à defesa um período de tempo idêntico para a sua tarefa. Não surpreende por isso saber que, mais de quatro anos depois, a 11 de Março de 2006, e quando ainda decorria o julgamento, o tribunal foi surpreendido pela morte súbita do réu, de ataque cardíaco. Foi um completo anti-clímax. Tantos cuidados se puseram no formalismo do funcionamento do tribunal que se perdeu completamente de vista a sua funcionalidade e o o objectivo do julgamento. Os factos haviam ocorrido primordialmente com a dissolução da Jugoslávia, que ocorrera em 1991, ou seja 15 anos antes... Uma efeméride para constatar que não é só por cá que este fenómeno acontece, nos casos de José Sócrates, Ricardo Salgado, etc., que, quando forem julgados, já as pessoas se esqueceram do porquê.
Etiquetas:
20º Aniversário,
Bósnia,
Croácia,
Países Baixos,
Sérvia
15 janeiro 2022
A BATALHA DO MAR DE ARAFURA
Para explicar os antecedentes desta pequena batalha naval de há 60 anos, convém frisar que, quando a Indonésia alcançou a independência em 1949 (assinalado no mapa acima a vermelho), o novo país, apesar de ameaçado por diversos movimentos separatistas (Aceh, Molucas), possuía, ainda assim, ambições territoriais em direcção a três colónias vizinhas. A Malásia (assinalada a cor de laranja), pela qual a Indonésia chegou a travar um conflito intermitente na ilha de Bornéu com os britânicos entre 1962 e 1966; Timor (assinalado a verde) que os indonésios ocuparam em 1975 a pretexto do vácuo da autoridade portuguesa e que tiveram de desocupar quando finalmente organizaram um referendo que não perceberam que lhes iria correr muito mal(1999); e finalmente a Nova Guiné Ocidental (assinalada a azul claro), colónia holandesa adjacente mas independente da Indonésia, que aqueles continuaram a administrar depois de 1949 e pela qual se travou esta batalha naval do Mar de Arafura.
A Nova Guiné era em 1949 (e continuava a sê-lo em 1962) um dos sítios mais recônditos do mundo, a segunda maior ilha do Mundo com 786 000 km², um clima inóspito e uma população (especialmente no interior) sobre a qual se sabia muito pouco: o que se sabia é que havia uma estrutura tribal enraizada e também que havia pouca convivência entre as tribos: no total, falam-se 1.073 idiomas distintos! Em 1884, a ilha fora dividida em três colónias: a Alemanha ficara com a parcela de Nordeste, o Reino Unido (através da Austrália) com a de Sudeste e a Holanda com a metade Ocidental. Em consequência do desfecho da Primeira Guerra Mundial (1919), os australianos acabaram depois por ficar com a metade Oriental. Era essa a situação em 1949, quando a Holanda resolveu reter a administração da colónia para vir a dar aos seus habitantes a futura possibilidade de, em regime de autodeterminação, se unificarem com a colónia britânica (que viria a alcançar a independência em 1975).
As ambições da Indonésia eram outras: anexar a Nova Guiné Ocidental. E as relações entre a ex-colónia e a antiga metrópole não eram, por isso, propriamente as melhores. Os holandeses mantinham naquelas águas meios navais importantes, um destroyer, duas fragatas (HNLMS Evertsen, mais acima), para demover os indonésios das suas intenções agressivas. A operação que estes últimos lançaram em 15 de Janeiro de 1962 consistiu em transportar 150 comandos em três lanchas rápidas para os desembarcar clandestinamente em território da Nova Guiné. Porém, os holandeses conheciam a operação de antemão e haviam posto aeronaves P-2 a patrulhar o Mar de Arafura. Uma delas encontrou as lanchas e os navios holandeses dirigiram-se para as interceptar. A clara superioridade de fogo dos holandeses fez com que uma das lanchas fosse afundada e as outras duas destruídas. Entre os mortos da batalha naval contou-se o comandante da flotilha indonésia, o comodoro Yos Soedarso.
Do ponto de vista estritamente militar, o desfecho da batalha, a vitória holandesa, foi inequívoca. Mas o aproveitamento político das acções militares consegue subverter essa lógica. Para que se esquecesse a imprudência do comodoro, ele veio a ser transformado em mártir nacional. Em Portugal (acima), quiçá por uma solidariedade instintiva entre potências coloniais, as simpatias iam inequívocas para com a Holanda. Mas esta iria desistir rapidamente da sua intenção: não querendo arcar com os custos de um conflito, ainda que de baixa intensidade, com a Indonésia, através da mediação americana, a Holanda veio a ceder os seus direitos administrativos à ONU, que por sua vez os cedeu à Indonésia em Maio de 1963. Uma hipocrisia total. A Batalha do Mar de Arafura acabou recontada de uma certa maneira diferente entre a Marinha de Guerra da Indonésia (TNI-AL), mas o processo como um desastre naval se pode transformar num sucesso político (e vice-versa...), não lhes deve ter escapado quando foi a vez deles interceptarem o Lusitânia Expresso no Mar de Timor em 1992...
Etiquetas:
60º Aniversário,
Indonésia,
Países Baixos,
Timor
20 janeiro 2021
EM PORTUGAL, A ESTAS ATITUDES DEVÍAMOS CHAMÁ-LAS «DEMISSÕES À JORGE COELHO»
Por entre os interstícios do covid (que abafa noticiosamente quase tudo o que de mais acontece pelo Mundo), ficámos a saber que o chefe do governo holandês apresentou a sua demissão. Há uma explicação acoplada à notícia mas, quando aprofundamos o assunto porque essa explicação nos parece insuficiente, mais todo o assunto se reveste de despropósito. Vejamos: o escândalo tornou-se público há mais de dois anos em Setembro de 2018 e aplicava-se à conduta dos ministérios de um governo anterior do primeiro-ministro Mark Rutte; o ministro mais exposto, Lodewijk Asscher, não só já não faz parte do governo desde 2017, como o seu próprio partido (Trabalhista) também já não faz parte deste governo; para mais, um membro júnior do actual executivo já se demitira por causa do escândalo em Dezembro de 2019. O que terá acontecido de novo que possa justificar esta evolução será, portanto, do foro político e não do conhecimento de novos factos: foi em Dezembro de 2020, no mês passado, que a comissão parlamentar de inquérito ao escândalo concluiu o seu relatório e, na sequência da publicação do mesmo, um dos líderes de um dos partidos da oposição anunciou que iria apresentar uma moção de censura. E os outros partidos que compõem a coligação governamental dissociaram-se do de Mark Rutte (VVD). Como se estava a dois meses de eleições, o primeiro-ministro limitou-se a precipitar os acontecimentos. Na prática, nada mudará: o governo demissionário continuará em funções até lá. É inútil ir à procura de ética naquilo que não passa de uma manobra política. O que é irritante é quando se percebe perfeitamente que isso aconteceu e depois se insiste na mentira, como aconteceu em Março de 2001 com Jorge Coelho, que aproveitou a ocasião da queda da ponte de Entre-os-Rios para se demitir de um governo que se estava a esfarelar. A percepção disso ainda não chegara ao grande público quando o fez, mas, dali por seis meses, o governo que Jorge Coelho abandonara entrava em crise e tinha que ser penosamente remodelado (Guilherme Oliveira Martins ficou com a pasta das Finanças porque ninguém queria aceitar o cargo...) e três meses passados, em Dezembro de 2001, o primeiro-ministro António Guterres aproveitou umas eleições autárquicas para se demitir. Como acontece agora com Mark Rutte, Jorge Coelho foi esperto em abandonar o barco mais cedo, antes do afundamento; mas, sendo esperto, não insista em fazer de nós parvos. (Uma nota final para criticar uma vez mais aquela habilidade recorrente de Mark Rutte se fazer fotografar sempre a andar de bicicleta, sem que se vejam seguranças por perto, como se não houvesse problemas desse género na Holanda...)
29 dezembro 2020
O JORNALISTA QUE ERA UM GRANDE «NABO»
Haia, 29 de Dezembro de 1970. O jornalista da ANI que escreveu a notícia acima não percebia nada do assunto sobre o qual o haviam encarregado de escrever. (A ANI era a Agência Noticiosa de Informação, antecessora da actual Lusa, e, como se percebe pelo exemplo acima, tinha os mesmos problemas de (in)competência do seu quadro de jornalistas da sua sucessora). A incompetência, neste caso, exibe-se na tradução forçada e despropositada da expressão Airbus para «autocarro voador». O grande consórcio construtor aeronáutico que se tornou mundialmente conhecido por Airbus era denominado há cinquenta anos pelo nabo do jornalista da ANI como "o projecto do «autocarro voador» franco alemão. Quem não conhecesse o assunto - quase todos os leitores - nem percebia do que se tratava.
Etiquetas:
50º Aniversário,
Aviação,
Incompetência,
Informação,
Países Baixos
22 setembro 2020
O APARECIMENTO DA EURONEXT
22 de Setembro de 2000. Aparecimento da Euronext que reunia (então) as bolsas de Paris, Amesterdão e Bruxelas. Posteriormente reuniram-se-lhes as bolsas de Lisboa (2002), Dublin (2018) e Oslo (2019). É a maior organização bolsista da Europa... continental. A sede operacional situa-se em Paris, mas a sede social situa-se em Amesterdão, para que os impostos sejam colectados na Holanda em mais um exemplo do que se entende por uma questão de frugalidade...
Etiquetas:
20º Aniversário,
Bélgica,
Economia,
Europa,
França,
Irlanda,
Noruega,
Países Baixos
02 setembro 2020
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A COREOGRAFIA DA CERIMÓNIA DA RENDIÇÃO JAPONESA
2 de Setembro de 1945. A cerimónia da rendição japonesa no couraçado USS Missouri, fundeado na baía de Tóquio, põe fim à Segunda Guerra Mundial, quase seis anos, dia por dia, depois de ela ter começado na Europa. Ao contrário do que acontecera a 8 de Maio em Berlim com a rendição alemã, a cerimónia é totalmente protagonizada pelos americanos. Satisfazendo um equilíbrio na rivalidade entre US Army e US Navy, rivalidade essa omnipresente durante toda a guerra no Pacífico, a cerimónia tem lugar num navio da segunda (Armada), embora presidida por um general do primeiro (Exército). E a disposição dos representantes Aliados em nada se assemelha à paridade fotográfica de Berlim. Na fotografia acima, a discursar, t(iv)emos o general Douglas MacArthur... e mais ninguém, demonstrando que aquele país considerava-se a si próprio, ter sido o determinante para a derrota japonesa. Muito provavelmente, teria razão. Por detrás de MacArthur, da esquerda para a direita, numa distribuição protocolar que, dá para supor, se terá inspirado na participação dos países respectivos para o esforço da guerra na Ásia e no Pacífico, aparece o general Xu Yongchang da China, o almirante Bruce Fraser do Reino Unido, o tenente-general Kuzma Derevyanko da União Soviética, o general Thomas Blamey da Austrália, o coronel Lawrence Moore Cosgrave (quase totalmente encoberto por MacArthur) do Canadá, o general Philippe Leclerc de Hauteclocque da França, o vice-almirante Conrad Helfrich dos Países Baixos e, finalmente, o vice-marechal-do-ar Leonard Isitt da Nova Zelândia. Independentemente do destacado protagonismo americano, a disposição hierarquizada dos oito aliados sugere alguns comentários. Um deles é a preferência que é dada, naquelas circunstâncias, pelos norte-americanos aos seus aliados chineses, em detrimento dos seus outros aliados britânicos; os britânicos estão ali presentes com o seu mais credenciado stiff upper lip. Outro dos comentários é sobre o lugar confrangedoramente menor que é atribuído à participação da França Livre na Ásia, posicionada depois da Austrália e do Canadá. E o terceiro é, evidentemente, a presença indisfarçável mas desconfortável da União Soviética na cerimónia, quando ainda não há um mês estava em paz com o Japão. Os soviéticos não têm ilusões quanto ao papel secundário que os americanos lhes reservam, a escolha de quem ali os representa traduz isso, um mero tenente-general, quando a operação Tempestade de Agosto, fora comandada por três marechais (Vasilevsky, Malinovsky e Meretskov), todos eles ostensivamente ausentes da cerimónia. Abaixo, vemos MacArthur a olhar para Derevyanko enquanto este assina os documentos oficiais de rendição.
Etiquetas:
75º Aniversário,
Ásia,
Austrália,
Canadá,
China,
Estados Unidos,
Fotografia,
França,
Nova Zelândia,
Países Baixos,
Reino Unido,
Rússia,
Segunda Guerra Mundial
15 julho 2020
O CICLISTA VIRTUOSO
«O primeiro-ministro holandês Mark Rutte não tem pinta para fazer de vilão num daqueles filmes em que o carácter das personagens se topa logo pela cara. Pessoalmente, ele assemelha-se a um daqueles vigários/padres que tomam café em excesso e que andam acelerados a doses elevadas de cafeína, misturando algumas manias inofensivas com sermões repetitivos e chatos sobre a importância de se viver de acordo com os seus próprios meios. Com 53 anos, ele mora sozinho num apartamento modesto em Haia, deixa-se fotografar indo de bicicleta para o seu trabalho (acima) e, uma vez por outra, tira uma folga para realizar acção social, ensinando estudos sociais numa escola local. Tanta virtude não impediu Rutte de ter sido crismado o vilão em Bruxelas, quando a União Europeia se prepara para discutir a criação de um fundo de 750 mil milhões de euros, destinado a estimular as economias que estão a ser afectadas pela pandemia.
É Rutte e o governo holandês que lideram a oposição à implementação desse fundo, que envolve uma combinação de doações no valor de 500 mil milhões de euros e de empréstimos de outros 250 mil milhões de euros, a serem distribuídos pelos países individualmente mas suportados colectivamente pela União, que contrairá dívida em grande escala pela primeira vez. O esquema, ou pelo menos o seu esboço, está a ser apoiado pela França, Alemanha e todos os outros grandes países, enquanto Mark Rutte se assuma como o líder informal de um grupo de países cépticos e renitentes que é constituído pela Suécia, Dinamarca e Áustria, para além da Holanda, que são conhecidos como os "Frugal Four". Numa Cimeira Europeia que se realizará esta semana – a primeira presencial desde o início do surto da covid-19 – o assunto irá estar em cima da mesa. E é necessária alcançar-se a unanimidade para que o plano avance. Vamos ver o que acontece.»
É assim que a The Economist (numa tradução minha muito livre) sumariza o que de importante se apresenta nesta próxima semana europeia. (a fotografia fui também eu que a escolhi e, vindo mesmo a propósito, é demasiado encenada para a minha apreciação: numa Holanda que já assistiu a vários atentados, um primeiro-ministro sem segurança por perto - como a fotografia quer mostrar - é coisa que não existe).
Etiquetas:
Europa,
Fotografia,
Países Baixos
11 julho 2020
O MASSACRE DE SREBRENICA
11 de Julho de 1995. É a data em que se considera que terá começado o massacre dos prisioneiros (mas também civis) bósnios que as tropas sérvias haviam capturado por ocasião da conquista da pequena povoação de Srebrenica, que tivera lugar alguns dias antes. Não me interessa contar aqui o que aconteceu, apenas as lições que se podem extrair do que aconteceu. No final da guerra, mais de 8.000 corpos serão exumados de valas comuns e uns 6.000 serão identificados, constando os seus nomes de um memorial (fotografia acima). Se a História tiver servido para ensinar alguma coisa aos vindouros, deste (verdadeiro) Massacre, ocorrido há 25 anos, pode concluir-se:
a) Que os militares sérvios eram comandados não apenas por criminosos, mas por criminosos imbecis que nunca conseguiram explicar qual a vantagem militar ou outra de assassinar 8.000 pessoas naquelas circunstâncias; contudo, o enorme preço político que a Sérvia paga até hoje é que os sérvios são considerados internacionalmente como os nazis maus de um conflito (a cisão da Jugoslávia) que não foram eles a desencadear, nem teve inocentes;
b) Que, quando as coisas se põem feias, é que se percebeu que as forças de interposição da ONU - os conhecidos capacetes azuis - estão lá apenas para enfeitar: a vergonha recaiu especificamente sobre os holandeses, que eram os que estavam em Srebrenica e que foram as testemunhas passivas do que aconteceu, mas o Massacre serviu como uma parada de poker em que alguém paga para ver, e se vem a descobrir que não há nenhum contingente daquelas tropas que se disponha a sofrer baixas por causas altruistas;
c) Que para os padrões da nossa simpatia solidária, ele há vítimas... e vítimas. Este caso dos bósnios muçulmanos é de escalão intermediário - são caucasianos (um ponto a favor), mas não professam a melhor das religiões. Um pormenor engraçado é aquele que destaca o facto de nas tropas sérvias se contarem algumas centenas de voluntários russos, extremistas ortodoxos, ao mesmo tempo que se esquece o facto de que havia também algumas centenas de gregos nas mesmas condições. Afinal a Rússia ainda é um inimigo tradicional do Ocidente, enquanto a Grécia faz parte da NATO e da União Europeia.
Etiquetas:
25º Aniversário,
Bósnia,
Estratégia,
Internacional,
Países Baixos,
Sérvia
10 maio 2020
UM DIA NOTICIOSAMENTE RIQUÍSSIMO
10 de Maio de 1940 foi um dia noticiosamente riquíssimo. Em destaque, a Alemanha desencadeou a há muito aguardada ofensiva sobre a frente ocidental, arrastando para o conflito, de uma penada, a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo. Além da França, naturalmente, que já estava em guerra desde há oito meses. Brotavam as notícias, oriundas dos inúmeros locais que haviam sido atacados desde o amanhecer pelo exército e pela força aérea alemãs. Em Lisboa e num golpe de antecipação, o Diário de Lisboa publica uma edição à hora de almoço, apesar de ser tradicionalmente um vespertino (acima, à esquerda). A iniciativa irá ser objecto de uma nota auto-congratulatória na sua segunda edição (abaixo), aparecida cinco horas depois, ao início da noite como era tradicional. A nova edição fora profundamente repaginada. O título em destaque - O avanço alemão foi detido - era mais um desejo do que um facto, como os dias seguintes irão comprovar. No interior, por entre várias notícias dispersas, arrumadas com pouco critério, algumas têm um interesse diversificado: de Londres vinha a notícia que um destacamento de soldados britânicos acabara de invadir a Islândia, para impedir que os alemães a ocupassem; na mesma cidade e no Palácio de Buckingham, o rei Jorge VI recebera o primeiro-ministro Neville Chamberlain que lhe apresentara a sua demissão do cargo; na audiência que se seguiu, o monarca convidou Winston Churchill a desempenhar o cargo e este aceitou o convite.
Etiquetas:
Alemanha,
Bélgica,
França,
Imprensa,
Islândia,
Luxemburgo,
Países Baixos,
Reino Unido,
Segunda Guerra Mundial
29 março 2020
QUE ME DESCULPEM A LEMBRANÇA, MAS EU JÁ HÁ DOIS ANOS CONSIDERAVA REPUGNANTE O COMPORTAMENTO DO MINISTRO DAS FINANÇAS HOLANDÊS...
E, que me perdoem a imodéstia, fi-lo com muito menos visibilidade mas com muito mais propriedade do que António Costa agora o fez. Porque a classificação de repugnante advém mesmo da repugnância. Mas confesso que o texto só me ocorreu porque entretanto vi este vídeo abaixo, com a presidente da Comissão Europeia a lavar as mãos ao som da Ode à alegria...
...um aspecto em que a disciplina comunitária dos holandeses, ao contrário das finanças públicas, deixará imenso a desejar como se verá de seguida. Eis então o poste original, que se intitulava:
«NA CAUDA DA EUROPA... MAS MUITO LIMPINHA! (a cauda e não a Europa)
«Podemos estar na cauda da Europa mas havemo-nos com ela com uns cuidados com a higiene que outros lá da frente mostram não ter. Vocês já imaginaram que há uma possibilidade em duas* de que Jeroen Dijsselbloem ande a limpar o rabo sem sequer lavar depois as mãos com sabão? Diga-se o que se disser, só essa probabilidade confere todo um nojo adicional à recordação de que ele, nos últimos anos, se esteve a cagar para nós...
* Segundo o mapa mais acima, a taxa de holandeses que lavam as mãos apropriadamente depois de usarem os sanitários é de apenas 50%.»
08 janeiro 2020
«PORTUGAL NÃO É(RA) UM PAÍS PEQUENO»... E OS PAÍSES BAIXOS TAMBÉM NÃO
Sei que o mapa português data de 1934 e, sabendo que o mapa holandês data mais ou menos desses mesmos anos, não consegui datá-lo com precisão suficiente para poder identificar qual deles terá sido o inspirador do outro. Outros tempos em que dava um certo sainete aos pequenos países europeus ter um império colonial muito maior do que o próprio país. Independentemente dos regimes.
08 novembro 2019
AS NOTÍCIAS DO DIA EM QUE TENTARAM ASSASSINAR ADOLF HITLER
8 de Novembro de 1939. As notícias daquele dia (jornal da esquerda) eram dominadas pela iniciativa conjunta dos soberanos dos Países Baixos (Guilhermina) e Bélgica (Leopoldo III), num apelo à paz que era endereçado aos três países beligerantes: (por ordem alfabética) Alemanha, França e Reino Unido. (É espantoso lembrar que uma Guerra que virá a ser classificada de Mundial envolvia nessa altura tão poucos países...) Na própria página que a noticiava, um artigo ao lado perguntava cinicamente se «a iniciativa de Haia fo(ra) sugerida pelo (III) Reich ou pelo receio duma próxima ofensiva?» (desse mesmo Reich, subentenda-se) Todavia, a verdadeira notícia desse dia 8 de Novembro de 1939 ainda não acontecera quando o Diário de Lisboa chegara às bancas ao fim da tarde. Nessa noite, Adolf Hitler escapará a um bomba que fora colocada na cervejaria de Munique onde se celebrava o aniversário do seu putsch de 1923. A bomba causou 8 mortos e provocou 63 feridos, mas falhou o seu alvo (fotografia abaixo). A edição do dia seguinte do mesmo Diário de Lisboa esqueceu por completo o «ramo de oliveira» belga-holandês do dia anterior e concentrava toda a sua atenção em noticiar o atentado e especular sobre quem quisera assassinar Adolf Hitler. Continuando (ou retribuindo?) o cinismo do dia anterior, lia-se num subtítulo que «na Holanda ha(via) quem responsabiliz(ass)e a "Gestapo"». Hoje sabe-se quanto o gesto dos dois monarcas se viria a revelar inconsequente: ambos os países serão invadidos e ocupados pela Alemanha a partir de Maio de 1940.
Etiquetas:
80º Aniversário,
Alemanha,
Bélgica,
Informação,
Países Baixos
Subscrever:
Mensagens (Atom)




























