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11 fevereiro 2019

A ASSINATURA DO TRATADO DE LATRÃO

11 de Fevereiro de 1929. Assinatura em Roma do Tratado de Latrão que regulariza as relações entre a Itália e a Santa Sé. A diplomacia do Vaticano, célebre pela sua paciência, já havia esperado 58 anos pela resolução da Questão Romana, mas apercebera-se que naquele caso o tempo não se apresentava, decididamente, a seu favor. A Pio IX, que em 1871 se recusara a reconhecer a perda da sua soberania temporal sobre Roma e as regiões históricas adjacentes do papado, haviam-se sucedido quatro outros papas (Leão XIII, Pio X, Bento XV e, agora, Pio XI) que se haviam obrigado a passar todo o seu pontificado encerrados no Vaticano. O Tratado que era então assinado (assinale-se, por curiosidade, que era véspera de Carnaval) juntava as assinaturas do Cardeal Pietro Gasparri, secretário de Estado (1º ministro) do Vaticano e do Duce Benito Mussolini, pelo lado italiano. Apesar do destaque que se pode apreciar abaixo (Portugal era um país católico, a resolução da questão era um facto importante), o acontecimento só foi noticiado em Portugal dois dias depois. As ULTIMAS NOTICIAS eram então uma realidade diferente...

30 dezembro 2018

JUDEUS E CATÓLICOS

30 de Dezembro de 1993. Apesar de o Estado de Israel ter mais de 70 anos, foi apenas há 25 anos que o governo israelita e o Vaticano estabeleceram relações diplomáticas formais. E, como se pode apreciar acima através de uma fotografia recente dos dois titulares, a relação continua a ser muito pouco descontraída, assaz cerimoniosa... E isto apesar de uma apreciável percentagem de peregrinos que visitam Jerusalém e robustecem a indústria do turismo israelita serem católicos.

19 julho 2018

O BOMBARDEAMENTO DE ROMA

19 de Julho de 1943. Há 75 anos Roma era fortemente bombardeada pelos Aliados. Entre as várias razões pelas quais a cidade permanecera relativamente incólume durante os quase quatro primeiros anos que então já levava a Segunda Guerra Mundial - era apenas o segundo bombardeamento que sofria - destacar-se-ia, decerto, o seu simbolismo como capital da cristandade. A acrescer a esse aspecto mais espiritual, colocava-se o mais concreto de que uma pequena parcela de Roma (44 hectares) que até era um país neutral: o Vaticano. A decisão de bombardear Roma só fora tomada pelos altos comandos aliados depois de ponderadas hesitações. Mas a sua situação central na península italiana, como nódulo das ligações rodoviárias e ferroviárias entre o Norte e o Sul de Itália e ainda os seus aeroportos (Littorio, Ciampino) tornavam-na num objectivo táctico indispensável de atingir para prejudicar a logística inimiga (especialmente a alemã), ainda para mais quando se combatia no Sul, depois dos recentes desembarques aliados na Sicília. Dessa vez foram catorze as esquadrilhas de bombardeiros da USAAF a lançar cerca de mil toneladas de bombas sobre a cidade milenar. Como era constante durante a época, a precisão do bombardeamento... não teve nada de preciso. Ficaram destruídos incontáveis edifícios civis, incluindo a Basílica de São Lourenço Fora de Muros. O contagem dos mortos e feridos provocados pelas bombas varia desde um mínimo de 719 mortos e 1.659 feridos até um máximo de cerca de 3.000 mortos e 11.000 feridos. Aproveitando o hiato deixado por um regime fascista em vias de se desagregar (e Benito Mussolini estava, nesse dia, longe de Roma, num encontro com Adolf Hitler), o papa Pio XII preencheu o vácuo político assumindo as suas funções pastorais como Bispo de Roma, visitando e confortando as populações mais atingidas. Na imagem acima vêmo-lo recitando o «De Profundis». Em contraste, a limousine de Vítor Emanuel III, o rei, foi vaiada e apedrejada quando da sua visita aos bairros afectados.

13 março 2008

O PAPA, O VINHO, A BANDEIRA E AINDA MAIS ALGUMAS PECULARIDADES SOBRE O VATICANO

No poste abaixo sobre o Vaticano, há um comentário amigo que lembra a existência de um reputado vinho francês denominado por Châteauneuf-du-Pape (DOC), originário de uma região arredores da cidade de Avinhão (daí o nome) e conhecido por poder vir a atingir uma alta graduação alcoólica (14º) devido à presença de uma alta percentagem de uvas de casta Grenache, que são extremamente adocicadas.
Mesmo depois do regresso dos Papas a Roma (1377), Avinhão continuou a fazer parte das possessões papais e as cores do estandarte papal reflectiam isso, associando o amarelo à cor de vinho, como se pode ver acima. Na época da Revolução Francesa, a França anexou o enclave em 1791. Pior que isso, no final dessa década, em 1796, as próprias possessões papais em Itália vieram a ser conquistadas pelos franceses.
O próprio papa (Pio VI) foi deposto das suas funções em 1798, tendo morrido aprisionado em 1799. Numa campanha de charme, Napoleão instruiu as forças francesas ocupantes para envergarem as cores papais, o que levou o novo Papa, Pio VII a contra-atacar, mudando as cores do seu estandarte papal para o amarelo e branco (acima) que ainda hoje se mantêm. O Papa também não veio a recuperar a posse da cidade de Avinhão…
Contudo, como argumento comercial, as garrafas de Châteauneuf-du-Pape (acima) costumam ter figuras que lembram as armas papais inseridas em relevo no vidro. É apenas mais uma curiosidade associada a um país que, proporcionalmente à sua população, apesar do seu pacifismo, tem uma das maiores forças militarizadas do Mundo (12,5% da população total*!) e uma taxa de pequena criminalidade que bate qualquer cidade sul-americana…

* Há 100 Guardas Suíços para 800 habitantes. Como comparação, a belicosa Coreia do Norte tem um rácio de apenas 4,8% e os Estados Unidos 1,5%.

11 março 2008

OS MICRO-ESTADOS EUROPEUS – VATICANO

O Vaticano nem chega a ser uma cidade-estado, é apenas um estado que é um pedaço de cidade. A cidade é, evidentemente, Roma, que, depois de ter sido a capital do Império Romano, tem sido ao longo dos séculos* o local de residência tradicional do Papa, o Chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. E o que se designa hoje por Estado da Cidade do Vaticano são os pequenos vestígios remanescentes das possessões que o Papa possuiu outrora no centro da Itália (veja-se o mapa abaixo).
Os vestígios são mesmo pequenos: trata-se do mais pequeno estado do mundo em extensão, com uma área que não chega a atingir 1 Km². No total, são apenas 440 hectares, a maioria fazendo parte do tecido urbano de Roma (como a Praça de São Pedro – abaixo), algumas igrejas e palácios da cidade e as áreas que rodeiam o palácio de férias do pontífice, situado em Castelgandolfo, e aquelas onde se localizam as instalações da Rádio Vaticano (Santa Maria de Galeria), ambas nos arredores de Roma.
A população tem uma dimensão correspondente: 785 habitantes, segundo os dados de 2004, a maioria a partir de pessoas que adquiriram a cidadania. Dada a natureza do Estado, a taxa de natalidade é, necessariamente, baixa… Claro que uma estrutura destas nunca pôde subsistir sem a cumplicidade da Itália, apesar de terem mediado 59 anos de disputas (1870-1929), até que sob o pontificado do Papa Pio XI, se viessem a assinar os Tratados de Latrão com a Itália, reconhecendo afinal o status quo existente.
O que, entre outras coisas, aqueles Tratados formalizavam, era a existência do Vaticano como um Estado Soberano, que lhe permite, por exemplo, continuar a manter relações diplomáticas em pé de igualdade com quaisquer outros países. Os núncios apostólicos (são assim que se designam os embaixadores do Vaticano no exterior) são um jogo de faz-de-conta formal, muito parecido com o do grupo parlamentar de Os Verdes no parlamento português: o Vaticano é um país que não existe realmente e os Verdes são um partido que também não…
O sistema de governo do Vaticano é relativamente simples: existe um monarca, que é eleito numa cerimónia cujos rituais datam da Idade Média, que incluem sinais de fumo (acima), e a sua eleição é para o resto da sua vida. Embora possível, foram muito poucos os casos em que um Papa abdicou. E o seu poder é absoluto. Adicionalmente, a legislação em vigor estabelece que, quando ele se pronuncia sobre certos temas – a escrever sobre fé ou moral, por exemplo – é considerado infalível. Privilégio que, decerto, suscitará invejas aqui na blogosfera…
Sendo um poste dedicado ao Estado do Vaticano, a verdade é que ele acaba por se centrar na figura do Papa, porque afinal toda a história do Estado não tem qualquer razão de ser sem ele. O Vaticano é um pretexto para conferir uma dignidade secular formal a um Chefe religioso**. Mesmo a famosa Guarda Suíça (acima), cujos efectivos rondarão os 100 elementos e que se tornou uma das imagens visuais mais fortes do Vaticano, é uma organização que não se destina a defender o Estado, mas apenas o seu Chefe…

* Excepto durante o período de 1309 a 1377, quando vários Papas residiram em Avinhão, no Sul de França.
** Situação que falta, por exemplo, ao Dalai Lama.