13 de Outubro de 1973. A estreia do teatro da Cornucópia teria sido um acontecimento perfeitamente banal, não fosse a disputa, travada 43 anos mais tarde, sobre se Marcelo Rebelo de Sousa teria estado presente ou não nessa estreia. O encenador Jorge Silva Melo assegurava que não e um presidente da República tratado como rotundo mentiroso é sempre um embaraço social. Portanto, este é o dia em que, há cinquenta anos, Marcelo disse que tinha estado naquela estreia. Contudo, mesmo elegido por duas maiorias robustas para o cargo, o presidente Marcelo nunca foi pessoa reconhecida pelas convivência franca e leal com a Verdade.
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13 outubro 2023
23 agosto 2023
UM POVO MUITO IGUAL A SI PRÓPRIO OU O GNR QUE PALMOU A PALMEIRA...
A história pode contar-se muito sucintamente. Numa das suas obras de requalificação, a Câmara de Cascais plantado «várias centenas de espécies arbóreas em todas as zonas ajardinadas, nomeadamente palmeiras jovens com menos de dois metros de altura». «Passado pouco tempo da requalificação, os funcionários da autarquia notaram que tinham sido roubadas várias espécies arbóreas, nomeadamente palmeiras, bem como programadores de rega.» A autarquia resolveu replantar novas árvores para substituir as roubadas, só que, desta vez, puseram localizadores GPS em algumas das espécies mais valiosas, como as palmeiras. E a história repetiu-se. Só que desta vez, os localizadores permitiram localizar para onde haviam ido as palmeiras. A notícia ganha contornos insólitos quando a polícia municipal veio a descobrir uma delas «na casa de um homem que se identificou como sendo militar da GNR», «na Aldeia do Juzo» (portanto, ainda no mesmo concelho de Cascais).
Mas a parte verdadeiramente interessante da notícia começa no momento em que o tal militar da GNR, em sua defesa, «alegou ter encontrado a palmeira no lixo»... Ou seja, a querer convencer os outros que alguém fora roubar originalmente a palmeira onde fora colocada, mas apenas para depois a colocar no lixo. E é nestes momentos que constatamos, seja um antigo banqueiro como Ricardo Salgado ou um antigo político como José Sócrates, até a um modesto militar da GNR, todos somos um povo com uma falta de sentido inata para aquilo que tem de ser uma desculpa plausível. Entre passar pelo ridículo de apresentar uma desculpa disparatado e a dignidade de ficar calado para não nos enterrarmos, não nos contemos, não sabemos ficar calados, insultando a inteligência de todos os outros...
27 dezembro 2020
OS FIASCOS COMPROVADOS DA ASTROLOGIA JORNALÍSTICA
27 de Dezembro de 1980. O aproximar do fim do ano é época consagrada para a costumeira treta das previsões astrológicas para o ano seguinte e este exemplo de há quarenta comprova a prática. Porque o assunto não tem préstimo jornalístico sem alguns factos bombásticos que despertem a atenção ao leitor, os daquele ano, previsões para 1981 portanto, previam logo as mortes do dirigente da União Soviética (Brejnev), daquele que viria a tomar posse desse cargo nos Estados Unidos (Reagan) e ainda de um dos mais badalados da comunicação social no ano que terminara, Khomeiny do Irão. Um fiasco em toda a linha: sabia-se que a saúde de Brejnev (74 anos) não era das melhores, mas ele iria durar até 1982; Reagan (69 anos) até virá a sofrer um atentado, mas sobreviver-lhe-á e durará oito anos no poder e quase dezasseis depois disso (2004); quanto a Khomeiny, o mais idoso dos três e já octogenário quando das previsões (80 anos), perdurará até 1989. A conjunção entre Júpiter e Saturno, que nos é dada como explicação para tal hecatombe de dirigentes políticos, repetiu-se há muito pouco tempo, e eu estou em pulgas para saber quantos é que vão morrer em 2021... Em contraste com tanta morte anunciada e não concretizada, numa passagem do texto pode ler-se que o ano que se iniciaria seria «difícil para o presidente egípcio Anwar Sadat», dificuldades que, em comparação com a mortandade supracitada, os acontecimentos posteriores transformaram num daqueles eufemismos excessivos... (Sadat morreu assassinado numa parada militar em 6 de Outubro de 1981)
11 dezembro 2020
QUANDO UM FIASCO SE ANUNCIA UM FIASCO...
...é missão de um jornal, para além de o noticiar, enfatizar e recordar quem prometeu que tudo correria bem. Em contraste com o título acima do Público, no lado esquerdo da imagem estão as promessas feitas por sete magníficos defensores do Brexit (a começar pelo primeiro-ministro Boris Johnson) a respeito das facilidades em atingir um acordo com a União Europeia (transposta, vale a pena esclarecê-lo, do The Guardian). Um fiasco é um fiasco e uma grande aldrabice é uma grande aldrabice. Essa é que é a notícia. Uma coisa apropriada na notícia do Público é mesmo a expressão de Boris Johnson, no estilo de dizer aos (e)leitores: «acreditaram em mim? se calhar, não deviam...»
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