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26 janeiro 2017

OS TURISTAS DE BARBA RIJA E COM OS TOMATES NO SÍTIO


São bastante famosas em Portugal (embora menos no estrangeiro) as Touradas à Corda açorianas, sobretudo terceirenses, organizadas por ocasião das Festas Populares locais de que nos chegam regularmente imagens entre o caricato e o preocupante.

Muito mais conhecidos, mundialmente famosos, são os encierros em Pamplona, por ocasião das Festas de San Fermin, de onde nos costumam chegar imagens ainda mais impressionantes pela irresponsabilidade acrescida dos protagonistas.

Agora o que é surpreendente são estas imagens que nos chegaram do Nepal, onde porventura por causa do carácter sagrado do gado bovino naquelas paragens, aquele mesmo género de festividades é (parece) protagonizado por um rinoceronte...

Nestes tempos de globalização e empreendorismo, o que só ficou mesmo a faltar foi o adicionar da cidade nepalesa (Makwanpur) a uma espécie de circuito internacional de eventos destes para turistas de barba rija e com os tomates no sítio. 
(Registe-se que a segunda parte desta história se baseia em factos alternativos)

07 abril 2009

BUTÃO – O REINO EREMITA NO MEIO DE UM GRANDE JOGO

Se observarmos atentamente o mapa acima, as zonas de fronteira entre a China (a Norte e a vermelho) e a Índia (a Sul e a açafrão) contêm três regiões vazias que se apresentam a branco. A região da esquerda, denominada Aksai Chin, até está mal assinalada, porque se encontra, de facto, ocupada pela China embora a ocupação não seja reconhecida pela Índia. A do centro, sobre o comprido, é o Nepal. E a da direita, a mais oriental de todas, é um país quase desconhecido, que dá pelo nome improvável de Butão.
A minha relação de simpatia com este discretíssimo país data da infância, depois de ter visto um documentário na televisão a seu respeito. Era um país romanticamente medieval, daqueles que ainda possuía uma capital de Inverno (Punaka) e outra de Verão (Thimbu), pois, tal como acontecia com os nossos primeiros reis, tal estatuto acabava por viajar conjuntamente com o monarca e a corte. Já não propriamente medieval, mas ainda de um arcaísmo impressionante, era o armamento das Forças Armadas (abaixo)…

Na prática, naquela altura o Butão era (e ainda hoje permanece) um protectorado da Índia, que se responsabilizava pela sua defesa e pela formação dos militares. Com uma área que equivale a metade de Portugal (47.000 km²) mas com apenas um terço da população metropolitana de Lisboa (700.000 habitantes), o Butão é literalmente um pequeníssimo peão do grande jogo que se trava entre os dois colossos que o cercam. E, neste momento, apesar de predominantemente budista, aquele peão pertence à Índia.
Mas, esse grande jogo geoestratégico que se trava nas faldas dos Himalaias, tem sido, apesar do desinteresse ocidental, daqueles que tem mostrado muito dinamismo: ainda em Maio de 2008, a China, por intermédio do Partido Comunista local, marcou pontos sobre a Índia ao instalar-se no poder no Nepal, derrubando a monarquia hindu. Simbólico da ignorância daquilo em que consiste o grande jogo, houve quem celebrasse o derrube, ainda assim melhor que outros que mostravam não perceber patavina do que tinha acontecido
Mas o grande jogo continua e a (pouca) atenção que o assunto merece transferiu-se agora para o Butão onde existe uma cópia exacta da manobra nepalesa: há ali uma outra organização de guerrilheiros (a Frente Revolucionária Unida do Butão), que é a emanação do Partido Comunista local, de inspiração maoista. Muito recentemente, uma emboscada destes últimos liquidou quatro guardas butaneses. Claro que já nem guerrilheiros rebeldes nem guardas governamentais estavam equipados e armados da forma pitoresca da fotografia acima...

20 abril 2008

AVANTE: DOS PROBLEMAS DOUTRINÁRIOS AOS PROBLEMAS JORNALÍSTICOS

Devo começar por confessar que nunca fui leitor do Avante. Sou-o mais agora porque ele passou a estar disponível on-line. E tornou-se um gosto porque há formas de cobrir certos assuntos que só ali se conseguem ler. Como é o caso, num exemplo assinalado pelo blogue Câmara Corporativa, da curiosidade do regozijo manifestado pelo jornal pela vitória do Partido Comunista do Nepal (Maoista) nas recentes eleições constituintes ali realizadas.

Mas estas fraternidades recentes entre Partidos Comunistas irmãos acabam por levantar outros problemas para além das divergências quanto à interpretação do marxismo-leninismo ou do desconforto quanto à valia doutrinal do maoismo: um deles é a ignorância completa de quem escreve no Avante em (por assim dizer...) nepalismo, i.e., sobre as realidades e os protagonistas da vida política nepalesa….
Escreve-se no Avante: «Este é um voto para a República Federal Democrática», considerou Pachandra Path, presidente do Comité Central do PCN (m) citado pela Agência France Préss.

Que a agência de notícias francesa AFP, que apenas difunde as notícias que interessam ao grande capital, desconheça que o líder do PCN (m) tenha o nome de guerra de Prachanda (e não Pachandra, como ali se escreve) aceita-se: são os defeitos inerentes do sistema capitalista… Que a mesma agência tenha confundido a pessoa (Pushpa Kamal Dahal, de seu nome verdadeiro) com a linha ideológica do partido (Prachanda Path, em tradução directa mas mal copiada do inglês…), será culpa desse agente da desinformação capitalista mundial que dá pelo nome de Wikipedia conjugada com um jornalista pressionado por causa do sistema de exploração do homem pelo homem
Agora, o que já não se percebe é como o órgão central de um Partido Comunista irmão, com tantos laços ideológicos a uni-los, acabe por publicar uma sucessão de erros como aqueles… Num jornal que contém no seu cabeçalho um orgulhoso Proletários de todos os países, UNI-VOS!… nem se percebe. Como país, os proletários do Nepal não contam?...

Ou estamos perante um daqueles casos de adepto de clube que a torcer, é um grande torcedor, agora não sabe lá muito bem qual é a composição da equipa?...

24 março 2008

ALGUMAS REFLEXÕES A PROPÓSITO DE SEPARATISMOS E DO TIBETE

Suponho que ninguém tenha ouvido falar do Movimento pela Soberania Hawaiiana, nem do Partido pela Independência do Alaska, dos defensores da Segunda República do Vermont ou ainda, da organização que se propõe reconstituir os Estados Confederados da América do Século XIX (1861-65), denominada a Liga do Sul (abaixo). Tomadas em conjunto, até parece que os Estados Unidos correm o risco de virem a ser despedaçados por esta profusão de organizações separatistas.
É evidente que ninguém conhece estas organizações porque a grande comunicação social norte-americana também não lhes dá qualquer relevo, o que, por sua vez, lhes dá uma expressão eleitoral irrisória, num ciclo contínuo de importância marginal. Nós próprios, até já nos esquecemos como também possuímos umas organizações do mesmo género, agrupadas numa coligação designada UDA/PDA (símbolo abaixo), proponentes das independências açoriana e madeirense.
Um dos métodos comprovados para que as organizações separatistas marginais saiam desse anonimato consiste em passarem a ser violentas. E às vezes têm imenso sucesso a fazer isso: veja-se o que acontece com a ETA (abaixo) no País Basco. Contudo, o facto de ali vigorar uma democracia eleitoral, permite escutar a opinião popular para além da espectacularidade das acções terroristas: as organizações que defendem eleitoralmente a conduta da ETA nunca obtiveram mais de 20% dos votos.
Pode nem sempre ser assim. Em 1981, o IRA irlandês aproveitou uma eleição intercalar, para fazer concorrer um dos seus militantes que estava aprisionado e que o poder político britânico, para efeitos de propaganda, equiparava a um delinquente comum. Para grande embaraço das autoridades, o delinquente foi eleito deputado, embora não tivesse sido libertado para que pudesse ocupar o seu lugar, e o Parlamento britânico viu-se forçado a aprovar rapidamente legislação que evitasse a repetição da cena…
Como se vê pelo que aconteceu no exemplo britânico, não costuma haver intervenientes ingénuos nestas questões do separatismo, mas suponho que quando não se atinge um limiar mínimo de liberdades reais na luta separatista, acaba por se legitimar o emprego da violência terrorista. Relembre-se que foi sob essas condições que outrora a ETA e o IRA prosperaram e é também nessas mesmas condições que tem de ser apreciada a luta política que recentemente se reacendeu no Tibete.
Muito mais longe dos cabeçalhos dos jornais do que o Tibete, a China tem estado a conquistar posições no outro lado dos Himalaias, no Nepal, onde o Partido Comunista do Nepal (Maoista - acima), que ocupa cerca de 25% da Assembleia Legislativa nepalesa, se tem destacado na transformação do regime ali vigente de uma Monarquia constitucional para uma República. É neste quadro de subtis movimentações geoestratégicas que seria de esperar que houvesse uma reacção do seu rival indiano, cujos efeitos agora observamos.
A fragilidade da presença chinesa no Tibete assenta em características que são próprias ao carácter anti-democrático da sua ocupação. Não fosse assim, e a China poderia vir a retaliar de forma simétrica com efeitos semelhantes, apoiando movimentos separatistas entre os seus rivais, seja no estado indiano de Arunachal Pradesh, seja nos norte-americanos do Hawaii ou do Alaska. Se isso não acontece é porque a expressão eleitoral continua a ser o melhor dissuasor das tendências separatistas mas a China não se atreve a fazê-lo no Tibete.

19 setembro 2007

O DALAI LAMA E O PRACHANDA

A pessoa do Dalai Lama (Tenzin Gyatso), que recentemente até visitou Portugal (desencadeando um episódio que, como é óbvio, demonstrou como as verdadeiras prioridades da política externa não são para ter moralidade nenhuma...), é uma daquelas figuras que tem uma verdadeira projecção mundial e uma imagem facilmente reconhecível.
A projecção e o reconhecimento de Prachanda (Pushpa Kamal Dahal), o dirigente supremo do Partido Comunista do Nepal (Maoista), são muitíssimo inferiores, quase desconhecidos. Mas não a sua importância, numa disputa surda que há décadas se trava entre a China e a Índia, sobre a linha das alturas da maior cordilheira do Mundo, a dos Himalaias.
Hoje foi notícia a saída dos comunistas nepaleses do governo de coligação formado no seguimento de uma quase ignorada guerra civil que ali tem vindo a ser travada. É uma maneira da China ameaçar o lado indiano (sul) da cordilheira. Do outro lado, a ameaça (para a China) ao Tibete são as deambulações do Dalai Lama pelo mundo…
Estas análises geopolíticas (acima o mapa do Tibete com a capital, Lhasa, a norte do Nepal, com a capital Katmandu), mesmo quando ultra simplificadas como neste caso, costumam fazer todo o sentido, mas têm aquele desagradável efeito secundário de estragar aqueles enredos onde há os bons e os maus que, quando publicados, fazem depois vender mais jornais…