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23 junho 2024

A ÓPERA INFANTIL DE THERESIENSTADT

A ópera infantil Brundibár foi composta originalmente em 1938 pelo compositor Hans Krása, baseada num libreto de Adolf Hofmeister (os dois autores são judeus checos). E porque Krása fora inicialmente internado no gueto de Theresienstadt (hoje Terezín), a ópera veio a ser representada umas dúzias de vezes naquele gueto durante a Segunda Guerra Mundial. Uma dessas representações aconteceu há precisamente oitenta anos, a 23 de Junho de 1944, quando o gueto foi visitado por uma delegação do Comité Internacional da Cruz Vermelha. A delegação era composta por três elementos, encabeçada pelo suíço Maurice Rossel, acompanhado de dois funcionários dinamarqueses (a Dinamarca estava ocupada pela Alemanha). A visita foi programada para durar todo o dia, mas seguia uma cenografia preparada pelos alemães de antemão, uma verdadeira encenação de aldeia Potenkin, onde se incluía a representação da ópera do vídeo acima. A realidade era outra: o menino com bigode que acima vemos a desempenhar o papel principal - o de Brundibár - chamava-se Hunze Triechlinger e foi um dos 33.000 mortos que viriam a morrer de subnutrição, doença e outras más condições que vigoravam no gueto de Theresienstadt. Outros 88.000 internados - como o compositor Hans Krása - foram deportados para Auschwitz, onde a grande maioria veio a morrer. Dos 140.000 internados que passaram por Theresienstadt durante a guerra, cerca de 23.000 terão sobrevivido. O instante de felicidade aparente do vídeo acima também não deve esquecer o facto de que o relatório de Maurice Rossel nada assinalava de anómalo, era um endosso da narrativa que os alemães das SS haviam preparado. Mais do que o homem, é um dos momentos mais embaraçosos da história da Cruz Vermelha que falhou clamorosamente nos objectivos que se proclama defender. Significativamente o relatório de Maurice Rossel só se tornou público em 1992, 48 anos depois dos factos.
Embora não haja a certeza que o vídeo inicial seja da representação de Brundibár feita para os membros da delegação da Cruz Vermelha de há 80 anos, esta última fotografia foi tirada pelo próprio Maurice Rossel nesse dia 23 de Junho de 1944, fotografia que apensou ao seu relatório.

80º ANIVERSÁRIO DA OPERAÇÃO «BAGRATION»

(Republicação)
23 de Junho de 1944. Início da Operação Bagration. Para os soviéticos, o desencadear da Operação Úrano, em Novembro de 1942, foi mais uma proeza de astúcia do que de força, cercando, para o aniquilar, e apenas devido à dispersão das forças do inimigo, o exército alemão que se obcecara em excesso com a conquista de Stalinegrado. Em Julho de 1943, na Batalha do Kursk (a Operação Cidadela, segundo o nome dado pelos alemães), já as forças presentes dos dois lados se equivaliam, e a vitória soviética resultou da habilidade de, conhecendo-lhe as intenções, dar a iniciativa ao inimigo, desgastando-o na sua ofensiva, para depois o contra-atacar depois disso. Mas nesta Operação Bagration, a coincidir com o início do Verão de 1944 e prometida aos Aliados por Stalin para a fazer coincidir com o desembarque na Normandia, já a superioridade passara inteiramente para o lado soviético. A questão já não se poria em saber qual o desfecho da ofensiva que o Exército Vermelho iria desencadear, a dúvida consistia apenas em saber qual a dimensão da derrota táctica da Wehrmacht. Essa derrota será colossal (como os cenários macroeconómicos de Vítor Gaspar...). Em duas semanas, pouco mais, serão destruídas 25 divisões alemãs, perder-se-ão 400.000 combatentes, haverá uma hecatombe entre os oficiais generais alemães: 9 mortos e 23 prisioneiros (na fotografia abaixo, da capitulação de Vitebsk, os dois generais alemães vencidos do lado direito, são o general Gollwitzer, comandante do 53º Corpo de Exército e o general Hitter, comandante da 206ª Divisão). O avanço soviético cifrou-se em 400 km e alcançou as antigas fronteiras da União Soviética com a Polónia e as repúblicas bálticas, a dinâmica da ofensiva veio a ser mais perturbada pelos problemas da logística de acompanhar um exército fortemente motorizado, do que pela capacidade de resistência das unidades alemãs ainda em condições de combater. No lugar das 25 divisões destruídas restaria o equivalente a 8 enquanto se aguardava a chegada de outras 8 em reforço. Diante delas, o estado-maior alemão enumeraria 126 divisões soviéticas de infantaria e outras 6 de cavalaria, para além de 62 brigadas blindadas. Naquele sector da Frente Leste e em termos de potencial de combate os alemães defrontar-se-ão a partir daí numa desproporção de um para dez! Hitler's Greatest Defeat é um livro já com 30 anos mas que cumpre a sua missão de explicar sucintamente uma tão grande e tão decisiva ofensiva em 170 páginas. Que é muito mais do que se pode dizer de evocações de jornal (em 2019) que mostram que quem as escreveu nem sequer quis perder muito tempo na wikipedia a documentar-se (para dizer mais que trivialidades misturadas com asneiras...).

10 junho 2024

O 80º ANIVERSÁRIO DO MASSACRE DE ORADOUR-SUR-GLANE

10 de Junho de 1944. Ocorre o massacre de Oradour-sur-Glane. Creio que não há nada a acrescentar ao texto que aqui publiquei depois de lá ter passado, no Verão de 2008.
Oradour-sur-Glane (há três povoações na região do Limousin que têm o mesmo nome de Oradour, distinguindo-se pelo curso de água que lhes passa próximo) é uma aldeia francesa situada a cerca de 25 km a Noroeste da cidade de Limoges. O destino dos seus habitantes durante a Segunda Guerra Mundial é um episódio cada vez mais esquecido, mas que permanece, ainda hoje, como um testemunho eloquente das consequências não só dessa Guerra, como de todas as guerras. Vale a pena contar aqui a sua História...

No seguimento do desembarque aliado na Normandia (6 de Junho de 1944) e do apelo dos Aliados à Resistência francesa para que esta dificultasse a progressão das unidades alemãs, um desses grupos clandestinos de guerrilheiros (conhecidos quando operavam em zonas rurais como maquis), organizou um golpe de mão em 9 de Junho em que se apoderou do Sturmbannführer SS (Major) Kämpfe e correu a notícia – que chegou naturalmente aos alemães – que os captores o pretendiam executar numa cerimónia pública.
A notícia, incluindo o local da suposta execução (Oradour-sur-Vayres, que fica a 28 km a Sul-Sueste de Oradour-sur-Glane) era falsa porque, como se veio depois a descobrir, Kämpfe fora executado pelos resistentes imediatamente depois da captura. Contudo, o oficial que ficou encarregue de investigar o caso, o Sturmbannführer SS Adolf Diekmann, pertencente à mesma unidade de elite de Kämpfe (a 2ª Divisão Blindada SS Das Reich - acima), acabou por confundir as duas localidades e conduziu o seu batalhão até Oradour-sur-Glane.

Estava-se a 10 de Junho de 1944, era um Sábado, fazia Sol, servia-se o almoço nos dois hoteis do centro da aldeia, o Hotel Abril e o Hotel Milord. Alguns citadinos, vindos de Limoges, andavam às compras daquelas provisões que tanto escasseavam naqueles tempos de racionamento. Mas, deixo o resto da descrição do que se passou a seguir para o trecho de introdução dos documentários da série O Mundo em Guerra (com a locução de Laurence Olivier):
Vindos desta estrada, num dia soalheiro de 1944… os soldados chegaram. Agora, ninguém cá vive. Ficaram apenas por umas horas. Quando partiram, a comunidade que aqui vivera por mil anos… morrera. Isto é Oradour-sur-Glane, em França. No dia em que os soldados chegaram, os habitantes foram reunidos. Os homens foram levados para garagens e celeiros, as mulheres e crianças foram levadas por esta estrada… e conduzidas… para esta igreja. Aqui ouviram os tiros enquanto os seus homens eram mortos. Então… também elas foram mortas. Algumas semanas depois, muitos dos que haviam matado tinha sido mortos por sua vez em combate. Nunca se reconstruiu Oradour. As suas ruínas são um memorial. O seu martírio representa os milhares e milhares de outros martírios na Polónia,… Rússia,… Birmânia,… China,… num Mundo em Guerra...*
O massacre fez 642 vítimas, com idades compreendidas entre os dezoito dias e os oitenta e cinco anos. Sobreviventes houve sete: uma mulher, cinco homens e uma criança. Valha a verdade que o episódio foi severamente condenado entre os alemães: o superior hierárquico de Diekmann, o Standartenführer (Coronel) Stadler mandou abrir contra ele um processo judicial. Mas a morte de Diekmann 19 dias depois do massacre, a derrota das tropas alemãs na Normandia e o veto de Hitler conduziram os resultados desse processo a nada. Só oito anos e meio depois do massacre (em Janeiro de 1953) é que o caso veio a ser julgado em tribunal, em Bordéus. Dos cerca de 150 a 200 participantes apenas 21 estavam no banco dos réus (abaixo). Além da ausência daqueles que haviam entretanto morrido (especialmente durante a Guerra), tanto a Alemanha Federal como a Alemanha Democrática haviam-se recusado a extraditar os seus nacionais envolvidos nos acontecimentos. E de uma forma que se revelava completamente paradoxal, dos 21 réus, havia 14 que eram franceses!
Tratava-se de franceses originários da Alsácia, a região que havido sido francesa desde os tempos de Luís XIV até 1871, que se tornara alemã entre 1871 e 1918, voltara a ser francesa de 1918 a 1940 e que novamente fora anexada pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Os seus naturais (que habitualmente até falam um dialecto germânico) tinham-se tornado dessa forma cidadãos do Reich e foi assim que muitos se viram incorporados nas unidades militares alemãs – os chamados malgré nous**. O julgamento assumiu assim um carácter político de confronto entre duas regiões de França, com o Conselho de Guerra a pronunciar em Março de 1953 duas condenações à morte (uma de um alsaciano) e ainda doze penas de trabalhos forçados, seguidas de um enorme clamor de protesto na Alsácia, seguidas de discretos despachos administrativos comutando as penas, seguidos de outro enorme clamor de protesto no Limousin... Até aos últimos actos, o massacre de Oradour-sur-Glane nunca se libertou das suas contradições.
Ao contrário de Auschwitz, com cuja escala nem se compara, Oradour-sur-Glane é um memorial que pode transcender a evocação da Segunda Guerra Mundial. É que massacres como aquele podem ter tido lugar em muitos outros locais – quem se recordará hoje do que aconteceu em Kragujevac (Sérvia), Marzabotto (Itália) ou Kortelisy (Ucrânia)? – e em quase todas as Guerras: não poderão os próprios soldados franceses ter procedido posteriormente de uma forma idêntica em alguns locais da Indochina ou da Argélia? Em Oradour-sur-Glane, conhecendo-se a sua História, trata-se da guerra em todo o seu absurdo. Começando por questionar se aquela operação de rapto de um mero oficial superior, quando foi desencadeada pelos maquis, valeria militarmente o risco das previsíveis retaliações alemãs?... Continuando pela troca dos nomes das povoações feita por Diekmann que acabou por massacrar a aldeia errada… E terminando tudo com um processo de apuramento de responsabilidades que teve que ser suavizado por razões superiores de Estado…
* Down this road, on a summer day in 1944. . . The soldiers came. Nobody lives here now. They stayed only a few hours. When they had gone, the community which had lived for a thousand years. . . was dead. This is Oradour-sur-Glane, in France. The day the soldiers came, the people were gathered together. The men were taken to garages and barns, the women and children were led down this road . . . and they were driven. . . into this church. Here, they heard the firing as their men were shot. Then. . . they were killed too. A few weeks later, many of those who had done the killing were themselves dead, in battle. They never rebuilt Oradour. Its ruins are a memorial. Its martyrdom stands for thousands upon thousands of other martyrdoms in Poland, in Russia, in Burma, in China, in a World at War... ** A tradução da expressão, não literal, será apesar da nossa vontade. Note-se contudo que no total dos 642 mortos em Oradour-sur-Glane, se contam 9 pertencentes a 3 famílias alsacianas que ali se tinham refugiado por causa da guerra.

06 junho 2024

OPERAÇÃO OVERLORD de EDDY PAAPE e YVES DUVAL

(Republicação)
Se a Operação OVERLORD perfaz hoje o seu 80º aniversário, esta história de BD que a conta de uma maneira sintetizada tem cinquenta e cinco anos. As pequenas histórias individuais daquele dia que Yves Duval recupera para a narrativa, foi-as buscar ao livro «O Dia Mais Longo» de Cornelius Ryan, publicado originalmente há sessenta e cinco anos (1959). E a imagem inicial é o desenho de uma fotografia que se tornou clássica.

04 junho 2024

OS ALIADOS ENTRAM EM ROMA

(Republicação)
4 de Junho de 1944. As tropas aliadas entram em Roma, evacuada pelos alemães, porque as derrotas militares a haviam tornado numa cidade defensivamente insustentável. Ao contrário de vários outros episódios do passado, desta vez Roma não foi directamente conquistada, embora tenha sido perdida pelos anteriores ocupantes. O video noticioso acima é o que se poderá esperar de uma produção de propaganda da época. Aparecem lá várias cenas que veremos reencenadas dali por quase três meses, quando do mesmo acontecer em Paris: a alegria das multidões, celebrando as unidades motorizadas que desfilam por áreas da cidade facilmente reconhecíveis, como o Coliseu ou a Fonte de Trevi (em Paris serão locais como a Torre Eiffel ou os Campos Elísios), também o ajuste de contas com os últimos colaboracionistas e os esforços (neste caso de Roma, mais esforçados que reais) de mostrar que houve militares da própria nacionalidade que também contribuíram para a conquista da sua capital. Há dois aspectos, porém, que não se virão a repetir. Por um lado, em Roma há a presença do Papa, figura que concita as atenções, especialmente numa hora tão solene e o video acima não se atreve a esquecer-se de Pio XII. Mas, mesmo com essa concorrência, o general americano Mark Clark não deixa de tratar da sua promoção, deixando-se fotografar junto a uma das placas nos arredores da cidade ou passeando-se por Roma de jipe, deslocando-se como um oficial subalterno no comando de um qualquer pelotão de reconhecimento do seu exército de 150.000 homens (também aparece no video). Ora em Paris não haverá nada disto, e não porque não houvesse por lá generais americanos de igual patente com aquela mesma sede de protagonismo de brincar aos conquistadores, como será o caso de George Patton. Mas Paris, não tendo Papa, tinha Charles de Gaulle, que funcionava como uma verdadeira esponja que chupava todo o protagonismo que pudesse existir à sua volta...

03 junho 2024

A CRIAÇÃO DO GOVERNO PROVISÓRIO DA REPÚBLICA FRANCESA

(Republicação)
A 3 de Junho de 1944, em Argel, aquele que fora até aí o Comité Francês de Libertação Nacional (CFLN) decide-se a mudar a sua própria identidade e assumir a designação de Governo Provisório da República Francesa (GPRF), designação que os governos franceses irão manter até à proclamação da IV República Francesa, em 1946. A presidência do governo (como a do comité) era, naturalmente, de Charles de Gaulle, após se ter desembaraçado do seu rival Giraud. E, na verdade, nada legitimava os membros do comité, do ponto de vista da legalidade da III República, a assumir aquele título. Mas a pressa desta metamorfose semântica de há (precisamente) oitenta anos explicava-se pela aproximação da data prevista para o desembarque na Normandia (que virá a ter lugar a 6 de Junho). E presumia-se que a existência deste governo, ainda que provisório e mesmo que recém criado, viesse facilitar a captação da lealdade das autoridades das regiões da  França que viessem a ser libertadas, em substituição da lealdade ao regime de Vichy dos últimos quatro anos. O GPRF nomearia o prefeito e algumas figuras de topo para encimar a administração pré-existente (não dispunha de quadros para mais...) nas regiões que viessem a ser livres, mas, com algumas excepções de colaboracionistas mais flagrantes, o resto da hierarquia bandear-se-ia (naturalmente...) para a nova situação. Esperava-se isso e foi isso mesmo que veio a acontecer. O perigo temido pelos franceses exilados (e que assim se evitou) era que os americanos nomeassem autoridades militares aliadas para assumir aquelas responsabilidades, como acontecera em Itália. O que as pessoas raramente se apercebem quando seguem a narrativa da libertação de França é que a legalidade que sustentava as pretensões de de Gaulle e o seu governo a representar a França e os franceses era, além de duvidosa, "fresca" como uma parede acabada de pintar: aparecera 72 horas antes do desembarque da Normandia.

28 maio 2024

A REVOLUÇÃO DE 28 de MAIO (uma outra...)

(Republicação)
Esta (outra) Revolução de 28 de Maio ocorreu em 1944 e no Equador. Os equatorianos crismaram-na de La Gloriosa, mas a sua notoriedade, na época e depois, permanece pequena fora do país - terá sido mais uma daquelas exuberantes mudanças de regime em que a América Latina era tão pródiga e, ainda por cima, ocorrida num país que não é dos mais destacados do subcontinente. Sintomático disso, e porque as atenções à situação internacional se dispersavam pelos vários teatros da grande guerra em curso, a notícia só apareceu nos nossos jornais daí por dois dias, tendo feito um percurso estranhamente sinuoso, dada como oriunda de Amesterdão (na Holanda ocupada), dando como fonte o "serviço britânico de informações" e no fim assinada pela agência noticiosa alemã D.N.B. O local da inserção da notícia, adequado à irrelevância que La Gloriosa mereceria aos portugueses, era o canto inferior direito da última página do jornal de dia 30 de Maio.

26 maio 2024

A SAGA DO PAQUETE SERPA PINTO

(Republicação)
Ao contrário do Quanza de que se falou noutro lado deste blogue, o Serpa Pinto já era um navio veterano quando passou a navegar com bandeira portuguesa. Construído em 1915, originalmente para um armador britânico, a Primeira Guerra Mundial fizera com que ele fosse requisitado pela Royal Navy durante o conflito; depois fora devolvido ao proprietário que o explorara até o revender em 1935, por causa da crise mundial, a um armador jugoslavo. Em 1940, reagindo à escassez de transporte marítimo desencadeada pela eclosão da Segunda Guerra Mundial, o navio que se chamara até então Ebro e Princesa Olga acabou sendo comprado por uma companhia portuguesa, a Companhia Colonial de Navegação (CCN) - não a confundir com a sua grande rival, a Companhia Nacional de Navegação (CNN), que era a proprietária do Quanza. O navio deslocava 8.267 toneladas, tinha 142,5 metros de comprimento e 17 de largura máxima, e podia atingir uma velocidade máxima de 15,5 nós. À sua chegada a Portugal, além do novo nome e da aposição da pintura de guerra, que tornava o navio e a sua nacionalidade identificáveis a grande distância (veja-se a fotografia acima), o navio sofreu algumas transformações em termos de alojamento: passou a ter capacidade para transportar 329 passageiros nas três classes tradicionais, para além do acrescento de uma classe suplementar nas cobertas para 375 passageiros adicionais.
Sendo duas das três únicas companhias que podiam fornecer serviços de transporte marítimo regular sob uma bandeira neutral durante a Segunda Guerra Mundial (a terceira companhia era espanhola), a concorrência entre Colonial (CCN) e Nacional (CNN) tornou-se acesa porque o mercado era muito lucrativo apesar da guerra. Na Linha da América (do Norte) o Serpa Pinto podia ser considerado a resposta da CCN à CNN e a navios como o Quanza. Daí aquela adição de 375 passageiros para a classe popular, viajando nas cobertas, a fazer recordar as cenas do filme O Imigrante de Charlie Chaplin. Em Maio de 1944, quando do anúncio acima da próxima partida dia 15 do Serpa Pinto para o porto de Filadélfia, o passageiro-tipo já não era o mesmo passageiro de ascendência judaica e das mais variadas proveniências, abastado mas indocumentado, que protagonizara a saga do Quanza no Verão de 1940. Continuava a predominar o cosmopolitismo - no Serpa Pinto chegou-se a registar a presença simultânea de passageiros de 42 nacionalidades diferentes! - e a ascendência judaica mas a selecção fazia-se agora pelo engenho e perseverança de quem conseguira fugira às malhas que cercavam o continente europeu, quase totalmente ocupado pela Alemanha. Mas aquilo que aconteceu ao Serpa Pinto em 26 de Maio de 1944, durante a viagem acima anunciada, demonstrava que a travessia do Atlântico nem sempre era isenta de vicissitudes.
Sala de Jantar e Bar da 1ª Classe
O Serpa Pinto saíra de Lisboa a 15 de Maio com 385 passageiros. Próximo da meia noite de 26 de Maio, quando se encontrava a cerca de 600 milhas a Leste das Bermudas foi interceptado por um submarino alemão, o U-541. Após o exame da documentação do navio, o imediato do Serpa Pinto, que a apresentara, foi feito refém a bordo do submarino, enquanto o comandante deste informava o capitão Américo dos Santos da sua intenção de torpedear o navio português. Era-lhe dada ordem de abandonar o navio com passageiros e tripulação no prazo de vinte minutos. Felizmente o mar estava calmo, e a operação de transferência das mais de 500 pessoas do navio para as baleeiras processaram-se sem incidentes graves, mas foi nessa fase que se registaram as três vítimas mortais do incidente: o médico de bordo, que acabou (paradoxalmente) por falecer vítima de crise cardíaca; um membro da tripulação, um cozinheiro português, que se terá atirado (ou caído) ao mar para nunca mais ser visto; e um passageiro, uma criança polaca de alguns meses de idade que desapareceu da vigilância dos pais nas circunstâncias confusas do embarque nocturno.
O navio foi abandonado à deriva, sem ninguém, durante horas, enquanto tripulação e passageiros aguardavam expectantes que fosse torpedeado de um momento para o outro. Próximo da alvorada, o comandante do Serpa Pinto, Américo dos Santos, foi levado a bordo do U-541 onde o respectivo comandante, o Capitão-Tenente Kurt Petersen (abaixo), o informou que aguardava instruções de Paris (cidade onde estava localizado o QG da arma de submarinos da Kriegsmarine) a confirmar a autorização para o torpedeamento. Petersen deveria estar compenetrado e ansioso: afinal seria o seu primeiro afundamento, e logo de um paquete de 8.000 toneladas! Mas a resposta que acabou por chegar às oito da manhã era afinal negativa. Por muito que isso enriquecesse o palmarés de Petersen, algum Almirante mais avisado terá temido que o afundamento de um navio daquelas dimensões de um país neutral, naquelas circunstâncias, arriscar-se-ia a ser excessivamente contraproducente para o valor militar da presa. Recorde-se que, desconhecido dos intervenientes, o desembarque da Normandia teria lugar dali por dias, a 6 de Junho de 1944. Sem ressentimentos, procedeu-se ao reembarque dos passageiros e tripulantes e o Serpa Pinto lá prosseguiu a viagem até Filadélfia, sem mais incidentes.
O Serpa Pinto continuou ao serviço nas rotas da América da CCN até 1954. Kurt Petersen conseguiu finalmente afundar o seu navio em 3 de Setembro de 1944 ao largo do Canadá: o cargueiro britânico Livingstone, de 2.000 toneladas. Morreu em 2010 com a provecta idade de 93 anos. E não me surpreenderia nada que Petersen tenha morrido convicto que os passageiros e tripulantes do Serpa Pinto e os portugueses em geral lhe deviam agradecer a magnanimidade de que deu provas. É aquele muro de incompreensão basal que nos separará dele, de pessoas como Wolfgang Schäuble e de uma apreciável percentagem de alemães...

24 maio 2024

«TO BOOST THE MORALE»

(Republicação)

24 de Maio de 1944. O rei Jorge VI realiza uma visita de inspecção àquela que viria a ser a frota de invasão no Dia D - pelo menos à sua componente britânica, que estava então estacionada numa base naval perto de Southampton, aguardando pelo grande dia. A visita recebeu um nome de código, como se se tratasse de uma operação naval: Aerolite. O monarca passou em revista imensas guarnições, cumprimentou um número infindável de oficiais e saudou várias formações navais que desfilaram perante si. E tudo isso foi fotografado, abaixo está apenas uma pequena amostra, um exercício que os britânicos denominam por «to boost the morale».

23 maio 2024

«NOVIDADES PARA AS TROPAS»

Este é o exemplar de 23 de Maio de 1944 de um jornal pirata produzido pelos norte-americanos a partir de 1944, na fase final da Segunda Guerra Mundial. Apesar do título - NACHRICHTEN für die truppe pode traduzir-se por NOVIDADES para as tropas - o jornal era distribuído por toda (sobre) a Alemanha, através do seu lançamento usando verdadeiros bombardeiros B-17. As “notícias” eram daquele género denominado “propaganda cinzenta”, ou seja, uma mistura de verdadeiras reportagens sobre acontecimentos reais nas várias frentes de guerra, bem como informações verdadeiras da “frente interna” na Alemanha, informações essas que frequentemente eram silenciadas pelos canais oficiais alemães. Além dessas descrições verdadeiras da situação militar na fase final da Segunda Guerra Mundial, onde era evidente a superioridade militar dos Aliados em todas as frentes, inseria-se em complemento pequenas notícias de desinformação que eram deliberadamente difundidas misturadas no conjunto, a fim de confundir e desmoralizar quem lesse o jornal.

18 maio 2024

O FIM DA BATALHA DE MONTE CASSINO

(Republicação)
18 de Maio de 1944. Se aqui assinalámos há quatro meses o início da Batalha de Monte Cassino, é da mais elementar justiça assinalar o seu fim. E relembrar que, a meio da batalha e a cerca de uns 90 km para Sul, também a Natureza se quis associar ao exercício de destruição, com a erupção do Vesúvio. Mas tudo acaba por se tornar mais reconfortante com uma imagem actual daquelas mesmas paragens.

09 maio 2024

A GREVE DE 8 E 9 DE MAIO DE 1944

Se há alguma coisa que faz pouco sentido em Democracia é que, à censura oficial que se verificava sob o Estado Novo, que impedia que os pontos de vista do regime fossem contraditados, se sucedeu, depois do 25 de Abril, outro género de unilateralismo, que peca por omissão, em que agora as narrativas dos acontecimentos são feitas apenas pelo outro lado. Por exemplo, a greve de 8 e 9 de Maio de 1944, que foi fomentada e organizada pelo Partido Comunista Português torna-se numa narrativa heróica, com um generalizado apoio popular, um acontecimento sem mácula, quando é evocada por aquela organização. Do lado direito da imagem temos um panfleto da altura e a primeira página da edição seguinte do jornal clandestino Avante! E no entanto, e como já aqui se verificara aquando da evocação do 75º aniversário da prisão de Álvaro Cunhal, uma consulta aos jornais da época, mostra todo um distanciamento em relação às acções dos comunistas. Aquilo que aconteceu não foi nada como eles agora contam e os comunistas estavam muito longe de granjear o apoio popular que se subentende das suas narrativas. E repare-se como acima, do lado esquerdo, a notícia de dia 9 de Maio, que dá conta dos acontecimentos, é antecedida de um editorial intitulado A Ordem. Pelo menos para o editorialista do Diário de Lisboa (presumivelmente o seu director Joaquim Manso), fomentar greves num país neutral numa Europa em guerra não lhe parecia gesto que se saudasse.

07 maio 2024

A «ALMOÇARADA» NA TRAFARIA

(Republicação)
Domingo, 7 de Maio de 1944. «O 1º batalhão da Brigada Naval da Legião Portuguesa, acampado desde ontem na mata da Trafaria, terminou hoje o seu exercício de campo. Esta manhã, depois da alvorada e da missa campal, com a presença do sr. comandante Henrique Tenreiro, efectuou-se um exercício de progressão na praia entre a Cova do Vapor e a Trafaria.
Partia-se da hipótese que os legionários tinham levado a cabo um desembarque naquela zona, onde encontraram resistência. O exercício, dirigido pelo comandante do 1º batalhão, 1º tenente Horácio de Carvalho, desenvolveu-se normalmente e o batalhão, utilizando todos os serviços de transmissões, fez a sua progressão até ao local do acampamento.
Ás 13 e 30 realizou-se, á sombra do pinhal, um almoço de confraternização, a que presidiu o sr. comandante Henrique Tenreiro e com as presenças dos srs. capitão de mar e guerra Alberto dos Santos e major Nascimento, Chefe de Estado Maior da Brigada Naval, bem como de muitos oficiais, graduados, etc.
Aos brindes, usou da palavra o sr. comandante Henrique Tenreiro, que pronunciou um caloroso discurso, entrecortado de grandes aplausos.
Começou por lembrar que o sr. comandante Alberto dos Santos, grande amigo da Brigada Naval, completava hoje 70 anos, passando por isso à reforma, motivo pelo qual traçou o seu elogio.
Continuando, o sr. comandante Tenreiro afirmou que, "certos da vitória de Salazar, os legionários continuam unidos e prontos a obedecer-lhe à primeira voz".
Acentuou que a união da Brigada Naval tem sido timbre daquela corporação, sendo necessário que continue a sê-lo enquanto Salazar assim o entender.
Terminou lembrando aos legionários navais, que, sendo eles soldados da Revolução Nacional, cumpre-lhes manter cabeças ao alto, fé em Deus e na política do Estado Novo.
O sr. major Carlos Nascimento, chefe de Estado Maior da Legião, exaltou depois o espírito de unidade e a força espiritual e material dos legionários, afirmando que o comandante Henrique Tenreiro tinha na Brigada Naval um dos grande expoentes do seu espírito de grande organizador.
Por último, o sr. comandante Alberto dos Santos agradeceu as palavras que lhe tinham sido dirigidas e incitou os legionários a cumprirem sempre os seus deveres.
O batalhão regressou a Lisboa ao fim da tarde
O que acabaram de ler é a transcrição completa da notícia. Num Mundo então em guerra, esta história de umas manobras navais na outra banda quase parece uma paródia provocatória. Se do outro lado do Mundo fuzileiros navais americanos arriscavam e perdiam a vida em operações anfíbias, por cá esses exercícios eram encenados com a seriedade de um piquenique ao fim de semana: houvera uma noitada de acampamento, seguida de alvorada e missa (não houve café da manhã?...), com o prato de resistência a ser constituído por uma passeata de uma meia hora entre duas praias (cova do vapor e trafaria) para apanhar a brisa do mar e assim se ir abrindo o apetite para o almoço, servido à sombra dos pinheiros, a seguir ao qual houve uma sequência de discursos para ajudar a digestão. Houvesse ele invasão e a Pátria estava salva graças ao 1º batalhão da Brigada Naval da Legião Portuguesa!

28 abril 2024

QUANDO OS EXERCÍCIOS SE TORNAM MAIS SANGRENTOS QUE AS BATALHAS – SLAPTON SANDS (ABRIL DE 1944)

(Republicação)
Até 1944, a História do Século XX já havia demonstrado como as operações anfíbias, em que se procura desembarcar de surpresa em território inimigo podem ser propensas a correrem mal. As condições naturais favorecem os defensores em terra, permitindo-lhes movimentar homens e meios a um ritmo superior ao dos desembarques dos atacantes. Os britânicos já haviam descoberto isso em Abril de 1915, em Galipoli, na Turquia, e haviam-no relembrado em Agosto de 1942, em Dieppe, na França.
Foi muito gradualmente, que os dois Aliados Ocidentais começaram a adquirir a sua experiência prática: primeiro, apenas contra os franceses de Vichy, no Norte de África, em Novembro de 1942, depois já contra inimigos mais empenhados (italianos e alemães), na Sicília, em Julho de 1943. Em qualquer destas duas Operações (Torch e Husky) a taxa e a variedade dos incidentes registados mostrou-se ser tal que obrigou os planeadores a uma organização cada vez mais rigorosa deste tipo de operações.
A abertura de uma Frente na Europa Ocidental teria que ser feita da mesma forma, começando por uma grande Operação anfíbia que veio a ser conhecida pelo nome de Overlord. Como a maioria das tropas que iriam participar nessa Operação eram ainda inexperientes, foram conduzidos enormes exercícios prévios, simulando, tanto quanto era possível, nas praias arenosas do Sul de Inglaterra e da Cornualha (abaixo), as condições que os soldados poderiam encontrar ao desembarcar.
Um dos maiores riscos associados à realização desses exercícios consistia na proximidade das costas francesas e na possibilidade associada que as unidades navais alemãs se fizessem convidar inesperadamente para participarem no exercício, transformando-o numa situação de guerra real. E foi isso precisamente o que aconteceu a 28 de Abril de 1944 (há precisamente 80 anos), quando uma flotilha de lanchas rápidas alemãs (como a apresentada abaixo) atacou um comboio de lanchas de desembarque em exercícios.
Duas lanchas foram incendiadas e uma terceira torpedeada pelas lanchas rápidas alemãs antes que o contra-ataque dos navios de escoltas as afastasse. Uma das lanchas de desembarque afundou-se e uma das que se incendiou teve que ser abandonada. Aquele incidente provocou 640 mortos, a maioria dos quais afogados apesar de quase todos envergarem coletes de salvação. Não se antecipara a existência de meios de salvamento que retirassem tantos homens da água antes que a hipotermia os matasse.
Foi mais uma das lições aprendidas antes da realização da Operação Overlord a 6 de Junho de 1944: as colunas de lanchas de desembarque foram acompanhadas de pequenos navios de salvamento para a eventualidade de uma delas se afundar. Nesse dia, os militares norte-americanos que estiveram envolvidos neste incidente em Slapton Sands vieram a desembarcar na praia baptizada de Utah Beach onde sofreram cerca de 200 baixas, menos de um terço do que lhes haviam custado os exercícios…

26 abril 2024

O MARECHAL PÉTAIN EM PARIS

(Republicação)
26 de Abril de 1944. O Marechal Pétain, o chefe do Estado Francês visitava Paris. E porquê é que a jornada era histórica para Paris e para a França, conforme o proclama o locutor do documentário acima? Porque, por muito que Paris permanecesse a capital de França, o chefe do Estado apresentava-se na cidade como convidado dos alemães, que a ocupavam. Era a primeira vez que estes o haviam permitido, desde que Pétain assumira funções quatro anos antes. O cerimonial das imagens acima apenas tenta disfarçar essa impositiva restrição de movimentos. «Em frente da catedral de Notre Dame, formou a guarda republicana com os seus antigos uniformes e, à porta da igreja, Pétain foi aguardado pelo cardeal Suhard, arcebispo de Paris, por (Pierre) Laval e por todo o governo francês. O embaixador do Reich estava representado pelo ministro von Bergen, na companhia do ministro plenipotenciário von Renthe-Vink, que, há alguns meses, está adido à chefia do Estado, junto do Marechal, como enviado especial do Reich. Também se fez representar o comandante da cidade de Paris, tenente-general von Boineburg(-Lengsfeld).» (Nota da DNB)
A missa, celebrada pelo cardeal Suhard, realizava-se por alma das vítimas dos bombardeamentos aliados sobre a região parisiense que haviam tido lugar na noite de 20 para 21 de Abril. Fora para engajar ainda mais o regime de Vichy na causa alemã que havia sido permitida a deslocação de Pétain a Paris. Mas o que mais interessava aos seus serviços de propaganda era o "banho de multidão" que acompanharia a deslocação do Marechal, episódio que foi, de resto, profusamente filmado (mais acima) e noticiado no dia seguinte (acima). Mas, sintoma de como a sorte e, com ela, a popularidade destes homens pode ser efémera junto das multidões, dali precisamente por um ano, a 26 de Abril de 1945, nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, estava o mesmo Marechal Pétain a render-se às novas autoridades francesas, junto à fronteira com a Suíça.

22 abril 2024

AS OFENSIVAS DIPLOMÁTICAS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

(Republicação)
22 de Abril de 1944. Um par de notícias de conteúdo aparentemente anódino numa das páginas centrais da edição do jornal desse dia, dá conta daquilo que era uma discreta, mas violenta, ofensiva diplomática por parte dos Aliados para que alguns países neutrais cortassem o fornecimento de alguns itens considerados vitais para a indústria de armamentos do III Reich. Numa das notícias, originária de Ancara, dava-se conta da reacção da Turquia a essas pressões, suspendendo as exportações de minério de crómio para a Alemanha, invocando a sua própria condição de aliada da Inglaterra. Noutra, oriunda de Londres, era a Suécia que ainda não respondera à nota dos Aliados, em que se lhe era pedido que suspendesse as exportações de esferas de rolamentos para a Alemanha. Havia uma campanha de bombardeamento em curso para destruir a capacidade de as produzir no próprio território alemão, e a indústria de armamentos alemã havia recorrido ao reforço das importações da Suécia para suprir as carências. A resposta sueca irá ser tão evasiva que a importância e as consequências dessa decisão ainda hoje são objecto de discussão académica: a Suécia colaborou ou não com a Alemanha? Contudo, a Turquia e a Suécia não eram os únicos países neutrais a serem pressionados naquela altura pelos Aliados: dali por mês e meio, na edição de 7 de Junho, era ocasião para ser notícia o anúncio pelo governo português da suspensão das exportações de volfrâmio para os países beligerantes. Fazia-o a pedido da Grã-Bretanha. Repare-se como os Estados Unidos pareciam nunca aparecer nestas iniciativas...