22 janeiro 2019
O ASSASSINATO DO COMANDANTE OPERACIONAL DO SETEMBRO NEGRO
24 julho 2015
UMA GUERRA QUE RECORDO CONSUMIDA EM CAPÍTULOS DIÁRIOS, COMO UM FOLHETIM
Este é um texto com tema escolhido, especialmente dedicado ao meu sogro – José Alberto Loureiro dos Santos – com os meus votos para que recupere e que o venha a apreciar como costuma fazer.
² 1978, 1982, 1993, 1996, 2006.
04 maio 2015
...ACENANDO A UM M-113 QUE PASSA
12 maio 2008
A SUÍÇA DO MÉDIO ORIENTE
O Líbano é frequentemente comparado com a Suíça e há alguns aspectos nos dois países que se assemelham, a começar pela geografia física (acima) que facilita a formação de agrupamentos cantonais distintos (abaixo), só que neste caso de carácter religioso. Mas as semelhanças por aqui se ficam. A hipotética vintena de libaneses da reunião do parágrafo acima não teria quaisquer problemas na escolha da língua de trabalho (árabe), mas a escolha sobre se se proferiria e quem proferiria uma oração antes da reunião teria sido o pretexto para os que queriam conduzir a reunião desencadeassem um debate que se tornaria mais importante do que os problemas que se procuravam resolver com aquela reunião.
Parece ser genético e fazer parte da gramática da disputa política local. É verdade que a localização geográfica do Líbano não ajuda à pacificação, entalado como está entre Israel e a Síria (abaixo), mas esse argumento aplicava-se também à Suíça na época das grandes rivalidades franco-alemãs e ela permaneceu neutral durante as duas Guerras Mundiais… Por outro lado, definido pelas comunidades religiosas, o quadro político libanês é mais complexo e confuso do que o suíço: até 1997, enquanto foi obrigatório mencionar a confissão religiosa do portador do bilhete de identidade, havia 17 comunidades distintas que eram legalmente reconhecidas… – 11 cristãs, 2 muçulmanas (xiita e sunita), druza, judia, ismaelita e alauíta.
É esta complexidade que torna mais fácil escreverem-se disparates quando se fala do Líbano, como o da coluna de opinião de hoje do Diário de Notícias, assinada por Manuel Queiroz, que se refere (final do parágrafo intermédio), aos cristãos de Nabih Berri, que é o presidente do Parlamento”. Ora, uma das primeiras coisas que se aprende quando se estuda o Líbano político são as cláusulas do Pacto Nacional de 1943 que repartiu os cargos do Estado libanês pelas confissões religiosas: um Presidente cristão maronita, um Primeiro-Ministro muçulmano sunita e um presidente do Parlamento, muçulmano xiita… Nabih Berri (abaixo), pelo cargo que ocupa, é obviamente xiita*. Manuel Queiroz até se podia ter informado…
Já aqui na blogosfera, encontra-se uma outra abordagem para analisar estes recentes acontecimentos no Líbano, mais ideológica, mas mais defensiva, passando por alto o detalhe dos acontecimentos, e por isso menos propensa a cair nas armadilhas daqueles erros factuais. Decalcando os interesses israelitas, podem dar mais destaque à própria cobertura mediática do conflito actual, que é menor e menos enviesada do que quando Israel interveio no Líbano, ou então remetem para a incapacidade do governo libanês e da UNIFIL para derrotar o Hezbollah xiita. Mas, como já aqui escrevi e como se pode ler nos documentos originais que a mandatam, o objectivo da UNIFIL não é substituir o exército israelita…
Finalmente, lendo a substância das notícias do que aconteceu recentemente no Líbano, fica-se a saber que os recentes conflitos tiveram lugar tanto nos arredores de Beirute Ocidental** entre as milícias do Hezbollah xiita e do PSP*** druzo, como também nos arredores de Tripoli (cidade do Norte do Líbano) mas aqui entre milícias sunitas rivais, apoiantes e opositoras do governo. A vantagem parece ter pertencido à facção que aglutina as diversas forças que estão na oposição. Não é de excluir que se possa esperar uma nova invasão de tropas sírias. Só aí será apropriado fazer-se uma comparação com a cobertura informativa que foi dada aos acontecimentos do Verão de 2006. Mas até lá, a comparação parece-me excessiva…* Embora xiita, Berri não pertence ao Hezbollah, mas sim a um partido concorrente, o Amal.
** É em Beirute Ocidental que se localizam os bairros de maioria muçulmana. Beirute Oriental é predominantemente cristã.
*** Partido Socialista Progressista. É o único caso que me lembro de um partido nitidamente étnico/confessional que é membro da Internacional Socialista. Já ouvi o seu dirigente, Walid Jumblatt, um senhor feudal típico, a receber grandes elogios de son ami Mário Soares…
15 abril 2008
«SIDESHOWS» DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (3) – A CAMPANHA SÍRIO-LIBANESA DE JUNHO E JULHO DE 1941
Este será um dos casos em se compreendem as razões porque terá sido um sideshow. Em primeiro lugar, porque a Campanha Sírio-Libanesa travou-se entre forças armadas sob comando britânico mas das mais variadas proveniências (britânicas, australianas, indianas, árabes, judaicas e ainda unidades francesas afectas à França Livre) que invadiram a Síria e o Líbano, e que se defrontaram com as defesas do Exército francês fiel ao regime de Vichy. Para as relações anglo-francesas é um daqueles conflitos que as duas partes envolvidas esqueceram depois de muito bom grado…
As facilidades concedidas pela Administração Colonial francesa às esquadrilhas em trânsito da Luftwaffe* quando elas foram apoiar o exército iraquiano na sua guerra contra os britânicos em Maio de 1941, foram as razões próximas para precipitar a decisão de Winston Churchill em neutralizar as atitudes dúbias de uma Administração obediente a Vichy no Próximo Oriente. Dúbia até ao fim, o General Henri Dentz (acima, com Pétain), o Alto-Comissário francês, recusou o auxílio que alemães e italianos lhe propuseram, ao mesmo tempo que punha o maior empenho na resistência à invasão.
Mesmo no curso das negociações para a rendição, a política interna francesa sobrepor-se-á às realidades internacionais, com o General Dentz** a exigir ignorar o General Georges Catroux, representante da França Livre, e assinando o Armistício do Acre apenas com os britânicos. O local (São João do Acre foi a última possessão dos cruzados na Terra Santa) e a data (14 de Julho de 1941, data da queda da bastilha) da assinatura eram cheios de significado para os franceses. E os 37.736 vencidos sobreviventes eram agora prisioneiros de guerra, criando um outro problema político delicado.
Pormenor irrelevante mas interessante: foi nesta campanha que Moshe Dayan (acima) recebeu o ferimento no olho que o obrigou a usar uma pala para o resto da vida. Os binóculos que estava a usar foram atingidos por uma bala e os estilhaços do mesmo destruíram-lhe o olho e o globo ocular de tal forma que não podia usar prótese. O mediático General israelita era então um mero intérprete*** duma unidade australiana e, ironicamente, a bala que o atingiu e desfigurou era tão francesa quanto os caças Mirage III que, conjuntamente consigo, fazem parte dos ícones da vitória israelita na Guerra dos Seis Dias de 1967…** Henri Dentz - um oficial de mérito indiscutível, foi o primeiro do seu curso em Saint Cyr - foi condenado à morte em 1945 como colaboracionista. Charles de Gaulle (magnânimo…) comutou a pena em prisão perpétua. Dentz morreu na prisão em Dezembro de 1945.
*** Não foi só o Mourinho a começar uma grande carreira pelas traduções… Ao contrário de Dentz, tanto Dayan como Mourinho são conhecidos pelas dúvidas que suscitam quanto à parte da fama que devem à sua competência técnica ou à sua vocação mediática...
17 maio 2007
AS TRÊS GUERRAS E AS TRÊS COMISSÕES EM ISRAEL
Durou precisamente 21 dias (de 6 a 26 de Outubro), o que foi imenso pelos padrões das guerras anteriores (9 dias em 1956 e 6 dias em 1967) e isso aconteceu porque Israel passou metade desse período a perder a guerra tacticamente: o seu contra-ataque contra os egípcios só data de 15 de Outubro de 1973. E, para o levar a cabo, ficou a percepção que, se não fosse o armamento e munições que os Estados Unidos enviaram de urgência em ponte aérea para Israel (Operação Nickel Grass), o contra-ataque nunca teria condições materiais para ter tido lugar…
Essa foi uma grande humilhação para quem tanto prezava a sua autonomia estratégica, que tinha até levado Israel, numa fase anormal de embriaguez na fase final da guerra precedente (8 Junho de 1967), à provável ousadia de atacar por mar e ar um navio de espionagem electrónica norte-americano (USS Liberty), causando 34 mortos e 173 feridos entre a sua tripulação. É um episódio que permanece ainda hoje controverso (as explicações israelitas permanecerão duvidosas) e sobretudo esquecido, dada a vontade das duas partes em minorá-lo.Mas a outra verdade é que a Guerra terminou tacticamente de uma forma claramente vantajosa para Israel. A suspensão das hostilidades foi um alívio para o exército egípcio que se encontrava completamente cercado. Na outra frente (síria), os blindados israelitas estavam prontos para avançarem até Damasco. Tudo acabou bem mas, como no apuramento do Benfica para a final da Taça dos Campeões de 1990 contra o Marselha, ficou nos israelitas um travo amargo na vitória, como o do golo irregular de Vata…
Tratar-se-á adiante do impacto da Guerra na sociedade israelita mas, entre as suas elites e em termos estratégicos, os países árabes haviam conseguido demonstrar-lhes, que a sua opinião sobre a situação estratégica de Israel se assemelhava aquela que o IRA veio a sintetizar no futuro, depois de falharem um atentado contra Margaret Thatcher em Brighton em 1984: Hoje não tivemos sorte, mas lembrem-se que só é preciso que tenhamos sorte uma vez. Vocês vão precisar de ter sempre sorte*.
Na sociedade israelita, a forte sensação de segurança colectiva que ficara da vitória esmagadora de Junho de 1967 perdeu-se logo na primeira semana de guerra, quando as notícias das frentes pareciam tão graves que levavam a pôr em causa a própria sobrevivência do Estado de Israel. E foi esta sensação geral de que a Guerra acabou bem, mas correu mal, que esteve por detrás da decisão do governo de Golda Meir da formação de uma Comissão, denominada Agranat a partir do nome do juiz presidente.
Tratava-se de uma Comissão com aqueles objectivos clássicos de encontrar bodes expiatórios que aliviassem uma situação política incómoda ao governo, como se percebe das conclusões e recomendações finais: as demissões do Chefe de Estado-Maior do Tsahal**, dos dois responsáveis principais das Informações do Estado-Maior, a aposentação compulsiva do comandante da Frente do Sinai (que combateu contra o Egipto) e a transferência compulsória de outros oficiais de informações de patente inferior.No entanto, as conclusões do relatório, saído em Abril de 74, foram consideradas como demasiado benignas quanto às responsabilidades políticas atribuíveis quer à primeira-ministra Golda Meir, quer ao ministro da Defesa, Moshe Dayan. O facto acabou por provocar um efeito de ricochete e os dois políticos tiveram que se demitir. E assim se criou o precedente de que relatórios de objectivo semelhante ultrapassassem a fronteira da avaliação técnica dos acontecimentos para se pronunciarem também sobre a responsabilidade política.
Quanto às lições estratégicas de Outubro de 1973, elas foram absorvidas e parcialmente solucionadas com a redução dos inimigos externos de Israel, através da assinatura dos Tratados de Camp David entre Israel e o Egipto (1978). Meia dúzia de anos depois da Guerra do Yom Kippur (1973) e uma dúzia depois da dos Seis Dias (1967), Israel havia estabelecido acordos e um modus vivendi com dois dos três países inimigos com cujos exércitos o seu se confrontara naquela altura (Egipto e Jordânia).
Na perspectiva israelita, apenas restava o problema civil dos palestinianos dentro das fronteiras de segurança de Israel e o militar dos dois países do Norte de Israel, Síria e Líbano, muito embora o problema do segundo fosse passível de gestão através de um sistema de apoios e equilíbrios entre as facções militares em que o poder libanês se decompusera no seguimento da Guerra Civil libanesa de 1975. No entanto, o status quo foi considerado insatisfatório por Israel em 1982, quando o Tsahal invadiu o Líbano, para desalojar dali os guerrilheiros da OLP, que flagelavam o norte de Israel.
A invasão do Líbano em Junho de 1982 tornou-se o padrão dos novos conflitos para onde Israel se tem visto arrastado, onde não existe uma verdadeira contestação ao seu poder militar mas onde os seus oponentes se evadem a reconhecer-lhe politicamente as vitórias militares, fazendo o tempo arrastar-se a seu favor. Entretanto, enquanto se espera, a disputa transfere-se para a conquista das simpatias da opinião pública. Foi o que fizeram Yasser Arafat e a OLP naquela altura, cercados pelo Tsahal em Beirute.Do ponto de vista militar o Tsahal invadiu o Líbano pelo Sul, derrotou os dispositivos militares que se lhe opuseram, chegou até Beirute onde cercou a OLP, podê-la-ia ter eliminado militarmente. Mas a solução política para a disputa já se arrastava há três meses quando Israel deixou que se cometesse uma manobra colateral por parte de milícias libanesas suas aliadas que ficou conhecida pelo Massacre de Sabra e Chatila*** (acima) e que se tornou para si num completo desastre em termos mediáticos.
Também nesta ocasião se formou posteriormente uma Comissão (Kahan) que, a propósito das responsabilidades israelitas no referido massacre, analisou também o beco estratégico para onde Israel fora conduzido com a invasão do Líbano. Dados os precedentes, a Comissão foi severíssima nas conclusões do seu relatório, recomendando a demissão do ministro da Defesa (Ariel Sharon), do responsável dos serviços de informações do Estado-Maior e a despromoção efectiva do oficial responsável pelo comando em Beirute.
É irónico como o conteúdo do relatório chegou mesmo ao limite de sugerir que Sharon não devesse voltar a ocupar mais cargos como governante israelita para o futuro… Mas também é simbólico como, após o precedente da Comissão Agranat, esta Comissão quis evitar o erro da redacção de um relatório anódino e, na dúvida, preferisse arriscar pelo excesso. Na realidade, essa sugestão da Comissão Kahan não teve efeito e Ariel Sharon veio mesmo a tornar-se primeiro-ministro de Israel…
Recordando os acontecimentos da invasão do Líbano de 1982, foi impressionante quanto a de 2006 repetiu precisamente os mesmos erros estratégicos de 24 anos antes, até nos pretextos demasiado despropositados para justificar o começo das operações****, e apenas tendo mudado o oponente, da OLP para o Hezbollah. Pior, o dispositivo táctico de defesa do terreno do Hezbollah havia evoluído comparativamente melhor com o estudo da invasão precedente do que parecia ter acontecido com as tácticas ofensivas de Israel…Depois de um mês (entre Julho e Agosto de 2006) em que Israel progredia penosamente no terreno e andava à procura de um interlocutor válido que lhe fizesse concessões políticas rapidamente, mas sem o encontrar (sempre o factor tempo…), houve que apelar para a ONU, para as tais forças de interposição robustas e para o seu bluff (pífio) que Israel ainda podia desencadear uma escalada militar – como se Israel se dispusesse a sofrer uma outra degradação da sua imagem com as vitimas da escalada, igual à das vítimas do massacre de 1982…
A Comissão Winograd, cujas conclusões foram recentemente tornadas públicas, em 30 de Abril de 2007, foi constituída precisamente para se pronunciar sobre o conflito travado no Verão passado. Neste caso – e não surpreendentemente, conhecidas as conclusões das suas antecessoras – a Comissão concluiu por críticas severas à conduta do primeiro-ministro Ehud Olmert, à do ministro da Defesa Amir Peretz e à do Chefe de Estado-Maior do Tsahal, Dan Halutz.
Há que reconhecer que escrever postes pode implicar um exercício de simplificação. No entanto esse exercício não pode ser levado a extremos que deturpem a essência das ideias. Por tudo aquilo que escrevi atrás, considero que tentar associar e equiparar, ainda que subtilmente, as conclusões das Comissões Agranat e Winograd além das guerras que as antecederam, para além de platitudes que sempre se podem escrever a esse propósito (ambas serem israelitas ou terem sido presididas por juízes...), é um exercício descabido, como o que José Pacheco Pereira fez no seu blogue, num poste do passado dia 6 de Maio*****.
José Pacheco Pereira excede-se tanto na imagem de erudição que cultiva tão cuidadosamente para o exterior que, às vezes, mesmo involuntariamente e por falha nossa, somos levados por ela. Ele não é obrigado a saber tudo. Ele nem sequer é obrigado a saber muito. Mas talvez devesse reconhecer que há assuntos em que o radicalismo das suas opiniões o leva a escrever demais sobre assuntos em que afinal parece saber pouco. Talvez este seja um desses casos… Podemos compartilhar a sua simpatia por Israel, como bastião do ocidentalismo numa terra que o não é, não podemos é adoptar uma atitude de simpatia e tolerância acrítica (qual nacionalismo emprestado…) em relação aos erros estratégicos que comete…*Today we were unlucky, but remember we only have to be lucky once. You will have to be lucky always.
** Tsahal – Tsva Hahagana LeYisrael (Forças de Defesa de Israel), Forças Armadas israelitas
*** Campos de refugiados palestinianos situados no Líbano.
**** Em 1982 foi uma tentativa de assassinato de um grupo terrorista radical (Abu Nidal) ao embaixador israelita em Londres, em 2006 foi o rapto de dois soldados israelitas.
05 maio 2007
DO FACCIOSISMO IDEOLÓGICO (ACTUALIZADO)

Se as suas opiniões eram tão inequívocas e assertivas em prol de Israel na altura e o assunto lhe parecia despertar assim tanto interesse imaginem a minha curiosidade sobre qual seria a sua reacção quando descubro que, por coincidência, José Pacheco Pereira parecia estar de visita em Israel precisamente na altura em que se tornou público o teor de um relatório de uma Comissão constituída para o efeito, que é fortemente condenatório sobre a forma como foram dirigidas política e militarmente a ofensiva contra o Hezbollah no Líbano. O que nem tem nada de novo, se recordarmos o que especialistas portugueses já tinham afirmado na altura, como foi o caso do General Loureiro dos Santos.
Mas, pelos vistos, nem mesmo a proximidade geográfica dos acontecimentos serviu agora de catalisador para uma reflexão sobre o que escrevera. Já no Verão, me apercebera que Pacheco Pereira franqueia por vezes francamente a fronteira entre aquilo sobre que opina e sobre aquilo de que percebe - de que a confusão que lhe ouvi entre uma companhia e um regimento de engenharia foi apenas um indício revelador… Tudo aquilo que escreveu se assemelha agora, substantivamente, a uma defesa à outrance* da posição política do Estado de Israel. Só que agora parece ter ficado comprovado que não era preciso gostar do Hezbollah para achar que a condução israelita daquela guerra estava a ser um disparate…
José Pacheco Pereira pode discordar das conclusões do relatório mas aí conviria que nos explicasse porquê. Contudo, na minha interpretação, este silêncio parece-me apontar para uma outra direcção... Mas ainda vai a tempo e ficará bem a José Pacheco Pereira reconhecer que todo o assunto mereceria uma reapreciação… Era ideologicamente muito menos faccioso... Era de historiador!
* Expressão francesa que se pode traduzir por a todo o transe e que classificava o tipo de atitude a assumir nas ofensivas pela doutrina militar francesa de 1871 a 1914. Também se emprega a expressão associada à defesa, mas em sentido irónico, quando esta vai para além de tudo o que é razoável…
ADENDA: Posteriormente à publicação deste poste, José Pacheco Pereira inseriu no Abrupto um poste que ainda não concluiu, onde creio que pretende estabelecer um paralelo entre a utilização política do recente Relatório Winograd e a de um outro Relatório (Agranat) publicado na sequência da Guerra do Yom Kippur de 1973. Para já, parece-me que a analogia da utilização política dos dois relatórios não se pode estender às condições estratégicas em que as duas guerras foram travadas e, consequentemente, ao conteúdo das críticas dos dois relatórios, como se poderia deduzir de uma leitura descuidada do que José Pacheco Pereira até agora escreveu. Mas fico à espera da suas conclusões e saúdo o facto de afinal me ter enganado, e de ele não ter andado distraído por Israel...
04 abril 2007
A PEDIDO DE VÁRIAS FAMÍLIAS…
Suspeito que haverá alguns professores maldosos no Brasil que encarregaram os seus alunos de fazer trabalhos sobre as religiões existentes nos territórios que outrora formaram o Império Romano do Oriente. Não exagerarei quando disser que já encontrei pelo menos uma dezena de visitantes que aqui vieram ao blogue à procura especificamente dessa informação. E, em atenção a essas variadas famílias brasileiras aí vai uma pequena história do Império Romano do Oriente e das suas religiões actuais.Se a história é – como qualquer poste de blogue – necessariamente breve, a duração do Império não o é. O Império Romano do Oriente, que corresponde à metade oriental do Império Romano conforme se observa no primeiro mapa, teve uma duração que superou os 1.000 anos: de 395 d.C. até 1453 d.C. Para os padrões medievais europeus era um estado de uma complexidade e sofisticação muito avançada, assente em três parâmetros identificativos: direito romano, cultura grega e religião cristã ortodoxa.
Mas não começou assim. Ao princípio, logo depois da separação do Ocidente (e da subsequente queda deste) era um verdadeiro Império, aglomerando a heterogeneidade e rivalidade das três grandes regiões que, mesmo assim o compunham, cada qual com a sua metrópole: o Egipto e a sua capital Alexandria, o Oriente e a sua grande cidade comercial, Antioquia, e finalmente os Balcãs e a Ásia Menor, conectados pela grande capital do Império, Constantinopla.
Cada uma daquelas três regiões, embora a maioria da população se tivesse tornado cristã, acabaram a distinguir-se entre si por ela professar ritos religiosos distintos: designados por coptas no Egipto, por jacobitas na Síria e por ortodoxos em Constantinopla. E, mesmo quando o Império Romano se reexpandiu para Ocidente no reinado de Justiniano no Século VI (mapa acima), a anexação ainda adicionou o catolicismo romano àquele, já complexo, puzzle religioso.As divergências acabavam por não representar nada de substantivamente diferente quanto ao essencial da mensagem cristã (tal qual havia sido definida no Concílio de Niceia em 325). Mas, quando são utilizadas para fins políticos, as pequenas diferenças doutrinárias podem parecer abismos impossíveis de transpor: vejam-se, por exemplo, as rupturas no movimento comunista internacional do Século XX entre leninistas, trotskistas ou maoistas. Algo semelhante aconteceu naquela época, só que associado à natureza de Cristo e à procedência do Espírito Santo…
A disputa política – disfarçada de teológica – foi levada a extremos tais dentro do Império Romano do Oriente que frequentemente Alexandria e Antioquia, como capitais regionais, procuravam ser neutrais nas disputas de Constantinopla com os seus inimigos externos, quando não mesmo se opunham aos interesses do centro do Império. E no Século VII, por ocasião da expansão islâmica, a adesão dos cristãos não ortodoxos à nova ordem dos invasores foi maciça, onde passaram – convertidos à nova fé ou não – a constituir a maioria dos quadros não militares.
Havendo vantagens materiais para o fazer, normalmente nunca houve coacção para que houvesse uma conversão do cristianismo para o islamismo entre as populações dos países que hoje são o Egipto, a Jordânia, Israel, o Líbano ou a Síria. Ela foi-se processando gradualmente. Actualmente em todos eles (com excepção de Israel, cujo povoamento é resultante da imigração maciça moderna de judeus, mas a realidade entre a população palestiniana é idêntica à dos outros países mencionados) há minorias cristãs, que podem variar entre os 5 (Jordânia) e os 35% da população (Líbano). Mas a sua proporção tem vindo a baixar no último século, porque a tendência para emigrar é muito superior entre os cristãos: na Síria, por exemplo, a proporção de cristãos baixou de 17% (1958) para 10% (2001).Regressando ao passado, o Império Romano conseguiu a proeza notável de resistir ao impacto da expansão islâmica (acima) que alcançou tanto a França como a Índia, embora ficasse mais reduzido em extensão, mas com a vantagem de ser tornado muito mais coeso, englobando apenas a Ásia Menor e as regiões europeias, onde apenas predominava o cristianismo ortodoxo. As maiores pressões que o Império passou a sofrer vinham agora das regiões europeias, onde os povos eslavos (búlgaros, sérvios) estavam a procurar criar estados de confissão ortodoxa mas independentes da tutela imperial de Constantinopla.
Da batalha de Manzikert (1071), travada no século XI entre romanos* e turcos, ficou o simbolismo do início da perda progressiva da influência do velho Império nas regiões da Ásia Menor perante a constante pressão dos povos turcos, de religião islâmica. Mas também a população local, sujeita ao poder turco, se foi convertendo progressivamente. Nos últimos grandes momentos do Império (meados do século XIII - abaixo em azul), ele agrupou-se à volta do Mar Egeu, tanto nas suas costas europeias (onde se situa a Grécia moderna) como nas asiáticas, numa disposição parecida com a do período áureo da civilização da Grécia Clássica**.
O Império Romano do Oriente extinguiu-se quando Constantinopla foi tomada pelos turcos em 1453, enquanto o Império Otomano por eles fundado continuou a expandir-se pela Europa balcânica convertendo alguns dos povos conquistados (albaneses e bósnios) à religião muçulmana. O retrato religioso do Império Otomano (abaixo a sua configuração no apogeu de 1580) que, em mais do que um aspecto, pode ser considerado sucessor do Império Romano do Oriente, é bastante complexo, com cristãos e muçulmanos coexistindo em todo os lados, os primeiros geralmente em maioria na Europa, os segundos na Ásia.
Só no princípio do Século XX, através de um gigantesco (e pouco divulgado) processo de transferência recíproca de populações a Grécia e a Turquia modernas adquiriram uma verdadeira homogeneidade religiosa – assunto aqui tratado num poste anterior. De resto, todos os outros países que pertencem a regiões que fizeram parte outrora do Império Romano do Oriente ainda aqui não mencionados, quando são maioritariamente cristãos (Sérvia, Bulgária, Chipre) têm minorias muçulmanas, e quando são maioritariamente muçulmanos (Albânia), têm minorias cristãs. ** Uma fracção apreciável das cidades da Grécia clássica – a começar pela famosa Tróia – situa-se na actual Turquia ocidental.
10 setembro 2006
NÃO HÁ RECEITAS PARA DESCOLONIZAÇÕES
Identificando-as, percebe-se que, em termos de descolonizações não parecem existir soluções ideais, pois qualquer dos casos e das regiões foram e têm continuado desde aí a ser presenças frequentes nos noticiários internacionais: a França concedeu a independência à Síria e ao Líbano em 1943, o Reino Unido fez o mesmo com a Índia e o Paquistão em 1947 e em 1949 os Países Baixos preferiram manter a Indonésia com a estrutura unificada que havia sido formada nos tempos coloniais.
O Líbano era um território onde, à data de independência, existia uma maioria cristã, distinta da da Síria onde predominava o islamismo, o Paquistão foi formado pelas regiões indianas onde existia uma maioria de população muçulmana, distinta da maioria da da União Indiana, que professava o hinduísmo, e o mesmo poderia ter sido feito na Indonésia, onde, da maioria muçulmana, se destacaria, por exemplo, o arquipélago ocidental das Molucas, onde existia uma maioria cristã.
Actualmente, sobre a Indonésia pende a espada de Dâmocles do separatismo, que se manifesta de diversas formas e em diversos locais, dispensando até a religião quando esta não serve de elemento diferenciador que o exprima. A mesma espada pende, mas por razões diferentes, sobre os países que se individualizaram (Líbano, Paquistão), através das relações contraditórias de atracção e repulsão que mantêm com os (proporcionalmente) grandes vizinhos de que se separaram.
São três casos engraçados que valerá a pena vir a desenvolver individualmente aqui em posts futuros. Mas que, quando comparados, nos ficam de alerta para os revisionismos de direita sobre as descolonizações que poderiam ter sido feitas se… e os revisionismos de esquerda sobre as culpas que os colonizadores carregarão até ao fim da história…
01 setembro 2006
TEM TODA A RAZÃO!
Com a devida vénia aqui transcrevo um poste do blogue de José Pacheco Pereira, intitulado DEVE HAVER CONFUSÃO COM A RESOLUÇÃO 1701… da autoria do próprio:
Fico a saber que a força que vai para o Líbano é uma companhia de engenharia, e segundo o ministro foi enviada num contexto humanitário. Sempre apoiei o envio de tropas da UE, a começar pelas portuguesas, para implementar a Resolução 1701 das Nações Unidas... mas tanto quanto eu sei a missão da UNIFIL não é propriamente humanitária, nem tem como objectivo "reconstruir" o Sul do Líbano. O seu objectivo não é construção civil, mas garantir que o Governo do Líbano exerça a soberania plena de modo a que não haja aí armas sem consentimento do Governo do Líbano, e o desarmamento de todos os grupos armados no Líbano (…) de modo a que não haja armas ou autoridade no Líbano que não sejam as do Estado Libanês.
Alheando-nos do modo a roçar o sarcástico como se refere à decisão da participação portuguesa na UNIFIL – merecedor de resposta no mesmo tom no post seguinte deste blogue – não haja quaisquer dúvidas que lhe assiste toda a razão ao assinalar as significativas divergências entre a redacção original da resolução da ONU e a forma como se estão a anunciar a constituição das forças que irão compor a UNIFIL na realidade.
Vendo assim José Pacheco Pereira a assumir como suas, as penas do embuste para o qual a ONU terá arrastado Israel, será de perguntar se o mesmo José Pacheco Pereira já se terá perguntado porque é que os principais interessados no mesmo assunto – os dirigentes israelitas – não têm dado a devida publicidade a essa mesma razão de queixa? Ou interessar-lhes-á que lá esteja uma força de interposição – qualquer força de interposição – mesmo que esteja armada de retro-escavadoras em vez de blindados?
Se for este o caso, então houve uma grande mudança de opinião dos responsáveis em Israel, desde aquela bravata de quem se queixava que a resolução 1701 os iria impedir de concluir a operação de erradicação do Hezbollah que estava em curso no sul do Líbano!...
O TENENTE-CORONEL PACHECO PEREIRA
Se, como se vê no post acima, as tarefas de construção civil no Líbano não parecem merecer o agrado de José Pacheco Pereira, é razoável propor-lhe que, da actual patente que tiver, depois de ter cumprido o SMO* (se o tiver cumprido...), ele seja graduado no posto de Tenente-Coronel, para vir a comandar um novo Batalhão Académico (na senda do seu homónimo do século XIX) que, composto por si e pelos intelectuais voluntários que com ele compartilham o sentido principal da função das forças de interposição a mandar para o Líbano, possa vir a efectuar integralmente o desarmamento do Hezbollah. Acessoriamente, esse doutrinado batalhão de intelectuais voluntários, comandados por JPP, poderá substituir a mísera companhia de engenharia que os poderes decidiram enviar como participação portuguesa na UNIFIL.
As inscrições de voluntários (só intelectuais) podem ser feitas no blogue Abrupto.
Já aqui referi como é ridícula a belicosidade do General travando as suas batalhas na Sala dos Mapas. Parece que este século XXI tornou a dar relevo à figura patética do intelectual belicoso, seja ao teclado do seu computador, seja em presenças em estúdios de televisão. Mas não é figura nova: lembre-se em A Oeste nada de novo, de Erich Maria Remarque, o professor que arrastou os seus alunos para o centro de mobilização em 1914...
* Serviço Militar Obrigatório
30 agosto 2006
AS VAIAS A KOFI ANNAN
Mas, para os que ficaram no centro, que normalmente concluem o que concluem baseados nos dados escassos a que prestam atenção (imagens, pequenos trechos de discursos), e que haviam sido tocados pelas imagens de sofrimento da parte libanesa, é eloquente a ingratidão expressa pela visão de um pequeno trecho de imagens em que uma multidão é visual e audivelmente hostil e ainda ameaçadora para com um dos maiores responsáveis internacionais que teve a atenção (rara) de os vir visitar. Não sei se os serviços secretos israelitas não colaboraram no evento mas, se não o fizeram, não o desdenhariam ter feito.
O destino do Médio Oriente não está dependente do timbre dos assobios, nem a maior ou menor simpatia das opiniões públicas ocidentais terão um efeito imediato na actuação dos seus governos quanto à resolução do mesmo. Mas, talvez por estarem destreinados por não possuírem um governo (a sério) há muito tempo, estes libaneses parecem ter esquecido uma das lições elementares que um habitante de um bairro de barracas de um país ocidental conhece de ginjeira: convém não vaiar o governante que faz uma visita televisionada ao seu bairro porque diminui exponencialmente a possibilidade de vir a receber uma casinha de habitação social…
27 agosto 2006
A Palestina: um problema superficial?
Clausewitz, que era um militar, criou uma frase famosa segundo a qual a guerra é a continuação da política por outros meios. O que é verdade, mas apenas segundo uma certa lógica, a lógica de um militar. Por isso se torna necessário explicitar na análise dos conflitos quando se trata da intervenção de um agente clausewitziano. Por exemplo, dois miúdos engalfinhados à tareia no recreio da escola não são agentes clausewitzianos…
Tenho o mesmo problema, que acima expliquei quanto aos militares, à violência e à guerra quando se fala de sacerdotes, da fé e da religião. Por muito que o negue, também o sacerdote, por causa da sua formação, tem essa mesma tendência a conceber predominantemente a religião como um fenómeno colectivo e ritualizado. Ora, tal como a violência pode ser individual, também considero que a relação com o divino o possa ser.
E é por causa desse hiato conceptual que procuro ser cuidadoso na forma como abordo artigos assinados quer por militares, quer por sacerdotes. Mas aquele que hoje é assinado pelo padre Anselmo Borges, no Diário de Notícias (p.5), intitulado A Palestina: um problema teológico?, além de dele discordar, enferma, quanto a mim, de um grande erro, discreto mas muito importante e que fica muito para além do campo dos conceitos.
No seu artigo, o autor data a chegada dos árabes à Palestina fazendo-a coincidir com o início do domínio muçulmano (636 d.C.). Ora os povos árabes sempre coexistiram com os judeus na região e vieram até a ocupar o espaço vago deixado por eles por altura da sua expulsão no reinado do imperador romano Adriano (135 d.C.). A população árabe do Império, além de lhe ter dado um imperador, Filipe (244-49), nos séculos IV, V e VI contava-se entre as populações mais evangelizadas do império.
É um erro grosseiro, involuntário decerto, mas significativo, o de confundir a chegada das populações com a das religiões, e datar pela instalação do domínio muçulmano na Palestina em 636 a presença do povo árabe. Ora o povo árabe da Palestina já foi predominantemente cristão e ainda hoje uma minoria (estimada entre os 10 a 15%) ainda o é. É verdade que o predomínio político daquela região nunca mais foi recuperada para outra religião – salvo durante o breve período das Cruzadas (1099-1187) – até à instalação da administração britânica em 1919, seguida da fundação do Estado de Israel em 1948.
Em Israel, como no Líbano vizinho, mesmo na actualidade, quase todas as clivagens políticas podem ser interpretadas segundo fracturas étnicas e religiosas. E o padre Borges disso saberá com certeza, quando se esteve a documentar sobre a história recente da região para a redacção do seu artigo, nomeadamente para aquele período que antecedeu a independência de Israel em 1948. Se preferiu não o mencionar e se, em vez disso, escolheu mensagens bíblicas e corânicas de conteúdo pacífico, terá sido por opção sua…
Também mostro muito respeito pelas duas volumosas obras fundamentais – O Judaísmo e O Islão – referidas, da autoria do teólogo Hans Kung (que confesso não ter lido), mas desconfio que não as vou ler, se a mensagem essencial que delas se extrai for a seleccionada pelo padre Anselmo Borges para o seu artigo: Não haverá paz enquanto os membros das três religiões monoteístas, que se reclamam de Abraão, se não tornarem activos politicamente, impedindo o fanatismo religioso.
Não questionando a bondade (e a evidente ingenuidade) da sua redacção, tudo aquilo pode ser muito bem intencionado, mas é perfeitamente superficial. Ao longo de toda a sua história, qualquer daquelas três religiões têm sido usadas para facilitar a actividade política dos seus fanáticos – quando são do nosso lado designam-se por pessoas com muito fervor religioso… – que querem dominar naquela que designaram por Terra Santa.
25 agosto 2006
O FILHO DA MONTANHA
São os primeiros que costumam usar uma expressão idiomática – adicionar o insulto à injúria – que pode muito bem ser adaptada para comentar a prestação protagonizada ontem por Jacques Chirac na televisão. Não bastando passar por toda aquela vergonha, o governo francês ainda pretendeu insultar a opinião pública mundial, tentando dar um cunho de grandioso a um episódio em que se devia estar a desculpar.
Afinal, a França não impediu que se falasse de uma força de interposição rápida e robusta sob o seu comando no Líbano, para a qual contribuiria com 5.000 efectivos... Depois, escutando o discurso do presidente francês ontem, conclui-se que os 5.000 se reduziram a 2.000 e que a rapidez aplicar-se-á a… 200 deles. E pelos vistos, a questão do comando da força, falta de qualquer vergonha na cara e da falha de alternativas à excepção da italiana, fica em aberto…
A França republicana na sua história recente já ouviu os seus dirigentes proferir discursos penosos e de mau presságio (É com o coração despedaçado que informo que se deve pôr termo ao combate…*) e mesmo grandes aldrabices (Compreendi-vos!**). Não será, por isso, pela falta de qualidade e sinceridade dos seus discursos que Chirac terá caído no descrédito em que caiu.
Mas, quem quer que manifeste o seu desconforto pelo actual inquilino da Casa Branca, tem, em consciência, que manifestar um desconforto parecido com este ocupante do Eliseu…
* Discurso proferido por Pétain em Junho de 1940, antecipando a necessidade de assinar um armistício com a Alemanha. Depois da sua assinatura, Pétain viria a encabeçar o chamado Regime de Vichy, colaborante com a Alemanha.
** Discurso proferido por de Gaulle em 1958 em Argel, diante da multidão que se manifestava pela manutenção da Argélia francesa. A partir de 1960, de Gaulle deu início às negociações que culminariam com a independência da Argélia em 1962.
















