Mostrar mensagens com a etiqueta Suécia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Suécia. Mostrar todas as mensagens

22 abril 2024

AS OFENSIVAS DIPLOMÁTICAS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

(Republicação)
22 de Abril de 1944. Um par de notícias de conteúdo aparentemente anódino numa das páginas centrais da edição do jornal desse dia, dá conta daquilo que era uma discreta, mas violenta, ofensiva diplomática por parte dos Aliados para que alguns países neutrais cortassem o fornecimento de alguns itens considerados vitais para a indústria de armamentos do III Reich. Numa das notícias, originária de Ancara, dava-se conta da reacção da Turquia a essas pressões, suspendendo as exportações de minério de crómio para a Alemanha, invocando a sua própria condição de aliada da Inglaterra. Noutra, oriunda de Londres, era a Suécia que ainda não respondera à nota dos Aliados, em que se lhe era pedido que suspendesse as exportações de esferas de rolamentos para a Alemanha. Havia uma campanha de bombardeamento em curso para destruir a capacidade de as produzir no próprio território alemão, e a indústria de armamentos alemã havia recorrido ao reforço das importações da Suécia para suprir as carências. A resposta sueca irá ser tão evasiva que a importância e as consequências dessa decisão ainda hoje são objecto de discussão académica: a Suécia colaborou ou não com a Alemanha? Contudo, a Turquia e a Suécia não eram os únicos países neutrais a serem pressionados naquela altura pelos Aliados: dali por mês e meio, na edição de 7 de Junho, era ocasião para ser notícia o anúncio pelo governo português da suspensão das exportações de volfrâmio para os países beligerantes. Fazia-o a pedido da Grã-Bretanha. Repare-se como os Estados Unidos pareciam nunca aparecer nestas iniciativas...

06 abril 2024

A VITÓRIA DOS «ABBA» NO EUROFESTIVAL E AINDA ALGUNS OUTROS ASPECTOS MENOS EVOCADOS A RESPEITO DO ACONTECIMENTO

A 6 de Abril de 1974 realizava-se o Festival Eurovisão da Canção que viria a ser ganho pela canção concorrente sueca «Waterloo» interpretada pelos ABBA. Como se percebe acima pelas imagens do acontecimento, o registo da participação sueca era ligeiro, com o maestro a comparecer mascarado de Napoleão, atitude que recebeu algumas críticas, considerando esses críticos que o teor da canção remetia para uma batalha que traçara os destinos da Europa em 1815. Enfim, já há cinquenta anos havia quem tivesse opiniões estúpidas. Um outro aspecto colateral raramente mencionado é que, cinco anos antes, a Suécia decidira desistir de concorrer àquele mesmo Festival. Foi uma birra que lhes passou depressa. Tal como Portugal, estiveram ausentes da edição de 1970, mas regressaram em 1971. E, por falar em Portugal e da participação portuguesa neste mesmo certame, o nosso país foi representado por Paulo de Carvalho a cantar «E depois do Adeus». Uma canção ainda hoje muito acarinhada por ter sido, conjuntamente com «Grândola Vila Morena», uma das canções-senha para as movimentações militares que deram origem ao 25 de Abril de 1974. Mas a 6 de Abril daquele ano ela ainda era apenas a nossa concorrente ao Eurofestival, de onde saiu classificada num tristonho último lugar (compartilhado com a Alemanha, a Noruega e a Suíça), tendo recebido uns míseros 3 pontos.

08 maio 2023

A NEUTRALIDADE SUECA EXPLICADA PELO SEU MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

8 de Maio de 1943. Este artigo, em que o ministro sueco dos Negócios Estrangeiros, Christian Günther, discorre acerca da neutralidade do seu país em plena Segunda Guerra Mundial e contém aquele segredo dos bons diplomatas profissionais quando o querem: é um texto repleto de palavras, que não dizem substantivamente nada. Günther era um dos dois únicos ministros independentes de um governo de unidade nacional que fora formado por causa da Segunda Guerra Mundial e a sua posição era a mediana entre os dilemas históricos da Suécia. De uma perspectiva abstracta, as simpatias culturais das pessoas da elite sueca, como Günther, iam para a Alemanha, na sua guerra contra a Rússia. Por outro lado, e na perspectiva da realpolitik, os aliados anglo-saxónicos da Rússia (e inimigos da Alemanha) pareciam-lhe os beligerantes que poderiam assegurar mais garantias de segurança à Suécia depois do conflito.

27 agosto 2022

O REFERENDO SUECO SOBRE A PROIBIÇÃO DO ÁLCOOL

Domingo, 27 de Agosto de 1922. Tem lugar na Suécia um referendo sobre a proibição da venda de bebidas alcoólicas. O Não à proposta de proibição (representado acima pelo cartaz verde) vence por uma margem mínima de 51 versus 49% dos votos. Recorde-se que, nos Estados Unidos, a Proibição do consumo de álcool, conhecida popularmente por Lei Seca, entrara em vigor em Janeiro de 1920 e será revogada (sob o maior desrespeito social) em Dezembro de 1933. E como se percebe por este caso, outros países como a Suécia passaram rasantes a idêntico disparate social.

20 agosto 2022

O FOSSO EUROPA AMÉRICA

O tempo entretanto decorrido tem levado à reconstrução de um passado idílico nas relações entre a Europa e a América, passado esse que, provocado pela forçada aproximação inicialmente gerada pela Segunda Guerra Mundial e depois pela Guerra Fria, se percebe, verificando os acontecimentos da época, esteve sempre sujeito a variadíssimos incidentes, como este noticiado há precisamente 60 anos - 20 de Agosto de 1952. A ocasião fora a visita da única filha do então presidente norte-americano, Harry Truman, à Europa, mais precisamente à Suécia. A primeira dissonância entre europeus e americanos era a promoção que era conferida às figuras da família presidencial (veja-se acima à direita, a capa que fora concedida pela revista americana Time em Fevereiro de 1951 a Margaret Truman, que era cantora lírica: uma soprano...). Os europeus estavam habituados a que houvesse algum género de publicidade daquele género nos países monárquicos (e a Suécia era uma monarquia), mas a sobriedade a respeito da família próxima dos chefes de Estado republicanos era de rigor naqueles países. Mas o episódio que causara acima o incidente que chegara ao jornal e que desencadeara os protestos dos jornalistas suecos fora algo para além disso: tinha sido a agressividade arrogante dos guarda-costas que, armados, acompanhavam a distinta visitante. Esse comportamento mostrava-se tanto ao arrepio dos usos e costumes locais, que até mesmo a imprensa de Estocolmo que se mostrara mais simpática para com os americanos (promovendo na época a adesão da Suécia à NATO), se dissociavam do que se tornara um verdadeiro desastre de relações públicas por parte dos Estados Unidos. Esclareça-se, em jeito de remate, que as críticas musicais à carreia de cantora de Margaret Truman, geralmente benignas enquanto o pai ocupou a Casa Branca (1945-1953), pioraram substancialmente depois disso. Em 1957 ela abandonou a carreira para se tornar jornalista e escritora.

18 junho 2022

O «CATALINAAFFÄREN»

18 de Junho de 1952. Termina com uma apresentação de desculpas da Suécia à União Soviética um assaz bizarro encadeamento de episódios que fizera com que nos cinco dias antecedentes dois aviões suecos se tivessem despenhado no Báltico (um DC-3 á esquerda e um hidroavião Catalina à direita), aparentemente por acção de caças da PVO soviética, que os teriam abatido. O primeiro havia sido o DC-3, a 13 de Junho, com 8 tripulantes a bordo, desaparecido sobre o Báltico. A 16 de Junho, um dos hidroaviões engajados nas buscas ao anterior, havia sido por sua vez abatido pela aviação soviética, só que, nesse caso, o aparelho conseguira amarar (como se vê na fotografia) junto de um navio alemão (ocidental...) e assim os seus 5 tripulantes haviam-se salvo... e permanecido livres. A notícia do Diário de Lisboa de há 70 anos, apesar de se estender pela primeira página, página central e última página, contém menos elementos substantivos sobre o incidente do que esta súmula que aqui escrevo. Catalinaffären, como o caso veio a ficar conhecido, quer dizer incidente do Catalina em sueco). A questão maior que se colocava, e que só era parcialmente respondida pela atitude sueca, era a de saber se os dois aviões suecos haviam violado o espaço aéreo soviético, o que justificaria, ainda que apenas formalmente, a resposta desproporcionada da sua aviação - note-se, para mais, que nenhum dos aviões suecos estaria armado. De qualquer modo, aquilo que acontecera era uma coacção não negligenciável na posição de neutralidade formalmente assumida pela Suécia no quadro da Guerra Fria.  Mas, mesmo assim, não foi considerado por Estocolmo que o que acontecera fosse de gravidade suficiente para alterar essa posição, e fazer com que a Suécia pedisse a adesão à NATO... Algo, que 70 anos depois, a invasão da Ucrânia, conseguiu fazer...

11 março 2022

DE COMO, HISTORICAMENTE, A RÚSSIA TEM SIDO SEMPRE UM MAU VIZINHO

No meio de tantos precedentes históricos de que se tem falado, este é apenas mais um, com a vantagem de ainda não o ter visto evocado, mais um exemplo de uma guerra de anexação da Rússia sobre um dos seus vizinhos. Esta outra guerra tem mais de 200 anos, travou-se durante cerca de ano e meio entre 1808 e 1809, no meio do turbilhão que se vivia então na Europa por causa das guerras napoleónicas, e começou também por um ataque da Rússia (à semelhança do que está em curso na Ucrânia - vejam-se os mapas acima), com o seu desfecho (também previsível) da Suécia ter perdido a sua província da Finlândia para a Rússia. A Finlândia, que fora até aí uma colónia sueca, e que, por isso, não gostava dos suecos, vai entrar a partir dai num século (1809-1917) de ligação à Rússia, para também ficar a detestar os russos. Tanto assim que, já depois da actual invasão da Ucrânia, e por acaso, o presidente finlandês esteve em Washington a conferenciar com Biden, com a questão de um eventual pedido de adesão do seu país à NATO em cima da mesa. Pelos vistos a Operação Militar Especial de Vladimir Putin, de tão especial, está a alterar as percepções de segurança até mesmo aos vizinhos que se consideravam até aqui acima das ameaças russas. 

27 outubro 2021

O WHISKY QUE «APARECEU» NAS ROCHAS

27 de Outubro de 1981. Um submarino soviético apareceu subitamente encalhado nas costas suecas, a cerca de dois quilómetros (apenas) da mais importante base naval daquele país… e o navio até nem fora oficialmente convidado a visitar a Suécia. Como um rato que é apanhado por uma ratoeira, esta é uma daquelas notícias que se percebe pertinente pelo seu carácter insólito. Sendo a Suécia totalmente banhada pelo Mar Báltico, convém relembrar como era a situação estratégica naquela região marítima em 1981, em plena Guerra-Fria. 
Dos oito países ribeirinhos, havia três que pertenciam à NATO (Noruega, Alemanha Ocidental e Dinamarca), outros três pertenciam ao Pacto de Varsóvia (Alemanha de Leste, Polónia e União Soviética) e mais dois assumiam-se como neutrais (Finlândia e Suécia). Ora um submarino de uma das facções que é apanhado em flagrante a espiar as costas de um inimigo, ainda vai que não vai, agora a espiar um dos neutros é que dava muito mais aspecto à facção dos espiões. Para mais, quando o comandante chefe sueco até tinha uma visita de cortesia à União Soviética marcada para Novembro.
Mas, por outro lado, o episódio também não enaltecia a eficácia militar dos suecos, porque o submarino estivera encalhado durante umas 18 horas a tentar sair da situação pelos próprios meios antes de alguns pescadores civis terem dado por ele - e isto apesar da proximidade da base…. Mas o aspecto ridículo e até cómico da situação desapareceu subitamente quando uma frota de navios da Marinha Soviética acompanhando rebocadores se apresentou ao largo das águas territoriais da Suécia, mostrando a intenção de resgatar, eventualmente pela força, a unidade acidentada e a sua tripulação.
A intenção demonstrada pelos suecos de ripostar proporcionadamente a essa demonstração de força fez os soviéticos recuar perante um conflito militar que, mesmo que limitado, a sua diplomacia sabia que se tornaria num enorme desastre de relações públicas, de escala Mundial. Seguiu-se depois uma fase de intensas negociações entre as partes. Eliminadas as possibilidades de conseguir resgatar o submarino de surpresa ou à força, as vantagens estariam agora todas do lado sueco: era a parte ofendida e o passar do tempo corria a seu favor. Um dispositivo de segurança foi montado à volta do local do incidente…
Pertencendo o submarino a uma classe que na NATO fora baptizada com o código de Whiskey (baseada na letra W do seu alfabeto fonético), o episódio acabou por ganhar na rede noticiosa mundial a alcunha de Whiskey on the Rocks por trocadilho com a popular bebida de whisky simples com gelo. Depois da situação se arrastar por dez dias, a Suécia acabou por autorizar que o submarino fosse desencalhado do local onde ficara para depois ser rebocado para alto mar sob sua supervisão. A data era 7 de Novembro de 1981 e os soviéticos festejavam o 64º aniversário da sua Revolução...

31 agosto 2021

A NOTÍCIA NA SUÉCIA QUE SE PODERIA TRANSFORMAR NUM ESCÂNDALO SE FOSSE NOUTROS PAÍSES

Dada como originária de Estocolmo, na Suécia, esta notícia de 31 de Agosto de 1961 explica-se a si própria, lendo-a. Falta de alojamento para os estudantes da Universidade de Lund levou a que se tivesse de improvisar recorrendo a antigas carruagens-cama dos caminhos de ferro. E a situação manter-se-á durante todo o ano lectivo. Acrescente-se que, quanto ao seu prestígio, a Universidade de Lund é a segunda universidade mais antiga da Suécia, foi fundada em 1666. Oriunda da Suécia, esta notícia é apenas uma notícia. Se fosse originária de tantos outros países, tinha todo o potencial para se tornar num escândalo: como é que o governo sueco - a universidade é pública - deixou que se chegasse a esta situação? Aos suecos não lhes dava para esse género de queixas e contestações - afinal, as maravilhas da social-democracia nórdica também assentavam em importantes factores subjectivos.

28 julho 2021

APONTAMENTOS SOBRE A «NEUTRALIDADE» SUECA DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

28 de Julho de 1941. A ofensiva alemã por terras russas, que começara no mês passado, prosseguia dinamicamente vitoriosa. A Wehrmacht aprestava-se a conquistar Smolensk. Estrategicamente, era ali que se estava a decidir o desfecho da Segunda Guerra Mundial. Havia outras notícias acessórias, a respeito da guerra que os britânicos travavam no Norte de África contra os italianos (e alguns alemães). E havia ainda outras notícias, que o próprio jornal classificava de «diversas», algumas delas mais interessantes do que aquela classificação deixaria supor, como esta que dá conta da prisão pelas autoridades suecas de «17 (militantes) comunistas (suecos), acusados de terem provocado a explosão de dois comboios que transportavam tropas alemãs para a Finlândia, no momento em que estavam parados numa estação sueca.» O conteúdo da notícia é bem mais interessante do que aquilo que o relato seco dos factos deixa transparecer. Torna-se evidente que, com a invasão alemã, os soviético accionaram as redes dos partidos comunistas "irmãos" - neste caso o sueco - para o desenvolvimento de acções clandestinas que sabotassem o esforço de guerra alemão. É ilegal, mas é tão ilegal quanto o facto de que a movimentação de tropas alemãs pelo seu território se tratava de uma violação consentida pelo governo sueco da sua própria neutralidade! Ou seja, e embora o jornal não o expressasse, ficavam todos muito mal na fotografia. Mas não seria o governo sueco, por muito social-democrata que fosse, que iria criar dificuldades a uns alemães que então pareciam em vias de ganhar a guerra. A história da neutralidade sueca durante a Segunda Guerra Mundial contém muitos pormenores manhosos como este. O que eles não tiveram, ao que me consta, foi um professor Fernando Rosas e uma escola de historiadores para apreciar os acontecimentos com a parcialidade política que por cá se pratica.

07 abril 2021

O «EMBAIXADOR FERIDO A TIRO»

7 de Abril de 1971. Aquilo que se pode ler na notícia do Diário de Lisboa sobre o que acontecera na embaixada da Jugoslávia em Estocolmo era pouco e era propositadamente vago. Por exemplo, já se sabia (embora a notícia não o mencione) que os «dois terroristas armados com revólveres» eram nacionalistas croatas porque os dois haviam-no proclamado audivelmente em frente às câmaras de televisão quando eram transportados algemados depois de presos (no vídeo abaixo), gritando vivas ao Estado Independente da Croácia e a Ante Pavelić. Pela concisão, notava-se que não houvera muito empenho em desenvolver a notícia. Especular sobre o que motivara a acção. E havia imensos aspectos de interesse. A escolha da embaixada entre as várias que a Jugoslávia possuía na Europa Ocidental não fora acidental: o embaixador, Vladimir Rodović, um montenegrino, era um coronel da polícia política jugoslava e dirigira um campo de concentração de presos políticos. E andava normalmente armado. Ele ainda tentou reagir aos dois assaltantes, mas estes dominaram-no e manietaram-no. Depois executaram-no, no quadro da guerra suja que se travava entre a organização terrorista croata e os serviços secretos jugoslavos. Morreria dali por uma semana. O terrorismo croata era, contudo, um assunto chato de abordar. Em primeiro lugar porque as suas acções visavam destruir a Jugoslávia e com ela, o equilíbrio europeu, e isso não interessava nada. Em segundo lugar porque a organização que promovia esse terrorismo estava historicamente conotada com o fascismo e também não convinha recordar isso. E em terceiro lugar porque o país que dava santuário a essa organização era a Espanha franquista. Além disso, o assunto ocorrera na Suécia, com quem Portugal não mantinha as melhores da relações - apoiavam as organizações nacionalistas africanas das colónias portuguesas - e onde se falava uma língua que ninguém percebia (ouça-se o vídeo abaixo...). Portanto, quanto menos se falasse do assunto, melhor: oito linhas tem a notícia. Os dois terroristas croatas vieram a ser condenados a prisão perpétua, mas depois libertados pouco mais de um ano depois do acontecimento, em Setembro de 1972, na sequência do sequestro de um avião da SAS, organizado mais uma vez pela sua organização.

10 maio 2020

UM DESTES VÍDEOS É FALSO


O primeiro vídeo toma uns dez minutos a explicar-nos porque é que os grande porta-aviões norte-americanos são «praticamente» impossíveis de afundar. O segundo vídeo explica-nos como é que um submarino convencional sueco «afundou» um desses porta-aviões nuns jogos de guerra que tiveram lugar no Pacífico em 2005. Sorte a dos Estados Unidos que a Suécia não seja uma potência que se queira confrontar directamente no mar contra eles... Se a US Navy tiver incorporado bem, como deve, as lições que se extraem daqueles jogos de guerra, então os seus porta aviões não serão afundados da mesma maneira que o capitão e a tripulação suecas terão congeminado para contornar os dispositivos de segurança a sério que cercavam o porta-aviões, quando este foi afundado a brincar. Mas também por ali, pelos propagandistas da US Navy, se devia ter a modéstia de reconhecer o quanto a afirmação «praticamente impossível de afundar» é uma bazófia desmentida pelos factos. Só verdadeira até ao aparecimento de um outro submarino, mesmo convencional, que possua uma "assinatura acústica" que os sonares da imponente frota acima não sejam capazes de identificar... (veja-se a ficha do Gotland no fim deste poste)

03 maio 2020

O APARECIMENTO DA EFTA

3 de Maio de 1960. Quatro meses depois da assinatura do tratado em Estocolmo, a EFTA (European Free Trade Association) entra em vigor, associando a Áustria, a Dinamarca, a Noruega, Portugal, o Reino Unido, a Suécia e a Suíça. À época, a nova organização apresentava-se como uma espécie de CEE alternativa.

20 novembro 2019

QUANDO SE DÁ TEMPO AO TEMPO DAS NOTÍCIAS, ELAS TORNAM-SE NOUTRAS NOTÍCIAS

Há quinze anos lembro-me das críticas endereçadas a Pedro Santana Lopes por causa da sua decisão de domiciliar meia dúzia de secretarias de Estado em outras tantas capitais de distrito. Agora é a vez de António Costa fazer o mesmo com outras três secretarias de Estado. Muito provavelmente também esta decisão irá ser criticada mas não estou à espera de qualquer coerência entre críticos e apoiantes, entre o que eles disseram naquela altura e o que opinam agora, tanto mais que quinze anos é muito tempo e ninguém já se lembra de quem é que disse o quê e porquê. Num outro contexto, nove anos também são muito tempo. Foram os anos que o ministério público sueco demorou a investigar preliminarmente se as acusações de violação e agressão, que permitiram acossar Julian Assange a refugiar-se numa embaixada, teriam condições de vingar em tribunal. Afinal, parece que não. Mas, da próxima vez que se falar - justificadamente! - da morosidade da justiça portuguesa, ponha-se os olhos nesta justiça sueca, que é bem pior que a nossa. Sim, porque em comparação com as nossas dúvidas em saber se o primeiro-ministro Sá Carneiro morreu num acidente ou num atentado, eles exibem a proeza de saberem que o primeiro-ministro Olof Palme morreu assassinado; mas o que não fazem a mínima ideia é a razão e, sobretudo, quem foi o autor.

03 abril 2019

SUCESSOS E PROMESSAS DO PANORAMA MUSICAL HÁ CINQUENTA ANOS

Há cinquenta anos, a sensação «pop» da semana era o cantor Marvin Gaye cantando uma nova versão rearranjada the «I Heard It Trough The Grapevine» (abaixo). A versão de Gaye permanece, até hoje, a de referência daquela canção. Repare-se na supremacia gozada pela música anglo-saxónica: os top ten que são mencionados são os de Londres e Nova York.

Quiçá o facto de se estar na semana que antecedia a Páscoa e o noticiário apresentar-se, por isso parco em outras notícias, algum espaço suplementar era conferido à música.
Numa outra página da mesma edição do jornal, e também em local de destaque, constava a promessa solene dos responsáveis da televisão sueca de deixar de participar no festival da canção da Eurovisão. A notícia ia mesmo ao ponto de atribuir a um desses responsáveis a qualificação do festival de um «programa medíocre». Essa promessa (não o sabiam os leitores de então) seria clamorosamente desmentida pelo futuro. A Suécia, ausente da competição em 1970, regressaria em 1971 e, dali por quase precisamente cinco anos (6 de Abril de 1974) venceria pela primeira vez o certame com a canção Waterloo dos ABBA (abaixo). Depois disso, venceria a competição por mais cinco vezes, um dos países mais bem sucedidos no tal de «programa medíocre».

11 setembro 2018

MESMO FALHANDO OBJECTIVOS E FICANDO AQUÉM DO ESPERADO...

...a verdade é que as formações da direita nacionalista anti-imigrantes já possuem a implantação europeia que o mapa abaixo exibe. Como também é verdade que começa a cansar-nos a repetição da manobra mediática de empolar previamente as expectativas dos resultados que aquela formações irão obter, para depois poder aconchegar os resultados reais e acalmar algumas consciências. Por um mecanismo perfeitamente simétrico ao que era usado cá em Portugal por Paulo Portas, em que o CDS ganhava sempre contra as sondagens, aqui o partido da extrema direita, seja ele de que país for, perde sempre contra as expectativas. Deve ser Bruxelas a achar que a Europa precisa de calma.
Como se apressa a explicar a Euronews neste vídeo abaixo, «O impasse na Suécia não alarma as instituições europeias». Porém, como aliás se remata na notícia, incomodativo poderá ser o «perigo desta realidade poder ser reproduzida no parlamento europeu aquando das eleições de Maio de 2019». Pelos vistos, em abstracto somos todos democratas e defendemos o parlamento e a democracia representativa, o aborrecido é quando essa representação é tão democraticamente fiel que começa a representar aqueles que, a quem manda, não apetece que apareçam representados. Quem ouvir com atenção a notícia da Euronews abaixo, fica com a sensação que é proibido, (é perigoso!), ser-se contra esta construção europeia.

11 maio 2018

A COROAÇÃO DE CARLOS XIV DA SUÉCIA

11 de Maio de 1818. Há precisamente duzentos anos, na Catedral luterana de São Nicolau em Estocolmo, tinha lugar a cerimónia da coroação do rei Carlos XIV da Suécia. Numa Europa que só muito recentemente saíra das vicissitudes das Guerra Napoleónicas, este evento caracterizado pelo seu tradicionalismo distinguia-se de outros equivalentes por vários factores. O primeiro desses factores é que o novo monarca sueco (e norueguês) não tinha qualquer parentesco com o seu antecessor: fora adoptado. O segundo factor anómalo, é que o adoptado só o fora quando já contava 47 anos. Um terceiro factor bizarro, numa época em que isso ainda era considerado muito importante, é que o novo rei era de ascendência plebeia: nascera em Pau a 26 de Janeiro de 1763 com o nome de Jean Baptiste Bernadotte, o filho de um pequeno funcionário judicial. Um quarto factor, como se deduzirá pelo seu nome e pelo local de nascimento, é que o novo rei nascera francês. Um quinto factor, é que o rei começara a sua carreira no exército (francês) com a patente de soldado. Mas foi só a Revolução Francesa que lhe permitiu uma ascensão que culminou no posto de Marechal de França aos 41 anos. O novo rei da Suécia era um arrivista, um assumido "parvenu". E como sexto e último factor exótico naquela coroação, provavelmente em agradecimento pelas oportunidades que lhe haviam sido propiciadas por esses tempos revolucionários, corria o rumor que o novo rei mandara tatuar em si, nessa outra época em que fora jovem, uma tatuagem com os dizeres «Morte aos Reis!». Não deve ter havido muitos monarcas que carregaram consigo um apelo à sua própria extinção como classe... A dinastia Bernadotte ainda hoje reina na Suécia na pessoa de Carlos XVI. O sucesso desta incorporação de um plebeu francês, porém competente e ambicioso, e transformá-lo em monarca bem sucedido de um país estranho, é um desmentido completo daqueles princípios arcaicos das monarquias de direito divino.

25 março 2018

UMA HISTÓRIA SIMPLES

A 25 de Março de 1943, às 7H07 locais, enquanto navegava à velocidade de doze nós a umas 80 milhas náuticas a sudeste de Aracaju (a capital do pequeno estado brasileiro do Sergipe), o pequeno cargueiro Industria (1.688 toneladas), de pavilhão sueco, foi torpedeado pelo submarino U-518 da Kriegsmarine. O navio, que vinha do porto norte-americano de Filadélfia e se destinava ao Rio de Janeiro, confiara nas suas pinturas laterais que o identificavam como neutral (abaixo) e não adoptara qualquer comportamento evasivo-defensivo quanto à ameaça submarina. O navio afundou-se em oito minutos e os escaleres de salvamento embarcaram ou recolheram depois 25 dos 26 homens que compunha a tripulação.
No diário de bordo do U-518 constará que, por não estarem iluminadas as pinturas laterais de identificação, o submarino não identificara a tempo a nacionalidade do navio antes de o afundar. O comportamento posterior da sua tripulação desmentirá a versão: o submarino emergiu junto aos 25 náufragos, inteirou-se se havia feridos ou se eles precisariam de água, mas aprisionou os três oficiais mais graduados da tripulação. Meia hora depois submergiu e afastou-se com os prisioneiros. Depois de passarem o dia inteiro no mar, os 22 tripulantes - o tripulante em falta nunca mais foi visto - foram recolhidos nessa noite, por volta das 23H00, pelo navio suíço(!) St. Cergue que os desembarcou posteriormente em Salvador na Baía.
Quanto aos três oficiais aprisionados, capitão, imediato e maquinista, esses tiveram que esperar mais de um mês até que o U-518 tivesse regressado à sua base francesa de Lorient a 27 de Abril. Depois de umas desculpas formais e pouco sentidas, foram libertados e regressaram à Suécia. Com o Industria, e apenas nesse primeiro trimestre de 1943, já se ia no quarto navio sueco que era afundado pelos U-Boot da Kriegsmarine. O U-164 afundara um logo em 1 de Janeiro, o U-358 outro a 22 de Janeiro, o U-530 um terceiro a 9 de Março e agora o U-518 há precisamente 75 anos. Todos esses acidentes tiveram lugar em pleno Atlântico. Eram distracções a mais para com a frota mercante de um país reconhecidamente neutral e que se podem explicar sobretudo pela posição geográfica e estratégica incómoda que a Suécia ocupa, estando então totalmente cercada numa Europa dominada pela Alemanha. Ao contrário de Portugal, a Suécia tinha que engolir e calar, não estava em condições de retaliar às contínuas provocações alemãs, cedendo aos seus inimigos amplas facilidades logísticas em bases aéreas nos arquipélagos situados no meio do Atlântico.

03 setembro 2017

O CINQUENTENÁRIO DO DAGEN H

3 de Setembro de 1967. Há cinquenta anos, numa gigantesca e metódica operação que recebeu a designação de Dagen H (dia H), a Suécia mudou o sentido da circulação do seu trânsito do lado esquerdo da via (à inglesa) para o lado direito, como acontecia (acontece) com todo o resto da Europa continental. Muito foi antecipado, mas nem tudo terá sido previsto, pois existe uma famosa fotografia de uma rua de Estocolmo nesse dia (abaixo)...
Mas, mais do que as consequências imediatas do próprio dia, o impacto da mudança do sentido do trânsito ter-se-á prolongado pelos anos seguintes. Numa outra fotografia, ainda de Estocolmo mas já datada de 1968 (o autor foi Gunnar Smoliansky) aparece uma senhora, passeando o seu caniche pela trela mas visivelmente confusa junto a uma passadeira, onde se pode ler inscrito um aviso do lado correcto para onde se deve olhar...

01 junho 2017

A ALTERAÇÃO DO SENTIDO DA CIRCULAÇÃO RODOVIÁRIA

Há precisamente oitenta e nove anos procedeu-se em Portugal a uma reforma das verdadeiramente estruturais, reforma essa que, tendo-se processado da esquerda para a direita, não me parece ser de considerar uma reforma nem de direita, nem de esquerda. Refiro-me à inversão do sentido da circulação rodoviária que fora até aí à britânica (conforme se pode ver na fotografia acima, feita na Avenida da Liberdade de Lisboa ainda antes dessa data*) e que passou neste dia 1 de Junho de 1928 a ser à continental. Esta tão importante mudança caiu completamente no esquecimento e hoje serão muito poucos os que saberão que em Portugal já se conduziu do outro lado da estrada. Mas, se calhar, vale a pena acrescentar mais qualquer coisa de pedagógico à história desta transição suave que se distingue por não ter deixado memórias de ter sido realizada. Gradualmente, a totalidade dos países da Europa continental que ainda não o fazia foi mudando o sentido da circulação rodoviária. Com uma excepção; a Suécia, que apesar de ser sempre considerada uma sociedade muito avançada, deixou o assunto arrastar-se por décadas e só se decidiu a alterar o sentido da circulação em 3 de Setembro de 1967, ou seja 39 anos depois disso ter acontecido em Portugal. Só que nessa época já o número de viaturas em circulação subira exponencialmente e a mudança teve que ser planeada metodicamente como se de uma operação militar se tratasse - o Dia H. Apesar de toda a planificação, existe uma famosa fotografia de uma das artérias centrais de Estocolmo nesse primeiro dia...
* O objecto da fotografia é o que terá sido um dos primeiros semáforos a aparecer em Portugal, ainda apenas com duas luzes e que paradoxalmente, considerado o argumento da vantagem da gestão automática dos fluxos de trânsito, era accionado pelo próprio polícia sinaleiro.