17 de Agosto de 1960. A França concede a independência ao Gabão. A ocasião é apenas mais uma de um frenesim gaulês que começara logo no princípio daquele mês, em dias alternados, e que começara pela independência do Daomé em 1 de Agosto, a que se seguira a do Níger no dia 3, a do Alto Volta no dia 5, a da Costa do Marfim no dia 7, a do Chade no dia 11, a da República Centro Africana no dia 13, a do Congo no dia 15 e esta, do Gabão, há precisamente sessenta anos. Para rematar, no dia 20 de Agosto, o Senegal, que se tornara independente da França numa federação conjuntamente com o Mali havia precisamente dois meses(!), resolve romper aquela estrutura e assumir-se como uma nação independente (voltaremos a este último episódio na respectiva data). Entretanto este querido mês de Agosto de 1960, e apenas à conta da França, produzirá nove novas bandeiras(!), que aparecem dispostas acima no sentido tradicional da leitura pela data da acessão dos respectivos países à independência. Concorde-se que o conjunto é assaz colorido, não se tratassem elas de novas nações africanas... Nestes 60 anos, algumas delas mudaram de nome, o Daomé para Benim, o Alto Volta para Burkina Faso. Ambos esses países mudaram de bandeira, conjuntamente com o Congo, mas tanto o Benim quanto o Congo retornaram às originais de 1960 e só o Burkina Faso adopta actualmente uma diferente.
Mostrar mensagens com a etiqueta Costa do Marfim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Costa do Marfim. Mostrar todas as mensagens
17 agosto 2020
05 abril 2011
A DISPUTA DA PRESIDÊNCIA MARFINESA
Os acontecimentos dos últimos seis meses da Costa do Marfim, têm uma História anterior que não é nada simples, mas a história da Costa do Marfim a partir dessa data pode ser contada de forma jornalisticamente simplificada para benefícios dos leitores. Realizaram-se umas eleições presidenciais naquele país em 31 de Outubro de 2010. Tratou-se até daquelas eleições sofisticadas, das que precisam de uma segunda volta para apurar um vencedor absoluto – que teve lugar a 28 de Novembro seguinte.
Com o escrutínio deste segundo acto eleitoral, a história ganhou uma dimensão humana: passou a haver um bom e um mau. O bom é o candidato Alassane Ouattara (acima), aquele que a maioria dos escrutinadores e os observadores internacionais encarregues de acompanhar o processo eleitoral deram como vencedor das eleições. O mau é o presidente Laurent Gbagbo (abaixo), mas a polícia e o exército marfinenses acham que foi ele que ganhou as eleições – opiniões sempre a levar em consideração… 10 dezembro 2010
ATENTADOS À DEMOCRACIA, A VERDADEIRA
Aquilo que recentemente se passou na Costa do Marfim, e que tão desapercebido tem passado entre o Mundo da Informação, é uma demonstração de como ainda é premente que se travem combates pela democracia em todo os lugares do Mundo onde eles são precisos e não apenas naqueles locais seleccionados pelo outro Mundo (o da Informação) para manipular as nossas emoções em função de conveniências geoestratégicas. A história é simples, tem muito de dejá vu e constitui a enésima confirmação de que existe uma incomensurável distância entre uma verdadeira democracia e a organização de cerimónias mais ou menos legítimas onde os cidadãos de um país são convidados a exprimir a sua opinião através de boletins de voto. As eleições presidenciais na Costa do Marfim andavam a ser adiadas desde 2005…
E, quando se chega a estes extremos, todos sabemos como os militares e a polícia sabem contar votos muito melhor que os civis… Se, pelas contas deles, dizem que foi Gbagbo o vencedor então é verdade, porque o armamento costuma ser um argumento decisivo em democracia. Mais a sério e sem ironias, tudo aponta para que o regime de Gbagbo, se sobreviver, se venha a tornar em mais um dos estados párias da comunidade internacional como, por exemplo, o Zimbabué de Mugabe. Não deixa de ser curioso como estes casos entre países remotos, mas afastados das fronteiras das disputas entre grandes blocos geopolíticos, acabam por não despertar a mesma atenção e condenação moral, também aqui na blogosfera, que despertam outros casos de países igualmente remotos (a Birmânia ou as Honduras), que estão localizados nessas fronteiras estratégicas…
Etiquetas:
Costa do Marfim,
Estratégia,
Informação
Subscrever:
Mensagens (Atom)
