18 junho 2019

ESTAS COISAS PAGAM-SE, MAS MIKE POMPEO AUMENTA A TAXA DE JURO


Ainda há cerca de seis meses, o secretário de Estado Mike Pompeo, em consonância com o resto da Administração americana, recusava-se a aceitar as conclusões dos seus serviços secretos, que ligavam o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi à supervisão directa do príncipe herdeiro saudita (acima). Não: a CIA podia estar a dizer aquilo tudo, havia gravações de som, mas era mentira. Agora, vêmo-lo a usar as conclusões desses mesmos serviços secretos, para tentar persuadir os seus parceiros internacionais e a opinião pública americana e mundial, que o Irão se encontra por detrás dos ataques a navios que têm ocorrido no Estreito de Ormuz. Agora, é verdade, até há fotografias e tudo! Como seria de esperar, houve um ensurdecedor silêncio céptico a acolher a alegação dos americanos, feita não apenas por Pompeo, mas reforçada pelo próprio Trump. O problema é que - e isso já não será culpa de Trump - a credibilidade que os Estados Unidos alguma vez haviam possuído a este respeito foi inteirinha para o caixote do lixo com o episódio da apresentação das provas das armas de destruição maciça com que Colin Powell (o antecessor entre 2001 e 2005 de Pompeo) justificou em 2003 a invasão do Iraque. Não as havia, as tais armas de destruição maciça mostradas por Powell, e as pessoas não se esqueceram disso (tirando eventualmente Vasco Rato, que nunca terá cumprido a promessa de fazer um strip tease porque as não havia, mas isso é toda uma outra história...) Agora com estes requintes de incoerência, em que uma figura de destaque da administração americana se comporta absolutamente ao contrário do que fizera seis meses antes, apenas se confere um carácter caricatural, apalhaçado mesmo, a um descrédito mundial que mesmo oito anos de Administração Obama entre Bush e Trump nunca conseguiram rectificar. Contudo, por detrás do aspecto bufão que cada vez mais conecta Trump e os que lhe estão adjacentes (os sérios já se foram embora...), está a tragédia de se assistir aos Estados Unidos a operarem cada vez mais isolados no panorama internacional. Nenhum país desejará ter os Estados Unidos por inimigo, mas poucos países - só os mais desesperados, os que a têm a Rússia na vizinhança, por exemplo - se disporão a ter estes Estados Unidos como aliados imprevisíveis. Se há seis meses Donald Trump prometia retirar 2.000 soldados americanos da Síria, agora anuncia-se o regresso a um sítio vizinho de mais 1.000 soldados por causa do Irão. Isto não é uma política externa, é uma série televisiva com um enredo rocambolesco, em que os autores do argumento já se esqueceram do que escreveram há seis meses. E o pior de toda esta série televisiva é que o Irão pode mesmo ser culpado!...

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