...mas servirá decerto de consolo a Assunção Cristas o facto de não ser a primeira dirigente do CDS a reduzir a representação parlamentar do seu partido à condição de caber toda dentro de um táxi. O mesmo aconteceu sob a distinta direcção do venerando professor Adriano Moreira e hoje já ninguém se lembra disso. Ela própria não se lembrara disso quando o convidou para ser homenageado no último congresso do CDS, realizado em Março de 2018. Na ocasião disseram-se coisas tão bonitas quanto «Adriano Moreira "abençoa" liderança de Cristas» ou «Adriano Moreira feliz com "renascimento do partido" põe congresso de pé». Afinal, a esta distância, com outra frieza, e na posse dos resultados, percebe-se que não houve renascimento nem a benção serviu para nada. O velhote um daqueles pés-frios políticos, de uma invulgar capacidade intelectual, mas que só trazem o azar com eles. E em Democracia e na política, é isso que conta: a capacidade de atrair votos.
18 outubro 2019
17 outubro 2019
AS TROPAS COMUNISTAS ESTAVAM A APROXIMAR-SE DE HONG-KONG... MAS NÃO DE MACAU
17 de Outubro de 1949. Esta edição de há 70 anos do Diário de Lisboa mostra como a interferência da Censura podia produzir efeitos caricatos. Comecemos por descrever a situação internacional: após terem proclamado a República Popular da China no dia 1 de Outubro, as tropas comunistas chinesas consumavam a vitória, ocupando as últimas cidades que ainda permaneciam sob controle dos nacionalistas. Naquele mesmo dia, por exemplo, isso acontecera com o importante porto costeiro de Xiamen. O enigma que pairava e de que o jornal se fazia eco, era sobre o comportamento que as autoridades comunistas chinesas iriam adoptar quando atingissem as duas cidades do Sul da China que eram possessões ocidentais: Hong-Kong, britânica, e Macau, portuguesa. Este artigo do Diário de Lisboa conseguia a proeza de exprimir a preocupação das autoridades britânicas de Hong-Kong «perante o avanço das tropas comunistas na China», desenvolver o assunto incluindo o que «se pensa em Londres» e «a atitude dos Estados Unidos» e nem por uma vez fazer referência ao que as autoridades portuguesas (locais e em Lisboa) poderiam pensar do mesmo assunto, considerando a pertinência de que a colónia portuguesa de Macau dista uns meros 60 Km de Hong-Kong.É verdade que o desfecho do problema estava muito para além da nossa capacidade de intervenção, mas a atitude de fingir que não era nada connosco é completamente ridícula.
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16 outubro 2019
A REDACÇÃO DA PAULINHA II
Duas semanas depois da primeira, Paula Teixeira da Cruz torna a atacar com outra redacção. Esta é muito diferente da anterior, perdeu o ambiente bucólico, numa preocupação global que me fez pensar então em Paula Teixeira da Cruz como uma espécie de Greta Thunberg em maduro. A Paulinha da queda das folhas das árvores e da chegada das primeiras chuvas desapareceu para dar lugar à já nossa conhecida Paula Trauliteira, com estas iniciativas inteligentes de escrever sobre os resultados eleitorais da mesma maneira que o João Pinto dizia que se deviam fazer os prognósticos - no fim do jogo... E com o enviezamento de sempre, mas isso, porque expectável, será o menos. O que não o é, é que estamos perante uma das mais fortes candidatas ao pior titular da pasta da Justiça dos últimos quarenta anos (as pessoas já se esqueceram do que foi a barracada (anunciada) do citius há apenas cinco anos?) e o Público insiste em promover Paula Teixeira da Cruz como se houvesse uma quota especial para medíocres.
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A BIMBY DE HÁ CINQUENTA ANOS
Nem todos somos visionários. Há cinquenta anos o desenhador belga Bob de Moor tinha uma perspectiva muito céptica sobre as máquinas electrónicas concebidas para confeccionarem sozinhas as refeições.
15 outubro 2019
A EXECUÇÃO DE LÁZLÓ RAJK
15 de Outubro de 1949. Lázló Rajk (1909-1949), um dirigente comunista húngaro do após-guerra e um dos principais rivais à disputa do poder dentro do partido é enforcado depois de um breve julgamento de uma semana. A acusação era de "titismo", numa alusão às influências autonomistas (em relação à tutela soviética) que emanariam do comportamento inspirador de Josip Broz "Tito" (1892-1980), o dirigente comunista supremo da vizinha Jugoslávia. Emulando o que acontecera dez anos antes na União Soviética, quando Estaline patrocinara a sangrenta Yezhovshchina, os dirigentes comunistas dos países do Leste da Europa que se haviam instalado no poder desde 1945, também selavam as suas disputas políticas realizando espectaculares julgamentos que produziam sentenças à medida. O irónico é que era muito difícil simpatizar para além dos princípios com as vítimas destes processos sumários. Lázló Rajk, que então contava apenas 40 anos, fora o ministro do Interior desde a instalação dos comunistas no poder na Hungria, o responsável pelas polícias e pela repressão (1945-49). Houvesse sido ele o vencedor da disputa política e ninguém tem dúvidas que teria sido Mátyás Rákosi (1892-1971), o seu rival, conjuntamente com os seus apoiantes, a balançar(em)-se da ponta de uma corda. Há 70 anos, aprecie-se a discrição como o assunto é noticiado pelo Diário de Lisboa de então, onde nem sequer se nota qualquer esforço para aproveitar a crueldade do acontecimento como propaganda anti-comunista. Nem era preciso... Mas porque o assunto raramente é abordado nessa perspectiva, convém recordar que, em muitos países onde foram poder, os comunistas mataram-se também uns aos outros.
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14 outubro 2019
A LIBERTAÇÃO DE ATENAS
14 de Outubro de 1944. Os soldados britânicos sob o comando do general Ronald Scobie entram em Atenas, que havia sido evacuada apenas dois dias antes pelos alemães. As cenas da libertação que tanto se assemelham neste documentário às das outras capitais europeias escondem que se espera que os libertadores funcionem como uma força de interposição entre dois exércitos irregulares ansiosos por se confrontarem de armas na mão: o ELAS, militarmente mais forte, pró-comunista e o EDES, pró-republicano, que apesar de mais fraco gozava das simpatias britânicas. Estes últimos, falhos de uma leitura perspicaz da situação e de discernir o que era importante do que não o era, insistiam em adicionar o rei Jorge II à questão política, complicando-a. Estas celebrações que assinalavam a libertação de Atenas e as tréguas que se lhe seguiram duraram cerca de um mês e meio. Em 3 de Dezembro um ELAS cada vez mais desconfiado da parcialidade dos britânicos, desencadeava uma insurreição pelo controle de Atenas (Dekemvriana), onde o seu exército se viu obrigado a intervir para a suprimir. Ainda não terminara a Segunda Guerra Mundial, mas houve sítios onde a transição para a Guerra Fria foi abrupta.
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13 outubro 2019
O VOO ESPACIAL EM TRIPLICADO DA UNIÃO SOVIÉTICA
13 de Outubro de 1969. Em três dias consecutivos a União Soviética colocou em órbita três naves espaciais: a Soyuz 6 (Shonin - Kubasov) a 11 de Outubro, a Soyuz 7 (Filipchenko - Volkov - Gorbatko) a 12 de Outubro e a Soyuz 8 (Shatalov - Yeliseyev) há precisamente 50 anos. Tratava-se de uma proeza tanto técnica quanto científica: pela primeira vez na história da conquista do espaço três naves tripuladas e sete cosmonautas encontravam-se em órbita simultaneamente! Hoje sabe-se que o programa inicialmente previsto era para que as três naves se acoplassem, constituindo o que poderia passar pelo embrião de uma primeira estação espacial em órbita (ainda que provisória). Mas as cinco manobras de aproximação efectuadas pelas três naves acabaram por não ser bem sucedidas e a propaganda soviética teve que preparar uma explicação alternativa para o sucesso que a missão tripla constituíra. Mesmo não sendo verosímil. Mas recordar o episódio comprova que, ao contrário do que a propaganda americana posterior nos quer fazer crer, mesmo depois da vitória dos americanos na corrida para a Lua (que ocorrera três meses antes), os soviéticos estavam muito longe de deitar a toalha ao chão no que diz respeito à corrida espacial. Como se pode apreciar abaixo, os russos ainda sacavam uns grandes cabeçalhos!
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12 outubro 2019
COMO SE FOSSE UM MEGA JOGO DE BATALHA NAVAL
Há quatro meses eram dois petroleiros que eram atacados no Golfo de Omã, depois foi um petroleiro iraniano a ser arrestado pelos britânicos em Gibraltar, os iranianos, em retaliação, apreenderam dois petroleiros britânicos no Golfo Pérsico, há cerca de um mês foram as refinarias sauditas a ser atacadas por rebeldes iemenitas (que, afinal, são capazes de ter sido iranianos). Agora, são novamente os iranianos a queixarem-se de que um dos seus petroleiros foi atacado ao largo da Arábia Saudita (vídeo abaixo). Em tudo isto, que se assemelha a uma gigantesca batalha naval em que os canos dos barcos atingidos não interessam, apenas o conteúdo da carga (petróleo), há apenas um padrão discernível: o de que o preço do crude se mantenha adequadamente elevado devido às preocupações que os incidentes suscitam. Será bruxaria, como acima diz o capitão Haddock?... Talvez não.
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OS QUINZE SEGUNDOS DE FAMA NAS REDES SOCIAIS ou «EU SOU "MUITA" CHATO» COMO SÓ O MANUEL JOÃO VIEIRA SABE CANTAR
O século XXI e o aparecimento das redes sociais vieram transformar a celebridade instantânea e os correspondentes quinze minutos de fama que haviam sido antecipados nos anos sessenta por Andy Wahrol. Transformaram-nos nuns mais fugazes quinze segundos de fama, enquanto consumimos o último meme ou lemos o último dito de um dos comentadores on-line mais espirituosos, naquilo que representará, de alguma forma, a evolução tecnológica do antigo circuito dos anónimos criadores das anedotas, que noutros tempos só se podiam propagar pessoalmente. Mas não são só esses, há-os outros, de uma nova espécie, os que pretendem chamar a atenção para si de qualquer forma. Este poste destina-se a dar destaque a uma dessas figuras, Luís Lavoura, o criador de um espicilégio de observações implicativas que ele incansavelmente vai escrevendo em todas as caixas de comentários que se mostrem disponíveis a acolhê-lo.
Uma atitude que o alcandorou (com todo o mérito, reconheça-se) a uma categoria própria nas redes sociais: a do chato mais chato de todos! Um chato como só o Manuel João Vieira (acima) é capaz de cantar.... Nas várias formas de lidar com uma pessoa que é suficientemente perigosa para dever ser classificada a par do armamento NBQ, há quem ignore o que Lavoura escreve e há quem se use dele para o transformar em motivo de troça: há mesmo um blogue que lhe dedica uma rúbrica regular intitulada Lavourada da Semana, um florilégio das suas calinadas mais apuradas. A tudo isso Lavoura responde com uma indiferença desentendida como faz o Tino de Rãs. Aqui no Herdeiro de Aécio a minha atitude difere: proscrevendo-o, ontem deixei-o excepcionalmente publicar aqui um comentário, mas a minha atitude é a mesma da profilaxia do vídeo abaixo contra a praga do percevejo asiático...
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11 outubro 2019
A ANEXAÇÃO DE TUVA
11 de Outubro de 1944. A União Soviética anexa a pequena república de Tuva. Foi um pequeno país de que ninguém deu por ele enquanto existiu (1921-1944), por isso também ninguém deu por ele quando desapareceu, nem depois disso. Isto é, excluindo os mais fiéis leitores do blogue Herdeiro de Aécio... Se Tuva era insignificante, o gesto da sua anexação foi-o nitidamente menos, quando é apreciado no contexto daquela que era a actualidade de há 75 anos, confrontemos a primeira página daquele dia do Diário de Lisboa. Na notícia acima, anunciava-se que «se estava a decidir» qual seria «a sorte dos três países bálticos» (Estónia, Letónia e Lituânia) «que haviam conhecido a independência durante vinte anos» (os três foram também anexados pela União Soviética). E, mais abaixo, anunciava-se que «o primeiro-ministro do governo polaco no exílio fora chamado de Londres para ir a Moscovo conferenciar com Churchill e Estaline». (A Polónia iria perder os territórios de Leste para lá da linha Curzon) As políticas fronteiriças da União Soviética anunciavam-se amplamente revisionistas quanto aos seus traçados para o pós-guerra, e a anexação do pequeno Tuva fora apenas o oportuno símbolo dessa disposição.
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10 outubro 2019
«THAT IS ONE BIG PILE OF SHIT»
Não me canso de dizer o quanto me sinto privilegiado por poder acompanhar o actual momento político nos Estados Unidos. Parafraseando Churchill (embora num contexto completamente diferente): Nunca, na História das incompetências, um titular tão medíocre ocupou um cargo tão importante em que se comportasse de maneira tão desprezível. (Talvez Nero em Roma...) Os superlativos e as expressões do espanto causados pelas sucessivas atitudes adoptadas pelo ocupante da Casa Branca estão gastos ao fim de três anos. Uma coisa é certa: ao contrário de Nero, Trump foi eleito e foram os americanos que o elegeram; e hão-de ser os americanos a ter que arranjar maneira de o tirar de lá. Entretanto, a situação política local apresenta-se cada vez mais como Jeff Goldblum acima a descreve: uma enorme pilha de merda. Surpreendi-me a pensar, com uma certa sensação de alívio, que, comparado com o que está a acontecer na América, aquela passagem de Pedro Santana Lopes pela chefia do governo em 2004 foi apenas uma cagada (mas, para reflexão do quanto é complicado limpar merda, foi só nestas últimas eleições que se conseguiu limpar de vez o olhinho do cu...).
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09 outubro 2019
UMA EVOCAÇÃO AO MAIS FAMOSO DEPUTADO DA EXTREMA ESQUERDA
Em ocasião em que se discute com apreensão a entrada no parlamento português do primeiro deputado da extrema direita, parece vir a propósito fazer uma evocação a Acácio Barreiros da UDP, aquele que foi o mais famoso deputado da extrema esquerda da história do nosso parlamento entre 1976 e 1979. Nem de propósito, a 9 de Outubro de 1979, cumprem-se hoje precisamente quarenta anos, era notícia a sua saída da UDP, como consequência da sua substituição nas listas eleitorais pelo major Mário Tomé. A prazo, a decisão acabou por se revelar um verdadeiro tiro no pé. Ficando por saber se a continuidade de Acácio Barreiros poderia ter travado a decadência do partido, ficou a constatação de que a sua substituição por Mário Tomé no hemiciclo não o conseguiu. Se, em 1979, a UDP ainda estava numa dinâmica ascendente em termos de captação de votos, atraindo os anteriores votantes nas outras formações radicais de esquerda em desaparecimento, em termos de quadros, acompanhando Acácio Barreiros, registava-se uma sangria desatada de abandonos da organização, de nomes que nos serão agora tão surpreendentes e díspares como o ex-ministro Jorge Coelho, o ex-ministro Nuno Crato, o pomposíssimo pensador João (Carlos) Espada ou o radicalíssimo publisher do Observador, José Manuel Fernandes. As consequências pagar-se-iam: dali por quatro anos, nas eleições de Abril de 1983, Acácio Barreiros estava de volta ao hemiciclo, agora eleito nas listas do PS, enquanto Mário Tomé, se via fora dele, por decisão do povo, que é quem mais ordena... Conhecido inicialmente por ser um deputado que votava contra literalmente tudo o que era apresentado à discussão, hoje evoca-se o já falecido Acácio Barreiros com uma certa bonomia. Estas coisas dos extremismos no parlamento parecem mais graves do que as circunstâncias podem vir a revelar.
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«SAUDADES» DAS PRESTAÇÕES DESPORTIVAS NOS PAÍSES ONDE VIGORAVA O «SOCIALISMO REAL»
Depois do encerramento dos Campeonatos Mundiais de Atletismo, a IAAF publicou uma tabela classificativa que procura expressar o desempenho das selecções presentes com mais alguma profundidade do que a tradicional tabela de medalhas. A avaliação abrange os oito atletas finalistas, pontuando-se a classificação de cada atleta (8 pontos para o 1º classificado, 7 para o 2º, e assim sucessivamente até 1 ponto para o 8º). Os Estados Unidos venceram por margem folgadíssima: 310 pontos, batendo um não tão surpreendente Quénia com 122 e a Jamaica com 115. Só depois aparece a China com 99 pontos. A Rússia não aparece nesta lista pois está excluída das competições, depois de se ter descoberto um vastíssimo esquema de encobrimento da dopagem dos atletas em 2015, um daqueles escândalos que até nem tem sido muito arremessado à Rússia apesar da progressiva deterioração das suas relações com o Ocidente. Mas, sendo um pouco decorrente disto, não era propriamente isto que me levou a evocar aqui o assunto. Portugal classificou-se num expectável 31º lugar, com 13 pontos, entre 68 países pontuados. Não destoa quando em comparação com países da Europa ocidental da nossa dimensão, como a Suécia (15º - 25 pts.), a Bélgica (22º -20), a Suíça (26º - 16), a Áustria (32º - 12) ou a Grécia (48º - 6). Mas o que é estranho é como estas classificações se apresentam quando em contraste com os antigos países comunistas da Europa de Leste que apareciam potentíssimos nestas competições, emulando a pátria-mãe soviética. Nesta competição Portugal (e quase todos os países acima mencionados) aparece(m) classificado(s) à frente da Hungria (36º - 10), da República Checa (42º - 8), da Roménia (também 42º - 8) ou da Bulgária (63º - 2), tudo países da mesma dimensão que a nossa e cujos atletas apareciam com regularidade nos pódios das competições de atletismo disputadas antes da queda do Muro de Berlim. Dá que pensar sobre quais os recursos que aqueles países empenhavam para que se alcançassem aqueles resultados. Nesse sentido, e isto vem por arrastamento de ideias, 7 de Outubro não foi só um mau dia para o PCP.
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08 outubro 2019
OPERAÇÃO «ARROZ DE ATUM»
Foi precisa a idade para me fazer passar a prestar atenção ao silêncio e ao omisso que, numa maioria de vezes, descubro, apesar de não aparecer, ter tanto significado quanto o oposto, o explícito. E, nas largas dezenas de comentários e análises que li nestes dois dias e que se seguiram às eleições deste Domingo, o que eu não encontrei foram referências significativas de despedida a Assunção Cristas, à sua pessoa e à sua atitude, indiciando, só agora, o quanto ela se encontrava politicamente isolada nestes últimos tempos. As notícias sobre o CDS pós eleições chegam mesmos a ser cruéis na forma como a varrem para debaixo do tapete.
E contudo, têm apenas nove meses - o que é uma eternidade para os ritmos em que é servida a vianda mediática - estas imagens de Assunção Cristas no programa da Cristina na SIC, naquilo que ficou conhecido oficiosamente como a Operação Arroz de Atum - “Assunção cozinheira. Assunção mulher. Assunção política. Assunção.” - um expediente mediático que foi suficientemente levado a sério pelos profissionais rivais para que António Costa tivesse contra atacado com a Operação Cataplana de peixe. Afinal, comprovou-se que o gesto não valeu nada e, mais, este silêncio à volta da cozinheira só não é preenchido pelos cantar dos grilos porque já estamos no Outono...
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AQUELA QUE PODERIA TER SIDO UMA DAS MAIORES CRISES POLÍTICAS DOS ESTADOS UNIDOS
8 de Outubro de 1944. Vitimado por um ataque cardíaco, morre Wendell Willkie (1892-1944). Willkie fora o candidato republicano às eleições presidenciais norte-americanas de Novembro de 1940, perdera-as para Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), que se reelegera e que continuara a ocupar a Casa Branca, por um inédito terceiro mandato. Contando apenas 52 anos de idade, e sem que se ouvissem rumores da fragilidade da saúde, como acontecia com Roosevelt, a morte deste seu antigo rival, Willkie, apanhou o país político de surpresa. E a fazer esse mesmo país político apanhar uma espécie de calafrio hipotético, no caso de se imaginar a hipótese de que Wendell Willkie houvesse ganho as eleições presidenciais de 1940 a Roosevelt. Caso isso tivesse acontecido, então teria morrido o presidente dos Estados Unidos e numa altura bem inoportuna, enquanto o país estava envolvido numa guerra mundial. Mas não era só. Aquele que estaria imediatamente posicionado para o suceder nesses casos, aquele que teria sido o vice-presidente Charles McNary (1874-1944, abaixo à esquerda), também havia morrido em Fevereiro daquele ano. O presidente interino hipotético nesse caso, teria sido o seguinte da ordem de sucessão, o secretário de Estado que houvesse sido escolhido por Wendell Willkie para fazer parte da sua administração, de acordo com aquilo que ficara estabelecido pela Lei de sucessão presidencial aprovada em 1886. Esse presidente interino ocuparia o cargo por três meses, até ao dia 20 de Janeiro de 1945, quando tomaria posse o vencedor das eleições presidenciais disputadas em Novembro de 1944. Muito provavelmente, esta morte inesperada de Willkie tê-las-ia perturbado significativamente, pois ele seria o candidato natural dos republicanos à reeleição e a essas eleições. Mas, quanto às consequências políticas e ao impacto que teria tido o desaparecimento súbito de um presidente norte-americano em exercício, isso não é preciso especular porque, desconhecido em 8 de Outubro de 1944, seria isso mesmo que viria a acontecer dali por seis meses, em 12 de Abril de 1945, quando Franklin Roosevelt morreu de hemorragia cerebral. A realidade foi só ligeiramente menos complicada do que teria sido esta hipotética sucessão de Willkie de há 75 anos, porque havia um vice-presidente, Harry Truman (1884-1972), e este assumiu de imediato as funções presidenciais.
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Ficção Histórica
07 outubro 2019
ELE DEVE HAVER UM CRITÉRIO...
Comparando estas duas notícias, e a colossal diferença na cobertura noticiosa, sobretudo televisiva, que tem estado a ser dada a ambos os protestos, permanece o mistério do critério que leva a dedicar muito mais atenção a um (o de cima) do que a outro. Ao contrário do que é reputado canonicamente, não pode ser o carácter sangrento da repressão: «60 feridos e um manifestante baleado» não se comparam a «mais de 100 mortos e de 6.100 feridos». Nem poderá ser relevante a questão da importância por causa da proximidade geográfica, já que o Iraque é-nos muito mais próximo do que Hong-Kong. Uma explicação maldosa remete para a hegemonia que, mau grado tudo, os americanos continuam a exercer sobre a informação internacional: enquanto os culpados da repressão no primeiro caso são convenientes, o regime de transição de Hong-Kong sob a tutela da China, no segundo caso são inconvenientes, pois o regime iraquiano é apenas a consequência da ocupação dos Estados Unidos daquele país entre 2003 e 2011. Mas, se calhar, a explicação é mesmo maldosa. Ele deve haver um critério para que a repressão em Hong Kong seja noticiosamente tão mais importante do que a de Bagdade.
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CENAS DE UM BEBÉ AO COLO PROTAGONIZADAS POR UM POLÍTICO QUE É «LEVADO AO COLO»
Não vou falar dos resultados das eleições de ontem, assunto sobre o qual devem existir umas vastas centenas de opiniões publicadas nas redes sociais. Mas quero assinalar que não gosto de números como este acima, que foi protagonizado ontem, junto da sua secção de voto, por Rui Tavares, com a colaboração diligente de alguns fotógrafos de imprensa, o do Expresso à esquerda, e o do Público à direita. A intenção de Rui Tavares será tão clara quanto legítima: fazer um número de circo para chamar a atenção para a sua pessoa, indo votar com duas crianças, uma das quais com seis meses, pendurada na barriga. É uma daquelas coisas que, se pensarmos bem, é um disparate incómodo, não dá jeito nenhum, a não ser que se queira mostrar o quão pai extremoso se é aos 47 anos. Uma virtude que se perderia entre os concidadãos eleitores que coincidissem em estar a votar na mesma altura na mesma secção de voto, a não ser houvesse fotógrafos por perto para o mostrar ao resto dos portugueses que adorem as novelas de uma paternidade responsável. E com fotógrafos que tenham uma capacidade de discernimento idêntica à daqueles que tiram fotografias para as revistas de fofocas, pois a estética do boneco e o enternecimento da legenda, percebe-se acima, são do mesmo estilo. Se era para que falássemos dele, distinguindo-o de uma plêiade de fotografias de protagonistas políticos fotografados no exercício do seu direito de voto, Rui Tavares consegui-o. Se, no processo, recorreu a um expediente que o torna comparável à famosa Lili Caneças, é que talvez não o ilustre tanto. Pior saem os profissionais dos dois jornais que, mais uma vez, são apanhados, acríticos, a levar (figurativamente) ao colo o político que desta vez levava (literalmente) ao colo o seu bebé. Tudo uma questão de colos, portanto.
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AS PRIMEIRAS IMAGENS DA FACE OCULTA DA LUA
7 de Outubro de 1959. Como a Lua gira à volta da Terra de forma quase perfeitamente sincronizada, a superfície da Lua que é observável do nosso planeta corresponde apenas a 59% da sua superfície total. Nunca na História da Humanidade alguém observara o que ficava do lado oculto da Lua. Há 60 anos a sonda soviética Luna 3 transmitiu para a Terra as primeiras fotografias do que existia do outro lado do nosso satélite. As imagens exibidas (acima) podem constituir um desapontamento para os leigos, mesmo depois do tratamento de imagem. Mas a faceta mítica e misteriosa de se estar a observar algo que jamais fora visto por qualquer ser humano terá sido suficientemente poderoso para, treze anos e meio depois, os Pink Floyd terem escolhido o título de «Dark Side of the Moon» para uma das suas obras.
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06 outubro 2019
NÃO HÁ UM DAQUELES ANALISTAS POLÍTICOS QUE SE RECONVERTA E ME AJUDE NAQUILO EM QUE EU TENHO MESMO DÚVIDAS?
Hoje é um dia apropriado para fazer um apelo a todos os especialistas em análise política, um dia em que eles convergem em catadupa para as televisões e rádios, tornando-se precisos e querendo tornar-se notados. E o meu apelo é para que algum deles, mais competente e de aspecto mais assisado, se disponha a explicar-me aquilo que eu, de facto, tenho mais dificuldade em compreender e para o qual agradeceria explicações ulteriores, como, por exemplo, o Abstract sobre física quântica acima. É que tenho tido dificuldade em compreendê-lo. Porque, em contraste, a experiência me diz que quase tudo o que vou ouvir de opinativo e conclusivo na comunicação social nesta noite eleitoral, concordando ou discordando, chegava lá sozinho.
HOJE É UM BOM DIA PARA AVALIAR A ARGÚCIA POLÍTICA DE JOSÉ MIGUEL JÚDICE
Em entrevista concedida há apenas dois meses ao Observador, José Miguel Júdice antecipou que «Rui Rio é um líder a curto-prazo; não tem futuro». E eu considero que hoje é um excelente dia, que vem mesmo a calhar, para tirar isso a limpo. Eu não sei se ele tem futuro, mas José Miguel Júdice sabe. Contudo, creio que somos colectivamente demasiado descuidados para com os profissionais do palpite político, que ninguém sabe muito bem quem os qualificou, e depois não os mandamos para o pelourinho como consequência das asneiras que proferem (no caso do que opinam se vir a revelar completamente falhado). No caso concreto de José Miguel Júdice, ele poderia ter sido apresentado pelo jornalista do Observador como o homem que antecipou que António Marinho Pinto iria ser um candidato muito sério às eleições presidenciais de 2011, contra Cavaco Silva (abaixo, em 2008). E deveria ser sobre esse alicerce de argúcia, desmentido pelos factos subsequentes, que a entrevista prosseguiria... até à avaliação que hoje se poderá fazer.
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