Que as revistas especializadas em membros da realeza e em tontos e tontas que gravitam à sua volta dão mostras de uma incorrecção política total na forma eurocêntrica como cobrem os acontecimentos é coisa que perceberão descaradamente os leitores especializados* nas ditas revistas quando não conseguirem decifrar de antemão o significado o título deste poste. Por leitores especializados entenda-se, evidentemente, aquelas que todas as semanas têm encontro marcado no cabeleireiro…

Começando as explicações pelo princípio, esclareça-se que a
dinastia Tupou reina em Tonga desde 1875. E que
Tonga é um reino formado por um arquipélago de ilhas no meio do Pacífico. É um
país pequeno pelos padrões internacionais – um pouco mais de 100.000 habitantes – embora tenha, mesmo assim, o triplo da população do Mónaco embora lhe falte uma Casa Reinante como a dos Grimaldi com a sua Grace Kelly, uma Carolina ou uma Stéphanie para ir alimentando as revistas do cabeleireiro, cada uma fazendo-o à sua maneira...

Mas trata-se de uma injustiça, e de uma incompetência gritante dos jornalistas do género, porque a Casa Real de Tonga também já teve os seus titulares interessantes. A começar pela avó do monarca actual, que era a rainha Salote Tupou III* (1900-1965), que reinou de 1918 até à sua morte, e que era uma daquelas rainhas que, como se costuma dizer em tais revistas, tinha
presença! Não é dificil de perceber porquê, visto que era uma soberana que impunha naturalmente respeito nos seus súbditos, do alto dos seus 1,91 metros de altura que fizeram dela
uma das mulheres mais altas do mundo!
O seu filho e sucessor Taufa'ahau Tupou IV (1918-2006) também era um genuíno filho da sua mãe, com os seus 1,96 metros de altura a que adicionava um peso que era tratado como
segredo de estado, mas que se situava bem para além dos 200 Kg. Aliás, o rei era uma
lenda entre os serviços de protocolo dos países estrangeiros, devido aos problemas específicos que a sua presença levantava quando das suas visitas em deslocações oficiais: havia sempre que acautelar que as cadeiras onde ele se fosse sentar pudessem aguentar com o seu peso…

Foi o que aconteceu, por exemplo, durante as cerimónias do casamento de Carlos e Diana em Julho de 1981, onde o Rei de Tonga, distinguido entre imensos convidados de prestígio, teve direito à sua cadeira privativa durante a cerimónia, não se desse o caso de Taufa'ahau Tupou IV vir a
rebentar com um dos bancos corridos da Catedral de São Paulo em plena cerimónia… Embaraçosamente, o rei acabou por tomar o gosto de
coleccionar as cadeiras especiais concebidas especialmente para ele nestas ocasiões…
Noutra ocasião, ao realizar uma visita oficial à Alemanha, Taufa'ahau Tupou IV teve também o privilégio de ser um dos raros estadistas que se pôde medir
taco a taco com o chanceler Helmut Kohl (1,93 metros de altura e
outro segredo de estado quanto ao peso…). Por uma vez, para a fotografia protocolar, a República Federal da Alemanha teve alguém à sua medida: o Reino de Tonga!... Porque, embora Tonga seja um país geralmente desconhecido, se apenas a imponência de cada chefe de estado contasse para a sua importância, Tonga teria recebido assento permanente no Conselho de Segurança da ONU - com uma cadeira reforçada, naturalmente!...

Honestamente, digam-me lá se estes pormenores não são mais
importantes e, sobretudo, muito mais divertidos do que o rol infindável de namorados bisonhos que Stéphanie do Mónaco costuma desencantar?
As fotografias (de cima para baixo) são as das Armas da Casa Real de Tonga, da Rainha Salote Tupou III, do Rei Taufa'ahau Tupou IV e do Rei Siaosi Tupou V (1948- ), actual soberano,
cujas descrições fazem dele um excêntrico que parece não gozar de grande popularidade junto dos seus súbditos.
* Note-se a minha correcção política de não escrever leitoras especializadas…
** Em Tonga, o ordinal aplica-se ao apelido dinástico e não ao primeiro nome, como é costume no ocidente.