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18 abril 2024

O NASCIMENTO DA REPÚBLICA DA IRLANDA

18 de Abril de 1949. À meia noite do Domingo de Páscoa (que calhou a 17 de Abril), mas com a pompa e a circunstância que as imagens acima e abaixo exibem, a Irlanda torna-se uma república e, ao fazê-lo, corta os últimos laços que ainda a ligavam à Commonwealth. Os estatutos de então atribuíam ao monarca britânico - então Jorge VI - as funções de chefe de Estado de todos os países membros da comunidade e esse mostrara-se um aspecto nevrálgico para o nacionalismo irlandês, que sempre se mostrara relutante em o aceitar desde Dezembro de 1921. Quis a ironia da História que o Reino Unido tivesse que, posteriormente, vir a abrir mão da cláusula e aceitasse repúblicas na Commonwealth. Elas agora são uma ampla maioria (36) entre os 56 membros actuais da Commonwealth. Mas a Irlanda não voltou a reingressar na organização.

31 outubro 2023

OS EVADIDOS DE HELICÓPTERO

31 de Outubro de 1973. Três membros destacados do IRA (Exército Republicano Irlandês) - Seamus Twomey, Joe B. O'Hagan e Kevin Mallon - evadiram-se da prisão de Mountjoy em Dublin, na Irlanda. Fizeram-no espectacularmente, embarcando a bordo de um helicóptero Alouette II que fora desviado previamente pelos seus cúmplices e que pousou brevemente no pátio de exercícios da prisão, antes das autoridades prisionais terem reagido. Pela ousadia, a fuga ficou conhecida em todo o mundo e tornou-se um embaraço para o governo irlandês da época e para o primeiro-ministro Liam Cosgrave. A caçada aos fugitivos que se sucedeu não teve resultados suficientemente imediatos para caberem no hiato de tempo que a comunicação social dedicou ao assunto. Contudo, o primeiro foragido, Kevin Mallon, foi recapturado pouco mais de um mês depois, em 8 de Dezembro de 1973, Joe O'Hagan esteve mais de um ano em liberdade, até Janeiro de 1975, e Seamus Twomey só veio a ser recapturado em Dezembro de 1977, para cumprirem o resto das penas (a de Twomey até 1982). Mas, nesse período que se seguiu à evasão, o golpe publicitário/propagandistico já fora pregado e o grupo local Wolfe Tones escreveu uma canção celebrando a fuga intitulada "The Helicopter Song" (abaixo). Apesar das ressonâncias célticas que muito contribuíram para a popularizar (e irritar as autoridades...), aquela sonoridade, a fazer lembrar Robin dos Bosques e os seus alegres companheiros, celebrava outra coisa, porque a verdade é que o terrorismo do IRA em muito pouco se assemelhava ao que ficara escrito sobre o lendário herói medieval inglês.

26 abril 2023

O SONHO DE QUALQUER VIDRACEIRO

Em 24 de Abril de 1993, um Sábado, o IRA cometeu um atentado na City (o distrito financeiro) de Londres. Os terroristas estacionaram um camião com explosivos e alertaram as autoridades para a sua existência cerca de uma hora antes da detonação, para que a polícia procedesse à evacuação das pessoas, um processo facilitado por se tratar de um dia não laboral. Mesmo assim, o sopro da explosão acabou por matar um fotógrafo mais imprudente e deixar ainda outras 44 pessoas feridas. Mas o que se quer mostrar é a imagem dos estragos, com esta fotografia de Wormwood Street. Foram avaliados em € 870 milhões a preços actuais. Eram acções terroristas do IRA em que estes procuravam reduzir o número de vítimas enquanto procuravam maximizar os prejuízos económicos àqueles que eles consideravam que podiam efectivamente pressionar o governo britânico: o poder financeiro da City. Ainda hoje o IRA gosta de se regozijar que a selectividade destes alvos lhes foi benéfica para o processo de negociações que estava então em curso.

10 abril 2023

O ACORDO DE SEXTA FEIRA SANTA

(Republicação)
10 de Abril de 1998. Tony Blair pelo Reino Unido e Bertie Ahern pela Irlanda assinam o Acordo que procura pôr fim aos Troubles da Irlanda do Norte. Ausentes da fotografia mas indispensáveis para o sucesso da implementação do Acordo são as várias organizações políticas e político-militares norte-irlandesas e as assinaturas dos seus dirigentes. A maioria assinou, nomeadamente o IRA católico, mas do outro lado, os extremistas protestantes do DUP não o subscreveram. Vale a pena recordar que o Acordo de Sexta Feira Santa foi acolhido à época com muita circunspecção. É que houvera acordos anteriores, como o de Sunningdale em 1973 ou o Anglo-Irlandês de 1985, que se haviam saldado por fracassos. Assim como em 1968 começara, sem qualquer declaração de guerra, ou outra cerimónia formal, os Troubles da Irlanda do Norte terminariam sem garantias que as assinaturas só por si chegassem para que isso acontecesse.

01 dezembro 2022

OS BOMBISTAS E OS OUTROS

«Numa noite de pavor, a explosão de duas bombas provocou em Dublin a morte de duas pessoas, ficando feridas cerca de duzentas. Os atentados ocorreram no centro da cidade quando o Dail (o parlamento) se preparava para votar as propostas governamentais visando o Exército Republicano Irlandês (IRA). As notícias do derramamento de sangue, do pânico e terror, modificaram a atitude do principal partido da oposição que deixou de contrariar a legislação proposta pelo Governo de Jack Lynch. O resultado da votação na Câmara de 144 lugares foi de 70 votos a favor e de 23 contra. A nova legislação determina que um suspeito de pertencer a organizações clandestinas tenha de provar em tribunal que as suspeitas são infundadas, em vez de ser o Ministério Público obrigado a provar a culpabilidade dos réus. Entretanto, tanto o IRA Provisório como o Sinn Fein afirmaram que nada tinham a ver com os atentados, atribuindo-os a agentes secretos ingleses

Foi há precisamente cinquenta anos. Por aquela vez, aqueles que eram tradicionalmente descritos como os terroristas - o IRA e o Sinn Féin - estavam a dizer a verdade. A razão para que os serviços secretos britânicos estivessem por detrás da colocação daquelas bombas estava à vista de todos. Tanto assim que até uma pequena peça jornalística como a que acima se transcreve a explícita: condicionar o voto dos TDs do parlamento irlandês na aprovação de legislação que tornaria mais difícil a vida aos seus adversários. Estes (os operacionais do IRA) foram, aliás, prestabilíssimos a auxiliar as investigações da polícia irlandesa para descobrir quem perpetrara os atentados. Em escassas semanas descobriu-se que os operacionais que haviam colocado os engenhos (automóveis armadilhados) eram militantes da UVF (organização lealista do Ulster). Por detrás deles adivinhava-se a assessoria dos serviços secretos britânicos, muito mais difícil de provar (já que são assim as operações clandestinas bem montadas...) Além do impacto político e noticioso primário, Londres passara um recado discreto a Dublin: o IRA não podia operar na, e a partir da, Irlanda (do Sul) com a liberdade que o governo irlandês lhe havia concedido até aí. Senão a tensão alastrar-se-ia... Os profissionais do outro lado tomaram boa nota daquele recado. As actividades do IRA perderam a indulgência (ostensiva) de Dublin. A opinião pública irlandesa, contudo,teve que esperar 32 anos, até à publicação do Relatório Barron em Novembro de 2004, para que houvesse um reconhecimento oficial da parte irlandesa quanto ao jogo sujo que os britânicos haviam praticado. Nessa época (2004) a noite de pavor em Dublin já era uma recordação antiga e o Sinn Féin uma respeitável formação política legal em qualquer das duas Irlandas.

22 agosto 2022

O ASSASSINATO DE MICHAEL COLLINS

22 de Agosto de 1922. Na Irlanda travava-se uma guerra civil. Opunham-se duas facções republicanas e anti-britânicas, que haviam combatido juntas pela independência irlandesa até 1921. Só que agora havia uma facção, pragmática, que aceitava o Tratado que conferira autonomia à Irlanda de maioria católica em relação ao Reino Unido, e havia outra facção, mais radical, que se opunha à aceitação desse mesmo Tratado. Há precisamente cem anos, o líder político e militar da primeira facção, Michael Collins, caía vítima de uma emboscada montada pelas guerrilhas da segunda facção.´Quatro dias antes o Diário de Lisboa publicara uma passagem de uma entrevista de Collins, daquelas passagens destinadas a não se tornarem históricas: nessa entrevista o líder irlandês considerara «esgotada a resistência das tropas irregulares. Antes de uma semana as operações do Sul deveriam estar terminadas». Apesar de tudo isso, seriam os moderados a triunfar na guerra civil, que se prolongaria contudo até Maio de 1923.

22 junho 2022

O ASSASSINATO DO MARECHAL DE CAMPO

22 de Junho de 1922. Assassinato de Sir Henry Wilson (1864-1922), marechal de campo do exército britânico, que fora o chefe do estado-maior imperial (CIGS) desde Fevereiro de 1918, nos meses finais da Primeira Guerra Mundial, até Fevereiro de 1922. Wilson, que era de origem irlandesa protestante, foi assassinado por dois membros emboscados pertencentes à ala mais radical do exército republicano irlandês (IRA). Na altura, ao princípio da tarde, o marechal Wilson regressava fardado de uma cerimónia, e saía de um automóvel à porta de sua casa em Londres com a sua esposa, quando o alvejaram com 6 tiros. Dois policias e o motorista de Wilson foram também alvejados no processo de perseguição aos autores do atentado (Reginald Dunne e Joseph O'Sullivan), que acabaram capturados pelos transeuntes que os quiseram linchar. Além deles dois, no dia seguinte os serviços de contra-informação britânicos desencadearam uma operação entre a comunidade irlandesa de Londres, prendendo mais 18 suspeitos. Dunne e O'Sullivan escaparam ao linchamento popular, mas seriam condenados por assassinato e enforcados ainda em 10 de Agosto de 1922, sete semanas apenas depois do atentado. Mas o mais interessante em tudo isto, é perceber como, há 100 anos, um atentado terrorista desta dimensão, praticado em plena Londres, demorou quatro dias a ser devidamente noticiado pelo Diário de Lisboa (acima)! Comprovadamente, as pessoas sobreviviam sem aquela riqueza informativa dos dias de hoje.

01 junho 2022

O DISCURSO INCENDIÁRIO DE WINSTON CHURCHILL

Winston Churchill proferiu discursos magníficos na Câmara dos Comuns ao longo da sua extensíssima carreira política, mas aquele que o Diário de Lisboa dava conta na sua edição de há cem anos não era desses. Muito pelo contrário, era um discurso para esquecer. Um dos grandes problemas do Reino Unido de há cem anos era a revolta na Irlanda e a guerra subversiva que ali se declarara entre a maioria católica irlandesa e as autoridades britânicas. Uma guerra que coexistia com uma guerra civil entre a maioria católica e a minoria protestante que se concentrava no Ulster, no Nordeste da ilha. Por esta altura, em Londres - onde Churchill sobraçava a pasta das Colónias - já se percebera que o controle de toda a Irlanda era insustentável. A questão seria a forma de que revestiria a separação da Irlanda do Reino Unido. Fora assinado um tratado em Dezembro de 1921, mas as condições por ele estabelecidas provocara uma cisão entre os nacionalistas irlandeses. Era para a ala mais radical desses nacionalistas, encabeçada por Eamon de Valera, que Churchill discursara ameaçadoramente. E a sua ameaça, como se percebe pela passagem do discurso que é destacada pelo jornal, era descarada, envolvendo a questão do regime - republicano ou monárquico - da nova Irlanda independente. Estes anos não são os melhores da carreira de Churchill, cujas biografias os percorrem da maneira mais acelerada que podem. Tanto assim que, para além dos futuros biógrafos, também os eleitores presentes se manifestavam: nas eleições do final daquele ano de 1922, Churchill iria perder o seu assento parlamentar.

30 janeiro 2022

«BLOODY SUNDAY»


30 de Janeiro de 1972. Hoje completam-se cinquenta anos sobre os acontecimentos da Irlanda do Norte que vieram a ficar conhecidos pela designação de Bloody Sunday. O episódio, popularizado pela canção dos U2 de 1983 (acima), terá reunido tudo o que devia para se poder transformar num marco simbólico e sangrento da discriminação a que a comunidade católica minoritária da Irlanda do Norte se via então submetida: não foram apenas as mortes injustificadas (14), foram sobretudo os esforços posteriores do governo britânico para desculpabilizar a conduta dos soldados paraquedistas autores da chacina. Actualmente parece ter-se assentado numa análise simples e unidimensional das causas para o que aconteceu, com os algozes e as vítimas perfeitamente identificados, a que se adicionou uma revisão finalmente razoável dos factos, desmascarando os relatórios de cobertura originais, a que seguiu um pedido de desculpas formal por parte do primeiro-ministro britânico Cameron em 2010 que lhe terá valido alguns pontos de bónus nos índices de popularidade. Reviravoltas da história, agora há quem tenha de se dispor a defender publicamente a inoportunidade do julgamento dos militares envolvidos.
Ora, se houve algum ensinamento que se devia ter retirado daquilo que aconteceu há cinquenta anos, é que os responsáveis britânicos nunca deveriam ter recorrido o emprego de forças militares em substituição das desacreditadas forças policiais da Irlanda do Norte. Apesar destas últimas (conhecidas por RUC) serem reconhecidamente parciais (porque compostas por 92% de protestantes e apenas 8% de católicos), um erro não se deve corrigir com outro. E é um erro recorrente dos protagonistas políticos (que costuma sair muito caro em caso de azar), o de se considerar os militares como uma espécie de polícia musculada para missões especiais onde as polícias regulares falharam. É que, numa situação de aperto, como normalmente são as que exigem esse género de decisão, os decisores tendem a esquecer-se que a preparação tradicional dos militares (ao contrário da dos bombeiros, por exemplo), não inclui qualquer preocupação com o bem-estar do inimigo (antes pelo contrário...). E isso é um risco que se costuma pagar em sangue quando as situações se descontrolam. Mas, sobre esse risco político que correu mal, é improvável que assistamos ao mea culpa de David Cameron em nome dos seus antecessores…
A verdade é que o problema nuclear era, além de político, de cariz policial (o da sua neutralidade) e devia ter sido resolvido por forças policiais neutras vindas do resto do Reino Unido. Convém acrescentar que é precisamente para essas situações que existe a vantagem da existência de forças paramilitares, como serão os casos da nossa GNR, da Gendarmerie francesa ou dos Carabinieri italianos, cuja existência era, porém, estranha à tradição anglo-saxónica. Pode-se hoje especular se, naquelas circunstâncias e naquele dia, um destacamento de uma hipotética força paramilitar teria tido um desempenho menos sangrento do que o dos paraquedistas, uma unidade de combate de elite do exército britânico. A intuição induz-nos a acreditar que sim, mas torna-se impossível de comprovar essa impressão. O que já se torna evidente é que, depois disso, os sucessivos governos britânicos não consideraram útil a criação de uma unidade com essas características para eventualidades semelhantes. É por isso que, se se repetirem os distúrbios que tiveram lugar em todo o Reino Unido em Agosto de 2011 (abaixo) e a polícia dessa vez não conseguir controlar a situação, é garantido que se tornará a ver a nata dos combatentes do exército britânico a perseguir de arma em punho os saqueadores… E adivinhe-se lá quem vai ficar com as culpas das mortes se elas se tornarem impopulares?...
(Republicação de um texto de 2014)

06 dezembro 2021

ASSINATURA DO TRATADO ANGLO-IRLANDÊS

6 de Dezembro de 1921. Irlandeses e britânicos chegam finalmente a um acordo quanto à autonomia de que gozaria o Estado Livre da Irlanda. Claro que aquilo que chegava a Lisboa era a perspectiva britânica e era essa a que constava dos jornais portugueses. Obviamente que estávamos muito longe d«A Resolução dum Velho Conflito». O problema não se resolvera e mesmo nos cem anos que decorreram de então para cá nunca chegou a ser verdadeiramente resolvido; vai-se remendando.

09 agosto 2021

OPERAÇÃO DEMETRIUS

9 de Agosto de 1971. Logo pela manhã, equipas de polícias norte-irlandeses da RUC e sobretudo de soldados britânicos, que haviam sido previamente destacados para o Ulster para controlarem a violência local entre as comunidades protestante e católica, começaram a prender sem culpa formada os quadros das duas alas do IRA (Oficial e Provisória). No final dos dois dias que a denominada operação Demetrius irá durar, serão presas 342 pessoas. Politicamente, a operação revelar-se-á um desastre total, mas o impacto a curto prazo será ainda pior: 17 pessoas serão mortas logo nessas primeiras 48 horas, das quais 11 serão civis católicos (incluindo um padre), todos mortos por soldados britânicos num bairro de Belfast, num episódio que veio a ficar conhecido por massacre de Ballymurphy. A operação havia sido desencadeada pelo governo da Irlanda do Norte e era de uma parcialidade escandalosa, como se percebe, de resto, pela redacção da notícia acima. Nela, depreende-se que a responsabilidade pela escalada da violência no Ulster era toda imputada às organizações radicais católicas (as duas alas do IRA). Em concreto, todos os 342 detidos eram católicos, a grande maioria deles do IRA Oficial. 110 (a maioria do IRA Provisório, mais radical) haviam escapado às equipas de detenção. E 105 dos detidos foi libertada dois dias depois. As repercussões políticas foram menos sangrentas, mas de consequências mais graves: a comunidade católica da Irlanda do Norte, que sempre depositara uma confiança muito mitigada nas instituições políticas da província (dominadas pelos protestantes - por exemplo, a RUC era composta por 88% de protestantes e 8% de católicos, quando a proporção da população é de 55%-45%), perdeu desde aí a confiança na neutralidade do governo de Londres (nomeadamente por causa do comportamento dos seus militares). Os primeiros detidos do lado protestante só vieram a sê-lo daí por ano e meio (Fevereiro de 1973) e, quando se faz o balanço final do número de detidos nestas circunstâncias desencadeadas pela operação Demetrius, o resultado também é revelador: dos 1.981 só 107 eram unionistas protestantes (5,4%). Quanto aos resultados, um bom indicador poderá ser o número de vítimas mortais no Ulster: no ano anterior (1970) houvera 26; aquele ano de 1971 irá terminar com 171 (quase 7x mais); no ano seguinte (1972) o número de vítimas mortais quase triplicará para as 476. Tomando o número de vítimas como um barómetro da instabilidade política vivida na província, aqueles números são eloquentes quanto à avaliação dos resultados que se pode fazer a esta distância da operação Demetrius.

31 maio 2021

O BOMBARDEAMENTO DE DUBLIN

31 de Maio de 1941. Tal como Portugal, a Irlanda conseguiu permanecer neutral durante toda a Segunda Guerra Mundial. Isso não impediu que, ocasionalmente, o seu território tivesse sido bombardeado acidentalmente por aviões alemães que se haviam transviado sobre a Grã-Bretanha. O acontecimento que acima vemos noticiado há 80 anos foi o mais grave deles. Entre a 01H30 e as 02H05 da madrugada foram largadas quatro bombas - o que não pode ser considerara propriamente «um violento bombardeamento aéreo»... - das quais apenas a última, que atingiu uma das zonas norte da cidade capital Dublin, causou verdadeiros e importantes desastres pessoais: 28 mortos e cerca de 90 feridos. Materialmente, só essa bomba destruiu 17 casas e danificou cerca de 50 outras mais, deixando umas 400 pessoas desabrigadas. Para um país em paz tratava-se de um acidente muito grave. No quadro do que acontecia nas cidades britânicas e alemãs em guerra, sujeitas aos bombardeamentos, era apenas uma ocorrência. Mas, considerando o quadro da guerra da informação e propaganda de guerra, percebia-se que a notícia era originária de Dublin, mas que houvera uma descarada mão inglesa na redacção da notícia, acentuando vítimas e estragos, porque estes tinham um responsável, por muito que o pudessem ter provocado acidentalmente: a Luftwaffe... Um memorial assinala hoje o local onde a bomba explodiu.

05 maio 2021

BOBBY SANDS E AS GREVES DA FOME DO IRA

Em 5 de Maio de 1981 morria, após ter permanecido 66 dias em greve da fome, o militante do IRA Robert Bobby Sands (1954-1981) então a cumprir uma pena de prisão. A razão para o protesto fora, aparentemente, a abolição de um estatuto especial concedido aos presos que equiparara os militantes apanhados de armas na mão a um tratamento melhorado, assimilável aos prisioneiros de guerra. O estatuto – que permitia aos prisioneiros poder envergar roupa própria, não ter de trabalhar e possuir um regime bonificado de visitas e de encomendas – era um reconhecimento implícito – quase legitimizador... - dos objectivos políticos das acções terroristas dos grupos paramilitares irlandeses (o IRA, mas também o INLA católico ou a UDA e a UVF protestantes), que o governo conservador de Margaret Thatcher lhes pretendeu retirar mal chegados ao poder em Maio de 1979. O braço-de-ferro entre o IRA (e o INLA – mais de 90% dos presos eram católicos) e Londres tornara-se mais do que previsível. Competia aos primeiros dar-lhe publicidade e fizeram-no recorrendo a um expediente que adquirira tradição durante as lutas que haviam conduzido à independência da Irlanda: a greve da fome. Sands foi o primeiro de uma série de presos que, faseadamente, iriam entrar em greve de fome.
Muitas fotografias de um sorridente grevista de 27 anos foram lançadas para a comunicação social enquanto, do outro lado, os britânicos proibiam as que o exibissem no seu estado real, à medida que perdia peso. Por isso, são raras as fotografias de Sands como a acima, com uma expressão neutra. Um acaso veio em auxílio do IRA: um deputado republicano católico morreu e houve que proceder a uma eleição intercalar para o substituir num círculo eleitoral onde a concentração de católicos tornava possível a eleição de um nacionalista irlandês. Foi o que aconteceu e Bobby Sands, apesar de concorrer preso, foi eleito como deputado, animando ainda mais um processo que, por essa altura, já alcançara uma notoriedade internacional, lesiva da imagem do Reino Unido. Seria que o governo britânico iria libertar Sands quando ele alcançou o seu novo estatuto de MP¹? Não. Como disse Margaret Thatcher numa nova movimentação de uma prolongada guerra de propaganda: Um crime é sempre um crime, o que não tem nada de político. Mais do que isso, preventivamente, a Câmara dos Comuns apressou-se a aprovar uma lei em se passavam a rejeitar as candidaturas a quem estivesse detido condenado a sentenças de uma duração superior a um ano, o que excluiria todos os camaradas de Sands no caso deste vir a falecer.
O que veio a acontecer há precisamente 40 anos. Igual a si própria, implacável, a primeira-ministra emitiu a propósito um comentário que se percebia ter sido preparado para aquela eventualidade: O Sr. Sands era um criminoso condenado. Foi ele que escolheu dispor da sua própria vida. Foi o género de escolha que a sua organização não permitiu que muitas das suas vítimas fizessem². Não se percebeu então, mas atingira-se o zénite da crise e a determinação do governo britânico vencera-a. Nesse mês de Maio de 1981 mais três presos em greve de fome morreram, mas Margaret Thatcher realizou uma visita a Belfast, onde voltou a reafirmar a sua intenção de não ceder. Caídos na armadilha da lógica mediática, as mortes dos grevistas, mais do que a acumularem-se, começaram a banalizar-se. Em princípios de Agosto de 1981 já se contavam dez mortos entre os grevistas da fome (abaixo), e, visivelmente, o tempo não estava a correr a seu favor. Só perdiam militantes com um grau de notoriedade marginalmente cada vez menor. Mas foi só três dias depois do anúncio público do fim das greves da fome, em Outubro, que os britânicos anunciaram que concediam aos presos algumas das condições que eles haviam vindo a reclamar desde o princípio.
¹ Membro do Parlamento.
² Mr. Sands was a convicted criminal. He chose to take his own life. It was a choice that his organisation did not allow to many of its victims.

03 maio 2021

A DIVISÃO DA IRLANDA

3 de Maio de 1921. Com a entrada em vigor da Lei sobre o Governo da Irlanda, que fora aprovado pelo parlamento britânico em Dezembro de 1920, a administração da Irlanda passa a ter definitivamente dois centros de decisão: a cidade de Dublin, que supervisiona a grande maioria da ilha (assinalada no mapa acima a verde escuro) onde predomina a população católica e que pretendia a separação do Reino Unido (os nacionalistas) e a cidade de Belfast, no nordeste da ilha, onde residia uma concentração de população protestante, ali maioritária, e que pretendia manter os vínculos com o Reino Unido e por isso conhecidos por unionistas. Essa partição da Irlanda manter-se-á até à actualidade. Na época, na Irlanda vivia-se um clima de completa guerra civil entre as autoridades britânicas e os nacionalistas irlandeses, um assunto já por mim aqui aflorado (para um maior desenvolvimento veja-se a publicação abaixo).

21 novembro 2020

DOMINGO SANGRENTO EM DUBLIN

21 de Novembro de 1920. Este primeiro Domingo sangrento de há 100 anos (seguir-se-ia um outro 52 anos depois...) teve duas fases distintas. A partir das 09H00 e ao longo da manhã (acima), numa acção concertada, os grupos de executores do IRA foram assassinando alguns membros seleccionados do serviço de informações do aparelho militar/policial britânico. 19 homens foram visados, 14 foram mortos, 1 outro veio a morrer posteriormente dos ferimentos. O impacto das baixas para os britânicos era multiplicado pelo carácter selectivo dos alvos abatidos. Em contrapartida, o que aconteceu da parte da tarde (abaixo) não teve nada de selectivo, antes pelo contrário. Em retaliação com o que acontecera de manhã, cerca das 15H30, os membros das forças paramilitares britânicas (alcunhados de Black & Tans) investiram por um estádio onde se disputava um jogo de futebol gaélico e começaram a disparar sobre a assistência, causando um estampido, 11 mortos, mais 3 que vieram a morrer posteriormente e ainda 60 a 70 feridos. O IRA ganhou nos dois tabuleiros: os profissionais que se lhes opunham foram abatidos e o episódio da retaliação indiscriminada virou-se contra os seus autores, se apreciarmos o assunto pelos olhos das duas opiniões públicas: não apenas a irlandesa, que foi empurrada ainda mais para a colaboração com o terrorismo do IRA, mas também a britânica, que ia recebendo notícias cada vez mais desagradáveis dos acontecimentos na ilha adjacente. As duas cenas exibidas são reencenações do filme Michael Collins.

22 setembro 2020

O APARECIMENTO DA EURONEXT

22 de Setembro de 2000. Aparecimento da Euronext que reunia (então) as bolsas de Paris, Amesterdão e Bruxelas. Posteriormente reuniram-se-lhes as bolsas de Lisboa (2002), Dublin (2018) e Oslo (2019). É a maior organização bolsista da Europa... continental. A sede operacional situa-se em Paris, mas a sede social situa-se em Amesterdão, para que os impostos sejam colectados na Holanda em mais um exemplo do que se entende por uma questão de frugalidade...

04 julho 2020

ÉPOCAS E LOCAIS EM QUE OS «RECOLHERES OBRIGATÓRIOS» ERAM MESMO «OBRIGATÓRIOS»

4 de Julho de 1970. Mantinha-se o «recolher obrigatório» num dos bairros (católicos!) da cidade de Belfast. A restrição fora estabelecida pelo exército britânico, enviado anteriormente para a Irlanda do Norte como força de mediação, e que, naquela circunstância, se vira alvo de fogo de atiradores do IRA. Este último alegava que os britânicos se haviam intrometido num combate que a organização travava contra as forças paramilitares protestantes. Estes últimos haviam atacado uma igreja católica isolada noutra área de Belfast. Segundo o IRA, os soldados britânicos haviam sido visados pelos dois lados e não especialmente pelo IRA. Contudo, as tropas britânicas selaram cerca de 3.000 casas do bairro de Falls e «procederam a uma rigorosa busca à procura de armas». Durante as 36 horas que durou aquele confinamento, houve várias trocas de tiros entre britânicos e locais mas a expressão da contestação dos residentes fez-se mais pelo arremesso de pedras, com os manifestantes a serem repetidamente dispersos a gás lacrimogéneo: no balanço final da operação de busca, 4 civis haviam sido mortos, 78 haviam sido feridos e 337 presos, um deles o próprio deputado local; do lado britânico havia 18 feridos a registar. Quanto ao inventário do armamento capturado contavam-se: 52 pistolas, 35 espingardas, 6 pistolas-metralhadoras, 14 caçadeiras, cerca de 100 granadas artesanais e ainda cerca de 100 kg de explosivos. Desarmara-se uma das facções do IRA, dando oportunidade à afirmação da facção mais radical. Cumulativamente, os britânicos enfrentavam agora acusações (mais tarde comprovadas) que os seus soldados haviam pilhado algumas residências aquando das revistas e, com tudo isto, a percepção da sua neutralidade no conflito confessional perdera-se completamente entre a comunidade católica, que os passou a hostilizar como à polícia pró-protestante da RUC. Um exemplo de academia de como o enviar de militares como forças de interposição para conflitos com esta complexidade social pode redundar num fiasco completo. E depois há a estupidez ignorante de Donald Trump em todo o seu esplendor...

16 fevereiro 2020

IRLANDA: NÃO, NÃO TERÁ SIDO A ECONOMIA, ESTÚPIDO.

(frase que alegadamente terá ajudado Bill Clinton a vencer as eleições presidenciais americanas de 1992)
A entoação como a Euronews noticia acima os resultados saídos das eleições irlandesas, que tiveram lugar a 8 de Fevereiro passado, não consegue esconder o desagrado de Bruxelas (de quem o canal é uma espécie de porta voz oficioso). Em primeiro lugar porque Bruxelas não gosta de desfechos nebulosos e este é precisamente um deles, com os três partidos mais votados acumulando ⅔ dos lugares do parlamento e o restante ⅓ polvilhado entre quatro outras formações políticas e ainda um número nada despiciendo de independentes (são 12% dos deputados); e em segundo lugar, porque a formação que veio a reconhecida como vencedora em votos, o Sinn Féin, é um partido que, por causa do seu passado de associação com o IRA, não goza de muita popularidade no Berlaymont. Todavia, a complexidade da situação política saída das eleições não consegue esconder que os resultados foram uma derrota para os dois partidos tradicionalmente predominantes da política irlandesa. Tanto o Fine Gael, no governo, quanto o Fianna Fáil, na oposição, perderam votos e deputados. E contudo, e isto é que é o que importa frisar neste poste: não deviam... Os indicadores económicos da Irlanda são muito bons (abaixo): a taxa de desemprego cifra-se nos 4,8% e anda a descer consecutivamente há oito anos, quando o país esteve em crise e foi um Pig connosco e o crescimento económico foi de 5% o ano passado, depois de ter alcançado os 7,8% em 2017. Quem nos dera a nós, portugueses, chatear o Costa por causa de números de macroeconomia como estes... E, no entanto, os irlandeses deram uma tareia (eleitoral) a Varadkar (o outro primeiro-ministro europeu de ascendência indiana): o seu partido elegeu menos 30% dos deputados que elegera há 4 anos, apesar da aparente prosperidade que os indicadores abaixo significariam. Que é que terá acontecido? Que justificará o que parece ser um voto de protesto no que parece ser um caso de sucesso económico?
Como começa a ser, infelizmente, tradicional, parece que os cientistas políticos foram mais uma vez um fiasco nas suas análises. As sondagens só começaram a mostrar resultados com alguma aderência com a realidade revelada pelas urnas mesmo à última da hora (e eu já deixei de acreditar em tanto eleitorado impulsivo quando há eleições à vista...). E depois tornou-se preciso explicar o sucesso do Sinn Féin, que mais do que duplicou a sua votação em relação às últimas eleições a que concorrera, as autárquicas de Maio de 2019. Houve quem fosse buscar as explicações à questão de reunificação irlandesa colocada sob o novo prisma do Brexit. A explicação afigura-se talvez demasiado elaborada, perante explicações mais prosaicas que incidem, não sobre o ritmo de crescimento da riqueza mas sobre a sua redistribuição. Os irlandeses ganham muito bem: têm um rendimento per capita que, estatisticamente, é o triplo do nosso. O problema é o que eles conseguem fazer com o que ganham, dado que, por exemplo, se os seus rendimentos cresceram 13% desde a crise de 2013, o preço da habitação na capital (Dublin) subiu 62% no mesmo período (para comparação, os nossos números para o mesmo período são 9% e 15%, respectivamente). Conclusão: os jovens irlandeses não têm como alugar ou comprar uma casa. E não por acaso, descobriram agora os cientistas políticos, o Sinn Féin destaca-se nas votações recebidas entre os irlandeses mais jovens, entre a faixa etária dos 18 aos 24, mas também na seguinte, dos 25 aos 34 anos. O irónico da situação é que os cânones económicos tradicionais não têm resposta para isto: a economia irlandesa é uma das mais abertas do Mundo e tem sido, aliás, um dos emblemas dos propagandistas da globalização. Aqui não parece funcionar aquele slogan do menos Estado, melhor Estado. Se calhar há Estado a menos, há regulação a menos, e há quem esteja chateado com isso...

19 outubro 2019

A LIBERTAÇÃO DOS «QUATRO DE GUILDFORD»

19 de Outubro de 1989. Foi o dia da libertação, por anulação da sentença, dos quatro réus que haviam ficado conhecidos como os Quatro de Guildford. Guildford era a localidade (da Inglaterra) onde se localizavam dois pubs que haviam sido alvo de um atentado bombista conjunto em 5 de Outubro de 1974. Nele haviam morrido 5 pessoas, para além de 65 feridos. Os atentados representavam uma escalada da violência que então se registava na Irlanda do Norte: o IRA parecia pretender transportar o clima de insegurança que se vivia na Irlanda para a Inglaterra propriamente dita. Facto que poderá explicar a reacção pressionante das autoridades políticas britânicas não apenas sobre as investigações, como também sobre o aparelho judicial. Os culpados foram rapidamente descobertos, confessaram e um ano depois o julgamento concluía-se com a condenação dos quatro réus à prisão perpétua(!). Foi só depois, e por causa de uma campanha que clamava por justiça, que se começaram a perceber as incongruências do julgamento. Note-se que também era do interesse do IRA (que sabia muito bem quem haviam sido os verdadeiros autores do atentado!) dar a maior publicidade ao tremendo erro judiciário que se cometera, colocando em cheque o aparelho judicial do Reino Unido. A reversão das condenações que há 30 anos teve lugar, foi um gesto extremamente corajoso desse aparelho. Porque não estou a imaginar muitos outros aparelhos judiciais por esse mundo fora a assumirem os seus erros como aqui aconteceu. Como o tempo provará, a admissão do erro foi a decisão que politicamente se revelou a mais assisada para os interesses britânicos, transmitindo globalmente uma imagem de auto-correcção da sua justiça, mau grado todas as vicissitudes do processo. Em 1993, os acontecimentos foram transpostos para um filme intitulado Em Nome do Pai, onde se destacavam as interpretações de Daniel Day-Lewis e de Emma Thompson (abaixo, a reprodução das cenas finais de há 30 anos). O circuito das indemnizações e dos pedidos oficiais de desculpas seguiu um percurso complexo e tortuoso. Gerry Conlon (que é interpretado no filme por Day-Lewis e que acabou por se tornar a figura mais destacada dos quatro condenados), morreu em Dublin em 2014 com apenas 60 anos. E qualquer analogia que se possa fazer da evocação destas pesadas condenações com aquilo que acabou de acontecer em Espanha terá sido uma mera coincidência...

10 setembro 2019

QUANDO AS «RAÍZES COMUNS» NÃO SERVEM PARA NADA

Desde John Kennedy que os americanos usam a carta na manga da ancestralidade irlandesa de uma apreciável proporção da sua população branca para, por ocasião das viagens dos seus presidentes à Europa, transmitirem uma imagem de partilha de raízes comuns e de simpatia que é nomeada e naturalmente ainda mais usada por ocasião das visitas à Irlanda. Quando, como aconteceu no mandato anterior de Barack Obama, a coisa não funciona com o presidente, avança o vice-presidente, como se pode constatar na notícia acima, de há três anos, da (dita) peregrinação de Joe Biden(s?) ao condado de Mayo para visitar a família. Por muito ingénua (de repetida) que a história seja, há sempre quem apareça, como noticiava o Irish Times em Junho de 2016, exibindo uma fotografia de irlandeses aguardando a chegada do primo. Haverá sempre quem apareça? Com Trump e as suas raízes alemãs, voltaram a evidenciar-se, numa operação parecida com a de Biden, as origens irlandesas de Mike Pence, o seu vice-presidente. Só que a visita deste último, que teve lugar em princípios deste mês, não correu nada bem. Em primeiro e principal lugar, porque o recado que Pence trazia de Trump, um endosso veemente ao Brexit e a Boris Johnson foi muito mal acolhido em Dublin. O Irish Times, que aqui acima embarca no romantismo da visita à família por Biden, diz agora de Mike Pence que se portou diplomaticamente tão mal que até parece que «ele cagou (sic) na carpete do hall das visitas». Em segundo lugar porque, ao alojar-se num hotel que o patrão (Trump) tem na Irlanda, teve que responder pelo racional de ali se ter alojado, apesar do hotel se situar a 290 km da capital(!), local onde iriam decorrer naturalmente os seus encontros. Em terceiro lugar, por fim, e o pretexto mais directo para este poste, porque as multidões previstas para o acolher primaram pela ausência, como se constata pelas imagens abaixo, de gradeamentos postados nos passeios e com os fotógrafos na expectativa... diante de uma paisagem deserta. Obviamente que ninguém dá grande cobertura noticiosa àquilo que não aconteceu mas, ao contrário do que acontecera com Joe Biden, a Irlanda profunda ter-se-á (reciprocamente...) cagado para Mike Pence.
Para os mais curiosos esclareça-se que estas eram as imediações de um restaurante de um parente longínquo de Mike Pence, situado num vilarejo obscuro da Irlanda. As imagens foram colhidas algum momentos antes da chegada do vice-presidente para ali jantar. Como comentava no seu tweet um repórter enviado para cobrir o (não) acontecimento: felizmente a gardai (polícia irlandesa) parece estar a conseguir lidar com as multidões.