...e vieram a este vídeo recordar como ficou a pontinha da orelha descaída de Mike Ehrmantraut depois do tiroteio... Isto de apanhar um tiro na orelha pode ter muito que se lhe diga.
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15 julho 2024
10 julho 2024
OS «BOLETINS CLÍNICOS» QUE DEFINEM A «SAÚDE» DO REGIME (2)
Em contraste com os boletins clínicos de Franco do poste anterior, o problema que se põe actualmente com Joe Biden é a pretensão por parte da sua administração de que não são precisos boletins clínicos a respeito das capacidades do presidente. E é assim que nos deparamos com esta situação insólita, sugestiva de que os responsáveis estão a esconder informação, onde as páginas de informação mais honestas a respeito desse assunto serão as do showbiz (acima). É que a George Clooney confesso que tenho uma certa dificuldade em lhe descobrir taticismos políticos que condicionem a manifestação da sua opinião. Acho-o genuíno quando pede que Joe Biden desista. O que não acontece com as restantes grandes figuras do partido democrata. A esses tenho ouvido argumentos sobretudo contra a oportunidade da troca do candidato presidencial nesta altura e nestas circunstâncias, não a favor da prossecução da candidatura.
04 julho 2024
EU NÃO SOU NORTE-AMERICANO, A REVISTA «THE ECONOMIST» TÃO POUCO, MAS HÁ QUE CONVIR QUE APOIADO NUM ANDARILHO «NÃO É MANEIRA DE GOVERNAR UM PAÍS»
«O último debate presidencial foi horrível para Joe Biden, mas o encobrimento que lhe sucedeu está a ser pior. Foi uma agonia assistir a um velho confuso a lutar para se lembrar das palavras e dos factos. A sua incapacidade de argumentar contra um fraco oponente foi desanimadora. Mas a operação dos membro da sua campanha para negar aquilo que dezenas de milhões de americanos viram com os seus próprios olhos é mais tóxica do que qualquer um desses dois aspectos, porque a desonestidade subjacente provoca o desprezo entre aqueles que ouvem as explicações.
A grande consequência foi a de colocar a Casa Branca ao alcance de Donald Trump. Sondagens posteriores revelam que os eleitores daqueles estados que Biden tem de vencer se voltaram contra ele. A sua vantagem pode estar em perigo mesmo em estados antes considerados seguros, como a Virgínia, o Minnesota ou o Novo México.
Joe Biden merece vir a ser lembrado pelo sua actuação e pela sua imagem de decência, não por este seu declínio. É apenas normal que tenham surgido os primeiros políticos democratas destacados a pedir abertamente que ele se afastasse da corrida presidencial. No entanto, aquelas manifestações públicas não serão nada se comparadas a uma onda crescente de consternação que apenas se manifesta em privado. As pessoas têm que se consciencializar que, se não se manifestarem agora, será Trump o vencedor. Para trazer a tal renovação política que a América agora tão claramente precisa, são eles que devem pedir mudanças. E não é tarde demais.
O argumento - correcto - dos democratas é que Donald Trump não tem aptidão para ser presidente. Mas o debate e as suas consequências mostraram é que Joe Biden também não. Primeiro, por causa de seu declínio mental. É verdade que o presidente ainda pode parecer dinâmico durante aparições que sejam curtas e devidamente coreografadas. Mas não se pode administrar uma superpotência apenas com telepontos. E não se pode suspender uma crise internacional apenas porque o presidente padece de jet-lag. Alguém que não consegue terminar uma frase a respeito do Medicare pode ser confiável quando o assunto envolve códigos nucleares?
Pode dizer-se que Joe Biden está inocente do facto das suas capacidades estarem a falhar, mas ele não pode ser absolvido desta sua insistência, instigada pela sua família, pela equipa de topo e pelas elites democratas, de que ele ainda estará à altura do desempenhar a função mais difícil do mundo. A alegação do presidente Biden de que esta eleição é entre o que está certo e o que está errado é destruída pelo facto - prosaico, mas arrasador - de que a existência da sua campanha agora depende de uma mentira.»
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03 julho 2024
O PROJECTO «ITHACUS»
Entre os projectos militares mais surpreendentes que nunca avançaram conta-se este foguetão intercontinental de transporte que constituía notícia a 3 de Julho de 1964, após o encerramento da 1ª Reunião Anual do Instituto de Aeronáutica e Astronáutica. Será desnecessário explicar em que consistia a ideia: a notícia acima explica-o. Assim como se afigura óbvio que essa ideia estava muito longe de se concretizar: seria necessário esperar ainda uns dez a doze anos (1975) e investir os «fundos necessários» (que não são estimados sequer...). Mas o objectivo estratégico do foguetão «Ithacus» parecia límpido: como potência hegemónica, os Estados Unidos passariam a dispor de meios para colocar uma unidade militar de poder de fogo significativo em muito poucas horas em qualquer local do mundo onde Washington considerasse que os seus interesses estivessem a ser ameaçados: um golpe de estado hostil num país aliado, por exemplo.
O projecto e a ideia de «Ithacus», apesar de imaginativa e engenhosa, tinha dois óbices. O primeiro e mais imediato era o seu custo e a sua eficácia, quando comparado com uma operação aerotransportada mais convencional, que colocaria os mesmos efectivos e as mesmas cargas no mesmo local, só que uma dúzia de horas depois. Seria que os custos - astronómicos - do projecto valeriam essas escassas horas de antecipação? O segundo óbice era de cariz mais estratégico e os responsáveis militares e políticos norte-americanos só se vieram a aperceber dele depois de efectuarem vários outras intervenções no Mundo, como a do Vietname, do Iraque ou do Afeganistão. O problema principal para os Estados Unidos nunca se põe quanto à celeridade como chegam aos locais de intervenção, localizem-se eles onde for por esse Mundo fora; o grande problema dos Estados Unidos têm sido sempre as condições de dignidade como depois conseguem sair desses locais. No Afeganistão, por exemplo, passaram 20 anos (2001-21) por lá e os resultados finais foram os que foram...
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01 julho 2024
ELE QUE TENHA CUIDADO E NÃO DEIXE CAIR O SABONETE QUANDO ESTIVER NO DUCHE
Entre aquela fauna que rodeia Donald Trump, há aqueles que, se isso for concebível, são ainda mais detestáveis do que o próprio, pela insolência e pela arrogância como se exprimem na comunicação social. É reconfortante por isso vê-los a pagar judicialmente o preço dessas atitudes, neste caso concreto, a cumprirem penas de prisão por se terem recusado a acatar as intimações para comparecerem diante de comissões do Congresso que investigavam temas - o assalto ao Capitólio - em que lhes seria inconveniente prestar contas. Depois de usarem todos os expedientes legais (dois anos a emperrar!), os craques que alegavam não se intimidar com nada que a comissão lhes fizesse, acabaram finalmente dentro. Já em Março deste ano isso aconteceu com Peter Navarro, hoje calha o dia a Steve Bannon. Ambos apanharam quatro meses e os votos - maldosos mas sentidos - para o que já lá está e para o que hoje vai lá para dentro, são para que não deixem cair o sabonete quanto forem ao duche...
30 junho 2024
OPERAÇÃO RESGATE DE BIDEN
O subtítulo deste artigo da The Economist de hoje marcou-me: «Há qualquer coisa de trumpico na atitude negacionista da realidade do(s responsáveis) do partido democrata.» Como se pode ler no artigo, entre esses responsáveis obtusos contam-se os ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton e a antiga presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi. Tudo gente respeitada e influente que coloca a sua recomendação em confronto com aquilo que os eleitores americanos - como diria uma poeta portuguesa - «vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar». E as cenas que são visíveis audíveis e legíveis são múltiplas, como esta ocasião exemplar que aparece abaixo, recolhida na Cimeira do G7 em Itália ainda há quinze dias, onde o presidente americano se comporta durante a cerimónia como se fosse aquele avozinho senil que é preciso vigiar discretamente para não fazer asneiras quando não pode ter pessoas do staff por perto. Eu não sou americano, mas, se o fosse, e depois de ter desistido de compreender porque é que o candidato republicano iria tornar a ser Donald Trump, alguém teria de me explicar agora porque é que o candidato democrata ainda tem de ser Joe Biden.
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27 junho 2024
DE UM VALEDERO DE FICÇÃO A UM ÁRBENZ REAL
(Republicação a pretexto de que hoje, 27 de Junho, se completam 70 anos sobre a renúncia de Jacobo Árbenz à presidência da Guatemala)
Já aqui falei de O Regresso do Fantasma, uma história de BD de Hermann & Greg de 1973. Recontando a síntese do enredo, o presidente (Juan Enrique Valedero) de uma República latino-americana (Monteguana) é vítima de um atentado que destrói o seu iate de cruzeiro e ao qual ele escapa por acaso. O navio dos nossos heróis (o Cormoran), acidentalmente por perto, recolhe-o, assim como aos seus dois guarda-costas, os únicos sobreviventes da tragédia. Antes de o poder comunicar, Valedero apercebeu-se que o atentado se tornara um pretexto para que houvesse um golpe de estado em Monteguana.
A morte do presidente já fora anunciada pela comunicação social de Monteguana sem que tivesse havido qualquer pedido de socorro, tanto do iate como do Cormoran. Os nossos heróis vêm-se assim associados aos esforços do presidente fantasma para recuperar o poder, enquanto os golpistas tentam eliminá-los a todos, tornando real a verdade oficial que fora entretanto antecipadamente proclamada. É nessa viagem para recuperar o poder que Valedero, um intelectual de ascendência europeia oriundo das elites do país, se apercebe que a realidade política do seu país é muito diferente da que imaginava…
A história acaba bem, com um presidente mais lúcido de um país retrógrado – veja-se como o soldado na imagem acima apenas o reconhece por causa dos selos do correio… Em O Regresso do Fantasma nota-se tanto a inspiração histórica do exemplo de Jacobo Árbenz, o presidente da Guatemala entre 1951 e 1954, como uma certa perspectiva ideológica europeia¹ que acreditava que o despotismo esclarecido bem intencionado de alguns dos membros das elites tradicionais poderia ser o catalisador para transformações sociais que derrubassem as oligarquias locais tradicionalmente apoiadas pelos norte-americanos.
Jacobo Árbenz (1913-1971) havia nascido de uma dessas famílias guatemaltecas, no caso de ascendência suíça e a natureza dotou-o, como se nota, com a pose aristocrática indispensável a quem pretende pertencer às elites. Por força das circunstâncias (o pai suicidara-se e a família passava por dificuldades financeiras) veio a matricular-se e graduar-se como oficial do exército em 1935 com um percurso académico brilhante. Dois anos depois tornava-se ali professor. E nos inícios de 1939 casava na sua classe, com uma filha de uma família de latifundiários salvadorenha. Entretanto começara a Segunda Guerra Mundial.
Os anos finais da Guerra foram um período de liberalização do continente, substituindo os regimes despóticos anacrónicos que os Estados Unidos haviam protegido, como era o caso do guatemalteco do General Ubico. O Capitão Árbenz, apesar da juventude (31 anos), já aparece associado aos movimentos militares que em 1944 vão acabar por conduzir à realização das primeiras eleições razoavelmente livres da História da Guatemala, que foram ganhas de uma forma esmagadora (cerca de 85% dos votos) por Juan José Arévalo, um académico intelectual, professor universitário e doutorado em Filosofia.
O período de seis anos (1945-51) da presidência de Arévalo foi uma época impar do usufruto de liberdades políticas na Guatemala que criaram condições para que a disputa política quanto à sua sucessão se tivesse travado nas urnas e não com armas como era a tradição do continente. Defrontavam-se a facção radical de inspiração marxista do movimento que colocara Arévalo no poder e a facção conservadora desse mesmo movimento, que pretendia estancar por ali a dinâmica entretanto criada. A primeira facção, protagonizada por Jacobo Árbenz, venceu as eleições presidenciais de 1951 com cerca de 60% dos votos.
A eleição de um esquerdista teve o condão de colocar a até então ignorada Guatemala no mapa das preocupações norte-americanas, atenta ao que a então recém-criada CIA designava por penetração soviética na América Latina. O detonador das inquietações foi a intenção, manifestada por Árbenz, em realizar uma Reforma Agrária², problema capaz de desencadear um conflito entre os interesses guatemaltecos e norte-americanos, com a multinacional United Fruit Company (a maior empresa mundial de comércio de frutos tropicais) de permeio como a maior empregadora e a maior latifundiária do país.
¹ Essa perspectiva no Século XX é exclusivamente de esquerda, onde a referência obrigatória é Fidel Castro, mas no Século XIX, como se vê pelo caso da intervenção do Imperador Napoleão III no México (1862-67), mostra como aquela perspectiva ideológica era abrangente.² Tratava-se de uma verdadeira Reforma Agrária, envolvendo a expropriação de parte das terras dos latifundiários para que elas fossem repartidas e redistribuídas entre os camponeses pobres. Não confundir com a colectivização das terras ocupadas e/ou expropriadas, processo a que os comunistas portugueses em 1975 deram o mesmo nome.
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21 junho 2024
MISSISSIPPI EM CHAMAS
(Republicação)
O episódio teve lugar no Sul Profundo (Deep South) dos Estados Unidos durante o Verão de 1964. E as chamas do título são uma referência aos incêndios ateados pelos membros do Ku Klux Klan (acima) nas igrejas das congregações negras onde os activistas dos direitos cívicos haviam realizado previamente sessões incentivando os negros a registarem-se como eleitores. Pelo menos 20 igrejas haviam sido incendiadas quando outro incidente mais grave fez concentrar a atenção dos Estados Unidos em Neshoba, Mississippi.
A 21 de Junho de 1964, a organização que patrocinava aquelas sessões anunciou publicamente o desaparecimento súbito de três dos seus jovens activistas (acima e da esquerda para a direita: Andrew Goodman de 20 anos, James Chaney de 21 e Michael Schwerner, de 24), que haviam saído para inspeccionar os destroços duma das igrejas incendiadas no condado de Neshoba. Sabia-se que a polícia local os havia detido por umas horas mas que acabara por os libertar, tendo-se perdido o seu rasto depois disso.
Noutros tempos, um desaparecimento destes poderia ter sido considerado um incidente menor e passar desapercebido. Mas naquelas circunstâncias, no quadro da luta dos negros pelos Direitos Cívicos (acima Martin Luther King), conjugado com o facto de dois dos desaparecidos serem de origem nova-iorquina, o incidente acabou por vir a receber uma atenção mediática inusitada, a que não faltou a ressonância da clivagem entre o Norte e o Sul que havia provocado a Guerra Civil (1861-1865) precisamente cem anos antes.
Foi a pressão mediática que levou a administração federal a afectar à investigação os meios e a atenção que as autoridades estaduais e locais – do Mississippi e de Neshoba – não pareciam dispostas a dedicar. Durante seis semanas as peripécias da investigação desenvolvida pelo FBI, nomeadamente a descoberta da carcaça ardida do automóvel que transportava os activistas (acima), foram notícia nacional, até à descoberta do paradeiro dos cadáveres, enterrados num açude a uns meros 10 km a Sudoeste da capital do condado…
…e depois disso percebeu-se a razão principal para a ineficácia das investigações das autoridades locais: o próprio xerife de Neshoba e o seu adjunto também estavam directamente envolvidos nos acontecimentos que haviam conduzido ao assassinato! Concretamente, o adjunto libertara os activistas conduzindo-os à emboscada onde haviam sido mortos. Politicamente, a causa dos negros ganhara imensos pontos: em 2 de Julho, o Presidente Lyndon Johnson (também ele Sulista, do Texas) assinara a Lei dos Direitos Cívicos.
A outra batalha – a da condenação dos responsáveis pelos assassinatos – não teve um desfecho tão claro. O julgamento de 18 réus arrastou-se até 1967 e os recursos às sentenças até 1970. Quanto à atitude dos principais envolvidos durante as audiências era a insolência da fotografia acima, o adjunto Price ao lado do xerife Rainey mascando tabaco. Detestáveis! A longo prazo a causa racista estava perdida. Em 1988 Hollywood produziu um filme sobre os acontecimentos (abaixo) e eles eram considerados irrecuperavelmente maus…
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19 junho 2024
AS PRIORIDADES DA POLÍTICA EXTERNA PORTUGUESA EM 1974 E A ATENÇÃO QUE OS ESTADOS UNIDOS LHES DISPENSAVAM
19 de Junho de 1974. No regresso de um périplo que o presidente norte-americano Richard Nixon dera por países do Médio Oriente, ocorre um encontro nos Açores entre ele e o novo presidente português, António de Spínola. A reunião durou uma hora e a atenção dispensada pelas duas partes ao encontro pode ser constatada pela importância noticiosa que lhe foi conferida dos dois lados do Atlântico (acima e abaixo). A fragilidade da Casa Branca por causa do Caso Watergate costuma ser uma explicação para o desinteresse inicial dos Estados Unidos pelas consequências previsíveis da descolonização, mas essa não parece ser a única explicação: os problemas de Nixon são independentes das decisões editoriais do New York Times, que parecem sintoma de um desconhecimento desinteressado dos problemas de Lisboa. Em contraste, as atenções dispensadas (e as expectativa postas) por Lisboa podem ainda hoje ser recordadas pela reportagem que a RTP realizou sobre a partida de António de Spínola.
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17 junho 2024
A PERSEGUIÇÃO A O.J. SIMPSON
(Republicação)
17 de Junho de 1994. Como principal suspeito pelo assassinato da ex-mulher, uma antiga estrela de futebol americano, O.J. Simpson (até aí relativamente desconhecido na Europa), é perseguido pela polícia ao volante do seu jeep pelas auto-estradas de Los Angeles, enquanto os helicópteros das várias estações de TV faziam a cobertura em directo da perseguição. Foram mais de duas horas e quase 100 quilómetros de um nada informativo, mas que, ainda assim, terá alcançado uma audiência de 95 milhões de telespectadores. Satisfeita a curiosidade mórbida do auditório norte-americano, com a rendição do foragido O.J. Simpson (para onde haveria ele de ir, com 95 milhões de compatriotas a segui-lo?...), o episódio só teve ressonância nos Estados Unidos, e a repercussão fora dele foi quase nula. O fim da Guerra Fria determinara que desaparecesse uma preocupação anterior, de décadas, de mostrar uma sintonia de interesses entre americanos e o resto do Mundo por certos temas mediáticos, como seriam os casos de acontecimentos desportivos como os Jogos Olímpicos ou então a chegada do primeiro homem à Lua. Ao contrário do que acontecera com a comoção como fora acompanhado o assassinato de John F. Kennedy, ele havia coisas dos americanos que interessavam apenas aos americanos e não ao resto do Mundo, e o contrário também era verdade. Por exemplo, naquele mesmo dia 17 de Junho de 1994 começava em Chicago o Campeonato Mundial de Futebol (com a presença do próprio Bill Clinton), mas os americanos, nem por curiosidade, atribuíram ao evento uma importância comparável à que haviam dedicado a esta perseguição a Simpson. A maior audiência doméstica que o torneio veio a gerar foram 11 milhões de telespectadores para um jogo entre o Brasil e os Estados Unidos a 4 de Julho (e porque era dia feriado).
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12 junho 2024
O JURAMENTO DA UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA
«Não acredito, não sou membro, nem sou apoiante de qualquer partido ou organização que acredite, advogue ou promova o derrube do Governo dos Estados Unidos pela força ou por quaisquer métodos inconstitucionais ilegais»
Conforme se podia ler na primeira página do New York Times de 12 de Junho de 1949, a Universidade da Califórnia passaria a partir de então a adoptar um juramento para os 4.000 membros do seu corpo docente e funcionários administrativos. A explicação para aquele gesto também constava do artigo: para fazer face àquilo que o porta-voz da Universidade, assistente do reitor, denominava por «histeria da guerra-fria». Embora o texto do juramento se refira abstractamente a organizações que promovessem e advogassem o derrube das instituições por meios ilegais, e não mencione qualquer organização em particular, o título da notícia é inequívoco em identificar o alvo: os comunistas, filiados ou apenas simpatizantes. Por isso os jornalistas o baptizam naquela altura por juramento anti-vermelho.
Quer a ironia da História que, nestes 75 anos entretanto decorridos, a ocasião em que «o Governo dos Estados Unidos» esteve mais próximo de ser «derrubado pela força ou por quaisquer métodos inconstitucionais ilegais» (a 6 de Janeiro de 2021, fotografia acima), o vermelho empunhado por quem assim agiu nada tinha a ver com os comunistas, antes pelo contrário...
11 junho 2024
UM «CHEIRINHO» DA VELHA GUERRA FRIA
(Republicação)
11 de Junho de 1999. Nesse dia terminava a Guerra do Kosovo. Com a entrada em vigor do cessar fogo, fora previsto que uma força conjunta de manutenção de paz, composta por unidades militares de países da NATO e também russas, se instalassem na antiga região autónoma jugoslava. Os russos haviam querido um sector independente, mas os Estados Unidos, assim como os restantes países europeus da NATO, haviam rejeitado a ideia, com receio que isso predispusesse os russos a dividirem o Kosovo em duas regiões, uma menor de maioria sérvia a norte e a restante, de maioria albanesa, uma espécie de mini Alemanha Oriental balcânica, que esses bons velhos hábitos nunca saem de moda. Mesmo que não fosse essa a ideia dos russos, a sua posição negocial parecer-lhes-ia demasiado frágil na conjuntura da substituição das forças combatentes (sérvios e albaneses), e os russos decidiram-se a um golpe sujo: pela calada da noite de 11 de Junho, pegaram num destacamento seu estacionado na Bósnia vizinha, e mandaram-no percorrer os 600 km que os separavam da capital do Kosovo para ocuparem o aeroporto local, tudo isso sem passar cartão a ninguém da NATO. Apesar de comandado por um general, o destacamento russo era pequeno: cerca de 200 homens e umas 30 viaturas, sem grande potencial de combate. Mas isso seria irrelevante. Aquela era uma guerra para ser travada à frente das câmaras de televisão (acima). Quando as unidades da NATO encarregues dessa mesma missão chegaram, o aeroporto estava ocupado pelos russos, a CNN também já lá estava, ninguém se dispôs a facilitar a vida aos outros, e começava a crise. Era uma coisa nova, depois de dez anos (1989-1999) em que os russos haviam sido nossos amigos. Recorde-se que a Rússia de então era ainda dirigida por um sujeito pachola, permanentemente embriagado que dava pelo nome de Boris Yeltsin (Vladimir Putin só apareceu um ano depois). Mas a gestão de todo o incidente serviu também para exibir outras fracturas, não só as entre o Ocidente e o Leste, como também as entre a América e a Europa, dentro do Ocidente e da NATO. À atitude mais bélica do comando supremo americano da operação, contrapôs-se uma aproximação bem mais pragmática do comando militar britânico que estava no terreno. Apesar daquilo que parecia estar a acontecer na CNN, os 200 russos estavam isolados e impedidos pela aviação da NATO de serem reforçados e de se reabastecerem sequer. O único perigo da situação era ela detonar acidentalmente. Para a NATO, o tempo encarregar-se-ia de solucionar a questão. Foi o que aconteceu: os russos acabaram por ter que ser abastecidos de água e comida pela logística das unidades da NATO que eles não queriam deixar entrar no aeroporto. O impasse durou duas semanas, a Rússia acabou por salvar a sua face politicamente, e o susto passou.
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04 junho 2024
OS ALIADOS ENTRAM EM ROMA
(Republicação)
4 de Junho de 1944. As tropas aliadas entram em Roma, evacuada pelos alemães, porque as derrotas militares a haviam tornado numa cidade defensivamente insustentável. Ao contrário de vários outros episódios do passado, desta vez Roma não foi directamente conquistada, embora tenha sido perdida pelos anteriores ocupantes. O video noticioso acima é o que se poderá esperar de uma produção de propaganda da época. Aparecem lá várias cenas que veremos reencenadas dali por quase três meses, quando do mesmo acontecer em Paris: a alegria das multidões, celebrando as unidades motorizadas que desfilam por áreas da cidade facilmente reconhecíveis, como o Coliseu ou a Fonte de Trevi (em Paris serão locais como a Torre Eiffel ou os Campos Elísios), também o ajuste de contas com os últimos colaboracionistas e os esforços (neste caso de Roma, mais esforçados que reais) de mostrar que houve militares da própria nacionalidade que também contribuíram para a conquista da sua capital. Há dois aspectos, porém, que não se virão a repetir. Por um lado, em Roma há a presença do Papa, figura que concita as atenções, especialmente numa hora tão solene e o video acima não se atreve a esquecer-se de Pio XII. Mas, mesmo com essa concorrência, o general americano Mark Clark não deixa de tratar da sua promoção, deixando-se fotografar junto a uma das placas nos arredores da cidade ou passeando-se por Roma de jipe, deslocando-se como um oficial subalterno no comando de um qualquer pelotão de reconhecimento do seu exército de 150.000 homens (também aparece no video). Ora em Paris não haverá nada disto, e não porque não houvesse por lá generais americanos de igual patente com aquela mesma sede de protagonismo de brincar aos conquistadores, como será o caso de George Patton. Mas Paris, não tendo Papa, tinha Charles de Gaulle, que funcionava como uma verdadeira esponja que chupava todo o protagonismo que pudesse existir à sua volta...
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26 maio 2024
«PORCO É PARA SANDUÍCHES, NÃO PARA DC»
Ontem Donald Trump foi convidado a discursar numa convenção de um pequeno partido americano, o Partido Libertário, formação ainda mais radical do que ele, Trump costuma querer parecer. A sua intervenção foi vaiada de princípio a fim e apareceram na assistência cartazes insultuosos com uma (falta de) categoria equivalente àqueles que costumamos ver os apoiantes de Donald Trump a empunhar referindo-se aos seus adversários.
Só que estes cartazes tinham-no a ele, Trump, por esta vez o adversário, como alvo. Naquele mais acima, pode ler-se (a carne de) «porco é para sanduíches, não para DC» no que parece ser uma referência à capital dos Estados Unidos, Washington DC, onde se situa a Casa Branca. Confesso que sinto um certo conforto em ver um candidato presidencial que não se dá ao respeito nem mostra respeito pelos outros ser tratado desta forma... chafurdante, como um porco.
...e os membros da convenção escolheram - obviamente! - apoiar um outro candidato que não Donald Trump. Mas foi (mais) um excelente momento televisivo porque, mesmo a levar uma boiada geral, para as televisões Trump é sempre uma atracção.
25 maio 2024
A APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO COX
(Republicação)
25 de Maio de 1999. Em Washington DC, uma comissão da Câmara de Representantes apresenta um documento com 900 páginas que se dedicara a investigar as actividades da espionagem militar dos chineses nos últimos 25 anos (os 25 anos anteriores, perceba-se, desde 1974). Para a imprensa, o Relatório adquiriu o nome de quem presidiu à comissão, o congressista republicano da Califórnia, Christopher Cox. Sob o conteúdo e as conclusões do Relatório Cox, podem-se sintetizar as 900 páginas (muitas delas sombreadas, pelas tradicionais razões de segurança), dizendo que a comissão formara a convicção que durante todos aqueles anos os serviços de informações da República Popular da China haviam desenvolvido esforços concertados para a aquisição do design dos engenhos termonucleares norte-americanos de última geração, numa tentativa de colmatar o hiato tecnológico que separava a China dos seus rivais (Estados Unidos e Rússia). Mais: o Relatório considerava que a espionagem chinesa fora bem sucedida nesses esforços. Este é o género daqueles acontecimentos inoportunos com que os governos não gostam de lidar: são assuntos demasiado sérios para poderem ser descartados facilmente por aqueles que gerem o spin das notícias, e ao mesmo tempo são assuntos demasiado graves, para que as opiniões públicas, as mais das vezes indignadas, não reajam, apossando-se do tema, e com isso causando danos diplomáticos indesejáveis. Neste caso, apesar da seriedade das acusações, a Administração Clinton parecia não se mostrar interessada em indignar-se muito e puxar pelo assunto, conforme se percebe logo pelo princípio do artigo (abaixo) enviado no dia seguinte por Bárbara Reis para o Público. Fossem as circunstâncias as actuais, e imagine-se o banzé!
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23 maio 2024
BONNIE & CLYDE ATRAVÉS DOS TEMPOS
(Republicação)
23 de Maio de 1934. Bonnie e Clyde são emboscados e abatidos por um destacamento policial de seis polícias fortemente armados. Nem de propósito, e se acreditarmos no documentário acima, filmado na época, cinco minutos depois dos acontecimentos já um «amador» estava postado a filmar o que acontecera. Ora a emboscada tivera lugar numa estrada remota, e as câmaras de filmar em 1934 não são como os telemóveis nos nossos dias... Aliás, aquilo que o documentário nos mostra não esconde a sua intenção pedagógica e dissuasora, numa sociedade norte-americana muito combalida, a passar então pelo auge da Grande Depressão. Ou não foram cinco minutos, ou o destacamento incluía mais gente para além dos metralhadores.
33 anos depois, o realizador Arthur Penn romantizou o casal e conferiu-lhes uma fama mundial com o filme homónimo. 46 anos depois disso, o canal História produziu uma mini-série sobre o mesmo tema. A reconstituição da cena da morte do casal, ocorrida cumprem-se hoje 90 anos, tornou-se um clássico.
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12 maio 2024
O FIM DO BLOQUEIO DE BERLIM OCIDENTAL
12 de Maio de 1949. Depois de assinalarmos no Herdeiro de Aécio os 75 anos do estabelecimento do bloqueio de Berlim ocidental pelos soviéticos, assinalamos agora os 75 anos do fim desse bloqueio. Socorrendo-nos das contas do New York Times, o cerco («siege») a Berlim ocidental durara 328 dias. A fotografia do jornal mostra que a propaganda não estava desatenta e o cartaz que as crianças empunham - Blockadefrei - traduzir-se-á por «livre do bloqueio», mas uma boa parte da alegria demonstrada pelos pequenos berlinenses é até capaz de ser genuína e dever-se-á ao facto de não ter havido aulas como celebração do acontecimento...
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11 maio 2024
O QUE É QUE A AMÉRICA PENSA DA ADOPÇÃO DA NUMERAÇÃO ÁRABE NOS SEUS CURRÍCULOS ESCOLARES
(Republicação porque tudo continua na mesma: o que agora se promove por Inteligência Artificial é apenas o contraponto à Estupidez Natural...)
Esta não é apenas mais uma daquelas sondagens a que os norte americanos costumam ser submetidos e que costumam produzir resultados embaraçosissimos quando às (in)competências produzidas pelo seu sistema de ensino. Os autores desta sondagem mostraram-se particularmente pérfidos quando apresentaram aos seus 3.624 inquiridos uma falsa questão: a de saber se os estabelecimentos de ensino nos Estados Unidos deviam ou não ensinar a numeração árabe como parte do seu currículo?... Como se vê acima, e admitindo uma margem de erro de 3%, os resultados são, mesmo assim, arrasadoramente conclusivos: 29% dos inquiridos responderam que sim, 56% responderam que não e 15% preferiram não emitir opinião. Numa simplificação numérica, em 7 americanos, apenas 2 responderam afirmativamente, e eu prefiro acreditar que a esmagadora maioria dos que o fizeram, o terão feito porque sabiam que, desde sempre, nos Estados Unidos se usou a numeração árabe de forma preponderante quando em concorrência com a numeração romana. Mas o que é sociologicamente interessante do resultado da sondagem é o comportamento da ampla maioria de 5 em 7 americanos que mostra não fazer a mínima ideia do que se lhe estava a perguntar. E aí, entre esses 5 americanos simbólicos, apenas 1 deles teve a humildade de assumir a sua ignorância. Os outros 4 optaram por se orientar por aquilo que lhes parecesse familiar na pergunta, e como árabe é qualquer coisa que para eles tem uma conotação negativa, opuseram-se, mesmo inconscientes que o faziam a respeito do sistema de numeração que lhes foi ensinado nas escolas e com o qual estão familiarizados! Para mim, não é apenas a demonstração (indesmentível) de intolerância; é sobretudo de reter o valor desproporcionado que se dá às inúmeras sondagens que se publicam por aí, mostrando o que os americanos (e outros) pensam. Será que os americanos que pensam são suficientes para conferir validade às amostras das sondagens?... (Este é um problema das sondagens que não me lembro do Pedro Magalhães ter falado...)
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08 maio 2024
O ANÚNCIO DO BOICOTE SOVIÉTICO AOS JOGOS OLÍMPICOS DE LOS ANGELES
8 de Maio de 1984. O Comité Olímpico Soviético anúncia que que o seu país não se faria representar nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, programados para arrancarem em 28 de Julho, dali por treze semanas. A notícia era acompanhada de outra, a disposição da Polónia em seguir o exemplo soviético. Até à data do início dos jogos, treze outros países da esfera de influência soviética aderiram ao boicote, num total de quinze países. Mas, ao contrário do que a notícia acima titula, dificilmente se poderia considerar a atitude dos soviéticos uma "bomba". Era apenas a retaliação - esperada - pelo boicote que, por sua vez, os Estados Unidos haviam promovido aos Jogos Olímpicos de Moscovo em 1980, que (des)mobilizara cerca de sessenta países. Por essa contagem, no final os Estados Unidos venceriam a União Soviética. Mas no que diz respeito à capacidade de cada um deles ter estragado a festa desportiva do outro, o resultado ter-se-á saldado por um empate.
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28 abril 2024
QUANDO OS EXERCÍCIOS SE TORNAM MAIS SANGRENTOS QUE AS BATALHAS – SLAPTON SANDS (ABRIL DE 1944)
(Republicação)
Até 1944, a História do Século XX já havia demonstrado como as operações anfíbias, em que se procura desembarcar de surpresa em território inimigo podem ser propensas a correrem mal. As condições naturais favorecem os defensores em terra, permitindo-lhes movimentar homens e meios a um ritmo superior ao dos desembarques dos atacantes. Os britânicos já haviam descoberto isso em Abril de 1915, em Galipoli, na Turquia, e haviam-no relembrado em Agosto de 1942, em Dieppe, na França.
Foi muito gradualmente, que os dois Aliados Ocidentais começaram a adquirir a sua experiência prática: primeiro, apenas contra os franceses de Vichy, no Norte de África, em Novembro de 1942, depois já contra inimigos mais empenhados (italianos e alemães), na Sicília, em Julho de 1943. Em qualquer destas duas Operações (Torch e Husky) a taxa e a variedade dos incidentes registados mostrou-se ser tal que obrigou os planeadores a uma organização cada vez mais rigorosa deste tipo de operações.
A abertura de uma Frente na Europa Ocidental teria que ser feita da mesma forma, começando por uma grande Operação anfíbia que veio a ser conhecida pelo nome de Overlord. Como a maioria das tropas que iriam participar nessa Operação eram ainda inexperientes, foram conduzidos enormes exercícios prévios, simulando, tanto quanto era possível, nas praias arenosas do Sul de Inglaterra e da Cornualha (abaixo), as condições que os soldados poderiam encontrar ao desembarcar.
Um dos maiores riscos associados à realização desses exercícios consistia na proximidade das costas francesas e na possibilidade associada que as unidades navais alemãs se fizessem convidar inesperadamente para participarem no exercício, transformando-o numa situação de guerra real. E foi isso precisamente o que aconteceu a 28 de Abril de 1944 (há precisamente 80 anos), quando uma flotilha de lanchas rápidas alemãs (como a apresentada abaixo) atacou um comboio de lanchas de desembarque em exercícios.
Duas lanchas foram incendiadas e uma terceira torpedeada pelas lanchas rápidas alemãs antes que o contra-ataque dos navios de escoltas as afastasse. Uma das lanchas de desembarque afundou-se e uma das que se incendiou teve que ser abandonada. Aquele incidente provocou 640 mortos, a maioria dos quais afogados apesar de quase todos envergarem coletes de salvação. Não se antecipara a existência de meios de salvamento que retirassem tantos homens da água antes que a hipotermia os matasse.
Foi mais uma das lições aprendidas antes da realização da Operação Overlord a 6 de Junho de 1944: as colunas de lanchas de desembarque foram acompanhadas de pequenos navios de salvamento para a eventualidade de uma delas se afundar. Nesse dia, os militares norte-americanos que estiveram envolvidos neste incidente em Slapton Sands vieram a desembarcar na praia baptizada de Utah Beach onde sofreram cerca de 200 baixas, menos de um terço do que lhes haviam custado os exercícios…
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