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01 setembro 2023

O ABATE DO VOO KAL 007

A 1 de Setembro de 1983, um Boeing 747 da companhia aérea sul-coreana Korean Air Lines (KAL) desviou-se de sua rota planeada e entrou no espaço aéreo soviético que lhe estava interditado. O aparelho veio a ser abatido por um caça Sukhoi Su-15 soviético a Oeste da Ilha Sacalina, na Rússia. Não houve qualquer sobrevivente dos 269 passageiros e tripulantes que seguiam a bordo. O episódio representou um dos momentos mais tensos da Guerra Fria. A gestão mediática do acontecimento por parte dos responsáveis soviéticos foi um exemplo académico do que não se devia fazer: começou inicialmente por negar ter conhecimento do que acontecera, para depois admitir que uma das suas unidades de defesa aérea havia abatido o Boeing sul coreano, mas alegando que o avião estaria em missão de espionagem. Para além disso, o Kremlin acusava a Casa Branca que se tratara de uma provocação deliberada por parte dos Estados Unidos, para testar a prontidão militar da União Soviética. Mas o bom destes episódios é que, em querendo mesmo, aparecem sempre os imbecis que pretendem nivelar por eles a discussão sobre o assunto, insultando no processo a inteligência alheia, e envolvendo o caso de um mistério insondável que os factos posteriores vêm sempre a demonstrar que não existe (abaixo temos o exemplo bem recente de um desses imbecis, a propósito da insolubilidade de descobrir quem foi o responsável pelo abate de um outro avião em espaço aéreo russo: o avião de Prigojine). No caso deste avião sul coreano, depois do colapso da União Soviética em 1991, veio a descobrir-se que os soviéticos haviam recuperado as caixas negras do avião abatido, algo que eles haviam escondido até então, provavelmente porque o conteúdo dessas caixas desmentia grande parte das suas teses sobre aquilo que acontecera há 40 anos.
Como se percebe, e agora recuperando um outro abate de um avião bem mais recente, a argumentação absurda motivada pelas simpatias por uma causa não é um fenómeno novo. Na realidade, são muito raros os mistérios que perduram para sempre. Pode argumentar-se que sim, mas não. O que é diferente é ver antigos oficiais generais envolvidos nessa actividade. Naqueles outros tempos, ser-se oficial general era uma condição respeitada, porque os próprios a respeitavam. Agora, com algumas honrosas excepções, são para ser mais ou menos comparados a paineleiros de programas de futebol, com o seu clube de eleição.

27 agosto 2023

AS CONVERSAÇÕES DAS SEIS PARTES

(Republicação)
27 de Agosto de 2003. Tinha lugar a primeira ronda das Conversações das Seis Partes (Six-party talks). As seis partes eram (por ordem alfabética): China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e Rússia. E o tópico era o programa nuclear norte-coreano. Dois dias depois as conversações eram suspensas e agendada nova ronda para daí a seis meses. Segundo os diplomatas experimentados em conversações com coreanos, a primeira ronda correra excepcionalmente bem. O armistício de Panmunjon de 1953 demorara mais de dois anos a ser negociado, todos os pormenores eram objecto da mais minuciosa negociação. Mas aqui conseguira-se fixar rapidamente um formato (hexagonal) e uma disposição para a mesa de negociações! No canto superior, realce-se o pormenor - sinal de importância - de que é o representante chinês o que fica mais próximo da porta. Na fotografia acima, e embora os negociadores norte-americanos sejam dos que mais gostam de se destacar nas fotografias, os dois representantes mais fotogénicos e bem dispostos ao centro são os da Rússia e da China. Foi há quinze anos. Seguiram-se outras cinco rondas. Donald Trump ter tido a pretensão de que se resolvia tudo isto com uma cimeira foi uma estupidez, uma arrogância, uma ignorância, uma presunção, uma mediocridade.

08 outubro 2022

MANIFESTAÇÃO NA COREIA

Esta notícia que nos chegava de Seul, na Coreia, em 8 de Outubro de 1947, ainda não se revestia para os leitores do significado que os acontecimentos naquela península (que estava então dividida entre uma zona de ocupação soviética a Norte, outra de ocupação americana a Sul), virão a adquirir dali por pouco mais de dois anos e meio, com a invasão perpetrada pelo exército do Norte sobre o Sul. Agora que se conhece o que reservava o futuro, as preocupações que são expressas pelos 60 mil manifestantes revelam-se premonitórias. Não terá sido certamente pela veemência dos pedidos de há 75 anos, mas a verdade é que ainda hoje continuam a existir tropas norte-americanas estacionadas na Coreia do Sul.

18 setembro 2021

O «INCIDENTE» DO SUBMARINO NORTE COREANO DE GANGNEUNG

18 de Setembro de 1996. Começa o «incidente» do submarino norte-coreano encalhado na costa de Gangneung, na Coreia do Sul. Na verdade, a operação começara quatro dias antes, uma missão de espionagem da Coreia do Norte ao seu vizinho, um submarino com uma tripulação de 21 membros e ainda 5 membros da verdadeira equipa de reconhecimento, espionagem e sabotagem, dos quais 3 haviam sido largados discretamente numa praia sul-coreana no dia 15. Foi ao recolhê-los, no dia 17, que as coisas se precipitaram, quando o pequeno e discreto submarino da classe Sang-O, devido a erros de navegação, encalhou... Encalhou e não se conseguiu desencalhar como se percebe pela fotografia acima. E, como acontecera 15 anos antes com um submarino soviético na Suécia, lá irrompeu a «barracada» de uma missão secreta que as circunstâncias tornaram embaraçosamente muito pouco secreta! A acrescer ao que acontecera entre suecos e russos, o «incidente» foi muito mais sangrento porque se tratava da rivalidade entre as duas Coreias. O primeiro aspecto bizarro, a acreditar na versão que as organizações coreanas de segurança mais tarde puseram a correr, é que terão sido os próprios membros da expedição clandestina a liquidar 11 dos membros que a compunham (de um total de 26). Os restantes procuraram alcançar por terra a fronteira com a Coreia do Norte. Para os capturar, seguiu-se uma ampla perseguição aos foragidos, que contou com a colaboração activa da população. No computo global, apenas um dos membros terá conseguido regressar, ainda que ferido, à Coreia do Norte. Outro foi capturado. Os restantes (13) foram todos mortos porque invariavelmente resistiram à captura. O processo também custou 16 mortos aos sul coreanos: 8 soldados em combate, 4 em acidentes associados às buscas, e ainda 4 civis assassinados pelos norte coreanos em fuga. Para «incidente», é um «incidente»!

10 julho 2021

O INÍCIO DAS CONVERSAÇÕES PARA PÔR FIM À GUERRA DA COREIA

10 de Julho de 1951. Começavam, numa área neutralizada adjacente a Kaesong, no centro da Coreia, as negociações que o Diário de Lisboa descrevia como «uma conferência» que estabelecesse o cessar-fogo na guerra que começara naquela península no ano anterior. Mais do que o exagero, já que o âmbito das negociações seria apenas militar e protagonizado por militares, perpassa pela notícia um certo tom de optimismo que o futuro se iria rapidamente encarregar de desmentir. Quatro meses depois ainda as negociações se arrastavam por minudências entravadas de incidentes como o demonstram as imagens abaixo. No computo global, esta nova fase estática da guerra da Coreia, entremeada de negociações, iria durar dois anos, o dobro do tempo que tomara a guerra de movimento inicial.

15 março 2021

A SEGUNDA RECONQUISTA DE SEUL

15 de Março de 1951. Depois de a terem evacuado a 4 de Janeiro, as tropas americanas retomam Seul, a capital da Coreia, por uma segunda vez. A participação da China no conflito e as derrotas que havia infligido, moderaram substancialmente o entusiasmo e as expectativas americanas quanto ao seu desfecho. E as notícias da guerra passaram a ser muito mais sóbrias, descartaram-se as proclamações vitoriosas do QG do general MacArthur que haviam levado a comunicação social ao engano. Repare-se a sobriedade como a notícia era publicada: por um lado, a cidade fora evacuada previamente pelas tropas comunistas, e por outro, a patrulha que conquistara a cidade era composta apenas por 19 homens que a haviam encontrado evacuada. Nos jornais americanos - e nos outros, por arrasto - esquecera-se a grandiosidade épica dos desembarques de Inchon, coreografados para MacArthur brilhar.

04 janeiro 2021

A RECONQUISTA DE SEUL PELOS NORTE-COREANOS (E PELOS CHINESES)

4 de Janeiro de 1951. Os soldados norte-coreanos, agora acompanhados dos «voluntários» chineses, tornam a conquistar a cidade de Seul, capital da Coreia do Sul. Repare-se a importância que era dada à Guerra na Coreia: toda a área realçada da primeira página do jornal é dedicada ao assunto. Também o cuidado da propaganda é notório: Seul (escrito à inglesa...) não fora defendida, limitando-se as tropas da ONU a operações de retardamento. Também se torna patente a percepção do quanto a natureza do conflito mudara a partir do momento em que, algumas semanas antes, se concretizara a intervenção chinesa: Estudam-se novas propostas a dirigir à China para resolver o conflito da Coreia, escrevia-se em título noutro artigo. Quanto ao terceiro artigo, tratava-se de uma falsa pergunta: Os estrategas perguntam onde se vai deter o avanço comunista... Por estrategas, entenda-se a perífrase... os próprios jornalistas. Muito incompetentes seriam os generais americanos se, por aquela altura, ainda não houvessem traçado uma posição de defesa para deter a ofensiva sino-norte-coreana. A dúvida era saber se essa posição conseguiria suster a ofensiva.

15 setembro 2020

A BATALHA DE INCHON

15 de Setembro de 1950. Muitos dos grandes planos militares resultam porque são simples. Este, que teve lugar há setenta anos nas praias da Coreia ocidental, resultou precisamente por causa disso mesmo e também, não esqueçamos, porque os Estados Unidos dispunham de uma superioridade quase absoluta de meios marítimos, aéreos, terrestres e anfíbios para o poder concretizar. Depois de a Coreia do Norte ter invadido a Coreia do Sul em princípios de Julho daquele ano, a situação militar estabilizara na forma que se pode apreciar no mapa acima: restara uma pequena região no sudeste da península (assinalada a amarelo), onde o que sobrara das unidades militares sul-coreanas e americanas resistiam ao assalto final do exército norte-coreano. Aquele bastião era valiosíssimo politicamente, porque preservava a presença na península, mas era militarmente destituído de interesse. Atacar os invasores pela retaguarda (seta vermelha) é uma daquelas ideias simples, quase infantil. E fazê-lo junto à cidade de Seul, que constituía o nó de comunicações central por onde os exércitos invasores eram reabastecidos,.a localização ideal para isso. E depois, era preciso ser-se norte-americano, porque só eles dispunham dos meios anfíbios e navais necessários para realizar uma operação desse género: desembarcar umas dezenas de milhares de homens (40.000) em território inimigo.
Auxiliava-os significativamente o «know-how» que eles haviam adquirido em operações similares meia dúzia de anos antes, tanto na Europa (Sicília, Itália, Normandia, Provença) quanto no Pacífico (Guam, Filipinas, Iwo Jma, Okinawa). Aliás, grande parte do maior «hardware» datava ainda dessa época, da Segunda Guerra Mundial. Quanto à operação em si, baptizada de Chromite, não tem grande história. Tomando como referência o que acontecera em Overlord, o número de efectivos envolvidos foi apenas de 1/4 dos que estiveram presentes na Normandia. A superioridade em efectivos dos atacantes era de 6 para 1 (3 para 1 na Normandia). E, como também na Normandia, essa superioridade era multiplicada quando se avaliava o poder de fogo disponível dos dois lados. Onde se notava a superioridade daquele momento em relação a 1944 era na cenografia: Douglas MacArthur cuidava muito mais dessas questões de como aparecia do que Dwight Eisenhower. Nesta fotografia abaixo, de há 70 anos, têmo-lo a supervisionar as operações de desembarque em curso, binóculos na mão, escutando interessado as explicações que lhe prestam. É assim que é um general a sério...

25 junho 2020

O INÍCIO DA GUERRA DA COREIA (R)

25 de Junho de 1950. Sem quaisquer preliminares diplomáticos para, ao menos, constituírem uma capa de justificação, a Coreia do Norte invade a Coreia do Sul. Hoje percebe-se que se tratou de um erro crasso de interpretação de quais poderiam ser as intenções norte-americanas por parte de Estaline e dos soviéticos. Estes não se deviam ter esquecido como os seus adversários americanos e Harry Truman acabavam de enfardar a vitória dos comunistas na Guerra Civil chinesa há menos de um ano (em 1 de Outubro de 1949), e de como isso ressoara no panorama político interno dos Estados Unidos. Havia também as naturais ambições regionais do coreano Kim Il Sung em querer fazer também um bonito no seu país, mas aí o senhor do Kremlin, como líder indisputado do mundo comunista, devia ter balanceado a capacidade de encaixe de Washington, que Estaline evidentemente sobrestimou neste caso. É bem verdade que nessa mesma perspectiva, Ho Chi Minh andava a fazer uma coisa parecida no Vietname contra os franceses, mas aí a guerra era anti-colonial e assimétrica, o fraco contra o forte, enquanto que na Coreia e desde o princípio se tratou de uma guerra civil e convencional, com os beligerantes em pé de igualdade, senão mesmo com a Coreia comunista a ficar com o papel do bruto despotista. Por outro lado, o discurso propagandístico dos invasores em prol da libertação dos seus compatriotas do sul, teria uma analogia mais do que evidente no exemplo do que os alemães de Leste com o apoio russo poderiam fazer na Alemanha dividida, assustando toda a Europa democrática, e lançando-a toda para os braços da América através da NATO. E se esse não era um problema de Kim Il Sung nem de Mao Zedong, a consolidação da Europa ocidental seria um (grande) problema de Estaline. Mas, por seu lado, os americanos caíram no erro de presumir que Estaline nunca cairia nesse erro de dar carta branca a Kim, como aqui mostrei há uns dias. É interessantíssimo analisar o que aconteceu desde que se saibam umas coisas sobre a Guerra da Coreia, como por várias vezes, a respeito deste e de outros assuntos, recomendei ao meu amigo Luís... Ler mais e opinar menos nunca fez mal a ninguém.
E é tanto mais interessante saber sobre o tema, quanto se tem assistido nos últimos três anos, depois dos americanos terem elegido aquele palhação para ocupar a Casa Branca, a um recrudescimento de conversas a respeito das sequelas dessa Guerra da Coreia, por causa da fantasia de Donald Trump querer receber um prémio nobel da Paz promovendo a paz na península. A máquina promocional da administração americana faz o seu papel de contar uma história com açúcar - e a enorme máquina comunicacional que lá vai beber não faz o seu de a escrutinar para saber que parte é verdade. Como de costume, todas as vezes em que Trump esteve com o líder norte-coreano foi mais «uma cimeira histórica», descontando todas as outras cimeiras históricas (abaixo, em 2000 e 2009, as cimeiras com a secretária de Estado Madeleine Albright e com o ex-presidente Bill Clinton), das quais também não resultou a ponta de um corno de resultados tangíveis... Caso Donald Trump tivesse estado disposto a ceder aonde os antecessores não o fizeram, talvez as cimeiras tivessem produzido qualquer coisa de diplomaticamente tangível, mas, quando se descobre que Donald Trump é um idiota que nem sequer faz ideia que o Reino Unido é uma das poucas potências com arsenal nuclear, como é que o poderemos comparar com os dilemas que se puseram a Harry Truman há 70 anos?...



Esta é uma reedição adaptada de um texto aqui publicado há dois anos.

13 junho 2020

UMA OUTRA CIMEIRA HISTÓRICA HÁ VINTE ANOS

13 de Junho de 2000. Quase cinquenta anos passados sobre a eclosão da Guerra da Coreia, tem lugar na capital da Coreia da Norte (o país que desencadeou essa guerra) a primeira cimeira intercoreana com a presença dos presidentes das duas Coreias - a do Norte, a invasora, e a do Sul, a invadida. O ambiente parece ter sido tenso e pouco propenso a sorrisos (foto acima), mas isso não impediu que o acontecimento tivesse sido classificado - previsivelmente - pelos órgãos de informação de todo o mundo como histórico. Como tradicionalmente, quando os acontecimentos são assim classificados no momento em que ocorrem, existe uma grande probabilidade que acabem varridos para o caixote do lixo do esquecimento. Foi o caso. Não ajudou nada ao prestígio dos intervenientes ter-se vindo a descobrir que a Coreia do Sul pagara algumas centenas de milhões de dólares à Coreia do Norte, já que o evento fora um impulso na carreira doméstica e internacional do presidente sul-coreano Kim Dae-Jung (acima, à esquerda). Ele veio inclusive a receber o Prémio Nobel da Paz em 2000. Enfim, aspectos do assunto que não se sabiam na altura da cimeira e que não interessa agora desenvolver...
O que é interessante para acrescentar nesta história, para além da celebração do vigésimo aniversário do acontecimento, é que depois da cimeira histórica de 2000, ter-se-á desencadeado uma tendência para que se repetissem as cimeiras históricas, em 2007, em 2018 (três - Abril, Maio e Setembro), a ponto de se poder dizer, como se lê acima, que existe uma história destas cimeiras históricas. Mas o assunto desta história histórica estava ainda longe de estar encerrado pois, para além da sempre ansiada reunificação das duas Coreias, ele recebeu o contributo mais recente, exuberante e portentoso de Donald Trump. Com este último, e com as cimeiras que ele já arranjou à sua conta (Singapura, Hanói, DMZ - abaixo), aquela que fora até então uma história histórica, tornou-se uma história histórica histriónico. Donald J. Trump que, recorde-se, e como o outro, não é homem que não tenhamos em conta de dizer que não a comprar um Prémio Nobel da Paz...

26 outubro 2019

O ASSASSINATO DO PRESIDENTE SUL COREANO

26 de Outubro de 1979. O presidente da Coreia do Sul, o general Park Chung-hee é assassinado. A Coreia do Sul era, então, uma ditadura militar e o assassino foi um dos próximos do presidente, o director dos serviços de informações, o também general Kim Jae-gyu. É um daqueles acontecimentos que é incompreensível, a não ser que o despojemos daqueles elevados pressupostos que se costumam atribuir aos titulares dos altos cargos públicos. A cena do assassinato, que acima vemos recriada num filme sul coreano de 2005, tem tudo para parecer um mero ajuste de contas entre mafiosos na sequência de um jantar que correu muito mal - nem falta na cena as acompanhantes de luxo, poupadas a presenciar o momento da execução. Michael Corleone tratou Solozzo da mesma maneira. No caso coreano, a ocasião foi mais sangrenta porque houve que tratar também dos guarda-costas do presidente: seis mortos no total. Quarenta anos depois, o melhor que se pode dizer quanto às causas que terão motivado o assassino (políticas? pessoais?), é que o acto foi demasiado descuidado para ter sido premeditado mas também demasiado elaborado para ter resultado apenas de um impulso.

25 agosto 2009

O PROGRAMA ESPACIAL SUL COREANO

Naquela região do Mundo, as notícias costumam ser sobre novos feitos – ou então fiascos… – dos programas nuclear e astronáutico da Coreia do Norte, mas as notícias de hoje, para descanso de Bernardino Soares que é sempre chamado à conversa nessas ocasiões, são sobre os feitos da outra Coreia, a do Sul, que as agências hoje noticiam ter lançado o seu primeiro satélite artificial através um foguetão desenvolvido por si. Proezas deste género, para além de aconchegaram os egos nacionais, também se prestam a outras leituras, de carácter político e estratégico. O programa espacial sul-coreano é praticamente desconhecido fora do círculo de especialistas, mas o lançamento que hoje teve lugar representa o culminar de um programa de 20 anos que desde 2002 se dedicava especificamente à construção de um foguete que fosse capaz de colocar satélites em órbita. Curiosamente, para um país situado no centro de uma encruzilhada geográfica e de interesses, com vizinhos tão poderosos como a China, o Japão e a Rússia, a que há que adicionar os Estados Unidos (aliado e com tropas estacionadas no país) e os irmãos da Coreia do Norte, o grande parceiro espacial da Coreia do Sul tem sido a Rússia, país responsável pelo primeiro voo de uma cosmonauta sul-coreana em Abril do ano passado (abaixo).