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22 março 2017

«DEMOCRACIAS» AFRICANAS

A 22 de Março de 1967 a Serra Leoa, mais um dos jovens países africanos saídos da descolonização britânica, via-se a braços com a sua maior crise política da sua breve história independente de apenas seis anos. Houvera eleições legislativas a 17 de Março de 1967. Ganhara a oposição. Mas quando o governador-geral pretendera dar posse ao novo primeiro-ministro, uma facção dos militares conotada com o partido derrotado nas eleições realizara um golpe de Estado, escassos quatro dias depois. Como já acontecera em vários outros países africanos, a pequena pátina de democracia deixada pelas potências coloniais desaparecia à primeira contrariedade política.
Um exército como o da Serra Leoa era ridiculamente pequeno pelos padrões tradicionais (menos de 2.000 efectivos), mas, mesmo assim, era a mais poderosa fonte de poder no país. O enquadramento de tais exércitos era assegurado por oficiais que a descolonização havia catapultado bastante jovens para patentes superiores. O novo homem forte da Serra Leoa, o brigadeiro David Lansana tinha 45 anos. Mas dali por escassos dias (27 de Março), haveria um outro contra-golpe que iria depô-lo para o substituir pelo tenente-coronel Andrew Juxon-Smith de 34 anos, que abaixo podemos apreciar numa entrevista onde tartamudeia uma crítica à classe política local.

Mas também este não iria aquecer o lugar. No ano seguinte, em Abril de 1968, Juxon-Smith viria a ser deposto por sua vez num outro golpe de Estado e substituído pelo coronel John Bangura de 38 anos. Em Portugal dava-se um certo relevo irónico a todas estas vicissitudes quando comparadas com o seu próprio regime colonial. Para mais quando se fica a saber que, destes três oficiais mencionados acima, apenas Andrew Juxon-Smith teve o privilégio de morrer descalço e na cama e só por causa de estar exilado nos Estados Unidos (1996). David Lansana foi executado por traição em 1975 enquanto John Bangura já fora enforcado pela mesma razão logo em 1970...

04 julho 2014

A COBERTURA NOTICIOSA DAS EPIDEMIAS

Desde Fevereiro deste ano que se está a registar um surto de Ébola em três países da África Ocidental: Guiné-Conakry, Serra Leoa e Libéria. O número de casos registados aproxima-se dos 800, as mortes de 500, com uma taxa de mortalidade ultrapassando os 60%. Mas foi preciso esperar pelos princípios de Julho para que o circo da informação se tivesse apercebido, mais pela coreografia do que por dedução do próprio, da seriedade do problema de Saúde Pública. Espera-se que a partir de agora o circo acompanhe a situação com o mesmo zelo como o fez há uma década com a gripe das aves (que, ameaçando-nos, acabou por não nos fazer mal algum...) e nos dê conta, com a mesma minudência, das mortes ocorridas como outrora aconteceu com um papagaio na Inglaterra e um pato na Suécia, um cisne na Escócia ou um ganso na Grécia