Se a defecção para o Ocidente de qualquer expoente da cultura soviética se tornava normalmente um acontecimento maior no quadro da guerra-fria, a do bailarino Rudolf Nureyev (1938-1993), que teve lugar em 16 de Junho de 1961 em Paris foi-o ainda mais. Para além dos pormenores rocambolescos de quem se decide a desistir de embarcar de volta a Moscovo no próprio aeroporto, o desertor assim tornado ainda mais famoso, não passou muito tempo incorporando eventuais culpas por aquele gesto, pois no mês seguinte adquiria ainda mais notoriedade mundial, se possível, ao chocar tanto o Leste donde fugira, quando o Ocidente que o acolhera, com a publicação desta fotografia, tornada famosa, onde aparece nu, da autoria do fotógrafo Richard Avedon. Descobria-se com ela, e especialmente para as almas menos sensíveis às questões culturais, mas mesmo assim sempre interessadas nas rivalidades Leste-Oeste, que o Ocidente ganhara alguém que era dotado, senão mesmo sobredotado, e não apenas para a dança... Em contrapartida, para a enorme legião das suas admiradoras, terá sido um desapontamento confirmarem-se simultaneamente os rumores que Nureyev era homossexual. Virá aliás a morrer de complicações geradas pela SIDA ainda contava 54 anos.
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20 abril 2016
09 maio 2012
MR. MAGELLAN
Duas memórias recentes se conjugaram para me fazerem lembrar deste esquecido Mr. Magellan, um daqueles heróis secundários da BD que sabe bem ter esquecido para agora os relembrar. A primeira foi Billy Elliot, um filme britânico de 2000 que tem vindo a ser repetido num qualquer canal da TV Cabo e que conta a história de um miúdo de 11 anos e do seu gosto pelo ballet. A outra foi aqui no blogue com Skblllz, uma personagem exótica da BD concebida por Geri, pseudónimo de Henri Ghion.
Ora acontece que Ghion era o desenhador desta outra série de BD, que se intitulava Mr. Magellan. Este último era um engenheiro que trabalhava para uma organização internacional denominada I.T.O. encarregada de ensaiar protótipos de novas invenções. Um intelectual com uma manifesta predilecção pelas coisas boas da vida, Magellan era também um bailarino consumado, hobby que embora o desenrascasse em algumas situações melindrosas (acima), não seria de molde a emparelhá-lo com James Bond…
20 setembro 2010
PERSONAGENS COLATERAIS DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1) – MATA HARI
Mais do que a coreografia da dança propriamente dita, o principal da carreira foi gerir a fantasia (Margaretha era afinal uma princesa de origem malaia e religião hindu que se casara com um oficial holandês de quem entretanto se separara por causa dos ciúmes possessivos deste…) e a reputação: Mata Hari era, antes de mais, uma cortesã, que dava prestígio social por se ter sido seu amante. Entre amantes verdadeiros e os que se reclamam de o ter sido, a lista é extensa, chegando a uns 150 nomes…
Quando a Guerra começou (1914) já Margaretha tinha 38 anos e o apogeu de qualquer das duas carreiras já passara. Havia que arranjar novas fontes de rendimento e é mais do que provável que, gozando do estatuto da sua nacionalidade (os Países Baixos eram neutros), Mata Hari fizesse os seus biscates para os dois lados no campo das informações. Até que as investigações dos franceses sobre as suas actividades vieram coincidir com a crise político-militar por que passaram na Primavera de 1917.
O tempo leva à opinião quase unânime (a excepção é francesa…) que Margaretha foi tratada nas investigações e julgamento como um bode-expiatório dos fracassos franceses. Condenada à morte, foi fuzilada em 15 de Outubro de 1917¹. Mais do que as outras fotografias posadas, a que mais impressiona são estas últimas, tiradas quando da sua prisão. Quanto ao seu outro papel, vai ser preciso esperar 57 anos para que uma outra holandesa faça suspirar a audiência com a sua sensualidade exótica (abaixo)…
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05 agosto 2010
TRAVOLTA, O DANÇARINO
É lendária cá em casa a minha impenetrabilidade à beleza estética da dança – para mim o Quebra-Nozes é principalmente para se ouvir e, volta e meia, é recontado o episódio em que, em vez de apreciar a estética da actuação de umas bailarina, estava mais preocupado com o aspecto exótico das coifas com que elas se passeavam de um lado ao outro do palco…
É por isso com as cautelas de insensível que emito a minha opinião sobre estes dois vídeos de dança, separados por 17 anos, e protagonizados pelo mesmo dançarino: John Travolta. Pertencem aos filmes Saturday Night Fever (1977) e Pulp Fiction (1994). Se as cenas já me pareciam originalmente ridículas, o tempo não lhes terá feito muito bem…
Em benefício do vídeo mais recente (o de baixo, que me parece ser uma espécie de evocação do vídeo anterior), regista-se o muito maior equilíbrio dado (em protagonismo) aos dois dançarinos (Travolta e Uma Thurman) e também a questão da evolução do estilo de John Travolta, não só mais pesado como, de uma certa forma deliberada, agora em jeito canastrão…
É por isso com as cautelas de insensível que emito a minha opinião sobre estes dois vídeos de dança, separados por 17 anos, e protagonizados pelo mesmo dançarino: John Travolta. Pertencem aos filmes Saturday Night Fever (1977) e Pulp Fiction (1994). Se as cenas já me pareciam originalmente ridículas, o tempo não lhes terá feito muito bem…
Em benefício do vídeo mais recente (o de baixo, que me parece ser uma espécie de evocação do vídeo anterior), regista-se o muito maior equilíbrio dado (em protagonismo) aos dois dançarinos (Travolta e Uma Thurman) e também a questão da evolução do estilo de John Travolta, não só mais pesado como, de uma certa forma deliberada, agora em jeito canastrão…
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