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12 fevereiro 2024

A MELHOR PROMOÇÃO QUE SE PODE FAZER A UM QUADRO É ROUBÁ-LO (2)

(Republicação)
12 de Fevereiro de 1994. Dois homens roubaram a versão do quadro O Grito que estava exposta na Galeria Nacional em Oslo, na Noruega, país natal do autor do famoso quadro, Edvard Munch. Um par de meses depois os ladrões pediram um resgate pelo quadro (pedido que foi recusado) e passado um mês eles haviam sido presos e a obra recuperada, numa operação conjunta das polícias norueguesa e britânica. Como o demonstrou o famoso caso do roubo de Mona Lisa do Museu do Louvre em 1911, aquilo que se pode fazer de melhor para promover uma obra de arte como esta, é dar-lhe um cheirinho de roubo, mas que não faça a obra desaparecer por muitos anos. Em 2012, uma outra versão deste mesmo Grito foi vendida por 90 milhões de euros.

05 fevereiro 2024

UMA HISTÓRIA MUITO BEM EXPLICADA, MAS ONDE FALTAVA A INCLUSÃO DE UM DETALHE IMPORTANTE

5 de Fevereiro de 1949. Esta notícia de há precisamente 75 anos é de um detalhe impressionante. A única coisa que se esqueceram de explicar foi a motivação para que o ministro dos Estrangeiros se dispusesse a visitar inesperadamente Washington mesmo sem qualquer convite feito. AS razões só se perceberão na edição do dia seguinte: a União Soviética, que então ainda era dirigida por Estaline, na perspectiva da formação de uma aliança militar de países europeus com os Estados Unidos (que virá a ser a NATO), aliança essa para que a Noruega fora convidada, começara a enviar insistentemente notas diplomáticas convidando este país - que faz fronteira com a União Soviética no Ártico - assinasse um pacto de não agressão. Daí a urgência do ministro norueguês em visitar os Estados Unidos: é que havia - e continua a haver - toda uma eloquência implícita quando a União Soviética - e agora a Rússia - insistem em ser não agressivas...

25 setembro 2022

UM DAQUELES REFERENDOS EM QUE A CAPITAL É «DERROTADA» PELO RESTO DO PAÍS

25 de Setembro de 1972. Tem lugar na Noruega um referendo sobre a adesão daquele país à então CEE. O desfecho foi a vitória do "Não", o que foi surpreendente, considerada a perspectiva que se antecipava na capital, Oslo, onde a superioridade dos votos "Sim" veio a ser na proporção de 2 para 1. Mas o país rejeitara globalmente a proposta e no dia seguinte, o primeiro-ministro e o governo norueguês confessavam-se derrotados, preparando-se para se demitir (abaixo).

01 fevereiro 2022

VIDKUN QUISLING ASSUME O TÍTULO DE MINISTRO PRESIDENTE DO GOVERNO COLABORACIONISTA NORUEGUÊS

1 de Fevereiro de 1942. Se bem que estas quatro notícias do Diário de Lisboa aparecessem emanadas de Estocolmo, capital da Suécia (neutral), elas referiam-se todas a uma «transformação importante da política interna» da vizinha Noruega, ocupada quase há dois anos pela Alemanha. O III Reich havia permitido aquilo que era apresentado pelos despachos suecos como um vislumbre de autonomia, em que um governo nacional, de composição segura, encabeçado pelo «major Quisling», ostentando o título sonoro de ministro presidente, se tornaria a partir de então responsável pela condução dos assuntos domésticos da Noruega. Parecia significativo... mas não era. Não apenas Quisling esteve sempre sob a tutela de um Reichkomissar alemão, como a sua subserviência para com os ocupantes veio a ocasionar que o seu nome viesse a ser usado depreciativamente em inglês e nas línguas nórdicas como sinónimo de autoridade colaboracionista naqueles anos imediatos à Segunda Guerra Mundial. Era uma expressão - quisling - que, embora não tivesse a ressonância merecida na língua portuguesa - me ocorria repetidamente enquanto observava o comportamento subserviente de Pedro Passos Coelho diante da Comissão Europeia, nomeadamente durante os anos críticos de 2012 e 2013. )Quase dez anos depois e sempre que se levanta este último tópico, ouvem-se respostas enviesadas, remetendo para a fragilidade da posição portuguesa, quando não é essa à questão: foi mesmo necessário andar a lamber as botas?... E se sim, porque é que os outros países não as lamberam?

22 setembro 2020

O APARECIMENTO DA EURONEXT

22 de Setembro de 2000. Aparecimento da Euronext que reunia (então) as bolsas de Paris, Amesterdão e Bruxelas. Posteriormente reuniram-se-lhes as bolsas de Lisboa (2002), Dublin (2018) e Oslo (2019). É a maior organização bolsista da Europa... continental. A sede operacional situa-se em Paris, mas a sede social situa-se em Amesterdão, para que os impostos sejam colectados na Holanda em mais um exemplo do que se entende por uma questão de frugalidade...

26 junho 2020

O «SPIN-OFF» DAS DECLARAÇÕES DA PRIMEIRA MINISTRA NORUEGUESA

A primeira-ministra norueguesa (acima) anunciou há poucos dias, numa conferência de imprensa, as regras que o seu país pretende impor quanto a viagens com os restantes países europeus. Erna Solberg (quem?!) não se contará propriamente entre os chefes de governo mais reconhecidos da Europa, nem a Noruega - que, recorde-se, nem faz parte da União Europeia - constituirá uma das primeiríssimas prioridades da política externa portuguesa. Mau grado essa constatação, não deixa de ser engraçado apreciar o tratamento jornalístico que as declarações dessa mesma primeira ministra da nórdica Noruega podem sofrer num mesmo jornal, evoluindo de um dia para o outro - acima, primeiro o da esquerda, depois o da direita - com o fito deliberado de melhor chamar a atenção do leitor, porventura indignando-o pela discriminação que será aplicada a quem viaja vindo do nosso país (e não o país, como a redacção do título parece implicar - «Noruega exclui Portugal...»). Numa das passagens da sua apresentação, a primeira-ministra Erna Solberg fez menção ao Espaço Económico Europeu e foi aí que eu me apercebi que no Observador, onde se tem noticiado tantos países que excluem Portugal, não se têm publicado notícias sobre quais serão as intenções dos chefes de governo daquele Espaço como a Islândia e o Liechtenstein... O que é que Katrín Jakobsdóttir e Adrian Hasler pensam fazer? Também quererão «excluir Portugal da lista de países que podem entrar no seu território»? E o Observador não publica a seguir a notícia, comentando o desprezo a que até o Liechtenstein(!) nos vota, para que a dupla José Manuel Fernandes/Rui Ramos nos venha depois explicar que a culpa é toda do António Costa?...

03 maio 2020

O APARECIMENTO DA EFTA

3 de Maio de 1960. Quatro meses depois da assinatura do tratado em Estocolmo, a EFTA (European Free Trade Association) entra em vigor, associando a Áustria, a Dinamarca, a Noruega, Portugal, o Reino Unido, a Suécia e a Suíça. À época, a nova organização apresentava-se como uma espécie de CEE alternativa.

09 abril 2020

OPERAÇÃO WESERÜBUNG


9 de Abril de 1940. A Alemanha desencadeia a Operação Weserübung, a invasão simultânea da Dinamarca e da Noruega, dois países adjacentes que haviam permanecido, até aí, neutrais na Segunda Guerra Mundial. Haviam permanecido, mas a Alemanha achou que tinha necessidade de os invadir e ocupar e assim fez. Eu aprecio pessoalmente Angela Merkel. Ela convenceu-me quando assumiu uma resposta politicamente incorrecta para com uma refugiada palestiniana, a propósito dos seus direitos de asilo. Angela podia ter mentido à rapariga para aparecer bem na televisão, mas preferiu ser sincera e isso apenas deu mais valor à sua sinceridade quando se condoeu com a reacção da adolescente. Mas não posso esquecer que ela é a chancelerina (kanzlerin) dos alemães. Ocupa aquele lugar para zelar pelos interesses deles. Os alemães, como se vê por estes exemplos do passado, têm uma empatia nula pelas preocupações dos outros povos. Portanto não vale a pena estar a enviar a Angela Merkel cartas abertas com muitas assinaturas para que ela tome iniciativas que se referem a interesses muito mais vastos do que aqueles que lhe são exigidos.

14 agosto 2013

OS SUCESSOS DOS POLÍTICOS DE SUCESSO

Com a descoberta de que alguns dos passageiros do táxi do primeiro-ministro norueguês haviam sido contratados propositadamente para figurarem nos vídeos, parece confirmar-se aquela máxima que estabelece que quando, à primeira vista, as acções dos políticos parecem ter um sucesso retumbante… é porque foram encenadas para o terem. Já em 1956, o então senador John F. Kennedy publicou um livro com oito biografias de antecessores seus no Senado que ele louva pela sua coragem. Deu à obra o título de Profiles in Courage, esta tornou-se num best-seller, veio a ser distinguida com o Prémio Pulitzer em 1957, embora em circunstâncias controversas¹. Apesar da questão da autoria do livro ter sido levantada num programa televisivo da ABC em Dezembro de 1957, a questão foi abafada, muito mais quando o autor foi eleito para a presidência em Novembro de 1960 e ainda mais depois dele se ter tornado num mártir, assassinado três anos depois. Anos de distanciamento porém, fizeram com que leituras mais cuidadas da obra produzissem a indicação que ela fora provavelmente escrita por Theodore Ted Sorensen (1928-2010), o discreto mas primordial assistente de Kennedy, (des)conhecido por ser o autor dos seus mais famosos discursos. Ao publicar a sua própria autobiografia aos 80 anos, em Maio de 2008, Sorensen acabou por corroborar, embora o fizesse nos termos mais benignos possíveis, que a maior parte do trabalho em Profiles in Courage lhe pertencera. John F. Kennedy concebera a ideia original do livro e supervisionara a sua elaboração, mas com excepção do primeiro e último capítulos, a sua contribuição para a redacção e investigação fora mínima. E há que reconhecer que, em termos académicos, quem quiser dar o seu nome a uma tese redigida naquelas condições, deve chumbar...
¹ A obra foi premiada ad-hoc sem que fosse sido previamente nomeada para eleição, como costuma acontecer com estes prémios – recorde-se o exemplo dos Óscares no cinema.

22 março 2013

QUISLINGS

Quisling é uma palavra (hoje infelizmente esquecida) que teve um grande significado durante a Segunda Guerra Mundial como sinónimo de traidor, político colaboracionista com a ocupação alemã. O Quisling inspirador da expressão chamava-se Vidkun Quisling (1887-1945) e foi um político norueguês de extrema-direita que se dispôs a colaborar com as autoridades alemãs quando da invasão e ocupação do seu país pela Alemanha, desde 1940 até ao fim do conflito.    
Vale a pena explicar que, ironicamente e mau grado a sua dedicação à causa e mau grado a impopularidade que por causa disso adquirira junto de adversários e inimigos, o poder efectivo do governo dirigido por Quisling nunca passou de uma sombra, permanentemente tutelada por um Reichskommissar alemão residente na Noruega chamado Josef Terboven (1898-1945). Ele é que foi o verdadeiro detentor do poder nesses 5 anos: realpolitik é uma palavra de origem alemã!  
É a propósito dessa mesma realpolitik e destes precedentes históricos que me pergunto o que pretenderá o presidente da comissão europeia com declarações manifestando a satisfação com a avaliação da troika e insistências na eficácia do funcionamento dos programas de ajustamento no seu próprio país? Ainda não se apercebeu que, querendo regressar, as declarações não o tornam cá popular e quem o pode apoiar preferirá sempre um Reichskommissar alemão?

23 novembro 2012

AFRICA FOR NORWAY


Desde que por ocasião do sétimo aniversário deste blogue, tive oportunidade de ler um amável poste de congratulações de um leitor regular oriundo da Noruega, onde faz, entre várias referências amáveis, outras complementares a um poste meu referente ao país onde vive, que me sinto um pouco em falta para retribuir com algo dedicado precisamente à Noruega. Até hoje, em que insiro um vídeo do youtube – a criatividade não foi portanto minha, apenas a selecção – que se intitula Africa For Norway – embora a Noruega não seja essencial para a história…

Trata-se de uma campanha de angariação de radiadores em países africanos (por isso baptizada de Radi-Aid) para serem enviadas para auxílio dos habitantes dos países nórdicos como a Noruega, de que são mostradas imagens muito de passagem e quando se verificam situações climatéricas horríveis. Para complemento, alguns cantores beneméritos reúnem-se para interpretar uma canção pela causa, à semelhança doutras conhecidas. A ironia, quando bem conseguida como é o caso, até dispensará a tradução das legendas que estão em inglês.

Feita numa montagem de imagens seleccionadas é possível transformar o que se quiser naquilo que se quiser, dar a aparência de uma Sibéria remota ao país com o maior índice de desenvolvimento humano (IDH) do Mundo. Creio que todos percebemos (mesmo sem entender as legendas) que o vídeo não se tratará de uma manifestação de ingratidão da parte de quem recebe auxílio externo. Por estes dias, com Portugal resgatado, nós também andaremos muito sensíveis para o cuidado que é preciso dispensar ao amor-próprio daqueles que são auxiliados

19 outubro 2012

PYRAMIDEN

As cidades fantasmas tradicionais das histórias costumam situar-se no velho Oeste americano, são o resultado do fervor súbito por um minério nobre – o ouro, de preferência – que se localizam normalmente num filão que se vem a revelar escasso e que rapidamente se esgota. De todos essas características lendárias, Pyramiden (acima, à direita, o monumento da cidade) apenas cumpre a de ser uma genuína cidade fantasma.
Pyramiden (Пирамида no original) foi uma cidade russa/soviética localizada no Arquipélago de Svalbard, junto ao círculo polar árctico (vejam-se os mapas acima), que chegou a contar com cerca de um milhar de habitantes que trabalhavam à volta de uma concessão mineira…mas de carvão. Instalada em território norueguês mas explorada por soviéticos a cidade era simultaneamente uma vanguarda do império soviético e um mostruário do socialismo.
É assim que, apesar de a cidade ter sido abandonada em 1998, ainda se podem encontrar nas paredes que o tempo congelou cartazes demonstrativos de uma rivalidade confrontacional de guerra-fria, como este soldado soviético que apela em várias línguas: Para Oeste! Muito melhor que isso, não há como um busto de Lenine bem preservado deixado para trás para nos evocar o sabor especial do socialismo dos bons velhos tempos
Mas os poucos anos pós-soviéticos ainda foram suficientes para que a cidade gelada se enfeitasse com os símbolos esquecidos e recuperados da Rússia eterna, a de Ivã-o-Terrível e de Pedro-o-Grande. Ao fundo, mesmo defronte do Lenine mais setentrional da Terra, pode reconhecer-se um urso polar que se passeia orgulhoso pelo topo do Mundo com a paisagem árctica por detrás - como que questionando Lenine se a sua ideologia será indispensável para o destino imperial da Rússia.

16 abril 2012

SÓ DE PUNHO ERGUIDO…

Ao olhar para a pose escolhida pelo terrorista radical norueguês Anders Breivik ao entrar na sala de audiências do tribunal onde irá ser julgado (acima), não resisti à associação entre a expressão determinada e o punho erguido desafiador que ali se observa e a letra de uma canção antiga (1974) de José Jorge Letria cujo refrão, repetido com vigor e até à exaustão, era: Só de punho erguido, a canção terá sentido!

Os autores da canção estariam certamente longe de antecipar a evolução da sua e de outras ideologias radicais e como elas se iriam inspirar transversalmente nas simbologias alheias. Mas, por muita que fosse a imaginação poética, não deixa de se tornar irónico considerarem que o gesto, só por ele, conferiria sentido, quando sentido é algo que até hoje não se encontrou para as acções criminosas de Anders Breivik.

29 novembro 2011

«NORWAY: NUL POINTS»


Para contrariar um pouco esta coisa do Fado convém lembrar que Portugal também é reconhecido internacionalmente por nunca ter ganho o Festival da Eurovisão, proeza que já foi alcançada por quase todos os restantes países europeus. Contudo, se há país no qual tenha recaído a fama dos fiascos festivaleiros é, estranhamente, a Noruega. A história reza que a organização do Festival demorara anos a encontrar um sistema de votação que fosse simultaneamente generoso e do agrado dos países concorrentes: a edição do Festival de 1969 tivera (embaraçosamente) quatro canções vencedoras.

Em 1975 acertara-se num sistema que dava ao júri a possibilidade de distribuir imensos pontos mas, mesmo assim, a Noruega conseguiu a proeza de nos Festivais de 1978 (mais acima) e de 1981 (acima) ter terminado no último lugar, sem um ponto sequer. A expressão coloquial Norway: nul points entrou na língua inglesa como sinónimo de fiasco. Há que acrescentar que os noruegueses se vieram a desforrar depois em 1985, quando montaram a operação de relações públicas que os fez ganhar a edição do festival daquele ano, com uma canção que não seria assim tão nitidamente melhor do que as outras duas...

24 julho 2011

EM HOMENAGEM À NORUEGA

As sociedades escandinavas valorizam como mais nenhumas as demonstrações de sobriedade e de igualdade da parte dos seus membros mais destacados. O que as faz, sendo monarquias, ter uns monarcas peculiares pela sua modéstia e acessibilidade: a fotografia acima é a de um dos expoentes dessa forma de estar, o rei Olavo V da Noruega (1903-1991), numa das suas saídas regulares para esquiar durante a crise energética dos anos 70 em que, para dar o exemplo, o monarca fazia questão (e publicidade) de utilizar os transportes públicos. No instantâneo, o rei apresta-se a pagar o bilhete enquanto o cobrador o informa que o seu AdC, noutro banco do eléctrico, já o comprara, perante um sorriso entre o envergonhado e o orgulhoso da utente do lado…

03 dezembro 2010

OS CANHÕES QUE AFUNDARAM O PORTA-AVIÕES

Se houver apenas uma conclusão que se possa tirar de qual foi a evolução das tácticas navais durante a Segunda Guerra Mundial, a conclusão mais incontroversa é que se assistiu à ascensão e supremacia do poder aeronaval. Praticamente todas as grandes Batalhas Navais durante o conflito tiveram por protagonistas a aviação embarcada e os Porta-Aviões, tornando obsoletos os navios clássicos e a artilharia convencional. Para justificar a conclusão costuma seguir-se um encadeamento de Batalhas aeronavais (a começar pela do Mar de Coral em Maio de 1942), recontros em que a arma ofensiva de cada Armada foi a sua aviação embarcada e onde os navios inimigos nunca se aproximaram mais do que várias centenas de quilómetros. Contudo, para contrariar, houve uma batalha em que um porta-aviões foi afundado a tiros de canhão… O episódio antecede os acima mencionados e situa-se no quadro mais vasto da Campanha da Noruega de Abril a Junho de 1940. A Alemanha ocupou de surpresa aquele país e a Dinamarca, que até aí haviam permanecido neutrais (acima). Os Aliados tentaram contrariar a ocupação alemã e, dada a extensão das costas norueguesas, a Royal Navy britânica desempenhou um papel fundamental nesse contra-ataque. Tacticamente, a situação revelou-se desde o princípio desfavorável para os Aliados. Entre outros problemas, os alemães contavam com o apoio aéreo da aviação de combate da Luftwaffe, enquanto a aviação embarcada da Royal Navy, presente através dos Porta-Aviões HMS Furious e HMS Glorious mostrava ser comparativamente obsoleta, maioritariamente composta ainda por aviões biplanos como os Swordfish (acima e abaixo).
Nos finais de Maio de 1940 já se tornara evidente que, depois de excluída a intenção inicial de expulsar os alemães, nem o projecto aliado alternativo de sustentar algumas testas-de-ponte em território norueguês se conseguiria manter. Para mais, no dia 10 de Maio, com a invasão da Bélgica e da Holanda, começara a crucial Batalha pela Europa Ocidental e decidiu-se proceder à retirada do contingente aliado (Operação Alfabeto).
Foi já nesta fase final que, a 8 de Junho, quando o Porta-Aviões HMS Glorious (acima) retirava de águas norueguesas que acabou sendo detectado por dois dos maiores navios de guerra que a Alemanha então possuía – o Scharnhorst (abaixo) e o seu gémeo, o Gneisenau. Em condições normais, os torpedos da aviação do Glorious teriam maior alcance e seriam por isso mais ameaçadores que os canhões dos opositores...
...mas o HMS Glorious fora apanhado de surpresa e tardou muito a reagir. O Scharnhorst abriu fogo a 24 km de distância e, numa das primeiras salvas, conseguiu atingir o convés de voo do Glorious, inutilizando-o, destruindo os dois aviões de alerta e desarmando assim o Porta-Aviões que, sob fogo contínuo, se afundou (abaixo) uma hora e meia depois. E a História também se faz destes pequenos episódios que vão ao arrepio das grandes tendências…
Aqui, um filme alemão de propaganda com quase 8 minutos a respeito da batalha.