8 de Novembro de 1939. As notícias daquele dia (jornal da esquerda) eram dominadas pela iniciativa conjunta dos soberanos dos Países Baixos (Guilhermina) e Bélgica (Leopoldo III), num apelo à paz que era endereçado aos três países beligerantes: (por ordem alfabética) Alemanha, França e Reino Unido. (É espantoso lembrar que uma Guerra que virá a ser classificada de Mundial envolvia nessa altura tão poucos países...) Na própria página que a noticiava, um artigo ao lado perguntava cinicamente se «a iniciativa de Haia fo(ra) sugerida pelo (III) Reich ou pelo receio duma próxima ofensiva?» (desse mesmo Reich, subentenda-se) Todavia, a verdadeira notícia desse dia 8 de Novembro de 1939 ainda não acontecera quando o Diário de Lisboa chegara às bancas ao fim da tarde. Nessa noite, Adolf Hitler escapará a um bomba que fora colocada na cervejaria de Munique onde se celebrava o aniversário do seu putsch de 1923. A bomba causou 8 mortos e provocou 63 feridos, mas falhou o seu alvo (fotografia abaixo). A edição do dia seguinte do mesmo Diário de Lisboa esqueceu por completo o «ramo de oliveira» belga-holandês do dia anterior e concentrava toda a sua atenção em noticiar o atentado e especular sobre quem quisera assassinar Adolf Hitler. Continuando (ou retribuindo?) o cinismo do dia anterior, lia-se num subtítulo que «na Holanda ha(via) quem responsabiliz(ass)e a "Gestapo"». Hoje sabe-se quanto o gesto dos dois monarcas se viria a revelar inconsequente: ambos os países serão invadidos e ocupados pela Alemanha a partir de Maio de 1940.
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08 novembro 2019
10 abril 2019
A EUROPA DE PREVENÇÃO
Há oitenta anos e na sequência da invasão italiana da Albânia, as notícias eram que os exércitos de toda a Europa haviam entrado de prevenção, atitude acompanhada de proclamações destinadas a auditores específicos. Note-se a página abaixo do Diário de Lisboa de 10 de Abril de 1939, em que as curiosidades maiores são a ausência de referências à Alemanha entre os países mencionados, ao mesmo tempo que o destaque principia em países que lhe são fronteiriços e que se sentirão mais directamente ameaçados por essa mesma Alemanha, como serão os casos da Holanda e da Suíça. Sem se nomear expressamente qualquer país, percebia-se claramente de onde seriam de esperar as perturbações ao status quo internacional.
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04 abril 2019
A ASSINATURA SOLENE DO PACTO DO ATLÂNTICO
4 de Abril de 1949. Com destaque de primeira página e amplo desenvolvimento noticioso nessa e na última página, noticia-se a assinatura solene do Pacto do Atlântico. Assinam-no doze países: Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Reino Unido. Portugal faz-se representar na cerimónia pelo veterano José Caeiro da Mata, ministro dos Negócios Estrangeiros. Se a sua fotografia na primeira página é demonstrativa de uma certa ingenuidade daquela época para com as novas artimanhas publicitárias (o logotipo da TWA bem à vista quando descia do «avião em que cruzou o Atlântico»), o teor das suas declarações publicadas na última página mostra as preocupações da diplomacia portuguesa com o sucesso que alcançara: não excitar demasiado os ciúmes do regime espanhol (que fora proscrito da NATO).
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22 fevereiro 2019
O BOMBARDEAMENTO DE NIMEGA
22 de Fevereiro de 1944. Uma formação de bombardeiros de USAAF bombardeia o centro da cidade holandesa de Nimega deixando o rasto de destruição que as imagens do vídeo acima documentam. O bombardeamento terá provocado a morte de cerca de 800 pessoas, a esmagadora maioria delas civis. São números que se comparam com os 900 mortos causados pelo bombardeamento que a Luftwaffe realizara sobre Roterdão logo no início da guerra (Maio de 1940) e que tanta impressão causara à época. Se a evolução da guerra banalizara a destruição causada pelos bombardeamentos, não alterara o seu aproveitamento como instrumentos de propaganda: o cartaz abaixo, produzido pela propaganda pró-alemã, aproveita o episódio para comentar ironicamente: você tem que escolher os seus amigos! Os amigos americanos em causa deixaram pairar a dúvida durante muitos anos depois do fim da Guerra, que o bombardeamento se terá devido a erros de navegação, dada a proximidade de Nimega da fronteira alemã (a 8 km); a documentação que veio sendo desclassificada muitos anos depois veio a provar que isso não era bem verdade.
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20 dezembro 2018
A OPERAÇÃO CORVO
20 de Dezembro de 1948. Dá-se por concluída a primeira fase da Operação Corvo (Operatie Kraai, no holandês original) com a captura da cidade de Jogjacarta, que fora até aí a capital dos nacionalistas indonésios. Contudo, convirá explicar que circunstâncias haviam conduzido os holandeses a confrontarem-se com uma típica guerra colonial (koloniale oorlog) na sua colónia das Ilhas Orientais nesses anos que se seguiram ao fim da Segunda Guerra Mundial. Como os franceses na Indochina e como os britânicos na Malásia, os holandeses haviam também recuperado o seu estatuto de potência colonial a partir do Outono de 1945, embora com uma situação política substancialmente modificada por quatro anos de ocupação japonesa. Durante esse período, os japoneses haviam feito o possível por exacerbar as ambições nacionalistas locais, embora em seu proveito. No seu regresso, os europeus depararam-se com uma infraestrutura administrativa, política e militar instalada que lhes disputava a legitimidade colonial.
As situações descambaram repetidas vezes para a confrontação aberta, embora outras vezes fosse dissimulada. O caso concreto das Índias Orientais holandesas pode ser apreciado pelo mapa de situação reportado a 1 de Dezembro de 1948, onde se percebe coexistirem regiões que eram controladas pelos nacionalistas (assinaladas a vermelho) com outras controladas - a títulos diversos - pelas autoridades coloniais holandesas (diversos tons de azul). Na ilha de Java, a mais importante do arquipélago e onde viviam 48 dos seus 75 milhões de habitantes (64% do total), essa coabitação era ainda mais complexa, com as áreas sob as duas tutelas a serem separadas por uma designada Linha Van Mook, uma linha de cessar fogo que fora estabelecida em Janeiro de 1948 na sequência de um acordo que fora firmado para substituir um outro assinado em Novembro de 1946... Ou seja, os acordos encadeavam-se mas a situação política não estabilizava porque aquilo que as duas partes procuravam era fundamentalmente contraditório.
Em Dezembro de 1948 os holandeses consideravam que se estava novamente numa situação de impasse e foi para o romper que decidiram desencadear esta Operação Corvo. Do ponto de vista militar a sua superioridade era flagrante. Esta primeira fase da operação consistiu num lançamento surpresa de paraquedistas sobre Jogjacarta, a capital nacionalista, capturando o seu aeródromo. Foi um completo sucesso táctico. Mas, se os militares dos dois lados reagiram como previsto (i.e., os holandeses ocupando os locais estratégicos da cidade e os indonésios dispersando pela áreas rurais depois de uma defesa honrada, mas fundamentalmente simbólica), os membros do governo nacionalista (na fotografia mais abaixo e da esquerda para a direita, o vice-presidente Hatta, o presidente Sukarno e o primeiro-ministro Sjahrir), trouxeram uma perspectiva política ao conflito com o gesto de se deixarem capturar pelos soldados holandeses. Contavam com o efeito perverso que a ofensiva militar teria junto dos norte-americanos. E tiveram razão!
Recorde-se que em 1948, através do Plano Marshall, os Estados Unidos eram o financiador da recuperação económica de todos os países da Europa ocidental. Bastava que ameaçassem a suspensão das ajudas para que os países europeus vergassem e os Países Baixos não foram neste caso excepção. Às vitórias tácticas dos holandeses no campo militar sobrepôs-se a vitória estratégica dos indonésios no campo político. Assinou-se mais um acordo(!) em Maio de 1949 e a verdadeira independência da Indonésia ocorreu no final desse ano, mas só depois de uma conferência em Haia que durou mais de dois meses. Uma última herança possível de toda esta operação é que ela terá despertado algum interesse entre os militares indonésios por operações aerotransportadas: quando foi a sua vez de desencadearem uma operação muito similar - a Operação Seroja em 1975 - também os seus paraquedistas se lançaram sobre o aeroporto de Dili, para conquistar a cidade...
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12 novembro 2018
A GREVE GERAL NA SUÍÇA E A «SEMANA VERMELHA» NA HOLANDA
12 de Novembro de 1918. Na Suíça, um comité revolucionário convoca uma greve geral. A questão peculiar neste evocação não é a greve geral. É o facto de a greve ter ocorrido na Suíça e logo no dia seguinte à assinatura do armistício que pusera fim à Grande Guerra. A Suíça fora um país que permanecera neutral, não existia a comoção da derrota que costuma servir de explicação histórica aos movimentos revolucionários que eclodiram simultaneamente por toda a Alemanha. E contudo, a sua classe operária, especialmente nos cantões alemães reagiu desta forma, abstraindo-se das notícias da conclusão do conflito. Cerca de 250.000 trabalhadores aderiram à paralisação, um dos sectores mais afectados foi o ferroviário, um sector crucial naquelas circunstâncias em que a agilidade dos abastecimentos alimentares era uma pedra-de-toque da disposição das opiniões públicas. Mas note-se também, e porque a Suíça se mantivera afastada dos combates, que os militares não haviam sofrido o desgaste que ocorrera entre os beligerantes. As imagens oficiais dos acontecimentos transmitem-nos uma imagem de força, com 100.000 soldados nas ruas e nos pontos nevrálgicos (acima e abaixo). O desfecho acabou por ser favorável às autoridades federais. A greve durou 48 horas. Depois dela, mais de 3.500 grevistas foram presentes a tribunal militar, uma apreciável percentagem deles empregados dos caminhos de ferro, embora menos de 5% (147) fossem condenados.
Nesse mesmo dia 12 de Novembro e noutro país que também permanecera neutral, os Países Baixos (Holanda), o primeiro-ministro Ruijs de Beerenbrouck (abaixo, à direita) tentava amenizar o ambiente tenso que o país atravessava, com o anúncio do aumento da quantidade da ração de pão de 200 para 280 gramas/dia. Na Holanda vivia-se então a Semana Vermelha (De Roode Week no original - 9 a 14 de Novembro de 1918), uma tentativa dos socialistas locais (22% do parlamento), dirigidos por Pieter Jelles Troelstra (abaixo, à esquerda), para desencadearem uma acção insurrecional, ao bom jeito do que acontecera no ano anterior na Rússia. Também na Holanda, um exército que não sofrera o desgaste dos combates foi utilizado para enfrentar os revolucionários que, afinal, eram bem menos do que se pensara dos dois lados. Num daqueles combates pela memória como os acontecimentos vêm a ser evocados no futuro, a Semana Vermelha foi rebaptizada de Erro de Troelstra (Vergissing van Troelstra), como se tudo não tivesse passado de um erro de avaliação do líder socialista holandês, o que as evidências sugerem não ter sido bem o caso... Estes dois casos, que vemos muito raramente referidos, ambos ocorridos em países que haviam permanecido neutrais, mostram claramente que o ambiente social tenso que se vivia na Europa no Outono de 1918 transbordava dos países beligerantes para o resto do continente.
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10 novembro 2018
O KAISER REFUGIA-SE NA HOLANDA
10 de Novembro de 1918. Às 06H00 da manhãzinha de há cem anos Guilherme II, Imperador da Alemanha e Rei da Prússia, apresentava-se na estação de comboios de Eisden (Limburgo), na fronteira da Bélgica com a Holanda. Até aí, nas últimas semanas, aquele que era designado correntemente por o Kaiser, estivera instalado em Spa, cidade do Leste da Bélgica onde se instalara o OHL, o Grande Quartel General dos exércitos alemães. Fora aí que, no dia anterior, recebera a novidade, veiculada pelos jornais berlinenses, que ele próprio havia abdicado... (veja-se abaixo*) A situação de Guilherme tornara-se periclitante: perdera o apoio político na capital, prosseguiam as negociações para a rendição da Alemanha (onde não seria de excluir que, entre as cláusulas, se exigisse a sua extradição) e a progressão dos exércitos aliados mantinha-se inexorável, o que, caso os combates prosseguissem, lhe daria apenas um punhado de semanas até que eles alcançassem Spa. Entre a sua comitiva concluiu-se que a melhor solução naquelas circunstâncias seria refugiar-se num país neutral. E o país neutral mais próximo era mesmo a Holanda. E é assim que vamos encontrar numa fria manhã de Outono o outrora todo poderoso Imperador a conter a sua impaciência calcorreando o cais de uma obscura estação ferroviária, enquanto as autoridades holandesas da cidade mais próxima (Maastricht) entravam em contacto com o governo holandês em Haia. Ainda nesse dia, a autorização para que o Kaiser se refugiasse na Holanda acabou por ser concedida. Cortesias entre cabeças coroadas, a rainha Guilhermina dos Países Baixos emprestou-lhe o castelo de Amerongen para se instalar, castelo onde, passadas algumas semanas, a 28 de Novembro de 1918, Guilherme acabou por anunciar o acto da sua abdicação, desta vez num documento redigido pelo seu punho...
* para os menos habilitados a decifrar as letras em estilo gótico, no cabeçalho pode ler-se Abdankung des Kaisers - traduzido: abdicação do imperador
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23 setembro 2018
O TERRITÓRIO DE MORESNET
23 de Setembro de 1818. As autoridades dos reinos dos Países Baixos e da Prússia procedem à delimitação precisa do pequeníssimo território de Moresnet. Tratava-se do corolário e do subproduto bizarro do gigantesco processo do retraçar das fronteiras da Europa que tivera lugar no Congresso de Viena em 1815, após o fim das Guerra Napoleónicas. Por toda a Europa, as fronteiras que haviam sido redesenhadas continuamente durante vinte anos, à mercê do sucesso das armas napoleónicas, mas a partir de 1815 iriam receber uma configuração que, em grande medida, se iria perpetuar por um século, até 1918. Apesar da pequenez de Moresnet, com uma área total de 3,5 km², aquele pequeno território de formato vagamente triangular a 8 Km a Sudoeste de Aachen (assinalado a vermelho no mapa acima), havia despertado o interesse dos dois países por causa da mina de zinco que ali se localizava. As pretensões sobre a mina haviam levado a que se tivesse de encontrar uma solução criativa, neutralizando o território. Ele seria administrado conjuntamente pelos dois países, embora não pertencendo a nenhum. Há precisamente duzentos anos, a comissão conjunta dos dois países terminava os seus trabalhos de delimitação do polígono, configuração que ficava assegurada pela afixação de 60 marcos no terreno.
Nem de propósito, e para tornar mais complexa um traçado de fronteiras heterodoxo, uma dúzia de anos depois, as províncias do Sul do reino dos Países Baixos tornaram-se independentes sob o nome de Bélgica (1830). O traçado de fronteiras entre os dois novos países (Bélgica e Países Baixos) fazia com que a Bélgica passasse a ser o país adjacente ao território de Moresnet e que assim a relação de administração conjunta que existia com a Prússia fosse transferida dos Países Baixos para a Bélgica. Mesmo assim, o vértice norte do território, passava a constituir o local onde se concentrava a nova fronteira entre os três países (a Alemanha, que sucedeu à Prússia em 1871, a Bélgica e os Países Baixos, foto acima e mapa abaixo). Por causa da mina e sobretudo à conta dela, a economia do território prosperou ao longo de quase todo o século XIX: a população daqueles 344 hectares, que era apenas de 256 pessoas em 1815, dobrara para 500 em 1830, quintuplicara para 2.570 em 1858 e era de 4.670 em 1914, no ano em que começou a Primeira Guerra Mundial. Destes últimos, apenas 484 (ou seja 10% do total) é que descendiam daquela que fora a população original do território.
Contudo, desde 1885, que aquela que fora a mais importante mina de zinco da Europa se esgotara. E a sustentação económica do território tivera que ser repensada. Houve algumas tentativas nesse sentido, nomeadamente a abertura de um casino que as autoridades alemãs bloquearam. A proposta mais interessante foi a do aproveitamento do território (bandeira abaixo) para que ele se tornasse o primeiro estado do Mundo que tivesse o esperanto como sua língua oficial (o esperanto é um idioma artificial aparecido nos finais do século XIX cujo criador e promotores esperavam que se tornasse na língua franca). A ideia não teve grande prosseguimento. Menos visionários e mais pragmáticos, os alemães aproveitaram a invasão da Bélgica em 1914 para anexaram formalmente o território de Moresnet no ano seguinte. E na revanche, os belgas receberam-no conjuntamente com os cantões do Leste, como compensações territoriais no quadro do Tratado de Versalhes (1919). Actualmente, as terras do antigo território - já só resta uma sobrevivente centenária do período em que ele existiu - fazem parte da região belga de língua alemã. E assinale-se que a página em português da wikipedia sobre o assunto vale a visita.
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28 julho 2018
A CERIMÓNIA DE ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS DE AMSTERDÃO
28 de Julho de 1928. Há precisamente 90 anos tinham lugar as cerimónias da abertura dos jogos da IX olimpíada que se realizaram na cidade holandesa de Amsterdão. 2.883 atletas (dos quais 277 - 10% - eram mulheres), vindos de 46 países diferentes, iriam tomar parte nas 109 competições de 14 modalidades que iriam decorrer nos quinze dias seguintes, até 12 de Agosto. Mas o que interessará do episódio é a forma como foi então noticiado e o contraste com a actualidade. Os Jogos Olímpicos não tinham a projecção de hoje. O artigo que o Diário de Lisboa então dedica ao acontecimento aparece publicado apenas na página 5, embora com um certo desenvolvimento (abaixo). Como se perceberá pelo breve vídeo mais abaixo, a cerimónia, incluindo a parada das delegações e os milhares de atletas presentes, o acender da chama e os juramento olímpicos, já terá tido algo de verdadeiramente imponente.
E no entanto, omisso do noticiário, está o facto de a delegação francesa não ter desfilado, em protesto por um incidente que ocorrera no dia anterior, entre funcionários daquela delegação, que vinham em missão de reconhecimento, e um porteiro do estádio, que os impedira de entrar. Da confusão que se gerara, um dos funcionários acabara agredido na cara, e os franceses haviam exigido do comité organizador um pedido de desculpas (prestadas), assim como o despedimento imediato do conflituoso porteiro. No dia seguinte, aperceberam-se que o homem lá continuava... e a decisão de boicotar a cerimónia foi tomada. Uma decisão emotiva mas não considerada, já que os fez assistir, despeitados, à maior ovação da cerimónia que foi dispensada à delegação dos rivais alemães, que regressava pela primeira vez aos jogos, depois de, como vencidos da Grande Guerra, terem sido impedidos de participar nas duas olimpíadas anteriores (1920 e 1924). Fosse hoje e, mais do que uma notícia, toda a história do boicote francês teria sido o destaque do dia...
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13 junho 2018
«ZUIDERZEEWERKEN»
13 de Junho de 1918. Há cem anos, e apesar da Grande Guerra em curso, ou talvez também por causa dela, o parlamento holandês aprovava o financiamento para os Zuiderzeewerken, um ambicioso plano de engenharia que iria proceder ao encerramento do Zuiderzee e à recuperação de 1.650 km² de terras. A intenção do gigantesco projecto era proteger as terras baixas das províncias holandesas das tempestades marítimas do Mar do Norte, criar novas terras de cultivo e pastagem, ampliando a autonomia alimentar dos Países Baixos, e ainda melhorar a gestão dos recursos hídricos, criando um novo lago artificial de água doce em substituição da água salobra do Zuiderzee. Os trabalhos ir-se-iam iniciar em 1920 mas só viriam a estar concluídos em 1975, 55 anos depois. Aliás, um dos pólderes projectados, com uma área de cerca de 400 km² (Markerwaard) ficou por realizar.
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21 fevereiro 2018
NA CAUDA DA EUROPA... MAS MUITO LIMPINHA! (a cauda e não a Europa)
Podemos estar na cauda da Europa mas havemo-nos com ela com uns cuidados com a higiene que outros lá da frente mostram não ter. Vocês já imaginaram que há uma possibilidade em duas* de que Jeroen Dijsselbloem ande a limpar o rabo sem sequer lavar depois as mãos com sabão? Diga-se o que se disser, só essa probabilidade confere todo um nojo adicional à recordação de que ele, nos últimos anos, se esteve a cagar para nós...
* Segundo o mapa mais acima, a taxa de holandeses que lavam as mãos apropriadamente depois de usarem os sanitários é de apenas 50%.
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01 fevereiro 2018
AS INUNDAÇÕES DO MAR DO NORTE
1 de Fevereiro de 1953. Há sessenta e cinco anos, a conjugação de uma violenta tempestade de Inverno no Mar do Norte com marés vivas ocasionou o rompimento de alguns dos diques da Holanda, o que veio a provocar uma vasta inundação nos seus famosos pólderes, danificando as colheitas e provocando milhares de vítimas: 1.365 km² inundados (9% das terras aráveis holandesas) com perda total das colheitas, 47.000 habitações danificadas, 30.000 animais afogados e, sobretudo, mais de 1.800 vítimas mortais e 70.000 pessoas evacuadas. Mas o desastre é também conhecido por ter revelado as capacidades únicas daquele que era então um novo meio de transporte, o helicóptero, com a sua manobrabilidade miraculosa, capaz de resgatar as populações que se viam ameaçadas pela subida das águas, algumas delas em situações extremas. Várias dezenas de helicópteros - quase todo o parque então disponível na Europa - foram utilizados nas operações de salvamento, vindos de todo o lado, da Holanda, obviamente, mas também da Bélgica, do Reino Unido, de França e da Alemanha e até um importante contingente de helicópteros militares norte-americanos das forças então estacionadas na Alemanha.
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09 fevereiro 2017
UMA RAINHA TAMBÉM RI (e fuma)
A rainha é Juliana dos Países Baixos (1909-2004), por ocasião de um espectáculo comemorativo das bodas de prata da sua ascensão ao trono. A fotografia datará portanto de 1973/74 e é da autoria de Steven Breukel. Além de visivelmente conquistada pelo que se passaria no palco, a rainha segura um cigarro, num instantâneo descontraído que certa modernidade tornaria certamente condenável. Ao contrário do que acontece noutras monarquias, a tradição neerlandesa é para que o monarca abdique a partir de uma certa idade. Foi o que aconteceu com Juliana que, passado meia dúzia de anos, abdicou (no dia do seu 71º aniversário) em favor da filha Beatriz, muito embora tivesse vindo a morrer já nonagenária, em 2004.
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12 julho 2016
ATÉ NO PAÍS DO SENHOR DIJSSELBLOEM
Compilar notícias com o mesmo tema pode dar nisto: a mesma «Holanda que será "severamente" afectada se o Reino Unido deixar a União Europeia» parece possuir uma parcela apreciável de cidadãos que, um mês depois e mesmo com a consumação da saída do Reino Unido da União, se estarão marimbando para a afectação severa. Ou será mais outro episódio de milhões acometidos de outra estupidez abissal?
A Holanda da notícia inicial do texto incluso mais acima, mais os 10 mil milhões de «eventuais perdas comerciais» que ali lemos anunciadas, não incluirão porventura as perdas perspectivadas pelos 48% de holandeses da notícia imediatamente abaixo que querem sair também da União? Ou será que tudo isto não passa de uma mesma história, que tem um desfecho previsível: pôr-nos sempre a pensar de uma determinada maneira?
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22 abril 2016
AGORA A TROCA DA FOTO DE JEROEN DIJSSELBLOEM, MINISTRO DAS FINANÇAS HOLANDÊS
Se até os holandeses que estavam incumbidos disso não sabem identificar o ministro das Finanças português, em contrapartida há muitos portugueses que, não tendo obrigação alguma disso, conseguem identificar bem demais o ministro das Finanças holandês. Tanto que me imaginei a retribuir a cortesia agora praticada e ilustrar a ficha do governante holandês - com fotografias criadas "para facilitar a identificação dos ministros antes da reunião do Eurogrupo" - apenas pela foto de um boneco. Reconhece-se logo, basta colocá-lo juntinho ao seu homólogo alemão.
Ou então, com uma montagem feita por outros que têm muito mais competências do que eu para o Photoshop:
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PRESIDÊNCIA HOLANDESA DA UNIÃO EUROPEIA TROCA FOTO DE CENTENO PELA DE JOSÉ GOMES FERREIRA
Se, como dizia o fado, Coimbra tem mais encanto na hora da despedida, estas gaffes também têm muito mais piada porque a Europa está pela hora da morte na ignorância demonstrada por cada país em relação aos seus parceiros. Mas também tem piada porque se instalou esta promiscuidade confusa entre quem informa, quem comenta, quem decide e quem usa os dois primeiros para pressionar os últimos. E, valha-lhe a imodéstia (abaixo), porque assim vale a pena repegar o episódio e continuar a zombar de José Gomes Ferreira lembrando que quase de certeza ele não se ficará por aqui e não perderá as esperanças de um dia destes ser confundido numa outra publicação com António Costa...
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20 julho 2015
DOS FRACOS NÃO REZA A HISTÓRIA
De entre os muitos milhares de protagonistas da Segunda Guerra Mundial, Dirk de Geer (1870-1960) contar-se-á por um dos mais modestos, apesar de ter sido o primeiro-ministro holandês entre Agosto de 1939 e Maio de 1940 em Haia e ainda por mais três meses e meio no exílio em Londres, até princípios de Setembro de 1940. Durante esse período – durante o qual se registou a invasão e ocupação alemã do seu país – sobraçou também as pastas das Finanças e do Interior. Contudo, para o desfecho que a Segunda Guerra Mundial e para a imagem que os Países Baixos pretendem transmitir para o Mundo da sua participação e do seu sofrimento durante ela, Dirk de Geer revelou-se o homem errado, no cargo errado, no momento errado. De Geer era um germanófilo. Passava as suas férias frequentemente na Alemanha e fê-lo ainda uma vez já depois da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Em verdade, mantendo as rotinas de sempre apesar da guerra, a sua atitude reflectia muito mais as expectativas do holandês médio: as de que o seu país escaparia às vicissitudes do conflito. A outra facção, minoritária entre a opinião pública, é que era a agourenta. Mas provou ter razão quando da invasão em Maio de 1940 e é sob o seu elan que é decidida a evacuação do governo e da família real para o Reino Unido. Porém, a convicção profunda do chefe do governo manteve-se: que a guerra nunca poderia ser vencida pelos seus novos anfitriões e defendendo por isso que se procedessem realisticamente a negociações com a Alemanha para que se arranjasse um novo modo de vida com o vencedor. Sob pressão britânica, houve uma remodelação ministerial, e o primeiro-ministro de Geer foi substituído à frente do executivo no exílio por Pieter Gerbrandy (1885-1961), que permaneceu nessas funções até depois do fim da guerra (1940-45).
Restava saber o que fazer com de Geer, que andava a pensar novamente em tirar férias – embora, devido às novas circunstâncias, pensasse agora na Suíça neutral como destino... Seguindo um exemplo que vingara com o antigo rei Eduardo VIII¹, ofereceu-se-lhe um cargo administrativo prestigiado na maior colónia holandesa, a das Índias Orientais, actual Indonésia. De Geer fingiu aceitar mas, ao chegar a Lisboa, primeira escala neutral do périplo para o levar para o outro lado do Mundo, entrou em contacto com os alemães que o autorizaram a regressar aos Países Baixos. Esta deserção daquele que fora até há pouco o chefe do governo holandês foi um tremendo golpe de propaganda para a causa germanófila nos Países Baixos, complementado ainda com a publicação de um panfleto da autoria do regressado com instruções quanto à melhor maneira de colaborar com os ocupantes. As suas convicções tê-lo-ão feito alinhar com o lado errado da História e de Geer veio a ser julgado e condenado por traição em 1947, condenado a um ano de prisão mais três anos de pena suspensa, uma pena assaz benigna quando comparada com as aplicadas a chefes de governo colaboracionistas de outros países: Pierre Laval (1883-1945) em França ou Vidkun Quisling (1887-1945) na Noruega foram fuzilados, Georgios Tsolakoglou (1886-1948) na Grécia viu a sua condenação à morte comutada em prisão perpétua. Dirk de Geer morreu em 1960, em vésperas de se tornar nonagenário, amargurado pela injustiça que considerava que lhe haviam feito e no meio de uma discrição tácita que conquistara a sociedade holandesa quanto aos comportamentos desviantes durante o quinquénio da ocupação alemã. Só mais recentemente – os dois livros acima são de 2012 e 2014 – o tema, de Geer em particular, tem voltado a ser falado.
¹ Conotado de simpatias para com o nazismo e arremessado pelas operações militares para Lisboa, onde se encontrava desde Julho de 1940, decidiu-se em Londres enviar o Duque de Windsor directamente daqui para as Bahamas, para se tornar no governador daquele arquipélago das Antilhas que o próprio qualificou como uma colónia de terceira classe. Ali permaneceu até quase ao fim da guerra (1940-45).
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18 julho 2015
BATALHA DE INGLATERRA – as nacionalidades dos que a travaram do lado britânico
Acho muito interessante este quadro, recentemente publicado a propósito da celebração das bodas de diamante da Batalha de Inglaterra, enumerando as nacionalidades das tripulações que nela tomaram parte, numa forma indirecta de mensurar - e homenagear - os apoios com que o Reino Unido contou durante o seu período mais frágil da Segunda Guerra Mundial. Assim, dos quase 3.000 membros das tripulações, 80% eram de origem britânica e uns adicionais 10% pertenciam à sua diáspora (neozelandeses, canadianos, australianos, sul-africanos e rodesianos, alguns vindos das Antilhas, dúzia e meia chegados dos Estados Unidos e da Irlanda neutrais). Outro contingente igualmente significativo (9%) vinha dos países da Europa continental que haviam sido entretanto ocupados pelos exércitos alemães: polacos, checos e eslovacos, belgas ou franceses.
Contudo, tão interessante quanto as nacionalidades que constam do quadro, são as que lá não constam, caso mais óbvio dos holandeses, que se haviam acabado de render aos alemães em Maio de 1940, dois meses antes da Batalha se iniciar. Nessa ocasião, a rainha Guilhermina e o governo holandês haviam partido para o exílio em Inglaterra e intriga descobrir com este quadro que, passados dois meses, não houvesse tripulações holandesas que os tivessem seguido no exílio (afinal, os aeródromos britânicos estavam a 300 km – menos de uma hora de voo – dos dos Países Baixos) e disponíveis para se reengajar no combate.
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06 julho 2015
O COLABORACIONISMO – DISCRETO – DOS HOLANDESES PARA A «NEUROPA»
Como aconteceu em todos os países europeus, também os Países-Baixos tiveram os seus movimentos de extrema-direita fascista, emergentes ao longo da década de 1930. Já aqui num poste anterior havia feito menção à Aliança para a Reconstrução Nacional (no original Verbond voor Nationaal Herstel – VNH) do general Snijders, mas o mais bem sucedido desses partidos foi, sem dúvida, o Movimento Nacional-Socialista (Nationaal-Socialistische Beweging – NSB), criado em 1931, cujo estilo e ideologia se ia inspirar mais directamente nos nacionais-socialistas da vizinha Alemanha. O equivalente local ao Führer chamava-se Anton Mussert (1894-1946). Nas únicas eleições livres...
...a que concorreu em 1937, o NSB recebeu 170.000 votos, correspondente a 4% da votação, num país onde há tradicionalmente uma proliferação de formações políticas com representação parlamentar (10 nesse ano). Mas o NSB distinguia-se dos demais por ser um partido militante, pois quase um terço dos votos recebidos (cerca de 50.000) era de militantes na organização. O NSB perdeu militância nos anos que imediatamente se seguiram até à invasão e ocupação alemã de Maio de 1940, quando passou a ser o único partido autorizado. O número de militantes cresceu até aos 100.000 durante a Guerra, o que correspondia a um em cada 30 adultos masculinos de um país...
...que contava então com 8,9 milhões de habitantes, e uma façanha que envergonhava em militância a União Nacional de Salazar num Portugal que tinha então 7,7 milhões... Estes números demonstram assim quanto o colaboracionismo – talvez também o oportunismo... – foi vasto entre os holandeses, numa proporção dificilmente reproduzida noutros países da Europa ocidental. Porém, e aí reside o sucesso da discrição dos holandeses, quando se faz o balanço daqueles anos, o exemplo maior do colaboracionista que trai a pátria é o do norueguês Vidkun Quisling, os melhores exemplos dos grandes julgamentos e execuções de colaboracionistas são os da França de Vichy...
...e aquilo que sabemos sobre os Países Baixos sob ocupação aparece dominado por episódios de resistência e pelo Diário de Anne Frank... Surpreendente, pois enquanto os franceses se censuram por ter permitido o extermínio de 30% da sua comunidade judaica de antes da Guerra, os holandeses descontraidamente ultrapassam o trauma de ter permitido que o mesmo tivesse acontecido a 60% da sua. Como se constata, o nível de colaboracionismo nos Países Baixos foi muito superior ao da esmagadora maioria dos outros países da Europa Ocidental, a habilidade está em ter sabido gerir a imagem histórica depois disso.
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04 julho 2015
UMA HISTÓRIA – TAMBÉM DISCRETA – COM GENERAIS HOLANDESES
Ainda a pretexto da discrição intrínseca dos holandeses e para quem
conheça a história do nascimento dos Países Baixos, a partir do último terço do
Século XVI (1568), sabe que as Províncias Unidas se revoltaram originalmente
contra a dominação dos Habsburgos, sob a égide de um príncipe francês,
Guilherme de Orange (1533-1584). Mas o inimigo principal dos Países Baixos durante
os três séculos que se seguiram foi a França e a sua ambição assumida – sob Luís XIV,
sob a República e o Império – de se expandir para Norte, anexando-os. Será por isso compreensível que
essa fosse a cultura militar prevalecente no país em 1914, quando do início da Grande
Guerra.
Os Países Baixos eram neutrais mas o Comandante-Chefe holandês, o
relativamente discreto Cornelis Snijders (1852-1939 – tão discreto que a única página que existe a seu respeito na Wikipedia é a holandesa), não escondia as suas simpatias
pró-alemãs. Dessa vez, porque a Alemanha só invadiu a Bélgica, as simpatias daquele
general revelaram-se úteis: as relações militares entre os alemães, que ocuparam
o Norte da Bélgica, e os holandeses foram sempre excelentes entre 1914 e 1918,
embora Snijders tivesse vindo a ficar conotado politicamente por causa disso. Em
1918, quando a maré da guerra se tornara nítida, houve quem, no gabinete
holandês, tivesse pedido a sua demissão – recusada pela rainha Guilhermina.
Em 1933, já reformado, voltamos a encontrar um venerando Snijders de 80 anos a
encabeçar uma pequena formação política entre o conservador e o fascista, a
Aliança para a Reconstrução Nacional, tendo inclusive a sido eleito para o
parlamento. Quando da eclosão da Segunda Guerra Mundial parecia que a cena se
repetiria, só que o posto de Comandante-Chefe era agora ocupado pelo general Izaäk Reijnders (1879-1966). Mas os tempos tinham evoluído, o comportamento da
Alemanha de Hitler era mais imprevisível e as certezas que os Países Baixos se poderiam
manter à parte do conflito que se iniciava em Setembro de 1939 seriam bastante
menores.
A versão que se pode ler na Wikipedia é que Reijnders entrou num
conflito técnico quanto à melhor forma de estabelecer um perímetro defensivo
para o país e que por isso foi afastado pelo ministro da Defesa, Adriaan Dijxhoorn
(1889-1953) em Fevereiro de 1940. Os holandeses são excelentes a tornarem
credíveis estas explicações. O sucessor de Reijnders Henri Winkelman
(1876-1952), mais antigo que o antecessor, já havia até passado à reserva, mas
veio a revelar-se muito mais flexível para o estabelecimento de planos de
contingência de cooperação com os exércitos dos Aliados (belgas, britânicos e
franceses) na eventualidade de uma invasão alemã – que veio de facto a ocorrer
em 10 de Maio de 1940.
Os planos de nada valeram, a colaboração franco-holandesa para a
reconquista das pontes sobre o Moerdjik em 11 de Maio, assegurando a ligação entre
ambos, fracassou e Winkelman veio a render-se quatro dias depois. Mas ao menos
pode dizer-se que, com a inflexão assumida por Winkelman, os Países Baixos não haviam
sido ingenuamente apanhados numa situação militar que não queriam acreditar que
acontecesse (como foi o caso da Dinamarca). Mas se conto isto tudo é porque,
quando vejo as atitudes pelo ministro das Finanças holandês Jeroen Dijsselbloem
(1966- - os generais agora já não mandam nada...),
pergunto-me se ele conhecerá estes precedentes e com eles, manterá a preocupação de não
engajar demasiado o seu país numa estratégia que não será a do próprios...
De cima para baixo, Guilherme de Orange, Cornelis Snijders, Izaäk Reijnders,
Adriaan Dijxhoorn, Henri Winkelman e Jeroen Dijsselbloem.
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