26 abril 2010

UMA HISTÓRIA DE VENTILADORES


Quase me dispenso de apresentar a famosíssima cena de Marilyn Monroe no filme O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch) em que ela aproveita um ventilador do metropolitano para se refrescar numa quente noite de Verão. Aquele preciso momento em que a saia branca se alça mostrando-lhe parte das pernas e fazendo-nos imaginar tudo o resto tornou-se um dos momentos icónicos do cinema. Porém, há uma certa ironia no facto de, como se vê acima, no filme nunca se ver Marilyn globalmente, imagem que apenas podemos apreciar em fotografia.
Para além disso, tendo sido tiradas várias fotografias daquele momento, criou-se a dificuldade suplementar de escolher a fotografia que verdadeiramente captará a essência daquele momento. A preferida parece ser a que inseri cima, que é a utilizada em galerias ou em posters. Mas este será mais um daqueles casos em que discordo das preferências das maiorias… Escolhi a de baixo, porque a de cima é grosseira, com uma Marilyn Monroe intrusiva, olhando directamente para nós. Ora eu acho que a sensualidade de Marily está em, recatadamente, deixar-se olhar…
Prova que haverá mais quem analise a cena como eu é o facto dessa espécie de recato ter sido preservado quando 30 anos mais tarde a cena foi recreada por Kelly LeBrock no filme A Mulher de Vermelho (The Woman in Red). Claro que o branco deu lugar ao vermelho e o que antes era subtil tornou-se óbvio, nomeadamente os efeitos cómicos, de que a melhor cena será a da parte final, quando um patusco Gene Wilder de pasta e gabardina se vai colocar também em cima do ventilador e, ao som da mesma banda sonora, se tenta menear tal qual Kelly fizera…

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