Dobrar anúncios televisivos sempre foi prática corrente porque baixa custos de produção. Mas uma coisa é promover um detergente para a loiça, em que a atenção do espectador é atraída para o brilho reluzente após lavagem, e outra será promover um dentífrico onde é a natureza do próprio produto a obrigar a que olhemos para o brilho dos dentes e assim para a boca dos protagonistas, só para vermos os seus lábios a moverem-se – porque se poupou o dinheiro para o trabalho de montagem – totalmente descoordenados com aquilo que se está a ouvir na banda sonora. Embora não no sentido em que a expressão costuma ser empregue, para quem seja exigente isto também é publicidade rasca.
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27 setembro 2015
29 abril 2011
SIMETRIAS DE «ENTUSIASMOS POPULARES» COMO OS DE HÁ 75 ANOS ATRÁS
Ontem, 28 de Abril, foi a vez de José Sócrates ser o convidado daquele programa da TSF e a vez dos blogues indefectíveis do PSD publicitarem a gestão da espontaneidade das perguntas com que foi confrontado o líder socialista. Simétricas, está-se diante de manobras de um primarismo tal que apetece perguntar aos seus promotores se nada lhes ocorre de mais sofisticado do que aquilo que já se fazia há 75 anos atrás, com crianças de bandeirinhas na mão a vitoriar o Adolfo…
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30 setembro 2010
«ONCE UPON A TIME IN AMERICA»
Hoje o poste, contendo parte da banda sonora de Once Upon a Time in America da autoria de Ennio Morricone, é mais para ouvir do que para ler. Chamo porém a atenção para a flauta de pã (fotografia abaixo), instrumento que transmite à música uma sonoridade inconfundível. Tempos houve em que a publicidade radiofónica da Enatur conseguiu que eu associasse o som daquele instrumento ao repouso e recato da cadeia das Pousadas de Portugal. Hoje já não...
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12 julho 2010
O FESTIVAL DA OVOVISÃO
Em 1967, com 275.000 aparelhos receptores registados em Portugal (legais), a televisão já se tornara num meio suficientemente popular para a usar em campanhas publicitárias de sensibilização destinadas ao público feminino das donas de casa. No exemplo, retirado daqui, promoviam-se os ovos sujeitos a inspecção sanitária prévia (carimbados) em substituição aos da produção tradicional. O tema escolhido para a campanha também se tornara muito popular junto do segmento-alvo com a expansão da televisão: o Festival da Eurovisão. O filme publicitário era uma paródia descarada à canção e à intérprete que vencera a edição daquele ano, a britânica Sandie Shaw que aparecera em palco descalça (repare-se que a galinha também se descalça…) para ultraje da audiência mais conservadora.
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07 março 2010
A PALAVRA QUE ANDA NA BOCA DE TODA A GENTE
Ainda a palavra anda na boca de toda a gente (como a velha pasta medicinal Couto) e já se acumulam os indícios que a globalização não terá sido assim tão definitiva e tão inexorável quanto as correntes de pensamento económico ultra-liberais andavam a prenunciar até à chegada da crise actual. A implementação de um plano para disciplinar as finanças gregas não está a ter a linearidade que os alemães sempre esperam nestas ocasiões e os islandeses rejeitaram liminarmente em referendo um acordo para reembolsarem a dívida contraída junto dos credores britânicos e holandeses.Admitindo que estará completamente posta de parte a política da canhoneira, que era o comportamento preconizado no Século XIX para quando surgiam estes conflitos de soberania quanto à recuperação dos créditos mal parados (dificilmente se estará a imaginar uma frota anglo-holandesa a vogar ao largo de Reiquejavique ou uma esquadra de cruzadores alemães a bloquear o Pireu…), resta concluir que, por muito retaliatórias que sejam as sanções para estes devedores, é preciso voltar a atribuir importância ao factor das fronteiras nacionais na avaliação do risco de crédito nas aplicações financeiras…
A globalização é capaz de não estar, afinal, tão globalizada…
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29 agosto 2009
UPS!
O pretexto deste poste é um outro, escrito já há uns três meses num outro blogue, em que se criticava António Costa por ter empregue o vocábulo embaraçante num programa de televisão. Mas o melhor desse poste talvez deva ser mesmo a sua caixa de comentários, especialmente a metade final, onde o autor desse tal poste, depois de lhe demonstrarem de forma indiscutível que afinal, e ao contrário do que escrevera, a palavra existia na língua portuguesa, acaba o diálogo a perorar, sem sequer reconhecer o óbvio: que se enganara…
Enfim, são banalidades de blogosfera e já teria esquecido há muito o assunto não fossem estas repetições sucessivas do anúncio da Cabovisão que se pode ver no vídeo acima. Nele, o atirador de facas, apesar de ainda vendado, emite logo um ups! preocupado antes de ver o resultado do que fizera... Trata-se de uma enorme virtude que João Carvalho, o autor do tal poste, não tinha: a esse, nem que se lhe tirasse a venda, se lhe explicasse cuidadosamente o assunto e mesmo com o auxílio da bibliografia (um dicionário!), nem assim conseguiu(?) perceber que acabara de fazer asneira…
Enfim, são banalidades de blogosfera e já teria esquecido há muito o assunto não fossem estas repetições sucessivas do anúncio da Cabovisão que se pode ver no vídeo acima. Nele, o atirador de facas, apesar de ainda vendado, emite logo um ups! preocupado antes de ver o resultado do que fizera... Trata-se de uma enorme virtude que João Carvalho, o autor do tal poste, não tinha: a esse, nem que se lhe tirasse a venda, se lhe explicasse cuidadosamente o assunto e mesmo com o auxílio da bibliografia (um dicionário!), nem assim conseguiu(?) perceber que acabara de fazer asneira…
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04 dezembro 2007
BRASA
Tenho imensa pena de não ter conseguido encontrar nenhum sítio na Net em que se possa ouvir o jingle do anúncio televisivo da Brasa (acima) dos inícios da década de 70, o que necessariamente limitará os destinatários deste poste àqueles que hoje tenham mais de 30 anos… A caixa de comentários está aberta a referências. De qualquer modo, aqui fica a letra do anúncio:- Parece que é! - Mas não é!
- Que gosto, que satisfação!
- Brasa é a bebida que aquece o coração!
- Cevada, chicória e centeio,é a sua composição…
- Brasa é a bebida que aquece o coração!
- Brasa é a bebida que aquece o coração!
Como se depreende, Brasa era um composto em pó que se adicionava à água ou ao leite fazendo-se passar por uma espécie de café. Trata-se de uma bebida típica da Europa continental que muitas vezes se vira privada no passado (o bloqueio continental da época napoleónica, a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais…) do acesso a produtos tropicais como o açúcar e o café.
Ora Portugal tinha uma história totalmente distinta: fora a potência colonial do maior produtor mundial de café da época (Brasil) e ainda era, na altura, a potência colonial do quarto maior produtor mundial (Angola). Geralmente, nunca faltara matéria-prima, e era (e ainda é) patente como o café faz parte dos hábitos alimentares dos portugueses. Mas releia-se atentamente a letra do jingle…
Se beber café se tornou nacional, passar por mais esperto que os outros é nacional desde a alvorada da nossa história… Usar cevada, chicória e centeio torrados e fazê-los passar por parecerem que é o que não é, para além de ser mais barato, reconforta-nos na alma portuguesa de uma forma que nem o cafezinho é capaz de fazer… Os meus cumprimentos (tardios) aos autores da campanha...
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05 agosto 2006
A COCA-COLA NA LUA
Correndo o risco de insistência em excesso no mesmo tema, volto ao do meu cepticismo sobre a eficiência de qualquer força de interposição que venha a ser destacada para o Líbano – mesmo quando possuindo todos os atributos ali publicados e aqui bem sintetizados – se não houver, na prática, vontade intrínseca das duas partes numa solução pacífica.Aliás, lendo com atenção os objectivos propostos pelo articulista do Wall Street Journal (WSJ), mais parece tratar-se de uma força destacada ao serviço de Israel (desarmando o Hezbollah mas persuadindo Israel a retirar, por exemplo) e não propriamente da ONU. Mais adiante, quando se fala da capacidade para aceitar baixas severas é quase do domínio do hagiográfico… E, no que diz respeito a efectivos (25.000) e da sua qualidade (NATO) arriscamo-nos a cair no domínio do onírico...
Tanto rigor teórico acompanhado de uma preocupação tão escassa com as realidades faz lembrar a história do reputado consultor de Marketing que, contratado pela Coca-Cola Company, lhes propôs que, sendo uma marca com uma verdadeira imagem mundial, deviam fazer uma campanha baseada num gigantesco anúncio luminoso colocado na Lua…
Só que, quando lhe perguntaram como isso podia ser feito, respondeu que isso já ultrapassava a sua função de consultor de Marketing… Também aqui, ao distinto articulista do WSJ parecem ultrapassar as respostas aos problemas de que países estão dispostos a participar, destes, quais são os aceites pelas partes, quem pagará os custos de um grande contingente e, sobretudo, quem é que estará disposto a aceitar baixas severas…
Nos seus comentários finais, que me parecem incontroversos, o articulista conclui que quaisquer esforços, quando excessivamente moderados na aparência de que se está a fazer qualquer coisa, acabam por se tornar mais lesivos do que não fazer nada. Estava a referir-se às forças de manutenção de paz, mas podia referir-se também ao cerne da questão: às forças que têm de negociar a paz.
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01 julho 2006
DOS MALEFÍCIOS DA GLOBALIZAÇÃO
Sempre gostei particularmente de títulos que começassem pela preposição De. Dá logo aos assuntos a tratar um cunho de cousas de épocas medievais ou renascentistas; estará para as palavras (tal como o arcaísmo cousa) assim como o som de um alaúde estará para a sonoridade musical.Uma das ocasiões em que me apercebi mais clara e instantaneamente do poder e, simultaneamente, do desleixo, da globalização foi com um anúncio televisivo de uma festa típica e exclusivamente espanhola, praticamente desconhecida em Portugal (a tomatina*), como forma de promoção a um carro qualquer da Toyota.
Achava eu muito descuidada aquela confusão que os japoneses haviam feito entre nós e os espanhóis, até me aperceber que o meu restaurante chinês habitual tinha começado a servir sushi**, um prato da gastronomia tradicional japonesa, provavelmente apostando na nossa proverbial confusão na identificação daqueles dois povos orientais.
Mesmo que me sinta resignado a aceitar todos esses descuidos frequentes no marketing promocional das marcas por parte das multinacionais, há questões em que ainda a isso resisto, nomeadamente as que têm a ver com a língua portuguesa. Mas julgo ser melhor concretizar com um exemplo, para que o leitor melhor me compreenda.
Aqui há umas largas dezenas de anos, uma multinacional bastante conhecida – a Unilever – lançou em Portugal uma linha de produtos de higiene, como sabonetes e desodorizantes, sobretudo destinados ao público feminino. Talvez por isso, escolheu para ela um nome que soasse atractivo para esse público: Rexina.
Deve ter sido a poupança de custos obtida com a adaptação à norma internacional do nome da linha, assim como o desconhecimento da língua portuguesa, que levou mais recentemente os executivos centrais da Unilever a não serem sensíveis à possibilidade de trocadilhos, rimas e eventuais graçolas afins, e a mudarem o nome de toda a linha de produtos para… Rexona.
* Tomatina: espécie de festival que se celebra todos os anos em Agosto numa vila da província de Valência que consiste numa luta geral na praça da vila atirando tomates uns aos outros.
** Sushi: é um prato de origem japonesa a base de arroz temperado com vinagre e recheado com peixe, marisco, vegetais ou ovo
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07 junho 2006
FOI VOCÊ?…(1)
Fosse este poste destinado a passar na televisão e dever-se-ia inserir uma daquelas argolinhas vermelhas no canto superior direito – como se fosse reservado a adultos.Não por causa do tema ser particularmente ordinário, mas porque será preciso alguma antiguidade para nos lembrarmos da evocação dos anúncios do Porto Ferreira que, diferentes entre si, terminavam sempre da mesma forma: um ecrã preto, o logótipo ao fundo e uma voz masculina, grave, a perguntar: Foi você que pediu um Porto Ferreira?
Na desmoralização que grassa no nosso país, onde as classes profissionais têm ganho a imagem que hoje têm para o conjunto da sociedade – ultimamente tem-se falado de professores, farmacêuticos, governantes, parlamentares, magistrados, etc. – foi você que pediu um corpo com bombeiros competentes?
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03 junho 2006
O MEU COMPATRIOTA BELMIRO
Já serão poucos os que ainda se lembram de marcas de produtos de consumo que fizeram furor nos anos 60 e 70, como foram os casos do desodorizante Byly ou do creme depilatório Taky, primeiros indícios de que o povo português se começava a preocupar com bagatelas como o odor corporal e a pilosidade feminina. A frase que acompanhava a promoção ao creme depilatório era uma verdadeira antologia da boa publicidade. Duas ou três meninas, onde se adivinhavam uns 15 a 20 minutos de ensaios prévios, declamavam com a ênfase escassa que o tempo permitira: - É verdade! Taky é milagre! Não há pêlo que lhe resista!
O Taky e o Byly, como os caldos Brandão, a laranjada Bem Boa, a pasta medicinal Couto ou as misturas de café, cevada e chicória da Tofa desapareceram há muito. É pacífico considerar que, pelo seu preço e qualidade, eram produtos só se mantinham devido ao proteccionismo aduaneiro que as protegia da concorrência. Mas esta é apenas uma meia verdade.
Em Espanha, por inércia dos consumidores e pela dimensão do mercado, alguns dos produtos vetustos da era do proteccionismo permanecem em comercialização e em posição dominante. Lá continua-se a vender o Taky e o Byly, pois então. Os refrigerantes espanhóis, por exemplo, onde existia a inolvidável marca La Casera e onde hoje predomina a marca Fanta, são geralmente absolutamente intragáveis, mas parece ser um caso perdido explicar isso a qualquer espanhol. Enfim, ¡calidad española!
Mas foi em Portugal que falava Belmiro de Azevedo quando o ouvi referir-se à Autoridade da Concorrência (AdC), criticando-a por não estar a pensar em termos globais quando se fala do mercado dos operadores de telemóveis. Resumindo o caso, Belmiro, que detém a Optimus e que pretende adquirir a TMN do grupo PT, ficando com cerca de 2/3 do mercado português (o resto é da Vodafone) não concorda com a objecção que a AdC faz a esta concentração.
A argumentação de Belmiro seria risível não fosse a sua intenção de ser levado a sério: a concorrência devia ser analisada a nível mundial, onde a Vodafone é líder, e por isso protegê-la, neste caso, é estar a proteger os fortes contra o fraco Belmiro. Note-se que não se desmente que, com 2/3 do mercado português, o bloco TMN/Optimus poderia fixar os preços que muito bem entendesse e a Vodafone teria que se adaptar.
Pelos vistos, deve ter escapado a Belmiro a evidência que o propósito da AdC, operando e tendo autoridade em Portugal, é o de proteger os interesses portugueses, representados sobretudo nos consumidores. E estes, numa situação desvantajosa, não se preocupam verdadeiramente com a nacionalidade de quem está a abusar da sua posição monopolista. Veja-se o exemplo recente dos abusos demonstrados na transmissão dos jogos do Mundial pela TV Cabo, da nossa querida e simpática PT pública.
Mais, deviam considerar antipática e descarada a atitude de quem só quando lhe interessa vem apelar à simpatia de ser compatriota. É nestas alturas que se percebe que a figuras como Belmiro, por muito que encham as bocas com palavrões como modernidade e globalização, não lhes desdenharia nem desistiram de regressar ao ambiente protegido em que medravam as fabriquetas de Taky.
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01 junho 2006
QUANDO TE SENTES BELA, ACHAM-TE MAIS BELA!...
Por muito que me esforce, lembrando-me da frase publicitária (a que consta no título), não me consigo lembrar da marca comercial do produto que ela promovia, à excepção da certeza de que se tratava de um sabonete, e daqueles dirigidos especificamente às consumidoras.Excluído evidentemente o Lux (cuja frase indissociável era nove em dez estrelas de cinema usam Lux…), fica-me a dúvida entre o Palmolive, o Cadum, ou uma outra designação comercial que o tempo me tenha feito esquecer.
Não parece, mas não foi para falar predominantemente de sabonetes e da beleza feminina que me decidi a inserir este post. A associação faz-se com o ministro da economia, Manuel Pinho que, não tendo uma relação próxima com a beleza, ontem se saiu em beleza na comissão parlamentar de Assuntos Económicos.
As explicações ali apresentadas por Manuel Pinho - apresentadas em mais detalhe neste poste do colega da Câmara Corporativa (a quem aproveito para agradecer) - no que respeita à posição governamental sobre a questão da refinaria de Sines parecem perfeitamente sustentadas e consequentes da decisão assumida pelo governo.
Relembrando a utilidade que sempre existe na audição da parte contrária, protagonizada por Patrick Monteiro de Barros, é de saudar a sobriedade e a segurança com que o governo apresentou e fundamentou as suas razões para a sua decisão.
Provera que o governo pudesse, em casos de divergência, fazer o mesmo com todos os outros assuntos. Provera também, que as razões governamentais fossem sempre tão transparentes que se pudessem explanar com a tranquilidade com que estas o foram…
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02 maio 2006
GRANDE, GIGANTE E FAMILIAR
Não sei se já prestaram atenção às designações que dão aos pacotes de detergente. Nunca há um pacote que se chame pequeno ou mesmo médio, é tudo de grande para cima: grande, gigante e familiar. Deve ser para convencer o comprador que está a poupar…Claro que a ideia pegou e já se fazem piadas com isso, como por exemplo a velocidade dos alentejanos: devagar, devagarinho e parado. Lembrei-me destes exemplos a propósito da dificuldade que existe na televisão em produzir análises mais aprofundadas sobre qualquer problema, dado o tempo ser escasso.
Há as análises superficiais, as análises pela rama e as análises de Domingo do Marcelo.
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31 março 2006
PALAVRAS PARA QUÊ?!
A Pasta Medicinal Couto tinha um sabor terrível mas ninguém a batia em anúncios de televisão. Num deles, aparecia um negro escuro, mas com uns dentes e uns olhos tremendamente reluzentes, a abocanhar uma cadeira com a qual fazia malabarismos. No final do anúncio, uma voz em off comentava, de acordo com a ideologia daquela época: - Palavras para quê?! É um artista português e só usa Pasta Medicinal Couto!
Depois de uma notícia do Público de ontem, comentada aqui num post intitulado O Sobrinho, o chefe do gabinete do presidente do supremo tribunal administrativo, Rogério Martins Pereira, endereçou uma carta ao jornal que ele publica na edição de hoje. Vale a pena reproduzi-la:
“Com referência ao artigo publicado ontem, intitulado “Vice-presidente do Supremo Administrativo nomeia sobrinho para seu assessor”, encarrega-me sua excelência o presidente do supremo tribunal administrativo de fazer notar a V.Exa. que é de lamentar que a comunicação social se preocupe em publicitar situações como a vertente, quando há muitos outros factos a noticiar, estes sim, de extrema relevância para a jurisdição administrativa e fiscal e cujo conhecimento aproveitaria, seguramente, a todos os cidadãos.”
Ou seja, sobre a matéria objecto da notícia (o nepotismo do vice-presidente) responde-se como nos julgamentos as testemunhas costumam responder aos costumes: nada.
Palavras para quê?! É um artista português e só usa Pasta Medicinal Couto!
Depois de uma notícia do Público de ontem, comentada aqui num post intitulado O Sobrinho, o chefe do gabinete do presidente do supremo tribunal administrativo, Rogério Martins Pereira, endereçou uma carta ao jornal que ele publica na edição de hoje. Vale a pena reproduzi-la:
“Com referência ao artigo publicado ontem, intitulado “Vice-presidente do Supremo Administrativo nomeia sobrinho para seu assessor”, encarrega-me sua excelência o presidente do supremo tribunal administrativo de fazer notar a V.Exa. que é de lamentar que a comunicação social se preocupe em publicitar situações como a vertente, quando há muitos outros factos a noticiar, estes sim, de extrema relevância para a jurisdição administrativa e fiscal e cujo conhecimento aproveitaria, seguramente, a todos os cidadãos.”
Ou seja, sobre a matéria objecto da notícia (o nepotismo do vice-presidente) responde-se como nos julgamentos as testemunhas costumam responder aos costumes: nada.
Palavras para quê?! É um artista português e só usa Pasta Medicinal Couto!
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30 janeiro 2006
PACOTES
Aqui há uns bons anos, treze para ser preciso, dirigia o governo o senhor que foi agora eleito como Presidente da República, a economia portuguesa começou a dar sinais claros de desaceleração no seu ritmo de crescimento.Para contrariar essa tendência, reforçando a confiança dos agentes económicos, como se recomenda nos manuais de economia, deu o referido governo em anunciar sonoramente a vinda dos fundos comunitários, que já haviam sido negociados de antemão, dando-lhes o título pomposo de pacotes.
Ele havia um pacote (de fundos comunitários, entenda-se) à segunda-feira, descansava-se à terça, outro à quarta com descanso à quinta e, como o cepticismo era generalizado, à sexta havia logo dois pacotes por causa do fim-de-semana. Arrisco-me mesmo a dizer que deve ter havido pacotes que foram reciclados para reanúncio na semana seguinte.
Embora tudo isto tivesse sido feito com a melhor das intenções, relembro aos mais esquecidos que não funcionou e a desaceleração do ritmo de crescimento da nossa economia continuou até ao ano em que o nosso futuro Presidente foi substituído naquelas funções pelo nosso Alto-Refugiado.
Toda esta história tornou-me a ocorrer quando, recentemente, comecei a ser bombardeado, também em dias alternados, com as perspectivas de um influxo quase maremótico de capitais a investir em Portugal, só que no futuro, muito lá para o futuro.
Eu bem desconfio que esse bombardeio também é feito com a melhor das intenções, pela reanimação da confiança dos agentes económicos, mas a seriedade obrigaria a que as notícias, boas e más, fossem dadas com simetria: se noticiassem as fábricas que fecham versus as fábricas que abrem ou, alternativamente, as intenções de investimento em Portugal com as intenções de deslocalização para outros países.
Assim como está, alguém que perde o emprego hoje, arrisca-se a recuperá-lo em 2009. Dito assim, não sei se será assim tão animador… Enfim, sempre será melhor que os pacotes...
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14 novembro 2005
DE OLHOS NOS OLHOS, MAS PENSANDO NA ALGIBEIRA DELE…
Não parece ser muito arriscado afirmar que, a propósito de financiamentos, deve ser dificílimo descobrir inocentes. E onde existe uma certa honra, mas aquela do tipo padrinho: uma figura respeitada como Helmuth Kohl foi sancionada judicialmente por não revelar as origens do dinheiro num processo em tribunal. Entre nós, ainda temos uma mala recheada de dinheiro para António Preto (PSD) explicar, mas, tanto cá, como lá fora, parece existir um equilíbrio semelhante à MAD (destruição mútua assegurada) da Guerra-Fria: se tu não falares dos meus, eu não menciono os teus.
Em relação ao seu posicionamento no espectro político, diz-nos a intuição que os partidos e os candidatos quanto mais são de esquerda maiores dificuldades terão em se financiarem. Em Portugal, o PCP parece ser o único partido que fala claramente das suas questões de financiamento, embora aproveite a franqueza para nos contar uma data de fábulas. Só após a extinção da União Soviética é que ficou inequivocamente provado, a partir de documentos russos, que o PCP recebia financiamentos do exterior. Até lá, tinha sido tudo do muito trabalho militante, das quotizações e dos lucros da Festa do Avante. Com o correr da década de 90, constatou-se a perda progressiva de iniciativa nas várias campanhas do PCP e nos seus resultados eleitorais. Afinal, a falta dos rublos fez-se sentir.
Tudo isto vem a propósito da evidente pujança recente do Bloco de Esquerda em termos de meios de campanha. Ainda a campanha presidencial não arrancou e ele já é enormes outdoors do candidato espalhados por aí… Quando isto vem dos herdeiros de uma LCI, de um PSR, de uma UDP, que estavam sempre à míngua de meios e cujos folhetos de propaganda faziam parecer que continuavam a usar as impressoras de vão de escada do tempo da clandestinidade…
Por isso, quando vejo o enorme outdoor dos Olhos nos Olhos, com o Louçã a fixar-me, eu devolvo-lhe o olhar mas confesso, não estou a vê-lo, estou a imaginar o custo daquele cartaz e quem lhe enche a algibeira…
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