12 de Fevereiro de 1994. Dois homens roubaram a versão do quadro O Grito que estava exposta na Galeria Nacional em Oslo, na Noruega, país natal do autor do famoso quadro, Edvard Munch. Um par de meses depois os ladrões pediram um resgate pelo quadro (pedido que foi recusado) e passado um mês eles haviam sido presos e a obra recuperada, numa operação conjunta das polícias norueguesa e britânica. Como o demonstrou o famoso caso do roubo de Mona Lisa do Museu do Louvre em 1911, aquilo que se pode fazer de melhor para promover uma obra de arte como esta, é dar-lhe um cheirinho de roubo, mas que não faça a obra desaparecer por muitos anos. Em 2012, uma outra versão deste mesmo Grito foi vendida por 90 milhões de euros.
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12 fevereiro 2019
14 agosto 2013
OS SUCESSOS DOS POLÍTICOS DE SUCESSO
Com a descoberta de que alguns dos passageiros do táxi do primeiro-ministro norueguês haviam sido contratados propositadamente para figurarem nos vídeos, parece confirmar-se aquela máxima que estabelece que quando, à primeira vista, as acções dos políticos parecem ter um sucesso retumbante… é porque foram encenadas para o terem. Já em 1956, o então senador John F. Kennedy publicou um livro com oito biografias de antecessores seus no Senado que ele louva pela sua coragem. Deu à obra o título de Profiles in Courage, esta tornou-se num best-seller, veio a ser distinguida com o Prémio Pulitzer em 1957, embora em circunstâncias controversas¹. Apesar da questão da autoria do livro ter sido levantada num programa televisivo da ABC em Dezembro de 1957, a questão foi abafada, muito mais quando o autor foi eleito para a presidência em Novembro de 1960 e ainda mais depois dele se ter tornado num mártir, assassinado três anos depois. Anos de distanciamento porém, fizeram com que leituras mais cuidadas da obra produzissem a indicação que ela fora provavelmente escrita por Theodore Ted Sorensen (1928-2010), o discreto mas primordial assistente de Kennedy, (des)conhecido por ser o autor dos seus mais famosos discursos. Ao publicar a sua própria autobiografia aos 80 anos, em Maio de 2008, Sorensen acabou por corroborar, embora o fizesse nos termos mais benignos possíveis, que a maior parte do trabalho em Profiles in Courage lhe pertencera. John F. Kennedy concebera a ideia original do livro e supervisionara a sua elaboração, mas com excepção do primeiro e último capítulos, a sua contribuição para a redacção e investigação fora mínima. E há que reconhecer que, em termos académicos, quem quiser dar o seu nome a uma tese redigida naquelas condições, deve chumbar...
¹ A obra foi premiada ad-hoc sem que fosse sido previamente nomeada para eleição, como costuma acontecer com estes prémios – recorde-se o exemplo dos Óscares no cinema.
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22 março 2013
QUISLINGS
Quisling é uma palavra (hoje infelizmente esquecida) que teve um grande significado durante a Segunda Guerra Mundial como sinónimo de traidor, político colaboracionista com a ocupação alemã. O Quisling inspirador da expressão chamava-se Vidkun Quisling (1887-1945) e foi um político norueguês de extrema-direita que se dispôs a colaborar com as autoridades alemãs quando da invasão e ocupação do seu país pela Alemanha, desde 1940 até ao fim do conflito.
Vale a pena explicar que, ironicamente e mau grado a sua dedicação à causa e mau grado a impopularidade que por causa disso adquirira junto de adversários e inimigos, o poder efectivo do governo dirigido por Quisling nunca passou de uma sombra, permanentemente tutelada por um Reichskommissar alemão residente na Noruega chamado Josef Terboven (1898-1945). Ele é que foi o verdadeiro detentor do poder nesses 5 anos: realpolitik é uma palavra de origem alemã!
É a propósito dessa mesma realpolitik e destes precedentes históricos que me pergunto o que pretenderá o presidente da comissão europeia com declarações manifestando a satisfação com a avaliação da troika e insistências na eficácia do funcionamento dos programas de ajustamento no seu próprio país? Ainda não se apercebeu que, querendo regressar, as declarações não o tornam cá popular e quem o pode apoiar preferirá sempre um Reichskommissar alemão?
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23 novembro 2012
AFRICA FOR NORWAY
Desde que por ocasião do sétimo aniversário deste blogue, tive oportunidade de ler um amável poste de congratulações de um leitor regular oriundo da Noruega, onde faz, entre várias referências amáveis, outras complementares a um poste meu referente ao país onde vive, que me sinto um pouco em falta para retribuir com algo dedicado precisamente à Noruega. Até hoje, em que insiro um vídeo do youtube – a criatividade não foi portanto minha, apenas a selecção – que se intitula Africa For Norway – embora a Noruega não seja essencial para a história…
Trata-se de uma campanha de angariação de radiadores em países africanos (por isso baptizada de Radi-Aid) para serem enviadas para auxílio dos habitantes dos países nórdicos como a Noruega, de que são mostradas imagens muito de passagem e quando se verificam situações climatéricas horríveis. Para complemento, alguns cantores beneméritos reúnem-se para interpretar uma canção pela causa, à semelhança doutras conhecidas. A ironia, quando bem conseguida como é o caso, até dispensará a tradução das legendas que estão em inglês.
Feita numa montagem de imagens seleccionadas é possível transformar o que se quiser naquilo que se quiser, dar a aparência de uma Sibéria remota ao país com o maior índice de desenvolvimento humano (IDH) do Mundo. Creio que todos percebemos (mesmo sem entender as legendas) que o vídeo não se tratará de uma manifestação de ingratidão da parte de quem recebe auxílio externo. Por estes dias, com Portugal resgatado, nós também andaremos muito sensíveis para o cuidado que é preciso dispensar ao amor-próprio daqueles que são auxiliados…
19 outubro 2012
PYRAMIDEN
As cidades fantasmas tradicionais das histórias costumam
situar-se no velho Oeste americano, são o resultado do fervor súbito por um
minério nobre – o ouro, de preferência – que se localizam normalmente num filão que se vem a
revelar escasso e que rapidamente se esgota. De todos essas características lendárias,
Pyramiden (acima, à direita, o monumento da cidade) apenas cumpre a de ser uma genuína
cidade fantasma.
Pyramiden (Пирамида no original) foi uma
cidade russa/soviética localizada no Arquipélago de Svalbard, junto ao círculo
polar árctico (vejam-se os mapas acima), que chegou a contar com cerca de um milhar
de habitantes que trabalhavam à volta de uma concessão mineira…mas de carvão. Instalada
em território norueguês mas explorada por soviéticos a cidade era simultaneamente uma vanguarda do império soviético e um
mostruário do socialismo.
É assim que, apesar de a cidade ter sido abandonada em 1998, ainda
se podem encontrar nas paredes que o tempo congelou cartazes demonstrativos de uma rivalidade confrontacional
de guerra-fria, como este soldado soviético que apela em várias línguas: Para
Oeste! Muito melhor que isso, não há como um busto de Lenine bem preservado deixado para trás para
nos evocar o sabor especial do socialismo dos bons velhos tempos…
Mas os poucos anos pós-soviéticos ainda foram suficientes
para que a cidade gelada se enfeitasse com os símbolos esquecidos e recuperados da Rússia
eterna, a de Ivã-o-Terrível e de Pedro-o-Grande. Ao fundo, mesmo defronte do
Lenine mais setentrional da Terra, pode reconhecer-se um urso polar que se passeia orgulhoso
pelo topo do Mundo com a paisagem árctica por detrás - como que questionando Lenine se a sua ideologia será indispensável para o destino imperial da Rússia.
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16 abril 2012
SÓ DE PUNHO ERGUIDO…
Ao olhar para a pose escolhida pelo terrorista radical norueguês Anders Breivik ao entrar na sala de audiências do tribunal onde irá ser julgado (acima), não resisti à associação entre a expressão determinada e o punho erguido desafiador que ali se observa e a letra de uma canção antiga (1974) de José Jorge Letria cujo refrão, repetido com vigor e até à exaustão, era: Só de punho erguido, a canção terá sentido!
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29 novembro 2011
«NORWAY: NUL POINTS»
Para contrariar um pouco esta coisa do Fado convém lembrar que Portugal também é reconhecido internacionalmente por nunca ter ganho o Festival da Eurovisão, proeza que já foi alcançada por quase todos os restantes países europeus. Contudo, se há país no qual tenha recaído a fama dos fiascos festivaleiros é, estranhamente, a Noruega. A história reza que a organização do Festival demorara anos a encontrar um sistema de votação que fosse simultaneamente generoso e do agrado dos países concorrentes: a edição do Festival de 1969 tivera (embaraçosamente) quatro canções vencedoras.
Em 1975 acertara-se num sistema que dava ao júri a possibilidade de distribuir imensos pontos mas, mesmo assim, a Noruega conseguiu a proeza de nos Festivais de 1978 (mais acima) e de 1981 (acima) ter terminado no último lugar, sem um ponto sequer. A expressão coloquial Norway: nul points entrou na língua inglesa como sinónimo de fiasco. Há que acrescentar que os noruegueses se vieram a desforrar depois em 1985, quando montaram a operação de relações públicas que os fez ganhar a edição do festival daquele ano, com uma canção que não seria assim tão nitidamente melhor do que as outras duas...
24 julho 2011
EM HOMENAGEM À NORUEGA
As sociedades escandinavas valorizam como mais nenhumas as demonstrações de sobriedade e de igualdade da parte dos seus membros mais destacados. O que as faz, sendo monarquias, ter uns monarcas peculiares pela sua modéstia e acessibilidade: a fotografia acima é a de um dos expoentes dessa forma de estar, o rei Olavo V da Noruega (1903-1991), numa das suas saídas regulares para esquiar durante a crise energética dos anos 70 em que, para dar o exemplo, o monarca fazia questão (e publicidade) de utilizar os transportes públicos. No instantâneo, o rei apresta-se a pagar o bilhete enquanto o cobrador o informa que o seu AdC, noutro banco do eléctrico, já o comprara, perante um sorriso entre o envergonhado e o orgulhoso da utente do lado…
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03 dezembro 2010
OS CANHÕES QUE AFUNDARAM O PORTA-AVIÕES
Se houver apenas uma conclusão que se possa tirar de qual foi a evolução das tácticas navais durante a Segunda Guerra Mundial, a conclusão mais incontroversa é que se assistiu à ascensão e supremacia do poder aeronaval. Praticamente todas as grandes Batalhas Navais durante o conflito tiveram por protagonistas a aviação embarcada e os Porta-Aviões, tornando obsoletos os navios clássicos e a artilharia convencional.
Para justificar a conclusão costuma seguir-se um encadeamento de Batalhas aeronavais (a começar pela do Mar de Coral em Maio de 1942), recontros em que a arma ofensiva de cada Armada foi a sua aviação embarcada e onde os navios inimigos nunca se aproximaram mais do que várias centenas de quilómetros. Contudo, para contrariar, houve uma batalha em que um porta-aviões foi afundado a tiros de canhão…
O episódio antecede os acima mencionados e situa-se no quadro mais vasto da Campanha da Noruega de Abril a Junho de 1940. A Alemanha ocupou de surpresa aquele país e a Dinamarca, que até aí haviam permanecido neutrais (acima). Os Aliados tentaram contrariar a ocupação alemã e, dada a extensão das costas norueguesas, a Royal Navy britânica desempenhou um papel fundamental nesse contra-ataque.
Tacticamente, a situação revelou-se desde o princípio desfavorável para os Aliados. Entre outros problemas, os alemães contavam com o apoio aéreo da aviação de combate da Luftwaffe, enquanto a aviação embarcada da Royal Navy, presente através dos Porta-Aviões HMS Furious e HMS Glorious mostrava ser comparativamente obsoleta, maioritariamente composta ainda por aviões biplanos como os Swordfish (acima e abaixo).
Nos finais de Maio de 1940 já se tornara evidente que, depois de excluída a intenção inicial de expulsar os alemães, nem o projecto aliado alternativo de sustentar algumas testas-de-ponte em território norueguês se conseguiria manter. Para mais, no dia 10 de Maio, com a invasão da Bélgica e da Holanda, começara a crucial Batalha pela Europa Ocidental e decidiu-se proceder à retirada do contingente aliado (Operação Alfabeto).
Foi já nesta fase final que, a 8 de Junho, quando o Porta-Aviões HMS Glorious (acima) retirava de águas norueguesas que acabou sendo detectado por dois dos maiores navios de guerra que a Alemanha então possuía – o Scharnhorst (abaixo) e o seu gémeo, o Gneisenau. Em condições normais, os torpedos da aviação do Glorious teriam maior alcance e seriam por isso mais ameaçadores que os canhões dos opositores...
...mas o HMS Glorious fora apanhado de surpresa e tardou muito a reagir. O Scharnhorst abriu fogo a 24 km de distância e, numa das primeiras salvas, conseguiu atingir o convés de voo do Glorious, inutilizando-o, destruindo os dois aviões de alerta e desarmando assim o Porta-Aviões que, sob fogo contínuo, se afundou (abaixo) uma hora e meia depois. E a História também se faz destes pequenos episódios que vão ao arrepio das grandes tendências…Aqui, um filme alemão de propaganda com quase 8 minutos a respeito da batalha.
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