4 de Agosto de 1972. O presidente ugandês Idi Amin endereça um ultimato aos membros da comunidade indiana residentes no país que haviam mantido a nacionalidade britânica: teriam 90 dias para abandonar o Uganda. A acompanhar a declaração desencadeia-se uma intensa campanha de propaganda tendo como alvo aquela população, que é acusada pelas autoridades e pela comunicação social de minar a economia nacional e de perpetuar a corrupção. Cinco dias passados e o ultimato é alargado aos residentes que fossem titulares de passaportes indianos, paquistaneses e bengalis. A medida abrange mais de 50.000 pessoas de ascendência indiana ou paquistanesa, apenas excluindo cerca de 23.000 membros daquelas comunidades que haviam optado pela nacionalidade ugandesa. Contudo, o ambiente era tão insuportável para todos eles, que, no fim do prazo, apenas 4.000 pessoas haviam optado por permanecer no Uganda e. mais de 5.000 empresas e propriedades haviam sido confiscadas. Apesar das condenações internacionais, a começar pelos governos afectados, britânico, indiano, paquistanês, a decisão prevaleceu porque não houve sanções significativas sobre o regime ditatorial de Idi Amin. Este é um dos exemplos mais flagrantes de perseguição racista dirigida a uma comunidade específica e ocorreu em África, perpetrada por africanos negros. Não se enquadra com as narrativas convencionais: algoz - europeu branco; vítima -qualquer outra raça. Deve ser por isso que quase ninguém está interessado em evocar esta expulsão súbita de 75.000 pessoas por motivos descaradamente cúpidos.
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04 agosto 2022
25 janeiro 2021
IDI AMIN TOMA O PODER NO UGANDA
25 de Janeiro de 1971. Naqueles anos, os golpes de estado eram uma banalidade nos países africanos. E este caso no Uganda não pareceria possuir razões para ser diferente dos demais. Como era comum, os efectivos dos exércitos destes novos países que se apropriavam do poder eram ridiculamente poucos: havia dois batalhões no caso ugandês, o que representaria no máximo 2.000 homens. Mas os seus comandante costumavam exibir patentes desproporcionadas. No caso a de major-general, chamado Idi Amin (1925-2003). Grande e corpulento (1,93), intempestivo, estúpido, Idi Amin tornar-se-á conhecido à escala mundial devido pelo seu comportamento insólito, errático e inconsequente. Foi derrubado em 1979 depois de oito anos no poder em que conseguiu adquirir o estatuto do ditador boçal. Até à eleição (democrática) de Donald Trump em 2016 foi convicção entranhada que aberrações daquele género só podiam acontecer em países do terceiro mundo.
11 abril 2019
A QUEDA DE IDI AMIN
11 de Abril de 1979. Derrube de Idi Amin. O ditador do Uganda tem que abandonar de helicóptero a capital do Uganda, Kampala, quando a cidade foi conquistada pelo exército tanzaniano, que estava acompanhado de algumas unidades político-militares de exilados ugandeses, embora estas últimas apenas lá estivessem para conferir alguma aparência política de guerra civil ao que não passara de um conflito canónico entre os dois países. Mas, por aquela vez, as proclamações que se costumam fazer nestas ocasiões, de que o país vencedor não tivera ambições expansionistas quando da invasão, até se vieram a comprovar substancialmente verdadeiras pelos factos posteriores. A acção militar tanzaniana visara o afastamento de Idi Amin, ditador absoluto no Uganda e protagonista político de comportamento imprevisível.
Valha a verdade que Idi Amin era, pelo menos à escala mediática da época, muito maior do que o seu país. Tendo tomado o poder oito anos antes (1971) num golpe militar, o gigantesco e corpulento Amin (1,93!) havia-se tornado uma figura conhecida e caricata do panorama político internacional (acima) por causa do seu comportamento errático e das suas decisões intempestivas. Por detrás dessa avaliação, notava-se uma indisfarçável sobranceria dos países ocidentais em relação às condições primitivas das sociedades civis dos países africanos. Guardado estava o bocado, para que, quarenta anos mais, e agora de maneira democrática, uma figura com um retrato físico (Trump tem 1,90) e psicológico muito semelhante (só que em branco e louro...) ocupasse o poder em Washington... Veja-se abaixo que não fui o primeiro a pensar na analogia.
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