11 de Julho de 2014. Ocasião para lembrar como foi a conduta dos responsáveis políticos e financeiros no caso do colapso do Banco Espírito Santo, neste caso concreto o então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. E para relembrar que o tão propagado escrutínio alternativo da comunicação social (o tal quarto poder...) foi uma vergonha. Claro que não se pode pedir à própria comunicação social que agora faça - pelo décimo aniversário - uma evocação séria do seu próprio fiasco.
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11 julho 2024
08 julho 2024
O DIA DO 7-1 DA ALEMANHA AO BRASIL
8 de Julho de 2014. O placard do jogo acima acabou com um Brasil 1 x Alemanha 7. Acresce à humilhação do muito mau aspecto da derrota, o facto de ela ter ocorrido em Belo Horizonte, durante o Mundial de Futebol, em que o Brasil estava a ser o anfitrião e quando as duas selecções disputavam já a meia-final, visando o jogo que decidiria o título. Para além da tragédia nacional que aquele placard representou, o Brasil destacou-se pela rapidez como fizeram humor da situação e como arranjaram logo um bode expiatório, o treinador Felipão.
E como é costume no Brasil, o(s) paineleiro(s) é que tinha(m) explicação para tudo! (abaixo) Aquele é um país em que o que é bom é ser-se paineleiro. Aliás, ontem e a propósito dos comentários nacionais às eleições franceses e aos golpes de rins a que se assistiu, percebeu-se que Portugal também é um bom país para se ser paineleiro.
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06 julho 2024
OBSERVEM COMO A SIC AINDA O DEIXA POR AÍ À SOLTA...
Aquilo que João Marques de Almeida representa (em termos de imbecilidade) para a comunicação social portuguesa escrita tem o seu correspondente audiovisual na pessoa de José Gomes Ferreira. Também com ele se constatam dez anos de previsões (disparatadas) encadeadas, que são acompanhadas da mais completa impunidade.
Em Julho de 2014, portanto há precisamente dez anos, podemos apreciá-lo acima a jurar pela solidez do Banco Espírito Santo (BES) numa antecipação desastrada ao desfecho de que todos nos lembramos...
Pouco mais de um ano depois, em Novembro de 2015 vêmo-lo falando em economês, mas a agoirar descaradamente o futuro, por causa da perspectiva da formação próxima do governo da geringonça...
Mas, mais do que isso, a prodigiosa capacidade intelectual de José Gomes Ferreira fê-lo transbordar dos terrenos estritos da Política para a (um certo género de) História e mesmo para a Astronomia (como se constata acima)
E demonstrativo que o tempo passa e ele não lhe perde o jeito, ainda em Novembro passado e em plena crise política desencadeada pela demissão do primeiro-ministro António Costa, ei-lo a abocanhar acriticamente um falso tweet desse mesmo António Costa. O seu colega Bernardo Ferrão mal disfarça o desdém enquanto lhe corta a palavra...
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01 julho 2024
OBSERVEM COMO O OBSERVADOR AINDA O DEIXA POR AÍ À SOLTA...
1 de Julho de 2014. O quase recém nascido Observador ainda anda à procura de nomes de colunistas que o projectem. E então desencantaram este João Marques de Almeida. Nem vale a pena desancá-lo. Basta que o leitor leia o que ele há precisamente dez anos antecipava que aconteceria com a candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa. Ou então aquilo que, noutro rasgo de presciência, nem duas semanas depois, augurava para o futuro do Bloco de Esquerda (abaixo). Mas o que eu considero verdadeiramente prodigioso, não é apenas, nem sobretudo, João Marques de Almeida ter escrito estes disparates há dez anos e ter saído impune. O prodígio é ele ter continuado a escrever aleivosias deste mesmo género, e o Observador ter continuado a dar-lhe palco por dez anos a fio. Ainda lá continua. Entre a colecção de disparates que tem escrito mais recentemente, destaco, mais pelo impacto imediato dos títulos do que pelos conteúdos: Miguel Morgado para o Parlamento Europeu (não foi sequer escolhido) ou então O Chega ajuda a democracia portuguesa (tem-se visto a ajuda que o governo da AD tem recebido do Chega!). O que é misterioso nestes casos não é a existência destes medíocres, são os processos misteriosos que os fazem subsistir com esta projecção por anos a fio.
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30 maio 2024
DEPOIS DE PEDRO ÁLVARES CABRAL, MAS ANTES DE... JORGE JESUS
30 de Maio de 2014. O jornal Público dá um destaque de duas páginas à história de um treinador de futebol português chamado Paulo Morgado que fora procurar fazer carreira para o Brasil. O retrato é de uma mediocridade confrangedora: «São clubes profissionais que trabalham como amadores. Os jogadores não respeitam os horários e os dirigentes são demasiado emocionais, chegando ao ponto de despedir treinadores no intervalo de um jogo. A maior parte dos técnicos não tira cursos há 15 ou 20 anos. E sem qualidade de treino, não há qualidade de jogo. Os jogos aqui não têm muita qualidade, são anárquicos. Os sistemas tácticos são ultrapassados. Ainda se usa muito o 3 ˣ 5 ˣ 2 e o chuto para a frente.» Se então se presumia que continuava a ser verdade que o Brasil era uma potência futebolística, nomeadamente por causa do manancial de jogadores dotados que gerava, a verdade é que parecia constituir uma benesse que esses craques fossem desde cedo jogar para o estrangeiro, para se habituarem a processos de trabalho verdadeiramente evoluídos. O que era irónico naquela situação é que o diagnóstico parecia estar bem feito, mas os próprios brasileiros recusavam-se a compreender que, sendo jeitosos a jogar a bola, eram uma merda em tudo o resto que se relacionava com a indústria do futebol. Incluindo a actividade de paineleiro de televisão. Cinco anos depois da notícia acima, podemos apreciá-los a boicotarem com toda a veemência a contratação do treinador português Jorge Jesus pelo Flamengo (abaixo).
...creio que aqui todos conhecerão o resto da história e os cinco títulos conquistados pelo Flamengo numa época (2019/20). Ao nível técnico de treinadores, já se ultrapassou a fase d«o 3 ˣ 5 ˣ 2 e o chuto para a frente» e o Brasil evoluiu imenso nestes últimos cinco anos, porque outros treinadores portugueses se seguiram a Jorge Jesus. Ao nível de dirigentes desportivos e, sobretudo, de paineleiros televisivos, isso é que eu já não sei, porque, mesmo já tendo abordado o assunto aqui no blogue, na verdade não presto grande atenção ao tópico. Também, não vale a pena: tendo evoluído bastante, o futebol no Brasil continua a ser, comparativamente, uma merda em relação ao futebol europeu. Espero, ao menos, que a maioria dos brasileiros se tenha tornado mais modesta e menos xenófoba no futebol, porque a lição que apanharam sobre qualidade do futebol foi dolorosa. Não todos: este exemplar da mediocridade vigente que aparece abaixo, por exemplo, resolveu fazer uma fita quando confrontado com aquilo que lhe tínhamos ouvido previamente mais acima sobre Jorge Jesus.
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21 maio 2024
A PEQUENA TRIBUNA POLÍTICA DE RICARDO ARAÚJO PEREIRA
20 de Maio de 2014. O quinto tempo de antena do Livre para as eleições europeias de dia 25 de Maio seguinte contam com a presença da estrela televisiva Ricardo Araújo Pereira. E contudo, a imensa popularidade do artista não se veio a traduzir em votos nas urnas, já que a lista do Livre, encabeçada por Rui Tavares, se ficou pelos 71.600 votos, ou seja o correspondente a metade daqueles que viriam a ser necessários para eleger um eurodeputado. O resultado é contraditório com aquilo que se anuncia sobre as audiências televisivas dos programas mais populares - por exemplo, ainda no princípio deste ano, o mesmo Ricardo Araújo Pereira com o «Isto é gozar com quem trabalha» alcançava uma audiência de 1.163.000 telespectadores! Ora uma tal discrepância de números entre os votos e as audiências (até mesmo porque é plausível que nem todos os votantes do Livre terão sido convencidos por Ricardo Araújo Pereira), só se poderão dever a que:
a) A influência e as recomendações das personalidades mais populares da televisão sobre as audiências televisivas está absurdamente sobrestimada; ou
b) O que está absurdamente sobrestimado serão os números das audiências televisivas, já que os dos votos são devidamente escrutinados.
Em suma, isto de se ser influencer nos dias que correm são estatutos que precisariam de ser auditados.
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20 maio 2024
UM «CAVALHEIRO» DE UMA SÓ PALAVRA, CUJA REELEIÇÃO NÃO FOI PROBLEMÁTICA
A curiosidade é a notícia ter precisamente dez anos e a constatação é que, roubando os dizeres do anúncio do famoso dentífrico se poderia escrever: «Palavras para quê? É um artista russo e não usa pasta medicinal Couto!»
Por outro lado, falando de um outro assunto correlacionado, hoje termina - tecnicamente - o mandato de cinco anos de Volodymyr Zelensky. A situação apresenta-se muito confusa. Há um artigo da Constituição ucraniana que estabelece que o presidente é eleito para um mandato de cinco anos; mas há outro artigo que diz que o presidente em exercício exercerá o poder até que o novo presidente seja empossado. Uma terceira lei (embora essa não tenha valor constitucional) condiciona a que as eleições não podem ser realizadas enquanto a lei marcial estiver em vigor, que é o que tem acontecido na Ucrânia desde que a Rússia iniciou a sua invasão em grande escala em Fevereiro de 2022.
Aprecie-se finalmente o contraste deste problema ucraniano com as ditas eleições presidenciais russas de Março de 2024, que foram ganhas magnanimamente por Vladimir Putin com 88,5% dos votos!
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19 maio 2024
DEZ ANOS DE UM ÓRGÃO CENTRAL DE UM PARTIDO QUE NÃO CONCORRE A ELEIÇÕES
Há dez anos apareceu o Observador. Funciona como o órgão central de uma formação política... só que não há formação política. Do lado direito do espectro político e substituindo neste caso o fundamentalismo liberal pelo fundamentalismo marxista-leninista de antanho, o Observador é assim como uma espécie de Luta Popular do veterano MRPP... só que não há MRPP por detrás. Nem mesmo a Iniciativa Liberal. E, não havendo MRPP, aquilo que o Grande Educador daquele jornal proclama não é avaliado pelos votos dos portugueses. O Grande Educador do Observador é José Manuel Fernandes e, para quem não saiba, o seu antepassado do Luta Popular do século passado, chamava-se Arnaldo Matos.
Arnaldo Matos, quando se apresentou a eleições pela primeira vez em Abril de 1976, recebeu 36.200 votos e, depois disso, nunca mais ninguém o considerou Grande e tornou-se evidente que eram poucos, tanto da classe operária como doutras, aqueles que estavam os dispostos a receber a sua educação... O jovem José Manuel aprendeu na época a lição de que, para se ter a reputação de Grande Educador - apreciemo-lo acima, ainda há dois meses, a tentar educar o então potencial primeiro-ministro Luís Montenegro - o melhor é não se submeter a votos. O que é importante é o prodígio de continuar a estar sempre presente no circuito do comentário televisivo. É uma maneira espertalhona, mas não muito digna, de se estar na política.
Há dez anos fingia-se que se tratava de um jornal. Mas como se trata realmente de um projeto político, a realidade é que não interessa verdadeiramente o formato. Dez anos entretanto passados e paulatinamente está transformar-se numa rádio... As pessoas lêem cada vez menos e há que doutriná-las de outra maneira. Mas sempre sem ir a votos, que é para não haver necessidade de mostrar QUANTOS é que eles são (ou representam)...
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17 maio 2024
A SAÍDA (LIMPA) DO PROGRAMA DA TRÓICA... AND «THE ROAD TO GROWTH»
17 de Maio de 2014. Os dez anos entretanto passados permitem-nos escolher esta fotografia de Carlos Moedas - então ainda secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - como a imagem mais simbólica do cumprimento do programa da tróica. Nela Moedas está a segurar num relatório que as legendas qualificam como «a estratégia do governo». O título do mesmo está em inglês: «The Road to Growth». A estrada para o crescimento, que é a tradução literal do título do relatório orgulhosamente empunhado por Carlos Moedas, essa efabulada estrada para o crescimento é que não se viria a revelar à altura da mensagem: constatamos hoje, recorrendo ao Pordata, que o crescimento do PIB português naquele ano de 2014 se cifrou nuns meros 1,5%; pior do que isso, só em 2015 é que o PIB português voltaria a atingir os valores que registara em 2010. Hoje, é razoável admitir que a intervenção da tróica em 2011 se tornara indispensável por causa da obtusidade de José Sócrates. Mas também é razoável admitir que essa intervenção e o modo como ela se fizera tivera um impacto substancial no crescimento e desenvolvimento da economia portuguesa - daí a economia portuguesa ter perdido cinco anos para retornar em 2015 ao nível onde estivera em 2008 e 2010. Hoje isso é óbvio para todos. Em 2014, ao menos os especialistas deviam já ter percebido isso. Por isso, a carinha laroca de Carlos Moedas a segurar num prospecto escrito em inglês a falar de uma estrada para o crescimento só o torna ou num imbecil ou num hipócrita. Abaixo apresentamos um aspecto particular da dita estrada para o crescimento do dossier do Carlos Moedas.
26 abril 2024
ZERO DE ABRIL
(Republicação destacando o 10º aniversário de um daqueles costumeiros disparates de Vasco Pulido Valente a que as/os groupies do sujeito davam grande publicidade, numa demonstração viva que o 25 de Abril também se fez para que os aldrabões das histórias recebessem uma promoção imerecida)
Muito mais instrutivo do que o título que a entrevistadora (Ana Sá Lopes) escolheu para a entrevista que fez a Vasco Pulido Valente acerca da forma como este terá vivido o dia 25 de Abril de 1974 (e os dias que se seguiram), será o exercício de comparar as declarações que ele ali lhe prestou com a visão que Maria Filomena Mónica dá desse dia e desses mesmos acontecimentos no seu livro Bilhete de Identidade (pp. 315-319). Ambos concordam ter passado o dia com o outro (Fui acordado de manhã e depois fui com a Maria Filomena Mónica para a rua. Fomos ao Largo do Carmo, andámos por ali. – ele – A 25, pelas dez horas da manhã, (o Vasco) chegou a minha casa. Dirigimo-nos para o Largo do Carmo. – ela). Ela mais superficial e evocativa do tempo ou do que vestia (…estava uma manhã cinzenta e com nortada. Lembro-me de ter saído de casa com uma camisa branca sob um casaco verde.), ele mais chão nesse tipo de memórias avulsas (...fui almoçar a um restaurante pegado ao elevador da Glória). Mas verificam-se algumas contradições evidentes nas duas histórias: Ela queria ir à PIDE, mas eu disse que era melhor não irmos. (…) Aquilo devia ter sido um ponto estratégico se o Movimento das Forças Armadas tivesse sido conduzido por alguém com alguma inteligência.... Maria Filomena Mónica ter-se-á marimbado para a hipotética inteligência estratégica do companheiro e tê-lo-á arrastado: Ao princípio da tarde, fomos até à sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso. (…) reinava a paz dos sepulcros.
Mas o mais estranho que terá escapado a Maria Filomena Mónica foi o verdadeiro prodígio da electrónica realizado naquela tarde histórica de Abril, quando Vasco Pulido Valente voltou ...para o carro e consegui(u) ouvir – porque se ouvia nas telefonias dos carros – a banda de rádio da GNR. (…) O comandante a dizer: «É melhor acabarmos com isto senão isto ainda vai dar uma chatice.» Vasco Pulido Valente considera esta última frase inesquecível. Eu considero – para além da coincidência do Vasco ter apanhado a parte mais sumarenta do diálogo – todo o processo da escuta tecnicamente brilhante. Basta pensarmos como Garcia dos Santos teria andado no quartel da Pontinha a montar um complexo sistema de intercepção de comunicações para aquele dia, quando o Vasco Pulido Valente lhe poderia ter resolvido boa parte do problema só com o rádio do carro… Para além da verosimilhança, a versão daqueles dias escrita por Maria Filomena Mónica tem a vantagem de ser, não só mais desenvolvida, mas também intelectualmente mais modesta (Os dias que se seguiram foram passados na companhia do Vasco, tão surpreendido quanto eu com o que se estava a passar) e de ser ilustrada com uma fotografia (tirada pela Micuxa Galvão Teles) de uma honestidade simbólica: nela se vêem os dois a zero, coscuvilheiros, com Vasco Pulido Valente apropriada e simbolicamente nos bicos de pés atrás da multidão, a tentarem ainda assim perceber o que se estaria a passar.
Tomando por inspiração aquilo que Vasco Pulido Valente diz(ia) que devemos aos capitães de Abril, também aquilo que ele narra(va) sobre a forma como vive(ra) aqueles dias é de fidedignidade zero - como quase tudo o que Vasco Pulido Valente escrevia, de resto...
14 março 2024
«TOO SHY»
(Republicação de 14 de Março de 2014, quando Carlos Moedas ainda era um tímido - very shy - secretário de Estado que sussurava coisas aos ouvidos de Maria Luís Albuquerque)
Too Shy, Kajagoogoo
(Os mercados) olham para uma nova equipa de gestão como uma boa notícia, porque há muito tempo não dão credibilidade ao Governo português (do PS). Assim que os mercados incorporem a informação de que o PSD vai respeitar as metas do défice, e fará tudo o que for necessário para que se cumpram essas metas até porque foi o PSD que sempre anda atrás do Governo para cortar, essas agências voltarão a dar credibilidade a Portugal. Com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o «rating», não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 meses. (Carlos Moedas em Março de 2011)
(Em 2010) era uma pessoa da sociedade civil, que olhava para um país em que a sua divida externa se estava a acumular a 10% ao ano. (...) Não tinha absolutamente ligação nenhuma ao que seria o futuro, não imaginava o futuro. Felizmente, houve a capacidade em Portugal de entrar por um caminho que era o caminho que evita essa reestruturação. (...) O contexto de hoje é muito diferente. É um contexto em que (...) escolhemos um caminho de reformas e um caminho que nos permite hoje olhar para os nossos credores, para os nossos parceiros internacionais, com confiança no futuro. (Carlos Moedas em Março de 2014)
Este secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro (era) um dos mistérios mais insondáveis do elenco d(aquele) XIX Governo Constitucional. Levá-lo a sério implicaria perguntar-lhe onde se enganara nas contas que f(izera) em 2010 ou convidá-lo a explicar-se porque os «ratings» não subiram nem nos 6, nem nos 12, nos 18, nos 24, nem sequer nos 36 meses que decorreram desde (que o governo a que pertencia tomara posse). Será porque «não tinha absolutamente ligação nenhuma ao que seria o futuro»?
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10 março 2024
COMPAREMOS ENTÃO A NOSSA DEMOCRACIA COM A DA COREIA DO NORTE
Hoje, que é dia de eleições, recordemos a notícia acima, de há precisamente dez anos, sobre eleições que haviam tido lugar na Coreia do Norte. Eleições onde havia «um único candidato designado pelo partido único para cada uma das 687 circunscrições do país»... Felizmente os portugueses têm hoje muita mais escolha: há 19 partidos e coligações a concorrer a estas eleições em Portugal. E entre esses 19 há um partido cujos dirigentes manifestaram aprofundadas dúvidas que a liberdade de escolher os seus dirigentes políticos seja condição indispensável para a existência de uma verdadeira Democracia, como se comprova mais abaixo. É nestes dias que se vê quanto a verdadeira Democracia é Grande, é tolerante até para com aqueles que mostram não saber em que é que ela consiste.
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08 março 2024
O DESAPARECIMENTO DO BOEING 777 DA MALAYSIA AIRLINES
8 de Março de 2014. Hoje completam-se dez anos desde que o voo de passageiros MH370, um Boeing 777 da Malaysia Airlines desapareceu por completo. Continua «por explicar», sendo um dos maiores mistérios da aviação da história. É impensável que um enorme avião Boeing 777 com 239 pessoas a bordo possa simplesmente desaparecer sem deixar qualquer rasto, esqueça-se lá a explicação para o sucedido. As múltiplas buscas realizadas ao longo da última década não conseguiram revelar nem a localização dos principais destroços, nem sequer os corpos das vítimas. Este desfecho (que se deseja provisório) parece enterrar as teorias conspiratórias que postulam que toda a superfície terrestre está sobre vigilância permanente e que, mesmo que os acontecimentos não sejam rastreados em tempo real, podê-lo-ão ser posteriormente. A teoria não funcionou no caso do MH370, a não ser que cubramos essa teoria da conspiração com outra ainda mais conspiratória, a de que haverá quem saiba onde se afundou o Boeing 777, mas não quer dizer, para não mostrar as suas capacidades de vigilância. Em tudo isto, o que é evidentemente infinito não é a imaginação, é a estupidez.
21 fevereiro 2024
RECORDANDO UMA FRASE POLITICAMENTE SUICIDA
21 de Fevereiro de 2014. Neste dia, quando se celebra precisamente o décimo aniversário, o actual presidente do PSD conseguia o destaque da comunicação social ao proferir a frase acima. A ideia que o então líder da bancada parlamentar do principal partido do governo da época pretenderá transmitir não é desprovida de méritos nem de razoabilidade, mas, para isso, precisaria de ser devidamente enquadrada e explicada, o que estaria muito para além das capacidades explicativas de quem a proferiu e muito para além das capacidades de atenção daqueles (os jornalistas) a quem se destinava. Normalmente, fosse o PSD um partido saudável e pletórico de quadros ambiciosos, como o foi no último quartel do século XX, e as consequências desta frase muito infeliz seriam irremediavelmente nefastas para as futuras ambições de Luís Montenegro. Só que o PSD do século XXI é o que é e já mostrou que não aprendeu nada com erros de palmatória como a colocação de uma inutilidade como Pedro Santana Lopes à frente do governo em 2004 e de uma completa inexperiência como Pedro Passos Coelho à frente do governo em 2011. Mas parece-me desnecessário adoptar este discurso crítico que parece uma descompostura ao colectivo dos militantes do PSD que, apesar de tudo, escolheram Luís Montenegro para os dirigir neste potencial retorno ao poder. A escolha foi deles e estamos a 18 dias de eleições legislativas - vamos saber se tenho razão ou não e ver o que o futuro nos reserva. Entretanto, recordemos um pouco do que então se escrevia a respeito de Montenegro e da sua famosa frase.
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15 fevereiro 2024
RECORDANDO O «FAUX PAS» DOS RELATÓRIOS DO AMIANTO... E O QUE NADA DE CONCRETO SE FEZ A RESPEITO
15 de Fevereiro de 2014. Um dos tópicos do momento era o amianto nos edifícios públicos. E, como se pode ler acima na parte destacada, o próprio primeiro-ministro Passos Coelho havia prometido durante o debate quinzenal na Assembleia da República que uma lista daqueles edifícios estaria concluída dentro de dois meses. De passagem, havia o remoque para os governos que haviam antecedido o seu desde 2002: a lista devia ter sido feita há 11 anos! Contudo, a promessa solene do primeiro-ministro rapidamente se tornou numa paródia quando, uma semana depois, se constatou que aquela lista ou semelhante já havia, o que nunca houvera fora disposição para actuar na remoção do amianto dos edifícios que o continham ou poderiam conter! Trabalho preparatório que não acarretasse grandes custos, isso houvera, sim, trabalho efectivo, isso é que não! E o governo de Passos Coelho também não fugiu a essa tradição: também ele apresentou (mais) uma lista de edifícios com amianto (embora já se soubesse que ela era dispensável) e que também não se tenha cumprido o prazo de dois meses que Passos Coelho havia prometido (foram precisos cinco meses e meio para apresentar a lista que se sabia ser desnecessária...). Mas também, quem é que cumpre prazos em Portugal, para mais quando o produto do trabalho é inútil?... E também não consta que, depois das listas todas elaboradas, a antiga e a nova, e na posse de toda aquela riqueza informativa, o governo de Passos Coelho se tenha esmerado em acções rápidas e concretas para recuperar tempo perdido na remoção do reconhecido agente cancerígeno. Há dez anos, temos aqui um exemplo clássico de política: fingir que se vai fazer, mas nada se faz, mas ainda assim aproveitar para criticar os outros que o precederam. E pensar que há quem tenha saudades deste gajo...
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07 fevereiro 2024
UM PEQUENO FIASCO VISUAL DA CERIMÓNIA DE ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS DE SOCHI
7 de Fevereiro de 2014. Têm início os Jogos Olímpicos de Inverno, organizados pela Rússia na cidade de Sochi. Durante a extensa cerimónia de abertura (3h30), houve um pequeno incidente quando um dos anéis olímpicos falhou (acima). O pormenor, incluindo o processo soviético como ele não foi retransmitido para os espectadores russos, tornou-se o tema favorito como a generalidade da comunicação social ocidental cobriu o acontecimento. O destaque dado ao incidente afigurava-se excessivo, intolerante, mas a distância do decénio que entretanto decorreu torna-o simbólico e premonitório do que era a progressiva dissociação entre a Rússia e os restantes países ocidentais, que tinha razões muito mais profundas do que coreografias falhadas. Dali por apenas 15 dias, a 22 de Fevereiro de 2014, o parlamento ucraniano irá votar a deposição do presidente (pró-russo) Viktor Ianukovytch. Moscovo irá retaliar com a realização de um referendo e a anexação da Crimeia logo no mês seguinte (Março de 2014). Em 24 de Março daquele ano, o G7, as sete maiores economias ocidentais, que se transformara em G8 com o convite feito à Rússia em 1997, reverte à sua forma original - sem Rússia. Isso era muito mais significativo do que o anel que não funcionou...
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24 janeiro 2024
UMA PÁGINA INTEIRA DE M....
A edição do Público de 24 de Janeiro de 2014 dedicava uma página inteira às «buscas» que se estavam a realizar à casa de «José Manuel Canavarro, antigo membro do governo de Santana Lopes, actual deputado do PSD e antigo consultor do grupo de educação GPS» que estava «a ser investigado por alegada corrupção». Quem se der ao trabalho de ler o artigo compreende que se trata de um texto redigido com «alegada» prudência jornalística. «Contactado pelo Público, José Manuel Canavarro afirmou que não "queria comentar nada sobre esse assunto". O assunto eram «as suspeitas do crime de corrupção». O desfecho daquelas «suspeitas» podêmo-lo apreciar seis anos e dez meses depois num título de um artigo da revista Visão: arquivamento. Este suspeito era do PSD, mas este é apenas mais um exemplo das palhaçadas espalhafatosas lançadas pelos jornais com o contributo dos procuradores do MP e cujo desfecho se perde depois num esquecimento conveniente. (adenda: nem de propósito, hoje eclodiu mais um caso com Miguel Albuquerque, presidente do governo regional madeirense; a carreira política dele passou à história mas é desejável, para credibilidade de todo o nosso sistema social, político e judicial, que o episódio de hoje não se venha a revelar uma reedição das acusações de há dez anos contra José Manuel Canavarro...)
Precisamente sobre este tema da manipulação da comunicação social pelo ministério público permitam-me recordar um excelente filme de 1981 intitulado no original «Absence of Malice» (A Calúnia). Apesar de estrelado por Paul Newman e Sally Field e realizado por Sidney Pollack e de possuir uma grande cena cena de representação protagonizada pelo secundário Wilford Brimley, este filme é, muito provavelmente, o mais subestimado de toda a filmografia de Pollack. Porque jornalistas e procuradores saem ambos muito maltratados dele, não custa perceber o porquê da colocação deste excelente filme no fundo da gaveta.
Precisamente sobre este tema da manipulação da comunicação social pelo ministério público permitam-me recordar um excelente filme de 1981 intitulado no original «Absence of Malice» (A Calúnia). Apesar de estrelado por Paul Newman e Sally Field e realizado por Sidney Pollack e de possuir uma grande cena cena de representação protagonizada pelo secundário Wilford Brimley, este filme é, muito provavelmente, o mais subestimado de toda a filmografia de Pollack. Porque jornalistas e procuradores saem ambos muito maltratados dele, não custa perceber o porquê da colocação deste excelente filme no fundo da gaveta.
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25 dezembro 2023
FELIZ NATAL
(O que era bom neste blogue há 10 anos, continua bom. As coisas de qualidade nunca passam de moda)
- Imagino se lhe poderei solicitar a sua atenção por uns breves momentos para ter para consigo um gesto que não é, nem por sombras, uma obrigação desagradável e que se tornou, com o decorrer dos anos, uma prática governamental mais ou menos corrente quando nos aproximamos da fase terminal do ano – o civil, claro, não o fiscal - na realidade, e mesmo não querendo ser demasiado rebuscado, esta Penúltima Semana. Submetendo-lho com a maior deferência, para sua apreciação numa ocasião que considere mais propícia, mas numa sincera e sã expectativa – quiçá confiança – quiçá poder-se-á ousar dizer mesmo esperança – que o período supramencionado poderá ser considerado, depois de feito um balanço prévio, quando todos os factores relevantes foram devidamente tidos em consideração e numa apreciação global que os faz ser tidos em conta de uma forma que não pode, nem por sombras, vir a ser considerada negativa nos seus efeitos e que os propiciará, em análise final, virem a ser considerados bases para uma apreciação, na sequência de uma reflexão amadurecida, que seja conducente à geração de um grau de satisfação que pode ser classificado, sobretudo quando avaliado em retrospectiva, significativamente mais elevado do que aquilo que seria a média expectável.
- Está a tentar desejar-me Feliz Natal, Humphrey?
- Yes, Minister.
22 novembro 2023
CASEI COM UMA POETISA
(Republicação a assinalar o décimo aniversário do acontecimento)
Por causa da apresentação feita por Fernando Pinto do Amaral, ninguém deve ter saído da apresentação de Caminho dos Ossos com dúvidas que… Casei com uma Poetisa.
30 outubro 2023
A APRESENTAÇÃO DO TÃO AGUARDADO «GUIÃO» PARA A REFORMA DO ESTADO
30 de Outubro de 2013. Depois do slogan ter sido continuamente brandido sem nunca ser concretizado, Paulo Portas vê-se compelido pelo próprio Passos Coelho a apresentar um documento que sustente aquilo que se entenderá por reforma do Estado, no formato de um guião de 112 páginas. Houve quem, mais do que o ler ou então tentar ler, e antes de desistir, tivesse montado uma nuvem de palavras com o conteúdo do documento. Ao fim destes dez anos que hoje se completam, a nuvem funciona como uma síntese da mediocridade do conteúdo, um encadeado de truísmos, desprovidos de qualquer séria fundamentação política. E em escassas 112 páginas nunca caberia qualquer indicação, ainda que sucinta, de como implementar o preconizado. No momento em que Paulo Portas precisava de mostrar a sua densidade política, demonstrou que não tinha qualquer densidade ideológica ou qualquer outra, não passava de um tacticista, com uma grande determinação pelo poder - também se poderia dizer um cabrão sem escrúpulos - acompanhada de uma grande habilidade para manipular a comunicação social (de onde viera para a política, aliás). De resto, não havia mais nada, como se acabara de ver quatro meses antes, no episódio da demissão irrevogável. Metaforicamente, tantas, tão unânimes e tão arrasadoras eram as críticas ao conteúdo do guião, que parecia que todos os amigos políticos que forjara ao longo da sua ascensão se haviam concertado no momento para arriar em Paulo Portas, agora que ele estava no chão. Desde então, não houve promoção (como esta abaixo) que conseguisse recuperar a reputação daquele que fora, mais do que líder, antigo proprietário do CDS/PP.
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