08 maio 2006

O TERNO DE TRUNFO

Antigamente a terminologia era simplificada: havia a situação e havia a oposição. Recuperando-a, entre os políticos, muitas vezes a elegância e a categoria de cada um deles via-se na forma como defendiam o governo quando eram da situação. Quando se é da oposição, já se sabe, é para malhar.

Eu supunha já se terem atingido os limiares mais baixos da falta de jeito na defesa das posições governamentais quando Luís Delgado – que não sendo político, é um jornalista totalmente engajado, o que vem dar a mesma coisa – deu em defender o “milagre” do crescimento económico estimado de 2% que constava do orçamento do governo de Pedro Santana Lopes.

Só ele, pensei naquela altura, só Luís Delgado se lembraria de tentar transformar as previsões de um crescimento económico sofrível num feito notável. Estava enganado. Redondamente enganado!

Num post de hoje no seu blog Causa Nossa, intitulado Trunfo, Vital Moreira – que não sendo político, é um especialista em direito constitucional totalmente engajado, o que vem a dar a mesma coisa – dá um aspecto coloridamente positivo à revisão, pela comissão europeia, do crescimento da economia portuguesa para este ano de 0,8 para 0,9%. Ena!

Vital Moreira tem todo o direito constitucional de chamar ao acontecimento um trunfo, mas eu também tenho o meu direito constitucional de considerar que, a ser trunfo, é uma carta assim muito baixinha, um duque ou um terno…

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