31 de Outubro de 1939. O Mundo continuava em guerra, embora não se desse muito por isso. Esta edição acima do Diário de Lisboa de há oitenta anos esclarecia os seus leitores, em primeira página, sobre o que acontecera a respeito de operações militares terrestres: «Não se registaram quaisquer acontecimentos de importância». O que não impedia que uma coluna ocupando um quarto da página contivesse muitos outros acontecimentos relacionados com a guerra. Um deles era esta remodelação governamental ocorrida em Itália, uma Itália que, por aquela altura, ainda permanecia neutral. Não interessará ao leitor moderno saber quem entrara e quem saíra, mas surpreenderá porventura esse nosso leitor, saber que as mudanças eram interpretadas como contrárias à facção pró-alemã dentro do regime. A verdadeira história das relações entre o fascismo e o nazismo mostra que, para além das aproximações óbvias, também houve afastamentos subtis. No caso, ao demarcar-se de um dos lados em guerra, Benito Mussolini estaria provavelmente a pensar apresentar-se como mediador das facções beligerantes.
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31 outubro 2019
20 outubro 2019
O SEPARATISMO SICILIANO
(Ainda) 20 de Outubro de 1944. O jornal daquele dia dá conta de uma situação bastante tensa na Sicília: «motins de carácter separatista» que provocaram 16 mortos e 104 feridos. O assunto é colateral para uma Europa imersa na Segunda Guerra Mundial, quando uma das frentes de combate entre alemães e aliados ainda passa por Bolonha, no norte da Itália, apenas a 700 km de Palermo, capital da Sicília. Em geral, os assuntos relacionados com os separatismos da Europa ocidental são sempre tratados com pinças e discrição, mas eles sempre existiram, as questões da Catalunha e da Escócia são apenas os que estão agora em destaque.
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13 junho 2019
AS ELEIÇÕES EM TRIESTE (MAS SÓ NA ZONA A)
13 de Junho de 1949. Realizam-se eleições municipais no território livre de Trieste, região encravada entre a Itália e a Jugoslávia, mas na zona que era administrada pelos Aliados (Zona A). Trieste, cuja história do Século XX já aqui foi contada neste blogue. Na notícia do jornal, a vitória dos partidos italianos é apresentada como se eles se tivessem apresentado conjuntamente, o que não é verdade: os 63% que se mencionam resultam da adição da votação da Democracia Cristã (39%), Socialistas (6%), Neo-Fascistas (6%), Republicanos (5%), Liberais (5%), etc. De qualquer maneira, a maioria que exprimira a sua opção por uma futura reunião com a Itália era significativa, ainda que a eleição em si fosse meramente simbólica: a maioria das decisões administrativas pertenciam ao governo militar. Mas para os países ocidentais, a organização de eleições era um imperativo, na esperança que isso forçasse o padrão do comportamento dos ocupantes soviéticos, que nos países do Leste da Europa se actuasse da mesma forma. Mas não: é verdade que havia eleições, mas não livres. Quanto ao caso particular de Trieste, a situação veio a ficar resolvida em 1954 com a anexação da Zona A pela Itália e da Zona B pela Jugoslávia. Actualmente, os territórios que haviam pertencido a esta última Zona estão divididos entre a Eslovénia e a Croácia.
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04 junho 2019
OS ALIADOS ENTRAM EM ROMA
4 de Junho de 1944. As tropas aliadas entram em Roma, evacuada pelos alemães, porque as derrotas militares a haviam tornado numa cidade defensivamente insustentável. Ao contrário de vários outros episódios do passado, desta vez Roma não foi directamente conquistada, embora tenha sido perdida pelos anteriores ocupantes. O video noticioso acima é o que se poderá esperar de uma produção de propaganda da época. Aparecem lá várias cenas que veremos reencenadas dali por quase três meses, quando do mesmo acontecer em Paris: a alegria das multidões, celebrando as unidades motorizadas que desfilam por áreas da cidade facilmente reconhecíveis, como o Coliseu ou a Fonte de Trevi (em Paris serão locais como a Torre Eiffel ou os Campos Elísios), também o ajuste de contas com os últimos colaboracionistas e os esforços (neste caso de Roma, mais esforçados que reais) de mostrar que houve militares da própria nacionalidade que também contribuíram para a conquista da sua capital. Há dois aspectos, porém, que não se virão a repetir. Por um lado, em Roma há a presença do Papa, figura que concita as atenções, especialmente numa hora tão solene e o video acima não se atreve a esquecer-se de Pio XII. Mas, mesmo com essa concorrência, o general americano Mark Clark não deixa de tratar da sua promoção, deixando-se fotografar junto a uma das placas nos arredores da cidade ou passeando-se por Roma de jipe, deslocando-se como um oficial subalterno no comando de um qualquer pelotão de reconhecimento do seu exército de 150.000 homens (também aparece no video). Ora em Paris não haverá nada disto, e não porque não houvesse por lá generais americanos de igual patente com aquela mesma sede de protagonismo de brincar aos conquistadores, como será o caso de George Patton. Mas Paris, não tendo Papa, tinha Charles de Gaulle, que funcionava como uma verdadeira esponja que chupava todo o protagonismo que pudesse existir à sua volta...
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18 maio 2019
O FIM DA BATALHA DE MONTE CASSINO
18 de Maio de 1944. Se aqui assinalámos há quatro meses o início da Batalha de Monte Cassino, é da mais elementar justiça assinalar o seu fim. E relembrar que, a meio da batalha e a cerca de uns 90 km para Sul, também a Natureza se quis associar ao exercício de destruição, com a erupção do Vesúvio.
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07 abril 2019
A INVASÃO ITALIANA DA ALBÂNIA
7 de Abril de 1939. A Itália invade a Albânia. A resistência albanesa colapsará em poucos dias e o país é anexado. No campeonato dos amores próprios ofendidos dos ditadores belicistas da Europa, é desta forma que Mussolini responde a Hitler, que se esquecera de o avisar das suas intenções de invadir a Boémia e a Morávia, ou ainda de recuperar Memel à Lituânia. Ainda faltam cinco meses para a eclosão da Segunda Guerra Mundial, mas este acompanhamento compassado destes momentos de uma diplomacia cada vez mais musculada permite perceber melhor como o Grande Conflito não foi sentido pelos observadores como um inesperado balde de água fria, antes como uma progressiva entrada numa banheira de água a escaldar.
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04 abril 2019
A ASSINATURA SOLENE DO PACTO DO ATLÂNTICO
4 de Abril de 1949. Com destaque de primeira página e amplo desenvolvimento noticioso nessa e na última página, noticia-se a assinatura solene do Pacto do Atlântico. Assinam-no doze países: Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Reino Unido. Portugal faz-se representar na cerimónia pelo veterano José Caeiro da Mata, ministro dos Negócios Estrangeiros. Se a sua fotografia na primeira página é demonstrativa de uma certa ingenuidade daquela época para com as novas artimanhas publicitárias (o logotipo da TWA bem à vista quando descia do «avião em que cruzou o Atlântico»), o teor das suas declarações publicadas na última página mostra as preocupações da diplomacia portuguesa com o sucesso que alcançara: não excitar demasiado os ciúmes do regime espanhol (que fora proscrito da NATO).
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18 março 2019
A ERUPÇÃO DO VESÚVIO
18 de Março de 1944. Em Itália e em plena Segunda Guerra Mundial, apesar da destruição da frente de batalha passar apenas a 90 km dali, em Monte Cassino, a Natureza, na sua suprema indiferença, resolve exibir-se, accionando o Vesúvio, que entra em erupção. Aos beligerantes resta-lhes contemplar impotentes os tremendos poderes destrutivos - mas neutrais - da Natureza.
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11 fevereiro 2019
A ASSINATURA DO TRATADO DE LATRÃO
11 de Fevereiro de 1929. Assinatura em Roma do Tratado de Latrão que regulariza as relações entre a Itália e a Santa Sé. A diplomacia do Vaticano, célebre pela sua paciência, já havia esperado 58 anos pela resolução da Questão Romana, mas apercebera-se que naquele caso o tempo não se apresentava, decididamente, a seu favor. A Pio IX, que em 1871 se recusara a reconhecer a perda da sua soberania temporal sobre Roma e as regiões históricas adjacentes do papado, haviam-se sucedido quatro outros papas (Leão XIII, Pio X, Bento XV e, agora, Pio XI) que se haviam obrigado a passar todo o seu pontificado encerrados no Vaticano. O Tratado que era então assinado (assinale-se, por curiosidade, que era véspera de Carnaval) juntava as assinaturas do Cardeal Pietro Gasparri, secretário de Estado (1º ministro) do Vaticano e do Duce Benito Mussolini, pelo lado italiano. Apesar do destaque que se pode apreciar abaixo (Portugal era um país católico, a resolução da questão era um facto importante), o acontecimento só foi noticiado em Portugal dois dias depois. As ULTIMAS NOTICIAS eram então uma realidade diferente...
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17 janeiro 2019
A BATALHA DE MONTE CASSINO
17 de Janeiro de 1944. Começa a Batalha de Monte Cassino. Virá a constituir a batalha de referência da campanha que os Aliados travarão pela conquista de Itália durante a Segunda Guerra Mundial. O Monte, com um pouco mais de 500 metros de altitude e situado a uns 130 km a sudeste de Roma e a uns 80 km a norte de Nápoles, é encimado pela Abadia desse nome (acima, depois de destruída pelos bombardeamentos aliados), o mosteiro de origem daquela ordem, fundada em 529. Por outro lado, Monte Cassino é também um ponto táctico notável, cujo controlo permite o estabelecimento de uma linha defensiva dominando as alturas, criando uma barreira no centro da península italiana. A sua posse é decisiva para que essa barreira se possa conservar e, assim, Monte Cassino pode ser considerado como o ferrolho de tal dispositivo. Em princípios de 1944 os alemães detinham-no, e os Aliados queriam-nos desalojar. Nos quatro meses que se vão seguir a 17 de Janeiro de 1944 haverá quatro batalhas para desalojar os alemães daquela posição. A multinacionalidade das tropas atacantes caracterizará os combates: envolverá britânicos e americanos, mas também neozelandeses, indianos, magrebinos franceses, canadianos e polacos. A posição só virá a cair em meados de Maio após ter causado 55.000 baixas entre as forças aliadas. A condução dos combates ainda hoje é um assunto controverso, como se pode deduzir pelo subtítulo do livro abaixo, fortemente crítico do general (norte-americano) Mark Wayne Clarke. Controvérsias essas que, como é costume, são depuradas na página a ele dedicada na wikipedia.
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11 janeiro 2019
A EXECUÇÃO DOS DIGNITÁRIOS FASCISTAS QUE HAVIAM DERRUBADO MUSSOLINI
11 de Janeiro de 1944. Os jornais anunciam o fuzilamento de cinco dignitários fascistas que haviam votado pela deposição de Mussolini numa célebre reunião do Grande Conselho Fascista que tivera lugar a 24 de Julho de 1943. Nesses seis meses, a Itália concluíra um armistício com os Aliados que a ocupavam em parte (a Sul), fora ocupada pelos alemães na parte restante e acabara declarando guerra à antiga aliada Alemanha. Entretanto, Mussolini, que fora preso em Julho pelas novas autoridades italianas, fora libertado em Setembro pelos alemães e fundara um governo alternativo no Norte do país. Nesse frenesim houve quem tivesse sido apanhado do lado errado da frente de combate, o que acontecera àqueles cinco dignitários, que terão abusado da sorte em tempos incertos. Ciano (genro de Mussolini), De Bono, Pareschi, Gottardi e Marinelli foram julgados e condenados à morte num julgamento que durou dois dias. As execuções tiveram lugar 48 horas depois, no polígono de tiro do forte de San Zeno em Verona. É mais do que significativo que quem as anuncia é a agência noticiosa alemã DNB.
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31 dezembro 2018
IMAGENS DE 2018 - O TURISMO DE GALOCHA
Veneza, 30 de Outubro. Um par de turistas asiáticas exibe-se exuberantemente com as suas compras na emblemática Praça de São Marcos que está inundada e onde a água a atinge uma altura acima do joelho. O comércio local tenta reagir como pode às circunstâncias, criando um conjunto de imagens bizarras que percorreram mundo.
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13 novembro 2018
A OCUPAÇÃO DE CONSTANTINOPLA
13 de Novembro de 1918. Desembarque dos primeiros contingentes aliados em Constantinopla, a capital do Império otomano. Os britânicos estão em franca maioria (2.616 efectivos - acima), mas franceses (540 - abaixo) e italianos (470 - mais abaixo) também se quiseram mostrar presentes. As tropas de ocupação chegarão a ser 50.000. Há cem anos, o momento não podia deixar de despertar evocações simbólicas - uma espécie de desforra - referente à data de 29 de Maio de 1453, 465 anos antes, dia em que a cidade fora conquistada pelos otomanos aos bizantinos.
Mas essa era apenas parte da História, e a parte da História que convinha evocar para aquela ocasião. Porque em 13 de Abril de 1204, a 714 anos de distância, portanto, já a mesma Constantinopla fora conquistada por um exército de cruzados vindo da Europa ocidental, um exército cuja composição - descontando os alemães, desta vez ausentes - muito se assemelhava à dos contingentes que há cem anos se exibiam, desfilando, perante os habitantes da milenar cidade imperial. A rematar, registe-se a discriminação: nem Berlim, nem Viena ou Budapeste virão a ser ocupadas...
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03 novembro 2018
O ARMISTÍCIO DE VILLA GIUSTI
3 de Novembro de 1918. Se a Itália foi a última das grandes potências europeias a entrar na Grande Guerra, também se vai destacar por ser a primeira delas a sair dela. Há precisamente cem anos, numa Vila dos arredores de Pádua, os italianos, devidamente acompanhados dos seus aliados, assinaram um armistício contra o adversário que verdadeiramente lhes interessava, o Império Austro-Húngaro, a passar então por um processo acelerado de desagregação nas suas entidades nacionais constitutivas. O armistício foi assinado um pouco depois das três da tarde embora o quadro abaixo, evocativo da cerimónia, mostra o acto a ter lugar ao redor de uma mesa muito maior do que a verdadeira e sob a artificialidade da luz eléctrica, sugestivo de complicadas e prolongadas negociações que, na verdade, não ocorreram - bastou aos italianos a ameaça de romperem as negociações para que a aristocracia austro-húngara se precipitasse a assinar, na esperança de ainda salvar o que pudessem do seu império.
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24 outubro 2018
É UM GOSTO QUANDO ESTE PASQUIM TEM DE DAR O BRAÇO A TORCER
Dada a forma memorável como no Observador se acompanhou a crise grega, as vitórias eleitorais do Syriza e o desempenho do primeiro-ministro Alexis Tsipras, não se devem perder as oportunidades de enfatizar as ocasiões em que o mesmo jornal, ainda que a contragosto, se vê obrigado a dar-nos conta dos sucessos registados naquele país no reequilíbrio da sua situação financeira, com aquele primeiro ministro a encabeçar um governo daquele partido - de quem tanto mal foi dito! Vale a pena realçar que, acentuando o contragosto, a notícia acima, colocada hoje on-line, é apenas a transposição da produzida pela agência Lusa.
É estranho que um jornal que teve no passado tal riqueza de pensadores e de opinadores sobre a realidade grega, não tenha agora um disponível para escrever uma peça autónoma sobre o tema da Grécia, nem que fosse - para variar! - uma honesta penitência... Para os leitores, estes exemplos do passado, comprovados no presente, devem ser um alerta sobre a credibilidade da publicação. Eu gostaria de acreditar que terá sido pelo aprender com os erros passados, que a atitude do Observador para com a actual indisciplina orçamental da Itália se esteja a mostrar muito mais moderada do que a ferocidade como José Manuel Fernandes causticou a Grécia ao longo de todo o ano de 2015 (abaixo).
É que, se não tiver sido por ter aprendido a lição de ter disparatado em demasia com a Grécia, a outra hipótese que resta para a condescendência agora demonstrada pelo Observador para com a Itália, dever-se-á ao facto de que a indisciplina orçamental de agora vir de organizações políticas de extrema-direita, enquanto que Tsipras e o Syriza eram de extrema-esquerda...
12 setembro 2018
O RESGATE DE MUSSOLINI, OS FACTOS E OS FEITOS
12 de Setembro de 1943. Uma operação aerotransportada de paraquedistas alemães liberta o antigo Duce Benito Mussolini do cativeiro em que fora colocado pelas autoridades italianas. A operação terá tido significativo efeito na moral alemã mas terá poucas consequências práticas: não houve um ressurgimento da resistência italiana aos Aliados. Mussolini foi colocado à frente de um estado fantoche sob uma tutela alemã não disfarçada. Mas não são as circunstâncias nem as consequências da Operação Carvalho que aqui se pretende desenvolver. Hoje, quando se completam precisamente 75 anos sobre a sua realização.
A operação foi concebida e comandada por um major Otto-Harald Mors (na fotografia acima, ao lado de Benito Mussolini) e pelos seus paraquedistas. E, no entanto, quem pensa que sabe alguma coisa sobre o assunto, concebe-a protagonizada por Otto Skorzeny das SS (fotografia abaixo).
Na verdade, aquilo em que Skorzeny se revelou muito superior a Mors foi em descaramento, imodéstia e instinto para aparecer na fotografia, nomeadamente insistindo em acompanhar Mussolini (um risco para a segurança do resgatado!) para se exibir depois junto de Hitler. A condecoração atribuída a Skorzeny foi mais elevada do que a atribuída a Mors. A acrescer a isso, depois da guerra, Skorzeny continuou a insistir em contar a proeza à sua maneira (abaixo, o esboço foi desenhado anos depois da acção ter tido lugar). Há a História e há estes romances em que os heróis - do estilo de Skorzeny - são aqueles que têm mais jeito para contar como foram heróis...
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10 agosto 2018
10 DE AGOSTO: UMA DATA DE CALENDÁRIO APARENTEMENTE PROPÍCIA A EVASÕES DE PODEROSOS
Neste dia de 1874, quem se evadiu foi François Achille Bazaine (1811-1888), Marechal de França, que fora condenado a vinte anos de prisão por ter capitulado com o exército que comandava aquando da Guerra Franco-Prussiana (1870-71). Ainda nem um ano cumprira, na ilha de Santa Margarida, quando o marechal se evadiu conjuntamente a esposa (que o acompanhara na prisão!), refugiando-se depois em Madrid, onde veio a falecer dali por 14 anos, não sem se ver alvo de um atentado por parte de um francês mais intolerantemente patriota. Também neste dia de 1983, outro poderoso que se evadiu foi Licio Gelli (1919-2015), um financeiro italiano associado ao escândalo da falência de um banco e com uma poderosíssima rede de contactos devida ao facto de ser o grão-mestre de uma organização maçónica denominada P2. Preso na Suíça a pedido das autoridades italianas, também ele não chegou a cumprir um ano na prisão, enquanto os seus advogados tentavam atrasar o processo de extradição. Sinal dos novos tempos, não há nada melhor do que plantar uma manobra de desinformação (abaixo) para tentar diluir o impacto do episódio da evasão que constituía, afinal, uma completa admissão de culpa de Gelli...
O futuro dos acontecimentos viria a provar que o hipotético «refém» afinal fugira para a América Latina, onde permaneceria na clandestinidade por quatro anos, antes de retornar à Europa, para um fim de vida repleto de incidentes judiciais. Mas neste caso, talvez por se tratar de uma questão de dinheiro e não de honra, não há registo de quem tenha atentado contra a sua vida.
06 agosto 2018
A MORTE DO PAPA PAULO VI... E DOS GERONTES EM CARGOS DE DESTAQUE
6 de Agosto de 1978. Há precisamente 40 anos, os grandes órgãos de comunicação de todo o Mundo ocidental anunciavam a morte (previsível) do papa Paulo VI, depois de um pontificado de 15 anos e uma doença terminal. As imagens acima são do momento desse anúncio no telejornal da RAI italiana. E a imagem abaixo é da capa de um jornal comunista português da altura, dando à morte do papa o destaque de um sexto da primeira página. Os tempos haviam evoluído para que a morte dos titulares de cargos em funções se tornasse um acontecimento cada vez mais raro. As democracias procediam naturalmente à renovação do pessoal eleito. Os ditadores dos regimes dos bons velhos tempos já haviam morrido - o último caso acontecera com Franco em Novembro de 1975 (mais abaixo). Os monarcas ainda morriam no seu posto, mas o seu papel político passara a ser meramente decorativo. O que restava era mesmo notícia porque resultava de acidentes, atentados ou problemas de saúde súbitos.
Quanto às mortes dos gerontes ainda em cargos de destaque, a segunda metade daquela década de 70 revelou que, com essa categoria e com uma morte macambúzia digna de destaque, apenas restavam os papas em Roma... e os secretários-gerais do partido comunista de Moscovo (a terceira Roma). Aliás, do ponto de vista estritamente jornalístico, o exemplo do espaço de primeira página dedicado pelo Diário de Lisboa a cada um dos óbitos dessa época exibe à evidência para onde iam as fidelidades religiosas daquele jornal. Compare-se a visibilidade dada à notícia da morte de Paulo VI (o tal sexto de página) com as que vieram a ser dadas, em robusta meia página, às de Brejnev (1982), Andropov (1984) e Chernenko (1985). E contudo, mesmo contando que já há «apenas dois milhões de católicos praticantes em Portugal» (2010), isso é sensivelmente o dobro do máximo dos votos que os comunistas alguma vez receberam no nosso país...
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19 julho 2018
O BOMBARDEAMENTO DE ROMA
19 de Julho de 1943. Há 75 anos Roma era fortemente bombardeada pelos Aliados. Entre as várias razões pelas quais a cidade permanecera relativamente incólume durante os quase quatro primeiros anos que então já levava a Segunda Guerra Mundial - era apenas o segundo bombardeamento que sofria - destacar-se-ia, decerto, o seu simbolismo como capital da cristandade. A acrescer a esse aspecto mais espiritual, colocava-se o mais concreto de que uma pequena parcela de Roma (44 hectares) que até era um país neutral: o Vaticano. A decisão de bombardear Roma só fora tomada pelos altos comandos aliados depois de ponderadas hesitações. Mas a sua situação central na península italiana, como nódulo das ligações rodoviárias e ferroviárias entre o Norte e o Sul de Itália e ainda os seus aeroportos (Littorio, Ciampino) tornavam-na num objectivo táctico indispensável de atingir para prejudicar a logística inimiga (especialmente a alemã), ainda para mais quando se combatia no Sul, depois dos recentes desembarques aliados na Sicília. Dessa vez foram catorze as esquadrilhas de bombardeiros da USAAF a lançar cerca de mil toneladas de bombas sobre a cidade milenar. Como era constante durante a época, a precisão do bombardeamento... não teve nada de preciso. Ficaram destruídos incontáveis edifícios civis, incluindo a Basílica de São Lourenço Fora de Muros. O contagem dos mortos e feridos provocados pelas bombas varia desde um mínimo de 719 mortos e 1.659 feridos até um máximo de cerca de 3.000 mortos e 11.000 feridos. Aproveitando o hiato deixado por um regime fascista em vias de se desagregar (e Benito Mussolini estava, nesse dia, longe de Roma, num encontro com Adolf Hitler), o papa Pio XII preencheu o vácuo político assumindo as suas funções pastorais como Bispo de Roma, visitando e confortando as populações mais atingidas. Na imagem acima vêmo-lo recitando o «De Profundis». Em contraste, a limousine de Vítor Emanuel III, o rei, foi vaiada e apedrejada quando da sua visita aos bairros afectados.
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10 julho 2018
A INVASÃO DA SICÍLIA
10 de Julho de 1943. Há precisamente 75 anos os Aliados desencadeavam o desembarque e a invasão da Sicília. No mapa acima, os norte-americanos são representados a azul-claro, os britânicos a roxo; do outro lado, o dispositivo italiano está representado a cor de laranja, as unidades alemãs presentes na ilha, a cor de rosa. Designada globalmente pelo nome de Husky, foi cronologicamente a segunda grande operação anfíbia da Segunda Guerra Mundial na Europa, depois dos desembarques no Norte de África (Operação Torch). Mais uma vez, como acontecera com a Operação Villain no Norte de África, quis-se reforçar a componente anfíbia do desembarque com o apoio em profundidade de unidades aerotransportadas. E, mais uma vez, apesar dos meios se terem multiplicado nesses oito meses, os resultados foram medíocres. Por causa disso, hoje não se fala praticamente do assunto, e daí a pertinência de aqui o evocar. Realizaram-se quatro operações, duas delas norte-americanas e duas britânicas. As duas primeiras têm a virtualidade de não aparecerem referidas sequer na Wikipedia, nem mesmo na página dedicada à própria 82.ª Divisão que as realizou(!). Mas, noutros locais, pode-se descobrir algum detalhe do que aconteceu, num dos casos os 144 aviões de transporte foram vítimas do fogo amigo da própria frota que apoiava o desembarque e que os confundiu com bombardeiros inimigos, abatendo 16% dos aviões que transportavam os paraquedistas. A formação das esquadrilhas desfez-se, e não terá sido por culpa dos passageiros que apenas 25% dos efectivos previstos se puderam depois encontrar sobre o objectivo. Quanto ao que aconteceu às unidades aerotransportadas britânicas, e ao contrário da evasiva americana, até existem páginas na Wikipedia que são dedicadas à Operação Fustian (envolvendo paraquedistas) e Ladbroke (com tropas lançadas em planadores). Os números relativos a esta última são eloquentes: dos 147 planadores que foram largados para atingir os objectivos no interior da Sicília, 47% foram largadas demasiado cedo e acabaram por cair no mar e apenas 8% atingiram as proximidades dos objectivos para que haviam sido destinados. Não é difícil perceber que, ao preceder-se à avaliação do desempenho das operações aerotransportadas durante a Operação Husky, se concluísse e se formasse uma facção a favor de que se deixasse de investir nelas, que se haviam revelado extremamente caras tanto em termos humanos quanto materiais, e tudo isso para a obtenção de resultados medíocres. Era a opinião do próprio Eisenhower, mas não era a opinião do seu superior, o chefe de Estado Maior George Marshall em Washington DC, que via naquelas novas formações o elemento de propaganda de tropas de elite de que qualquer exército em guerra não pode prescindir. Qual a utilidade das verdadeiras operações aerotransportadas, separar essa utilidade da existência de tropas paraquedistas como unidades de elite dos exércitos, são assuntos que ainda hoje se discutem com muito pathos e pouco logos.
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