Dia 30 de Junho. De 1939 e de 1969. Nas notícias do primeiro desses dias, noticiava-se o terrorismo na Palestina. Só que as vítimas dos atentados eram árabes e os seus autores israelitas. E era sobre estes que a repressão incidia (a autoridade tutelar da Palestina era o Reino Unido). Nas notícias do segundo desses dias, os britânicos mostravam-se ansiosos por entrar para a Comunidade Económica Europeia; esperavam que a recente eleição de Georges Pompidou provocasse uma inflexão da atitude francesa que, com Charles de Gaulle, já por duas vezes vetara a admissão do Reino Unido. Que estas duas notícias são o oposto do que se passa na actualidade não restam dúvidas, mas, a tratar-se do Mundo do avesso, com israelitas a aterrorizar árabes com bombas e a serem presos, e britânicos a exercerem todas as pressões possíveis para se juntarem à Europa, qual é o avesso, qual é o direito?
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30 junho 2019
O MUNDO DO AVESSO?
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25 fevereiro 2019
O MASSACRE DO TÚMULO DOS PATRIARCAS
25 de Fevereiro de 1994. Dá-se o Massacre do Túmulo dos Patriarcas na mesquita Ibrahim da cidade de Hébron, na Cisjordânia. Um israelita de origem norte-americana de 37 anos chamado Baruch Goldstein, militante de uma organização da extrema-direita religiosa entrou armado e amplamente municiado na mesquita à hora da oração (estava-se no 14º dia do Ramadão) e desatou a disparar sobre os fiéis. O tiroteio só acabou quando o atirador foi desarmado e morto à pancada pelos sobreviventes. A contagem das vítimas varia conforme as fontes, mas o número de mortos imediatos foram 29 e os feridos ultrapassaram a centena. Seguiram-se dias de confrontação entre palestinianos e autoridades israelitas que causaram um adicional de vítimas, sensivelmente tantas quantas as do massacre original, mas o episódio foi um descalabro em termos da imagem que Israel desejava projectar internacionalmente de razoabilidade perante o extremismo radical e não contemporizador da causa palestiniana, da OLP e do Hamas. O próprio primeiro-ministro israelita de então, Yitzhak Rabin, condenou o atentado, mas tornara-se óbvia a existência de uma activa facção ultra-radical entre os judeus que se mostrava contrária ao estabelecimento de qualquer acordo de Paz com os árabes. No ano seguinte, um outro membro dessa facção iria assassinar o próprio Rabin. E, cinquenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o capital de simpatia granjeado a Ocidente por aquelas que haviam sido as maiores vítimas do nazismo, praticamente esgotara-se.
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22 janeiro 2019
O ASSASSINATO DO COMANDANTE OPERACIONAL DO SETEMBRO NEGRO
22 de Janeiro de 1979. Quem visse estas imagens recolhidas pela Associated Press no dia seguinte numa rua comercial de Beirute, com carros destruídos e edifícios danificados, jamais se poderia aperceber da importância do que ali acontecera. Ali Hassan Salameh (1940-1979) era o chefe de operações da organização palestiniana Setembro Negro cuja notoriedade mundial se produzira seis anos e meio antes (no Verão de 1972), ao patrocinar o sequestro em Munique da delegação israelita aos Jogos Olímpicos. A retaliação engendrada pelos israelitas sobre os autores do que veio a ser um massacre dos reféns, veio a ser popularizada pelo filme Munich de Steven Spielberg (2005). Mas nem mesmo esse filme exibe a operação retaliatória israelita de há quarenta anos contra Ali Salameh, aquele que terá sido o principal responsável operacional pelo que acontecera em Munique. A carrinha Chevrolet em que ele seguia naquela tarde (15:35) com os seguranças, passou mesmo ao lado de um Volkswagen carocha carregado com 100 kg de explosivos, que foram detonados à distância à sua passagem por um agente do Mossad. Quatro guarda-costas de Salameh e mais quatro transeuntes morreram na explosão. O visado ainda sobreviveu mas, apesar de transportado de imediato para um hospital, morreu meia hora depois enquanto estava a ser operado. Outras dezasseis pessoas ficaram feridas. A casualidade como os afectados parecem lidar com a situação no vídeo acima explica-se pelo facto de, desde há quatro anos, o Líbano viver uma destrutiva guerra civil em que tais incidentes eram comuns. O tempo veio demonstrar que Ali Hassan Salameh fora também um canal de comunicação entre a OLP e a CIA, e, por causa disso (mas não só...), especula-se que esse estatuto o terá levado a pensar que o colocaria razoavelmente a coberto das intenções vingativas dos israelitas. Enganou-se. Nas notícias do dia seguinte (abaixo), a OLP, numa raiva despeitada, proclamava que «decidira intensificar a luta contra Israel». E então?...
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02 outubro 2018
OUTRA CONQUISTA DE JERUSALÉM
2 de Outubro de 1187. Se a 15 de Julho deste ano se havia aqui assinalado a conquista de Jerusalém pelos cruzados em 1099 e em 11 de Dezembro passado o centenário da dos britânicos, é apenas proporcional assinalar no dia devido, mas agora do ano de 1187, a conquista da cidade pelos muçulmanos, comandados por Saladino. Todas estas conquistas tiveram a importância do seu tempo, assim como as actuais também deveriam ser equacionadas nessa mesma perspectiva, para que haja menos emoção e se possua um certo distanciamento sobre os factos: a supremacia europeia sobre a Palestina e o controlo de Jerusalém, local de peregrinação cristã, pelos cruzados, perdurou por 88 anos. E o Estado de Israel só ultrapassará essa duração a partir de 2036...
20 setembro 2018
O ATAQUE DOS HUSSARDOS A NAZARÉ
«Cerca das 05H30 da manhã de 20 de Setembro de 1918, os Hussardos de Gloucestershire, a guarda avançada da 13ª brigada da 5ª divisão de Cavalaria cavalgou os quilómetros finais da estrada de El Afule e reagrupou-se na crista dos montes que rodeavam Nazaré.
Cidade modernizada, com 15.000 habitantes, Nazaré localiza-se no fundo de um vale fértil de forma circular pontificado por olivais e searas. Os montes à volta erguem-se de forma tão abrupta que, à distância, as açoteias das casas parecem, em alguns locais, serem degraus de escadas. Fora Nazaré que o general Otto Liman von Sanders, o alemão que comandava os exércitos turcos na Palestina, escolhera para instalar o seu Quartel General.
À medida que o Sol subia nos céus aquecendo o dia, os hussardos a cavalo trotaram aceleradamente para o centro da cidade, onde acabaram por chegar às 06H30, à procura de von Sanders, com a esperança de o capturar. O inimigo, ainda adormecido, nem os suspeitava ali, e foi completamente apanhado de surpresa.
Os cavaleiros tinham permanecido em sela, durante as últimas 24 horas, descontando os períodos de repouso e dar de beber aos animais. Mas a oportunidade que se lhes apresentava era suficientemente boa para lhes mobilizar as últimas forças.
Apesar da vantagem da surpresa, o combate de rua que se iria desenrolar não costuma ser vantajoso para as tropas montadas. Mas os homens de Gloucester estavam equipados com espadas para além das versões curtas de cavalaria da espingarda Lee-Enfield, arma de outras épocas mas que, tanto eles quanto a cavalaria australiana, haviam copiado dos lanceiros indianos quando os viram a usá-las.
Os serventes das metralhadoras dispostas nas varandas e açoteias começaram a abrir fogo enquanto os soldados turcos e alemães oriundos, na sua grande maioria, das unidades de retaguarda e de serviços, acordavam com os tiros e ripostavam com o armamento que tinham à mão a partir das janelas. O combate rapidamente se tornou uma confusão, sem uma frente definida.
Soldados que estavam aboletados no Mosteiro Latino (5) rapidamente se começaram a render e por toda a cidade os assaltantes iam reunindo os prisioneiros, muitos deles ainda de pijama.
Mais acima, a rua principal de Nazaré estava engarrafada com uma coluna de camiões alemães (2) cujos condutores queriam desesperadamente inverter a marcha para fugirem pelo saída do Norte, que os britânicos ainda não haviam selado.
Os homens de Gloucester esquadrinhavam a cidade à procura de von Sanders, mas sem se aperceberem que Casa Nuovo (1), um antigo hospício, era o seu Quartel General. Mal o ataque começara, o general Sanders, apesar de estar ainda em pijama, fugira no seu carro rua acima, passando pela mesquita (3), para apanhar a estrada de montanha que o conduzisse para Tiberíades (4).
Cerca das 08H30, outras unidades da 13ª brigada juntaram-se aos hussardos. Mas o cansaço e a falta de efectivos fez com que os atacantes não dispusessem dos meios necessários para controlar a cidade e guardar simultaneamente os 1.500 prisioneiros que fizera. A meio da manhã, retiraram, levando os prisioneiros consigo.
Haviam apreendido variadíssimos documentos importantes mas havia-lhes escapado a importância de Casa Nuovo. Documentação muito mais importante veio posteriormente a ser recuperada e queimada pelos turcos.
A acção custara 13 baixas aos Hussardos de Gloucestershire e 28 cavalos haviam sido abatidos. Uma outra unidade da brigada reocupou a cidade, dessa vez permanentemente, no dia seguinte.»
O número quase insignificante de baixas britânicas (13), ainda para mais incorridas num Teatro de Operações periférico (a Frente da Palestina), mostra-nos a pequeníssima importância que terá tido esta acção no contexto global da Primeira Guerra Mundial. A importância em a publicitar deve-se ao facto de ter tido por protagonista uma unidade de cavalaria. Em Setembro de 1918, a Primeira Guerra Mundial já contava quatro anos, mas as características da guerra de trincheiras haviam feito que a arma de cavalaria tivesse praticamente desaparecido dos relatos de guerra. Como forma de compensação, e porque o comandante britânico, o general Edmund Allenby, era um cavaleiro, qualquer acção em que a utilidade da cavalaria pudesse ser invocada (neste caso era a superior mobilidade das tropas montadas que haviam permitido surpreender o inimigo), era saudada com a exuberância desmesurada que a descrição acima mostra. Na verdade, a cavalo e antes da motorização, o ritmo da guerra processava-se ainda a um ritmo que hoje nos faria sorrir: o general von Sanders fugiu para uma povoação que ficava a uns meros 30 km de Nazaré. E considerava-se em segurança aí...
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13 setembro 2018
SÓ ACREDITA QUEM QUISER
Hoje cumprem-se precisamente 25 anos destes tão efusivos cumprimentos. A relutância de Rabin em cumprimentar Arafat, mais do que evidente, chegou a ser grosseira de tão ostensiva. Mas Rabin é que tinha razão: a questão israelo-palestiniana mantem-se substancialmente na mesma. Assim como o ditado popular diz que uma andorinha não faz a primavera, também na diplomacia um tratado laboriosamente trabalhado e uma cena bem coreografada não são garantia de qualquer desfecho feliz.
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15 julho 2018
A CONQUISTA DE JERUSALÉM
15 de Julho de 1099. Conquista de Jerusalém pelos cruzados. Foi há 919 anos mas ainda ontem se assinou mais um cessar-fogo na região, embora não tenha a certeza que o problema seja ainda o mesmo...
11 dezembro 2017
A RECONQUISTA DE JERUSALÉM
11 de Dezembro de 1917. Os otomanos haviam evacuado a cidade nos dias precedentes mas este foi o dia consagrado para assinalar a entrada dos Aliados em Jerusalém. A fotografia acima é o resultado da coreografia concebida pelos britânicos para a ocasião: no momento, pouco passará do meio-dia e o general Edmund Allenby (1861-1936), entra a pé pelo portão de Jaffa por deferência para com a santidade do local. Está acompanhado de um leque reduzido e escolhido do seu staff, onde se contam também os oficiais de ligação dos aliados francês, italiano e norte-americano, conforme se pode observar, aliás, no vídeo abaixo (os britânicos não se terão poupado a meios para cobrir a cerimónia). Seguiu-se um desfile participado por unidades constituídas na Inglaterra, Escócia, Irlanda, Gales, Austrália, Nova Zelândia, Índia, França e Itália. Mais do que a conclusão de uma operação militar, tratou-se de uma épica operação de relações públicas da Grã Bretanha, 730 anos depois da expulsão dos cruzados da cidade santa por Saladino. Em 1917 Jerusalém era uma cidade de 70.000 habitantes com uma maioria judaica um pouco inferior a ⅔ da população (45.000 judeus, 15.000 cristãos e 10.000 muçulmanos). Curiosamente, apesar de nestes 100 anos a população de Jerusalém se ter multiplicado por 12 e de também se ter tornado a capital de Israel, a proporção de judeus que a habitam continua a ser sensivelmente a mesma...
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05 setembro 2017
O MASSACRE DE MUNIQUE
5 de Setembro de 1972. Um grupo de oito comandos palestinianos assaltou a aldeia olímpica e faz nove reféns entre os membros da delegação israelita presente nos jogos. Dois israelitas foram mortos ainda na fase de se defenderam dos atacantes. Vai ser uma história com um final fatal: todos os reféns e cinco dos terroristas vão morrer no dia seguinte, na sequência de uma muito medíocre operação de resgate. A reconstituição do assalto ao complexo desportivo que veio a ser feita pelo filme Munich (2005) adiciona o pormenor prosaico dos assaltantes terem recebido o auxílio cúmplice de alguns atletas norte-americanos transviados, simbolicamente generosos mas alheios a questões que não lhes dissessem directamente respeito. E como o resto do Mundo, também ingénuos quanto à preservação da tradição clássica que, durante os jogos olímpicos, cessava toda a beligerância.
23 maio 2014
A BATALHA DE KARAMÉ
A Batalha de Karamé foi travada em Março de 1968 junto a uma vila jordana que lhe deu o nome, tendo como antagonistas o exército israelita contra os guerrilheiros palestinianos da OLP e o exército jordano. Próximo de Karamé, que se situa nas margens do rio Jordão, rio que passara a constituir desde a Guerra dos Seis Dias em Junho de 1967 a fronteira de facto entre Israel e a Jordânia, fora construído um campo de refugiados palestinianos, que a Fatah de Yasser Arafat passara a usar como base para as suas operações de infiltração no território controlado pelos israelitas, na outra margem. Desde Fevereiro que se vinham a acumular os incidentes mas a razão próxima que foi invocada por Israel para desencadear a operação que esteve na origem da batalha foi a detonação de uma mina A/C por um autocarro escolar que causou a morte a dois adultos e ferimentos em dez crianças.
A operação planeada pelos israelitas, que obrigaria a mais uma incursão em território jordano, foi realizada mais em força do que em rapidez e subtileza: os israelitas concentraram mais de uma dezena de milhar de homens de duas brigadas e de outros sete batalhões independentes antes de a desencadear, movimentos esses que, obviamente, não escaparam à observação dos palestinianos e jordanos da outra margem. Os israelitas fizeram chegar previamente aos jordanos, através de canais diplomáticos, as suas intenções de limitar os seus objectivos aos guerrilheiros palestinianos e, por isso, estavam a contar com alguma neutralidade, ou pelo menos com um empenho muito moderado, do lado jordano. Mas, na realidade e quando chegou a hora da verdade, tudo não passara de wishful thinking.
Quando os israelitas desencadearam finalmente a operação, os grandes combates travaram-se, não com os guerrilheiros palestinianos, mas com os blindados, a aviação e a artilharia jordana. Os invasores depararam-se com uma resistência feroz que implicava custos desproporcionados para os objectivos da operação. Mesmo assim, os objectivos mínimos foram cumpridos, o campo de refugiados foi arrasado (acima), fizeram-se cerca de 150 prisioneiros. Mas a densidade do fogo inimigo tornava a manutenção das posições conquistadas insustentável e os israelitas evacuaram-nas no próprio dia. Haviam-lhes custado uma trintena de mortos e uma centena de feridos. Os jordanos haviam perdido mais (84 mortos e 150 feridos) e os palestinianos ainda mais (150 mortos, 100 feridos, além dos 150 capturados já mencionados acima). Acrescente-se, para comparação, que numa outra operação realizada nesse mesmo dia, mas com mais discrição e souplesse, os israelitas haviam entrado noutro local da Jordânia, haviam abatido cerca de 20 jordanos e 20 palestinianos, capturados outros 27 e haviam-se retirado sem sofrer qualquer baixa.
Mas, se os israelitas conseguiram, ainda assim, cumprir os mínimos e saíram da batalha como os seus vencedores tácticos, o grande vencedor estratégico da mesma foi a Fatah e Yasser Arafat. Não se incomodando com exageros, proclamou-a como a primeira batalha que os israelitas haviam perdido, e os simpatizantes por todo o mundo árabe, ainda marcados pela humilhação que constituíra a Guerra dos Seis Dias de 1967, estavam ansiosos por ouvir notícias de vitórias militares, mesmo que elas fossem mais do que duvidosas. O financiamento vindo dos países ricos do Golfo e os voluntários vindos da diáspora palestiniana multiplicaram-se e a Fatah, de uma entre várias, tornou-se na organização preponderante na OLP, com o seu dirigente máximo, Yasser Arafat, a passar a presidi-la em 1969, enquanto adquiria um protagonismo internacional charmoso reservado apenas a alguns líderes guerrilheiros (Mao, Fidel, Che Guevara).
Dito isto, e mudando totalmente de tema mas não de forma de raciocínio, o que interessará depois de contados os votos no próximo dia 25 não será propriamente a crueza dos resultados, que acredito sejam uma derrota mais ou menos severa para a coligação governamental. Isso, como em Karamé, é a própria batalha eleitoral de que depois ninguém se lembrará. O que me interessa descobrir é quem vai conseguir (se houver quem o consiga…) convencer os seus da valia dos resultados alcançados.
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02 agosto 2009
UMA VERDADEIRA HISTÓRIA DE ESPIÕES
Na fotografia acima podemos apreciar um instantâneo de um daqueles populares filmes de espionagem, que se intitula Syriana e que foi estreado nos finais de 2005, protagonizado (entre outros) por George Clooney e cuja acção principal se centra nas disputas do Médio Oriente. Haverá quem ainda se lembre dele. O que é engraçado é que todos nós andamos tão entretidos por histórias ficcionadas de espiões que acabam por nos escapar as outras, as verdadeiras histórias de espiões que existem e, mesmo quando não podem ser abafadas, continuam a passar-nos por debaixo do nariz…
A 15 de Outubro de 2003 uma bomba detonada por controlo remoto explodiu debaixo de um dos três jeeps blindados de um comboio diplomático que se deslocava na Faixa de Gaza. Na explosão, que destruiu o veículo, morreram três dos quatro ocupantes do jeep, que eram todos de nacionalidade norte-americana. As primeiras testemunhas que acorreram ao local (palestinianos) mencionaram posteriormente aos jornalistas que se conseguiam identificar duas armas no meio dos destroços, o que fez levantar as suspeitas entre os média que o comboio e as vítimas pudessem estar associados a uma operação da CIA…
Intrigante, numa região onde o radicalismo anti-americano compensa tanto como será o caso da Faixa de Gaza, as duas organizações palestinianas mais activas e radicais, o Hamas e a Jihad Islâmica foram rapidíssimas em dissociar-se da autoria daquele ataque. Um telefonema anónimo para a Agência noticiosa France Press atribuiu-o posteriormente aos Comités de Resistência Popular, organização que veio ainda mais tarde a declinar também a responsabilidade do atentado. Mas se a história já é confusa e opaca quanto à identificação dos autores do atentado ainda se torna mais quanto à identificação das vítimas…
A história depois posta a correr pelas autoridades norte-americanas também é completamente inverosímil: assim, as armas encontradas no local pertenciam a guarda-costas que seguiam no comboio; os seus outros membros eram diplomatas encarregues de entrevistar candidatos locais a Bolsas de Estudo Fulbright nos Estados Unidos… Surpreendentemente para uma comunicação social que quer saber tudo e num assunto com aquele potencial, as identificações das vitimas do ataque terrorista jamais vieram a ser conhecidas… E, por alguma causa obscura, o assunto depressa desapareceu da atenção mediática…
Passado pouco tempo, já as autoridades norte-americanas culpavam as palestinianas por estas não cooperarem e por não fornecerem a assistência devida aos membros do FBI que haviam sido destacados para investigar a autoria do atentado, queixando-se de problemas de acesso e de contaminação no local do atentado, como se tudo não passasse de uma espécie de cenário de um CSI – Gaza… Enfim, uma verdadeira mistificação destinada ao consumo da opinião pública norte-americana, já que naquela terra todos sabem que quem quiser saber as identidades dos autores e mandantes, se estiver disposto a pagar por elas, obtêm-nas…
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29 junho 2009
POSAR PARA A FOTOGRAFIA
A cerimónia que teve lugar em 13 de Setembro de 1993 em frente à Casa Branca em Washington ficou perpetuada para o futuro pela fotografia imediatamente abaixo, onde se vê o Primeiro-Ministro israelita à esquerda, Itzhak Rabin (1922-1995) a cumprimentar o Presidente da OLP (1), Yasser Arafat (1929-2004), à direita, sob o abraço virtual de mediador de Bill Clinton (1946- ), o Presidente dos Estados Unidos.
Contudo, a imagem teria sido muito mais simbólica e genuína se a fotografia escolhida para assinalar aquela cerimónia tivesse sido substituída pela que aparece abaixo, onde é evidente, através da leitura da linguagem corporal, a dimensão do cepticismo de Ytzhak Rabin quanto à concretização na prática dos Acordos de Oslo cuja assinatura se estava então a formalizar naquele momento...
Para os mais distraídos quanto à realidade internacional, refira-se que a História mais do que justificou o cepticismo então demonstrado por Itzhak Rabin. É verdade que Bill Clinton teve naquela tarde o seu grande momento televisivo como Mediador dos conflitos internacionais, mas passados quase 16 anos sobre a cerimónia tudo parece continuar na mesma no Médio Oriente.
05 janeiro 2009
“BONECOS” PARA SE MOSTRAREM NA TELEVISÃO
A pedagogia dos tempos modernos terá evoluído imenso mas, no campo televisivo, terá sido no caminho regressivo da sobre simplificação. Naqueles debates políticos mais importantes, há quem apoie os seus argumentos durante a discussão – lembro-me, por exemplo, do debate entre António Guterres e Durão Barroso em 1999 – nuns gráficos de barras que costumam ser muito coloridos, mas pouco explicativos em que consistem as abcissas e as ordenadas…
Actualmente, este último gesto popularizou-se, com o aproveitamento do tempo de antena para a passagem de mensagens televisivas sobre simplificadas (ver deste blogue o poste O Peclec, o Sigic, o Nuno e o Melo) ou, envolvendo bonecos, para brandir mapas que representam uma análise estratégica profunda, como fez Daniel Oliveira com aquele mapa mais abaixo (também inserido no seu blogue), na sua aparição no Eixo do Mal da SIC Notícias.A intenção clara do encadeamento de três configurações fronteiriças da Palestina em três datas distintas (1947, 1949-1967, 2000) é a de nos induzir visualmente a ideia que o território concedido aos palestinianos tem vindo a reduzir-se progressivamente. Ora, para deles se poder extrair essa conclusão, então aqueles três mapas deveriam representar realidades compatíveis, o que não é verdade, para além de qualquer deles necessitar de notas explicativas...
O primeiro mapa do bonecos de Daniel Oliveira (de 1947) nunca chegou a existir concretamente. Representava apenas uma proposta de plano da ONU para repartir a Palestina entre árabes e judeus – de uma forma que beneficiava nitidamente os segundos... Simplesmente, nenhuma das partes estava interessada nessa repartição, nem sequer em discuti-la, e ambas partiram para a Guerra em 1948 - os judeus versus os palestinianos e os países árabes vizinhos.Com a vitória militar dos judeus (a propósito, nessa época um dos maiores apoios diplomáticos com que eles contavam era o soviético…), estabeleceu-se o segundo mapa do bonecos de Daniel Oliveira (1949-67), um que, ao contrário do anterior, é real: ele resulta das fronteiras de facto alcançadas pelos beligerantes em 1949. Mas tem legendas erradas: naquela região verde onde se lê Palestine, devia ler-se Jordânia - como abaixo se explica porquê.
Durante décadas, mesmo depois de ter ocupado a Cisjordânia em 1967, essa anexação foi um álibi invocado por Israel para a resolução do problema do estabelecimento da pátria palestiniana: eles já tinham uma, a Jordânia. Contudo, apesar do parentesco dos povos – Rania, a actual Rainha jordana é de ascendência palestiniana – depois dos acontecimentos de Setembro Negro (1970), já aqui por mim abordados no blogue, a Jordânia acabou por se dissociar da questão palestiniana.
Resta o último mapa dos bonecos de Daniel Oliveira, o datado de 2000. Como o primeiro, também é o mapa de um projecto que praticamente não saiu do papel – o dos Acordos de Oslo de 1994 (veja-se acima, o detalhe das regiões da Cisjordânia). Pela descontinuidade geográfica das zonas palestinianas, também já critiquei aqui no blogue a viabilidade da solução, comparando-a aos famosos bantustões sul-africanos do tempo do apartheid, lembrando o que lhes aconteceu.Este último mapa faz reflectir, nem que seja para constatar o tão pouco que os israelitas estão dispostos a ceder e o tão pouco que os palestinianos parecem estar dispostos a aceitar, mas, no enquadramento geral dos bonecos, a sua seriedade aparece tarde demais numa sequência que pretende reduzir – e de forma tendenciosa – a complexidade do problema israelo-palestiniano a uma espécie de cartoon de densidade infantil, com os bons e os maus…
* Simbólico do que são os conhecimentos do corrector ortográfico do processador de texto (e um alerta para quem neles se fia cegamente …), este não reconhece o vocábulo charlas escolhido por aquele vulto da Língua Portuguesa para título do seu programa…
** Resultado da junção da Transjordânia e da Cisjordânia. Trans e cis são prefixos latinos significando para lá de e para cá de. Jordânia refere-se naturalmente ao Rio Jordão.
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11 agosto 2008
EM INGLÊS PARA O MUNDO
Houve um cartaz do regime do Estado Novo que foi no seu tempo muito gozado por se inserir na campanha de erradicação do analfabetismo e onde, creio, se fazia um apelo a que os analfabetos deixassem de o ser. Quanto à eficácia do cartaz, como se dizia na anedota a seu respeito daquela época: não houve nenhum analfabeto que tivesse deixado de o ler! O cartaz da fotografia que enfeita um artigo do Público de hoje, sobre os rostos do jihadismo é do mesmo quilate: trata-se de um cartaz tipo faroeste (encimado com o tradicional Wanted), redigido em inglês e onde se pedem informações e se oferece uma recompensa (10 milhões de dólares) pelo já falecido Mussab al-Zarqawi (cartaz parecido com o de cima).
Aproveitando a piada: também naquele caso não deve ter havido iraquiano que não o tivesse deixado de o ler… Mais a sério, é evidente que o alfabeto corrente nos países árabes é o alfabeto árabe (acima) assim como o idioma. E sempre que temos direito a eventos em inglês adequados a que os possamos compreender naquelas paragens é uma atitude elementar desconfiar estarmos perante uma encenação destinada a consumo externo. Por exemplo, tornaram-se famosas as enormes discrepâncias entre os discursos em árabe e em inglês que eram proferidos por Yasser Arafat, o líder da OLP. Nos grandes problemas mundiais, como que se criou uma espécie de gramática política em inglês, especialmente vocacionada para o exterior.
Um dos factores que confere uma identidade nacional forte à Geórgia, o que é uma indiscutível vantagem perante os seus dois grandes vizinhos (russos e turcos) é o seu idioma e o seu alfabeto próprio, cujas raízes datam do fim da Antiguidade, da época da evangelização do país (Século V d.C.). Embora se perceba perfeitamente as razões porque o faça, não deixa de me ser desconfortável assistir aos vários discursos do Presidente da Geórgia que passam nas televisões internacionais (Mikhail Saakashvili - acima) onde ele aparece sempre a falar inglês. Embora a sua causa nos seja simpática (trata-se do fraco contra o forte), lembra Arafat, e levanta-me a dúvida se aquilo que diz ao seu povo é igual ao que diz ao Mundo...24 maio 2008
PORTAR-SE MAL EM CASA ALHEIA
A visita que o secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-Moon, acabou de realizar à Birmânia (acima), fez-me lembrar uma outra, realizada por uma comitiva de compatriotas seus ao mesmo país em Outubro de 1983, faz mais de 24 anos. Encabeçada pelo presidente sul-coreano de então, Chun Doo-hwan, que ia acompanhado por uma alargada comitiva ministerial, o objectivo diplomático da visita era o de rivalizar com as boas relações que a Birmânia tinha mantido até então com a sua rival Coreia da Norte.O episódio está hoje praticamente esquecido mas, se a visita correu mal para a Coreia do Sul por uns motivos, acabou por correr pior para a Coreia do Norte, por outros. De início, a visita parecia estar a correr bem, parecia ter-se desenvolvido uma certa empatia entre o visitante (o general Chun Doo-hwan) e o visitado (o general Ne Win), ambos dirigentes de ditaduras militares. E as propostas comerciais da, já então, muito mais evoluída economia sul-coreana pareciam interessar seriamente aos birmaneses.
Só que os norte-coreanos tinham mau perder. Durante uma cerimónia protocolar no Mausoléu dos Mártires (acima) fizeram explodir uma bomba entre os participantes que matou 17 sul-coreanos e 4 birmaneses (além de ter feito 46 feridos). O Presidente Chun Doo-hwan só terá escapado por acaso e entre os mortos sul-coreanos contavam-se os Ministros dos Negócios Estrangeiros, da Economia e do Comércio. A polícia birmanesa conseguiu identificar rapidamente os responsáveis: um comando de três norte-coreanos.Apesar da Coreia do Norte se ter desfeito em protestos inverosímeis de inocência, o caso contra os agentes norte-coreanos era tão evidente que os dois que foram capturados foram condenados (à morte e a prisão perpétua). Foi só em Abril de 2007, que Birmânia e Coreia do Norte voltaram a restabelecer relações diplomáticas. É das normas que aos países soberanos não lhes agrade que países estrangeiros (mesmo amigos) desencadeiem destas operações no seu território à sua revelia...
Foi o que também aconteceu quando, em Julho de 1985, na sequência do afundamento do Rainbow Warrior*, um navio do movimento Greenpeace que estava ancorado em Auckland, na Nova Zelândia, dois agentes franceses acabaram por ser implicados no afundamento pela polícia neozelandesa. As provas em favor da tese de uma operação dos serviços secretos franceses também eram esmagadoras e eles foram condenados, e o governo francês acabou por confessar de forma semi-contrita a sua participação.Uma insigne excepção a esta prática foi o assassinato em Portugal de Issam Sartawi, um dirigente moderado da OLP, assassinado em Albufeira, em Abril de 1983. O trabalho de polícia também foi bastante rápido: descobriu-se um palestiniano que se identificava por Al Awad, mas que possuía documentação em nome de Mohamed Rashid que, mesmo por coincidência, logo depois do atentado, apanhara um táxi que o trouxera desde Albufeira até ao aeroporto da Portela em Lisboa onde ia apanhar um avião…
Segundo me recordo, o réu acabou condenado a 3 anos de prisão por uso de passaporte ilegal. Foi uma coroa de louros para a defensora oficiosa, num caso em que, dadas as perspectivas, nenhum nome de vulto da advocacia portuguesa quis pegar. Poderá ter sido aquilo que se conseguiu provar judicialmente, mas também foi, numa leitura política feita pelos actores internacionais, uma maneira embaraçosamente portuguesa de querer ficar de bem com todos, mas sem conseguir o respeito de ninguém.* Donde resultou a morte de um fotógrafo holandês de origem portuguesa.
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06 março 2008
O CALOR DO MÊS DE SETEMBRO DE 1970
Cronologicamente, a narrativa dos acontecimentos que então transformaram o Médio Oriente, pode começar pelo dia 1 de Setembro de 1970, quando o Rei Hussein da Jordânia (abaixo) sofreu um atentado perpetrado por desconhecidos nas ruas de Amã. O acontecimento é apenas o clímax de um enorme e evidente mal-estar resultante da convivência entre as Forças Armadas jordanas e os guerrilheiros palestinianos das várias facções da OLP*, que estavam aboletados desde 1967 nos campos de refugiados situados à volta da capital jordana.
Estava a haver uma verdadeira disputa de soberania sobre o território jordano entre os locais e os deslocados palestinianos, traduzida em escaramuças quotidianas entre os dois lados, o exército jordano e os guerrilheiros da OLP; para agravar o problema, a direcção recém-empossada da OLP (uma coligação encabeçada por Yasser Arafat) só conseguia exercer uma autoridade razoável sobre o braço militar da organização de Arafat (a Al-Fatah), e quase nenhuma sobre as restantes organizações ainda mais radicais que compunham a OLP.Foi uma delas, a FPLP* dirigida por George Habash (abaixo), que resolveu subir a parada do conflito, montando uma operação onde se pretendiam desviar simultaneamente vários aviões comerciais ocidentais. Em 6 de Setembro, um Boeing 707 da TWA (norte-americana) e outro da Swissair (suíça) foram desviados para a Jordânia, mas a tentativa de desviar um terceiro Boeing-707 da El Al (israelita) fracassou, registando-se a morte de um dos assaltantes e a prisão do outro – uma activista destinada a ficar famosa, de nome Leila Khaled.
Simultaneamente, um outro grupo da FPLP, ao ser-lhe barrado o acesso ao voo que pretendiam desviar, teve de improvisar, e acabaram por vir a desviar um Boeing-747 da Pan Am (norte-americana). O fracasso no avião da El Al, juntamente com o improviso, estragou um pouco o plano de operações de Habash, pois os aviões desviados estavam destinados a concentrarem-se numa antiga base militar britânica controlada por eles, situada em pleno deserto jordano (Zarka - abaixo), cuja pista não tinha capacidade de receber um Boeing-747.O Boeing-747 da Pan Am acabou por ser redesviado para o aeroporto do Cairo, onde a atitude surpreendentemente pouco encorajadora do regime egípcio de Gamal Nasser para mediar a situação, levou George Habash a decidir mandar fazer explodir o aparelho depois de o evacuar, logo no dia seguinte (dia 7). E dia 9, a FPLP dava mostras da sua versatilidade ao desviar mais um avião para Zarka, um VC-10 da BOAC (britânica) com quem se impunha negociar, pois eram os britânicos que tinham ficado com a custódia de Leila Khaled.
Num ciclo negocial complexo onde houve libertações, mas também aquisições (as dos passageiros do avião de dia 9) a FPLP chegou a ter 298 reféns consigo. No dia 11, por decisão de Arafat, os reféns foram transferidos para o Hotel Intercontinental em Amã, que estava em poder dos guerrilheiros, e no dia seguinte a OLP resolveu ordenar a libertação de todos os passageiros, com excepção dos israelitas que estivessem em idade militar. Cumprindo, mas protestando, a FPLP fez explodir simultânea e espectacularmente os aviões vazios (abaixo).Tudo isto se passara em território jordano, e o que se passara colocava totalmente em causa a autoridade do Rei e do próprio Estado. A partir de dia 15, desencadeia-se uma verdadeira guerra civil para submeter os palestinianos, que receberam apoio militar dos vizinhos sírios e iraquianos, enquanto os Estados Unidos caucionaram a acção jordana enviando para o Mediterrâneo Oriental a sua esquadra. O Egipto e a União Soviética (apenas) verbalizaram os protestos que se esperavam e Israel manteve-se prudentemente calado.
Consta dos relatos que o exército jordano foi perfeitamente implacável na forma como desalojou os guerrilheiros que se abrigaram nos campos de refugiados, aproveitando o momento psicológico favorável para se mostrarem insensíveis às baixas entre os refugiados civis que os confrontos pudessem provocar. Mesmo descontando exageros, os números que se falam para os 10 dias de combate, rondam os 10 mil mortos… A 25 de Setembro, Yasser Arafat viu-se obrigado a assinar um cessar-fogo com o Rei Hussein.Os Palestinianos acabaram baptizando toda esta sequência de eventos por Setembro Negro, nome que ainda mais se veio a justificar para eles quando a 28, Gamal Abdel Nasser, o Presidente do Egipto (abaixo), veio a morrer subitamente de ataque cardíaco. O apoio de Nasser à causa palestiniana era mais verbal que substancial (note-se a forma como se demarcara do Jumbo que a FPLP fizera aterrar no aeroporto do Cairo…) mas o seu prestígio junto das massas árabes era inegável, e o seu discurso confrontacional com Israel um endosso à sua causa.
Quase precisamente 31 anos antes do 11 de Setembro de 2001, as acções da FPLP de George Habash nesse Setembro quente assustaram seriamente os países ocidentais, pela facilidade demonstrada como podiam desencadear operações de terrorismo concertadas e bem sucedidas para um determinado fim político. Mas se, do ponto de vista operacional, é possível ligar a FPLP à Al-Qaeda, fazendo da primeira uma antepassada longínqua da segunda, ideologicamente essa associação é um disparate monumental.George Habash morreu recentemente (em Janeiro de 2008), e houve muitos obituários que abusaram dos disparates, especialmente das analogias com o terrorismo islâmico de Ossama Bin-Laden. É que os movimentos terroristas mais radicais dentro da OLP, como a FPLP ou a FDPLP* (símbolo abaixo), além de se reclamarem de uma ideologia marxista-leninista laica, foram fundadas e/ou foram dirigidos por palestinianos árabes mas de origem cristã, como eram os casos de George Habash, Nayef Hawatmeh ou Wadie Haddad…
* Acrónimos:FDPLP – Frente Democrática Popular de Libertação da Palestina. Actualmente FDLP.
FPLP – Frente Popular de Libertação da Palestina
OLP – Organização de Libertação da Palestina
24 abril 2007
UMA PEQUENA HISTÓRIA DEMOGRÁFICA DA PALESTINA ANTES DO NASCIMENTO DO ESTADO DE ISRAEL
Apesar de ter sido uma das regiões pioneiras do aparecimento da agricultura sedentária do período pré-histórico, as próprias condições naturais da região devem ter limitado o total das populações locais a valores na casa de algumas dezenas de milhares (30 a 50 mil) embora esse valor fosse aumentando progressiva e suavemente ao longo dos milénios. Durante a fase terminal da Era do Bronze (1550 a.C. – 1200 a.C.) a população já rondaria os 150 a 200 mil habitantes.Face a isto, e embora as escrituras mencionem milhões, todos aqueles episódios do Antigo Testamento (como o do êxodo) devem ter envolvido, muito provavelmente, contingentes bastante pequenos, de alguns milhares. Terá sido por conversão posterior da restante população residente a partir desse núcleo duro que apareceu aquele sentido identificativo da população judaica do período monárquico de Israel (1000 a.C. – 586 a.C.).
Sob os reis David e Salomão atingiu-se um zénite da prosperidade regional (por volta do ano 1000 a.C.), também traduzido demograficamente, com a população a duplicar em relação ao período mencionado anteriormente: entre 300 a 400 mil habitantes. A conflitualidade interna fez depois o reino cindir-se em dois (Israel a norte e Judá a sul), com a consequência da população vir a diminuir nos 500 anos seguintes cerca de ¼ em relação a esse níveis.
Para mais a região palestiniana foi, nessa época, conquistada pelos estados caldeus e assírios e tornou-se campo de recrutamento forçado de mão-de-obra para a Mesopotâmia, conforme consta das narrativas bíblicas. Só que, dessa vez e ao contrário de episódios precedentes, os volumes envolvidos, na ordem das dezenas de milhar de emigrados, seriam episódios que tiveram um impacto demográfico significativo na variação dos valores da população regional.
Durante os 500 anos anteriores ao nascimento de Cristo a população terá recuperado e mesmo atingido um novo máximo situado entre as 500 a 600 ml pessoas durante o período do protectorado romano que corresponde ao do nascimento de Cristo. Além de se estar a tratar de uma região superpovoada pelos recursos da época, fica a percepção de que ela continuaria a produzir a cada geração um excedente populacional e jovens emigrantes.
Essa percepção é traduzida pela descrição de comunidades judaicas espalhadas por quase todo o Império romano (no Novo Testamento) e por convulsões políticas periódicas na terra mãe, num processo que poderia assemelhar-se ao que aconteceu na Irlanda do Século XIX e XX. De uma dessas convulsões, mas das mais pequenas, rapidamente resolvida pelo governador local, veio a formar-se um movimento designado por Cristianismo…
Quanto às maiores, os romanos tiveram que reprimir brutalmente uma revolta judaica no Século I da nossa era (66-73), que se repercutiu inevitavelmente num substancial abaixamento dos níveis da população, para, 60 anos mais tarde (132-135), procederem a um extermínio metódico de toda a população por ocasião de outra grande revolta, um verdadeiro método de reengenharia étnica, a lembrar os do Século XX, mas que já havia sido ensaiado pelos romanos na conquista da Roménia (101-106).
Como consequência, exterminada ou banida, a população judaica praticamente desapareceu da Palestina e a população que veio a preencher o vácuo assim criado pertencia às suas regiões adjacentes, países que hoje conhecemos pela designação de Líbano, Jordânia e Síria. Tratava-se de populações árabes, gentias, mas fortemente aparentadas com as judaicas que agora existiam por todo o Império menos ali. Posteriormente, converteram-se massivamente ao cristianismo para depois adoptarem maioritariamente o Islão a partir do Século VII.
Por volta do Século III a população da Palestina voltara a atingir os 350 a 400 mil habitantes e serão esses os valores à volta dos quais oscilarão os seus valores até ao Século XIX. Pontos baixos serão atingidos na fase final da ocupação romana, no Século VII e o período da Peste Negra, no Século XV. Pontos altos serão o do apogeu do Califado, logo depois da conquista, no Século VIII e o da presença dos cruzados, ao longo do Século XII.
Só no Século XIX a população recomeçou a crescer até atingir os 500 mil em meados dele. Em termos confessionais, os judeus, que sempre se cifraram por uns residuais 1 a 2% da população total durante os períodos medieval e renascentista, já rondavam os 10% nos princípios do Século XX, devido à imigração. Em contrapartida, a percentagem de cristãos entre a população árabe local ia diminuindo devido à emigração da comunidade.
O censo de 1922, realizado quando a Palestina se havia tornado um Mandato britânico na sequência da Primeira Guerra Mundial, contou 757 mil habitantes, sendo 590 mil muçulmanos (78%), 84 mil judeus (11%) e 83 mil cristãos (11%). No de 1931, a população judaica (175 mil) já representava 17% da população total: 1.033.000. E em 1948, ano da proclamação do Estado de Israel, a população judaica sozinha subira às 800 mil pessoas…
14 janeiro 2007
OS ÁRABES DA TERCEIRA VIA
A História simplificada, tal qual costuma ser contada por judeus e árabes, a respeito dos acontecimentos de Maio de 1948 que estiveram na origem do nascimento do Estado de Israel e da primeira Guerra Israelo-Àrabe, contêm apenas as versões militantes dos dois lados, em que os judeus expulsaram os árabes de suas casas e das suas terras (na versão palestiniana) e a diametralmente oposta, israelita, em que os árabes as abandonaram voluntariamente, contando que o seu gesto fosse apenas temporário.E depois há a realidade, mais complicada, a dos árabes que não se foram embora e que, por serem uma minoria em relação à população judaica (cerca de 25%) acabaram por se tornar também cidadãos do Estado de Israel. Tratou-se de uma decisão controversa, a de permitir a existência de cidadãos não-judeus no novo Estado de Israel. Mas prevaleceu o bom senso, estava-se em 1948, 3 anos apenas depois de Auschwitz, muito cedo para que entre os judeus, que tinham sido tão descriminados pelos nazis, houvesse a coragem política para que se assumisse assim um papel tão descaradamente descriminador.
Assim, para os cerca de 1,1 milhões de habitantes – e cidadãos – que existiriam em Israel em 1948, haveria aproximadamente uns 800 mil judeus conjuntamente com 300 mil árabes. Note-se que, nesta contagem, não estavam englobados os palestinianos da Cisjordânia – administrada pela Jordânia – nem os da Faixa de Gaza – administrada pelo Egipto. Estes palestinianos, cidadãos de Israel, têm um estatuto específico: estão, por exemplo, isentos do serviço militar* e essa isenção não é um privilégio, antes uma desconfiança descarada a respeito das suas fidelidades.
Nos anos imediatos, a imigração da população judaica (101.000 em 1948, 239.000 em 1949, 170.000 em 1950, 174.000 em 1951, …), a quem era conferida automaticamente a cidadania, reforçou a componente judaica da população de Israel. Reflexo e exemplo disso, a população judaica de Jerusalém praticamente duplicou entre 1948 e 1967: passou de 100.000 para 196.000. Entretanto a população muçulmana passou, no mesmo período, de 40.000 para 54.000. E a população cristã (também palestiniana) reduziu-se a metade: de 25.000 para 13.000.
Mas, passados os anos dourados da imigração, as taxas de crescimento demográfico das populações árabes de nacionalidade israelita já mais do que triplicaram os seus números originais e eles voltam hoje a representar entre 1/5 a 1/6 da população total de Israel e com tendência para que a proporção aumente. É indiscutível que o seu nível de vida é muito superior ao dos países limítrofes e participam na vida política israelita, porque há partidos políticos com representação parlamentar que defendem expressamente os interesses da minoria.
E depois há notícias, como a que ontem li, onde se noticia como grande novidade que foi designado o primeiro ministro árabe de Israel, para a incontroversa pasta da Ciência, Cultura e Desporto… Ao fim de quase 60 anos (1948-2007) de existência de Israel, a ausência de qualquer membro de uma minoria com tal representatividade no topo da sua hierarquia de estado já não se pode dizer que é muito significativa ou que sequer é excessivamente significativa. É mais do que tudo isso nos tempos que correm e é um sinal evidente que não houve qualquer vantagem política ou moral na conduta daqueles palestinianos que escolheram a via moderada para lidar com os judeus ao se tornarem cidadãos de Israel.
Tratar-se-á do mesmo tipo de cidadãos que me deixaram intrigado este Verão quando, perante os bombardeamentos dos mísseis do Hezbollah libanês sobre as suas casas em Haifa e perante as perguntas dos jornalistas estrangeiros, se recusavam a condenar linearmente aqueles que os flagelavam. Tomando como exemplo aquelas pessoas que resistiam ao instinto natural de condenar exclusiva e principalmente aqueles que lhes destruíam as suas próprias casas, mas antes preferiam acusar todos os envolvidos no conflitos, a começar por Israel, é fácil deduzir que, mesmo para os árabes da terceira via, a nomeação deste ministro deve ser uma medida que representará muito pouco… e que virá muito tarde.
*Contudo, os drusos cumpriam-no. Os drusos são um grupo dissidente xiita (também existente na Síria e no Líbano) que constituem cerca de 1,5% da população de Israel. São tradicionais opositores aos principais grupos palestinianos sunitas e cristãos, daí aliados objectivos dos judeus, mesmo antes da independência de Israel. Mas as unidades onde eles cumprem o serviço militar são distintas do contigente geral.
17 setembro 2006
CONCORDANDO... SÓ NO FIM
Às vezes torna-se engraçado como se pode concordar com as conclusões finais de uma qualquer crónica enquanto se pode saltitar de discordância em discordância pelos seus parágrafos abaixo. É o que acontece – pelo menos com a parte final - com a crónica que Vasco Pulido Valente assina hoje no Público, intitulada o Papa e o Islão.
Citando a parte terminal dessa sua crónica, onde se pronuncia sobre a superioridade da construção intelectual do Cristianismo: Basta lembrar que desde o princípio (desde Orígenes, por exemplo) se construiu sobre a fé cristã um dos mais sublimes monumentos à razão humana e que o Ocidente, apesar da Europa, não existiria sem ele. A fé muçulmana não produziu nada de remotamente comparável (…)
Sendo tão exuberante e rigoroso na forma como aponta ignorâncias alheias, só VPV poderá saber a profundidade com que conhece comparativamente as teologias cristã e islâmica para ser assim tão taxativo nas suas conclusões pela superioridade de uma sobre outra mas a verdade é que, objectivamente, a figura de Orígenes cujo exemplo refere como tendo sido um dos pilares do pensamento ocidental, cuja biografia e síntese da obra podem ser consultadas aqui (ou aqui em mais detalhe) seria uma verdadeira aberração no Ocidente moderno.
De facto, se alguma associação nos ocorre de imediato, seja pelo local – Palestina – ou pelas debilidades físicas demonstradas – entre as quais a castração – toda a devoção suscitada nos seus fiéis que pudesse estar associada a esse longínquo pilar do pensamento do Ocidente fariam lembrar alguém que fosse assim como um antepassado longínquo do xeque Yassim, o líder do Hamas assassinado pelos israelitas…, e não qualquer teólogo cristão europeu.
VPV não deve desconhecer como seriam as sociedades orientais – Egipto, Síria, Ásia Menor, Grécia ou Norte de África - de onde brotaram os pensadores originais da Igreja, entre os séculos II a V da nossa era. Compartilhando os mesmos locais de nascimento, com a sua sociologia e a sua cultura não me parece avisado dar mostras de tanta segurança quanto à superioridade – para não falar já de que tipo de superioridade estaremos a falar - de uma das religiões sobre a outra.
No entanto, o Ocidente tem um outro tipo de produção teórica, muito mais moderna, que não compartilha de forma alguma com o Islão, que constituem outros pilares diferentes das sociedades modernas, alguns deles construídos, paradoxalmente, em cima das objecções dos antecessores de Bento XVI. E é por esse percurso diverso, o da liberdade de expressão, que subscrevo inteiramente a última frase da crónica de VPV: Se o Islão se ofendeu, pior para ele.
Citando a parte terminal dessa sua crónica, onde se pronuncia sobre a superioridade da construção intelectual do Cristianismo: Basta lembrar que desde o princípio (desde Orígenes, por exemplo) se construiu sobre a fé cristã um dos mais sublimes monumentos à razão humana e que o Ocidente, apesar da Europa, não existiria sem ele. A fé muçulmana não produziu nada de remotamente comparável (…)
Sendo tão exuberante e rigoroso na forma como aponta ignorâncias alheias, só VPV poderá saber a profundidade com que conhece comparativamente as teologias cristã e islâmica para ser assim tão taxativo nas suas conclusões pela superioridade de uma sobre outra mas a verdade é que, objectivamente, a figura de Orígenes cujo exemplo refere como tendo sido um dos pilares do pensamento ocidental, cuja biografia e síntese da obra podem ser consultadas aqui (ou aqui em mais detalhe) seria uma verdadeira aberração no Ocidente moderno.
De facto, se alguma associação nos ocorre de imediato, seja pelo local – Palestina – ou pelas debilidades físicas demonstradas – entre as quais a castração – toda a devoção suscitada nos seus fiéis que pudesse estar associada a esse longínquo pilar do pensamento do Ocidente fariam lembrar alguém que fosse assim como um antepassado longínquo do xeque Yassim, o líder do Hamas assassinado pelos israelitas…, e não qualquer teólogo cristão europeu.
VPV não deve desconhecer como seriam as sociedades orientais – Egipto, Síria, Ásia Menor, Grécia ou Norte de África - de onde brotaram os pensadores originais da Igreja, entre os séculos II a V da nossa era. Compartilhando os mesmos locais de nascimento, com a sua sociologia e a sua cultura não me parece avisado dar mostras de tanta segurança quanto à superioridade – para não falar já de que tipo de superioridade estaremos a falar - de uma das religiões sobre a outra.
No entanto, o Ocidente tem um outro tipo de produção teórica, muito mais moderna, que não compartilha de forma alguma com o Islão, que constituem outros pilares diferentes das sociedades modernas, alguns deles construídos, paradoxalmente, em cima das objecções dos antecessores de Bento XVI. E é por esse percurso diverso, o da liberdade de expressão, que subscrevo inteiramente a última frase da crónica de VPV: Se o Islão se ofendeu, pior para ele.
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07 agosto 2006
IRGUN
I've seen horrors... horrors that you've seen. But you have no right to call me a murderer. You have a right to kill me. You have a right to do that... but you have no right to judge me*.Coronel Kurtz, Apocalypse Now
Numa altura em que as forças armadas israelitas procedem às detenções de mais alguns parlamentares palestinianos pertencentes ao Hamas, justificadas porque são dirigentes de uma organização terrorista e quando os apoiantes ideológicos de Israel espalhados pelo mundo se dedicam a escalpelizar detalhadamente as aberrações constantes do programa do mesmo Hamas para justificar as acções israelitas, penso valer a pena regressar ao passado e aos anos que precederam a fundação de Israel e evocar o Irgun.
O Irgun foi uma organização terrorista judaica - pode-se até consultar o seu site oficial (em inglês) – que desenvolveu as suas actividades entre 1931 e 1948, fundamentalmente contra os árabes, mas também contra os britânicos, que eram naquela altura a potência administrante da Palestina. Foram os britânicos, de resto, os responsáveis pela classificação do Irgun como uma organização terrorista, atributo que não era aliás um exclusivo seu: também havia o Haganah, maior, mais moderado e percursor da actual FDI (forças armadas) israelita ou o Lehi, no extremo do espectro, ainda mais radical que o Irgun.
Quanto aos propósitos e à ideologia da referida organização penso ser um bom esforço de sintetização o cartaz da época que elegi para ilustrar este post. Nele se pode ver como as suas ambições territoriais englobavam não só toda a Palestina como também toda a Transjordânia (actual Jordânia). Sabendo-se as características religiosas do estado que pretendiam fundar – e que foi efectivamente fundado em 1948 – deixo à especulação do leitor o destino que o Irgun preconizaria para as populações árabes residentes na região…
O dirigente de maior nomeada do Irgun foi Menachen Begin. A ele se deve o rapto de dois sargentos britânicos - este episódio soa-nos vagamente familiar, não soa? - quando, recusando reconhecer a soberania dos tribunais britânicos que estavam a julgar – e a executar - membros seus por actos de terrorismo, o Irgun, em retaliação, veio a executar os seus dois reféns… Outras acções são-lhe atribuidas até à constituição do estado de Israel em 1948, quando o seu braço militar veio a ser absorvido nas forças armadas israelitas e o seu braço político veio a constituir o grupo mais importante da ala direita do novo estado.
Três décadas depois, o outrora clandestino e implacável Begin era o primeiro-ministro de Israel, preparava-se para assinar um tratado de paz com o Egipto e para receber, em consequência disso, o Prémio Nobel da Paz (1978)… Pelos vistos, com Begin, ficou demonstrado que, alterando as circunstâncias políticas, até um ex-terrorista se pode converter numa pessoa civilizada. Os israelitas é que não quiseram dar a mesma oportunidade aos dois co-fundadores do Hamas - o Xeque Ahmed Yassim (1937-2004) e Abdel Azziz al-Rantissi (1947-2004) - para que se pudesse, futuramente, comprovar essa mesma teoria...
Tenho-me tentado distanciar e denunciar o fervor futebolístico com que estão a ser tratados, ultimamente, os assuntos do Médio Oriente. Sobre a situação actualmente existente tenho muito mais dúvidas que certezas. Mas entre estas últimas conta-se a de que naquela região, nenhum dos actores tem moral para a andar a pregar aos outros…Os defensores ideológicos de cada uma das partes só se expõem ao ridículo quando invocam a moral, sendo ela descaradamente apenas instrumental na guerra feroz que ali se trava.
Quanto a moral e segundo parece, o último que, naquela região, a tinha e achava que a podia pregar aos outros, acabou pregado numa cruz e consta para aí que até reapareceu ao terceiro dia, mas apenas de passagem porque, segundo as escrituras, foi-se logo embora...
*Tenho visto horrores… horrores que estão à vista. Mas não têm direito de me chamar assassino. Têm direito a matar-me. Têm direito a isso… mas não têm direito a julgar-me.
*Tenho visto horrores… horrores que estão à vista. Mas não têm direito de me chamar assassino. Têm direito a matar-me. Têm direito a isso… mas não têm direito a julgar-me.
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