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05 novembro 2013

O 11º ANIVERSÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DO TOGO

Vale a pena recordar estas imagens das cerimónias do 11º aniversário da independência do Togo em 1971. Presididas já então pelo Presidente togolês, o General Gnassingbé Eyadema, então com 35 anos e uma folha de serviços enriquecida com dois golpes de estado (1963 e 1967) que tinham deposto dois presidentes civis e que o tinham catapultado de uma patente subalterna no exército até à de um dos generais mais jovens da história africana, a cerimónia era abrilhantada pela presença, ao lado do Presidente Eyadema, do Ministro de Estado e da Defesa Nacional da França, Michel Debré. Aliás, a tutela francesa, antiga potência colonial, era perfeitamente visível desde o início do desenrolar das cerimónias, que começaram por uma parada militar no formato clássico europeu, uma exibição de poder dos homens e dos equipamentos - estes, todos franceses...

O cunho africano da cerimónia começa a partir daí, com a componente civil do desfile, onde os grupos que passam aparecem identificados como associações de revendedoras de tecidos, de perfumes (empunhando os seus produtos), de cigarros (cada uma com um ao canto da boca!) e de vegetais, administrativos que parecem fardados de porteiros, um pelotão de ciclistas, para o fim do desfile este perde totalmente a dignidade inicial e já se assemelha a um desfile de carnaval no sambódromo… Porém, por muito caricatos que agora nos pareçam, trata-se de esforços empenhados do regime de Eyadema em exibir um Estado capaz de agregar as forças vivas de uma nação onde, apesar da sua pequenez¹, coexistiam 21 grupos étnico-linguísticos. O regime de Eyadema durou 38 anos: menos do que Kim Il Sung, mas mais do que Salazar.
¹ Cerca de dois milhões de habitantes (à época) em 56.785 km².

09 agosto 2008

O TOGO ALEMÃO (1884-1914)

A partir de uma pequena faixa costeira de 56 km onde, além do porto de Lomé, que seria a futura capital da colónia, se contava um outro porto com o nome de Porto Seguro (hoje Agbodrafo), herança toponímica da presença portuguesa naquela região, começaram os alemães a partir de 1882 a estruturar a sua colónia africana equatorial do Togo. Ao contrário das outras potências da época (como o Reino Unido ou a França) e das não potências (como os Países Baixos ou Portugal) a história da presença alemã naquelas paragens de África era escassa e não fora muito brilhante…
Quando se cunhou o ouro resultante dos primeiros negócios realizados na feitoria prussiana da Costa do Ouro, que fora mandada fundar por Frederico Guilherme, o Grande Eleitor (1620-1688), duzentos anos antes, em 1682, verificou-se que o ouro valia apenas cerca de metade daquilo que custara a expedição! O clima ainda era mais cruel, se possível, para aqueles europeus setentrionais e, além disso, a concorrência era feroz: em 1717, a colónia foi abandonada e em 1721 os seus direitos vendidos aos holandeses. Pelos próximos 160 anos ninguém na Alemanha quis ouvir falar em aventuras africanas…
Quando os alemães regressaram ao Golfo da Guiné nos finais do Século XIX haviam-se produzido modificações importantes que lhes prometiam possibilidades de sucesso. Modificações científicas: o quinino fora introduzido em larga escala como medicamento profilático contra a malária, doença que fora tradicionalmente uma das maiores causas de mortalidade dos europeus em África. Modificações políticas: desde 1871 que a Alemanha se unificara num Império sob a égide da Prússia. Modificações estratégicas: a gramática da época exigia que as grandes potências mostrassem o seu poder além-mar…
É assim que ocorre a Corrida para África, onde as regras acordadas pela Conferência de Berlim, e não por acaso, favorecem os recém-chegados (como a Alemanha) em detrimento dos históricos (como Portugal). É no quadro dessas regras favoráveis que, a partir da sua secção de 56 km de costa, os alemães avançaram para o interior usando simultaneamente as artes da diplomacia e da força (com as unidades constituídas maioritariamente por tropas nativas) para conseguir a submissão das autoridades tradicionais e foi assim que o Império Alemão adquiriu a sua colónia do Togo.
O território assim adquirido, depois de regulamentadas as suas fronteiras com as potências detentoras das colónias adjacentes, o Reino Unido, presente na Costa do Ouro (agora o Ghana) e a França, no Daomé (hoje o Benim), acabou por ficar com uma área de 87.200 km² (é sensivelmente a dimensão de Portugal), embora escassamente povoada, porque, entre o Século XVII ao XIX, a região fora uma das principais fontes de abastecimento dos escravos exportados para a América. Com uma população rondando o milhão de habitantes nos princípios do Século XX, os europeus eram só cerca de 400.
Ao contrário dos países que historicamente sempre haviam tido interesses em África, as colónias alemãs nunca tiveram grande relevância económica* para a Metrópole. No caso do Togo, a colónia foi aproveitada incentivando-se sobretudo a cultura do algodão pelos nativos, mas a preocupação principal da administração era política: a de demonstrar a superioridade do colonialismo alemão sobre os rivais. Em 1905 foi inaugurada o primeiro troço de via-férrea, para escoamento do óleo de palma, seguindo-se outros troços para escoamento do cacau e do algodão. Em 1913, já havia 330 km de ferrovias (abaixo).
Outro aspecto que se cuidava era o do desenvolvimento da colónia aparentar ser auto-sustentado com as exportações (matérias primas, onde predominava o algodão, o cacau, o óleo de palma ou o marfim) a quase se equivalerem em valor às importações, mantendo-se a aparência de uma balança comercial equilibrada (10 e 11,4 Milhões de Marcos em 1912). Mas a imagem que se procurava transmitir era algo artificial: por exemplo, para manter o valor das exportações de marfim, uma das matérias-primas mais valiosas, em menos de vinte anos os elefantes foram caçados até quase à sua extinção.
A Primeira Guerra Mundial travou-se no Togo entre 12 e 26 de Agosto de 1914. As tropas coloniais togolesas não tinham condições de enfrentar simultaneamente as colunas britânicas saídas de Oeste e as francesas saídas do Leste para as atacar. No Togo localizava-se um dos raros e verdadeiros objectivos estratégicos da altura: a então novíssima estação de rádio de Kamina (abaixo) que permitia as comunicações directas com Berlim e permitiria a coordenação do esforço marítimo alemão no Atlântico Sul. Cercados, os alemães destruíram-na em 25 de Agosto e renderam-se no dia seguinte.
O Togo foi então ocupado pelos dois vencedores e repartido em duas zonas de administração, uma divisão que se manteve depois do fim da Guerra (1919), com a parcela maior (Togo, com 56.800 km²) a caber à França e a restante (Togoland, com 30.400 km²) aos britânicos. Através de um referendo realizado em 1956, esta última veio a ser integrada no que veio a ser o Ghana independente (1957). O restante Togo também se tornou independente da França em Abril de 1960. Em homenagem ao passado, foi convidado para a cerimónia o último governador alemão do Togo, o Duque de Mecklenburg-Schwerin, então com 87 anos…
*A única pequena excepção à regra terá sido o Sudoeste Africano (Namíbia) e as suas minas de diamantes, para onde emigraram na época cerca de 10.000 alemães.