05 setembro 2014

SETEMBRO NEGRO

Foi há precisamente 42 anos que um comando palestiniano com oito membros invadiu os apartamentos onde estava alojada a equipa olímpica israelita, tomando onze israelitas como reféns. A mais conhecida fotografia do acontecimento é esta, a de um terrorista anónimo por detrás de um passa-montanhas na varanda do apartamento que haviam ocupado. Mau grado a evidente falta de empatia que a imagem desperta, os sequestradores apoderaram-se também (e sobretudo) da atenção dos centenas de milhões de espectadores que havia sido originalmente programada para se entreterem (apenas) com os jogos olímpicos de Munique. O desfecho trágico da história é conhecido, a continuação e a vingança de Israel foi até objecto de um filme de Spielberg – Munique (2005). Mas aquele princípio de separação das actividades que sempre fora aceite até aí pelos ocidentais, consubstanciado, por exemplo, no antigo ditado português que estabelecia que serviço é serviço e conhaque é conhaque sofreu um rude golpe com a tragédia de Munique: os radicais fanáticos nunca saem de serviço e podem mesmo aproveitar as ocasiões do conhaque dos outros para sua vantagem…

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