12 novembro 2020

A VISITA DE MOLOTOV A BERLIM

12 de Novembro de 1940. Viatcheslav Molotov (1890-1986), o ministro dos Negócios Estrangeiros da União Soviética, faz uma visita rodeada de pompa e circunstância a Berlim, para negociar com o seu homólogo Joachim von Ribbentrop (1893-1946) e com Adolf Hitler. Acima, do lado direito, vêmo-lo a cumprimentar Heinrich Himmler (1900-1945), que seria possivelmente o membro mais importante da categorizada comitiva que o fora acolher à estação de comboio de Anhalter. Do lado esquerdo, lê-se o que então se publicava no Diário de Lisboa, mostrando que, mesmo à distância de Lisboa, a visita de Molotov a Berlim se revestia de um carácter preocupante e misterioso, que nem mesmo as encenações e fanfarras que acompanhavam o momento (abaixo) não conseguiam dissipar. Actualmente, sabe-se que a intenção de Hitler era mesmo a de tentar estender o Pacto Tripartido (Alemanha, Itália, Japão) à União Soviética, e torná-lo Quadripartido; que Estaline acompanhava as negociações a par e passo, via telex. Em 1940, ainda se estava longe das alianças sólidas que os futuros acontecimentos de Junho e Dezembro de 1941 iriam forjar. Ainda parecia possível que comunistas, fascistas e nazis pudessem vir a ser parceiros. E isso não era nada tranquilizador.
É importantíssimo realçar que, por esta mesma altura, e ao contrário do que se percebe acima pela desconfiança do articulista do Diário de Lisboa, os comunistas portugueses não tinham autorização para manifestarem desconfianças a respeito dos propósitos das grandes ditaduras, muito menos para se assumirem como anti-fascistas: as ordens de Moscovo (o princípio do centralismo democrático) valiam muito mais do que quaisquer princípios éticos e instintos políticos. A evocação destas Verdades Históricas costumam ser mesmo uma merda para os comunistas...

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