4 de Abril de 1949. Com destaque de primeira página e amplo desenvolvimento noticioso nessa e na última página, noticia-se a assinatura solene do Pacto do Atlântico. Assinam-no doze países: Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Reino Unido. Portugal faz-se representar na cerimónia pelo veterano José Caeiro da Mata, ministro dos Negócios Estrangeiros. Se a sua fotografia na primeira página é demonstrativa de uma certa ingenuidade daquela época para com as novas artimanhas publicitárias (o logotipo da TWA bem à vista quando descia do «avião em que cruzou o Atlântico»), o teor das suas declarações publicadas na última página mostra as preocupações da diplomacia portuguesa com o sucesso que alcançara: não excitar demasiado os ciúmes do regime espanhol (que fora proscrito da NATO).
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04 abril 2019
26 maio 2018
A ISLÂNDIA MUDA OS SENTIDOS DO TRÂNSITO
26 de Maio de 1968. Há precisamente cinquenta anos, e quase nove meses depois da Suécia o ter feito (operação cujo cinquentenário também foi aqui foi assinalado no blogue), a Islândia torna-se o último país nórdico a alterar os sentidos do trânsito para a tradicional condução pela direita. Após isso e na Europa, circulando pela esquerda, só ficaram a restar as ilhas britânicas.
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12 março 2018
A ISLÂNDIA DESINTERESSA-SE DE PERTENCER À UNIÃO EUROPEIA
12 de Março de 2015. Há três anos e confirmando as promessas eleitorais feitas nas eleições de 2013, o governo islandês tornou oficial o seu desinteresse em aderir à União Europeia. Reconheça-se que o ímpeto europeísta da Islândia só se tornara oficial em 2009, depois do país se ter visto subitamente a braços com uma assustadora crise financeira (2008). Mas o cinismo islandês terá sido duplicado pelo cinismo da comissão europeia que não se condoeu de todo com as atrapalhações da Islândia e quis aproveitar a oportunidade para sacar umas concessões adicionais. Ao contrário de outros processos de adesão que se andam a arrastar por décadas, este da Islândia durou menos de meia dúzia de anos. Mas também é verdade que depois das admissões ocorridas neste Século XXI, a Europa perdeu uma parte substancial do seu charme, já deixam entrar qualquer um... começa a ser chique ser-se como a Suíça e a Noruega: não se misturar com a ralé.
31 outubro 2016
OS PIRATAS E A PIRATARIA DA FORMAÇÃO DA OPINIÃO
Porque se trata de um país tão remoto quanto a Islândia, há um punhado de semanas eu nem imaginava que um partido conhecido por Partido Pirata mostrava hipóteses de ganhar as próximas eleições legislativas islandesas. Mais, se em vez de semanas, eu conseguisse o distanciamento de regressar alguns anos ao passado, eu consideraria impensável que uma formação política com uma tal designação pudesse ter mais ambições do que exprimir o seu protesto anti-sistema. E contudo, depois de alcançar 14,5% dos votos nas eleições legislativas de ontem, triplicando a votação anterior, a revista The Economist consegue explicar-nos, ainda nesse mesmo dia (abaixo), quanto esse Partido Pirata sofrera uma grande derrota... contra as sondagens. Estivesse-se na Guerra Fria e tratasse-se de um Partido Comunista Islandês e os 14,5% deixariam os redactores da The Economist cheios de comichões. Aqui e ali apercebe-se cada vez mais que esta coisa de deixar as pessoas continuar a votar está a tornar-se cada vez mais incómoda... E por isso cada vez irá ser mais necessário defender a Democracia - a genuína.
27 junho 2016
INGLATERRA - ISLÂNDIA
Para quem não saiba, não é por não ser frequente e nem por envolver potências muito díspares que o próximo desafio de futebol entre a Inglaterra e a Islândia não arrasta atrás de si o peso de conflitos históricos importantes e recentes (1958-1976), porém esquecidos: neste caso, o das três Guerras do Bacalhau.
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09 maio 2012
O «MATCH» DO SÉCULO
Há alguns países da Europa que sempre foram considerados mais intrinsecamente “neutrais” durante a Guerra-Fria: a Áustria, a Finlândia (que foi escolhida para o local de assinatura da Acta de Helsínquia em 1975), a Suíça…e a frequentemente esquecida Islândia. Norte-americanos e soviéticos escolheram a capital islandesa, Reiquiavique, para local da realização da Cimeira que juntou Mikhail Gorbachev e Ronald Reagan em Outubro de 1986 mas já antes disso a cidade fora escolhida para local da realização do Campeonato Mundial de Xadrez em Julho de 1972.
Essa edição de 1972 do Campeonato Mundial de Xadrez enquadrava-se perfeitamente no espírito da Guerra-Fria que era então uma constante da situação internacional: um norte-americano contestava pela primeira vez o título a um soviético, quando os jogadores de origem soviética haviam dominado hegemonicamente aquela disciplina nos últimos 45 anos. Era uma história cheia de potencial, daquelas declaradamente inspiradas em David contra Golias, mas infelizmente o xadrez deve ser das modalidades mais exigentes para aqueles que a queiram acompanhar.
Contornando isso, a cobertura noticiosa da comunicação social ocidental estava repleta de fait-divers para que aqueles que queriam acompanhar o match por clubismo mas não percebessem nada de xadrez ficassem com a sensação que estavam a par do assunto. E, contando com a complexa personalidade do concorrente norte-americano, Bobby Fischer (1943-2008 - acima), os torcedores não podiam ficar menos desapontados com essa cobertura periférica sobre o que estava a acontecer em Reiquiavique. Fischer começou logo por faltar à cerimónia de abertura e por pedir mais dinheiro…
Na verdade, o que os ocidentais queriam evitar mostrar à sua opinião pública era que o seu campeão era um geek (acima). Em contraste, a imagem do seu opositor Boris Spassky (1937- ) era muito mais favorável (abaixo), nada conforme com a do russo patibular com ar de espião da Guerra-Fria. No tabuleiro contudo, depois de perder as duas partidas iniciais (e a segunda foi perdido por falta de comparência…), Fischer venceu a terceira, quinta, oitava, décima, décima terceira e vigésima primeira partidas (contra apenas a 11ª partida para Spassky), vencendo o Campeonato com 12½ pontos!
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14 janeiro 2012
SURTSEY – A MAIS JOVEM ILHA DO ATLÂNTICO
Em 14 de Novembro de 1963, um navio pesqueiro que navegava a algumas milhas ao largo da Costa sudoeste da Islândia (mapa acima) deparou-se com uma enorme coluna de fumo que resultava da erupção de um vulcão submarino.
Com o cume do vulcão situado originalmente a uma profundidade de 130 metros, dada a potência da erupção, veio-se a assistir então, pela primeira vez depois do aparecimento da vulcanologia, ao nascimento de uma ilha em pleno Oceano.
Mais do que uma explicação geológica sumária do fenómeno, este poste pretende ser uma pequena compilação de fotografias sempre espectaculares da gigantesca luta ali travada entre os elementos primitivos da água e do fogo.
A erupção prolongou-se por cerca de três anos e meio até cessar. Nessa altura, Junho de 1967, a nova ilha, que havia sido baptizada Surtsey, atingira uma área de 270 hectares e uma altitude máxima de 173 metros (abaixo).
De então para cá, apenas a água e o ar têm permanecido activos e a ilha, enquanto é colonizada por flora e fauna (focas, aves e insectos), tem também vindo a diminuir por causa disso: a sua área actual já está reduzida a metade da original.
Esclareça-se ainda que esta última referência à inexorabilidade das forças abrasivas da Natureza não é uma alusão indirecta a outros desgastes em episódios vulcânicos ocorridos noutras ilhas Atlânticas…
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11 setembro 2011
ROCKALL, O PEQUENO ILHÉU EM DISPUTA
Nesses tempos de glaciação, em que o nível dos oceanos era muito mais baixo do que na actualidade, tanto que as ilhas britânicas estavam ligadas ao continente, havia uma ilha adjacente em pleno Atlântico (assinalada com uma circunferência vermelha) num local onde hoje não existe mais nada senão um pequeníssimo ilhéu chamado Rockall.
O ilhéu actual será o que resta da montanha mais alta dessa ilha (um antigo vulcão), uma rocha com uns 750 m² de base e uns 20 metros de altura. Apesar da sua pequenez, mas por causa dos direitos marítimos associados, é um dos focos de discórdia entre países da Europa, envolvendo as pretensões do Reino Unido, Irlanda, Islândia e Dinamarca… 10 setembro 2011
AS GUERRAS DO BACALHAU
No outro dia, ao comprar bacalhau, escolhi uma variedade da Islândia, decisão que me fez recordar as Guerras do Bacalhau, episódio antigo e discreto que merece a distinção de ser recuperado para os episódios bizarros da História deste blogue. Como as Guerras Púnicas da Antiguidade, também as do Bacalhau foram três, no final das quais uma das grandes potências mundiais – o Reino Unido – teve de se dar, como acontecera outrora com Cartago, por completamente vencida. Mas terminam aí as analogias entre as duas guerras: romanos e cartagineses disputaram a supremacia no Mediterrâneo Ocidental; islandeses e britânicos, apenas o direito de pescar bacalhau nas águas da Islândia…
A primeira Guerra iniciou-se em Setembro de 1958 como consequência da decisão islandesa de alargar as suas águas territoriais das 4 para as 12 milhas náuticas. A segunda aconteceu catorze anos depois (Setembro de 1972), quando a mesma Islândia criou uma Zona Exclusiva de Pescas de 50 milhas náuticas em redor da ilha. Finalmente, a última Guerra iniciou-se três anos depois, em Novembro de 1975, em consequência do prolongamento dessa Zona como Zona Económica Exclusiva (ZEE) para as 200 milhas náuticas, uma figura jurídica que se veio a tornar consensualmente aceite no Direito internacional – tanto que, ironicamente, até o próprio Reino Unido a veio a adoptar…
A última Guerra (1975-76) distinguiu-se pela amplitude da escalada diplomática. Tanto a Islândia como o Reino Unido eram (ainda são) membros da NATO, mas a benigna e continuada neutralidade da organização tanto irritou o governo do Primeiro-Ministro Geir Hallgrímsson que este resolveu-se a usar a carta diplomática do abandono islandês da NATO e a consequente desactivação da importantíssima Base Aeronaval de Keflavik, controlo da saída dos submarinos nucleares soviéticos da Esquadra do Mar do Norte. Joseph Luns, o secretário-geral da NATO de então, tornou-se o mediador de uma solução que fundamentalmente satisfez as pretensões dos islandeses em detrimento dos britânicos...
Posto o problema naqueles termos, a quem mandava (Estados Unidos), interessava-lhes muito mais a sua segurança colectiva contra ameaças de ataque nuclear do que o eventual destino dos empregos de alguns milhares de marinheiros escoceses… Ironicamente, a Base de Klefavik acabou por perder importância com o fim da Guerra-Fria e os norte-americanos evacuaram-na em 2006.
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12 novembro 2009
ALIANÇA POPULAR, A FEPU/APU/CDU DA ISLÂNDIA
Para contar a história desta Aliança Popular será necessário prestar algumas explicações adicionais sobre a Islândia (acima, a bandeira do país), sobre a sua história, sobre a situação da Europa Ocidental durante a Guerra-Fria e sobre a história das coligações políticas em Portugal desde 1975. Esta última será a parte mais simples de explicar: desde 1976 que o Partido Comunista Português (PCP) não se apresenta sozinho a eleições. Nesses 33 anos, a coligação que tem sido formada por aquela organização com mais uns amigos que gravitam à sua volta, já se chamou FEPU, APU e CDU (abaixo), conforme os amigos. E já se apresentou a 19 eleições legislativas e autárquicas.
Surpreendentemente, uma das potências que tem um particular interesse na Islândia é a Rússia. A ilha tem a localização ideal para bloquear as ligações marítimas entre os seus portos do Oceano Árctico (como Murmansk) e o Oceano Atlântico. Foi para evitar que uma potência continental (nesse caso, a Alemanha, então aliada da União Soviética na sequência da assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop) desfrutasse dessa vantagem, que os britânicos ocuparam a Islândia em Maio de 1940. A Islândia, permanecendo neutral, mas entretanto tornada independente (Junho de 1944), continuou sob ocupação aliada (britânica e norte-americana) até ao fim da Segunda Guerra Mundial - abaixo, tropas canadianas da guarnição.
As organizações de esquerda da Islândia foram-se inspirar nas suas designações às suas congéneres alemãs. Foi assim que, à esquerda do Partido Social-Democrata, num processo de fusões alimentado por dissidências oriundas desse partido, apareceu um partido islandês filiado no Comintern(*) designado por Socialista. Partido esse que, pelas razões apontadas no parágrafo acima, foi muito apoiado pelos soviéticos imediatamente depois da Segunda Guerra Mundial, para que a Islândia adoptasse uma política externa neutral. Já então (eleições de 1946), os socialistas islandeses (comunistas), obtiveram um resultado eleitoral apreciável, com 19,5% dos votos, à frente dos social-democratas com 17,5%.
Mas o Parlamento (acima) era dominado pelos partidos da direita (Independência e Progressivo, que haviam recebido 62,6% dos votos no conjunto) e foi sob o governo deles que a Islândia acabou por aderir à NATO em 1949, apesar dos socialistas terem tentado transportar a oposição à decisão para protestos nas ruas (abaixo), uma ocasião que, pela sua raridade, se tornou histórica. Apesar da Islândia ser um daqueles típicos países nórdicos, tornados famosos pelos seus altos padrões de vida e pelos seus governos sociais-democratas, contava no seu espectro político com um partido comunista que era mais forte do que o social-democrata e, proporcionalmente, um dos mais fortes da Europa Ocidental.
Em 1956, possivelmente tentando alargar a sua base de apoio, a formação coligou-se com mais uma dissidência dos sociais-democratas, formando a já mencionada Aliança Popular que, de coligação, veio a transformar-se definitivamente num partido em 1968. Com este último, atingiu-se o climax dos resultados eleitorais: 22,9% nas eleições de 1978. Não se assumindo claramente como comunistas, o posicionamento da Aliança quanto à política externa era explícito e em favor das opções russo-soviéticas e não se distinguia, por exemplo, daquele que era então o posicionamento do PCP quanto a essas questões fundamentais: era contra a permanência da Islândia na NATO, contra a adesão do país à União Europeia, etc.
Chegou a fazer parte do governo islandês. Por cinco vezes: 1956-58, 1971-74, 1978-79, 1980-83 e 1988-91. A Aliança Popular (símbolo acima) ainda sobreviveu bem ao impacto da queda do Muro, mantendo uns digníssimos 14,4% e 14,3% nas eleições de 1991 e 1995(**). Em 1998, os seus dirigentes optaram por concorrer numa mais ampla frente de esquerda, incluindo outras formações, designada Aliança Social-Democrata que depois se veio a tornar numa nova formação política em 2000. Em Portugal, também neste aspecto da dinâmica partidária parecemos ser mais conservadores que os islandeses. O PCP, aparece coligado consigo mesmo há 33 anos mas a fórmula, que se assume garantida, está para durar…
(*) Organização comunista internacional, também conhecida por III Internacional, fundada em 1919 em Moscovo, e que supervisionava e coordenava a actividade dos partidos comunistas nacionais. Foi dissolvida em plena Segunda Guerra Mundial (1943).(**) Quem dera à CDU, que obteve 8,8% e 8,6% nas eleições desses mesmos anos…
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27 junho 2009
O IMPÉRIO COLONIAL DINAMARQUÊS
Talvez por causa da correcção política que se costuma associar aos povos escandinavos, o povo colonizador mais esquecido de todos os que a Europa conta será, com muita probabilidade, o dinamarquês. A verdade é que, ao longo da sua História, a Dinamarca chegou a possuir colónias em quatro continentes (Europa, África, Ásia e América) e ainda hoje a Gronelândia e as Ilhas Faroe, embora gozando de uma ampla autonomia interna, são dependências da Dinamarca.
Como acontece também com as duas regiões autónomas portuguesas no Atlântico, Açores e Madeira, as Ilhas Faroe e a Gronelândia foram, conjuntamente com a Islândia, as primeiras regiões de colonização, ainda durante a Idade Média, e também as que permaneceram ligadas à metrópole depois do fim do Império. Contudo, a comparação não é linear, porque a colonização nas terras do Norte do Atlântico foi realizada também por noruegueses, escoceses e irlandeses.
As relações entre metrópole e dependências não têm assim as características de proximidade e, sobretudo, de exclusividade, como aquelas que vigoram entre Portugal, a Madeira e os Açores. Ainda recentemente, a Rainha da Dinamarca, quando em visita à Gronelândia, apareceu vestida com o fato tradicional daquela região (acima). Apesar do teor dos discursos de Alberto João Jardim, ainda não parece necessário que o casal Cavaco Silva faça o mesmo com o trajo madeirense…
Mas os dinamarqueses foram muito mais longe do que o Atlântico. O local mais distante onde se instalaram foi a Índia, onde fundaram uma feitoria em 1620 em Tranquebar, na Costa do Coromandel, no actual estado indiano de Tamil Nadu. Em 1675 fundaram uma outra no estado de Bengala, próxima de Calcutá. Em 1755 reivindicaram as insalubres Ilhas Nicobar, no Golfo de Bengala. Em 1845, o conjunto foi vendido aos britânicos, já hegemónicos no subcontinente.
Outro dos locais em que os dinamarqueses se instalaram foram as costas do Golfo da Guiné, nas paragens correspondentes ao Gana actual, onde os dinamarqueses conquistaram e reforçaram, ou edificaram de raiz, vários fortes e feitorias desde 1658 até se retirarem da região em 1850. O propósito das feitorias era, principalmente, o comércio de escravos para as Américas e, com a abolição da escravatura e a extinção do tráfico, os dinamarqueses venderam-nas aos britânicos.
Nas Caraíbas, os dinamarqueses ocuparam em 1673 algumas das Ilhas Virgens que ficaram a ser conhecidas pelas Ilhas Virgens Dinamarquesas. As ilhas eram o destino principal dos escravos que eram comprados no Golfo da Guiné, para trabalharem nas plantações de açúcar. A abolição da escravatura (1848) tornou-as economicamente desinteressantes. Também foram vendidas em 1917 mas, sinal dos tempos, os compradores dessa vez foram os Estados Unidos (*).
Quanto às possessões europeias, em 1874 a Dinamarca concedeu a autonomia à Islândia e em 1918, através da Assinatura de um Acto de União, a Islândia ascendeu à soberania plena em que compartilhava o monarca com a Dinamarca. Ao tornar-se uma República em 1944, a Islândia rompeu os últimos vínculos que a ligavam à Dinamarca. Depois da Guerra, as autonomias concedidas às Ilhas Faroe e à Gronelândia parecem encaminhá-las num percurso semelhante.(*) Actualmente são conhecidas pelas Ilhas Virgens americanas para as distinguir das vizinhas Ilhas Virgens britânicas.
05 outubro 2008
NUMBER ONE
O Number One neste caso não é o nosso estimado José Mourinho, mas sim a Islândia. Aquele país nórdico, despovoado (320.000 habitantes distribuídos por uma área um pouco maior do que Portugal – 103.000 km²), exótico e misterioso, havia alcançado, a partir de 2007, o primeiro lugar na classificação mundial dos países quando ordenados segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, destronando a Noruega.
Na apreciação que o Le Monde dele fazia no seu Balanço Mundial para 2008, ainda havia oportunidade para chamar à Islândia Pequeno Tigre do Atlântico Norte, embora alertasse para o aquecimento da sua economia provocado pela pressão do consumo, que levara a taxa de inflação a atingir os 5,2% em 2007, e que forçara o Banco Central Islandês a subir a sua taxa directora para uns anómalos 13,75%, como medida dissuasora.
Contudo, quem escreveu o relatório respeitante à Islândia, apesar de reconhecer a desaceleração do crescimento económico em 2007 (+1,8% contra os quase 5% nos vários anos anteriores), considerava-o conjuntural (como era a baixa inesperada das quotas de pesca, especialmente a do bacalhau) e reconhecia as bases sólidas da economia islandesa, traduzidas numa taxa de desemprego de 1%. O tom geral era de optimismo.
De repente, as notícias que nos chegam da Islândia, dão-nos a impressão que o paraíso se transformou num inferno mais de acordo com o vulcanismo que grassa na ilha. As autoridades trabalham febrilmente num plano para injectar 10 mil milhões de euros no sistema financeiro para evitar que ele entre em colapso, quando já há depositantes em fila à porta das agências bancárias, para se certificarem da segurança do que possuem.
Os islandeses não estão a passar fome como os sudaneses, embora haja já notícias de quem esteja a açambarcar alimentos, especialmente os importados como azeite e massa, com receio de que o crédito externo da Islândia seja suspenso. Mas embora não seja credível que a Islândia se venha a tornar assim de repente num país do terceiro mundo, esta reviravolta faz-nos reflectir sobre a solidez e a verdade dos indicadores da ONU…16 abril 2008
«SIDESHOWS» DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (4) – A INVASÃO DA ISLÂNDIA DE MAIO DE 1940
Nos primórdios da Segunda Guerra Mundial, se os alemães não se tivessem antecipado por algumas horas, teriam sido muito provavelmente os britânicos a invadir a Noruega antes deles... Os alemães chegaram a 9 de Abril, mas no dia seguinte a Royal Navy* (que também já andava por aquelas paragens…) travava a primeira batalha naval de Narvik contra a Kriegsmarine*. Embora embrulhados numa proclamação grandiloquente de Winston Churchill (Humanity, rather than legality, must be our guide**), os britânicos foram tão implacáveis quanto os alemães a cilindrar soberanias e neutralidades alheias.
Na expectativa de um contra-ataque germânico o contingente britânico na ilha cresceu dos 750 elementos originais até atingir os 25.000 homens (acima), o que se tornou uma bênção para a economia islandesa, por expandir de uma forma colossal o seu limitado mercado consumidor. Sendo um país extenso (a ilha tem uma área de 103.000 km², é ligeiramente maior que Portugal), ele é também escassamente povoado. Naquela época, a sua população rondaria apenas cerca de 125.000 habitantes o que, considerando o corpo expedicionário britânico (e canadiano), elevava a proporção entre habitantes e ocupantes para uns abafantes 5 para 1…
Mas a partir de 7 de Julho de 1941, e dados os inúmeros compromissos das forças britânicas nos vários Teatros de Operações, mas agora através de um Acordo formal prévio entre a Islândia e os Estados Unidos (que na época ainda eram neutrais), os britânicos foram sendo substituídos progressivamente pelos norte-americanos, o que constituiu um impulso ainda maior para a economia islandesa. Eram mais (chegaram a ultrapassar os 40.000) e, sobretudo, estavam mais bem abonados***… No meio de tanta prosperidade, em Maio de 1944**** e através de um referendo, a Islândia tornou-se totalmente independente da Dinamarca. * A Royal Navy e a Kriegsmarine eram as Armadas do Reino Unido e da Alemanha, respectivamente. A Wehtmacht, as Forças Armadas alemãs.
** A Humanidade, em vez da legalidade, é que nos deve orientar.
*** O pré de um soldado norte-americano, quando colocado no estrangeiro, era substancialmente mais elevado que o dos soldados dos outros exércitos aliados.
**** Portanto, antes do desembarque dos Aliados na Normandia (6 de Junho).
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