16 de Junho de 1904. Nikolay Bobrikov, que era o governador-geral da Finlândia sob domínio russo é assassinado a tiro em Helsínquia por um finlandês de ascendência nobre e pertencente à minoria sueca chamado Eugen Schauman. Bobrikov ocupava o cargo desde 1898 e era o ápex local de uma política de russificação forçada da Finlândia. E impopularíssimo por causa disso. O assassino disparou três tiros sobre o governador e guardou um último para si próprio. O atirador morreu de imediato. Mas, como estes acontecimentos são repletos de ironias, ao governador, o primeiro tiro roçou-lhe apenas o pescoço, o segundo atingiu-o na colecção de medalhas que se podem apreciar acima e ressaltou e foi apenas a última bala que acabou por o vir a atingir, ainda que indirecta mas gravemente, já que embateu na fivela do cinto e foi esta que lhe perfurou o abdómen. Operado de imediato, Bobrikov não resistiu à cirurgia. Schauman veio a tornar-se um herói nacional, primeiro de uma forma clandestina, depois de forma oficial depois da independência do país em 1918. É importante relembrar estes acontecimentos nesta altura, para se perceber porque é que os finlandeses não gostam dos russos e se apressaram a pedir o ingresso na NATO na sequência da invasão russa da Ucrânia.
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16 junho 2024
26 agosto 2022
PORTUGAL E FINLÂNDIA: UMA «RELAÇÃO DE BEIJO NA BOCA»
Não sei quantos ainda recordarão que, aqui há onze anos, quando se constatou que o desconhecimento da realidade portuguesa era enorme entre os finlandeses, se resolveu fazer um video que lhes era destinado, a respeito do nosso país (acima). Da Finlândia responderam com um video seu e o que interessa concluir é que, desde então, parecer-me-á que os dois países ficaram íntimos. Tanto assim, que a propósito do recente episódio das imagens da primeira-ministra finlandesa que acabaram publicadas nas redes sociais (abaixo), um assunto que não estou a ver bem qual é, parece não haver comentador encartado dos nossos que não tenha emitido uma opinião - de preferência ultrajada - sobre o acontecimento. Esse assunto afigura-se importante, eu é que não o devo ter percebido bem.
22 junho 2022
ONDE É QUE TU ESTAVAS...?
22 de Junho de 1972. Esta notícia de há 50 anos é um dos inúmeros exemplos demonstrativos de, como no tempo dos blocos da Guerra Fria, a relação dos vizinhos próximos da União Soviética tinham de ser subservientes para com ela. Isto acontecia apesar de, em quase todos os outros aspectos, a Finlândia ser uma democracia. Mas neste aspecto não era uma democracia. O Sol da Terra (como Álvaro Cunhal denominava o império soviético) irradiava com muito calor, especialmente para os países que lhe ficavam mais próximos. O filme Um Dia na Vida de Ivan Denisovich baseara-se no livro homónimo do escritor russo Alexandre Soljenitsyne e fora realizado, numa co-produção anglo-norueguesa, em 1970, no ano em que o escritor ganhara o Prémio Nobel da Literatura conferido pela Academia Sueca. Um Prémio Nobel extremamente incómodo para Moscovo, que proibiu o escritor de o ir receber pessoalmente a Estocolmo. O tema central do filme (abaixo), como aliás se refere na notícia, são as condições de vida num típico campo de concentração russo na época de Staline. Foi Artista Bastos (o boneco de Baptista Bastos, criado por Herman José) que popularizou a expressão «Onde é que tu estavas no 25 de Abril?», sugerindo uma denúncia daqueles que eram da outra e que se haviam bandeado para esta na ocasião. Pois bem, eu nunca deixo de especular o que é que andariam a fazer por aquela altura, sabendo o que já se sabia, aqueles que hoje se confessam comunistas arrependidos.
Ironicamente, dali por duas semanas aquele mesmo filme iria ser estreado em Lisboa. Lauro António, o crítico de cinema do mesmo Diário de Lisboa não o achou particularmente anti-comunista. E, das duas uma: ou Lauro António não percebera o filme lá muito bem; ou então eram os finlandeses que andavam num frenético excesso de zelo. Maliciosamente, e quanto ao aspecto da censura que o filme sofrera (que o crítico decerto conheceria), ainda se pode acrescentar a hipótese de que seria Lauro António que não estaria a querer ver o filme.
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11 março 2022
DE COMO, HISTORICAMENTE, A RÚSSIA TEM SIDO SEMPRE UM MAU VIZINHO
No meio de tantos precedentes históricos de que se tem falado, este é apenas mais um, com a vantagem de ainda não o ter visto evocado, mais um exemplo de uma guerra de anexação da Rússia sobre um dos seus vizinhos. Esta outra guerra tem mais de 200 anos, travou-se durante cerca de ano e meio entre 1808 e 1809, no meio do turbilhão que se vivia então na Europa por causa das guerras napoleónicas, e começou também por um ataque da Rússia (à semelhança do que está em curso na Ucrânia - vejam-se os mapas acima), com o seu desfecho (também previsível) da Suécia ter perdido a sua província da Finlândia para a Rússia. A Finlândia, que fora até aí uma colónia sueca, e que, por isso, não gostava dos suecos, vai entrar a partir dai num século (1809-1917) de ligação à Rússia, para também ficar a detestar os russos. Tanto assim que, já depois da actual invasão da Ucrânia, e por acaso, o presidente finlandês esteve em Washington a conferenciar com Biden, com a questão de um eventual pedido de adesão do seu país à NATO em cima da mesa. Pelos vistos a Operação Militar Especial de Vladimir Putin, de tão especial, está a alterar as percepções de segurança até mesmo aos vizinhos que se consideravam até aqui acima das ameaças russas.
02 março 2022
PUTIN E O PASSADO
(Em 20 de Março de 2013 - já há nove anos, portanto - publiquei no Herdeiro de Aécio o poste abaixo, a respeito da Guerra de Inverno de 1939-40, e das declarações proferidas a propósito por Vladimir Putin, branqueando os propósitos imperialistas e expansionistas da Rússia soviética. As circunstâncias envolventes tornam possível realçar algumas analogias entre a situação daquela altura - a invasão da Finlândia - e a que agora se vive entre a mesma Rússia e a Ucrânia. Mas alerto que convém proceder com moderação na evocação das semelhanças... De todo o modo, no fim, a Finlândia teve que se vergar às exigências de Estaline. Mas o que eu quero relembrar do poste então publicado, é que já então Putin dizia as coisas mais descaradas do revisionismo histórico e o resto do Mundo era de uma indulgência indesculpável para com o que ele dizia...)
Ao encontrar-se na quinta-feira passada com uma delegação de historiadores militares, o presidente russo Vladimir Putin declarou, a propósito da comemoração dos 73 anos do fim da Guerra de Inverno contra a Finlândia (1939-40), que a mesma se podia justificar pela intenção do seu antecessor Estaline em rectificar os erros que haviam sido cometidos no traçado da fronteira soviético-finlandesa, estabelecida originalmente em 1917 quando da secessão daquele país do Império Russo. Prosseguindo, Vladimir Putin admitiu os erros militares iniciais dessa campanha, apenas para os fazer contrastar com a mobilização que se seguiu que fez com que a Finlândia sentisse todo o poderio do estado russo (então soviético). Em remate, expressou o seu apoio à construção de um memorial em homenagem aos mais de 125.000 soldados do Exército Vermelho que tombaram naquele conflito.
Esta Guerra de Inverno travada entre a União Soviética e a Finlândia tornou-se um exemplo canónico de uma guerra imperialista, em que a potência mais forte impõe a sua vontade ao mais fraco. Também a parte do traçado da fronteira que mais incomodava os soviéticos, a sua proximidade de São Petersburgo (então Leninegrado), não data de 1917 como se depreenderia das palavras de Putin, mas de 1815 e do Tratado de Viena que estabeleceu a anexação do Grão-Ducado da Finlândia pelo Império Russo. Mas todos estes lapsos empalidecerão se imaginarmos, para comparação e em paralelo, o que aconteceria se Angela Merkel se decidisse a apoiar a construção de um memorial aos soldados alemães tombados na campanha da Polónia em 1939, argumentando que a iniciativa se justificaria com a intenção do seu antecessor Hitler em rectificar erros dos traçados fronteiriços do Tratado de Versalhes…
Seria o assunto tratado desta mesma forma recatada pela comunicação social de todo o mundo? Ou não? É para equilibrar os pesos nesta balança histórica desequilibrada que nunca me canso de chamar a atenção neste blogue para as virtudes da dialéctica… As denúncias dos crimes dos fascismos e do nazismo já estão muito bem servidas.
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24 setembro 2020
DEPOIS DA COCA, AGORA É O COVID
Segundo notícias particularmente interessantes e inovadoras, no aeroporto de Helsínquia estão a experimentar um novo processo de detectar passageiros portadores de covid recorrendo a cães que os farejam à chegada. Segundo se lê na notícia, o cão consegue farejar o vírus logo em dez segundos e o grau de precisão do diagnóstico do cão aproxima-se dos 100%. A sério?... A sério, a notícia esclarece depois que os cientistas não fazem a mínima ideia do que é que os cães farejariam para conseguirem distinguir uns de outros; e alvitrando que há um estudo francês que estabelece que o suor dos infectados com covid poderá ter um odor diferente do das pessoas saudáveis - mas ele não há estudos sobre o covid que justifiquem tudo e o seu contrário? Talvez por isto ter aparecido num daqueles países frugais, ninguém se atreve a sugerir que, ou a ideia é brilhante como os telemóveis da Nokia, ou então arrisca-se a ser muito estúpida. E daí, afinal de contas, se já somos revistados, temos que deixar as tralhas que apitam nos tabuleiros, fazer figuras tristes de calças em baixo, sem cintos nem sapatos com fivelas, que diferença faz mais um cão a cheirar-nos a sudação das partes?
14 dezembro 2019
A EXPULSÃO DA UNIÃO SOVIÉTICA DA SOCIEDADE DAS NAÇÕES (S.D.N.)
14 de Dezembro de 1939. Em Genebra, a Assembleia da Sociedade das Nações (S.D.N.) aprovava a moção em que se condenava a invasão da Finlândia pela União Soviética. Esta, que se recusara a comparecer para se explicar, é expulsa da organização. Tomando em conta que já o Japão, a Itália e a Alemanha haviam abandonado essa mesma organização, e que os Estados Unidos nunca dela haviam feito parte, por razões que aqui no blogue se têm vindo a descrever, e considerando sobretudo que estava uma grande guerra em curso, esta expulsão dos russos não tem grandes consequências práticas do ponto de vista da ordem internacional. Será, aliás, o último grande gesto da S.D.N. O Palácio das Nações de Genebra, onde a reunião teve lugar, não voltará a funcionar até ao fim da Segunda Guerra Mundial em 1945. Todo este assunto da expulsão dos soviéticos foi sempre tratado com pinças. Não apenas depois de Junho de 1941, quando a invasão da Alemanha, levou a União Soviética para o lado dos bons na História e se preferiu esquecer os tempos em que estivera do lado dos maus. Já na época se nota um esforço na informação em não se ser demasiado crítico para com os russos. Atente-se ao formato como a notícia acima do Diário de Lisboa se apresenta, em que em lado algum se consegue ler em título aquela que fora a decisão importante da Assembleia: a expulsão da União Soviética. E no entanto, é mais do que duvidoso que tanta precaução se devesse a cuidados com a censura oficial: o anti-comunismo congénito do Estado Novo torna pouco plausível que houvesse esse género de cuidados para com os soviéticos, aliás houvesse-os, a esses cuidados oficiais, e decerto não teria sido «o delegado de Portugal» a ler o relatório e a moção, conforme se pode ler no cabeçalho da notícia. O diplomata português teria sido decerto instado pelas Necessidades a dispensar a honra. Este circunlóquio da notícia parece dever-se a opção editorial.
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26 novembro 2019
O INCIDENTE DE MAINILO
26 de Novembro de 1939. A artilharia soviética disparou contra a própria povoação russa de Mainilo, situada na fronteira russo-finlandesa, a uns 30 km a Norte de São Petersburgo (na época conhecida por Leninegrado). A intenção, como já acontecera com os japoneses na China em 1931 ou com a Alemanha em relação à Polónia há menos de três meses, era criar um falso incidente diplomático que a União Soviética viesse a invocar para justificar a intervenção militar (invasão) sobre a Finlândia que Moscovo pretenderia desencadear de seguida. Porque o assunto tinha uma ressonância de déjà vu e era grave, era tratado pelos jornais com o destaque e a gravidade que as imagens acima documentam, como se o incidente não tivesse grandes hipóteses de remissão e se se tratasse apenas dos preâmbulos de uma declaração de guerra da União Soviética à Finlândia. Os jornais não estavam enganados: a denominada Guerra de Inverno iria começar dali por quatro dias (30 de Novembro), com a invasão da Finlândia. Só que as coisas não iriam correr militarmente da mesma maneira que a Alemanha fizera na Polónia. Muita água iria correr debaixo das pontes até 1945 por aquelas paragens, mas, por estes dias de há oitenta anos, em termos de política internacional, a semelhança entre os métodos e estilos dos nazis alemães e dos comunistas russos era mais do óbvia...
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16 maio 2018
A PARADA DA VITÓRIA DA GUERRA CIVIL FINLANDESA
16 de Maio de 1918. Encabeçada pelo general Carl Mannerheim tem lugar nas ruas de Helsínquia a parada da Vitória dos brancos na guerra civil finlandesa que eles haviam travado contra os vermelhos.
26 julho 2015
OS ALIADOS
Ao contrário do que possa ser a imagem predominante nos dias que correm, nem toda a colaboração que a Alemanha e Adolf Hitler obtiveram durante a Segunda Guerra Mundial resultou de coacção. Houve países onde se apostou deliberadamente no sucesso do Eixo. Da esquerda para a direita, Ion Antonescu (1882-1946) da Roménia, Miklós Horthy (1868-1957) da Hungria, Carl Gustaf Mannerheim (1867-1951) da Finlândia e Ante Pavelic (1889-1959) da Croácia. Não é por coincidência que todos aparecem uniformizados como também não será por coincidência que, à excepção de Antonescu, que foi fuzilado no seu país natal em 1946, todos os outros morreram no exílio em países que haviam permanecido neutrais durante a Guerra: Horthy em Portugal, Mannerheim na Suíça e Pavelic em Espanha.
09 fevereiro 2012
DOIS LIVROS A PROPÓSITO DO SCHULZ
Os livros de História sobre a Segunda Guerra Mundial costumam ser uma demonstração prática de como as grandes decisões históricas são o atributo dos grandes protagonistas: as grandes potências. Nesses e noutros livros abrangentes, as referências que possam ser dedicadas aos outros intervenientes – os pequenos países – costumam ser episódicas e/ou feitas de passagem. E então livros que lhes sejam especificamente dedicados aos pequenos países são uma raridade.
Estas duas raridades acima e abaixo têm por tema as participações da Hungria e da Finlândia na Segunda Guerra Mundial. A localização geográfica de ambos fez com que se tornasse impossível a sua neutralidade no épico embate germano-russo pela posse do Heartland (como era definido por MacKinder). Os dois pequenos países aliaram-se à Alemanha nesse embate (a partir de Junho de 1941) e seguiram-na sem um entusiasmo particular durante a época das suas vitórias
Mas o que torna os livros educativos para a situação que se vive actualmente na Europa é o período das derrotas alemãs (de 1943 a 1945) e como ambos aqueles países procuraram preservar a sua autonomia estratégica diante de uma Alemanha cada vez mais fraca e cada vez menos tolerante. Como se percebe pela leitura dos livros do cerco de Budapeste (implicitamente) e das opções militares da Finlândia (mais explícito), os finlandeses foram mais bem sucedidos.
Foi por isso que, após a Guerra, a Finlândia permaneceu uma democracia a sério enquanto a Hungria se tornou numa democracia… popular. E quando um Schulz nos critica por querermos recuperar essa autonomia estratégica após décadas de empenho num processo que agora se reconhece esgotado (acima), creio que se deve encarar os designios do tal Schulz com bonomia e invocar outros Schulzs de outras épocas de um processo que parece ver-se repetido (abaixo)…
PS - A reacção em Portugal ao discurso do Schulz foi tão unanimemente crítica que está mesmo a pedir uma crónica com a opinião original do Vasco...
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24 novembro 2011
O ÚNICO CENSO RUSSO DA ERA IMPERIAL
A música para ir acompanhando a leitura é do compositor russo Modest Mussorgsky (1839-1881): Quadros duma Exposição (1874)
Apenas através deste artifício o Império Russo podia apresentar a imagem de um núcleo central maioritário eslavo de religião ortodoxa constituído por ⅔ da população. Com o resto da população eslava não se podia contar: havia 7,9 milhões de polacos (6,3%) de confissão católica romana concentrados num Reino da Polónia de que o Czar era o monarca e que fora criado em 1815 (ver mapa acima). Mas a história dessa Polónia dual ao longo do Século XIX era a de um sucesso económico (Varsóvia era a terceira cidade do Império depois de São Petersburgo e de Moscovo) mas de uma contínua instabilidade política onde as revoltas polacas (1830, 1863) eram seguidas por ferozes repressões russas. Um outro grupo importante na Polónia e também nas regiões ocidentais do Império era o dos judeus: havia 5,1 milhões de falantes de ídiche (4,0%), um idioma germânico que se escreve em alfabeto hebreu. A importância da comunidade era acrescida pela sua sobre-representação entre a população urbana. Por exemplo, numa cidade como Brest, hoje localizada na fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia, os judeus constituíam ⅔ da população de 45.000 habitantes. Seria, a par dos polacos, finlandeses ou alemães, uma das nacionalidades mais evoluídas mas também uma das que mostraria uma maior resistência àquilo que as autoridades imperiais qualificariam como assimilação…
Contudo, havia outros grupos nacionais a Ocidente com histórias de sucesso na sua integração sem assimilação no quadro imperial: a Finlândia, que era um Grão-Ducado que gozava de uma ampla autonomia, era um desses casos (os finlandeses eram 2,5 milhões – 2,0%). E embora com muito menos autonomia, algo de semelhante acontecia na região do Báltico, onde as populações estónias (1,0 milhão), letãs (1,4 milhão) e lituanas (1,6 milhão), ou seja cerca de 3,2% da população total, eram controladas por uma elite de ascendência alemã (que constituíam 1,8 milhão em todo o Império – 1,4%), uma das mais fiéis a São Petersburgo, uma ironia dada a história futura da relação entre alemães e russos. Essas eram as fronteiras pacíficas do Império Russo. As outras eram regiões de expansão, turbulentas como as populações que nelas habitavam. Na que confinava com os Balcãs, onde as potências rivais haviam incentivado a criação da Roménia de língua latina (1878) para obstar à expansão dos russos para as regiões dos eslavos no Sul da Europa, existia, apesar disso, uma minoria (1,1 milhão – 0,9%) que falava o romeno. Outras fronteiras meridionais da Rússia eram povoadas por uma confederação de nacionalidades que o Censo classificou demasiado genericamente de Turco-Tártara, que se estendia do Mar Negro ao Pacífico, composta por 13, 4 milhões de pessoas (10,6%).
Uma apreciável parte deles eram descendentes de tribos nómadas que, sob a bandeira mongol, haviam conquistado a Rússia no Século XIII e muitos continuavam os hábitos nómadas de outrora (acima), embora houvesse outros que haviam assentado (abaixo). Porém, quase todos professavam o Islão, que era a religião de 13,9 milhões dos súbditos do czar (11,1%). A maior concentração de muçulmanos localizava-se na Ásia Central (7,7 milhões), onde a administração russa funcionava segundo um modelo colonial clássico. Os soviéticos reorganizaram depois a região nas cinco repúblicas que são as que hoje perduram: Cazaquistão, Uzbequistão, Turquemenistão, Tajiquistão e Quirguízia. Uma segunda região muçulmana, que começara a ser integrada no Império já a partir de meados do Século XVII, estendia-se desde a Península da Crimeia até ao curso inferior do Rio Volga. Ao contrário da Ásia Central, neste caso a imigração dos russos alterara o panorama demográfico, fazendo com que a população muçulmana fosse significativa mas não predominante. Exemplo: ainda hoje há quase tantos russos quanto tártaros no Tartaristão. Finalmente havia uma terceira região de predomínio muçulmano: o Cáucaso. A região é célebre pela complexidade do seu relevo que interfere na distribuição e classificação das suas etnias que desafia as descrições simplificadas que se tentem conceber...
Contornando isso, há que referir que, apesar do carácter tradicionalmente combativo dos povos do Cáucaso que muitos problemas militares causara, o Império Russo contava ali com dois aliados sólidos, tanto os georgianos (1,4 milhões – 1,1%) como os arménios (1,2 milhões – 1,0%) eram povos de confissão cristã numa região que lhes era francamente hostil: já houvera príncipes georgianos a comandar exércitos russos contra Napoleão e, quanto ao futuro, Stalin, quase todos o saberão, era georgiano. O Censo de 1897, mau grado a manipulação a que foi sujeito, foi um instrumento único na identificação das minorias relevantes dentro do Império Russo. Dá para perceber que, como regra geral, o tratamento dado por São Petersburgo a cada minoria variava em função, não apenas da cumplicidade recíproca entre minoria e poder central, mas também na razão inversa da sua sofisticação cultural: quando maior esta, também maior era a hostilidade imperial. Mas, com essa notável excepção dos polacos, cuja direcção política clandestina nunca se terá disposto a reivindicar nada menos que a independência total, há que reconhecer que em 1897 a questão das nacionalidades ainda não seria um problema sério para a subsistência do Império. A Revolução de 1905, que irá ter lugar dali por oito anos, abanando o regime, deverá ser analisada sobretudo – senão exclusivamente – pela sua componente social.
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11 junho 2010
EUROPA: ENTRE AS EXTREMIDADES MERIDIONAL E SETENTRIONAL
O senhor da fotografia acima chama-se Olli Rehn, é o Comissário Europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, é finlandês e, ao equiparar-nos à Espanha, demonstrou uma daquelas ignorâncias que, só por si, o qualifica de incompetente para o exercício daquele cargo. Depois dos comentários do Ministro das Finanças sueco, o do brinquinho¹, parece que andamos definitivamente com azar com os nórdicos... E, arrisco-me, serão apenas as nossas motivações políticas internas, conjugadas com os complexos labregos de inferioridade que farão com que nos disponhamos a levar a sério as declarações de qualquer deles.Eles mostram saber tão pouco sobre nós quanto nós saberemos sobre eles e pode deduzir-se que a vontade de aprofundar esses conhecimentos por causa da nossa pertença comum à União Europeia será muito fraca. Daquilo que sabemos do que lá se passa, eles é que vêm para cá divertir-se e passar férias e nós só vamos para lá contrariados, exilados ou por razões de trabalho… Quanto a queixas, nós, que tanto nos fartamos de lamentar por sermos como somos, devíamos ouvir um coro de lamentações finlandês (abaixo) que, pelos vistos, aqueles paraísos da social democracia não parecem produzir apenas pessoas felizes…
Não se consegue enriquecer apenas a trabalhar. E o amor não dura para sempre.
Na sauna nunca nos perguntam se podem deitar água no fogão.
As florestas antigas são derrubadas para serem transformadas em papel higiénico.
E, mesmo assim, há sempre falta de papel nas casas de banho.
Porque é que as pessoas ficam parvas com os saldos?
No centro de Helsínquia construíram mais um Centro Comercial.
O meu vizinho põe-se a espreitar pela porta sempre que recebo visitas
E aparece sempre mais cedo para o turno dele na sauna do prédio
Perdemos sempre com a Suécia no Hóquei no Gelo e no Festival da Eurovisão.
As promoções de Natal começam cada ano mais cedo.
Porque é que as pessoas nunca concordam comigo?
Os empregos fogem para a China e os eléctricos da carreira 3 cheiram a xixi.
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
Porque é que a Pizza de Metro, só tem meio metro de comprimento?
E porque é que o tubo do aspirador é sempre curto demais? – assim como o Verão!
Sair para trabalhar todas as manhãs e regressar à noite acaba por nos enlouquecer.
A bateria do meu telemóvel está sempre a acabar
E os toques são sempre irritantes
Os toques são sempre irritantes
Os toques são sempre irritantes
Os toques são sempre irritantes
- Desculpa. Aqui apanha-se mal o sinal… liga-me depois.
Quando se compra mobiliário o que se trás para casa é uma pilha de tábuas.
Os lenços são muito ásperos e nunca os encontramos quando se espirra
Os meus collants descaem quando ando. Há sempre um homem enorme à minha frente.
No trabalho dão-me uma palmadinha no ombro e uma facada nas costas.
Os meus sonhos são chatos. Os números são demasiado compridos para decorar.
As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens.
Os manteigueiros continuam a safar-se na vida.
O jornal é demasiado espesso. Porque é que acontece sempre comigo?
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
A lista de espera para o dentista tem mais de seis meses e depois de esperar tanto tempo tenho que arrancar o dente.
As camisas giras perdem a cor com as lavagens, mas as feias não.
As pessoas não têm tempo para comprar os produtos do Comércio Justo mas têm-no para fazer turismo nos sítios de onde eles vêm.
Não consigo deixar de olhar para os cabeçalhos dos tablóides. As previsões do tempo falham sempre.
Nunca descanso o suficiente.
- E a merda da língua inglesa é difícil de aprender!
Perdemos sempre com a Suécia no Hóquei no Gelo e no Festival da Eurovisão.
As promoções de Natal começam cada ano mais cedo.
Porque é que as pessoas nunca concordam comigo?
Os empregos fogem para a China e os eléctricos da carreira 3 cheiram a xixi.
O meu apartamento é pequeno mas deixo lá todo o meu dinheiro.
Assim ando sem dinheiro para salvar o Mundo.
As pessoas só assumem posições nos fóruns por sms.
Os idiotas não sabem de que lado devem ficar na escada rolante.
O meu marido ressona muito alto, anda muito devagar e só lava as suas camisolas de hóquei. E a minha mulher queixa-se sempre!
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
Perdi a tarde a esconder-me do inspector das licenças de televisão porque não quero pagar para desportos e espectáculos de TV reality.
O centro de emprego apenas necessita de programadores de Java.
Os velhos são atestados de tranquilizantes para não se queixarem.
O meu amigo gosta mais do seu telemóvel do que de mim.
Os nossos antepassados bem podiam ter escolhido um sítio mais solarengo para se instalarem.
Os meus sonhos são chatos. Os números são demasiado compridos para decorar.
As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens.
Os manteigueiros continuam a safar-se na vida.
O jornal é demasiado espesso. Porque é que acontece sempre comigo?
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
Na sauna nunca nos perguntam se podem deitar água no fogão.
As florestas antigas são derrubadas para serem transformadas em papel higiénico.
E, mesmo assim, há sempre falta de papel nas casas de banho.
Porque é que as pessoas ficam parvas com os saldos?
No centro de Helsínquia construíram mais um Centro Comercial.
O meu vizinho põe-se a espreitar pela porta sempre que recebo visitas
E aparece sempre mais cedo para o turno dele na sauna do prédio
Perdemos sempre com a Suécia no Hóquei no Gelo e no Festival da Eurovisão.
As promoções de Natal começam cada ano mais cedo.
Porque é que as pessoas nunca concordam comigo?
Os empregos fogem para a China e os eléctricos da carreira 3 cheiram a xixi.
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
Porque é que a Pizza de Metro, só tem meio metro de comprimento?
E porque é que o tubo do aspirador é sempre curto demais? – assim como o Verão!
Sair para trabalhar todas as manhãs e regressar à noite acaba por nos enlouquecer.
A bateria do meu telemóvel está sempre a acabar
E os toques são sempre irritantes
Os toques são sempre irritantes
Os toques são sempre irritantes
Os toques são sempre irritantes
- Desculpa. Aqui apanha-se mal o sinal… liga-me depois.
Quando se compra mobiliário o que se trás para casa é uma pilha de tábuas.
Os lenços são muito ásperos e nunca os encontramos quando se espirra
Os meus collants descaem quando ando. Há sempre um homem enorme à minha frente.
No trabalho dão-me uma palmadinha no ombro e uma facada nas costas.
Os meus sonhos são chatos. Os números são demasiado compridos para decorar.
As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens.
Os manteigueiros continuam a safar-se na vida.
O jornal é demasiado espesso. Porque é que acontece sempre comigo?
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
A lista de espera para o dentista tem mais de seis meses e depois de esperar tanto tempo tenho que arrancar o dente.
As camisas giras perdem a cor com as lavagens, mas as feias não.
As pessoas não têm tempo para comprar os produtos do Comércio Justo mas têm-no para fazer turismo nos sítios de onde eles vêm.
Não consigo deixar de olhar para os cabeçalhos dos tablóides. As previsões do tempo falham sempre.
Nunca descanso o suficiente.
- E a merda da língua inglesa é difícil de aprender!
Perdemos sempre com a Suécia no Hóquei no Gelo e no Festival da Eurovisão.
As promoções de Natal começam cada ano mais cedo.
Porque é que as pessoas nunca concordam comigo?
Os empregos fogem para a China e os eléctricos da carreira 3 cheiram a xixi.
O meu apartamento é pequeno mas deixo lá todo o meu dinheiro.
Assim ando sem dinheiro para salvar o Mundo.
As pessoas só assumem posições nos fóruns por sms.
Os idiotas não sabem de que lado devem ficar na escada rolante.
O meu marido ressona muito alto, anda muito devagar e só lava as suas camisolas de hóquei. E a minha mulher queixa-se sempre!
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
Perdi a tarde a esconder-me do inspector das licenças de televisão porque não quero pagar para desportos e espectáculos de TV reality.
O centro de emprego apenas necessita de programadores de Java.
Os velhos são atestados de tranquilizantes para não se queixarem.
O meu amigo gosta mais do seu telemóvel do que de mim.
Os nossos antepassados bem podiam ter escolhido um sítio mais solarengo para se instalarem.
Os meus sonhos são chatos. Os números são demasiado compridos para decorar.
As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens.
Os manteigueiros continuam a safar-se na vida.
O jornal é demasiado espesso. Porque é que acontece sempre comigo?
Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!
¹Ao contrário da associação feita por Olli Rehn entre Portugal e Espanha, esta que aqui fiz entre um finlandês e um sueco, países tradicionalmente rivais, foi consciente e deliberada.
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11 julho 2009
COCKTAIL MOLOTOV
Suponho que a esmagadora maioria dos que lerem este poste saibam, de antemão, que o assunto que aqui se vai tratar não é propriamente de bebidas... Se não sabiam depressa o descobrirão ao ler a receita do cocktail: enche-se parcialmente (até 2/3 da capacidade) uma garrafa de vidro com um líquido inflamável (gasolina ou álcool – metanol ou etanol); há quem adicione outros ingredientes(*) para que o líquido se torne mais espesso e pegajoso e para que depois de incendiado, ele produza mais fumo; a garrafa é selada com uma rolha ou de uma outra forma qualquer onde se possa amarrar e inserir um trapo.
Quanto às instruções de emprego: antes de se arremessar a garrafa, molha-se o trapo num líquido inflamável para o incendiar. Incendeia-se o trapo e atira-se. Ao atingir o alvo, a garrafa parte-se com o impacto espalhando o líquido, que se incendeia quase de imediato por causa do trapo em chamas. Manuais de utilização mais sofisticados recomendam que, para multiplicar os seus efeitos, devem lançar-se sucessiva e rapidamente (o líquido inflamável é extremamente volátil) vários cocktails não acesos para o alvo, para terminar com um convencional que depois desencadeará o incêndio.
O cocktail Molotov será provavelmente o artefacto mais simbólico da guerrilha urbana do Século XX. A receita para o fazer está muito longe de ser um segredo – não me considero irresponsável por a ter escrito aqui, quando ela está disponível em inúmeros locais da internet. Menos conhecida será a sua história, onde não faltam os aspectos irónicos de uma arma que parece ter sido concebida de propósito para ser usada pelos revolucionários, normalmente patrocinados pela esquerda, mas cujas origens e nome de baptismo até estão associados a episódios de luta contra os soviéticos…
Mas só dali por três anos é que a arma ganhou o seu famoso nome. Vyacheslav Molotov (1890-1986), o padrinho e Ministro dos Negócios Estrangeiros da União Soviética à época, tem com a arma uma relação tão indirecta quanto irónica. Os soviéticos, ao invadirem a Finlândia em Novembro de 1939, criaram uma das rábulas mais cínicas da diplomacia moderna: assinaram um Tratado de Amizade com um governo finlandês no exílio(**), enquanto as tropas soviéticas entravam na Finlândia para prestar auxílio alimentar aos finlandeses. O cocktail Molotov era a resposta irónica dos finlandeses ao auxílio alimentar…
É uma pergunta retórica, mas mesmo assim engraçada, perguntarmo-nos quantos, de entre os muitos milhares de arremessadores de cocktails Molotov da História, onde creio que uma ampla proporção dos quais foram simpatizantes e seguidores da antiga ideologia dominante em (quando não mesmo patrocinados por) Moscovo, saberiam que nas origens desta arma tão revolucionária e do seu nome, estariam duas manifestações de resistência às intenções imperialistas soviéticas?...(*) Alcatrão, óleos vegetais (especialmente de palma), detergentes para a roupa ou para a louça, etc.
(**) Por coincidência esse governo estava exilado – adivinhem lá? – em Moscovo. E o seu presidente, Otto Kuusinen, era – surpresa! – o líder do Partido Comunista Finlandês.
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29 outubro 2008
GLOBALIZAÇÃO TAMBÉM É…
...quando temos que eleger aquele que consideramos o Vídeo Clip mais foleiro e mais piroso de sempre, e esquecemos os variadíssimos exemplares do nosso nacional cançonetismo, para escolher um exemplar finlandês de 1978: I wanna love you tender cantado por Armi & Danny . E quando, para além disso, em inúmeras récitas e paródias de jovens dos liceus por esse mundo fora o escolhem para um dos seus actos...
21 abril 2008
A FOTOGRAFIA DA MINISTRA DA DEFESA
Presidente do Governo: José Luis Rodríguez Zapatero
Vice-Presidente e Ministra da Presidência: María Teresa Fernández de la Veja
Vice-Presidente e Ministro da Economia e Fazenda: Pedro Solbes Mira
Ministro dos Assuntos Exteriores e Cooperação: Miguel Ángel Moratinos Cuyaubé
Ministro da Justiça: Mariano Fernandéz Bermejo
Ministra da Defesa: Carme Chacón Piqueras
Ministro do Interior: Alfredo Pérez Rubalcaba
Ministra do Fomento: Magdalena Alvarez Arza
Ministra da Educação e Ciência: Mercedes Cabrera Calvo-Sotelo
Ministro do Trabalho e Imigração: Celestino Corbacho Chavez
Ministro da Indústria, Turismo e Comércio: Miguel Sebastián Gascón
Ministra do Meio Ambiente, Meio Rural e Marinho: Elena Espinosa Mangana
Ministra das Administrações Públicas: Elena Salgado Méndez
Ministro da Cultura: César Antonio Molina Sánchez
Ministro da Saúde e Consumo: Bernat Soria Escoms
Ministra da Habitação: Beatriz Corredor Sierra
Ministra da Ciência e Inovação: Cristina Garmendia Mendizábal
Ministra da Igualdade: Bibiana Aído Almagro
Vice-Presidente e Ministra da Presidência: María Teresa Fernández de la Veja
Vice-Presidente e Ministro da Economia e Fazenda: Pedro Solbes Mira
Ministro dos Assuntos Exteriores e Cooperação: Miguel Ángel Moratinos Cuyaubé
Ministro da Justiça: Mariano Fernandéz Bermejo
Ministra da Defesa: Carme Chacón Piqueras
Ministro do Interior: Alfredo Pérez Rubalcaba
Ministra do Fomento: Magdalena Alvarez Arza
Ministra da Educação e Ciência: Mercedes Cabrera Calvo-Sotelo
Ministro do Trabalho e Imigração: Celestino Corbacho Chavez
Ministro da Indústria, Turismo e Comércio: Miguel Sebastián Gascón
Ministra do Meio Ambiente, Meio Rural e Marinho: Elena Espinosa Mangana
Ministra das Administrações Públicas: Elena Salgado Méndez
Ministro da Cultura: César Antonio Molina Sánchez
Ministro da Saúde e Consumo: Bernat Soria Escoms
Ministra da Habitação: Beatriz Corredor Sierra
Ministra da Ciência e Inovação: Cristina Garmendia Mendizábal
Ministra da Igualdade: Bibiana Aído Almagro
Este é o elenco do actual governo espanhol seguindo escrupulosamente a hierarquia com que é apresentada no site oficial da Presidência do Governo. Entre os 18 nomes, há 9 homens e 9 mulheres. Esse rigoroso equilíbrio (tão propagandeado…) entre sexos na composição governamental torna-se muito mais duvidoso quando se vêem as pastas que foram atribuídas a uns e outras. Já se sabe que os ministérios nem teoricamente são todos iguais: há uns mais iguais que outros e se o orçamento atribuído a cada um for uma medida dessa igualdade é nítido como na lista acima uma hipotética adição dos orçamentos dos ministérios em que o titular é masculino (a começar pelo da Economia e Finanças…) superaria a soma resultante do agrupamento dos ministérios das suas colegas (a terminar no da Igualdade…).
Depois, há a fotografia acima que tem feito o encanto da esquerda folclórica, o da Ministra (da Defesa) espanhola, Carme Chacón, grávida e com roupa a condizer, a passar revista às tropas. A fotografia é indiscutivelmente simbólica, mas disso não passa. O que já cheguei a ler aqui na blogosfera sobre a fotografia é que se torna quase doloroso, tal é a superficialidade… É que o mundo da igualdade entre sexos tem que ser analisado muito para além das imagens… A França teve durante cinco anos (2002-2007) uma Ministra da Defesa, chamada Michèle Alliot-Marie (abaixo - ela é actualmente a Ministra do Interior e do Ultramar…), sem que se tenha notado que Daniel Oliveira ou Ana Gomes se tivessem posto aos pulos de alegria por esse facto… Terá sido porque não lhe deu para engravidar durante o período que ocupou o cargo?
Pessoalmente, considero que não será controverso antecipar que uma gravidez irá provocar uma ausência prolongada no desempenho de qualquer cargo, ministerial ou outro, na pasta da Defesa ou em outra qualquer… É um factor a considerar na nomeação de uma titular, designadamente em cargos de carácter político… Que a ostentação disso seja razão para Ana Gomes elogiar Zapatero nem me merece qualquer comentário…Tanto a Finlândia (Tarja Halonen) como o Chile (Michelle Bachelet) têm presidentes que são mulheres. Mas é só nisso que são iguais; dispenso-me de explicar as diferenças do papel da mulher na sociedade e na política dos dois países. Quem se empolga assim com minudências produzidas para propaganda, legitima a atitude daquelas corporações norte-americanas que não são sexistas nem racistas: têm uma Vice-Presidente preta… Nota Final: Reparem que fiz como Zapatero: também tive o cuidado de equilibrar os sexos entre as referências a autores de trivialidades sobre este assunto (Ana Gomes e Daniel Oliveira)...
13 março 2008
A AVALIAÇÃO DO PODER MILITAR
Em quantidade: instrumento militar gigantesco. Organização, equipamento e meios de comando: medíocres. Princípio de comando: bom. O próprio comando: demasiado jovem e inexperiente. Ligações e transmissões: más. Sistema de transporte: mau. Unidades militares: desiguais e sem iniciativa. Os próprios soldados: bom espírito, contentam-se com muito pouco. Qualidades combativas: duvidosas. No total, a nação russa não é um adversário para um exército modernamente equipado e superiormente comandado…
Estas são as conclusões finais de um estudo de avaliação que foi elaborado pelo Alto Comando das Forças Armadas alemãs (OKW*) em Dezembro de 1939 sobre o Exército Vermelho, depois dos fracassos iniciais deste último na sua Guerra contra a Finlândia. É um documento significativo, considerando os desenvolvimentos posteriores que a Segunda Guerra Mundial veio a registar, mas note-se como neste documento, redigido por profissionais, predominam as apreciações qualitativas sobre o elemento humano da Guerra.
Ao contrário dos livros sobre armamento, como o reputado Jane´s retratado acima, que é uma espécie de sucessor longínquo do Wujing Zongyao, o tratado que mencionei na parte final do meu poste sobre a China dos Song, a avaliação do poder militar é muito mais do que um catálogo com as características do armamento. O poder militar resulta da combinação da tecnologia com as habilidades humanas; esquecer o elemento humano leva a que o poder militar considerado seja o potencial, em vez daquele que realmente existe.
A opinião acima é de Bernard Fook Weng Loo (acima e é uma coincidência engraçada tratar-se de um singaporeano de ascendência chinesa) e foi manifestada num artigo ontem publicado no ISN de Zurique, a respeito da simplicidade de contar e descrever as características dos armamentos versus as dificuldades de avaliar os vários parâmetros subjectivos do elemento humano que os usam, para uma avaliação do poder militar. Mas, como se percebe pelo estudo profissional da OKW*, a segunda parte é que é a essencial…Em caso de necessidade tudo é avaliável e tudo é passível de avaliação. Ao contrário do que António Barreto e Vasco Pulido Valente possam ter escrito, desde o estado de espírito de todo um exército, até o desempenho dos professores…
* Oberkommando der Wehrmacht
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25 agosto 2007
A CRUZ SUÁSTICA FINLANDESA
Quem tenha oportunidade de ver fotografias da participação finlandesa numa das três guerras em que se viu envolvida durante a Segunda Guerra Mundial costuma surpreender-se, ao descobrir que o símbolo identificativo dos seus equipamentos das suas forças armadas, como aviões (acima) ou blindados, por exemplo, era uma cruz suástica, desenhada em azul claro.Vale a pena ficar a saber que aquela explicação mais imediata, a que associaria esse facto à circunstância dos finlandeses terem combatido ao lado da Wehrmacht alemã, que também usava o mesmo símbolo nos seus equipamentos (só que em preto), está... errada. A utilização da cruz suástica finlandesa é até mais antiga do que a alemã.
A cruz suástica era o emblema de uma família nobre sueca (e rica), os Von Rosen, cujo conde Eric (1879-1948) doou em 1918 à jovem nação (à facção Branca na Guerra Civil…) um ou dois aviões (as fontes divergem...) que serviram para a fundação da Força Aérea finlandesa (a segunda mais antiga do mundo) que estavam decorados com o seu emblema condal…Talvez por gratidão, depois talvez por inércia, os emblemas acabaram por ser adoptados como distintivo da aviação e depois dos blindados finlandeses. A cruz suástica alemã negra foi um símbolo posteriormente adoptado pelo partido nazi (NSDAP) e introduzida nos emblemas do Estado Alemão (com resistências várias…) apenas a partir da chegada daqueles ao poder em 1933.
A cruz suástica acabou por ficar indelevelmente associada à Alemanha nazi e é claro que a Finlândia teve que mudar o seu emblema em 1945. Fica apenas um pormenor por contar. Uma das razões para a sua adopção pelos nazis residia no facto dela ser um antiquíssimo símbolo religioso usado pelos povos indo-europeus, que se espalharam em tempo pré-históricos da Europa até à Índia.Aliás, imune à conotação negativa que o símbolo goza na Europa, ainda hoje se pode encontrar a cruz na decoração dos templos indianos (abaixo). Também a esmagadora maioria dos idiomas que hoje se falam tanto na Europa como na Índia são de origem indo-europeia. Mas entre as raras línguas europeias que não são dessa origem* conta-se precisamente o finlandês…
* Entre as línguas da União Europeia as excepções são o Húngaro, o Estónio, o Maltês e o Finlandês.
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23 agosto 2007
FINLÂNDIA: TENTANDO “PASSAR POR ENTRE OS PINGOS DA CHUVA” (Os últimos 200 anos da sua história)
Os finlandeses têm um idioma muito exclusivo. A entrada da Finlândia para a História da Europa foi feita através dos suecos que lhe deram o nome pela qual a conhecemos. Mas os próprios finlandeses designam a sua terra por Suomi e daí a justificação de se empregarem as iniciais SF (Suomi-Finland) como referência à Finlândia. O sueco ainda é, a par do finlandês, idioma oficial da Finlândia e falado coloquialmente por uma minoria. Mas os finlandeses em geral cultivam, em relação aos seus vizinhos escandinavos aquilo que se pode designar, da forma mais benigna possível, como uma saudável rivalidade. Nokia e Ericsson representam mais do que rivalidade comercial…O grande problema finlandês é que os vizinhos do outro lado ainda são piores… No seguimento das várias vicissitudes das várias Guerras Napoleónicas a Finlândia foi transferida da suserania sueca para a suserania russa em 1809. Apesar de no final da história (1815), tanto a Suécia como a Rússia estarem ambas do lado vencedor (contra a França), ao bom estilo da época, a Suécia foi compensada com a Noruega e a Finlândia preparou-se para um século de convivência com o Império Russo. A figura jurídica, tal como acontecia com a Polónia, era a de uma união pessoal do monarca: o Czar da Rússia era também Rei da Polónia e Grão-Duque da Finlândia.
O historial das relações entre o Grão-Duque e os seus súbditos é muito mais distendido do que o do Rei com os seus... Durante o período mais liberal do reinado do Czar Alexandre II (1855-1881), a Finlândia teve oportunidade de recriar a sua Dieta* (1863), que se pôde bater por alguns privilégios específicos, como o da identidade religiosa (evangélica), linguística (o finlandês foi equiparado ao sueco) e autonomia económica (moeda própria). Contudo os Czares que se sucederam, Alexandre III (1881-1894) e Nicolau II (1894-1917), travaram, quando não reverteram mesmo, essa tendência e o país estava maduro para a independência em 1917.
Note-se contudo que, ao arrepio da imagem retrógrada do Império Russo, a Finlândia czarista do princípio do Século XX estava na vanguarda em alguns aspectos sociais: os membros da Dieta passaram a ser todos eleitos em 1906, e foi um dos primeiros países a instituir o sufrágio universal – incluindo o voto feminino**. Depois da primeira Revolução Russa de Fevereiro de 1917, a Dieta finlandesa, que havia sido eleita em 1916, mas ainda não se reunira, foi convocada. Outro sinal da especificidade social finlandesa: mesmo em eleições realizadas durante o período czarista, havia na Dieta uma ligeiríssima maioria social-democrata (103 membros em 200)…
As relações entre o Governo Provisório russo, chefiado por Alexandre Kerensky, e a Dieta finlandesa não tardaram a azedar. Kerensky decretou a dissolução da Dieta. Não por causa do decreto de Kerensky, mas porque os sociais-democratas finlandeses agiam de forma concertada com os seus homólogos russos, de acordo com os ideais de então do internacionalismo, e os seus opositores agiam com o apoio evidente dos alemães, houve novas eleições que puseram os sociais-democratas em minoria na Dieta (Outubro de 1917). Sensivelmente um mês depois, os bolcheviques e Lenine alcançavam o poder em São Petersburgo.A Dieta aproveitou esse momento de fraqueza do poder central russo para proclamar a independência da Finlândia (6 de Dezembro de 1917), para ela vir a ser reconhecida a 31 de Dezembro pelos soviéticos. E em Janeiro de 1918 começou a Guerra Civil finlandesa entre Vermelhos e Brancos, que se prolongou até Maio do mesmo ano. Tratou-se de uma guerra que tanto teve de disputa ideológica, quanto de disputa dos interesses estratégicos de duas potências (Rússia e Alemanha) travados por interpostas partes. O poder russo estava despedaçado, o alemão ainda intacto, e quando estes últimos decidiram participar directamente (Abril) na Guerra, o resultado ficou decidido.
A cobrança da conta da intervenção germânica traduziu-se na eleição pela Dieta, em Outubro de 1918, de um príncipe alemão, Frederico Carlos de Hesse, como novo Rei da Finlândia. Mas o reino nem tempo teve de ver o Rei (abdicou em Dezembro…) porque a derrota alemã no final da Primeira Guerra Mundial (11 de Novembro de 1918) tornou a deixar a República da Finlândia (Julho de 1919) sem potência protectora que a defendesse das inevitáveis futuras ambições russas. Mas a curto prazo, as fragilidades do poder soviético, desafiado simultaneamente por outros inimigos internos e externos, permitiram aos finlandeses obter um Tratado de Paz (Tartu) muito favorável.
O problema ressurgiu em Agosto de 1939, depois da Assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, quando Estaline se sentiu com liberdade de acção para redesenhar as fronteiras ocidentais da União Soviética. As propostas soviéticas, suaves de início (aluguer de algumas ilhas no Báltico com intuitos defensivos, propostas de permutas de territórios por forma a melhorar a sua situação defensiva – São Petersburgo não distava mais de 50 Km da fronteira finlandesa), vão endurecendo de tom. Os finlandeses aperceberam-se que a cobertura alemã desaparecera e que só podiam tentar ganhar tempo, porque a Segunda Guerra Mundial começara em Setembro de 1939.
A União Soviética lançou a sua ofensiva em 30 de Novembro de 1939, no começo do pico do Inverno, talvez convictos que as condições os favoreceriam. Na sua vertente política, a ofensiva soviética foi até bem montada. Quando a Sociedade das Nações (SdN), ainda viva mas no estertor da sua agonia, acusou a União Soviética de agressão não provocada contra a Finlândia, o representante soviético faz uma das rábulas mais cínicas da diplomacia moderna: Agressão? Pelo contrário, nunca as relações foram melhores, Molotov e Kuusinen acabaram de assinar um Tratado de Amizade! Falta esclarecer que Kuusinen era membro de um governo finlandês no exílio, de uma República Democrática da Finlândia, sob tutela soviética…Na sua vertente militar (a Guerra de Inverno) é que as coisas correram muito mal para os soviéticos. Ao fim de um mês toda a sua campanha tinha-se revelado um fracasso total. O Inverno funcionou em proveito dos defensores, cujos planos militares dos últimos 20 anos tinham sido sempre de preparação para a contingência daquela invasão… Só que, ganha a reputação militar no campo de batalha (e perdida a correspondente entre os soviéticos…), faltava aos finlandeses o apoio político com que pudessem negociar com os invasores. Em Fevereiro de 1940, os soviéticos recomeçaram as operações e os finlandeses acabaram por ter de assinar um Tratado de Paz em Março de 1940, com as cláusulas exigidas pela URSS…
Em Junho de 1941, com a Operação Barbarrosa (a invasão da URSS pelos alemães), os finlandeses, em combinação com os invasores aproveitaram a ocasião para recuperar o que lhe fora retirado 15 meses antes, naquela que foi baptizada na Finlândia por Guerra de Continuação. Embora bem sucedidos nessa recuperação, tendo a Finlândia umas tradicionais fronteiras históricas com a Rússia, faltou-lhe, ao longo dos mais de três anos de conflito (Junho de 1941-Setembro de 1944), a solidez política para se expandir para muito mais além, receando a ampliação das inevitáveis retaliações soviéticas na eventualidade de uma vitória da URSS, como se veio a verificar.
A reputação militar finlandesa só se voltou a realçar em Junho de 1944, quando se mostraram novamente capazes de travar uma contra-ofensiva soviética, numa época onde a derrota alemã já era previsível (os aliados haviam acabado de desembarcar na Normandia). A posição política da Finlândia no grande conflito era, no mínimo bizarra: tratava-se de uma democracia, que era co-beligerante (mas não aliada) da Alemanha contra a URSS, que havia recebido uma declaração de guerra do Reino Unido, mas apenas em 6 de Dezembro de 1941, data em que as suas forças haviam transposto a antiga fronteira russo-finlandesa, e que não estava em guerra de todo com os Estados Unidos (embora estes tivessem rompido as relações diplomáticas)…
A combinação destes dois aspectos (político e militar) facilitou a assinatura de um Armistício em Moscovo em Setembro de 1944. O teatro de operações finlandês era completamente periférico em relação ao desenlace da Segunda Guerra Mundial e iria exigir aos soviéticos, novamente, imensos recursos militares. O que não impediu que as condições impostas pelo armistício fossem extremamente duras, idênticas às de 1940, mas ainda agravadas por indemnizações adicionais aos soviéticos. Numa das cláusulas, a Finlândia comprometia-se a expulsar as forças alemãs presentes no seu território, o que a levou à sua terceira guerra dentro da Segunda Guerra Mundial.A Guerra da Lapónia, travada entre finlandeses e alemães, de Setembro de 1944 a Abril de 1945, foi uma guerra travada a meio gás onde os finlandeses procuraram incentivar os alemães a evacuar as regiões do norte da Finlândia que estes ocupavam, aparentemente para dificultarem o tráfego dos portos do Oceano Árctico por onde a União Soviética continuava a receber abastecimentos dos aliados (Murmansk), mas onde se encontravam as únicas minas de níquel que a Alemanha ainda controlava. Paradoxalmente, a maior parte da região disputada entre finlandeses e alemães veio a ser depois incorporada na União Soviética no fim da guerra.
Um dos efeitos das reparações devidas pela Finlândia à União Soviética (300 milhões de dólares) foi o de ter vocacionado uma parte substancial da sua indústria (sobretudo a pesada) para o mercado soviético, porque grande parte dessas reparações vieram a ser pagas em géneros. No pós-guerra, a economia finlandesa acabou por beneficiar com esse enorme mercado cativo, sedento da sofisticação ocidental. Mas durante a Guerra-Fria a expressão finlandização, tinha um conteúdo pejorativo, associado a uma democracia de estilo ocidental, com uma economia livre e com bons índices de bem-estar material, mas onde a liberdade estratégica do país fora sacrificada.
A queda da União Soviética (1991) foi também a queda de um certo modelo económico na Finlândia. A taxa de desemprego passou de 3,2% em 1990 para 16,6% em 1994. Em 1 de Janeiro de 1995 a Finlândia passou a fazer parte da União Europeia. Entretanto, houve que procurar novos mercados de exportação além de sofisticar a qualidade da produção, depois de décadas de habituação à clientela pouco exigente do mercado soviético. A transição foi custosa mas globalmente bem sucedida: a taxa de desemprego em 2006 cifrou-se nos 7,7%. O paradigma*** de uma marca da nova economia finlandesa é a Nokia, fabricante mundial de telemóveis.
Agora, que parece já ter sido ultrapassado o período de fraqueza russa, ficamos à espera de ouvir alguma declaração de Vladimir Putin ou de qualquer outro dirigente russo para voltar a ver a Finlândia no seu eterno jogo de equilibrar as amizades mais longínquas e as influências do seu vizinho gigante e continuar o seu eterno jogo de tentar passar entre os pingos da chuva… E para rematar um poste tão sério nada melhor que seleccionar, em vez de coisas mais solenes, aquele que considero um dos maiores monumentos da cultura finlandesa: o vídeo mais piroso de sempre: Armi e Danny! A não perder...* Dieta é uma das designações de uma assembleia deliberativa.
**Foi o terceiro país a fazê-lo, depois da Nova Zelândia e da Austrália. Seguir-se-iam a Noruega (1913) e a Dinamarca (1915).
*** Que bela ocasião para empregar a palavra da moda!
Nota: Os três mapas da Finlândia retratam a sua configuração sob domínio russo (1809-1917), entre guerras (1920-1940) e actual. O acesso ao Árctico ganho em 1920, veio a perder-se em 1940, conjuntamente com as regiões da Carélia, no Sul.
Nota: Os três mapas da Finlândia retratam a sua configuração sob domínio russo (1809-1917), entre guerras (1920-1940) e actual. O acesso ao Árctico ganho em 1920, veio a perder-se em 1940, conjuntamente com as regiões da Carélia, no Sul.
21 maio 2006
O FESTIVAL DA EUROVISÃO
Nem de propósito, ontem, enquanto postava sobre France Gall e o Festival da Eurovisão de 1965, decorreu o de 2006 que, descobri depois, veio a ser ganho por uns senhores da Finlândia, com um aspecto grunho, muito pouco recomendável: A Bela e os Monstros, apartados por 41 anos. Mesmo de longe, tem sido engraçado acompanhar a evolução que o Festival tem vindo a sofrer ao longo dos anos. Desde o de 1965, que pode servir de exemplo perfeito de como era a cultura dominante do início. A frequência era a das boas famílias europeias dos bairros chiques (uma espécie de bairros do Restelo ou da Foz da Europa – os países da CEE original) e onde países como Portugal (e a Espanha) participavam quase a fazer figura de penetra. Actualmente, até já há eliminatórias porque o certame se democratizou e não comporta a inclusão simultânea de todos os países concorrentes e os países suburbanos (Lituânia, Turquia, Chipre, Israel) participam e, ousadamente, atrevem-se mesmo a vencê-lo! Claro que, entre a assistência dos países veteranos, é dominante a opinião que o Festival já não tem o glamour de outrora! É sabido que, na ausência de razões objectivas, a adopção de uma atitude snob assume uma importância determinante! Bem fazia Groucho Marx, que afirmava, sem receio do paradoxo, que não lhe interessava fazer parte de um clube selecto, que baixasse tanto os critérios de exigência nas admissões, que o aceitassem a ele como sócio…
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