
Porque não faz parte da orientação que quero dar a este
blogue, não me pronunciei até agora sobre tudo o que tem estado associado ao episódio
Freeport. Aliás, suponho que coisa que não falta nessa
blogosfera são opiniões, variadíssimas, acerca dos inúmeros aspectos de que se foi revestindo o episódio, depois transformado em folhetim. Mas agora, que julgo que a
pilha de assuntos associados ao episódio construída freneticamente pela comunicação social já se
desmoronou por causa da
patetice de alguns assuntos que para lá foram sendo adicionados, achei oportuno questionar-me sobre a (im)parcialidade dos critérios que levam os jornalistas a elegerem os seus alvos nestes
casos de escândalo.
Parece-me evidente que José Sócrates já estará há tempo suficiente no poder para agora só estar rodeado de uma camarilha servil e concordante. É esse conceito muito elevado da sua importância que costuma atacar infelizmente quem ocupa o poder mais do que um par de anos, ampliado pela caixa de ressonância dos que o rodeiam que explicam – mas não desculpam... –
aqueles exageros da campanha negra. Chegados aqui, deixem-me mudar para um outro assunto, ou, adoptando a expressão de José Sócrates e dos seus apaniguados, para uma outra
campanha, esta
branca por possuir
a virtude de nem se ter dado por ela. Falo do
Caso da Carta de Patrão de Costa de Joaquim Ferreira do Amaral…

É um episódio que, como o do
Freeport, deixei que também
amadurecesse: apareceu na imprensa em 13 de Janeiro, mas hoje constata-se com evidência que não houve órgão de comunicação social que o quisesse
desenvolver. E, contudo, vejam quanto ele parece ser bastante interessante: é um caso de corrupção associado aos exames que conferem direito às Cartas de Marinheiro, de Patrão Local e de Patrão de Costa. Há uma Escola sedeada em Matosinhos que se ufanava de uma alta taxa de aprovação dos seus alunos. E para mais, os alunos só precisavam de a frequentar durante 4 dias… Trata-se de uma bela notícia com corruptores, corrompidos e
43 arguidos, um dos quais se chama Joaquim Ferreira do Amaral…

Eu, e creio que muita gente mais, não teria ficado nada
espantado, considerando a anomalia da situação (...é que não se costumam receber SMS com respostas durante os exames) e que o esquema viera a ser denunciado… Agora, o que me deixou deveras
espantado foi a discrição com que todo este
suculento incidente veio a ser
tratado pela comunicação social, para mais quando estas atitudes ingénuas apenas conseguem é excitar ainda mais as
feras… Atendendo ao tema e à (falta de) reacção mediática, e ao contrário do que cantavam
Os Sitiados, precisamente nos tempos do apogeu do
cavaquismo e de Ferreira do Amaral (1992), há casos e pessoas em que parece que
esta vida de marinheiro não dá cabo delas…
(*) - Claro que há variadíssimas escolas na região da Grande Lisboa onde eles poderiam obter precisamente a mesma Carta...