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13 setembro 2011

APESAR DE ATRASADO…


…mesmo assim ainda vou a tempo de afixar o sempre espectacular confronto entre o Sipi Tau e o Haka do jogo inaugural (Tonga – Nova Zelândia) da Taça do Mundo de Râguebi que se está disputar neste último país. As explicações do que é o Sipi Tau e o Haka estão neste poste aqui, publicado desde a Taça do Mundo de 2007.

Adenda: Por causa dos marretas dos direitos de autor (ganhar-se-á assim tanto em proteger as imagens de dois minutos prévios e supletivos de um espectáculo que irá decorrer ao longo dos outros oitenta?), tive que o substituir acima por outro Haka contra outro Sipi Tau, da Taça do Mundo de 2007.

07 setembro 2007

HAKA

Agora que se vai iniciar o Campeonato do Mundo de Râguebi, vem a propósito falar do Haka, um espectáculo dentro de outro espectáculo. Trata-se de uma dança guerreira executada pela equipa neozelandesa no centro do campo, diante dos adversários, antes do jogo se realizar. Foi um ritual importado directamente do folclore maori, os polinésios que habitavam a Nova Zelândia antes do povoamento por europeus do século XIX.
Como o râguebi se tornou um jogo muito popular entre as nações polinésias do Pacífico (onde existem frequentemente pessoas com a compleição física ideal para o praticar), também elas adoptaram cânticos guerreiros semelhantes ao Haka, como sejam o Cibi de Fidji, o Siva Tau de Samoa ou o Sipi Tau de Tonga. Quando duas destas selecções se defrontam e se põem a executar o seu cântico simultaneamente o resultado é impressionante: veja-se aqui, no último mundial, Nova Zelândia versus Tonga…
Fica para o fim o esclarecimento da dúvida por quem vou torcer neste Mundial. À selecção portuguesa cumpre-lhe a enorme missão de se bater com dignidade e não perder por muitos, que este não é um desporto propenso a muitos milagres*… As razões históricas, de que já falei aqui num poste anterior, levam-me a torcer pelo País de Gales (acima), mas as razões estéticas, de que falarei num poste futuro, levam-me a torcer pelos All Blacks da Nova Zelândia (abaixo). E a razão diz-me que devia ser mais estético que histórico…
* A Espanha, por exemplo, na sua única participação em Mundiais (1999), perdeu por 27-15 com o Uruguai e depois enfardou 47-3 da África do Sul e 48-0 da Escócia. Nota adicional de humilhação: tanto a equipa sul-africana (os Springboks) como a escocesa alinharam nesses jogos quase só com reservas… Mas há quem tenha perdido 142-0 (Austrália – Namíbia) e 111-13 (Inglaterra – Uruguai), ainda no último Mundial de 2003…

08 agosto 2007

A DINASTIA TUPOU DE TONGA

Que as revistas especializadas em membros da realeza e em tontos e tontas que gravitam à sua volta dão mostras de uma incorrecção política total na forma eurocêntrica como cobrem os acontecimentos é coisa que perceberão descaradamente os leitores especializados* nas ditas revistas quando não conseguirem decifrar de antemão o significado o título deste poste. Por leitores especializados entenda-se, evidentemente, aquelas que todas as semanas têm encontro marcado no cabeleireiro…
Começando as explicações pelo princípio, esclareça-se que a dinastia Tupou reina em Tonga desde 1875. E que Tonga é um reino formado por um arquipélago de ilhas no meio do Pacífico. É um país pequeno pelos padrões internacionais – um pouco mais de 100.000 habitantes – embora tenha, mesmo assim, o triplo da população do Mónaco embora lhe falte uma Casa Reinante como a dos Grimaldi com a sua Grace Kelly, uma Carolina ou uma Stéphanie para ir alimentando as revistas do cabeleireiro, cada uma fazendo-o à sua maneira...
Mas trata-se de uma injustiça, e de uma incompetência gritante dos jornalistas do género, porque a Casa Real de Tonga também já teve os seus titulares interessantes. A começar pela avó do monarca actual, que era a rainha Salote Tupou III* (1900-1965), que reinou de 1918 até à sua morte, e que era uma daquelas rainhas que, como se costuma dizer em tais revistas, tinha presença! Não é dificil de perceber porquê, visto que era uma soberana que impunha naturalmente respeito nos seus súbditos, do alto dos seus 1,91 metros de altura que fizeram dela uma das mulheres mais altas do mundo!

O seu filho e sucessor Taufa'ahau Tupou IV (1918-2006) também era um genuíno filho da sua mãe, com os seus 1,96 metros de altura a que adicionava um peso que era tratado como segredo de estado, mas que se situava bem para além dos 200 Kg. Aliás, o rei era uma lenda entre os serviços de protocolo dos países estrangeiros, devido aos problemas específicos que a sua presença levantava quando das suas visitas em deslocações oficiais: havia sempre que acautelar que as cadeiras onde ele se fosse sentar pudessem aguentar com o seu peso…
Foi o que aconteceu, por exemplo, durante as cerimónias do casamento de Carlos e Diana em Julho de 1981, onde o Rei de Tonga, distinguido entre imensos convidados de prestígio, teve direito à sua cadeira privativa durante a cerimónia, não se desse o caso de Taufa'ahau Tupou IV vir a rebentar com um dos bancos corridos da Catedral de São Paulo em plena cerimónia… Embaraçosamente, o rei acabou por tomar o gosto de coleccionar as cadeiras especiais concebidas especialmente para ele nestas ocasiões…

Noutra ocasião, ao realizar uma visita oficial à Alemanha, Taufa'ahau Tupou IV teve também o privilégio de ser um dos raros estadistas que se pôde medir taco a taco com o chanceler Helmut Kohl (1,93 metros de altura e outro segredo de estado quanto ao peso…). Por uma vez, para a fotografia protocolar, a República Federal da Alemanha teve alguém à sua medida: o Reino de Tonga!... Porque, embora Tonga seja um país geralmente desconhecido, se apenas a imponência de cada chefe de estado contasse para a sua importância, Tonga teria recebido assento permanente no Conselho de Segurança da ONU - com uma cadeira reforçada, naturalmente!...
Honestamente, digam-me lá se estes pormenores não são mais importantes e, sobretudo, muito mais divertidos do que o rol infindável de namorados bisonhos que Stéphanie do Mónaco costuma desencantar?

As fotografias (de cima para baixo) são as das Armas da Casa Real de Tonga, da Rainha Salote Tupou III, do Rei Taufa'ahau Tupou IV e do Rei Siaosi Tupou V (1948- ), actual soberano, cujas descrições fazem dele um excêntrico que parece não gozar de grande popularidade junto dos seus súbditos.

* Note-se a minha correcção política de não escrever leitoras especializadas…
** Em Tonga, o ordinal aplica-se ao apelido dinástico e não ao primeiro nome, como é costume no ocidente.