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11 maio 2019

A PRETEXTO DE BILL MURRAY E DEDICADO A QUEM SE VAI ESTREAR A ESCREVER PARA TEATRO

«- I don't like it when people come up to me after my plays and say, "I really dug your message, man." Or, "I really dug your play, man, I cried." You know. I like it when people come up to me the next day, or a week later, and they say, "I saw your play. What happened?
(Eu não gosto quando as pessoas me vêm dizer depois das minhas peças "Captei mesmo a tua mensagem, pá". Ou, "Realmente apreciei a tua peça, pá, até chorei". Estão a ver? Eu gosto é quando as pessoas vêm ter comigo no dia seguinte, ou uma semana depois, e dizem "Vi a tua peça. O que é que aquilo quer dizer?")

29 abril 2018

«THE AGE OF AQUARIUS»

29 de Abril de 1968. Há precisamente cinquenta anos a peça musical Hair estreava-se na Broadway. Tornar-se-á na expressão emblemática da cultura hippie, um fenómeno de contracultura que viajará dos Estados Unidos para o resto do mundo Ocidental, mas que cá pela Europa se expressará em formatos diferentes, nomeadamente afectado pelos acontecimentos de Maio de 1968 de Paris. Cá em Portugal, havia imensa peace (as guerras em África acompanhavam a do Vietname), algum love, mas sobretudo imensa militância: tinha de se ser de extrema esquerda, e quanto mais extrema melhor... A história de Hair é a de uma tribo nova-iorquina que vive de acordo com a filosofia de vida hippie. Como todos os movimentos com estas características, os hippies também tinham a certeza que o futuro lhes pertencia, e que a prevalência das suas razões viria a ter lugar com a chegada da Era do Aquário - daí a razão do título do poste e da primeira canção da peça (Aquarius), que abaixo se pode apreciar na versão em filme, realizada em 1979 pelo recém falecido Milos Forman. Significativo do que a sociedade mudara nesses onze anos, existem diferenças importantes de enredo da versão teatral para a cinematográfica. Mas, mais distinto ainda nestes cinquenta anos entretanto transcorridos, é aquilo que se pode apreciar na coreografia da cena abaixo, parece que saída de um outro século (que é!), parece saída de uma outra cultura que não a Ocidental, parece vinda de um outro planeta.

10 agosto 2017

OS LOUROS DE CÉSAR (4)

Astérix e Obélix são tão espectadores daquilo que está a acontecer quanto o leitor. E o que está a acontecer é que o cunhado de Abraracourcix se está a revelar alguém verdadeiramente insuportável, o que desperta toda a nossa empatia pelo chefe da aldeia. Na sua crítica social e na verosimilhança da situação, todo o episódio poderia passar por um acto de uma peça daquele que é designado por Teatro de Boulevard.

26 maio 2017

A VOLTA À GÁLIA (27)

A cena que se desenrola no interior desta taberna marselhesa é uma descarada alusão a uma escola de teatro e cinema da França meridional do período entre guerras de que aparecem alguns expoentes em cena. Assim, os jogadores de cartas (Fernand Charpin, Paul Dullac e Robert Vattier) são uma cópia de uma famosa cena de Marius, uma peça teatral depois transformada em filme, a primeira de uma trilogia do autor Marcel Pagnol (abaixo). O trocadilho com o nome de César (o estalajadeiro tem as feições de Jules Raimu, o actor principal) remete para o protagonista da terceira parte dessa trilogia, conhecida por a trilogia marselhesa. Desta escola assim homenageada, o nome mais conhecido internacionalmente será o de Fernandel.
Quanto à caldeirada local, designada por bouillabaisse, é uma versão mediterrânica da nossa.

24 junho 2015

«SI LA GUERRE DE TROIE N’AURA PAS LIEU, IL Y A DES AUTRES GUERRES»

Há poucos dias o jornal francês Libération deu destaque a um relatório solicitado por um parlamentar (François Cornut-Gentille da oposição) sobre o grau de prontidão da Força Aérea francesa. Embora, a todos nós, leigos, nos faltem referências de que resultados se devem esperar, a resposta teve potencial para impressionar quem lê: na grande maioria dos modelos operados, a taxa de operacionalidade é inferior a 50%, incluindo os exemplares mais recentes e mais emblemáticos da aviação de combate de França, como é o caso do Rafale. É caso para nos perguntarmos quais seriam os resultados de um relatório equivalente feito à prontidão do material de voo da Força Aérea Portuguesa, e quão útil seria sabê-lo antes que a ministra Assunção Cristas, na senda do seu colega Nuno Crato, ainda proponha que a frota subutilizada vá fazer vigilância aérea das florestas, praias, colheitas ou outro lado qualquer. O pacifismo inerente à famosa peça de Jean Giraudoux (1935) já não contempla estes desenvolvimentos modernos.

04 fevereiro 2015

«LOOK BACK IN ANGER»

Por ser também o título de uma reputada peça de teatro britânica (1956), a expressão Look Back in Anger tem, no original, um significado mais amplo do que aquele que resultará da sua simples tradução para a nossa língua: o decorrer da peça é dominado pela sensação de que a vida vai passando pelas personagens, que elas envelhecem sem que as coisas melhorem, que as suas relações tinham possibilidades iniciais que se perderame é tudo isso que gera uma sensação de raiva e ressentimento que paira sobre o palco durante a representação. Com mais de seis meses decorridos após a execução do celebérrimo programa da tróica a que Portugal se submeteu durante três anos (2011-14), suponho que se tornará possível fazer avaliações distanciadas e politicamente desapaixonadas da sua execução: pois bem, na minha opinião foi um fiasco. E explico: os exercícios de selectividade da memória feitos pelas partes interessadas não conseguem iludir que, quando a austeridade foi inicialmente apresentada ao país, ela foi apresentada como uma fase indispensável mas com um objectivo de recuperação a prazo visível: os cenários macroeconómicos originais antecipavam que por esta altura (o ano que terminou), a economia portuguesa estaria a crescer a 2,5% (e não está), a taxa de desemprego se cifraria nos 12% (e é superior), o défice orçamental rondaria os 2,3% (e faz-se uma festa por ele ter chegado aos 3,5%), a proporção da dívida pública, quando comparada com o PIB, estaria a diminuir dos 115,7% do ano anterior (a última vez que se falou no assunto, ia nos 134% e aumentava...). A expressão fiasco não tem aqui o exagero da argumentação política. Se tivesse havido um indicador onde as metas tivessem sido até superadas, acompanhado de um ou outro onde elas tivessem sido atingidas, por contraponto a outros dois ou três indicadores completamente falhados, admitir-se-ia a controvérsia. Mas não: falhou tudo e todos os indicadores foram revistos sucessivamente em baixa, servindo essas revisões para disfarçar mediaticamente os incumprimentos. Até hoje. Donde se torna legítima uma de duas conclusões: ou a equipa dirigida por Pedro Passos Coelho (com realce para Gaspar, Moedas ou Albuquerque) foi incompetente ou, então, o programa imposto pela tróica era completamente inexequível e nós submetemo-nos às suas ordens com a submissão de uma França de Vichy. Embora não seja uma das prioridades da agenda política, creio que os portugueses agradecerão que essa dúvida se esclareça; se ao governo faltou engenho, se lhe faltou coragem. É que a evolução dos ambientes europeus até estar-nos-á a retirar a consolação que se terá estado a percorrer a rota certa, se o que se esteve a fazer não passou de um placebo para as raízes mais fundas dos problemas estruturais da Europa. Eu ainda assisti ao final do desmoronar do mito de que Portugal não era uno do Minho a Timor, e que assim não fazia sentido insistir na preservação de uma estrutura política multirracial e pluricontinental. E estou a assistir ao desmoronar do mito que nos países da Europa do Sul se pode viver com o mesmo nível de bem-estar que nos países da Europa do Norte. Se a lógica se mantiver, assim não faz sentido persistir na elaboração de uma superestrutura política da qual não há perspectiva de se virem a recolher mais benefícios materiais. Como aconteceu com o projecto (e a guerra) colonial, o projecto europeu arrisca a criar uma nova geração to look back in anger...

A fotografia inicial é de Josef Koudelka. David Bowie aproveitou-se da expressão que dá título ao poste para baptizar uma das suas canções em 1979, corroborando-a (acima); os Oasis fizeram o mesmo em 1996, mas desmentindo-a (abaixo) e com muito mais sucesso comercial do que no caso anterior. Oxalá.

25 setembro 2014

UM CERTO APANHAR TRÁGICO DAS CANAS

Há uma certa ressonância de fim de festa quando Ângelo Correia, o outrora considerado patrocinador da ascensão política de Pedro Passos Coelho, se deixa citar na imprensa lembrando que ele, pelo seu lado, guarda sempre as cópias das suas declarações do IRS: Guardo as cópias do IRS de todos anos, dá jeito para evitar problemas de não me recordar, como se pode ler no Diário de Notícias. Tu quoque, Angele, pater mi?! – é uma citação clássica parafraseada que me apetece colocar, nem de propósito, na boca do primeiro-ministro, eu que nestes últimos três postes andarei a abusar um pouco das locuções latinas, embora haja que reconhecer o quanto, com estas inoportunas amnésias de Passos Coelho, a Tragédia, ao bom jeito das tragédias clássicas, parece espreitar o horizonte da actualidade política portuguesa...

21 novembro 2011

A GUERRA QUE NÃO TERÁ LUGAR E A PAZ QUE NÃO TEVE LUGAR

Há uma famosa peça de teatro em dois actos que se intitula A Guerra de Tróia não Terá Lugar (La guerre de Troie n'aura pas lieu, no original). O seu autor é o francês Jean Giraudoux e a peça foi estreada em 1935. A acção desenrola-se, como o título sugere, na Grécia clássica mas a analogia com o ambiente internacional à época da estreia, em que a Europa caminhava para a Segunda Guerra Mundial, é facilmente perceptível. Refira-se, para conclusão, que o título da peça acaba por se tornar enganador: é que a guerra acaba mesmo por ter lugar…

Actualmente, à falta de dramaturgos, serão os caricaturistas que descrevem a opinião dos franceses sobre a Europa actual. Para o autor abaixo, a culpa terá sido do alargamento excessivo. Porém, quem conhecer com rigor esses tempos pacíficos da CEE a 6, poderá apontar a Crise de 1963, quando a França vetou a adesão do Reino Unido, ou a Crise de 1965, quando a mesma França boicotou por 6 meses as reuniões do Conselhos de Ministros para preservar o seu direito de veto. Como a peça, o cartoon também é enganador: a paz nunca teve lugar…

02 janeiro 2011

UMA BELA HISTÓRIA DE RIVALIDADES QUE SE PERDEU

A propósito ainda de My Fair Lady, da sua versão cinematográfica (acima, o cartaz da esquerda) e da versão teatral musicada que a tinha antecedido (cartaz da direita), veja-se que, mantendo-se o protagonista masculino (Rex Harrison), Julie Andrews acabou por ser substituída no filme no papel (principal) de Eliza Doolitle por Audrey Hepburn. E entretanto, no mesmo ano da realização de My Fair Lady (1964), Julie Andrews acabou por protagonizar um outro filme musical de sucesso que se intitulava Mary Poppins.
Os dois filmes foram simultaneamente nomeados em mais do que uma categoria para os Óscares de 1965, incluindo a de actriz principal. Como já acontecera no passado com outras rivalidades, a cerimónia prometia sangue… O Óscar de actriz principal foi para Julie Andrews¹ que, para o enredo que entretanto se criara, assim obtinha ali a sua desforra. Porém, num mundo tão superficial quanto o da imprensa de cinema, Audrey Hepburn rapidamente desfez o enredo com um punhado de fotografias suas com a vencedora…
¹ E o Óscar de actor principal nesse ano foi para Rex Harrison, derrotando, entre outros, Peter Sellers e os seus três papéis em Dr. Strangelove, numa indicação óbvia que a atribuição dos Óscares pode ser um disparate absoluto…

01 janeiro 2011

MRS. MILLER


A associação entre amor e a elevação dos padrões culturais da pessoa amada é um tema recorrente da ficção, lembremo-nos (no vídeo acima) do filme My Fair Lady de 1964 que é uma adaptação de uma peça musical de 1956 que é por sua vez a adaptação de uma peça teatral um pouco mais antiga (Pigmalião) de 1912, da autoria de George Bernard Shaw. Quanto à fotografia abaixo, a principal deste poste, a que dei o título de Mrs. Miller e que lhe dá nome, é uma outra forma mais subtil de abordar esse mesmo tema.
Reconhece-se facilmente que o modelo da fotografia é Marylin Monroe, embora uma Marylin completamente diferente da que esta(va)mos habituados a ver, com uma toillete discreta e a mala pendurada do braço (o que não facilita a leitura...), encostada num canto de uma biblioteca, passando por estar a ler a peça A Morte de um Caixeiro-Viajante (Death of a Salesman - 1949), que é provavelmente a peça teatral mais famosa de Arthur Miller, o novo marido com quem Marylin se acabara de casar em Junho de 1956.

23 abril 2009

MUCH ADOE ABOUT NOTHING (1)

Tendo este blogue um título algo pomposo e sendo cá duma erudição, por esta vez insisto em puxar o lustro aos dois quando dou um título em estrangeiro a este poste, título esse até com um cunho renascentista, e para mais copiado de uma das peças de Shakespeare!... Nem poderia ser de outra maneira, visto o tema do poste ser sobre Vasco Graça Moura, um intelectual activo conforme se pode ler numa das suas biografias. E a tradução daquele título – a tradução é, aliás, uma das actividades em que Graça Moura tem recolhido mais reconhecimentos – corresponde a: Muito Barulho para Nada. O barulho refere-se, claro, às sucessivas crónicas laudatórias à actual direcção do seu partido, o PSD, que semanalmente ele tem escrito para o Diário de Notícias.
Suponho que através delas se poderá observar uma tradição velha de séculos em que os brilhantes intelectuais activos como Vasco Graça Moura terão malbaratado o seu engenho e arte em textos incomodativamente encomiásticos em relação a quem detém o poder. E quantas vezes o fizeram em vão… Parece ter sido este o caso, quando se constata que da lista de candidatos a eurodeputados apresentada pelo PSD não consta o nome de Vasco Graça Moura. Neste caso, para Vasco Graça Moura, que parece ter investido tanto nessa recondução, a lição que lhe fica nem sequer me parece digna do intelectual activo que ele assume ser. A lição é afinal mais um daqueles prosaicos ditados que estabelece que, quanto mais a gente se inclina, mais se lhe vê o
De uma forma mais sóbria e mais séria, faço votos que os eurodeputados portugueses a eleger sejam, em média, ainda melhores e mais empenhados do que aqueles que agora saem... Confira-se esta avaliação de desempenho(*) de todos os eurodeputados publicada recentemente e onde Vasco Graça Moura figura num (para ele) desactivado 312º lugar entre 920 colegas.

(*) ADENDA do dia seguinte: O site a que este poste ligava foi desactivado preventivamente pelo autor, segundo se sabe devido às ameaças de procedimento judicial por parte do que se supõem ser alguns eurodeputados tornados subitamente activos depois da publicidade dada à sua (in)actividade durante o mandato… Como se vê, a relutância às avaliações de desempenho não dá apenas ao Mário Nogueira e aos respectivos órgãos sindicais da sua classe…

04 julho 2008

A TELENOVELA DAS ASSINATURAS

De acordo com o IMDB, Glória Menezes terá participado em quase meia centena de telenovelas desde há uns 45 anos atrás. Naquela escola de novela brasileira, de que escolhi Glória por ser uma das suas actrizes mais veteranas, a tarefa de composição das personagens não é muito exigente, antes assentando no reconhecimento prévio do espectador, habituado a reconhecer o actor ou actriz das novelas anteriores.
Para síntese e exemplo, podemos dizer que há novelas (muitas) em que aparece Glória Menezes a fazer de boa e há novelas (poucas) em que Glória Menezes aparece a fazer de má. E em todas elas, a expectativa é que Glória Menezes faça de Glória Menezes. Nós por cá temos uma relação semelhante na sua previsibilidade com o que se espera do comportamento dos representantes do movimento sindical à mesa das negociações.

Há o que lá está para assinar os Acordos de Concertação Social...

E o que lá vai para mostrar que nunca se assina coisa nenhuma...

20 dezembro 2006

PERPÉTUA RODRIGUES, FILHA DO MAJOR SALEMA

Em A Maluquinha de Arroios, uma peça de teatro de André Brun datada de 1919, mas que foi depois adaptada para cinema e também várias vezes para teatro televisionado, há uma personagem secundária que passa o tempo a indignar-se com os enxovalhos a que é submetida, exteriorizando essa indignação ultrajada em frases como: Imagine-se fazerem-me uma coisa dessas a mim. A mim, Perpétua Rodrigues, filha do major Salema!

As pretensões da personagem estão condensadas naquela segunda frase. Resultante da época em que foi escrita, a graça pressupõe que um major seja alguém muito importante (na altura até era) mas o maior efeito cómico é obtido pela contradição entre o apelido da própria – na verdade uma modista pretensiosa, se bem me recordo - e o do famoso major, numa época em que a moral dominante fazia de filiação ilegítima um estigma.

Mas a frase fica no ouvido sobretudo pelo contraste estudado entre o que se ouve e aquilo que se estava à espera de ouvir. E agora, imagine-se lá que a causa de me ter lembrado da boa da Perpétua Rodrigues tem a ver com os patrulheiros da blogosfera! Que os há, não é novidade nenhuma. Há certos assuntos que já se percebeu, pelas reacções, que deverão ser continuamente pesquisados através dos motores de busca.

Por exemplo, beliscar um tema que seja caro aos comunistas aumenta exponencialmente as probabilidades que apareça inserido um extenso comentário contrário na caixa dos ditos, normalmente assinado por um nome banal, mas diferente de José Silva… Mas isso não será nada de que não se esteja à espera e é até aprazível de rebater, com excepção daqueles militantes que julgam que a militância ardente pode ser sempre um substituto para a ignorância do tema sobre o que se escreve…

Eu não contava era vir a descobrir comportamento semelhante, havendo quem patrulhe o nome de José Pacheco Pereira, para chegar ao meu blogue e nele inserir um comentário contrário à minha opinião. Inseri-lo, note-se, não é nada de mais, trata-se até de uma das funções mais saudáveis e que mais aprecio da blogosfera (o debate de ideias) e a minha resposta ao comentário lá está, incluindo até um pedido meu ao comentador que espero sinceramente que seja satisfeito.

Sendo já de si bizarro que alguém tenha assumido para si as penas de refutar as discordâncias que aparecem na blogosfera com aquilo que José Pacheco Pereira escreve, a minha surpresa cresceu ao verificar, numa segunda observação mais atenta, que o comentador que se assinou como Alberto Marques, Braga, estava a fazer as suas pesquisas e comentários e a aceder à rede a partir de um IP da telepac da região de… Santarém.

Escapa-me à imaginação as causas para que alguém que esteja em Santarém pretenda assumir que está em Braga (pseudónimos e secretismos sempre foram especialidades do PC) mas a verdade é que, em sonoridade, o episódio me faz lembrar a tal personagem de A Maluquinha de Arroios: Perpétua Rodrigues, filha do major Salema, e Alberto Marques, Braga, a escrever-nos de um computador instalado algures na região de Santarém…

06 abril 2006

O PINGUINHAS

Nos idos tempos do fascismo, para empregar uma expressão dos idos tempos do PREC, Raul Solnado tinha uma rábula numa revista do Parque Mayer, em que passava por um bêbado simplório, o Pinguinhas, que comentava a situação política com a latitude que a censura, mas também a (fraca) sofisticação da audiência daquela época permitiam.

A rábula terminava com uma música, cantada – declamada, é o verbo mais apropriado no caso das músicas interpretadas por Solnado – pelo Pinguinhas que terminava, salvo erro com estes versos: que há muita coisa para aí que a gente não percebe.

Entre os bêbados pretensamente simplórios de há 40 anos e a actualidade a diferença é imensa, mas continua a haver muita coisa para aí que a gente não percebe. Uma delas é a forma como é constituído uma coisa designada por Índice de Confiança.

Deve ser algo importante, porque serviu de notícia de abertura dos telejornais das 20H00 de ontem, tanto da SIC, como da TVI – mas não nos precipitemos. Eu sei, por exemplo, a forma como se calcula a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), embora a fórmula pela qual é calculado possa variar ao longo do tempo.

Contudo, quando se apresentam nas televisões os valores da inflação, refinando a apresentação da notícia com a menção da inflação homóloga, o pivot que a noticia demonstra, normalmente, um grau de compreensão daquilo que está a transmitir idêntico ao de uma catatua do Amazonas.

Suspeito que o mesmo se passe em relação ao tal Índice de Confiança dos portugueses. Nunca tive oportunidade que me explicassem se era obtido por sondagem aleatória ou por amostra, ou por consulta de um painel fixo. Serão talvez preciosismos meus…

Sei que há um que mede a confiança dos consumidores – o povo – e outro mede a confiança dos empresários – a elite. E que ontem, apareceu como fresca e importante, nos dois canais mencionados, a notícia que, em Março, a confiança do povo tinha subido e a da elite tinha baixado.

Nem falando da surpresa de ouvir como nova uma notícia que escutara havia uns três ou quatro dias, quero apontar a coincidência de ela ter sido solta, e aproveitada, num dia em que a maralha estava, naquela hora, amarrada à RTP a ver o Benfica…

Desconfio que estas, nem mesmo sóbrio, o Pinguinhas perceberia... Ou então, até perceberia bem demais...