21 janeiro 2019

A RENÚNCIA FINGIDA DE CHIANG KAI CHEK

21 de Janeiro de 1949. Em mais uma das inúmeras manobras retorcidas que rechearam toda a sua carreira política, o generalíssimo Chiang Kai Chek (1887-1975), que era então o chefe de estado nominal de uma China dilacerada pela guerra civil, anuncia ostensivamente que «entrega o poder» ao seu vice «para deixar o caminho livre às negociações de paz». Os seus exércitos nacionalistas haviam sofrido um encadeado de derrotas severas às mãos das forças comunistas de Mao Zedong (1893-1976) e a intenção de Chiang era passar a "batata quente" para o seu vice-presidente Li Zongren (1890-1969), que era também seu rival político. Como se pode ler num subtítulo da notícia acima, tratava-se «de uma interrupção de funções e não da resignação». Se as negociações de paz que se seguissem fossem frutuosas, tal facto dever-se-ia ao seu gesto magnânimo; se não e os comunistas reiniciassem a ofensiva militar (que foi o que de facto veio a acontecer), a responsabilidade pelo fracasso recairia totalmente em Li Zongren, e Chiang teria derrotado pelo menos o seu principal rival no campo nacionalista, enquanto havia ganho tempo e preparado a retirada dos últimos recursos do seu regime para a Formosa. O pensamento político retorcido de Chiang não ficava nada a dever ao de Mao...

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