10 outubro 2006

AS INDEPENDÊNCIAS AO LONGO DO SÉCULO XX (4)

1) O Período dos Imperialismos (1901-1912)

Durante o decénio e meio que precedeu a 1ª Guerra Mundial, houve sete países que se tornaram independentes. Nesta fase, ainda não é fastidioso enumerá-los: Austrália (1901), Panamá (1903), Noruega (1905), Nova Zelândia (1907), Bulgária (1908), África do Sul (1910) e Albânia (1912). O resultado da soma da população de todos estes países não ultrapassa 1,5% da população mundial de hoje.

Nesta altura, o Mundo era comandado a partir de Londres. O poder britânico era inquestionável, mas estava a tornar-se cada vez mais contestável. As diferenças que o separavam de algumas das potências secundárias como os Estados Unidos e a Alemanha iam-se estreitando inexoravelmente e a supremacia naval que era o seu ex-libris já tinha tido melhores dias. Ainda se podia cantar, com propriedade, Rule Britania, Britania rule the waves[1]..., mas também se podia perceber que, no futuro, esse cântico ia fazer cada vez menos sentido. Para mais, a vizinha Alemanha, de quem o Reino Unido esperaria um comportamento tradicional de uma potência continental, tinha-se empenhado, de uma forma caprichosa, em contestar a supremacia britânica na sua própria especialidade: um império colonial e uma grande frota de guerra.

Quanto às evoluções registadas na ordem mundial, descartado o epifenómeno do aparecimento do Panamá no continente americano, que mais não foi do que uma manobra norte americana para um controle mais eficaz da região circundante do canal do mesmo nome, face a uma Colômbia relutante em cedê-lo, podemos agrupar os restantes novos países em dois grupos.

Na Europa, as movimentações balcânicas, em consequência do vazio de poder provocado pela retirada do poder otomano, davam origem ao aparecimento de novos países, de base nacional, como forma de neutralizar as ambições de austro-húngaros e de russos em substituir os turcos na região. Estas preocupações diplomáticas das potências europeias produziam assim estes subprodutos, como a Bulgária e a Albânia, já que o seu maior cuidado era a segurança europeia e não o respeito pelo, agora universalmente aceite, princípio das nacionalidades. Hoje, sabemos que acabaram por falhar, e que a 1ª Guerra Mundial nasceu de um incidente trivial em Sarajevo em 1914; mas isso não nos dá o direito de as censurar por falta de empenho. Num outro extremo do continente terminava mais outro casamento dinástico: os noruegueses aborreceram-se de ter um chefe de estado (monarca) em condomínio com os suecos, e escolheram um outro (seu e exclusivo) num dos membros da casa real do outro país escandinavo - a Dinamarca.

No Mundo, o poderoso Império Britânico dava as primeiras mostras de cansaço. O fardo do homem branco, a responsabilidade dos europeus de governarem o Mundo, era, de facto, mais do que a retórica poderia antever, um fardo. Continuando o que já havia sido feito no Canadá, nos finais do século precedente, os britânicos passaram a conceder às suas colónias onde predominavam os europeus um grau muito amplo de autonomia sob a designação de Dominions (domínios) – a Austrália, a Nova Zelândia, ambas na Oceânia, e a África do Sul. Neste último caso, havia dois grandes desvios à norma: a maioria dos seus habitantes não era branca e, entre a minoria branca, a maioria até nem era anglófona, mas sim de ascendência bóer (descendentes de holandeses). Mas, afinal de contas, o fardo era do homem branco... e o método até nem era inédito: os francófonos do Canadá tinham aderido bastante bem ao estabelecimento desse Domínio. Era esperado que estes novos países, para além de assegurarem as condições para se governarem a si mesmos, aliviassem as responsabilidades da metrópole na administração colonial das outras regiões do Império que lhe ficassem adjacentes. Ou seja, que fossem uma espécie de alter egos regionais do Reino Unido.

Em suma, se é possível traçar um padrão para a concessão de independências neste período, é que se tratava de um assunto de e entre europeus, residissem eles no local do Mundo onde residissem.

[1] Traduzindo livremente, a letra do hino poderá ser: Domina Bretanha! É a Bretanha que domina as vagas (do mar)...

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