Mostrar mensagens com a etiqueta Namíbia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Namíbia. Mostrar todas as mensagens

09 março 2012

A LINHA «DA FRENTE»

A fotografia acima data dos princípios dos anos 80 e nela identificam-se (da esquerda para a direita): Sam Nujoma da Namíbia (1929- ), o único dos presentes que, à data da fotografia, ainda não era chefe de estado nem de governo, Kenneth Kaunda (1924- ), que era então o Presidente da Zâmbia, Samora Machel (1933-1986), o Presidente moçambicano, Julius Nyerere (1922-1999), o Presidente da Tanzânia, Robert Mugabe (1924- ), então ainda 1º Ministro do Zimbabwe e finalmente o Presidente angolano José Eduardo dos Santos (1942- ).

O bloco representado por aqueles cinco países (mais a SWAPO namibiana) designava-se por Estados da Linha da Frente – assinalados a vermelho no mapa abaixo. O inimigo comum era a África do Sul (a azul), que era então dirigida pelo regime dos africânderes. Assinale-se a cor amarela dos países que estavam geograficamente mesmo à frente, como o Botswana, a Suazilândia ou o Lesoto que, por causa das represálias do poder militar e económico dos sul-africanos, não se podiam dar ao luxo de ser tão radicais quanto os vizinhos da frente mais resguardados

28 agosto 2011

UMA GUERRA COMO UMA DAS NOSSAS

A Guerra que conduziu à independência da Namíbia (1966-1988) é uma das menos documentadas de entre as Guerras modernas. Comprovando-o, a entrada de Wikipedia que a ela se refere é parquíssima em informações concretas, mesmo a de língua inglesa não é muito melhor e, significativamente, não existe entrada em africânder, que é o idioma associado ao regime de supremacia branca sul-africano que foi o contendor derrotado dessa guerra. Por tudo isso, o livro abaixo é uma raridade...
The Covert War tanto esclarece quanto é um desapontamento. Esclarece no sentido em que explica detalhadamente – demasiado até, para aquilo que eu procurava – os aspectos tácticos de um conflito que, afinal, se arrastou por 22 anos. É um desapontamento porque se trata de um depoimento de um veterano, Peter Stiff, um sargento de origem londrina que optou pela nacionalidade sul-africana, que escreve sobre aquilo que conhece mas não se quer arriscar – felizmente! – a ir para além disso.
Lendo a descrição do território onde a guerra se travou, extensíssimo, com 825.000 km², a fronteira com Angola, por onde se processavam as infiltrações dos guerrilheiros da SWAPO (acima) tem 1.376 km de extensão, semi-desértico e com a densidade populacional a rondar os 3 habitantes por km², é impossível não se fazer a associação com outras zonas de operações semelhantes das guerras coloniais portugueses como o Leste de Angola (que aliás lhe está adjacente) ou o Noroeste de Moçambique (Niassa). Como acontecia com os portugueses, também aqui a intensidade do conflito era baixa e as acções esporádicas. Isso permitia aos sul-africanos criar a ficção que o problema estava entregue às forças policiais. O Koevoet do título, o nome da unidade especial a que pertencia Stiff, era tecnicamente uma unidade policial encarregada da contra-subversão, embora as fotografias que aqui aparecem (acima, a de um treino) mostrem como seria difícil distinguir os polícias dos soldados regulares da SADF.
Outro aspecto interessante é o do período coberto pelo livro, de 1979 a 1989, ou seja cinco anos depois do fim das Guerras de África dos portugueses. É possível seguir ali a evolução técnica da guerra e descobrir algumas soluções para problemas que também afligiram os portugueses: o das minas, através da utilização de viaturas de transporte apropriadas para o efeito como o Casspir (acima), reforçadas, mais elevadas e com o fundo em forma de V para dispersar para os lados o sopro da explosão das minas.
Ou então, um novo sistema de exaustão para os helicópteros Allouete III (acima, numa evacuação médica) que os tornavam muito mais difíceis de ser reconhecidos (e de ser abatidos…) pelos mísseis terra-ar SAM-7 dos guerrilheiros. Em questões de material de guerra, também aqui os sul-africanos, tal como acontecia connosco, continuavam a considerar a sua captura e exposição como um sinal de sucesso com o seu cortejo tradicional de AKs, RPGs e SKSs e outro armamento de origem soviética (abaixo).
Mas, por muito que a Koevoet se possa orgulhar nesses 10 anos de guerra dos 1.615 contactos com o inimigo, nos quais abateu ou capturou 3.225 guerrilheiros da SWAPO, pagando o preço de 160 polícias mortos e ainda mais 949 feridos em combate – a maioria dos quais namibianos negros conforme se pode deduzir pela fotografa abaixo – é a SWAPO que acaba por vir a ganhar a Guerra e a explicação para essa desfecho é que não aparece no livro apesar das suas 480 páginas…
Por um lado: é pena. Obrigar-me-á a estar atento ao aparecimento de um novo livro sobre este tema, mas que o analise na sua perspectiva global, política e militar. Por outro lado: ainda bem. O autor, singelamente, cinge-se aos aspectos do conflito que domina, que as complexidades de uma Guerra subversiva não serão para todos… É um exemplo de modéstia para outros veteranos das nossas guerras que tendo paticipado na derrota quando do original, vencem-nas agora quando as revisitam na memória.

25 dezembro 2007

FRANKIE FREDERICKS, O VELOCISTA DE PRATA

Frankie Fredericks foi um excepcional atleta namibiano, especialista em corridas de velocidade (100 e 200 Metros), que, nos grandes eventos como Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos, conseguia o feito excepcional de chegar simultaneamente às finais daquelas duas especialidades, para depois as perder… mas ficando em 2º lugar. Assim, ao longo da sua carreira, nessas provas maiores do Atletismo, coleccionou 1 medalha de ouro… e 7 medalhas de prata.
Como namibiano, país que era administrado pela África do Sul, que estava, por sua vez, banida das competições desportivas, só depois da independência da Namíbia em 1990, quanto tinha 23 anos, é que Frankie Fredericks pôde passar a competir internacionalmente pelo seu país. Nos Campeonatos do Mundo do ano seguinte (1991) em Tóquio, Fredericks foi 5º classificado na final dos 100 Metros e 2º classificado (a primeira de uma longa série de medalhas de prata) na dos 200.
No ano seguinte, nos Jogos Olímpicos de Barcelona disputados em 1992, Fredericks ganhou mais duas medalhas de prata nos 100 e 200 Metros. A única medalha de ouro ganhou-a nos 200 Metros dos Campeonatos do Mundo de 1993, realizados em Estugarda, na Alemanha. Na final de 100 Metros foi 6º classificado. Em 1995, nos Campeonatos do Mundo seguintes, realizados em Gotemburgo, Suécia, foi 4º classificado na prova de 100 Metros e, mais uma vez, 2º na de 200.
Ficava para os Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, Estados Unidos, a tentativa de obter finalmente um título olímpico. Falhou por pouco nos 100 Metros – 2º lugar e mais uma medalha de prata… Na prova dos 200 Metros, Fredericks correu como nunca, e até bateu o Record do Mundo até então, com a marca de 19,68 segundos, mas chegou em segundo lugar (mais uma medalha de prata…) porque Michael Jonhson (abaixo) tinha sido ainda mais rápido, estabelecendo um novo Record do Mundo (19,32 segundos)…
Nos Campeonatos do Mundo do ano seguinte (1997), disputados em Atenas, lá tivemos mais uma vez Frankie Fredericks na final dos 100 Metros a terminar em 4º lugar e nos 200 Metros a terminar em (adivinharam?...) 2º lugar, com a medalha de prata. Embora a descoberta dos casos de doping mande fazer estes elogios às carreiras dos atletas com todas as prudências, este caso de Frankie Fredericks, fadado para as medalhas de prata, parece ser um dos melhores casos de uma carreira excepcional que passou ao lado de uma grande cobertura mediática…