Apercebo-me, com um sentimento que não consigo descrever, que aquilo que há noventa anos Fernando Pessoa escrevera e descrevera do seu heterónimo Álvaro de Campos, também se pode aplicar aos blogues, quais heterónimos modernos das nossas modestas expressões pessoais. Se o aniversário de Álvaro de Campos se deixara de festejar, também os aniversários dos blogues fluem perante a indiferença dos seus próprios criadores. O Herdeiro de Aécio celebrou ontem (4 de Novembro) o seu 14º aniversário e eu nem me lembrei disso! As características das redes sociais mudaram tanto desde essa altura que o conhecido poema de Pessoa acaba por fazer sentido, ainda que bizarro, quando invocado.
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05 novembro 2019
16 maio 2019
O PARLAMENTARISMO BRASILEIRO
Abraham Weintraub é o nome um pouco arrevesado do actual ministro da Educação brasileiro. Já é o segundo ministro da pasta nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro, e este só tomou posse há quatro meses e meio. O novo ministro compareceu recentemente numa audição parlamentar na Câmara dos Deputados e o vídeo acima é um resumo de cerca de 15 minutos dessa audição. Resumo que me parece simbólico de como é a dinâmica do parlamentarismo no nosso grande país irmão, agora potenciado por um governo de extrema-direita. Em vez de esperar que seja a oposição a partir a loiça, como é tradicional noutros parlamentos, aqui são as próprias bancadas governamentais a tomar a iniciativa de desencadear a baderna. Para os mais atentos e inquisitivos, esclareço que o deputado Alexandre Frota que ali aparece (com óculos!) é esse mesmo que estão a pensar: ex-actor, ex-director, ex-actor pornô, ex-modelo, ex-comediante, ex-jogador de futebol americano, ex-apresentador, ex-marido de Cláudia Raia, empresário e agora político (pelo menos, é assim que ele é apresentado na wikipedia e todos esses atributos, presentes e pretéritos, não contrastam com o ambiente). A próxima vez que houver outra sessão de impeachment naquela casa, que os comentadores das redes sociais não se indignem tanto, porque tudo aquilo é trivial, ou para citar um imorredouro verso de Manuel Alegre: Tu não viste nada em Nambuangongo!
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04 novembro 2018
A MORTE DE WILFRED OWEN
4 de Novembro de 1918. Há cem anos morria em combate o tenente Wilfred Owen (1893-1918) durante a Batalha do Sambre. A Grande Guerra estava a uma semana do seu término, mas isso não sabiam ele e os homens do seu pelotão que nesse dia se dispuseram a atravessar o canal que liga o Sambre ao Oise sob fogo inimigo. O tenente Owen ficou mais conhecido como poeta de guerra. Já aqui publiquei um poema seu na versão original. Hoje, atrevi-me a traduzi-lo.
Encolhidos, quais mendigos velhos envergando sacos,
Arrastando os pés, tossindo compulsivamente, atravessamos o lamaçal,
Virando costas à luz bruxuleante dos sinalizadores
E começámos a caminhada para a retaguarda distante.
Homens marchavam adormecidos. Muitos haviam perdido as suas botas
Mas lá continuavam, pés em sangue. Tudo seguia alquebrado; cego;
Bêbado de fadiga; surdo e desinteressado para o rugido
Dos obuses de gás que discretamente explodiam lá para trás.
Gás! GÁS! Rápido, malta! – O alívio de conseguir ajustar, atabalhoadamente, aquelas máscaras desajeitadas a tempo;
Mas alguém urrava e caindo,
Debatia-se como se estivesse em chamas ou sob cal viva...
Embaçado, através das enevoadas lentes da máscara e de uma grossa luz verde;
Como se estivesse debaixo de um mar verde, vi-o a afogar-se.
Em todos os meus sonhos e diante de meus olhos impotentes,
Ele atira-se a mim, sorvendo o ar, asfixiando-se, afogando-se.
Se, em algum sonho sufocante, também pudesses ali estar
Por detrás da carroça em que o arremessamos.
E observasses os olhos brancos contorcidos na sua face,
A sua cara dependurada, como a de um demónio que se cansara de pecar.
Se pudesses ouvir, a cada solavanco, o sangue
Gargarejar espumoso dos seus pulmões corrompidos,
Obsceno como um cancro, amargo como a bílis regurgitada que provoca feridas incuráveis em línguas que não têm culpa alguma.
Meu amigo, não irias, com tão grande zelo, contar
A crianças ansiosas por alguma glória desesperada,
A velha Mentira: Dulce et decorum est pro patria mori.
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06 agosto 2018
MANDOU UMA CARTA EM PAPEL PERFUMADO E COM LETRA BONITA, ELE DIZIA QUE ELE TINHA...
Pedro Santana Lopes é uma espécie de Madonna da política portuguesa. Os dois não têm talento algum a não ser que talento seja uma indiscutível capacidade para se imporem nas notícias. Porém, como não têm talento, aquilo que se noticia a respeito deles não são verdadeiras notícias mas coisas que se escrevem a seu respeito. Contudo, para que essas banalidades passem impunes, têm que contar com a negligência cúmplice da opinião publicada para que esta não diga o que muitas vezes é óbvio. Por exemplo, este fim de semana Pedro Santana Lopes escreveu uma carta de despedida aos militantes do PPD/PSD. Muitos órgãos de informação se referiram à carta, mas só o Observador a publicou na íntegra. Ninguém estará interessado em lê-la. E, como recorda a letra de Viriato do Cruz na inesquecível canção de Fausto, Namoro, o que é mais importante numa carta como essas é que ela seja em papel perfumado e escrita com letra bonita. Quanto ao que contém, isso será o menos. Eu também confesso que não lhe prestei atenção, até alguém me ter alertado de como uma das suas passagens passaria por um símbolo perfeito do que é o estilo Santana Lopes...Na área do texto assinalada acima, veja-se como Pedro Santana Lopes nos diz que «quer sublinhar quatro áreas», para, logo no parágrafo que se segue, enumerar cinco! Não dei por que alguém mencionasse o lapso, que me fez lembrá-lo na cerimónia de posse do seu governo em Julho de 2004, a passar aceleradamente as páginas do seu discurso sem as ler, só porque estava muito calor. Não sendo má pessoa, o homem não tem categoria nem emenda...
Adenda:
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Política
17 junho 2018
O «SOPHIA» QUE TRANSPORTOU A SOFIA
Permitam-me chamar-vos a atenção para as publicações da concorrência, especificamente o Defender o Quadrado, que está a publicar uma série de crónicas de viagem, de que se assinalam aqui alguns notáveis exemplos (1),(2) ou (3). Mas, como na Bíblia, tudo tem uma génese, e a desta viagem por uma França em guerra, começou por uma viagem num A-319 da TAP com o poético nome de «Sophia de Mello Breyner», um excelente presságio, a excitar-nos a imaginação de que, por uma vez, em vez da conversa tradicional da localização das portas de socorro, das máscaras de oxigénio e do enchimento dos coletes de salvação, o pessoal de bordo, instalado em pleno corredor, declamasse em uníssono, com outros gestos exuberantes como os do costume:
«Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo»
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo»
30 abril 2018
BRASIL TRABALHADOR...
...com mês de Abril com 31 dias. Como prometia Chico Buarque, «aquela terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal».
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19 junho 2017
ASTÉRIX E CLEÓPATRA (3)
Talvez para contrastar com o clima ameno do Egipto, a acção decorre explicitamente no Inverno e a aldeia gaulesa é desenhada sob um nevão. Quanto ao trocadilho, ele faz sentido no original (abaixo), porque alexandrino designa simultaneamente um natural de Alexandria e um verso clássico de doze sílabas, precisamente as contidas na saudação de Numerobis. O tradutor português limitou-se a traduzir o sentido da frase sem atender à métrica, o que torna o trocadilho (para quem perceber a sua sugestão...) anacrónico.
01 abril 2017
BRASIL EM FESTA - QUANDO O PODER POLÍTICO EMANA DO CANO DE UMA ESPINGARDA
1 de Abril de 1964. Há precisamente 53 anos as altas patentes militares brasileiras desencadeavam um golpe de Estado que os tornava senhores do poder político. Acima, identificam-se (de binóculos) o general Costa e Silva que representava a facção mais radical entre os generais e, a seu lado e à civil, o general Castelo Branco, que encabeçava uma facção tida por mais moderada e que iria encabeçar o movimento revoltoso assumindo a Presidência pelos próximos três anos (1964-67). Entretanto, e para sustentar as aparências legais, os generais haviam incumbido os constitucionalistas Francisco Campos e Carlos Medeiros Silva de redigir um documento legitimador que ficou conhecido por Acto Institucional (mais tarde, como se seguiram outros, este acabou por receber o nº 1). É uma peça com passagens interessantíssimas, onde a tradicional esterilidade do «juridiquês» se combina com uma prosa de uma estética apelativa para quem professa a legitimação dos acontecimentos pela força dos meios, mais do que das convicções.
«(...) A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma. Ela destitui o governo anterior e tem a capacidade de constituir o novo governo. Nela se contém a força normativa, inerente ao Poder Constituinte. Ela edita normas jurídicas sem que nisto seja limitada pela normatividade anterior à sua vitória. Os Chefes da revolução vitoriosa, graças à acção das Forças Armadas e ao apoio inequívoco da Nação, representam o Povo e em seu nome exercem o Poder Constituinte, de que o Povo é o único titular.(...)
(...) Fica, assim, bem claro que a revolução não procura legitimar-se através do Congresso. Este é que recebe deste Acto Institucional, resultante do exercício do Poder Constituinte, inerente a todas as revoluções, a sua legitimação. (...)»
(...) Fica, assim, bem claro que a revolução não procura legitimar-se através do Congresso. Este é que recebe deste Acto Institucional, resultante do exercício do Poder Constituinte, inerente a todas as revoluções, a sua legitimação. (...)»
A legitimidade do novo poder é assim, e por muito que tenha sido portagonizada por generais, assumidamente revolucionária, e não parece despropositado emparceirar a linha de raciocínio acima com uma conhecida - e já então consagrada - frase de Mao Zedong, a de que o poder político emana do cano de uma espingarda. O poder dos generais era daí que vinha, era através dele que se tinha apoderado também, da opinião publicada (como se comprova acima). Confesso que - não concordando nada com o que lá está escrito! - gosto particularmente da redacção do Acto Institucional nº1. Também pelo seu significado e pelas suas implicações, parece-me ser um dos textos politicamente dialecticos mais interessantes que foram escritos em português e, não fora os preconceitos de esquerda, e fossem as palavras e os raciocínios em política para levar cartesianamente a sério, seria pacífico que o AI-1 tem muito mais valia literária que alguns livrinhos com máximas que, por aqueles anos, nos chegavam vindos da China.
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26 março 2017
O COMBATE DOS CHEFES (19)
Dulce et decorum est pro patria mori é uma citação clássica de Horácio. Muito recentemente tornei a ouvi-la, citada por alguém embevecido pelo seu significado (É doce e honroso morrer pela Pátria), esclarecendo-me que se tratava da divisa da Academia Militar portuguesa. Sabia-a constante de um outro famoso poema da Grande Guerra de Wilfred Owen, onde o seu significado é retorcido para se transformar na grande Mentira (old Lie). Mas só Goscinny para a parodiar através de uma das suas personagens que, de cabeça para baixo, coze lentamente num caldeirão.
08 janeiro 2017
«O» 125 AZUL
Uma boa ocasião para escutar e ler a verdadeira poesia de Luís Represas. Que não se confunde com a de Florbela Espanca. E quem terá sido «o» 456 durante nove anos não estranhará que receba a propósito dessa sua confusão, a alcunha apropriada de «o» 125 Azul.
Foi sem mais nem menos
Que um dia selei a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que me deu para arrancar sem destino nenhum
Foi sem graça nem pensando na desgraça
Que eu entrei pelo calor
Sem pendura que a vida já me foi dura
P'ra insistir na companhia
O tempo não me diz nada
Nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
A ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa
Não partiu para parte incerta
Viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
Sem paredes, sem ter portas nem janelas
Nem muros para derrubar
Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre
Curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
De uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
Só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
E com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu
Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre
Entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar
Um ponto preto quebra-me a solidão do olhar
Será que existe em mim um passaporte para sonhar
E a fúria de viver é mesmo fúria de acabar
Foi sem mais nem menos
Que um dia selou a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que partiu sem destino nenhum
Foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer
Foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer
Mas Deus leva os que ama
Só Deus tem os que mais ama
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02 janeiro 2017
De novo...
Apesar do resto da mensagem ser mais bombástica, a sua parte mais significativa é aquela expressão inicial de novo... Entre a utilização anterior e esta repetição que agora se lê acima, alguém (eu) explicou ao autor da mensagem, Marco Silva, a diferença entre Luís Represas, o intérprete da expressão sobre a qual ele faz o trocadilho (...e é amar-te assim, perdidamente...) e a sua verdadeira autora, Florbela Espanca. Presumo que a explicação tenha sido lida... e rejeitada. Subtilmente, da primeira vez para esta, haverá assim a alteração do paradigma da ignorância, desde a presumível ignorância primária sobre a identidade da autora do verso à ignorância estrutural sobre a quem se deve atribuir preferivelmente a autoria desse mesmo verso. Penso que será isto que José Pacheco Pereira designou, na sua última crónica, como a nova ignorância.
A ser essa ignorância nova e pelo que se vê, descubro ser um fenómeno mais social do que cultural. A ignorância é velha, a atitude nova. Nada tem a ver com o conhecimento propriamente dito, antes tem a ver com a modéstia de cada um reconhecer os limites dos seus próprios conhecimentos. Mas, para regressar ao caso concreto e à poesia, campo onde o comentador económico Marco Silva mostra não se sentir muito à vontade (embora saiba parafrasear Luís Represas...), vale a pena terminar o texto com uma outra adaptação, esta dos famosos versos finais do poema Liberdade de Fernando Pessoa:
E mais do que isto,
é Marco Silva,
que não sei se perceberá assim tanto de finanças,
mas que consta não possuir biblioteca
(e sobretudo tem vergonha de o confessar...)
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13 outubro 2016
GOSTEI DA IDEIA. MENOS DO PREMIADO
Pelo menos, ao saber-se que a distinção veio a recair em Bob Dylan, agora percebe-se a razão para a controvérsia que terá levado a que o anúncio do Prémio Nobel da Literatura tivesse sido adiado. Foi uma decisão arrojada. Não sei se foi uma decisão assisada. Reconheça-se que não tenho memória de um outro galardoado na mesma categoria que, nos últimos cinquenta anos, tenha sido tão idolatrado pelos seus fãs como o vencedor deste ano*. (Refira-se que a fotografia acima é de Barry Feinstein e também tem 50 anos). Quanto à avaliação poética do que Robert Zimmermann terá escrito, não me considero habilitado para a fazer ao nível de saber se a sua obra será nobelitável ou não; mas, ainda a esse respeito, gostei do precedente e confesso-me admirador de um outro artista que, a partir de agora, considero passível de também vir a ser galardoado por uma das academias de Estocolmo: Hugh Laurie. Talvez com o Prémio Nobel da Medicina como dr. House...
* A quem tenha pensado em Jean-Paul Sartre esclareça-se que o seu prémio (recusado) data de 1964.
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05 agosto 2016
SE CALHAR, JÁ NEM AS COISAS SÃO EM FORMA DE ASSIM
Para se constatar como é assim que as coisas se dissolvem no ar, ainda há três dias apareciam duas notícias ribombantes no noticiário nacional: a) que o IMI passava a contemplar a vista e a exposição solar dos imóveis: b) que havia um juiz que o ministério da Educação solicitara que fosse substituído por parcialidade no contencioso que mantem com os colégios privados. No primeiro caso, veio-se a descobrir que não era bem assim, que os coeficientes para o cálculo do imposto se mantinham e que o que fora legislado havia sido uma alteração da ponderação de um desses coeficientes. Já há muito que o sol entrava para os cálculos do IMI. No segundo caso também não era bem assim, o juiz que seria pai da tal criança que estudava num dos colégios envolvidos pela sua sentença afinal não tinha lá nenhuma filha. O juiz podia ser faccioso, mas não o seria por causa da filha. E porque a melhor defesa nestas coisas assim é o contra-ataque, no dia seguinte lá se desenterrou do meio do contencioso uma outra juíza que ajuizara de forma antagónica, e que se descobria ter sido dirigente socialista. Assim se encerram as grandes controvérsias da actualidade. Hoje ninguém que saber delas. Dois juízes acusados de parcialidade parecem anular-se se a parcialidade for antagónica e, depois das ironias que se leram sobre ter o Sol a pagar imposto, ninguém parece interessado em elaborar que, se o IMI é um imposto autárquico, os autarcas dos partidos críticos tem os instrumentos para não refletir as alterações promulgadas no contribuinte. Hoje já se está noutras coisas (as viagens pagas para ir ver o euro estão a ter muita saída), mas pergunto-me se as coisas que outrora, há mais de trinta anos, Alexandre O'Neill concebera poeticamente em forma de assim, ainda hoje têm essa mesma forma, ou se já passaram a ser só assim, desformatadas...
31 julho 2016
POEMAS DAS TRINCHEIRAS
Os britânicos acarinham com particular afeição os seus poetas da Primeira Guerra Mundial. Aquele conflito terá sido o primeiro em que a sensibilidade dos combatentes da frente de batalha se tornou publicável. Foi uma nova forma sofisticada, e só tornada possível pela alfabetização crescente das pessoas, de sintetizar numa sublimação artística aquilo que se vivia na frente. Depois, nos conflitos posteriores, a tecnologia terá tornado esta forma de expressão e de comunicação obsoleta. A poesia da Segunda Guerra Mundial terá uma importância muito inferior à que tivera na Primeira, para não falar já dos conflitos posteriores onde o audiovisual acabou por assumir uma importância quase hegemónica, mesmo num Portugal que seguia a outro ritmo (Adeus, até ao meu regresso!). A poesia de guerra, os poemas das trincheiras, são um fenómeno quase exclusivo da expressão dos nossos antepassados de há 100 anos, embora eu não conheça casos correspondentes em português (embora não descarte que os tenha havido, desapercebidos). Este livro acima, comprado apropriadamente no Imperial War Museum de Londres, contém uma colectânea de poemas escolhidos de 15 poetas (os nomes constam da contracapa, acima). Deles escolhi os três que costumam ser referidos com mais destaque: Rupert Brooke (1887-1915), Wilfred Owen (1893-1918) e Siegfried Sassoon (1886-1967). Repare-se que os dois primeiros morreram durante a Guerra e acrescente-se que não encontrei na internet traduções aceitáveis das suas obras, daí esta publicação de um poema de cada um deles no original.
(Rupert Brooke)
If I should die, think only this of me:
That there’s some corner of a foreign field
That is for ever England. There shall be
In that rich earth a richer dust concealed;
A dust whom England bore, shaped, made aware,
Gave, once, her flowers to love, her ways to roam,
A body of England’s, breathing English air,
Washed by the rivers, blest by suns of home.
And think, this heart, all evil shed away,
A pulse in the eternal mind, no less
Gives somewhere back the thoughts by England given;
Her sights and sounds; dreams happy as her day;
And laughter, learnt of friends; and gentleness,
In hearts at peace, under an English heaven.
DULCE ET DECORUM EST
(Wilfred Owen)
Bent double, like old beggars under sacks,
Knock-kneed, coughing like hags, we cursed through sludge,
Till on the haunting flares we turned our backs,
And towards our distant rest began to trudge.
Men marched asleep. Many had lost their boots,
But limped on, blood-shod. All went lame; all blind;
Drunk with fatigue; deaf even to the hoots
Of gas-shells dropping softly behind.
Gas! GAS! Quick, boys!—An ecstasy of fumbling
Fitting the clumsy helmets just in time,
But someone still was yelling out and stumbling
And flound’ring like a man in fire or lime.—
Dim through the misty panes and thick green light,
As under a green sea, I saw him drowning.
In all my dreams before my helpless sight,
He plunges at me, guttering, choking, drowning.
If in some smothering dreams, you too could pace
Behind the wagon that we flung him in,
And watch the white eyes writhing in his face,
His hanging face, like a devil’s sick of sin;
If you could hear, at every jolt, the blood
Come gargling from the froth-corrupted lungs,
Obscene as cancer, bitter as the cud
Of vile, incurable sores on innocent tongues,—
My friend, you would not tell with such high zest
To children ardent for some desperate glory,
The old Lie: Dulce et decorum est
Pro patria mori.
COUNTER-ATTACK
(Siegfried Sassoon)
(Wilfred Owen)
Bent double, like old beggars under sacks,
Knock-kneed, coughing like hags, we cursed through sludge,
Till on the haunting flares we turned our backs,
And towards our distant rest began to trudge.
Men marched asleep. Many had lost their boots,
But limped on, blood-shod. All went lame; all blind;
Drunk with fatigue; deaf even to the hoots
Of gas-shells dropping softly behind.
Gas! GAS! Quick, boys!—An ecstasy of fumbling
Fitting the clumsy helmets just in time,
But someone still was yelling out and stumbling
And flound’ring like a man in fire or lime.—
Dim through the misty panes and thick green light,
As under a green sea, I saw him drowning.
In all my dreams before my helpless sight,
He plunges at me, guttering, choking, drowning.
If in some smothering dreams, you too could pace
Behind the wagon that we flung him in,
And watch the white eyes writhing in his face,
His hanging face, like a devil’s sick of sin;
If you could hear, at every jolt, the blood
Come gargling from the froth-corrupted lungs,
Obscene as cancer, bitter as the cud
Of vile, incurable sores on innocent tongues,—
My friend, you would not tell with such high zest
To children ardent for some desperate glory,
The old Lie: Dulce et decorum est
Pro patria mori.
COUNTER-ATTACK
(Siegfried Sassoon)
We'd gained our first objective hours before
While dawn broke like a face with blinking eyes,
Pallid, unshaved and thirsty, blind with smoke.
Things seemed all right at first. We held their line,
With bombers posted, Lewis guns well placed,
And clink of shovels deepening the shallow trench.
The place was rotten with dead; green clumsy legs
High-booted, sprawled and grovelled along the saps
And trunks, face downward, in the sucking mud,
Wallowed like trodden sand-bags loosely filled;
And naked sodden buttocks, mats of hair,
Bulged, clotted heads slept in the plastering slime.
And then the rain began,— the jolly old rain!
A yawning soldier knelt against the bank,
Staring across the morning blear with fog;
He wondered when the Allemands would get busy;
And then, of course, they started with five-nines
Traversing, sure as fate, and never a dud.
Mute in the clamour of shells he watched them burst
Spouting dark earth and wire with gusts from hell,
While posturing giants dissolved in drifts of smoke.
He crouched and flinched, dizzy with galloping fear,
Sick for escape,— loathing the strangled horror
And butchered, frantic gestures of the dead.
An officer came blundering down the trench:
'Stand-to and man the fire-step! 'On he went...
Gasping and bawling, 'Fire- step...counter-attack!'
Then the haze lifted. Bombing on the right
Down the old sap: machine- guns on the left;
And stumbling figures looming out in front.
'O Christ, they're coming at us!' Bullets spat,
And he remembered his rifle...rapid fire...
And started blazing wildly...then a bang
Crumpled and spun him sideways, knocked him out
To grunt and wriggle: none heeded him; he choked
And fought the flapping veils of smothering gloom,
Lost in a blurred confusion of yells and groans...
Down, and down, and down, he sank and drowned,
Bleeding to death. The counter-attack had failed.
Estas mesmas elites britânicas também puderam mostrar, 75 anos passados, a mesma criatividade mas agora expressa de outro modo, associada àquele humor blasfemo que tanto as celebrizou na segunda metade do século XX. Da quarta série de Blackadder (Blackadder Goes Forth), THE GERMAN GUNS declamado pel(e da autoria d)o soldado Baldrick (abaixo) tornou-se uma obra poética apócrifa e medíocre que terá vindo a rivalizar em notoriedade com as demais...
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07 julho 2016
O «CÂNTICO NEGRO» DE JOSÉ RÉGIO TEM QUE SER TRANSPOSTO PARA AS NORMAS COMUNITÁRIAS
Neste remate ao seu famoso Cântico Negro de 1925, o poeta José Régio não sabia por onde ia, não sabia para onde ia, só sabia que não ia por aí! Mais de 90 anos depois, assiste-se ao brexit e aos comentários que se lhe sucedem, e apercebo-me quanto José Régio é um poeta profundamente antieuropeu, quanto tudo aquilo que ele escreveu naquele seu famoso poema não passariam de liberdades poéticas, quicá inconsequentes, quiçá mesmo perigosas para a Europa actual. Na vida real, um Boris Johnson, um Nigel Farage não podiam ter usurpado a liberdade de, sabendo por onde iam, não saber para onde iam. Fiquei esmagado pela constatação dominante entre quem tem a pretensão de pensar pelos outros, que não pode haver projectos políticos que se cinjam à insegurança simples de apenas se saber que não se vai por aí. Assim como aconteceu com os 52% de britânicos velhos ignorantes e pobres que não se podiam ter deixado embalar por aquele lirismo despropositado de só querer saber que não se vai por aí - e que agora estão arrependidos. O Cântico Negro tem que ser transposto para as normas comunitárias: tem de passar a ser conhecido por Cântico Azul (Europa) e revisto, passando a terminar assim:
(...)
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que vou para onde de Bruxelas me mandarem ir!
(e que a repetição de referendos não seja problema...)
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que vou para onde de Bruxelas me mandarem ir!
(e que a repetição de referendos não seja problema...)
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30 abril 2016
«QUÁSI...» de SÁ CARNEIRO (o Mário)
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...
A 26 de Abril de 1916 (completou-se o centenário há poucos dias) Mário de Sá Carneiro suicidava-se em Paris. E, por uma tortuosa associação de ideias, lembrei-me destes primeiros versos do seu poema mais conhecido quando comecei a ler o princípio da crónica desta semana de José Pacheco Pereira. É que a crónica também estará quase, porque estão lá as referências, o Papa e o MRPP, ele próprio, Manuela Ferreira Leite e José Eduardo Martins, Bagão Félix e Ana Avoila, o que lhe lá falta - e faz muita falta - é a identificação dos referenciadores, os tais poucos que, na sua opinião, passam por muitos porque se multiplicam quotidianamente. Quem são? Serão os activistas disfarçados de jornalistas institucionais como a Helena Matos e o José Manuel Fernandes? Ou os disfarçados de jornalistas travessos como o Rodrigo Moita de Deus e o Paulo Pinto de Mascarenhas? Ou os que não estão disfarçados de jornalistas, são só institucionais, como o João Carlos Espada e o Jaime Gama? Faltando nomeá-los, pelo menos aos nomes principais, quiçá para preservação do seu estatuto sobranceiro de opinador, perde-se muito da limpidez de toda a cena, é como se lhe faltasse o golpe d'asa a que acima se refere Sá Carneiro...
05 outubro 2015
A FILOSOFIA DA PEDRA FILOSOFAL
Pode ser quase um anátema criticar o poema de António Gedeão. Cantado ou declamado é daquelas obras que se gosta muito porque sim. Mas não sei quantos dos que o leram e/ou ouviram chegaram a reflectir logo sobre o primeiro verso: Eles não sabem que o sonho... É que, se atentos, se imporia de imediato uma pergunta: quem são os eles, ignorantes, a que Gedeão passa as culpas, por não saberem, por não sonharem? (Eles não sabem, nem sonham...) É que é tão genuinamente popular e português (e cobarde) atribuir as culpas a terceiros de uma forma difusa, sem precisar as culpas nem nomear culpados... Em A Pedra Filosofal o sonho parece algo compartilhado por uma enorme maioria sonhadora subjugada a uma minoria obtusa. Ora, não é assim nem nunca foi assim. Gosto muito de ouvir a balada cantada por Manuel Freire mas há que reconhecer quanto o poema é ideologicamente demagógico...
15 junho 2015
SOBRE O ABANDONO DAS SIGLAS PARA DESIGNAR OS PARTIDOS POLÍTICOS
Confesso a minha vetustez por não me ter ainda adaptado a esta nova moda de designar as novas formações políticas. Ele é o Podemos, o Queremos, o Caímos, o Protestamos em vez dos tradicionais PDPs, PTPs, PQPs que se havia convencionado desde o 25 de Abril até há um par de anos. Quem queria fundar um partido, e para além de arranjar as indispensáveis 5.000 assinaturas, fundava-o e designava-o por aquilo que era: um partido. Quanto ao resto podia ser Humanista, dos Animais, Trabalhista, Liberal ou outra coisa qualquer, mas o que quer que fosse era designada pelas iniciais. Mesmo num gag humorístico como este abaixo do Herman Enciclopédia (1997), a piada era elaborada à volta do conteúdo malandro das siglas: PENIS ou PEIDA. Mas malandrices todas a começar por P. Divergência a esta norma só mesmo a destinada aos outros mais chiques: havia quem fundasse partidos a que se dava o nome de Movimento, um belo pretexto para aparecer a explicar porque é que o seu partido era um movimento: lembro os exemplos – transversais ao espectro político mas todos chiques – do MRPP, do MES ou do MIRN. Mas o emprego das siglas sempre foi de rigor. A expressão os comunas não é sinónima de PCP e jotas é um estado de irreverência irresponsável que designa todas ou uma juventude partidária em particular, mas não é o mesmo que, por exemplo, a JSD. Consequência de todas essas décadas de habituação, uma sigla tem a virtude de embotar o meu espírito crítico sobre uma formação política mesmo que a sigla do partido em causa seja PQP (que também pode significar puta que o pariu...) e onde o seu dirigente nacional seja José Manuel Coelho. Diz-me a habituação que é um partido canónico. Delirante mas canónico.
A modernidade está a alterar isso tudo. Com o aparecimento de uma formação política com o nome de LIVRE nas últimas eleições europeias, sem que o LIVRE de Rui Tavares resultasse da mesma lógica do PENIS de Miguel Guilherme ou da PEIDA de Herman José (no vídeo acima), abandonou-se essa convenção e partiu-se para uma largesse poétique na designação das organizações políticas a que eu não me consigo acomodar e que receio bem não saber onde irá parar. Com uma propensão a cindirem-se e juntarem-se com grande desenvoltura, o LIVRE associou-se entretanto à candidatura cidadã Tempo de Avançar donde resultou uma coisa chamada LIVRE/Tempo de Avançar enquanto, em contraste, um outro grupo de amigos que se auto-designava por Juntos Podemos deu em separar-se para que, em não podendo juntos, só alguns pudessem criar um novo grupo com a designação de AGIR, ou mais imaginativamente AG!R. Passados à acção, ei-los que reaparecem nas notícias anunciando uma coligação eleitoral com partidos convencionais como o PTP e o PDA e mais outras formações de designação mais moderna e imaginativa como Nova Governação, Somos Santa Maria da Feira, Somos Lamas, Instituto dos Bairros Sociais, Movimento contra as SCUT, Movimento dos Brasileiros votantes em Portugal e, como convidados (até parece a ficha de uma série de televisão...), o Nós Cidadãos e o Partido Unido dos Reformados e Pensionistas. Em suma, considerando que ainda estamos a quatro meses das eleições e com esta dinâmica, quando dos tempos de antena da campanha eleitoral, mais do que anunciada, esta coligação vai ser declamada como um poema de poesia moderna e o boletim de voto deste ano vai certamente precisar de um desdobrável...
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19 março 2015
«LEST WE FORGET – LEST WE FORGET!»
Há precisamente doze anos, em 19 de Março de 2003, o presidente George W. Bush proferia este famoso discurso anunciando a invasão do Iraque, que a sua administração baptizou de Operação Liberdade para o Iraque (Iraqi Freedom). Uma dúzia de anos passados é o que se sabe quando às liberdades de que os iraquianos usufruem, especialmente os que vivem nas áreas ocupadas pelos guerrilheiros islâmicos. Um erro que, mesmo da perspectiva mais egoísta de o analisar, custou a vida a 4.500 militares norte-americanos sem contrapartidas tangíveis. A expressão que escolhi para título (Lest We Forget), que costuma ser citada repetida, é o refrão de um famoso poema do britânico Rudyard Kipling (1865-1936) intitulado Recessional, composto original e propositadamente para o jubileu da rainha Vitória (1897). Para além do apelo de significado mais aparente, a que não nos esqueçamos, o contexto em que aquela expressão é repetida ao longo do poema torna-o também um apelo para a contenção e a humildade no exercício do poder imperial. É apropriado para recordar que nem Bush nem os conservadores norte-americanos detêm o monopólio das invocações religiosas e que nem sempre estas se enquadram no sentido das invocações - God Bless! - que eles empregam...
RECESSIONAL (1897)
God of our fathers, known of old,
God of our fathers, known of old,
Lord of our far-flung battle-line,
Beneath whose awful Hand we hold
Dominion over palm and pine—
Lord God of Hosts, be with us yet,
Lest we forget—lest we forget!
The tumult and the shouting dies;
The Captains and the Kings depart:
Still stands Thine ancient sacrifice,
An humble and a contrite heart.
Lord God of Hosts, be with us yet,
Lest we forget—lest we forget!
Far-called, our navies melt away;
On dune and headland sinks the fire:
Lo, all our pomp of yesterday
Is one with Nineveh and Tyre!
Judge of the Nations, spare us yet,
Lest we forget—lest we forget!
If, drunk with sight of power, we loose
Wild tongues that have not Thee in awe,
Such boastings as the Gentiles use,
Or lesser breeds without the Law—
Lord God of Hosts, be with us yet,
Lest we forget—lest we forget!
For heathen heart that puts her trust
In reeking tube and iron shard,
All valiant dust that builds on dust,
And guarding, calls not Thee to guard,
For frantic boast and foolish word—
Thy mercy on Thy People, Lord!
E no próximo 1 de Maio ainda cá poderemos voltar para celebrar o 12º aniversário do Cumprimento da Missão...
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14 março 2015
O DISPARATE POLÍTICO EM POESIA «LIGHT»
Primeiro há a matéria de facto, depois há o nome. Sobre a matéria de facto limito-me a endossar aquilo que sobre ela escreveu Nicolau Santos no Expresso, a respeito da decisão governamental de fingir agora adoptar medidas para reverter o fluxo migratório qualificado e não qualificado dos últimos três anos (resumido acima). Sobre o nome algo pitoresco desse programa – VEM, apropriadamente apresentado por alguém com a sensibilidade literária de um Pedro Lomba – confesso que não consigo evitar associá-lo à leveza monossilábica de um famoso poema – Beijo – de João de Deus:
Beijo na face
Pede-se e dá-se:
Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo:
Vá!
Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
Dá?
A borboleta
Beija a violeta:
Vá!
Um beijo é graça,
Que a mais não passa:
Dá?
Teme que a tente?
É inocente...
Vá!
Guardo segredo,
Não tenha medo...
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê!
Pede-se e dá-se:
Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo:
Vá!
Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
Dá?
A borboleta
Beija a violeta:
Vá!
Um beijo é graça,
Que a mais não passa:
Dá?
Teme que a tente?
É inocente...
Vá!
Guardo segredo,
Não tenha medo...
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê!
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