2 de Dezembro de 1949. As atenções de há 70 anos concentravam-se muito nos acontecimentos da China. Os comunistas haviam vencido a Guerra Civil, mas nem tudo parecia arrumado. A edição do Diário de Lisboa colocava um cenário curioso: «Os americanos tencionam ocupar militarmente a ilha Formosa (Taiwan)?» A notícia do lado parecia dar a resposta à pergunta. O resultado da batalha de Quemoy em Outubro havia exposto o calcanhar de Aquiles das capacidades navais e anfíbias das forças armadas comunistas. Ir-se-iam passar pelo menos alguns anos até que a China comunista conseguisse construir uma frota de invasão credível para conseguir desalojar os nacionalistas dos seus redutos insulares. No seu esforço, as forças armadas nacionalistas poderiam contar com o apoio militar da maior potência marítima: os Estados Unidos. A transposição das forças vivas do regime nacionalista para a ilha de Taiwan afigurava-se como um cenário possível e mesmo desejável e era assim que se assistia aquela súbita ressurreição política de Chiang Kai-shek.
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02 dezembro 2019
28 fevereiro 2018
CRISES DO CAPITALISMO
Uma das notícias destes dias é uma absurda corrida ao papel higiénico em Taiwan. Bastou correr o rumor de que a pasta de papel, matéria prima indispensável para a produção do papel higiénico, iria sofrer um próximo aumento estimado entre 10 a 30%, para que se registasse uma corrida dos taiwaneses aos supermercados onde, como se observa nas imagens acima, rapidamente esvaziaram as prateleiras. É uma sina do capitalismo produzir de quando em vez estes estampidos absurdos, que se comparam, com desvantagem, com as crises do socialismo, que se manifestavam de uma forma bem mais pacata, veja-se abaixo como as pessoas na Polónia aguardavam pacientemente na fila a sua oportunidade de comprar precisamente os mesmos rolos de papel higiénico... É uma coisa que nos faz muita falta, o papel higiénico. Um rabo sujo é uma imagem transversalmente repulsiva, seja qual for a perspectiva ideológica.
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07 novembro 2015
TAIWAN - O PRINCÍPIO DO FIM DE UMA RESISTÊNCIA AO JEITO DA DA ALDEIA DE ASTÉRIX?
1 de Outubro de 1949. Diante um enorme microfone na praça Tiananmen de Pequim vemos Mao Zedong a proclamar a República Popular da China. Como acontecia nas primeiras páginas de todos os álbuns de Asterix com a Gália e as águias de César, toda a China se submeteu ao regime comunista. Toda? Não. Como os aldeões da famosa aldeia armoricana, restou uma pequena ilha de 36.000 km² onde os ilhéus - contando com a assistência militar dos Estados Unidos em substituição da poção mágica - resistem ainda e sempre àquilo que classificam como o regime usurpador do continente.
Mais de 66 anos depois, assiste-se ao primeiro encontro daqueles que são os dois chefes de estado de um país que ambos consideram ser o mesmo: abaixo à esquerda, Xi Jinping, presidente da República Popular da China (1.376.000.000 habitantes), e, à direita, Ma Ying-Jeou, presidente da República da China (23.500.000 habitantes). Sendo o encontro o primeiro, é histórico. Falta saber se será mais alguma coisa do que isso. Curiosamente, e não tenho visto isso notado pela comunicação social, o encontro teve lugar no único outro país independente do Mundo onde existe também uma maioria chinesa: Singapura, onde (apesar de localizada na ponta da península malaia) a sua população de 5.500.000 habitantes é cerca de ¾ chinesa. Uma coisa entre chineses, portanto.
28 janeiro 2014
A EXPANSÃO AUSTRONÉSIA
Este mapa-mundo, que abrange cerca de ¾ da superfície do nosso planeta, mostra-nos a extensão daquela que é uma das mais desconhecidas expansões da Humanidade: a dos povos austronésios. Tratou-se, como aconteceu com os povos indo-europeus que vieram a povoar a Europa, o Próximo Oriente e o Subcontinente Indiano, de processos desencadeados pelo crescimento demográfico das populações, mas um crescimento muito lento, que se processou paulatinamente e se arrastou por milénios. Fazendo parte da pré-História, tudo o que neste momento se pensa saber sobre esses processos resulta dos trabalhos da arqueologia, das investigações da linguística e, mais recentemente, das da genética.
Uma das maiores surpresas da expansão austronésia é a localização do seu berço. Embora haja outras teorias – há-as sempre nestas circunstâncias – a predominante coloca a origem dos povos austronésios nas costas orientais da Formosa. Não há como iludir a ironia: a ilha é hoje maioritariamente povoada por chineses (98%) e constitui, como República da China e como expressão da recusa da aceitação da supremacia comunista no continente (a República Popular da China), uma das últimas expressões da Guerra-Fria. Mas é a sua praticamente ignorada população aborígene (2%) que é a depositária de uma saga que, iniciada há cerca de 5.000 anos, hoje abrange cerca de 400 milhões de pessoas.
Em contraste com a dos indo-europeus do mapa acima, a expansão dos povos austronésios foi predominantemente marítima e veio a prolongar-se até períodos que já eram históricos noutras partes do Mundo: a sua chegada a Madagáscar já será contemporânea com o Império Romano e a chegada à Nova Zelândia coincidirá com a nossa época das Cruzadas. A expansão fez-se inicialmente para os arquipélagos das Filipinas e da Indonésia que já se encontraram povoadas por imigrantes anteriores, povos de tez mais escura, que seriam aparentados com os actuais aborígenes da Austrália e os papuas da Nova Guiné. Só depois a expansão prosseguiu com a colonização de ilhas até então despovoadas.
Só os especialistas é que conseguem dar uma aparência de lógica de parentesco (veja-se o quadro acima, clicar para o ampliar) a um conjunto de quase um milhar de línguas actualmente faladas, exercício esse que comprovará uma raiz comum a elas todas. Ali aparecem idiomas falados na Indonésia, na Malásia, nas Filipinas, o tétum, que é o idioma coloquial de Timor-Leste, e ainda o maori neozelandês, idiomas falados em Madagáscar e outros falados quase do outro lado do Mundo, nos vários arquipélagos do Pacífico, tão longe quanto o estado norte-americano do Hawaii. O único lapso desta gesta é que não existe nenhuma potência – a Indonésia prefere o Islão... – que pretenda explorar os efeitos propagandísticos deste feito (pré)-histórico.
Já em jeito de aditamento e aproveitando para republicar o mapa inicial, valerá a pena chamar a atenção para algumas peculiaridades dos contornos geográficos da expansão. Uma delas é o facto dos austronésios nunca se terem conseguido implantar na Nova Guiné, um fracasso que Jared Diamond terá explicado satisfatoriamente num capítulo (17) de um livro que recomendo a leitura a interessados: Armas, Germes e Aço. Outra peculiaridade, essa por explicar satisfatoriamente, são as condições em que os austronésios terão conseguido colonizar Madagáscar vindos de Bornéu, percorrendo uma distância marítima superior de 7.000 km sem, como se pode acima verificar, quaisquer possibilidades de escalas para reabastecimentos.
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01 fevereiro 2009
FORMOSA, A AMBICIOSA
No futuro, qualquer compilação das imagens importantes do Século XX incluirão, quase obrigatoriamente, as que constam do vídeo acima: a 31 de Outubro de 1949, depois de terem vencido a Guerra Civil, Mao Zedong, o líder dos comunistas chineses, proclamava a República Popular da China. Após terem perdido a posição de vanguarda tecnológica e económica mundial em proveito dos europeus durante os séculos anteriores, os chineses recuperavam naquele momento a unidade política da China, que se revelava indispensável para poderem começar a recuperar desse seu atraso. Como acontece com imensa frequência, naquela época não se percebeu completamente todo o significado histórico da cerimónia então realizada na Praça Tiananmen de Pequim.
A vitória fora decisiva, mas não total. Os vencidos da Guerra Civil tinham-se refugiado na ilha de Taiwan, conhecida em português pelo nome de Formosa, onde se exerciam ainda os poderes da derrotada República da China. Embora de dimensão irrisória à escala da China (veja-se acima a ilha Formosa, assinalada a azul, quando comparada com a China continental, a vermelho), a ilha ainda possuía uma massa crítica suficiente (36.000 km² e 22.900.000 habitantes em 2007) para que pudesse subsistir de uma forma autónoma, ainda que precisasse da assistência militar dos Estados Unidos. Mais do que isso, graças a eles e durante os 22 anos seguintes (1949-71), o governo da Formosa foi considerado pela ONU e outras organizações internacionais como se fosse o governo legítimo de toda a China…
Progressivamente essa ficção veio a perder-se e hoje não tem praticamente qualquer significado, a não ser internamente, dentro da própria República da China. Paradoxalmente, são precisamente essas debilidades quanto ao seu estatuto que obrigam a República da China a ser muito mais rígida que a sua irmã gigante (a República Popular da China) quanto às reivindicações territoriais que a China possa ter em relação aos seus países limítrofes. Enquanto a República Popular da China tem dado mostras de pragmatismo na forma como se relaciona com os vizinhos, as reivindicações formais da República da China (abaixo) incluem potenciais diferendos com o Japão, a Birmânia, a Índia, o Butão, o Paquistão, o Afeganistão, o Tajiquistão e a Rússia, além da anexação total da Mongólia…
O mapa pode ser ampliado, clicando em cima dele
07 março 2007
A ILHA QUE QUER DEIXAR DE SER CHINESA
Em todas as grandes reuniões internacionais é tradicional levantar-se sempre um problema de semântica quando se chega à escolha quanto à designação da República da China que, bem distinta e minúscula em comparação com a sua grande vizinha República Popular, abrange apenas a ilha de Taiwan (ou Formosa) e algumas dependências, 23 milhões de habitantes (em 2006) em 36.000 Km2.A República Popular da China faz finca-pé em não aceitar que mais ninguém compartilhe consigo a pretensão de representar a China, dispondo-se mesmo aos limites de abandonar o evento se isso acontecer, o que obriga os países organizadores a prodígios de imaginação para designar a delegação vinda da Formosa. A prática mais comum consiste em designá-la por… chineses de Taipé (a capital).
Contudo, a História antiga de Taiwan não tem nada a ver com a da China. As populações mais antigas da ilha – que ainda hoje totalizam cerca de 2% da população – são de origem malaia. Entre os linguistas há uma importante escola que defende que a ilha foi o berço de onde evoluíram o ramo das línguas austronésias, hoje representado pela quase totalidade dos idiomas usados na Indonésia, nas Filipinas ou na Malásia.
Note-se que, como aconteceu com a Grécia antiga no Mediterrâneo, esta expansão marítima dos originários de Taiwan, cuja data e duração é difícil de precisar, mas que não tendo sido constituída por grandes contingentes, pode ter perdurado por milénios*, deve ter sido carregada de rivalidades: ainda hoje, a pequena minoria aborígene de Taiwan está dividida em mais de uma dúzia de tribos que empregam idiomas distintos entre si.As primeiras provas comprovadas da instalação de chineses na ilha datam apenas do Século XII. Mas em pequeno número. Quando os portugueses chegaram ao Extremo Oriente, no Século XVI, os chineses ainda eram apenas uma minoria da população da ilha que os recém-chegados baptizaram por Formosa. Em 1624, os holandeses substituíram-nos na suserania exercida sobre a ilha e os arquipélagos adjacentes (um dos quais ficou até hoje com a designação portuguesa de Pescadores).
A partir de 1644, a dinastia manchu dos Qing substituiu a dos Ming no exercício do poder imperial em Pequim, enquanto muito dos dignitários do regime deposto se procuraram refugiar em Taiwan, acelerando substancialmente o fluxo da imigração de chineses, especialmente os originários da província continental de Fujian (que se situa diante de Taiwan).
Expulsos os holandeses, copiando de alguma forma o que veio a acontecer quase 300 anos depois, entre 1662 e 1683, Taiwan tornou-se o último refúgio dos dignatários do regime Ming que havia sido derrotado no continente. Como consequência de se ter um desafio moral à autoridade do regime em vigor no continente, Taiwan foi invadida e viu-se, pela primeira vez, sob o domínio efectivo da China.
Nos duzentos anos seguintes, a aculturação e a imigração fizeram aumentar a proporção de chineses entre a população embora o idioma falado por eles seja baseado no de Fujian (não é compreensível para um falante de mandarim de Pequim, por exemplo). Essa especificidade foi aproveitada pelos japoneses quando anexaram a ilha em 1895, na sequência da sua vitória na 1ª Guerra Sino-Japonesa.
Taiwan foi a primeira colónia japonesa, onde estes se dedicaram a criar um modelo social que servisse de montra da sua administração benévola e que conduziu a uma sociedade que acabou necessariamente por divergir da que vigorava no continente: a reforma agrária deu origem ao predomínio da classe de pequenos camponeses proprietários (escassa no continente) e o sistema de ensino (embora em japonês) tornou-os em média muito mais qualificados do que os seus homólogos continentais.
Assim, compreende-se como o retorno de Taiwan à soberania chinesa, no final da Segunda Guerra Mundial (1945), é também marcado pelo despeito dos continentais (que consideravam os nativos de Taiwan como uma espécie de colaboracionistas do Japão). A revolta destes últimos ao aparelho administrativo nacionalista chinês em Fevereiro de 1947, depois de vários precedentes, foi sufocada com um custo estimado entre as 10 e as 28 mil vítimas. Um episódio que ultimamente tem ganho grande destaque na política de Taiwan...Mas, com a derrota final dos nacionalistas na Guerra Civil (Outubro de 1949) travada no comntinente, Taiwan tornou-se (mais uma vez…) o refúgio do regime derrotado no continente. Acompanhando-o, vieram mais de dois milhões de pessoas que se instalaram na ilha. Só que, ao contrário do precedente do Século XVII, desta vez o regime deposto teve o apoio no exílio da potência marítima dominante (Estados Unidos), o que tem garantido a sua sobrevivência desde então.
Durante um quarto de século (1949-75), Taiwan viveu sob o domínio daqueles exilados e sob a ficção que era apenas um entreposto provisório até à reconquista do resto da China. O resultado podia assumir aspectos ridículos: o órgão legislativo da República da China, o Yuan Legislativo, era composto teoricamente por mais de um milhar de membros, mas onde só os exilados participavam nos trabalhos e mesmo esses não podiam ser substituídos, nem mesmo por morte do titular, se representassem círculos do continente…
Corrigidos progressivamente alguns desses absurdos de ter uma Assembleia Legislativa destinada a desaparecer por razões biológicas, ao longo dos últimos trinta anos, a política de Taiwan te-se caracterizado por um equilíbrio precário entre o Kuomintang (KMT - o Partido derrotado pelos comunistas na Guerra Civil) que, esquecidas as ambições irrealistas de reconquistar o continente, pretende vincar os laços que ainda unem a ilha ao continente, muito embora se ponha o problema das divergências com Pequim sobre a forma como isso poderá ser feito, e, por outro lado, os independentistas.
Se a pretensão do KMT, que o regime sedeado em Taiwan representa também a China era um incómodo para Pequim, então a nova pretensão dos independentistas do Partido Democrático Progressista (PDP) que Taiwan não faz parte da China, incomoda muito mais... Ao contrário de muitos outros conflitos de nacionalidades e separatismos, neste não se põe qualquer problema quanto à viabilidade económica do futuro país…
Pelo contrário, para as duas províncias costeiras no Sul da China, Fujian e Guangdong (Cantão), que desde a abertura económica chinesa são o destino tradicional dos capitais investidos no estrangeiro por Taiwan, e que historicamente nunca foram muito fiéis ao poder imperial emanado do Norte, a existência de uma outra nação chinesa** independente, em frente às suas costas, como seria o caso de Taiwan, nessa eventualidade, seria um estímulo e um problema que Pequim prefere que nem exista…
*A expansão marítima dos malaios fê-los atravessar o Oceano Índico chegar à ilha de Madagáscar em África.
** Já existe Singapura. Não é muito referido, mas mais de ¾ da sua população é de ascendência chinesa.
24 setembro 2006
LA GUERRE DE TAIWAN N´AURA PAS LIEU*
É um raciocínio igualmente rebuscado que vamos encontrar no livro a Arte da Guerra, de Sun Tzu (Século V A.C.), a respeito da forma como se descreve a utilização da componente militar quando inserida da estratégia global dos estados: o supra sumo da sabedoria e da perícia é alcançado quando, mesmo que o exército parta em campanha, o inimigo é derrotado sem necessidade da sua utilização. É um princípio que parece ter permanecido válido na China de há 2500 anos para cá.
Desde a proclamação da República Popular da China, em 1949, só por três vezes a China se manifestou de forma agressiva contra o exterior e, mesmo assim, fê-lo sempre em regiões muito próximas das suas fronteiras, em regiões interiores: em 1950, na Coreia, em 1962, na Índia e em 1979, no Vietname. Durante todo este mesmo período a China manteve três outros problemas de soberania, em regiões costeiras, aos quais não deu mostras de querer solucionar da mesma forma: em Taiwan, em Hong-Kong e em Macau.
O grau de empenhamento da China nos três conflitos, assim como o resultado que ela retirou dos mesmos é díspar: com 780.000 efectivos conseguiu a manutenção da divisão da Coreia e um estado tampão (Coreia do Norte) na península coreana em 1953, com apenas 20.000 e numa ofensiva relâmpago conseguiu uma vitória em toda a linha nas demarcações contestadas das fronteiras sino-indianas em 1962, método que não conseguiu repetir com 180.000 em 1979 contra o Vietname, onde apanhou uma tareia.
Este episódio de Fevereiro e Março de 1979, pode muito bem ter servido de lição às correntes mais entusiastas de soluções militares entre os dirigentes chineses, sobre qual poderia ser o tremendo custo político de um fiasco militar numa operação militar fracassada contra um inimigo que estivesse bem apetrechado para os rechaçar, como tinha sido o caso dos vietnamitas, acabados de sair da sua vitória contra os Estados Unidos, e como poderia vir a acontecer no caso de Taiwan.
As Forças Armadas de Taiwan estão muito bem equipadas, dispõem de um apoio generalizado na sociedade e têm uma missão evidente: defender a ilha contra uma invasão vinda da China continental num cenário que deverá ter sido e continuará a ser estudado até à exaustão. Como muitos outros invasores que precisaram de atravessar o mar no passado, a constituição de uma frota anfíbia (que a China ainda não parece dispor) servirá de aviso aos defensores da eminência dessa invasão.
Soube-se entretanto que Taiwan, prevendo a eventualidade dos Estados Unidos não estarem disposto a apoiá-los politica e militarmente, concebeu um plano de contingência prevendo a possibilidade de serem deliberadamente injectados vírus informáticos na net que pudessem vir a afectar substancialmente os Estados Unidos, no que se tratou de um dos primeiros casos de potencial aparecimento da guerra no ciberespaço, num tipo de ameaça que só tem eficácia se for tornada pública.
Entretanto a diplomacia e a paciência já fizeram Hong-Kong (1997) e Macau (1999) regressar à soberania chinesa, o que constituiu um reforço para aquelas correntes entre os dirigentes chineses que preconizam a acção indirecta. Politicamente, montou-se uma manobra paciente que está à espera que, em Taiwan, observando as experiências graduais de Hong-Kong e Macau, se convertam paulatinamente à inevitabilidade da junção política da ilha ao continente. A grande ameaça a isso são as correntes separatistas de Taiwan.
Aquele separatismo, que tem estado a ser tratado com muita atenção e rigor por Pequim, chegando a provocar a intervenção descarada do governo chinês na política interna de Taiwan, tem, ainda por cima, o problema de poder ter um efeito multiplicador por toda a China, um país demasiado extenso e complexo para não se poderem descobrir particularismos passíveis de ser explorados para fenómenos secessionistas. E esses mesmos fenómenos andam a ser acirrados por ritmos de desenvolvimento económico desiguais.
Em suma, verifica-se a possibilidade de, dentro de Taiwan e por razões meramente defensivas, haja quem possa desencadear processos – o separatismo - que possam ser apreciados como ameaçadores para a coesão nacional dentro da própria China. Este será o único cenário em que, remotamente, se pode conceber a invasão militar de Taiwan. Empreguei a expressão remotamente, porque, sendo bons discípulos de Sun Tzu (e de Mao Zedong), os dirigentes irão empregar evidentemente todos os outros instrumentos para evitar os riscos do conflito militar directo…
* A guerra de Taiwan não terá lugar. Também é um trocadilho com o título de uma peça de Jean Giraudoux, La Guerre de Troie n´aura pas lieu, de 1935.
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