Se quase todos ouvimos falar de Jack the Ripper (Jack o Estripador), um assassino em série que, em 1888, se notabilizou por assassinar e esventrar prostitutas em Londres, quase ninguém conhece esta história de um outro assassino em série que apareceu em Londres em 1964. O seu alvo eram também as prostitutas, só que, em vez de as estripar depois de mortas, estrangulava-as e depois despia-as, o que levou a imaginativa imprensa local a baptizá-lo de Jack the Stripper. Porém, a denominação menos imaginativa do caso que perdurou foi a de Hammersmith nude murders. E como o caso precedente do século XIX, a sucessão de assassinatos também parece ter cessado sem qualquer explicação e sem qualquer remota suspeita de quem possa ter sido o seu autor. Mas os contornos da história vieram a ser aproveitados para o argumento de um filme de Alfred Hitchcock.
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14 julho 2024
09 julho 2024
O DESMENTIDO DOS RUMORES DO ROMANCE DE GINA LOLLOBRIGIDA COM ROCK HUDSON
9 de Julho de 1964. Os jornais dão destaque a uma daquelas fofocas sobre estrelas de cinema que o futuro se encarregará de desmentir implacavelmente. O romance de actriz italiana Gina Lollobrigida com o actor norte-americano Rock Hudson - que haviam acabado as filmagens de Strange Bedfellows - era impossível porque - como se veio a descobrir mais de 20 anos depois - o actor era homossexual. No entanto, estes rumores podiam não ser involuntários, já que dispersavam os outros rumores.
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07 julho 2024
«CHARIOTS OF FIRE»
7 de Julho de 1924. Tem lugar a final da corrida de 100 metros de atletismo dos Jogos Olímpicos de Paris. A corrida foi ganha pelo britânico Harold Abrahams. A ocasião tornou-se conhecida muitas décadas depois porque constitui o clímax do filme «Chariots of Fire» de 1981 (acima a reconstrução da ocasião feita para o filme, abaixo as verdadeiras imagens da ocasião, desprovidas do charme das primeiras).
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01 junho 2024
«ONCE UPON A TIME IN AMERICA»
1 de Junho de 1984. O filme «Once Upon a Time in America» (veio a receber o título em português «Era uma vez na América») era estreado nos Estados Unidos em 894 cinemas simultaneamente. Era um filme realizado por Sergio Leone, protagonizado por Robert de Niro e James Woods e com música composta por Ennio Morricone. Mas tratava-se de uma versão fortemente editada (reduzida, durava um pouco menos de 2 horas e meia) do (extenssíssimo: seis horas!) filme original de Leone e as críticas que se podiam ler a respeito não eram particularmente simpáticas para a versão exibida além-Atlântico (acima, a do New York Times). Por contraste, uma outra versão mais extensa (mesmo assim, apenas quase quatro horas!) havia sido estreada no Festival de Cinema de Cannes e recebera uma ovação inesgotável de quase 20 minutos após a exibição (alegadamente ouvida pelos clientes dos restaurantes do outro lado da rua do Palais). De toda a maneira, esta versão adaptada para o mercado norte-americano - uma adaptação para a qual Leone não contribuíra - facturou uns míseros US$ 2,4 milhões durante este seu fim de semana de estreia de há 40 anos, e as receitas totais de bilheteira pouco excederam os US$ 5,3 milhões, quando o filme tivera um orçamento de US$ 30 milhões. Pela versão norte-americana de avaliar os filmes, o filme tornar-se-á um fiasco total. Mas o filme que os norte-americanos haviam visto fora uma versão preparada para eles: as histórias não podem ser muito complexas nem demasiado extensas; um dos aspectos mais criticados acima pelo autor da crítica são as analepses e a narrativa não linear do filme. O tempo e o acesso a versões mais elaboradas de Once Upon a Time in America parecem ter reconciliado os cinéfilos americanos com esta última obra de Sergio Leone. Para mim, e talvez paradoxalmente, a querer destacar algum aspecto do filme, esta música abaixo de Ennio Morricone (Cockeye Song) e o efeito que se extrai da sonoridade muito própria da flauta de pã.
27 maio 2024
«ESTÃO FORA DE CONTROLO»: BANDO DE CEM GALINHAS SELVAGENS ASSOLA UMA ALDEIA
Para os mais veteranos, como eu, é impossível ler notícias deste teor, a de uma aldeia inglesa atormentada por um bando de galinhas tornadas selvagens, sem pensar em clássicos da sociologia galinácea como é o caso do filme de animação «Chicken Run» (A Fuga das Galinhas) (2000)...
...ou então associando aquele comportamento agressivo e descontrolado à psicologia galinácea contida na música-paródia «Psycho Chicken» dos The Fools (1979), que foi uma paródia ao sucesso musical «Psycho Killer» aparecido dois anos antes, interpretado pelos Talking Heads.
Mas isso será apenas a atitude de quem quererá criar um mínimo de empatia com a causa das galinhas. A atitude prevalecente pode já não ser essa, considerado o sucesso das formações de extrema direita (o Reform UK no caso britânico), e a solução de demagogos como Nigel Farage para os problemas que afligem Senettisham, Norfolk, será torcer-lhes o pescoço a todas e organizar um churrasco. Aqui, e por se tratar de galinhas, ao menos parece ser menos controverso do que as soluções que eles costumam dar para resolver a imigração.
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23 maio 2024
BONNIE & CLYDE ATRAVÉS DOS TEMPOS
(Republicação)
23 de Maio de 1934. Bonnie e Clyde são emboscados e abatidos por um destacamento policial de seis polícias fortemente armados. Nem de propósito, e se acreditarmos no documentário acima, filmado na época, cinco minutos depois dos acontecimentos já um «amador» estava postado a filmar o que acontecera. Ora a emboscada tivera lugar numa estrada remota, e as câmaras de filmar em 1934 não são como os telemóveis nos nossos dias... Aliás, aquilo que o documentário nos mostra não esconde a sua intenção pedagógica e dissuasora, numa sociedade norte-americana muito combalida, a passar então pelo auge da Grande Depressão. Ou não foram cinco minutos, ou o destacamento incluía mais gente para além dos metralhadores.
33 anos depois, o realizador Arthur Penn romantizou o casal e conferiu-lhes uma fama mundial com o filme homónimo. 46 anos depois disso, o canal História produziu uma mini-série sobre o mesmo tema. A reconstituição da cena da morte do casal, ocorrida cumprem-se hoje 90 anos, tornou-se um clássico.
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02 maio 2024
A AUDIÇÃO QUE É APRESENTADA COMO SE FOSSE O CARTAZ DE UM FILME CATÁSTROFE DO ANOS 70
Como se pode ler acima, por proposta do PCP foi aprovada pelo parlamento a audição por aquele órgão do processo de privatização da ANA, que se realizou em 2012, vai para 12 anos. E o formato como a notícia é dada acima é outro regresso ao passado, evocativo dos cartazes daqueles filmes catástrofes da década de 70. Naqueles filmes - como acontecerá nestas audições parlamentares - a maioria dos espectadores conheciam de antemão os contornos gerais do enredo e estavam seguros quanto ao desfecho - que obviamente não vai ser nenhum, neste caso da privatização da ANA. Mas, mesmo sabendo tudo isso de antemão, o que os estúdios de cinema consideravam que era importante para captar as atenções dos espectadores era o elenco robusto de estrelas de cinema que entrava no filme. A única coisa que falta à notícia da Lusa de hoje, quando em comparação com os cartazes de há 50 anos são só as fotografias alinhadas das estrelas desta audição... De resto, tem tudo a ver com aeroportos.
30 abril 2024
SOBRE A CHEGADA DO 25 DE ABRIL AO CINEMA E A SUA (R)EVOLUÇÃO - DAS «PORTAS QUE ABRIL ABRIU» ATÉ ÀS «CUECAS QUE ABRIL DESPIU»...
(Republicação a pretexto do dia do cinquentenário da estreia em Portugal de «O Último Tango em Paris»)
Em termos cinematográficos o 25 de Abril ficou também para sempre associado a O Último Tango em Paris. Estreado a 30 de Abril de 1974 no Monumental (acima), uma das primeiras constatações concretas pelos portugueses do que era o usufruto da Liberdade: assistir a um desses filmes bem condimentados (mas intelectuais) sem quaisquer cortes da censura, como acontec(er)ia por essa Europa fora… Não era bem verdade, mas isso então não interessava nada¹. Tratava-se de toda uma nova relação do espectador português com a arte…
Nesses tempos heróicos, em paralelo com referências como O Couraçado Potenkin ou então O Destacamento da Guarda Vermelha, a educação do típico espectador português em transição para o socialismo também se fazia no segmento do Último Tango: filmes europeus com muita conversa intelectual mas acompanhada de coboiada. O apogeu desses filmes terá sido o estreado a 2 de Janeiro de 1975 no Império (acima) com um título intraduzível (La maman et la putain²) e um apelo descarado ao voyeurismo, veja-se o cartaz abaixo.
Infelizmente, e apesar da ousadia do título, o filme revelava-se uma pastilha comprida e chata com 3 horas e 37 minutos de duração, conversa demais e muito pouca acção para o que era sugerido como se antecipa abaixo. Apesar do impacto da altura, actualmente o filme estará praticamente esquecido e os gostos dos espectadores portugueses começaram a clarificar-se, separando-se aqueles que preferiam os enredos dirigidos então por Ingmar Bergman dos que preferiam os enredos protagonizados por Linda Lovelace…
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23 abril 2024
A GOLPADA
Terça-Feira, 23 de Abril de 1974, 21h45. Estreia do filme A Golpada, enquanto O Golpe estava previsto para dali a dois dias...
E precisamente por causa d'O Golpe (e da torrente noticiosa que ele veio a desencadear), a crítica ao filme A Golpada só veio a ser publicada mais de três semanas depois da estreia...
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04 abril 2024
EM ESTILO DE «RESERVOIR DOGS»
Há coisa de um ano, o governo antecedente de António Costa exibiu-se numa fotografia que nos fazia lembrar a primeira parte - a paralítica - de um daqueles tradicionais vídeos do Harlem Shake... (que haviam estado na moda dez anos antes) Em contraste e como seria de esperar, a pose e estilo como o novo executivo se pretende apresentar são completamente diferentes, dinâmicos, a lembrar-nos a abertura do filme «Reservoir Dogs»...
Para além da semelhança estética, uma certa orientação muito predominante na comunicação social nas críticas elogiosas como os comentadores estão a acolher o novo executivo, faz-me lembrar precisamente a atitude como costumam ser acolhidos todos os filmes de Quentin Tarentino...
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03 abril 2024
OS ÚLTIMOS VESTÍGIOS DA DISPUTA PELA SUCESSÃO DE ESTALINE
3 de Abril de 1964. Num artigo publicado no oficialíssimo Pravda, órgão central do Partido Comunista da União Soviética, artigo esse que aparecera assinado por aquele que era o oficialíssimo ideólogo do partido, o camarada Mikhail Suslov, o Mundo ficava a saber que os camaradas Vyacheslav Molotov, Geórgiy Malenkov e Lazar Kaganovich haviam sido expulsos do partido por ocasião de uma reunião do Comité Central que tivera lugar mais de um mês antes, a 14 de Fevereiro de 1964. Hoje esquecidos, qualquer daqueles três homens pertencera ao círculo que rodeava o ditador Estaline e fora elemento importante na disputa para a sua sucessão depois da sua morte em 1953. (Em parêntesis, confirme-se no vídeo abaixo que todos os três aparecem como personagens destacadas no filme comédia negra A Morte de Estaline de 2017). Mas Estaline morrera onze anos antes e o vencedor da disputa que se seguira fora Nikita Khrushchev. Como o próprio artigo do New York Times se encarrega de recordar os seus leitores, eles já haviam sido afastados dos cargos cimeiros do partido a partir de 1955 e desterrados administrativamente para cargos subalternos em localidades esconsas da imensa Rússia. Mas, pelos vistos, o que se ficava a saber há sessenta anos é que essa sanção não fora considerada suficiente.
Compare-se agora a mesma notícia original quando publicada num jornal português, em que a referência às expulsões não pôde ser referida. Isto é um exemplo concreto da diferença entre uma informação livre e outra tutelada.
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26 março 2024
«YOU CAN'T HANDLE THE TRUTH!»
...para quem se lembre ainda do enredo do filme. A sociedade está cheia destes coronéis que consta serem excepcionais em variadíssimos aspectos, excepto quando chegamos ao momento da assumpção das suas responsabilidades como líderes.
10 março 2024
OS SONS DO SILÊNCIO
(Republicação)
A 10 de Março de 1964 a dupla Simon & Garfunkel gravava a canção The Sounds of Silence. Com o sucesso, que incluiu ter feito parte da banda sonora de um dos filmes icónicos da década de sessenta, The Graduate (1968), o título veio a perder a subtileza inicial de que o silêncio tinha mais do que um som...
Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sounds of silence
In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sounds of silence
And in the naked light I saw
Ten thousand people maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never shared
No one dared
Disturb the sounds of silence
"Fools," said I, "you do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you"
But my words like silent raindrops fell
And echoed in the wells of silence
And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
And the sign said "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls
And whispered in the sounds of silence"
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22 fevereiro 2024
A ESTREIA NACIONAL DE «AS FÉRIAS DO SR. HULOT»
22 de Fevereiro de 1954. No cinema Tivoli estreia «As Férias do Sr. Hulot». A sua estreia mundial em França ocorrera um ano antes (25 de Fevereiro de 1953), ambas as estreias no pino do Inverno, apesar do filme tratar de umas férias de Verão.
07 fevereiro 2024
O INÍCIO DA RODAGEM DE «A MENINA DA RÁDIO»
(Republicação)
7 de Fevereiro de 1944. Nas suas páginas centrais o Diário de Lisboa dava conta que naquele dia se iniciava a rodagem do filme «A Menina da Rádio». Mas a notícia era dada como se o enredo à volta do filme fosse verdadeiro: o actor António Silva estabelecera-se com uma pastelaria ali para os lados da Estrela. O ramo tinha as suas peculiaridades naqueles tempos de escassez e racionamento de géneros, como o próprio filme virá a acautelar logo nas primeiras imagens...
A Menina da Rádio viria a estrear em 3 de Julho de 1944, dali por cinco meses.
27 janeiro 2024
A ESTREIA DE «FELIZ NATAL MR. LAWRENCE»
27 de Janeiro de 1984. Estreia de «Feliz Natal Mr. Lawrence». Que, por um acaso, assisti nessa noite no cinema Castil. Filme que, correndo o risco de me repetir, termina com uma cena memorável de interpretação (abaixo) por parte de dois actores - um britânico, outro japonês. Actores esse que, por sinal, nem sequer são os protagonistas do filme.
24 janeiro 2024
UMA PÁGINA INTEIRA DE M....
A edição do Público de 24 de Janeiro de 2014 dedicava uma página inteira às «buscas» que se estavam a realizar à casa de «José Manuel Canavarro, antigo membro do governo de Santana Lopes, actual deputado do PSD e antigo consultor do grupo de educação GPS» que estava «a ser investigado por alegada corrupção». Quem se der ao trabalho de ler o artigo compreende que se trata de um texto redigido com «alegada» prudência jornalística. «Contactado pelo Público, José Manuel Canavarro afirmou que não "queria comentar nada sobre esse assunto". O assunto eram «as suspeitas do crime de corrupção». O desfecho daquelas «suspeitas» podêmo-lo apreciar seis anos e dez meses depois num título de um artigo da revista Visão: arquivamento. Este suspeito era do PSD, mas este é apenas mais um exemplo das palhaçadas espalhafatosas lançadas pelos jornais com o contributo dos procuradores do MP e cujo desfecho se perde depois num esquecimento conveniente. (adenda: nem de propósito, hoje eclodiu mais um caso com Miguel Albuquerque, presidente do governo regional madeirense; a carreira política dele passou à história mas é desejável, para credibilidade de todo o nosso sistema social, político e judicial, que o episódio de hoje não se venha a revelar uma reedição das acusações de há dez anos contra José Manuel Canavarro...)
Precisamente sobre este tema da manipulação da comunicação social pelo ministério público permitam-me recordar um excelente filme de 1981 intitulado no original «Absence of Malice» (A Calúnia). Apesar de estrelado por Paul Newman e Sally Field e realizado por Sidney Pollack e de possuir uma grande cena cena de representação protagonizada pelo secundário Wilford Brimley, este filme é, muito provavelmente, o mais subestimado de toda a filmografia de Pollack. Porque jornalistas e procuradores saem ambos muito maltratados dele, não custa perceber o porquê da colocação deste excelente filme no fundo da gaveta.
Precisamente sobre este tema da manipulação da comunicação social pelo ministério público permitam-me recordar um excelente filme de 1981 intitulado no original «Absence of Malice» (A Calúnia). Apesar de estrelado por Paul Newman e Sally Field e realizado por Sidney Pollack e de possuir uma grande cena cena de representação protagonizada pelo secundário Wilford Brimley, este filme é, muito provavelmente, o mais subestimado de toda a filmografia de Pollack. Porque jornalistas e procuradores saem ambos muito maltratados dele, não custa perceber o porquê da colocação deste excelente filme no fundo da gaveta.
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08 janeiro 2024
O HOMEM QUE PASSOU MAIS TEMPO NO ESPAÇO
(Republicação)
8 de Janeiro de 1994. Lançamento da missão espacial russa Soyuz TM-18. Entre a tripulação (fotografia acima) encontra-se o médico Valeri Polyakov de 51 anos (à esquerda) que irá passar os próximos catorze meses e meio (437 dias) na estação espacial MIR, estabelecendo com isso o record do maior período contínuo passado no espaço (um record que ainda hoje subsiste). O vídeo abaixo mostra o seu retorno à Terra a 22 de Março de 1995, com a tripulação da missão Soyuz TM-20. Se a proeza tivesse sido realizada pelos norte-americanos, teria sido notícia de encher os cabeçalhos à volta do Mundo; pelo contrário, no caso, ainda se nota um certo provincianismo socialista soviético nas cerimónias preparadas para o acolhimento dos cosmonautas.
Pela sua duração, este terá sido o processo experimental mais próximo de replicar e estudar as condições de imponderabilidade por que terão de passar quaisquer tripulantes de uma futura missão a Marte (cuja duração previsível rondará os vinte e um meses). De há trinta anos para cá produziram-se incontáveis estudos teóricos quanto a missões espaciais tripuladas para a exploração daquele planeta, mas a verdade é que nada foi desenvolvido naqueles aspectos experimentais mais concretos (e mais caros...) da missão, nomeadamente este aspecto crucial de compreender e lidar com as reacções do organismo humano à presença prolongada no espaço. Passarão várias décadas antes de que a história de ir lá buscar o Matt Damon possa ser algo mais do que ficção...
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23 dezembro 2023
«LOLITA» CASOU-SE
23 de Dezembro de 1963. Uma discreta notícia dá conta do casamento da jovem actriz Sue Lyon que se notabilizara a interpretar o papel principal do filme «Lolita» (1962). «Lolita» fora realizado por Stanley Kubrick, que se baseara na obra literária homónima de 1955 de Vladimir Nabokov. As duas «Lolitas» eram obras controversas, que contavam a história de um professor de literatura de uma idade madura, dominado pela hebefilia, que se envolve sentimental e sexualmente com a sua enteada Dolores de 12 anos, conhecida por Lolita, daí o nome da obra. No período das filmagens - veja-se abaixo uma das cenas do filme - a actriz Sue Lyon tinha 14/15 anos. E, pelo seu desempenho naquele papel, a actriz havia recebido um Globo de Ouro em 1962, como actriz revelação. Agora, quando já tinha 17 anos, era notícia o seu «primeiro casamento» em Hollywood. Ironicamente, provavelmente pela sua temática muito delicada, o filme ainda não se estreara em Portugal. Só o virá a ser em 1972. É caso para perguntar qual seria a relevância desta notícia do casamento de uma actriz que ainda ninguém vira nas salas de cinema em Portugal.
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16 dezembro 2023
OPERAÇÃO RAPOSA DO DESERTO
(Republicação)
16 de Dezembro de 1998. Sete anos passados sobre a Guerra do Golfo de 1991 tornara-se perceptível que a situação política alcançada na região, com a permanência de Saddam Hussein ainda à frente dos destinos do Iraque, fora uma solução ainda instável. Saddam Hussein sempre se mostrou um vencido muito pouco convencido. E a relação entre os iraquianos e as autoridades da ONU, encarregues de monitorizar os programas de desarmamento e de bom comportamento, a que os iraquianos se haviam originalmente comprometido por ocasião da derrota, essa relação tornara-se disfuncional. Foi tomando por pretexto mais um encadeado de incidentes, que os Estados Unidos (com o seu aliado britânico) desencadearam há precisamente 25 anos uma operação a que deram o nome de Desert Fox. Tratou-se de mais uma série de bombardeamentos a objectivos militares iraquianos que, desta vez, se iriam prolongar por quatro dias (16-19 Dezembro). Como seria de esperar, no fim, a operação foi considerada um sucesso pelos promotores, mas, tal como também seria de esperar, a comunicação social não tinha condições de fazer uma avaliação independente sobre o assunto - limitava-se a transmitir as tão apreciadas imagens dos bombardeamentos nocturnos de Bagdade (acima), um verdadeiro espectáculo de fogo de artificio que saía muito bem nas televisões! Por coincidência (ou talvez não...) por aqueles dias decorriam em Washington os trabalhos da Câmara de Representantes a respeito do «impeachment» do presidente Bill Clinton por causa do Caso Lewinsky. As votações que o condenaram por perjúrio e obstrução à justiça tiveram lugar em 19 de Dezembro e houve quem tivesse memória para se lembrar da enorme coincidência de tudo o que estava a acontecer com o enredo do filme Wag the dog (Manobras na Casa Branca), que estreara no princípio daquele ano...
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