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02 fevereiro 2011

O PÁSSARO

No Domingo das eleições presidenciais, ouvi a Rui Rio, comentador convidado da RTP, vários comentários sobranceiros para com aqueles que haviam escolhido exprimir o seu protesto no acto eleitoral, abstendo-se, anulando o voto, votando em branco ou votando em José Manuel Coelho… Perante tal sobranceria, apeteceu-me fazer-lhe uma pergunta (naturalmente virtual): se nunca se vira numa situação em que também se tivesse sentido compelido a exprimir o seu protesto? É que, se nunca aconteceu, devia ter acontecido…
Ainda não me cansei de recordar uma certa noite de Junho de 2004, em que os mais de 100 conselheiros nacionais do PSD de então (entre eles, Rui Rio…) indicou, por uma unanimidade norte-coreana, o nome de Pedro Santana Lopes para Primeiro-Ministro. E se Rui Rio não protestou então, devia ter protestado… Felizmente o indicado não se deixa esquecer e ainda recentemente escreveu um poste intitulado Os Pássaros, onde analisa a actual situação no Egipto, com a superficialidade anedótica de uma loura burra

05 agosto 2009

MELHOR QUE NA GUINÉ-BISSAU É POUCO

A notícia até tem um título anódino (Juntas com Providência Cautelar) e aparece na discreta página 11 do Diário de Notícias de hoje. Mas é poderosa nas suas implicações: cinco juntas de freguesia de Vila Nova de Gaia entregaram no Tribunal Administrativo do Porto uma providência cautelar exigindo à respectiva Câmara o pagamento das verbas protocoladas. Por outras palavras, a autarquia presidida por Luís Filipe Menezes, que já se tornou uma das mais endividadas à escala nacional, já anda a pregar os seus calotes (…de acordo com a palavra - não cumprida - do Dr. Menezes, escreve-se no Diário de Notícias) mesmo quanto aos seus compromissos institucionais.

É daquelas notícias que dá arrepios à posteriori. O homem – Menezes – ainda há uns tempos era líder do PSD e pretendia passar por candidato a primeiro-ministro de Portugal... Isto que está a ocorrer em Gaia são daquelas manifestações de um Estado que parece estar a desmoronar-se, que já não consegue assumir os seus compromissos essenciais, que pode até correr o risco de não pagar a alguns dos seus funcionários – como se assiste frequentemente em África. E creio que um país como a Guiné-Bissau não é referência em lado nenhum do mundo… Há quem no passado pelos vistos tenha percebido o problema, que não a solução...

Mas ambicionar que se seja melhor que a Guiné-Bissau - com Manuela Ferreira Leite – também não me parece ser um grande padrão de exigência… Enquanto esta última anunciou a sua lista de candidatos a deputados para as próximas eleições, continuam a aparecer lá aqueles nomes (o caso mais visivel é o de José Luís Arnaut que encabeça a lista por Viseu…) que no Verão de 2004 achavam que Pedro Santana Lopes era a melhor solução para dirigir o nosso país depois da deserção de Durão Barroso para Bruxelas… Esse e esses não esqueço e não perdoo...

18 abril 2008

O CORTEJO DOS PENITENTES


Nesta ocasião em que o PSD entra em mais uma crise e a comunicação social entra, por sua vez, num frenesim à procura de militantes eminentes que digam qualquer coisa, o meu humilde contributo para o debate interno do partido é a recolocação neste blogue da lista dos membros do Conselho Nacional do PSD que, em inícios de Julho de 2004, sustentaram, por uma maioria esmagadora que o seu companheiro Pedro Santana Lopes tinha o perfil adequado para dirigir o governo português…
Faltam na lista abaixo apenas uma dúzia de nomes dos membros inerentes dos Açores e Madeira, mas o que mais chocou na decisão foi o carácter norte-coreano da aprovação, num partido de poder que tinha a reputação de ter válvulas de segurança quanto a disparates – e as válvulas de segurança não foram a conselheira Manuela Ferreira Leite, que não foi à reunião, o conselheiro Miguel Veiga, que se absteve na votação, ou o militante José Pacheco Pereira, que fez e faz mais barulho nos média do que quinze distritais do partido todas juntas…
Seria excessivo pedir aos ex-conselheiros que se flagelassem como os peregrinos do cortejo da fotografia abaixo, mas enquanto no PSD os militantes em geral e aqueles destacados militantes em particular, não se penitenciarem do que ali aconteceu e do que aconteceu a partir dali, o PS tem uma enorme latitude para poder governar com o descontentamento dos portugueses, antes de que os eleitores considerem substituí-lo por uma organização que elege – quase por unanimidade! – não importa quem, desde que se preserve no poder...
O tempo pode fazer esquecer e dispensar a penitência mas, como diria La Palisse, isso leva mais tempo... Quando ouvirem um notável sugiro que confiram se ele não faz parte da lista infra. Eis os nomes, com a música que se impõe (a do vídeo acima):

1. Manuela Dias Ferreira Leite (Ausente)
2. Miguel Veiga (Abstenção)
3. Bruno Vitorino
4. António D´ Orey Capucho
5. Jorge Roque da Cunha
6. José Tavares Moreira
7. Jaime Filipe Gil Ramos
8. António Pinto Leite
9. Pedro Miguel Azeredo Duarte
10. Pedro Lynce de Faria
11. Isaltino Morais
12. José Alberto Pereira Coelho
13. António Silva Preto
14. Fernando Gomes Pereira
15. Jorge Costa
16. Manuel Antero Cunha Pinto
17. Gonçalo Dinis Q S Capitão
18. Fernando Armindo A da Costa
19. Mário Nelson Simões
20. Miguel José Luís de Sousa
21. Berta Maria C A Melo Cabral
22. Américo Brito Vitorino
23. Paulo César Lima Cavaleiro
24. Paulo Pereira Coelho
25. José de Almeida Cesário
26. Victor Pereira Gonçalves
27. José Guilherme Aguiar
28. Hugo Oliveira
29. Hermínio Loureiro
30. Pedro Filipe Santos Alves
31. Álvaro Amorim Sousa Carneiro
32. Paulo Jorge de Lemos Amaral
33. Firmino Pereira
34. Manuel Cardoso de Nápoles
35. Marco de Almeida
36. João Moura
37. José António Sousa Silva
38. António Prôa
39. Ana Manso
40. Zita Maria Fernandes Terroso
41. Pedro Luís Caldeira Santos
42. Lídio Lopes
43. Paulo J Piedade Alentejano
44. Vasco Cunha
45. Maria das Mercês Borges
46. João Grave
47. Luís Miguel Pereira Almeida
48. Joel Miranda Fernandes de Sá
49. Francisco Covelinhas Lopes
50. Francisco Baptista Tavares
51. César Nuno da Costa Teixeira
52. António Martins
53. Pedro Miguel Alves C Braga
54. José Inácio Marques Eduardo
55. Ângelo Cipriano C F Pereira
56. José Manuel Durão Barroso
57. Pedro Miguel Santana Lopes
58. Rui Fernando da Silva Rio
59. Nuno Morais Sarmento
60. José Luís Arnaut
61. Maria Helena Lopes da Costa
63. José de Matos Correia
64. Miguel Miranda Relvas
65. Adriana Aguiar Branco
66. Eduarda Maria Gomes Marques
67. Henrique Chaves
68. Maria Isabel F Silva Soares
69. João Eduardo G Moura de Sá
70. José A Ribau Esteves
71. José Eduardo R M Martins
72. Marina Egrejas Leitão Amaro
73. Nuno Miguel Freitas
74. Telmo Daniel Faria
75. Carlos Encarnação
76. António Maria Pereira
77. Henrique Rocha de Freitas
78. Paulo César Fernandes Colaço
79. Feliciano José B Duarte
80. Filipa Guadalupe Fragata
81. Manuel Frexes
82. António Costa Rodrigues
83. Joaquim Coimbra
84. Manuel Dias Loureiro
85. Fernando Carvalho Ruas
86. Fernando Reis
87. Jaime Carlos Marta Soares
88. Maria Natália Carrascalão
89. José Luís Ribeiro dos Santos

08 outubro 2006

O PECADO ORIGINAL

Eu até compreendo e desejo que dirigentes como Luís Marques Mendes e militantes como José Pacheco Pereira procurem fazer, cada um à sua maneira, a melhor oposição que lhes é possível ao poder crescente que José Sócrates e o seu grupo parecem estar a desenvolver sobre a sociedade portuguesa. É condição indispensável para a sanidade democrática de um regime a existência de um grande partido de oposição atento.

No entanto, os partidos – como todas as organizações – atravessam momentos cruciais na sua existência. Um dos do PSD aconteceu em Julho de 2004, quando decidiu numa votação quase unânime, entre mais de uma centena dos seus conselheiros nacionais, que Pedro Santana Lopes seria o seu militante mais indicado para ocupar o cargo de primeiro-ministro, decisão que pôde depois ser apreciada pelos portugueses nos meses seguintes...

Se considero justo que o PSD esteja a pagar colectivamente o preço do seu erro político crasso, surpreende-me a desenvoltura com que os militantes que votaram aquela decisão pretendem passar agora desapercebidos no meio da multidão, como se a responsabilidade colectiva do órgão a que pertenciam não resultasse do somatório das suas responsabilidades individuais quando tiveram que votar a moção.

A ideia ocorre-me quando assisto a imagens da posse de presidente da liga de Hermínio Loureiro (o número 29 da lista parcial dos membros do Conselho Nacional do PSD em Julho de 2004 que consta no fim deste post), às diatribes de Alberto João Jardim contra Teixeira dos Santos (aquele não consta da lista mas fazia parte do órgão por inerência) ou aos problemas de Fernando Ruas (o número 85), quando defende a causa das finanças dos municípios.

Julgo não estar na filosofia do PSD, nem creio que seja solução, que Marques Mendes proceda a uma purga dentro do partido, ao bom velho estilo comunista. Mas seria salutar que militantes em destaque, como Rui Rio ou Carlos Encarnação (e há muitos mais nomes conhecidos naquela lista…), nos explicassem o que lhes aconteceu na altura da votação: não sabiam que Pedro Santana Lopes era como era, fizeram figas e esperaram que tudo corresse pelo melhor ou faltou-lhes coragem para votar em consciência?

Enquanto não houver respostas ou enquanto houver memória daquele episódio bem pode Marques Mendes esforçar-se a afixar letreiros com a palavra Credibilidade por todos os locais dos palcos dos sítios onde se realizam Congressos do PSD, que não é assim que a consegue recuperar… É caso para, dentro do PSD, se parafrasear Baptista Bastos: É pá, onde é que tu estavas…?

LISTA PARCIAL* DOS MEMBROS DO CONSELHO NACIONAL DO PSD EM JULHO DE 2004
1. Manuela Dias Ferreira Leite (Ausente)
2. Miguel Veiga (Abstenção)
3. Bruno Vitorino
4. António D´ Orey Capucho
5. Jorge Roque da Cunha
6. José Tavares Moreira
7. Jaime Filipe Gil Ramos
8. António Pinto Leite
9. Pedro Miguel Azeredo Duarte
10. Pedro Lynce de Faria
11. Isaltino Morais
12. José Alberto Pereira Coelho
13. António Silva Preto
14. Fernando Gomes Pereira
15. Jorge Costa
16. Manuel Antero Cunha Pinto
17. Gonçalo Dinis Q S Capitão
18. Fernando Armindo A da Costa
19. Mário Nelson Simões
20. Miguel José Luís de Sousa
21. Berta Maria C A Melo Cabral
22. Américo Brito Vitorino
23. Paulo César Lima Cavaleiro
24. Paulo Pereira Coelho
25. José de Almeida Cesário
26. Victor Pereira Gonçalves
27. José Guilherme Aguiar
28. Hugo Oliveira
29. Hermínio Loureiro
30. Pedro Filipe Santos Alves
31. Álvaro Amorim Sousa Carneiro
32. Paulo Jorge de Lemos Amaral
33. Firmino Pereira
34. Manuel Cardoso de Nápoles
35. Marco de Almeida
36. João Moura
37. José António Sousa Silva
38. António Prôa
39. Ana Manso
40. Zita Maria Fernandes Terroso
41. Pedro Luís Caldeira Santos
42. Lídio Lopes
43. Paulo J Piedade Alentejano
44. Vasco Cunha
45. Maria das Mercês Borges
46. João Grave
47. Luís Miguel Pereira Almeida
48. Joel Miranda Fernandes de Sá
49. Francisco Covelinhas Lopes
50. Francisco Baptista Tavares
51. César Nuno da Costa Teixeira
52. António Martins
53. Pedro Miguel Alves C Braga
54. José Inácio Marques Eduardo
55. Ângelo Cipriano C F Pereira
56. José Manuel Durão Barroso
57. Pedro Miguel Santana Lopes
58. Rui Fernando da Silva Rio
59. Nuno Morais Sarmento
60. José Luís Arnaut
61. Maria Helena Lopes da Costa
63. José de Matos Correia
64. Miguel Miranda Relvas
65. Adriana Aguiar Branco
66. Eduarda Maria Gomes Marques
67. Henrique Chaves
68. Maria Isabel F Silva Soares
69. João Eduardo G Moura de Sá
70. José A Ribau Esteves
71. José Eduardo R M Martins
72. Marina Egrejas Leitão Amaro
73. Nuno Miguel Freitas
74. Telmo Daniel Faria
75. Carlos Encarnação
76. António Maria Pereira
77. Henrique Rocha de Freitas
78. Paulo César Fernandes Colaço
79. Feliciano José B Duarte
80. Filipa Guadalupe Fragata
81. Manuel Frexes
82. António Costa Rodrigues
83. Joaquim Coimbra
84. Manuel Dias Loureiro
85. Fernando Carvalho Ruas
86. Fernando Reis
87. Jaime Carlos Marta Soares
88. Maria Natália Carrascalão
89. José Luís Ribeiro dos Santos

* Não consegui encontrar no site do PSD as listas dos nomes de quem faria parte do CN por inerência. Qualquer informação que ajude a completar esta lista será muito bem vinda.

27 março 2006

OS MAUS E OS PÉSSIMOS

Há um filme de Ettore Scola de 1976, totalmente deprimente e que começa logo a deprimir o espectador pelo título: Brutti, sporchi e cattivi (traduzido para português como Feios, porcos e maus). Não me surpreenderia de que houvesse quem acabasse de o ver e ficasse com uma vontade subconsciente de tomar banho.

Aqueles três adjectivos alinhados podem ser condensados para dois e aplicados aos nossos dois principais partidos políticos. Ontem e anteontem, a propósito das eleições internas falei dos maus, os que agora estão no governo. Convém relembrar que os maus estão no governo, porque os outros são péssimos.

Regressando ao fenómeno Santana Lopes, não podemos considerar que ele seja como uma espécie de meteorito que aterrou na terra. Embora ele tenha falado de escrituras nas estrelas, é bom saber que essa metáfora se fica por aí – pela astrologia.

Muito se tem criticado – na minha opinião, com toda a razão – as atitudes do Zé Manel Barroso e do presidente que chora, Sampaio. O primeiro por ter dado de frosques, ao arrepio dos seus compromissos eleitorais* e sabendo quem iria cá deixar a tomar conta da loja, o segundo por se ter deixado enrolar na manobra ainda alardeando o prestígio para o país de tal nomeação**.

Só que, no intervalo, a questão foi levada partidariamente ao órgão mais qualificado do PSD entre congressos, o seu conselho nacional que tem cerca de uma centena de membros. Relembre-se que, em teoria, a vantagem da existência de órgãos colectivos é a da multiplicação de opiniões que fomentam o debate.

Pelos vistos no PSD o colectivo é muito compacto, pois as votações dos conselhos nacionais foram sempre de maiorias soviéticas em prol da nomeação e da actuação de Pedro Santana Lopes enquanto ele andou por ali.

Houve tempos em que o PSD teve fama de ser um partido de barões com… uma parte mais solta da anatomia masculina que até rima com barões. Estes notáveis modernos do PSD são mais do tipo eunuco. E os eunucos sempre se deram mal com o poder democrático.

Marques Mendes até se pode esforçar por arranjar palavras de estímulo. Ele até goza do privilégio de, notoriamente, ter os seus no sítio por ter sido um dos raros que não apoiou a “solução” Santana Lopes.

Mas todo o resto da equipa de notáveis à sua retaguarda aparece queimada pela suspeita. Parafraseando Baptista Bastos: onde é que eles estavam quando foi a votação para a nomeação de Pedro Santana Lopes?

*Foi a razão invocada pelo primeiro-ministro belga, convidado antes de Durão Barroso.
** Se o prestígio do país de origem é assim tão significativo, convida-se o leitor a descobrir, de memória, qual a nacionalidade do actual secretário-geral da ONU, Kofi Annam… A caixa de comentários está aberta.