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04 julho 2024

O FIM DE TODOS OS RACIONAMENTOS NO REINO UNIDO

4 de Julho de 1954. Só neste dia é que se assinala o fim do racionamento de qualquer produto no Reino Unido. Imposto por causa da Segunda Guerra Mundial, que durou seis anos (1939-45), prolongou-se por mais nove anos depois de ela ter terminado (1945-54).
Numa desforra apenas natural, dali por dez anos, em 1964, os mesmos britânicos elevavam esta outra canção ao seu top de vendas de discos, «Downtown» (a Baixa, em tradução muito livre), um verdadeiro hosana ao consumismo.
Como coincidência adicional, hoje os britânicos vão a votos depois de terem votado para sair da União Europeia em 23 de Junho de 2016, tendo abandonado essa mesma UE em 31 de Janeiro de 2020. O assunto parece encerrado.

20 junho 2024

«SÓ DE PENSAR EM TI»

20 de Junho de 1934. Esta é a versão original de «The very thought of You», uma canção que veio a ser interpretada por Bing Crosby, Billie Holliday, Doris Day, Nat King Cole, Frank Sinatra, Natalie Cole, Elvis Costello ou Brian Ferry. Contudo, a canção foi originalmente lançada em disco em Inglaterra há 90 anos, interpretada por Al Bowlly (1898-1941), um cidadão do mundo, filho de pai grego e mãe libanesa, nascido em Lourenço Marques (Moçambique), crescido na África do Sul, músico e intérprete de jazz em tournées. Veio a ser uma das vítimas da Blitz em Abril de 1941. Apesar da sua morte prematura, aos 43 anos, Bowlly possui uma imponente discografia, que é completamente desconhecida porque a sua carreira decorreu muito antes da fase de promoção do negócio discográfico.

10 março 2024

OS SONS DO SILÊNCIO

(Republicação)
A 10 de Março de 1964 a dupla Simon & Garfunkel gravava a canção The Sounds of Silence. Com o sucesso, que incluiu ter feito parte da banda sonora de um dos filmes icónicos da década de sessenta, The Graduate (1968), o título veio a perder a subtileza inicial de que o silêncio tinha mais do que um som...

Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sounds of silence

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sounds of silence

And in the naked light I saw
Ten thousand people maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never shared
No one dared
Disturb the sounds of silence

"Fools," said I, "you do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you"
But my words like silent raindrops fell
And echoed in the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
And the sign said "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls
And whispered in the sounds of silence"

13 janeiro 2024

O INÍCIO DA PROMOÇÃO DOS ÊXITOS DISCOGRÁFICOS

13 de Janeiro de 1949. Como se vê por este anúncio de jornal, importando o modelo (e os ídolos) norte-americano(s), sintoma da hegemonia cultural que os Estados Unidos estavam a exercer sobre a Europa, começava a aparecer em Portugal a promoção discográfica àquilo que se veio a denominar por música ligeira (em contraponto à música clássica daqui originária). Para que o leitor tenha uma melhor ideia de como eram os sucessos da época, adiciono abaixo o primeiro sucesso de Bing Crosby da lista acima.

12 dezembro 2023

«ANYONE WHO HAD A HEART»

No dia do 83º aniversário de Dionne Warwick, a recordação do seu primeiro grande sucesso discográfico, editado originalmente em Novembro de 1963 nos Estados Unidos.

05 outubro 2022

O INÍCIO DE UMA DÉCADA AUSPICIOSA PARA A IMAGEM DA GRÃ BRETANHA

5 de Outubro de 1962. Por coincidência, trata-se do dia do lançamento do primeiro disco dos The Beatles e também o dia da estreia do primeiro filme de James Bond, o agente 007. Não se sabia então, mas era uma data inspiradora para o início de uma década auspiciosa para a imagem internacional da Grã Bretanha.

21 março 2016

SERGE GAINSBOURG

Entre uma fase inicial em que as suas composições continham uma inocência cuidadosamente estudada para ser provocante (Poupée de Cire, Poupée de Son de 1965, cantada por France Gall, abaixo)…

…Serge Gainsbourg passou depois por uma fase intermédia em que as sugestões das suas canções já não eram definitivamente inocentes (abaixo, com a mesma France Gall a cantar Sucettes à l´anis em 1967)…

… até ele atingir o vértice do sucesso da sua carreira em 1969 em que além de compor e escrever, aparece a cantar (?) em dueto com Jane Birkin Je T'aime... Moi Non Plus, onde as referências sexuais se tornaram explícitas.

Depois, foi a gestão da imagem de um autor maldito, permanentemente ébrio, fumador compulsivo, apadrinhado pela sorte e sobrevivente a consecutivos ataques cardíacos (4), e que não se inibia de dizer em estúdio a Whitney Houston que a queria comer

11 novembro 2008

A VOZ DA IGNORÂNCIA

Depois das recentes eleições presidenciais norte-americanas, correu a notícia, até aí escondida, que a candidata republicana à vice-presidência, Sarah Palin, se revelara detentora de uma ignorância olímpica a que adicionava uma estupidez confrangedora. A notícia era exemplificava, explicando como ela julgaria que África era um país e não um continente, e quando depois lhe explicarem que não era assim, que havia dezenas de países africanos, ela voltara à carga, mostrando que não percebera nada do que se lhe havia sido explicado, perguntando se a África do Sul era a região mais ao Sul da tal África…

Vem isto um pouco a propósito da sul-africana Miriam Makeba, que faleceu recentemente. E, já agora, por falar na morte de grandes divas, pergunto-me se, por ocasião da de Amália Rodrigues, alguém se terá atrevido ao exagero de arranjar um cabeçalho evocando o desaparecimento da Voz da Europa? Ponho as minhas dúvidas e seria sempre com enorme controvérsia que se poderia atribuir essa qualificação continental a qualquer grande voz da canção europeia: A Jacques Brel? Ou aos ABBA? Não tenho dúvidas, porque pode ser lido aqui, é quem tenha tido a ousadia de chamar a Miriam Makeba, sem hesitações, A Voz de África

Como acontece com os exemplos europeus, Miriam Makeba era uma grande voz de África, mas teria sido mais asisado ao autor da frase moderar-se, ou, mais provável, conhecer outras vozes de África antes de a nomear A Voz de África… A diferença é que Sarah Palin é tratada como uma espécie de tambor reaccionário, excelente para bater, enquanto quem assim crismou Miriam Makeba estará situado na corrente das pessoas progressistas e condescendentemente bem intencionadas. Talvez só seja por isso que o tratamento das duas ignorâncias é distinto – e não devia. Porque há outras grandes vozes sul-africanas e há muita outras (boas) vozes no Continente.