Para variar, foi muito discreta mas muito bem
passada na imprensa a medida governamental que abandona a classificação dos hotéis
por estrelas. Era uma medida que se impunha dado que a última legislação a esse
respeito fora já aprovada em 2008, três anos antes da chegada à secretaria do
turismo por parte de Adolfo Mesquita Nunes, um liberal de créditos firmados. O
que a jornalista do Diário Económico terá percebido é que o novo sistema não
acaba definitivamente com a atribuição de estrelas, mas deixa ao critério dos
hoteleiros a decisão de adoptar este sistema de classificação. E que a
qualidade deverá ser garantida por via de um sistema de pontuação obrigatória
que manterá o nível de exigência a que os hoteleiros já estão actualmente
obrigados.
Ou seja, talvez eu tenha compreendido mal, mas a
manutenção de um sistema de pontuação faz com que pareça ficar tudo na mesma. Para que
se continue a proteger a reputação daqueles hotéis ultra-requintados que usam e
abusam das estrelas (sete – agora já poderão auto-classificar-se com dez!), ao
mesmo tempo que se continua a impedir que um dono de pensão assim a dar para o mais
empreendedor possa rebaptizar a sua pensão estrelinha de pensão cinco
estrelas, enganando a clientela. Por fora, fica a capa liberalizante da medida, onde quase se pressupõe que cada hotel afixa à entrada (ou não...) as
estrelas que lhe convêm, num liberalismo que muito se assemelha em fiabilidade aos galões dos
comissários de bordo da aviação civil, que são todos de coronel para cima.
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