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10 junho 2017

DESCULPEM, JÁ ENCONTRARAM O QATAR?

Em continuação de uma primeira parte, trata-se da tradução integral do artigo abaixo, que aparece hoje publicado na The Economist, mas com uns (acrescentos meus).
O presidente da América deu-se tão bem com o rei da Arábia Saudita que tornou seus os objectivos da política externa do monarca. A Arábia Saudita sunita detesta o Irão xiita que ela considera o seu maior rival. E Donald Trump pensa o mesmo. Aparentemente ele passou a compartilhar a perspectiva saudita que o grande financiador do terrorismo no Médio Oriente é o pequeno Emirato do Qatar. Deu-lhe para aplaudir quando, a 5 de Junho, a Arábia Saudita, o Bahrein e os Emiratos Árabes romperam as relações diplomáticas com o Qatar conjuntamente com as ligações aéreas, marítimas e terrestres. Os restantes estados do Golfo deram duas semanas para os cidadãos qataris saírem. Mais ridículo, os Emiratos declararam que quem publicasse opiniões favoráveis ao Qatar estaria sujeito a penas de prisão até 15 anos. E Trump tweetou: “Talvez isto seja o princípio do fim do horror do terrorismo!

Apesar de pequeno, o Qatar é importante. É o maior produtor mundial de gás natural liquefeito e uma grande plataforma giratória do tráfego aéreo. É também o local da sede da Al Jazeera, o que de mais próximo haverá de uma televisão livre no mundo árabe (não se pode é criticar a monarquia qatari). Mantém boas relações com o Irão, com o qual explora conjuntamente um depósito de gás natural. Também se mostra apoiante da Irmandade Muçulmana, a face mais popular do Islão político (e que não goza assim de tanta popularidade noutros países muçulmanos). E tudo isso faz com que a Arábia Saudita os deteste. O regime saudita já tentou no passado vergar o Qatar à sua vontade mas falhou. O Qatar possui uma importante base aérea norte-americana no seu território que, até agora, lhes transmitia uma sensação de segurança. Mas com Donald Trump na Casa Branca isso deixou de ser assim tão linear.

(A The Economist não fala disso, mas em Israel também não se gosta particularmente destas liberalidades e independências do Qatar. Um velho documento (2010) catado e publicado pela WikiLeaks punha o então director do Mossad (serviços secretos israelitas) a queixar-se junto de um seu interlocutor norte-americano de que o Qatar andava a “aborrecer toda a gente”, nomeadamente por causa das emissões da Al Jazeera. O israelita ia ao ponto de evocar a hipótese de que essas emissões desencadeassem a próxima guerra na região, porque os restantes protagonistas da região consideravam o monarca qatari pessoalmente responsável pelo conteúdo das emissões. A mensagem era acompanhada de uma sugestão para que os Estados Unidos retirassem a sua base do Qatar.)

Não foram fornecidas razões concretas para votar o Qatar ao ostracismo. Existem uma data de rumores de que qataris ricos financiam o terrorismo. A acusação, que também se aplica a sauditas ricos, não em sido concretizada, embora o Financial Times tenha publicado que o Qatar pagou mil milhões de dólares ao Irão e à Al-Qaeda para a libertação de membros da sua família real que haviam sido feitos reféns durante uma daquelas caçadas tradicionais com falcões no Iraque. E mil milhões dão para comprar uma grande quantidade de explosivos.

A disputa acabou por dividir o Conselho de Cooperação do Golfo, uma organização que promove uma certa estabilidade numa região onde ela é escassa. E a consequência é que ela pode levar o Qatar e outros dois membros da organização, Kuwait e Omã, que agora se recusaram a associar aos sauditas, a estreitaram mais os seus laços com o Irão. Os ânimos poderão arrefecer em breve mas, para alguns observadores, o maior receio é que o preço a pagar pelo recuo saudita será o açaimar do jornalismo da Al Jazeera.

O apoio de Donald Trump à iniciativa saudita também prejudicou à credibilidade americana. Deixou a impressão que, com ele, a superpotência pode deixar cair os seus aliados depois de uma mera conversa com os seus inimigos. “Durante a minha recente viagem pelo Médio Oriente afirmei que não pode continuar a haver financiamentos à Ideologia Radical. Os líderes apontaram para o Qatar – vejam!” foi o que Donald Trump tweetou a 6 de Junho. O que resta de elementos tradicionalistas na política externa da administração Trump apressou-se a acorrer no dia seguinte a tentar compor o desastre, quando o presidente ofereceu os seus préstimos como mediador...

Mas não é só aí. O presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sisi, também ficou com a impressão que o presidente Trump é um líder que o irá permitir lidar com os seus inimigos com outra autonomia. A 23 de Maio, dois dias depois dos dois se terem encontrado e elogiado em Riade, o regime egípcio prendeu um opositor por causa de um gesto obsceno que ele alegadamente terá feito num comício que se dera há cinco meses. E em 25 de Maio o governo bloqueou o acesso a vários websites de conotação liberal, incluindo o Mada Masr, um jornal on-line local e os sites da Al Jazeera ou o Huffpost em arábe. No Bahrein, as autoridades abateram 5 pessoas e prenderam outras 286 no seguimento de um raid a casa de um clérigo xiita. No seguimento disso, o principal partido da oposição laica foi dissolvido. Noutros tempos, os Estados Unidos teriam manifestado o seu desagrado por tudo isto. Agora não – e isso é receita certa para um Médio Oriente muito mais turbulento.

05 junho 2017

DESCULPEM, ONDE É QUE FICA O QATAR?

Anunciar bombasticamente que os «aliados» árabes cortaram relações com o Qatar deveria ser apenas o preâmbulo desta notícia que todos os órgãos de informação se puseram a difundir. Como de costume as notícias a respeito do gesto copiam-se e quase nada acrescentam umas às outras. Valha a verdade reconhecer que algumas delas já se atreveram a estabelecer uma ligação entre estes acontecimentos e a visita de há quinze dias de Donald Trump à região. Mas, para além da irrelevância neste contexto daquilo que possa acontecer ao Mundial de futebol de 2022 (abaixo) e em sintonia com os expectáveis protestos do próprio Qatar, há qualquer coisa de bizarro nesta associação de acusações à promoção do terrorismo islâmico radical com as impressões que se formam daquele país do Golfo. Recorde-se (o que os jornais portugueses ainda não fizeram...) que o nosso primeiro-ministro esteve lá ainda há menos de um mês (abaixo) numa missão económica. Recorde-se que o Qatar alberga a sede do canal mundial de notícias Al Jazeera (abaixo, imagens de uma cobertura de manifestações pró-democracia no Egipto em 2011), um canal que se sabe ser dessintonizado do pensamento prevalecente entre a maioria das elites dirigentes dos países daquela região. E, para quem goste de aprofundar as suas opiniões, há literatura vária que descreve o Qatar como o país provavelmente mais aberto da região do Golfo e também um dos que mais tem tentado preservar um equilíbrio delicado entre os dois blocos regionais que ali se disputam - o Irão no Norte do golfo versus a Arábia Saudita a Sul (cf. The Gulf States - p. 282 e ss.). Numa perspectiva adicional, há que recordar ainda que o Qatar alberga uma das mais importantes bases militares norte-americanas na região. Tudo isto é muito esquisito. Eu bem sei que estes assuntos não são para ser avaliados com tanta superficialidade e que nestes jogos nunca participam jogadores inocentes, mas, até vir a estar mais bem informado sobre o que causou isto, a predisposição das minhas simpatias vai toda para o lado do Qatar...
Adenda: Foi preciso chegar a noite para que nas televisões se fizesse uma análise mais aprofundada da questão convidando o «especialista» (5 minutos de televisão). E o especialista veio corroborar o que quem sabe onde fica o Qatar já desconfiaria...

15 fevereiro 2013

EMIRADOS DO GOLFO PÉRSICO – OS MILAGRES DA DESSALINIZAÇÃO

Quando Christian Godard (1932-    ), o desenhador de Martin Milan, concebeu originalmente a aventura O Emir dos Sete Beduínos, na qual o seu herói visitava um imaginário (e riquíssimo) emirado de Kahk-Haweit, estava-se em 1971 e alguns dos emirados que lhe poderiam ter…
…servido de inspiração (como o Abu Dhabi, o Bahrein, o Dubai, ou o Qatar), tinham acabado de se tornar independentes. A riqueza em Kahk-Haweit é excessiva, e Godard não se poupa a ironias para a realçar, a começar pelo Mercedes do varredor de ruas até à sobrelotação dos bancos…
O problema de tal paraíso seria a falta de água. A água que é rara, obtida industrialmente e que não presta. A associação dessa falta de água com a riqueza torna-se pretexto para mais algumas piadas com os chafarizes de Kahk-Haweit a dispensarem champanhe Moët & Chandon de 1952, a rega…
…agrícola a ser feita usando sumo de ananás e com os motores a serem refrigerados com vinho novo Beaujolais… Mas o humor da história aflorava um dos grandes problemas de sempre naquela região do Mundo: a falta de água potável, que fizera que a região fosse escassamente habitada.
Contudo, com as grandes (e eficazes...) unidades de dessalinização construídas com a prosperidade do petróleo ultrapassou-se finalmente o problema. Nos últimos 40 anos, a população do Bahrein multiplicou-se por 6 vezes, a do Qatar por 16 vezes, a do Abu Dhabi e do Dubai por 30!
Agora, não havendo falta de água, que esta tem qualidade e não sendo preciso sequer que sejam os varredores locais a varrer as ruas, o novo problema político é que os privilegiados de ascendência local já se tornaram numa pequena minoria estimada em apenas 20% da população residente…

21 janeiro 2013

AS COLOSSAIS COMPANHIAS AÉREAS DOS PAÍSES DO GOLFO

É conhecido como nem sempre sabemos dar valor àquilo que conseguimos manter. Atendendo à evolução do transporte aéreo, a permanência da TAP como companhia aérea nacional revela-se uma proeza. Em países europeus da mesma dimensão populacional da nossa (com 10,6 milhões de habitantes), as companhias de bandeira equivalentes desapareceram. Aconteceu com nomes históricos do transporte aéreo como a Sabena da Bélgica (11,0 milhões) e a Swissair suíça (7,9 milhões) em 2001, a Olympic grega (10,8 milhões) em 2009 e a Málev húngara (9,9 milhões) o ano passado. Esse resultado será fruto das circunstâncias históricas, do facto de termos tido um império colonial e/ou de existir uma diáspora portuguesa espalhada pelo mundo (actualmente em vias de se renovar e reforçar…), mas certamente parte do mérito pertencerá também à gestão da empresa.
Mas o propósito da introdução acima é, mais do que chamar a atenção para méritos que não têm sido reconhecidos, fornecer simplificadamente uma referência de grandeza de dimensão de uma companhia aérea: a TAP, que poderemos considerar uma empresa média do sector, explora actualmente uma frota de 55 aparelhos e tem uma encomenda de mais 12 (o futuro Airbus A-350). A referência é importante para avaliar o propósito dos países do Golfo, que se tornaram independentes há pouco mais de 40 anos (1971), e que têm vindo a utilizar os seus petrodólares para investirem em negócios globais (de que a televisão Al-Jazeera é um excelente exemplo), nomeadamente no transporte aéreo. E os investimentos são faraónicos. Começando pela menor, a Gulf Air do Bahrein (1,2 milhões de habitantes) explora uma frota de 35 aeronaves além de mais 42 encomendadas.
A Etihad Airways está baseada em Abu Dhabi, a capital do emirado homónimo (com uma população de 2,0 milhões), uma das unidades federadas dos Emirados Árabes, e a sua frota actual é composta por 67 aparelhos com mais 96 encomendados. A Qatar Airways é a companhia de bandeira desse país (1,9 milhões), com uma frota dupla da da TAP (118 aviões), perspectivando um crescimento exponencial (179 encomendas). Mas a campeã do optimismo é mesmo a Emirates, sedeada no Dubai (2,1 milhões), outra unidade dos Emirados Árabes, que adquiriu 191 aviões e se comprometeu a vir a adquirir outros tantos (192). Em conjunto, trata-se de uma frota composta por 411 aeronaves com compromissos para a aquisição de mais 509 nos próximos anos e intriga pensar onde é que estas companhias irão desencantar os passageiros que rentabilizem tais investimentos…

21 agosto 2006

OS ÁRABES RICOS

As histórias das arábias referiam-se, nos tempos antigos, à prosperidade das grandes metrópoles do Islão como são os casos de Damasco, de Bagdade ou do Cairo. A partir do século XX essas histórias das arábias mudaram de local e de protagonistas, quer para os árabes nómadas da península Arábica, quer para os pescadores do litoral norte da península, que antes retiravam a sua subsistência da pesca no golfo Pérsico.

Ao contrário de outros países onde houve lugar à descoberta de importantes jazidas de petróleo, mas onde a população era (e é) numerosa (como o Irão ou o Iraque), os países da península eram todos escassamente povoados (ainda hoje a densidade populacional média é sete vezes inferior à portuguesa) e os benefícios dos rendimentos do petróleo tiveram um impacto profundo na população local.

Há o aspecto anedótico das esposas do Emir do Koweit que, tendo alugado um Boeing 747 para ir fazer compras a Paris, regressaram em dois, pois precisaram de um avião suplementar para trazer as compras… Mas há também o aspecto (único no mundo) da cidade do Dubai nos Emirados Árabes, com uma população de 850.000 pessoas, ter como fonte exclusiva de água potável, a água do mar dessalinizada.

O conjunto dos países da península (com excepção do Yemen, que tem muita gente, não tem petróleo e é uma republica…) agrupou-se em 1981 numa espécie de clube selecto de seis países monárquicos chamado Conselho de Cooperação para os Países Árabes do Golfo. Compõem-no a Arábia Saudita, Omã, o Kuweit, o Bahrain, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos, uma federação de 7 emirados. A bandeira da organização ornamenta este post.

Em conjunto, o PIB dos seis países da organização equivalerá sensivelmente ao do Irão, para cerca de metade da população, e tanto a produção petrolífera como o nível de reservas actuais do conjunto corresponderá ao quádruplo dos do seu grande vizinho do norte. Mas o clube – cujo membro dominante é evidentemente a Arábia Saudita (75% da população total) – também tem as suas ameaças.

Há membros que já estão a esgotar as suas reservas de petróleo. É o caso do Bahrain. Embora ainda continue por mais algum tempo (cerca de 10 anos) a extracção de gás natural e tenha havido uma diversificação da economia antevendo o esgotamento dessas fontes de rendimento é sempre arriscado prever as consequências económicas e sociais do fim destes ciclos de prosperidade.
Seguir-se-á Oman, dentro de 20 a 25 anos. E depois será a vez do Qatar. Mas aquele problema que consideramos principal, e que poderá constituir uma verdadeira ameaça para o bem-estar dos árabes ricos está no presente das sociedades dos vários países da organização: cerca de 40% de toda população (36,7 milhões em Julho de 2006, segundo os dados da CIA) é composta por imigrantes.

Os imigrantes são um conjunto bastante heterogéneo. Há uma apreciável quantidade composta por imigrantes sazonais sozinhos (nos Emirados Árabes há três homens para cada mulher adulta) que são fortemente dissuadidos de ali procurarem estabelecer residência definitiva (as políticas poderão variar de país para país e conforme a naturalidade do imigrante mas estamos a falar do padrão dominante).

Quanto à origem dos imigrantes, há que considerar em primeiro lugar, o conjunto de quadros norte-americanos, europeus e japoneses (certamente virá a haver chineses no futuro…) que estão encarregues de supervisionar na origem os processos de extracção do petróleo que os seus países precisam. São poucos e a esmagadora maioria não faz tenção de ficar, por isso não inquietam as autoridades.

Depois, há que considerar a imigração árabe qualificada (nomeadamente egípcia, libanesa e também palestiniana) que, aparentemente é fácil de integrar, mas pode ser potencialmente perigosa, por estar habituada a níveis superiores de intervenção política, estranhos às sociedades locais. Uma boa fracção dos intervenientes nos atentados de 11 de Setembro, discípulos de bin Laden, pertencia a este grupo.

A ocupação dos postos de quadros médios e inferiores e de trabalho não qualificado tem sido disputada entre oriundos dos países árabes e de países asiáticos. A vantagem sociológica da contratação dos primeiros parece ser compensada com a vantagem económica de recorrer aos segundos. Mesmo assim é nítido que a preferência vai para imigrantes oriundos de países muçulmanos da Ásia como o Paquistão, a Indonésia ou o Bangladesh.

Mesmo assim, estas sociedades prósperas do petróleo devem-se contar entre as mais cosmopolitas da actualidade, onde aos países já mencionados, há que adicionar ainda naturais da Índia, das Filipinas, do Sri Lanka ou do Irão, para não falar dos países árabes adjacentes como o Iraque, Yemen, Síria ou Jordânia, a fazer lembrar a diversidade tradicional dos Estados Unidos e a menos tradicional da Europa.

Por não terem a atenção mediática e por não existirem as liberdades políticas do Ocidente, nomeadamente a de expressão, não se pense que tudo esteja bem nos países árabes ricos. A técnica de impedir os imigrantes indesejados de se fixarem já teve os fracassos suficientes – na Alemanha, com os Gastarbeiter*, ou na África do Sul, com os bantustões** – para se perceber que não tem sucesso a longo prazo.

Outro dia, penso que terá Vasco Pulido Valente a perguntar porque razão no Ocidente não se leva a sério a ameaça do terrorismo islâmico com a mesma seriedade com que outrora se levou a do comunismo, durante a guerra-fria. Arrisco a resposta que talvez a sociedade ideal de bin Laden, não sendo deste mundo, não seja suficientemente tangível para que as pessoas a levem a sério, como acontecia com a União Soviética.

Mas o Islão teve e está a ter, com o exemplo destes países, uma oportunidade de mostrar as sociedades que a sua civilização pode criar, quando provida (!) de recursos. Suspeito que essa sociedade, quando vista da perspectiva de – por exemplo – um paquistanês emigrado em Riade, é capaz de não lhe deve parecer assim tão mais atractiva – ideologias à parte – do que parecerá a um seu compatriota a sociedade de Londres.

É questão de nos perguntarmos se os países árabes ricos também não correm o risco de vir a ter, à sua maneira, o seu choque de civilizações

* Traduzida literalmente, a expressão quer dizer trabalhador convidado. Convidado porque não se destinava a ficar na Alemanha para sempre, bem entendido...
** Os bantustões eram países artificiais criados pelo regime sul-africano de supremacia branca. A maioria dos trabalhadores eram nacionais desses países hipotéticos e podiam ser expulsos da África do Sul para o seu país em caso de conveniência...

NOTA: Os dados numéricos foram retirados do CIA Factbook.