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04 abril 2024

A ASSINATURA SOLENE DO PACTO DO ATLÂNTICO

(Republicação)
4 de Abril de 1949. Com destaque de primeira página e amplo desenvolvimento noticioso nessa e na última página, noticia-se a assinatura solene do Pacto do Atlântico. Assinam-no doze países: Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Reino Unido. Portugal faz-se representar na cerimónia pelo veterano José Caeiro da Mata, ministro dos Negócios Estrangeiros. Se a sua fotografia na primeira página é demonstrativa de uma certa ingenuidade daquela época para com as novas artimanhas publicitárias (o logotipo da TWA bem à vista quando descia do «avião em que cruzou o Atlântico»), o teor das suas declarações publicadas na última página mostra as preocupações da diplomacia portuguesa com o sucesso que alcançara: não excitar demasiado os ciúmes do regime espanhol (que fora proscrito da NATO).

03 abril 2021

AS «HOT PANTS» LUXEMBURGUESAS

3 de Abril de 1971. Repare-se como a edição do dia realçava em página inteira a expectativa para a realização do Eurofestival daquele ano, que se iria desenrolar em Dublin. A novidade da transmissão do festival para países africanos (e a notícia detalhava-os: Tunísia, Marrocos, Mauritânia, Quénia, Uganda, Serra Leoa e Etiópia) acrescentava uma nota pueril à notícia. O contraste era composto pela caixa onde se falava da ameaça «de rapto da cançonetista inglesa», consequência das más relações anglo-irlandesas por causa dos problemas do Ulster. Mas, como melhor evocação do que aconteceu nessa noite, deixem-me recuperar algo que escrevera sobre este certame.
Começando por recordar que na temporada Outono-Inverno de 1970/71 assistiu-se à moda fugaz das hot-pants, uns calçõezinhos minúsculos que serviam para mostrar as pernas até bem cá acima, uma moda que bem depressa ficou esquecida. Depois disso, as hot pants viram-se passadas à condição de fato de trabalho de algumas prostitutas... Mas, por ocasião do Eurofestival de 1971 ainda as hot pants eram moda e respeitáveis e a concorrente luxemburguesa apresentou-se a concurso com uma canção engraçada intitulada Pomme, pomme, pomme (Maçã, maçã, maçã), envergando umas hot pants – conforme o vídeo de apresentação – muito tentadoras
O Eurofestival desse ano realizou-se na Irlanda, que, no seu catolicismo, não seria propriamente um dos países mais avançados da Europa em termos de costumes. A canção luxemburguesa apresentava-se em 8º lugar, a intérprete chamava-se Monique Melsen que tinha então 20 anos, com uma figura e a idade apropriada para usar as tais hot pants… Mas o que se torna engraçado ao fim de todo este tempo é observar as habilidades com os planos de que se socorreu o realizador televisivo (acima) para evitar que se desse o destaque merecido a um dos melhores – talvez mesmo o único… – argumentos da canção luxemburguesa: as pernas de Monique…

10 maio 2020

UM DIA NOTICIOSAMENTE RIQUÍSSIMO

10 de Maio de 1940 foi um dia noticiosamente riquíssimo. Em destaque, a Alemanha desencadeou a há muito aguardada ofensiva sobre a frente ocidental, arrastando para o conflito, de uma penada, a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo. Além da França, naturalmente, que já estava em guerra desde há oito meses. Brotavam as notícias, oriundas dos inúmeros locais que haviam sido atacados desde o amanhecer pelo exército e pela força aérea alemãs. Em Lisboa e num golpe de antecipação, o Diário de Lisboa publica uma edição à hora de almoço, apesar de ser tradicionalmente um vespertino (acima, à esquerda). A iniciativa irá ser objecto de uma nota auto-congratulatória na sua segunda edição (abaixo), aparecida cinco horas depois, ao início da noite como era tradicional. A nova edição fora profundamente repaginada. O título em destaque - O avanço alemão foi detido - era mais um desejo do que um facto, como os dias seguintes irão comprovar. No interior, por entre várias notícias dispersas, arrumadas com pouco critério, algumas têm um interesse diversificado: de Londres vinha a notícia que um destacamento de soldados britânicos acabara de invadir a Islândia, para impedir que os alemães a ocupassem; na mesma cidade e no Palácio de Buckingham, o rei Jorge VI recebera o primeiro-ministro Neville Chamberlain que lhe apresentara a sua demissão do cargo; na audiência que se seguiu, o monarca convidou Winston Churchill a desempenhar o cargo e este aceitou o convite.

16 setembro 2019

FOTOGRAFIAS ELOQUENTES

Fotografia que se arrisca a perdurar, simbolizando a situação para onde o Reino Unido se deixou arrastar por causa do Brexit. À direita, o primeiro-ministro luxemburguês aponta para aquele que não aparece na fotografia mas que, como se percebe pela disposição das bandeiras, a preenche: Boris Johnson, o primeiro-ministro britânico, que preferiu não comparecer por causa dos manifestantes que se se expressavam à distância, discordantes. O discurso do anfitrião luxemburguês, proferido em inglês (uma cortesia, já que o inglês não é um dos idiomas oficiais do Luxemburgo) e que é não propriamente muito macio para o ausente, pode ser ouvido no original aqui abaixo. Mas isso será o menos, pois se se dizia antigamente que quem vivia pela espada morria pela espada, nos dias que correm, são os que ascenderam pela imagem que pela mesma imagem se tornam mais vulneráveis.