26 setembro 2022

A NOTA DA PIDE ACERCA DO TERRORISMO

26 de Setembro de 1972. A PIDE envia uma nota aos jornais fazendo uma avaliação das mais recentes acções terroristas que haviam ocorrido naqueles dois últimos anos de 1971 e 1972. Nessa nota, a polícia política fazia uma diferenciação entre as três principais organizações, identificando as responsabilidades de cada uma: as do PCP, as do PRP - BR e as da LUAR. Um parágrafo adicional era dedicado ao MRPP e a outros grupos de nomes revolucionariamente imaginativos, mas, no fundo, inócuos. Na nota, a PIDE não perdia a oportunidade para ironizar com o facto de que todas as organizações reclamavam agir em nome da classe operária, mas que os membros oriundos dessa classe eram uma minoria entre os quadros dessas organizações. Quanto à identificação dos seus quadros, percebia-se que a PIDE andava bastante aos papéis na identificação de quem era quem dentro das três principais organizações que constituíam o seu alvo principal. Beneficiando nós da clarividência dos acontecimentos depois do 25 de Abril, constata-se agora que a PIDE acerta em Raimundo Narciso no caso do PCP; que também acerta em Carlos Antunes no caso do PRP - BR, mas que, fruto provável do preconceito de género, a PIDE não valoriza devidamente Isabel do Carmo; e que falha rotundamente no caso da LUAR, nomeando uma figura secundaríssima, e deixando de parte figuras como Palma Inácio ou Fernando Marques. Contudo, vale a pena assinalar a publicação desta nota para que se perceba que, antes do 25 de Abril, um vulgar leitor de jornal atento tinha oportunidade de conhecer as actividades das organizações clandestinas. Podiam não querer saber, queixar-se da censura, mas a informação, como se vê, e apesar de ser transmitida de uma forma parcial, estava disponível.

25 setembro 2022

«NÓS, AS ELITES...»

«Nós, as elites...» é uma locução que aprendi de um conhecido meu, que a empregou despudoradamente ao pretender referir-se a si e a todos aqueles a quem endereçava aquela nota, frequentadores e comentadores activos ou passivos das redes sociais. Aproveitei-a e uso-a entredentes, pelo excesso ridículo, creio que o utilizador original a iria considerar deturpada do sentido original que lhe dera. Neste pedacinho de dissertação pedante de facebook as elites estão à vista, com (mais de) uma hora transcorrida de publicação e com 58 passantes a gostarem, rirem e adorarem o que fora escrito, não apareceu uma alminha caridosa entre essas 58 que chamasse a atenção ao autor do texto que o autor do filme (Voando sobre um ninho de cucos) foi Milos Forman e não o «extraordinário Kubrick». Ou então, até houve quem chamasse, mas mais discretamente que as manifestações dos 58... e sem consequências. Mas, quiçá, o que será mais importante no texto, para o seu autor, será a pose, a analogia da enfermeira Fletcher com a presidente da comissão Leyen. E, por outro lado, há que compreender que rectificar o erro do texto, será chamar indirectamente a alguns dos seus leitores uns ignorantes... de elite.

A NOTÍCIA SOBRE A MORTE DO REI FOI MANIFESTAMENTE EXAGERADA

25 de Setembro de 1962. Em Sanaa, capital do Iémen (país cuja localização escaparia à grande maioria dos leitores do Diário de Lisboa acima), deu-se um golpe de Estado, que terminara com a morte do recém entronizado monarca Muhammad al-Badr e a proclamação da república. Veio-se depois a saber - acima a edição do jornal dois depois - que o golpe se revestira de alguns daqueles aspectos de malandrice traidora que estes episódios costumam conter: quem encabeçara o golpe fora o comandante da própria guarda real e o processo de tomada do poder culminara num bombardeamento de artilharia do palácio real, palácio que ficara em tal estado que os revoltosos presumiam que o rei morrera, soterrado no entulho... Contudo, como se viria depois a descobrir e citando Mark Twain, «a notícia da morte do rei fora manifestamente exagerada»... O monarca escapara, o anúncio da sua morte terá sido um expediente dos revoltosos para atenuar a resistência que enfrentavam, só que a difusão da notícia lhes escapara ao controlo. Essa notícia da pretensa morte do rei resultara no imediato, mas a história está muito longe do fim: seguir-se-á uma guerra civil que perdurará por oito anos (1962-70). Quanto à precocidade do anúncio da morte do rei, ele juntar-se-ia a uma enorme colecção de asneiras idênticas, asneiras factuais de um género que só pessoas com o perfil do actual provedor do Público têm o descaramento de tentar justificar.

UM DAQUELES REFERENDOS EM QUE A CAPITAL É «DERROTADA» PELO RESTO DO PAÍS

25 de Setembro de 1972. Tem lugar na Noruega um referendo sobre a adesão daquele país à então CEE. O desfecho foi a vitória do "Não", o que foi surpreendente, considerada a perspectiva que se antecipava na capital, Oslo, onde a superioridade dos votos "Sim" veio a ser na proporção de 2 para 1. Mas o país rejeitara globalmente a proposta e no dia seguinte, o primeiro-ministro e o governo norueguês confessavam-se derrotados, preparando-se para se demitir (abaixo).

24 setembro 2022

A IMPORTÂNCIA PROPAGANDÍSTICA DA BATALHA DE ESTALINEGRADO

24 de Setembro de 1942. O destaque que as páginas do Diário de Lisboa desse dia dão à batalha de Estalinegrado mostram até que ponto a confrontação entre alemães e soviéticos extravasara o carácter estritamente militar para se transformar numa outra coisa muito mais importante. Subindo assim a parada do que estaria em disputa, uma atitude tomada com a concordância implícita dos dois beligerantes, as consequências do desfecho que ali viria a acontecer teria um significado simbólico maior do que as suas consequências reais. As pessoas tendem a esquecer que decorrerá cerca de um ano e meio de guerra na Rússia até a Alemanha perder esta batalha de Estalinegrado; mas que, depois disso, virão a decorrer ainda mais quase dois anos e meio até à Alemanha ser definitivamente vencida. Estalinegrado foi importante. Estalinegrado esteve muito longe de ser decisivo.

23 setembro 2022

A FRANÇA ADMITE OFICIALMENTE QUE O SEU IDIOMA PASSOU A SER MARGINAL

Independentemente do seu conteúdo, pelo seu simbolismo, esta entrevista dada pelo presidente Macron à CNN poderá ser considerada um marco histórico, apesar de não ter sido assim reconhecida pelos órgãos de comunicação social que adoram assinalar eventos históricos a esmo. Todavia, para aqueles, atentos, que acompanham desde há décadas a incansável batalha dos franceses pela preservação do estatuto internacional do seu idioma em paridade com o inglês, esta comparência do chefe de Estado francês, do sucessor do grande Charles, numa entrevista em que dialoga e se exprime fluentemente em inglês (outra coisa será apreciar o seu sotaque, mas não se pode pedir tudo ao mesmo tempo...), representará a concessão oficial por Paris da primazia do idioma inglês como instrumento de comunicação internacional. Até o próprio presidente francês a utiliza quando quer transmitir a um auditório mundial qual é a posição oficial do governo francês sobre o comportamento da Rússia!

AS CONSEQUÊNCIAS DE UMA GUERRA VÃO PARA ALÉM DO FIM DA MESMA

23 de Setembro de 1947. Mais de dois anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, as autoridades norte-americanas que ocupavam a Alemanha ainda se preocupavam em levar a tribunal aqueles alemães que se haviam excedido em tempo de guerra. Durante a guerra haviam-se cometido inúmeros excessos, de que a maioria deles era agora impossível remir, mas notava-se esta descriminação dos americanos quando a vítima fora um deles. No caso, a vítima fora um membro não identificado da tripulação de um B-17 que se despenhara na Alemanha durante uma missão de bombardeamento a 17 de Março de 1945 - pouco mais de mês e meio antes do fim da guerra. Ao contrário do que a notícia informa, o condenado, Heinrich Franke, não era propriamente um polícia, mas antes um cabo (scharführer) das SS. O tripulante do B-17 saltara de pára-quedas e fora capturado. Franke fora encarregue por um oficial das SS de o escoltar para um posto onde se recolhiam os prisioneiros aliados feitos naquelas mesmas circunstâncias e... não chegou lá. O prisioneiro apareceu executado com um tiro na nuca, alegando Franke que «ele tentara fugir». Depois do fim da guerra, Heinrich Franke refugiara-se na zona francesa de ocupação da Alemanha para tentar fugir à justiça americana, mas, para mais como antigo membro do partido nazi, ele era um exemplar bom demais para que não se fizesse dele um exemplo dos castigos impostos aos que haviam servido o III Reich com demasiado zelo: a sentença foi levada até ao fim e ele foi enforcado a 29 de Outubro de 1948 na prisão de Landsberg.

DESCOBERTA... OU TALVEZ NÃO

Do ponto de vista astronómico, a descoberta de «bolhas de gás quente a orbitar a grande velocidade à volta de buracos negros» é muito bem capaz de ser a novidade que merece o destaque da notícia acima. Contudo, e se se atender à redacção dada à notícia, há que reconhecer que, de um ponto de vista biológico, aquelas mesmas «bolhas de gás quente a orbitar a grande velocidade à volta de buracos negros», poderão ser também uma descrição científica (e imaginativa) dos peidos. O jornalista Guilherme Gonçalves não terá pensado nestes últimos, apenas terá pensado no gás quente, mas não se devia ter descuidado, porque a imaginação popular é tão infinita quanto a densidade da matéria nos buracos negros a que ele se estava originalmente a referir.

22 setembro 2022

O AVIÃO QUE NADA SOFREU

22 de Setembro de 1952. Por esta vez, convido o leitor a não prestar grande atenção ao que aconteceu, e a concentrar-se no formato como o acontecimento é narrado. Hipoteticamente, o jornalista que a escreve poderia ter destacado a tragédia da morte das quatro pessoas («três mulheres e um homem») que viajavam no «automóvel esmagado» em cima do qual aterrou o «avião de transporte militar», presumindo-se, embora o texto também não seja explícito quanto a isso, que a aterragem tenha sido um acidente porque feita de emergência. Mas não. O destaque do título vai para os estragos materiais, o «automóvel esmagado» e, em contraste, «o avião que nada sofreu». É uma felicidade, contrapor assim a ausência de sofrimento do avião com as quatro pessoas que morreram - sem sofrerem muito, deseja-se... Quanto ao conteúdo da notícia, os detalhes complementares sobre o acidente são os seguintes: tratava-se de um C-47 da USAF que operava a partir da base aérea de Truax Field em Madison, no Wisconsin. Nada se sabe sobre o que aconteceu aos pilotos e quem mais viajasse no avião. Como aconteceu com o material, presume-se que também não devem ter «sofrido nada».

21 setembro 2022

ELE COMEÇAVA A HAVER DIAS INTERNACIONAIS DE TANTA COISA...

...que a partir de 1982 se começou a assinalar a 21 de Setembro o Dia Internacional da Paz. Mal não faz. Rima e é verdade. Mas tudo isto acontece no dia em que o presidente russo ameaça recorrer a armamento nuclear. Parece-me (muito pouco) apropriado... 

20 setembro 2022

...QUEM PÔS LISBOA A ARDER

Esta súbita pulsão do novo ministro da Saúde para mostrar um «esforço de descentralização do governo» é uma daquelas notícias que se torna cómica, tal o desplante em evitar falar do elefante do meio da sala. Até apetece tomar o assunto pelo seu valor facial e perguntar ao ministro que locais estaria ele a considerar nesse «esforço de descentralização»? Coimbra? Faro? Funchal? Mas isso - confrontar os ministros com as consequências das suas declaração infelizes - não é para jornalistas, ficará guardado para o programa do Ricardo Araújo Pereira. O elefante de que o ministro Pizarro não quer falar, daí esta evolução descentralizadora súbita, num governo que já tomou posse vai para seis meses, sem que o assunto tivesse sido abordado previamente, terá sido a consequência de uma das condições colocadas pelo mister que vem revolucionar o SNS a partir do exemplo do Norte, Fernando Araújo. Fernando Araújo não é somente um nome que se fala para ocupar o cargo mítico de CEO-que-vai-salvar-o-SNS. É o nome da salvação, já que não se ouve mais nenhum. Sendo um homem do Norte, o seu nome é como aquele clássico slogan da pasta medicinal Couto (que também é do Norte): anda na boca de toda a gente. E, provavelmente por andar na boca de toda a gente, é que Fernando Araújo se sente com a capacidade negocial de não se dispor a vir para Lisboa se aceitar o cargo. Aquela minha metáfora do mister tripeiro cada vez se consolida mais.

OS CHARROS DO CASAL MCCARTNEY

20 de Setembro de 1972. O antigo beatle Paul McCartney e a sua mulher, Linda, são ambos detidos por algumas horas quando se descobriu numa das suas propriedades escocesas uma colecção de vasos, cujas plantas se vieram a revelar ser Cannabis. O casal McCartney veio a ser condenado por «cultura ilegal», sancionado com uma multa de 240 libras, enquanto Paul fazia a figura de ingénuo para a televisão que as imagens abaixo mostram, contando, sem se rir, uma história inverosímil: que um admirador lhe tinha dado as sementes que ele depois plantara sem saber o que dali germinaria... Era tão patusco que nem era sequer para fingir que se acreditava. Na verdade, no ano anterior já Paul fora multado na Suécia por ter sido apanhado com uns charros. Depois desta, voltaria a ser detido em 1975 na Califórnia, Estados Unidos, precisamente pela mesma razão, em 1980 aconteceria no aeroporto de Tóquio, Japão, após lhe revistarem a bagagem, e em 1984 seria na ilha caribenha de Barbados. Nestas duas últimas vezes, algemaram-no e tudo. Sabendo isso tudo, esta (pretensa) contrição de Paul diante das câmaras de TV tem toda uma outra piada...

19 setembro 2022

ELEGÂNCIA CONCISA E HONESTA

O antigo presidente norte-americano, Bill Clinton, durante uma entrevista que ele deu ontem ao canal CNN, foi de uma elegância concisa quando questionado sobre o antigo procurador Kenneth Starr, que faleceu recentemente, e que se havia celebrizado pelo dito Escândalo Lewinsky, desencadeado por um perjúrio do próprio presidente Clinton em 1998, quando, investigado inicialmente por eventuais irregularidades completamente diferentes, acabara questionado a respeito das suas actividades sexuais com uma estagiária da Casa Branca. Essencialmente e a respeito do falecido, Clinton limitou-se a responder que «havia lido o obituário (de Starr), e que se apercebera o quanto a sua (dele) família o amava, o que é sempre qualquer coisa pela qual se deve estar grato. Quando a vida de alguém acaba, é o que há para dizer», rematou. Seco e sincero. Mas elegante. De nada interessaria mostrar os escândalos e as contradições do resto da carreira do defunto. Quem se houvesse interessado pela sua consistência moral, conheceria o percurso posterior de Starr, que viria a passar ainda, com um requinte patético, por integrar a equipa de defesa de Donald Trump no processo de impeachment equivalente ao que ele desencadeara contra Bill Clinton! (Em suma, quanto menos se disser sobre a verticalidade ética de Starr, tanto melhor...) Nestes tempos em que há tanta gente a dizer coisas, com total falta de estilo e sem qualquer preocupação com a própria coerência, há que fazer estas notas assinalando devidamente estes episódios de concisão elegante... e honesta. Tornaram-se raros!

OPERAÇÃO DÂMOCLES

19 de Setembro de 1962. De Munique transcreve-se uma estranha notícia do desaparecimento de dois cientistas alemães (Heinz Krug e Wolfgang Pilz) que estariam associados a projectos para a construção de foguetões de grande porte - derivados da V-2 - para o Egipto. A notícia é dominada pelo que não se sabe - nomeadamente o paradeiro dos desaparecidos e de quem os teria raptado - mas também pela economia na especulação sobre a identidade de quem seriam os principais suspeitos. Afinal, «qualquer país adversário da República Árabe Unida» (como então o Egipto era conhecido), a fórmula encontrada pelo Diário de Lisboa para indiciar os suspeitos, era uma maneira rebuscada e perifrástica de nomear Israel. De facto, este episódio de há sessenta anos, seria apenas um, talvez o primeiro, de tantos outros desencadeados pela Mossad (serviços secretos israelitas), envolvendo raptos e assassinatos (como o de Krug), o envio de encomendas armadilhadas (como acontecerá com Pilz) ou então a intimidação de familiares próximos (como acontecerá com uma filha de um especialista em electrónica chamado Paul-Jens Goercke. Não se sabia então, mas o conjunto de acções foi baptizado em Telavive por Operação Dâmocles, do nome do cortesão grego que experimentou os perigos do exercício do poder com uma espada pendurada por uma crina de cavalo sobre a sua cabeça. Assim era a ameaça que pendia sobre os antigos cientistas do III Reich que estavam a ajudar o Egipto. Contudo, não só certas acções correram mal como, sobretudo, irritaram a Alemanha Ocidental com quem Israel não estava nada interessado naquela altura em dar-se mal: acabara de ser assinado um tratado sobre indemnizações da Alemanha a Israel por causa do Holocausto. Assim, depois de serem incensados pelo rapto e posterior julgamento de Adolf Eichmann, os responsáveis da Mossad vieram a ser demitidos em Março de 1963 pela deficiência de análise e pela inoportunidade da Operação Dâmocles. Coincidência ou não, o pagamento das indemnizações alemãs a Israel só começou a partir daí.

18 setembro 2022

MARCELO A MEIA HASTE

Se vemos hoje a bandeira do palácio de Belém a meia haste é por duas razões, como se apressaria a explicar o inquilino Marcelo Rebelo de Sousa: a primeira é porque a rainha Isabel II morreu e foi decretado luto nacional; a segunda razão é porque a Cristina Ferreira não pode ir ao funeral da rainha. O Marcelo vai ao funeral, eles dão-se tão bem, e por isso ele terá muita pena que ela não possa ir também. Mas, como a própria Cristina reconhece: «...gostava de estar presente no momento e sentir a energia do povo na despedida à rainha mas é o que é. Está o Big Brother primeiro.» Não se sabe se Marcelo Rebelo de Sousa terá telefonado desta vez para Cristina Ferreira... Em directo, como da outra vez, não.

HÁ OITENTA ANOS A ALDRABAR OS CARECAS!

Apesar de naquela altura estar a decorrer uma guerra mundial, isso não queria dizer que não houvesse preocupações com outras questões mais pacíficas. Como a recuperação do cabelo que caíra aos carecas. O Diário de Lisboa anunciava um produto denominado Silvikrine que «fertilizava (sic) o couro cabeludo» e quantificava os resultados que se obtinham: «um aumento de 35% no crescimento dos cabelos». Faz lembrar o António Costa, os números da inflação e os aumentos prometidos por ele para a combater. O dinheiro vai regressar proporcionalmente à carteira dos portugueses como renasceriam os cabelos dos carecas...

COMO SE PASSA RAPIDAMENTE DE «UMA CRISE NAS URGÊNCIAS» PARA «UM DOS MELHORES MOMENTOS DA SAÚDE EM PORTUGAL»

Bastou a anterior titular da pasta, Marta Temido, apresentar a demissão para que, nestes últimos três fins-de-semana, as notícias enumerando os encerramentos das urgências de obstetrícia pelos diversos hospitais de todo o país, tenham perdido a proeminência noticiosa de que haviam beneficiado «nos últimos meses», para não dizer mesmo que aquele género de notícias - os hospitais X, Y e Z têm as urgências de ginecologia encerradas - essas notícias desapareceram abruptamente de todo. Contudo, os operadores do SNS e os utentes que têm de recorrer àqueles serviços sabem que aquelas situações se continuam a verificar. Apenas deixaram de ser noticiadas. Mas a hora noticiosa é agora de mostrar satisfação. Como se lia num patético artigo plantado no Expresso de ontem, em substituição do elenco de serviços de obstetrícia que estariam fechados durante o fim de semana, «Marcelo (está) satisfeito com mudanças na Saúde» e o antecessor de Marta Temido (Adalberto Campos Fernandes) é citado dizendo que «Estamos a viver um dos melhores momentos da saúde em Portugal». Pelos vistos, o antigo ministro não saberá consultar o site informativo posto à disposição dos utentes pela DGS, site informativo esse que nos dá conta que, por exemplo, o bloco de partos do hospital do Barreiro/Montijo está encerrado hoje entre as 09H00 e as 21H00. Se o assunto fosse para ser tratado de boa fé, seria um pormenor. Mas, como já se percebeu que não é, para mim este encerramento daria para mais um cabeçalho a matraquear a opinião pública com «as falhas e fragilidades do Serviço Nacional de Saúde» (sic)... Não me digam que elas se resolveram em menos de três semanas!?

O 75º ANIVERSÁRIO DA CIA

18 de Setembro de 1947. O National Security Act promove uma vasta reorganização dos órgãos de defesa e segurança norte-americanos, nomeadamente a fusão dos Departamentos da Guerra e da Marinha num só, o da Defesa, a criação da Força Aérea como um ramo independente nas forças armadas, a criação de um Conselho de Segurança Nacional para assessorar o presidente nestes assuntos e, last but not least, a criação da Central Intelligence Agency (a famosa CIA). É difícil pensar que a CIA só tem 75 anos e que a incontestada supremacia mundial dos Estados Unidos pouco mais tem do que isso.

17 setembro 2022

«ESTA É A DITOSA PÁTRIA MINHA AMADA»

Há que concordar que uma expressão da nossa nacionalidade se pode condensar numa fotografia feliz de uma travessa de cozido à portuguesa, a destacar os pedaços gulosos de farinheira, chouriço preto e orelheira, enquanto lá para o fundo a travessa de arroz e o jarro de vinho tinto compõem discretamente o conjunto. Não sei se já havia cozido à portuguesa no século XVI, mas o famoso verso de Camões pode muito bem ser vertido para legenda desta fotografia. Uma visão de uma travessa destas em qualquer parte do Mundo funciona como um estandarte nacional.

16 setembro 2022

PARA QUANDO UM ARTIGO DESTES CONTENDO TAMBÉM OS ENTREVISTADOS QUE NÃO FAZEM A MÍNIMA IDEIA QUEM SÃO OS NOVOS SECRETÁRIOS DE ESTADO?

É que me parece tão importante informar o público sobre o que se consegue saber sobre os novos nomeados, como informar o mesmo público que eles são grandes desconhecidos, como acontece aliás normalmente com os secretários de Estado de um governo. O único aspecto que, para mim, vale a pena destacar é que o secretário de Estado não é do Porto, ao contrário da secretária, do ministro e do prometido futuro CEO do SNS. O mouro (alentejano) está ali a destoar, carago!